Escolhido Brasileira

Autor(a): Bárion Mey


Volume 2

Capítulo 29

Arkus Drakhar

 

A presença de Balduin desaparece, é quase como se ele quisesse apenas demonstrar o tamanho da sua força. 

— Sentem-se, fiquem a vontade.

Adentrando a sala, nos dirigimos às quatro cadeiras vazias dispostas ao redor da imponente mesa. Mikhan e Drake ocupam duas delas, enquanto Betham permanece de pé ao meu lado, aguardando em silêncio.

Os demais generais, figuras de destaque na cidadela, compõem um grupo notável. Leyra Umbermoor, a segunda general, irradia uma serenidade firme, seus olhos absorvendo cada detalhe do ambiente com calma calculada. Seu porte erguido e expressão tranquila contrastam com uma aura de determinação que transparece em cada gesto.

Arlo Slake, o quarto general, senta-se com uma postura relaxada, mas atenta. Seus cabelos caem desalinhados sobre a testa, e seus olhos parecem capturar nuances imperceptíveis à primeira vista. Um sorriso astuto adorna seu rosto.

Nagar Strong, o quinto general, é uma presença imponente, suas feições marcadas por cicatrizes. Seus cabelos, dispostos em uma trança robusta, e sua expressão séria revelam uma calma inabalável.

Anys Dafer, o sexto general, exala uma aura enigmática. Seus traços delicados escondem um olhar perspicaz. Sua postura reservada revela uma mente calculista e observadora.

Por fim, Tegan Lamoth, o sétimo general, ocupa seu assento com uma presença vibrante e confiante. Seu sorriso é contagiantemente caloroso, transmitindo uma energia que contrasta com a compostura marcante dos outros generais.

— Espero sinceramente que não estejamos revisitando o mesmo tópico — minha voz soa áspera, marcando a tensão que permeia a sala. — Já sabemos que isso não nos levará a lugar algum.

— Calma, calma. Não estamos aqui para debater isso novamente — Balduin interrompe, sua mão se erguendo num gesto tranquilo para dissipar a atmosfera tensa. Seu riso ressoa na sala, como se tentasse suavizar o peso das palavras. — Na verdade, viemos decidir quem irá ocupar o lugar deixado por Adelcar.

Um sorriso intrigante se desenha no rosto de Arlo, seus olhos fixos em algum ponto distante, como se ele já estivesse a par do assunto. Quem será o escolhido permanece como um enigma. Não me recordo de Drake mencionar algo a respeito, e não consigo identificar ninguém capaz de preencher tal vazio sem que um boato se espalhe de colocarem qualquer no posto décimo general.

— Essa indicação veio diretamente de Arlo e Rahter. Houve resistência inicial de alguns aqui, mas suas proezas convenceram os descrentes — continua Balduin, seus olhos varrendo a sala para capturar as reações. — E todos sabemos que Rahter, um general aposentado, voltou à ativa diante das complicações que o reino enfrenta com a ameaça dos demônios.

— Devo ressaltar seu papel crucial na proteção das crianças invocadas — Drake interrompe, enfatizando com gestos pontuados. Seu olhar atravessa a mesa, buscando conexão com os outros presentes. — Coragem e habilidade são atributos que ele possui em abundância. E posso afirmar que deposito minha confiança em suas capacidades.

Eles não podem estar falando de...

— Luke Drakhar será o próximo general de Dream — Balduin anuncia com seriedade, seus dedos batendo ritmicamente na mesa. Observo a postura de Betham, ao meu lado, mudando sutilmente, uma sobrancelha arqueada em surpresa contida. — Alguma objeção, sr. Arkus Drakhar?

— Apenas acho insensato cogitar colocar uma criança em uma posição tão crucial — minha voz transmite preocupação e descrença, minhas mãos se fechando automaticamente em punhos sobre o tecido da minha roupa.

— Algumas mentes podem discordar, já outros têm uma perspectiva diferente. Pessoalmente, enxergo o potencial que um membro do clã Drakhar pode ter, assim como você. E alguém em particular... — Ele encara Arlo sem esconder sua intenção, sua expressão se tornando mais séria. — Mencionou que o garoto despertou o núcleo de mana aos cinco anos.

— Como? — Drake demonstra surpresa, suas mãos repousando sobre a mesa, seus olhos encontrando os meus brevemente em busca de alguma pista, antes de se virar para Balduin, perplexo. Os outros presentes, incluindo Leyra e Nagar, trocam olhares incrédulos, seus corpos se movendo ligeiramente em reação à revelação.

— Cinco anos? Isso é até mesmo plausível? — Leyra indaga, seus dedos se entrelaçando sobre a mesa, sua postura ereta demonstrando inquietação.

— Eu sei que o clã Drakhar têm seus protegidos, mas isso parece um tanto... exagerado, não acham? — Nagar provoca, inclinando-se ligeiramente para trás, suas palavras carregadas de ceticismo.

— Às vezes, o impossível pode se tornar possível — Arlo enfatiza, seus olhos fixos em Drake, como se buscasse transmitir uma mensagem por trás das palavras.

— E por que não me disse isso antes, Arlo? — Drake questiona, um traço de exaltação presente em sua voz, embora ele mantenha uma compostura firme, seus olhos perfurando Arlo em busca de respostas.

— Tenho meus motivos, vossa majestade. — Sua voz mantendo um tom respeitoso, mas sua expressão revelando um brilho de confiança e mistério.

— O que mais anda escondendo de mim, Arlo? — A voz de Drake agora é carregada de um misto de curiosidade e urgência, suas mãos repousando sobre a mesa em expectativa.

— Neste momento, nada mais me vem à mente — Arlo mantém a postura relaxada contrastando com a seriedade do momento. Seus olhos, entretanto, denotam uma cautela calculada, como se houvesse mais por trás de suas palavras do que ele estava disposto a revelar.

— Agora me digam como vocês acham que as pessoas irão reagir após anunciarem algo assim? — questiono seriamente, minha expressão revelando o descontentamento em relação a essa decisão.

— Simples, não faremos um anúncio — responde Balduin com calma, sua voz transmitindo uma certeza que contrasta com a tensão que se instaura na sala.

— Concordo plenamente em colocar o garoto no lugar de Adelcar — interrompe Tegan, sua voz firme e convicção evidente em seu tom. — Sinceramente, não vejo nenhum dos soldados atualmente apto para esse cargo. Teria que ser alguém de fora do exército. E Rahter me assegurou que ele está mais do que preparado para isso.

— Arlo mencionou certa vez que o objetivo do garoto era se tornar um general, que almejava até mesmo o seu posto, Balduin. O fato de ele ter expressado isso em meio a tantos soldados e na presença de um general... me faz crer que ele é a escolha certa — comenta Anys, suas palavras carregadas de leveza, mas o tom confiante ecoa na sala, enquanto um sorriso brincalhão se desenha em seus lábios.

O impacto das palavras de Anys ecoa na sala, inclusive em Balduin, que deixa escapar um sorriso quase imperceptível, uma confirmação tácita que não passa despercebida por nós.

— Como podem ter certeza de que ele irá aceitar isso? — pergunto angustiado, minha preocupação evidente na voz.

— Como Anys mencionou, esse já era o objetivo dele — responde Balduin com seu sorriso tranquilo. — De todo modo, de acordo com as informações de Rahter, eles voltam para Dream amanhã. E, pela primeira vez desde a fundação deste reino, um garoto de dez anos assumirá o posto como o décimo general de Dream.

As palavras de Balduin ressoam na sala, deixando um eco de incredulidade misturado com uma estranha sensação de novidade e desafio. O peso dessa decisão, de confiar uma posição tão proeminente a alguém tão jovem, paira no ar como uma promessa e um desafio simultaneamente. A ideia de um garoto assumir tal responsabilidade ecoa como um marco histórico, enquanto a incerteza sobre sua aceitação paira como uma nuvem sobre nós. Lúcia não iria querer isso, tenho certeza.

— Agora que está decidido, o assunto mais premente é sobre os quatro reis demônios restantes — Balduin começa, e a sala se enche de um silêncio expectante. — Rahter informou que o primeiro rei demônio, Mephur, surgiu no ataque ao reino…

— Discutimos isso na primeira reunião após a entrada de Arkus para os generais. Por que você não participou de nenhuma delas? — Leyra pergunta com uma expressão séria, esperando uma justificativa plausível.

— Como podemos ter reuniões sobre isso se não sabemos nem por onde começar? — o sorriso de Balduin disfarça seu olhar penetrante e sério. É irritante concordar com ele, mas ele tem razão.

As reuniões dos últimos cinco anos não nos levaram a lugar algum. A única informação que surgiu foi sobre os seguidores da causa de Hades, que anseiam pela libertação dele do selo eterno. No entanto, como eles pretendem realizar isso? O selo permaneceu intacto por séculos sem um único sinal de enfraquecimento. Como planejam fazer isso?

E os ataques a vilarejos por esses psicopatas só aumentaram nos últimos anos. Eles deixam um símbolo em espiral, com uma runa de ressurreição desenhada no centro em sangue, junto a uma pilha de corpos. Se quisermos progredir, precisamos lidar com eles antes de focar nos demônios.

— A Ordem Anástasis — Balduin murmura, quase como se compartilhasse uma piada. — Viu? Não fiquei de braços cruzados durante todo esse tempo. É apenas complicado rastreá-los, e alguns preferem a morte a entregar qualquer informação — ele diz de forma descontraída, movendo a mão direita num gesto de desdém.

— Ordem Anástasis, todos entendemos o significado dessa palavra, não é mesmo? — Leyra olha em volta, esperando um aceno de concordância.

— Ressurreição… — murmuro, conectando os pontos. — O que mais descobriu?

— Que não são poucos. Parece que estão espalhados por todo o continente de Kraykro e estão se expandindo em direção a Balfallne também. Por enquanto, são em número reduzido, mas se essa tendência persistir e não encontrarmos a fonte dessa ascensão, estaremos de mãos vazias.

— Pelo menos agora temos alguma coisa — diz Nagar, deixando seu rosto repousar cansadamente sobre a mesa. — É mais do que conseguimos nesses últimos cinco anos — murmura com desapontamento evidente em sua voz.

— É compreensível, Nagar. Com a invasão, todos estavam ocupados com outras prioridades, procurando por demônios fugitivos ou qualquer outra ameaça. E a reconstrução de partes do reino também foi uma tarefa árdua — Balduin pondera, seu olhar demonstrando compreensão.

— Balduin tem razão — concorda Drake, capturando a atenção de todos. — A segurança dos cidadãos de Dream sempre será nossa prioridade. E há algo que quero compartilhar também. — Todos se voltam para Drake, aguardando suas palavras. — Durante muito tempo, mantivemos o sistema de apenas contar com o exército imperial como força de defesa do reino. A partir de hoje, mudarei isso. Amanhã faremos um anúncio para todos, após a inclusão de Luke como parte dos dez generais.

— O que exatamente quer dizer com isso? — Tegan parece ansioso, buscando esclarecimentos.

— Cada general terá seu próprio exército pessoal. Isso facilitará suas responsabilidades. Questões menores poderão ser resolvidas por eles. Não se preocupem, os soldados serão remunerados pelo reino. Sempre desejei expandir e fortalecer nosso exército. Dessa forma, ninguém ficará sobrecarregado.

— Luke não poderá ter um — comento, olhando-o de esguelha. — Esqueceu que não planejam anunciá-lo como o décimo general? E mesmo se o fizessem, duvido que alguém seguiria uma criança.

— Pensaremos nisso mais tarde. — Drake parece disposto a ignorar esse ponto, e isso me irrita profundamente. Maldito, vai simplesmente ignorar isso? Se algo acontecer com ele... eu juro que acabo com você, seu genro imbecil! — Minhas palavras ecoam na minha mente, mas sou interrompido por uma voz.

— Senhor? — Betham me tira de meus pensamentos.

Pare de ler minha mente, Betham. Ele sorri, mas é um sorriso forçado. Apesar de não demonstrar, também está preocupado com Luke. Embora tenha convivido com o garoto por apenas um ano, Betham criou um afeto verdadeiro por ele.

 


Uma nova edição física do primeiro volume está para ficar pronta, com nova capa e diagramação. No meu insta possui uma arte de Arkus Drakhar, corre lá pra dar uma conferida, e tenho uma do D. saindo do forno, e uma do Luke. 

Insta: Bárion Mey



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