O Auto do Despertar Brasileira

Autor(a): Leonardo Carneiro


Volume 1

Capítulo 59: MOMENTUM

Milan estava vendo coisas. Esse era o único motivo. Isso ou ele havia enlouquecido.

E, se comparasse, as duas coisas não eram lá muito diferentes entre si.

Ele suspirou pesado, e sua visão escureceu um pouco. Maldito Cildin. Finalmente seu alerta sobre meditação fazia sentido.

A capacidade de Milan de cultivar Orka não era muito boa. Apesar de possuir muito, mais da metade se fora com o uso de Aura.

E agora…

“Droga! Por que esse maldito demônio ainda está inteiro?”

Sim. A fera, que fora feita em pedaços pelas garras do Leão… estava inteira novamente.

Mil lutou para se manter acordado. Ele embainhou Espectro, e o uso de Aura diminuiu um pouco. A verdade é que Milan sabia que Espectro era sedenta por seu Orka. Mas não imaginou que cada uso de Aura seria tão… desgastante.

Era uma péssima hora para ficar sem Orka.

“Preciso melhorar meu cultivo. Só que primeiro…”

À sua frente, o Leão ronronava, um ronco feito de engrenagens colidindo. O Javali cavava o chão, enquanto mais lufada de ar quente era expelida.

Primeiro, ele precisava entender o que estava acontecendo aqui. O seu golpe inicial fora forte o suficiente para partir a criatura ao meio — e foi o que aconteceu, mas segundos depois ela estava inteira novamente.

Mil nem considerou o segundo ataque, pois uma pequena e fina camada fora feita na superfície de ferro.

Contudo, uma segunda vez a criatura fora reduzida em pedaços. E não por qualquer ataque, mas das garras do Leão.

E, em instantes, estava ilesa novamente.

Ignorante aos pensamentos de Milan, o Javali cavou o chão com afinco e diminuiu a velocidade.

Milan saltou para seus pés e balançou a cabeça. Esperou até o último segundo e…

BAAMM!

A criatura se chocou furiosamente contra a parede, fazendo toda a estrutura retumbar. Milan mal conseguiu escapar ileso. A poucos centímetros da criatura, ele viu todo seu focinho sendo destruído pela força do impacto.

Contudo, algo estranho aconteceu.

A criatura pendeu para o lado e… em segundos se levantou, seu focinho no mesmo lugar de sempre.

Milan se arrepiou e focou sua mente, puxando uma linha de Vintei ligada ao outro lado da sala. Fora jogado para trás na direção da parede bem na hora que o Leão fechou sua mandíbula no espaço em que ele estava.

Os olhos vermelhos da criatura já haviam se virado para ele.

Recuperado, o Javali já cavava o chão novamente.

Milan pousou do outro lado da câmara exausto. Puxar a si mesmo usando Vintei era… doloroso.

Ele sempre treinou usando objetos com menos vitalidade do que ele, e isso exigia um custo insignificante de Orka.

Agora… ele estava puxando essas engrenagens e as usando de âncora para si mesmo… e isso pedia uma enorme quantidade de Orka. Ele estava pálido e sua visão vez ou outra vacilava.

Mas havia aprendido algo nessa última investida.

Um sorriso pálido surgiu em seu rosto.

“Então é assim…”

Como se para testar sua teoria, Milan apertou o cabo de Espectro e a puxou. Permitiu que um pouco de Aura fosse puxada, e sua Vontade envolveu a lâmina, criando um fio azul bruxuleante que pareceu estender a espada.

Milan logo se lembrou da primeira vez que tentou usar Aura na espada… e falhou.

Desde então, focou-se em seus treinos e em controlar a aura. Podia-se dizer que estava bom nisso. Por isso, nas últimas seis luas, ele treinou com aura junto de Espectro.

Parecia que a espada reconhecia melhor sua Vontade, e por isso não sugava tanto em tantas quantidades.

Mesmo assim, quase não restou nada, agora.

Mas Milan havia se concentrado, desta vez. E, de repente, a aura azul bruxuleante se tornou negra.

Cinco tentáculos negros surgiram de Espectro, sugando quase toda sua Aura e Orka.

“Tudo não, maldito!”

Mil controlou o fluxo de energia, lembrando as extensas horas que passou socando a árvore naquela clareira. Conseguiu impedir que mais energia fosse sugada, e Espectro pareceu zangada…, porém, também satisfeita.

Um sorriso surgiu no rosto de Milan quando ele suspirou e apertou o cabo de Espectro com as duas mãos.

Ergueu a espada e abaixou os braços, desferindo um golpe no ar. Uma lâmina de puro caos energético surgiu no vazio à frente, rasgou o teto e o chão, com uma extremidade aquém do que se podia esperar, e partiu o Javali em dois.

Enquanto as partes da criatura pendia para os lados, a lâmina de caos seguiu seu caminho e se alojou profundamente na parede oposto, derrubando um ponteiro de metal carcomido.

O objeto pendeu e caiu no chão com um baque surdo. O Leão rosnou e se afastou, um tanto irritado.

Cinco segundos foi o bastante para que o Javali já tivesse se recuperado. Cavava fundo no chão, irado.

Mas Milan, que ignorou os alertas de seu próprio corpo, já tinha conseguido o que queria.

Na verdade, podia dizer que era dois coelhos com uma cajadada só.

A primeira, era uma certeza absoluta. A segunda, um tiro no escuro.

As criaturas olharam para onde Mil estava, mas havia apenas poeira.

Então uma voz soou:

— Ei, malditos! Me procurando?

As duas feras se viraram, confusas.

No outro lado da câmara, Milan respirava pesado ao lado do ponteiro, que ainda vibrava no chão.

Enquanto o Leão perdia tempo se afastando da cratera deixada pela lâmina, e o Javali, furioso, cavava o chão, Milan correu até lá.

Ainda restava um pouco de Aura. Mil concentrou em seus punhos — algo que, para ele, atualmente, era tão comum quanto respirar — e puxou o ponteiro de um metro e meio de diâmetro do chão.

Feras não possuíam expressão — muito menos uma feita de construto. Mas Milan achou ter visto uma sombra de medo em seus rostos.

Ele sorriu. Algo lhe dizia que a sua segunda posição estava correta.

A primeira, é claro, estava relacionada ao tempo de cura dessas feras.

O Leão não havia sofrido uma ferida circunstancial; contudo, o Javali já havia sido destruído não uma, mas duas vezes.

“São, de fato, mais fracos que a história.”

Mas isso não era uma suposição. Era esperado, até.

Então, ele acreditava que, de alguma forma, este lugar revolvia o tempo para o período em que eles ainda não haviam sido destruídos ou sofrido um golpe fatal, regenerando-os.

“Exatos cinco segundos, hein?”

E era aqui que entrava a segunda teoria. O tiro no escuro.

“Acho que estou enlouquecendo um pouco.”

— Vamos, touro maldito. Vamos lá brincar um pouco!

O Javali bufou pelo nariz, como se dissesse que não era um touro. Mil sorriu. A fera cavou o chão enquanto O Leão apenas observava.

A criatura correu e, dessa vez, Milan não se preparou para saltar para o lado. No momento em que a fera abriu a bocarra, Mil ergueu o ponteiro sobre a cabeça e correu para frente.

Ele precisava de segundos, afinal.

E foi isso que fez. Nos poucos instantes que a criatura abriu a boca, ele jogou o ponteiro lá dentro, devastando todo seu organismo metálico.

Mil deslizou por baixo da criatura e se virou quando passou do outro lado. O Javali havia parado seu ímpeto e… era como se algo estivesse tremendamente errado.

A criatura rompeu e voltou ao estado intacto. Depois rompeu e se estraçalhou. Milan sorriu.

O Javali caiu no chão, suas engrenagens falhando. Ele se virou e seu rosto era tão perverso quanto poderia. O Leão rosnava baixo, mas havia um toque de medo nele.

Porque Mil havia desvendado um modo de destruir essas criaturas.

Ora! Se o tempo era retorcido e tornava essas feras em seres imortais, então somente algo que lhes dava benefício poderia ser seu nêmesis.

Milan acabara de criar um paradoxo, onde o monstro não podia retroceder ao momento em que estava intacto. Então ele caiu em um looping de destruição. Preso infinitamente.

E o Leão não deixou isso afetá-lo por muito tempo, pois já saltara com suas garras longas e suas presas afiadas, pronto para dilacerar a garganta desse humano frágil.

Mas Milan sorriu de novo. Ele sequer se mexeu em seu lugar.

Na verdade, ele não precisou fazer nada, pois uma enorme engrenagem — do tamanho da cabeça do Leão, — caiu do teto que desabafa e afundou na fera restante, amassando-o contra o chão.

Mil caiu em um joelho e assobiou.

— Não sabia como eram pesadas. Mas belo timing, não fosse pelo resto de Orka…

Claro, tudo fora um plano seu. Afinal, havia engrenagens até mesmo no teto. Ele realmente havia usado bastante Aura essa noite, mas, aos poucos, enquanto formulava uma teoria, Mil foi fazendo de tudo para remover algumas engrenagens de seus lugares. E como era mais leve do que elas, usava uma quantidade concentrada de Orka para não gastar tudo de uma vez.

Afinal, ele tinha muito.

Com o ataque ao teto, a engrenagem cedeu um pouco. Foi preciso apenas um pouco de puxão e o momentum perfeito…

“E Tcharam! Dei sorte.”

Ele se levantou e suspirou pesado. Havia restado apenas um pouco de Orka.

“Se minha teoria estivesse errada, eu estaria morto. Mas assim é melhor.”

Milan deu alguns passos adiante, afastando a poeira que se ergueu com o baque da criatura.

Quando a poeira baixou, uma garra de meio metro perfurou o chão entre seus pés. Milan arregalou os olhos, mas permaneceu no lugar.

A engrenagem, na verdade, era maior do que a criatura, e impedia, de fato, que ele se regenerasse ao momento antes de estar dilacerado.

Isso era bom, também.

Toda a cabeça do Leão fora esmagada, mas ele ainda se mexia. Então o paradoxo funcionava.

Sua natureza de regeneração retrocedia o tempo, mas a peça o forçava de volta ao presente, criando uma eterna prisão.

Mil sorriu fracamente e subiu nas costas da criatura.

Havia um enorme rasgo na sua lateral, e lá dentro, algo pulsava.

Era do tamanho de uma cabeça humana e… dourada. Ligada a engrenagens e fios prateados, como…

“... Um coração!”

Os olhos de Milan percorreram ao redor e logo pararam em algo. Ele sorriu e andou até lá. Voltou dali a pouco com um ponteiro do tamanho de seu antebraço, mirou e arremessou o projétil afiado no coração da fera.

Ela ainda conseguiu rugir, mas era mais como um raio distante, perdendo sua força lentamente.

Toda a criatura ruiu, tremeu e começou a se desfazer em pó dourado.

Milan se desequilibrou e caiu abaixo, onde a fera estava a poucos instantes.

A poeira dourada girou feito uma tempestade de areia, então rodou ao redor de Milan.

Ele arregalou os olhos quando metade dessa poeira entrou em seu peito. Suas tentativas desesperadas de abrir a si mesmo foram falhas quando ele percebeu que aquilo não o faria mal.

Em retrocesso, ele se sentiu muito mais vitalizado. Na verdade, era como se nem tivesse lutado contra essas duas feras.

“Isso… não pode ser.”

Todo seu orka havia sido reposto, assim como quando ele lutou contra a besta de sangue fervente. E mais…

Além do Orka que ele já possuía, mais e mais surgiu, elevando todo seu estado ao ápice da força que ele poderia possuir. Quando sentiu que havia finalmente acabado, encarou sua mão e a apertou.

Se sentia… mais forte. Não somente isso, mas mais rápido, mais letárgico. Era isso que possuir muito Orka significava?

De repente, suas reservas de Orka haviam ultrapassado o limite, e seu reservatório era muito maior, também.

Não parou por aí.

O restante da poeira dourada girou ao redor do braço de Mil, e se solidificou em um objeto de um metro esférico.

Era um objeto feito de ouro maciço e revestido com pele de animal. Suas bordas eram decoradas com franjas douradas que se moviam como serpentes vivas. No centro, ostentava a cabeça de um poderoso Leão, com espadas e lanças no lugar das presas.

Seu tamanho era grande o bastante para cobrir o peito e os ombros de Milan.

Na parte inferior do escudo, letras em um idioma antigo surgiram.

[ÉGIDE BRANCA]

Mil encarou o escudo, seus olhos admirados passando por cada parte de sua estrutura. Ele tinha uma sensação parecida com esse escudo que tinha com Espectro. Era como se… ela falasse com ele.

Então o garoto arregalou os olhos, de repente coberto de uma compreensão sufocante. Ele se virou para o javali, que continuava se retorcendo no chão, e um brilho de desejo possuiu seus olhos.

“E se…”

Ele embainhou Espectro e caminhou até o Javali.

Ao se aproximar, ele notou que, enquanto o resto da carcaça de ferro começava a enferrujar instantaneamente sob o efeito do tempo quebrado da torre, uma das enormes presas frontais permaneciam intactas, brilhando com um reflexo prateado, como a lua de Luarêndill.

Mil se aproximou, cheio de ambição, e livre de medo; segurou a presa e a arrancou da mandíbula de ferro.

O efeito foi imediato, sutil e totalmente diferente do Leão.

Não houve turbilhão de energia prateada, nem aumento de Orka; o que o deixou um pouco desapontado.

Mas ele também sabia que se tirasse apenas a presa, nada muito grande aconteceria.

Ele não foi envolvido por uma onda de poder ou calor. Em vez disso, havia uma sensação avassaladora de peso e solidez, como se a gravidade ao redor dele se estabilizasse.

Mil percebeu que não havia sido curado da exaustão quando ganhou mais Orka — ela sempre esteve ali, ele apenas a ignorou. Seus músculos estavam queimando de cansaço, e se não fosse a saturação de Orka, teria certeza que tinha desmaiado há muito tempo.

De repente, o tic-tac caótico da torre e o zumbido das engrenagens ao redor se afastaram, como se ele estivesse submerso na água.

O dente de javali tinha uma beleza rústica e… élfica. A lâmina era a própria presa curvada do Javali, mas o metal parecia fundido com prata e runas antigas que brilhavam em um tom azul-frio. Essas runas diziam [A PRESA ESTELAR DE ERIMANTO].

Mil franziu a testa.

“Mas quem diabos é Erimanto?”

Ele continuou estudando a adaga. Seu cabo parecia ter sido moldado por raízes de ferro da própria torre.

Mil ergueu a cabeça, estudando a câmara. 

 

A batalha durou pouco, mas um estrago considerável foi causado aqui. O teto, as paredes e até mesmo o chão — tudo em fissuras e crateras profundas.

Engrenagens pendiam no teto e nas paredes, girando com menos afinco do que antes.

Milan ergueu a sobrancelha e olhou para a adaga em sua mão direita, e para o escudo na esquerda.

Ele prendeu a adaga à bainha da calça, mas não podia andar por aí com esse escudo no braço. Era um tanto pesado, afinal.

Após algum tempo refletindo sobre o que fazer, ele finalmente franziu a testa e sorriu.

“Pode ser que isso funcione!”

Milan apertou o punho com força e, como um gatilho de impacto, o escudo se retraiu em placas concêntricas até formar um bracelete ornamentado com um padrão de meandro. Mil apertou novamente o punho e o contrário aconteceu: o escudo se abriu em placas concêntricas de bronze, deslizando para fora e se travou em um formato circular.

As placas se alinharam perfeitamente para mostrar o rosto do poderoso Leão em seu centro.

Milan sorriu.

— Legal.

Então ele se virou e caminhou pela câmara, até estar diante de uma pesada arcada de bronze. Sem olhar para trás, Mil a atravessou.

Do outro lado, o calor era sufocante. Havia uma passarela de ferro e, após alguns instantes de caminhada, Milan parou seu passo.

Ele encontrou-se à beira de um abismo vertical. A Câmara era uma imensa cicatriz industrial cravada no coração da torre, onde a arquitetura parecia ter sido violentada por uma engenharia bruta e impiedosa.

Lá embaixo, nas profundezas escuras do poço, descansava uma fornalha colossal, cujo ventre de ferro fundido pulsava em um brilho azul-asfixiante, como o olho de uma criatura pré-histórica ao despertar.

Das entranhas dessa caldeira nascia uma floresta caótica de tubulações de cobre escurecido e latão.

Os canos, espessos como troncos de árvores antigas, serpenteavam pelas paredes cilíndricas de pedra negra, cruzando se em nós complexos que subiam centenas de metros até o teto invisível.

Eles tremiam. Havia um chiado agudo, um sibilar coletivo e constante que ecoava pelas passarelas de ferro gradeado que circundavam o vazio, fixadas à parede por rebites gigantescos.

O ar ali dentro era uma barreira física: espesso, saturado com o cheiro cáustico de graxa queimada e metal superaquecido. A umidade era tão densa que pequenas gotas de água fervente condensavam-se nas paredes e pingavam no abismo, evaporando antes de tocar o fundo.

Ao longo da subida vertical, as doze manivelas de ferro — as válvulas de contenção — projetava-se das paredes como espinhos na espinha dorsal de uma serpente, cada uma envolta por uma névoa trêmula que distorcia a própria luz, sinalizando que ali dentro, o calor não era o único elemento prestes a explodir; o tempo ali estava sob uma pressão insustentável.

O momento de observação de Milan durou pouco, pois assim que ele parou de analisar, uma junta da tubulação se rompeu, e jatos de vapor dispararam em sua direção. Milan desviou, e o vapor atingiu uma seção da passarela de ferro à sua frente.

Milan observou, horrorizado, enquanto a viga de ferro envelhecia séculos em um segundo, cobrindo-se de ferrugem vermelha e desabando.

“Isso… não posso deixar que me toque.”

Mil recuou um passo. Precisava de espaço para pensar, mas uma tubulação menor bloqueava seu caminho, expelindo vapor.

Sem pensar duas vezes, ele puxou Espectro — sem usar Aura — e golpeou o cano de cobre. Ao fazer isso, a pressão interna explodiu. O metal maleável se deformou e se dividiu sozinho, criando duas novas saídas de vapor onde antes havia apenas uma.

O ambiente ficou ainda mais quente e perigoso.

“Então não pode ser destruída por cortes… é como a Serpente de Sete Cabeças das Treze Provações…”

Qualquer que fosse o causo, estava intrinsecamente ligado às Treze Provações do livro. Milan começava a se perguntar se aquele livro era uma fantasia… ou um conto real. 

Ele engoliu em seco.

Se era como a Serpente de Sete Cabeças, então de nada adiantava cortar suas tubulações. Mais vapor surgiria, e ele morreria ou tostado ou de insolação. Se é que era possível.

Milan observou enquanto mais canos de cobre disparavam, sem direção. Sua apreensão aumentou.

“Mas que diabos!”

 

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