O Guerreiro Solitário Brasileira

Autor(a): Hugo Batista


Volume 1: Cont. Elemental

Capítulo 5: Pesadelo

Enquanto corria, um cultivador de cabelo loiro e olhos vermelhos lançou uma lança em sua direção. Com facilidade, Tatsuya conseguiu desviar.

Parou de correr, sacou a espada e assumiu posição de batalha. Dois homens se aproximaram e um deles ordenou que Tatsuya largasse a espada e se rendesse, mas sem dar ouvidos, ele partiu para cima, desferindo um golpe que arrancou o braço esquerdo do oponente.

O outro homem tentou atacar, mas seus golpes foram bloqueados pela espada de Tatsuya, que o lançou para trás e finalizou a luta.

Tatsuya balançou a espada para limpar o sangue da lâmina e, em seguida, correu em direção a uma cachoeira.

Após se esconder atrás de uma pedra por um tempo, ele se levantou e olhou ao redor, percebendo que não havia ninguém ali. No entanto, sentiu uma energia ameaçadora se aproximando por trás dele.

Antes que pudesse reagir, uma bola de fogo carmesim foi lançada em sua direção. Houve uma explosão, mas nos últimos segundos, Tatsuya conseguiu sacar a espada e cortar a bola de fogo, evitando um dano pior.

Então, um homem de cabelos vermelhos e olhos azuis, vestindo um quimono preto com listras vermelhas, se aproximou, batendo palmas e sorriu.

— Deixe-me apresentar. Eu sou Karnak. Seu tempo de reação foi ótimo, garoto— disse Karnak enquanto se aproximava.

— Eu não preciso do seu elogio. Agora cale a boca e lute — respondeu Tatsuya, entrando em posição de batalha com a espada apontada para Karnak.

Tatsuya partiu para cima, desferindo um corte horizontal, que foi facilmente defendido.

Karnak usou seu punho esquerdo para dar um soco na barriga de Tatsuya, fazendo-o cuspir sangue.Em seguida, Karnak desferiu um chute de direita no rosto de Tatsuya, jogando-o para longe.

Tatsuya parou após colidir com uma árvore. Com expressão dolorida, ele se levantou lentamente, segurando a barriga com a mão esquerda e limpando o sangue que escorria de sua boca com a mão direita.

Ele pegou a espada que estava ao seu lado no chão. Karnak observava, surpreendido por Tatsuya ainda estar de pé após os golpes recebidos. Karnak, com um olhar de superioridade, disse:

— Ei, garoto, você acha mesmo que vai me derrotar? Saiba que eu já estou no sétimo estágio.

— E daí que você é um cultivador de sétimo estágio? Isso não muda o fato de que eu vou te matar — respondeu Tatsuya com um tom arrogante.

Tatsuya segurou a espada com a mão direita e partiu novamente para cima, desferindo vários cortes em uma velocidade incrível.

Karnak sorria enquanto contraatacava. Depois de alguns movimentos, os dois se afastaram. Karnak concentrou a energia espiritual na lâmina da espada e disse:

— Arte marcial Reino da Espada de Fogo, Lâmina Carmesim Queimadora de Alma.

Uma chama surgiu ao redor da espada de Karnak. Tatsuya percebeu que aquele golpe poderia ser fatal.

Karnak avançou em direção a Tatsuya, que tentou defender o golpe, mas seu tempo de reação foi muito lento. A espada de Karnak perfurou a barriga de Tatsuya. Nesse momento, Karnak disse:

— Que sua alma seja carbonizada, agora queime!

Tatsuya começou a pegar fogo e gritou de dor. Karnak retirou a espada, e Tatsuya caiu no chão. Surpreendentemente, seu corpo não apresentava queimaduras.

Karnak explicou que aquela técnica não afetava o corpo físico, mas sim a alma do oponente, que era queimada pelas chamas. No entanto, isso também gastava toda a energia espiritual do oponente, impossibilitando que continuasse a lutar.

Karnak suspirou profundamente, demonstrando cansaço. Nesse momento, percebeu que Tatsuya começou a se levantar lentamente.

Karnak começou a tremer enquanto uma aura sinistra emanava de Tatsuya, que abriu um sorriso macabro. A imagem do ser sem face apareceu atrás dele. Karnak, incapaz de mover seu corpo, disse:

— Impossível! Por que esse garoto tem a mesma energia do Demônio Sem Face? Ele não deveria estar aprisionado!

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a cabeça de Karnak foi arrancada pela espada de Tatsuya.

Horas depois, Tatsuya estava deitado no chão. Ele abriu os olhos, levantou-se e percebeu que estava em um lugar desconhecido, cercado por árvores. Ainda confuso, murmurou:

— Droga, o que aconteceu? A última coisa que me lembro é de ter sido atingido pela espada daquele homem e de uma voz me dizendo que ainda tenho uma promessa para cumprir.

Em um piscar de olhos, Tatsuya entrou em seu subconsciente e deparou-se com o ser sem face flutuando diante dele. O ser disse:

— Se não fosse por mim, você estaria morto agora, garoto. Eu emprestei meu poder, mas parece que você não conseguiu controlá-lo. Por isso, não se lembra do que aconteceu.

— Entendi. Então eu perdi o controle por causa do seu poder.

Tatsuya e o ser sem face continuaram a conversar sobre como ele poderia controlar esse poder. Após terminar, voltou ao mundo normal.

Tatsuya sentou-se no chão e começou a cultivar. Após um tempo, levantou-se, pegou a espada e dirigiu-se a uma árvore. Com um único movimento da espada, cortou a árvore ao meio. Ela caiu no chão e os pássaros que estavam nela saíram voando.

Após uma hora de treinamento físico, Tatsuya percebeu que tinha perdido a bolsa que Hironaka havia lhe dado.

Sua barriga começou a roncar de fome. Ele partiu em busca de um rio para pescar alguns peixes. Depois de um tempo caminhando, finalmente encontrou um rio com água cristalina que refletia o sol da tarde.

Tatsu tirou o quimono, ficando apenas de cueca, e pulou na água segurando uma lança que tinha feito no caminho.

Depois de algum tempo, Tatsuya conseguiu pegar cinco peixes.

Vendo que não poderia comer os peixes crus, ele recolheu gravetos encontrados no caminho, fez uma fogueira e a acendeu usando duas pedras. Após terminar de comer, levantou-se satisfeito.

Tatsuya subiu em cima de uma grande árvore em sua frente. Após escalar até o topo, olhou ao redor para ter uma visão melhor da área. Então, pulou de lá de cima e aterrizou de pé no chão.

Três dias haviam se passado desde sua saída da vila dos ferreiros. Guardou sua espada na bainha. Gotas de suor escorriam por seu rosto, demonstrando cansaço após seu treinamento físico. Depois de finalizar, começou a cultivar sobre uma pedra.

Após algumas horas cultivando, levantou-se e falou:

— Já faz três dias desde que saí da vila. Amanhã é meu aniversário. Eu havia combinado de comer um ensopado com o senhor Hironaka.

Após uma hora de caminhada, finalmente chegou à vila. Avistou dois guardas na frente do portão. Tatsuya começou a fazer barulhos atrás de algumas árvores para atrair os guardas.

Um deles ouviu os barulhos e foi investigar. Quando chegou perto, Tatsuya cortou sua garganta. O outro guarda, notando que seu colega estava demorando, decidiu investigar também. Antes de atravessar os arbustos, teve a cabeça arrancada pela espada de Tatsuya.

Tatsuya pegou o quimono de um dos guardas, vestiu-o e amarrou o cabelo. Entrou na vila e foi direto para a casa de Hironaka. Ao bater na porta, uma velha com o rosto enrugado atendeu.

— Boa tarde, jovem. O que deseja com esta pobre senhora? — perguntou a velha.

— Você poderia me informar se Hironaka está? Tenho algo para falar com ele — disse Tatsuya.

A velha perguntou se ele era parente de Hironaka, e Tatsuya respondeu:

— Podemos dizer que sim.

— Entendo. Mas Hironaka foi executado já faz três dias — Ela olhou para Tatsuya, que não acreditava no que ouvia. Ela sugeriu que ele fosse à praça para ver com seus próprios olhos.

Tatsuya saiu correndo em direção à praça. Ao chegar lá, seus olhos se encheram de lágrimas ao ver a cabeça de Hironaka pendurada em uma estaca de madeira no centro da praça.

Ele caiu no chão, chorando e se perguntando por que aquilo havia acontecido. Um homem o avistou e percebeu que era o garoto que a seita Fire estava procurando. O homem se aproximou de um guarda e relatou o que havia visto.

O guarda se aproximou de Tatsuya, ficando a três metros de distância.

Tatsu sentiu a presença do guarda, levantou-se, sacou a espada e a jogou em direção ao guarda. A espada acertou-o na cabeça.

Antes do homem cair, Tatsuya avançou em uma velocidade impressionante, desferiu um chute no estômago do guarda e, com a mão direita, retirou a espada do rosto dele. Tatsuya olhou para cima, com lágrimas nos olhos, e disse:

— Isso que aconteceu com Hironaka foi tudo minha culpa. A culpa não é daqueles desgraçados que abriram a boca, bando de filhas da puta. Hoje vocês conhecerão o inferno.

Enquanto dois guardas se aproximavam, Tatsuya se encontrava sentado em uma cadeira de madeira. Em cima da mesa, havia um prato com ensopado de peixe.

Seu quimono e rosto estavam manchados de sangue, e por onde olhava, havia corpos de pessoas que Tatsuya tinha matado. Ele pegou o prato e levantou, dizendo:

— Essa é para você, Hironaka.

Depois de comer, levantou-se e saiu andando. Um garoto pequeno, de cabelo verde, jogou uma pedra na cara de Tatsu, que parou e observou a criança. O garoto, com uma expressão de raiva, falou:

— Por que você matou meu pai, minha mãe e meus irmãos? Nós não fizemos nada para você. Foram aqueles guardas que mataram o senhor Hironaka, seu desgraçado. Eu prometo que vou te matar e vingar minha família.

Tatsuya abaixou a cabeça e falou:

— Já vi isso em algum lugar. Ei, garoto, me desculpe. — Disse Tatsu, sacando a espada e arrancando a cabeça do garoto, que caiu no chão.

Tatsuya saiu andando sem demonstrar nenhuma expressão. Por onde passava, era possível ver vários corpos mortos caídos no chão.

Os muros das casas estavam todos manchados de sangue. Tatsu foi embora, pensando que havia matado todos da vila. No entanto, algumas pessoas conseguiram escapar antes de serem mortas.

A partir desse momento, esse acontecimento ficaria conhecido como o Massacre da Vila dos Ferreiros.

Antes de partir, Tatsuya escreveu a seguinte frase em um muro: "Os próximos serão vocês, Seita Fire e Seita Wind. Preparem-se para pagar pelos seus crimes." Após várias horas caminhando a pé, Tatsuya chegou a uma montanha distante de tudo, onde planejou treinar seu cultivo e suas habilidades marciais por alguns meses antes de completar sua vingança.

O ser sem face falou:

— Tatsuya, eu nunca pensei que você tivesse coragem de matar aquelas pessoas inocentes, ainda mais crianças. Mas vejo que me enganei.

— Se eu quero cumprir minha vingança, não posso ter compaixão. Além disso, perdi a última pessoa que tinha para me acolher. Por isso, tenho que matar aqueles desgraçados. Só assim poderei viver em paz.

 

 

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