O Fim Perfeito Brasileira

Autor(a): W.S.


Volume 1 - Arco 1: Marco Zero

Capítulo 6: Começando seu Trabalho na Superfície

— ACORDA!! 

Um chamado ecoa, a chamando para si. 

— Hã? O que? Ah, Vanessa é você? 

Damesha acorda, o sol atravessava as frestas da velha janela de madeira do quarto. Ele mal havia nascido. Ao pé da cama, estava Vanessa de camisola com os braços cruzados e um olhar não muito agradável. 

Ela se levanta e fica sentada na cama. 

— Claro Damesha, quem mais? Levanta logo! — Vanessa dá um tapa na cabeça de Damesha. 

— Mas o não Sol acabou de nascer? Só os animais só acordam depois dele nascer, não é?  

— Quem quer dinheiro precisa acordar cedo para trabalhar. Você nunca acordou cedo?  

— Não tenho muita noção de tempo, hehe! — Coçou a nuca. 

— Vou me lembrar disso. Agora vamos logo!  

Damesha se levanta da cama e desce com Vanessa de seu quarto para a cozinha. 

Damesha estava dormindo na casa de Vanessa, que ficava exatamente em cima de sua loja. A casa era um pouco apertada, mas ainda assim dava para se viver ali. Ela dormia no mesmo quarto que sua devedora, já que ela havia colocado mais uma cama lá por não haver outro local para dormir. 

Quanto o restante da casa, havia apenas uma cozinha pequena e uma pequena sala de jantar com uma mesa de quatro cadeiras, que por sinal eram bem velhas. 

Na cozinha, Vanessa coloca lenha em um fogão velho e põe fogo. Depois, pega um bule, enche com água e descansa ele sobre o fogão, pondo-o para ferver.  

— Vanessa, por que não usa sua magia para pôr fogo? — questionou Damesha.  

— Tá louca? Não vou gastar uma das vezes que posso usar magia só para acender o fogão!   

— Vezes?  

— Todo usuário de Éden tem limites: magos dependem de grimórios para magias maiores e só podem usá-los algumas vezes por dia; feiticeiros têm um número fixo de feitiços; já bruxos como eu absorvem Éden do ar, então podemos usar magia livremente, mesmo tendo pouco Éden no corpo. 

— Tá, mas se você é uma bruxa e pode usar quantas vezes quiser, por que não usa?  

— Eu poderia usar livremente se não fosse o selo da Igreja da Luz. Toda bruxa precisa passar por esse selamento para viver em sociedade, limitando o uso do Éden do ar por medo de que a era das bruxas, se repita.  

— Selo? Como funciona isso?  

— Pensa assim: você tem um pote com mil balas, mas só pode comer dez por dia. Se passar disso, o pote se fecha para sempre e você nunca mais come nenhuma. Entendeu?  

— Entendi, bom... acho que sim.  

Com o fim da conversa, Vanessa percebe que a água estava fervendo e, começa a preparar um chá quente com biscoitos secos para as duas. Elas tomam o café da manhã e vão se trocar para trabalhar. 

Damesha não mudou suas roupas nem para dormir. Se mudasse, poderia chamar a atenção de Vanessa. Então, ela tem a ideia brilhante de pedir roupas emprestadas para Vanessa.  

— Vanessa, tem como me emprestar umas roupas? — perguntou ela.  

— Escuta, você veio para Priston sem nada? Só com a roupa do corpo?  

— Er... é que minha carroça foi atacada por um monstro, aí eu precisei fugir e acabei vindo para o lugar mais próximo... no caso Priston...  

“— Tomara que ela acredite nessa mentira!”  

— Ah, entendi, mas vai lavar e cuidar bem do que eu emprestar viu?  

— Mais trabalho? — reclamou — Tá, eu lavo.  

Damesha veste a roupa emprestada por Vanessa. Era um vestido vermelho que descia até metade da coxa e de manga curta e duas botas com salto. Ela também coloca um cinto na cintura para ajustar ele melhor na cintura. Vanessa também se vê obrigada a emprestar roupas intimas a Damesha. 

Depois de se trocarem as duas descem para a loja, e Vanessa destranca a entrada, a colocando como aberta. 

— Sua primeira tarefa é usar o espanador e espanar bem de leve nas prateleiras e tirar o pó dos produtos, entendeu?  — perguntou Vanessa.  

— Tá. 

— Só pelo amor... não quebre nada de novo, certo? 

— Tá, tá... só porque eu quebrei algo aquela vez, não quer dizer eu vou quebrar de novo!  

Vanessa olha com uma cara de desconfiada. 

— Será que eu acredito? 

— Claro que sim!! 

Damesha vai retirando a poeira dos produtos, até que ela vê um gato passando pela vitrine, até escutar um barulho de vidro quebrando. Ela olha para o chão e vê mais um frasco de vidro quebrado e um líquido vermelho espalhado por entre o vidro.  

— O que foi que disse agora a pouco? — Se virou Vanessa.  

— Acredite que não vou quebrar mais nada! De agora em diante eu não vou quebrar mais nada, eu prometo! 

— Ai ai... vou confiar, então por favor trabalhe como a melhor pessoa do mundo, viu?  

— Certa chefia! — Bateu continência. 

— Vou acrescentar essa aí na dívida também. 

— Ah sério?? 

Damesha volta a espanar a poeira das prateleiras, enquanto Vanessa se dirige para o segundo andar. Ao espanar, ela começa a notar o quão diferentes eram os itens, se perguntando para que eles serviam e qual era o público daquela loja. 

Dentre os itens, havia potes de vidro com folhas de todos os tipos, frascos com líquidos de cores variadas, livros com capas e diversos tamanhos, além figuras e colares com símbolos que não conhecia. 

De repente, a porta se abre. Era Richart, que mais uma vez, acaba dando de cara com ela e derrubando os dois.  

— Mais que merda!!! — falou ele. — Baita sorte que eu tenho! Não é? 

Os dois se levantam, um pouco atordoados, mas sem se machucar. 

— Se você chama de sorte trombar com a mesma linda mulher três vezes, sim, você tem uma baita sorte! — Se vangloriou Damesha.  

— Tá... Eu vim ver sobre os meus protótipos. A Vanessa está?  

— Sim, mas acho que ela foi lá para cima na casa dela.  

— Entendi, nesse caso ela não vai ouvir o sino. 

— Vai esperar aqui? 

— Sim. Olha só... sobre eu ficar te xingando ontem e me exaltando muito com você, eu sinto muito, viu!  

— Hum? Ah sim... entendi, desculpado, mas por que tá me pedindo desculpas por isso?  

— Porque eu fui rude por causa que eu estava morrendo de sono. 

Ao ouvir isso, Damesha solta uma risadinha baixa. 

— Sono? Você fica rabugento quando não dorme direito?  

— Não — Balançou os braços — só quando estou perto de quebrar meu recorde anterior e o sono e a exaustão começam a me forçar a dormir.  

— Recorde?  

— Bom... a pessoa que me criou tem a mania de ficar sem dormir por vários dias seguidos. 

Curiosa, Damesha arregala o olhar. 

— No caso, a coroa tem o mau costume de ficar até uma semana inteira sem pregar o olho um segundo. Aí como eu vivi muito tempo com ela eu acabei pegando algumas das manias dela e foi uma. 

— Caramba! Como uma pessoa consegue fazer isso?  

— Não faço ideia, eu não consigo passar de três dias acordado, também queria saber como a velha faz isso!  

— Você disse que ela te criou, você não tem pais?  

— Eu vim de uma terra muito distante, não faço a menor ideia de como vim parar aqui. 

Damesha fica surpresa. Richart era alguém diferente de qualquer um, sua terra natal provavelmente seria como ele. 

— Quando comecei a viver aqui — Continuou ele — a vida era muito difícil, um dia eu me machuquei tanto que desmaiei por causa da perda de sangue, quando acordei estava na casa da velhota. 

— Ah, então foi assim que conheceu ela, né! 

— Isso. Assim que eu acordei, ela chegou perto de mim com um bule com água fervendo e jogou nas minhas feridas!  

— Credo! Isso deve ter doído!  

— E doeu! Ai depois ela mandou eu ficar deitado com os machucados descobertos por um dia e uma noite. 

— Eca! 

— Depois meus machucados ficaram com bolhas enormes das queimaduras, aí a mulher estourou a bolhas com um canivete e enfaixou e depois de dois dias só havia as cicatrizes.  

— É aquele tipo de pessoa que é doida, mas sabe o que está fazendo!  

— Como que alguém pode ser louco e saber o que está fazendo hein???  

— Ué, mas existe, a mulher que te criou, não é assim?  

— Você não está de todo errada. Ai depois disso, ela me adotou e começou a me ensinar a usar a feitiçaria direito e me ensinou também a arte da necromancia. 

A história de Richart era tão algo quase inacreditável. Então, ele explica que as faixas que ele usa são para esconder as feridas dele. Ainda curiosa sobre Richart, Damesha o questiona sobre o que era necromancia. 

— Então Richart, o que é necromancia? 

— É um tipo de bruxaria, ela permite usar o Éden para trazer os mortos de volta a vida e torná-los suas marionetes.  

— Então... aquele esqueleto que saiu do seu livro era um morto-vivo marionete seu?  

— Sim, eles respondem a mim como seu mestre e me servem. Para invocá-los, eu preciso usar Éden e eu só posso usar meu grimório, que é onde eu guardo os mortos vivos que eu comando, e só posso usá-lo um número limitado de vezes até acabar com o meu Éden.  

— Ah sim, a Vanessa me disse isso. Falou que magos só podem usar grimórios uma certa quantidade de vezes... os feiticeiros só podem lançar um certo número de feitiços e bruxas só podem usar Éden um tanto de vezes.  

— Isso, parece que entendeu direitinho.  

— Mas como saber quem é quem nessa brincadeira?  

— Em resumo: magia usa os seis elementos e grimório; não há magos de sombra e os de luz são raros, quase todos da Igreja da Luz. Feiticeiros lançam feitiços com glifos feitos com Éden. Bruxas podem usar ambos, mas dependem do Éden do ar. Entendeu?  

— Sim, claro. Você é o que? 

— Feiticeiro, mas eu aprendi a usar necromancia. Uma pessoa pode ser mais de um, mas sua classificação vai de acordo com o que for melhor.  

— Ata.  

Então, a conversa dos dois é interrompida por uma voz que parece ecoar por toda a cidade. A voz é bem alta, ao ponto Damesha fica confusa sem saber de onde ela poderia estar vindo.  

Voz: Bom Diaaaaaaa povo de Priston! Tudo bem com vocês nesta manhã maravilhosa? Estamos fazendo esse anúncio para convidá-los para comparecer no jardim do castelo para a grandiosa coroação do Príncipe Henrys Érinfall e para a sua escolha de noiva, que acontecerá daqui a seis dias ao meio-dia! Mas agora, para poder deixá-los a par de tudo, nossa Linda e Maravilhosa Regente Atual a Duquesa Helena Glorianie Érinfall fará um pronunciamento.  

Voz (Duquesa): Bom dia caros cidadãos de Érinfall. Como todos já estavam cientes, a saúde do Rei Harold e da Rainha Iris, os impediram de continuar a administrar o nosso reino. Por isso, eu fui cotada pelo conselho de nobres a assumir como regente até que o Príncipe Henrys chegasse aos seus 15 anos, assumindo o trono sob minha tutela. Mas, um novo conselho de nobres foi realizado no dia do aniversário de 15 anos do Príncipe para decidir se ele estaria apto para assumir. No entanto, o conselho decidiu que deveríamos adiar a coroação dele até os 18 anos, o que foi aceito pelo próprio. Nesses três anos a mais de espera, ele veio sendo tutelado por mim para assumir com total preparação, para que eu entregasse a regência a ele. Então, esse tempo de espera acabou, daqui a seis dias, o Príncipe completará seus 18 anos e escolherá uma das 5 candidatas cotadas pelo conselho e aprovadas pelo próprio Príncipe. Nesse momento, o Príncipe convida todos do reino a participar da sua cerimônia de coroação, que ocorrerá no jardim do castelo. Mas a festividade cobrirá desde o jardim até a praça, ou seja, terá espaço para todos. Haverá distribuição de comida e bebida para todos por total conta do reino. Reforço o convite e insisto para que todos compareçam. Agradeço sua atenção.  

Voz: Muito obrigado pelo maravilhoso discurso Duquesa! Gostaria também de dizer que no dia seguinte a sua coroação, o Príncipe Henrys vai fazer um discurso e apresentar suas mudanças no reino e explicar seu plano de governo! Agradeço a atenção de todos!  

Em seguida o anúncio é finalizado. Damesha fica confusa, com esse anúncio. 

— Como será que esse anúncio foi feito forma tão alta e clara para todos ouvirem? — Damesha questionou. — A capital é enorme como todos ouviriam?  

— Eu sei como fizeram isso. — Respondeu Richart. — Eles usaram uma espécie de máquina que propaga o som através das partículas de Éden presente no ar.  

— Caramba! Mas como você sabe?  

— Porque fui eu quem projetou.  

— Sério?? 

— No caso, eu quem fiz a planta de montagem e testei através de um mini protótipo, mas eu fiquei sem dinheiro, aí eu precisei vender a ideia do projeto para não passar fome. 

— Você estava tão pobre assim? 

— Possivelmente quem comprou patenteou e vendeu para os reinos, aí se espalhou e toda grande cidade atual tem um desses para anúncios dos governantes. Fico pensando se eu não tivesse vendido eu poderia ter ficado rico com isso! 

Richart dá uma suspirada, coloca as mãos no rosto e tira, como se estivesse limpando o rosto. 

— Caramba, muito azar passar fome e precisar vender a ideia que ia fazer sucesso para sobreviver!  

— Pois é!  

De repente, a porta da loja se abre, uma mulher misteriosa com um casaco e chapéu entra na loja, interrompendo a conversa. 

Assim que aquela mulher entrou, o ar pareceu mais pesado. Damesha sentiu um leve arrepio e, por um instante, teve a estranha sensação de estar sendo vista além da própria aparência. 

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