O Auto do Despertar Brasileira

Autor(a): Leonardo Carneiro


Volume 1

Capítulo 56: TEMPO DE COLHER

Milan Sgaard bebericou o ensopado com afinco, o vapor quente roçando seu rosto e trazendo um cheiro salgado e terroso que parecia mais intenso do que deveria. Parecia que não comia nada há semanas.

“Talvez tenha sido assim.”

Não lembrava de muita coisa depois de ter agarrado a flor, exceto os espasmos, o agouro, a dor e uma memória doce e delicada de dias intempestivos que agora lhe vinham em flashes incompletos, como ecos que se recusavam a formar um todo.

Sequer se recordava de como saiu daquele lugar. Mas saiu. E carregava mais coisas do que gostaria de demonstrar.

Cicatrizes. Internas e externas.

Seu quadril latejava num ritmo constante, quase pulsante, e a dor na canela era algo que não podia ser classificado — ora distante, ora aguda, como se lembrasse sua presença quando queria.


Mas isso era pouco se comparado ao que realmente saiu quebrado daquele duelo.

Milan tinha forte motivo para crer que isso não era algo a ser remediado.

Havia uma espécie de aprendizagem neste lugar, algo que não se ensinava, apenas se impunha. E ele vinha coletando as migalhas da moral de tudo isso. Com certeza tornava seu coração mais rígido. Sua vontade mais densa. Sua presença mais convicta.

Mas era pouco para mudar algo que já estava impregnado, enraizado além de qualquer alcance imediato. E ele não queria isso, é claro.

Com certeza, aprendeu muito com o Eco de Mármore e o Lago de Esporos — como vinha chamando essas intrincadas missões suicidas.

“Tudo por um propósito.”

Mas algo mais retornara com Mil além das cicatrizes, das lições e da moral.

Algo muito mais palpável. Algo que não podia ser ignorado, mesmo quando tentava. Que o deixava mais reflexivo.

Ele levou a mão ao lado direito da costela, abaixo do coração, e roçou os dedos levemente, sentindo a textura irregular sob o tecido fino.

Isso o deixava mais letárgico. Era uma promessa de que jamais esqueceria seus dias aqui.

Por baixo da blusa, havia uma mancha azul-esbranquiçada, que Mil notara apenas uma semana depois de acordar.

Ele sabia como era sua forma. Não havia um dia em que não ficasse contemplando essa marca — duas, três, quatro… dez vezes ao dia.

Era difícil de esquecer.

Parecia um hematoma antigo misturado com pétalas fossilizadas, como se algo vivo tivesse sido interrompido no meio do florescer.

Mil conhecia a aparência de coisas fossilizadas — resultado de horas e horas observando livros com imagens, antes mesmo de saber ler — mas aquilo… aquilo não era passado. 

 

Era presente. E insistia em permanecer.

Às vezes pulsava, sutil, como se respirasse sob sua pele. O fazia lembrar, a cada batida, que a vida era inevitável. Que o mundo não se curvava, tampouco cedia espaço.

Talvez não fosse isso que ele deveria ter aprendido naquela batalha com a Senhora dos Esporos — como convenientemente passou a chamá-la.

Mas cada aprendizado era único. Cada um entendia as coisas da própria forma. E essa foi a forma como Milan passou a enxergar tudo.

Também era o que Eliriah e todo esse lugar vinha tentando mostrar a ele, aos poucos, ainda que ele resistisse a aceitar.

Nem toda batalha se vencia com força. Ser forte era bom, mas outros aspectos deveriam ser considerados, também.

Afinal, Milan venceu o primeiro duelo quando se entregou, e o segundo quando soube aceitar a dor apesar de tudo — não resistir a ela, mas suportá-la sem se partir completamente.

Essas coisas, depois de tudo, estavam fortemente enraizadas no seu modo de ver o mundo, agora.

Ainda havia raiva. Ressentimento. Vingança.

Mas Milan conseguia enxergar além disso, agora.

Só que Milan conseguia enxergar além disso, mesmo que por instantes breves, como clarões entre nuvens densas.

Porque… o que seria dele depois de conceber sua vingança?

“Não.” pensou, reprimindo-se com uma firmeza quase automática. “Não devo pensar além disso no momento. Por agora, devo apenas me concentrar em tudo que puder usar a meu favor na busca de força.”

Era um modo de ver as coisas também. Um modo seguro. Um modo controlável.

Ele encarou Eliriah do outro lado da fogueira. As chamas projetavam sombras suaves sobre o rosto dela, tornando suas feições mais humanas do que ele lembrava.

Ela parecia diferente.

Talvez tenha sido o tempo dele fora — segundo a própria, ele passou cerca de quatro semanas fora, beirando a quinta. Quando retornou, coberto de lodo, lama e sangue, desmaiou aos seus pés e dormiu por mais três semanas inteiras.

No presente, ela parecia menos austera. Mais… inclinada a conversar.

Isso porque não estava sentada em seu canto habitual, de frente para ele e do outro lado da fogueira.

Ainda estava do lado de lá, mas mais para o lado de cá — o dele.

E lançava olhares para ele quando achava que não estava vendo nada. Mas ele estava. Percebia o tempo desses olhares. O pequeno atraso antes de desviar.

Talvez por causa de sua natureza concisa, Eliriah não sabia como iniciar uma conversa.

“Ou talvez tenham sido os milênios longe de contato com alguém são.”

Ele a encarou e bebericou outra vez seu ensopado, o lábio se comprimindo num sorriso de canto.

“Não que eu seja uma autoridade em estados de sanidade adequados. Mas a comparar almas de vagantes perdidos…”

Eliriah continuava a lançar olhares de canto para ele, ignorante aos seus pensamentos. Mil revirou os olhos e limpou a garganta, sentindo o som quebrar o silêncio de forma quase artificial.

— Sabe, minha mãe é uma ótima cozinheira, também.

Ela ergueu uma sobrancelha e se virou para ele lentamente, como se não fosse digno de sua atenção, mas o pequeno ajuste no corpo denunciava interesse.


“Essazinha.”

— É?

Ele assentiu.

— Sim. Em dias muito quentes — isto é, quando não estava nevando, apenas neblinando —, ela preparava uma torta de maçã e cerveja amanteigada. Sério… não havia nada igual.

Sua mancha de pétala ardeu levemente sob o peito. Esse seria seu lembrete eterno.

Eliriah cerrou os olhos.

Servida…? O que é isso?

— É cerveja — respondeu, gargalhando, o som saindo mais leve do que se sentia. — Nunca bebeu?

Ela negou com a cabeça.

— Nem ouvi falar.

— É sério? Ah, cara, acho que você ia adorar. É uma bebida doce e cremosa, feita de manteiga, açúcar mascavo, creme de leite, baunilha… às vezes ela colocava sorvete. Era bom demais.

Ele percebeu o próprio tom suavizar ao descrever, como se por um instante estivesse lá novamente.


Ela contemplou suas palavras. Talvez nunca tenha ouvido metade dos ingredientes que ele disse, mas parecia imaginar.

— E o que seria essa cevada?

— Não é cevada, é cerveja. Mas você deduziu bem um dos ingredientes. — ele suspirou e terminou seu ensopado, sentindo o calor descer pela garganta. — É uma bebida alcoólica produzida dos cereais, malte da cevada, água e um outro punhado de coisas.

Ela inclinou a cabeça para o lado, com as sobrancelhas franzidas. Era a primeira vez que não parecia tão pedante.

— E você pode beber álcool?

Milan inclinou a cabeça e fez uma careta.

— Não…, mas minha mãe deixava a gente beber um copo de vinho no último dia da semana.

— Então…

Milan assentiu, suspirando. Se sentia um pouco desconfortável. Essa era, de longe, a conversa mais longa que tiveram a respeito de… bom, a respeito de qualquer coisa.

Era engraçado ver que ela conseguia fugir um pouco da responsabilidade. E ele parecia mais um almanaque ambulante.

“Como com Em…”

— Entendo a confusão — disse, um sorriso de canto. — Mas cerveja amanteigada é só um nome qualquer. Sabe, às vezes leva um pouco de licor de caramelo, mas mamãe nunca deixou a gente provar. Era mais pros dias em que ela e o papai faziam algo juntos depois que pensavam que nós estávamos dormindo.

Ele sorriu, encarando o fogo, os olhos refletindo as chamas.

— Uma vez, mamãe nos pegou embaixo do balcão da cozinha, tentando roubar alguns doces, enquanto ela e o papai curtiam juntos na sala de estar. Cara, ela me deixou de castigo por uma lúnula. Rimos bastante no final de tudo.

Milan ficou pensativo por um momento. Havia muita coisa de que se lembrar. Muitas memórias — a maioria acabando mal demais para ele. Mas ainda assim, memórias.

Era tudo o que tinha, agora.

Eliriah contemplou o fogo. Tinha suas próprias memórias para se lembrar, também.

Milênios de solidão não deveriam ser capazes de apagar aqueles dias. Pelo menos ele achava que não.

— Cerveja amanteigada leva esse nome porque, no fim do processo, a bebida se parece com uma bebida — cerveja — que meu povo bebe em dias muito frios, apenas com um punhado de creme por sobre. Mas é muito bom mesmo.

Ele sorriu, mas era mais um sorriso de saudade. Não estava feliz, tampouco.

Era bom recordar esses dias. A mancha ardia furiosamente sobre sua costela.

Ele abaixou a cabeça. Logo, seu humor voltou ao comum, feito uma máscara recolocada.

— Você disse nós…

Mil ergueu a cabeça. Eliriah olhava para ele diretamente.

“Céus… quando foi que ela chegou tão perto?”

— O quê?

— Antes — ela disse. — Você falou “nós” e “a gente”. Não era só você?

Mil suspirou.

— Ah…

Eliriah não o forçou a dizer nada, mas estava estampado em seu rosto que ela queria saber mais. Queria saber sobre ele, sobre sua família e sobre… antes.

Milan estava pouco inclinado a revelar muita coisa. Mas por que não falar sobre esses dias tranquilos? Ajudaria a manter a lembrança fresca, talvez.

— Eu… tenho uma irmã gêmea. Emma. Bem, ela é mais nova do que eu por quase um minuto e meio.

Eliriah parecia surpresa. Sua boca se abriu num ricto silencioso, e suas sobrancelhas estavam arqueadas. Milan gostou dessa expressão.

— E como ela era?

— Ela é… tempestuosa. Como meu pai. Brincalhona, acesa, uma peste, pra ser sincero. — soltou uma risada seca, os olhos levemente úmidos. — Sempre se metia em confusão, e eu tinha que ir lá, resolver antes da mamãe pegar ela. E cara… sobrava pra mim. Era a cabeça de tudo, sabe? Mas ela também é gentil.

Eliriah sorriu de canto. Foi apenas um poucopequeno, quase imperceptível.


— Ela parecia ser maravilhosa — concordou. — Você devia amá-la muito. Eu nunca tive irmãos…, mas acho que teria sido bom… não viver tão sozinha.

Mil sorriu e encarou o fogo.

— É… na maior parte do tempo era muito cansativo. Mas aprendi a viver com isso. Emma se tornou tudo para mim. Minha irmãzinha.

Eliriah também encarou o fogo, suspirou pesado.

— Você pensa nela com muita frequência?

— O tempo inteiro — disse, virando o rosto e enxugando uma lágrima que insistiu em surgir. — É difícil… saber que ela está aí fora, sem mim. Mas sei que é forte, sei que vai conseguir sobreviver tempo o bastante. E um dia, vou até ela. Vamos nos ver novamente.

Eliriah riu e abaixou a cabeça.

— Você é tão… convicto no que diz. Tem certeza de que ela está lá, lhe esperando.

— Mas é claro. Que outra razão eu teria para querer ir embora daqui? Ser forte? É por ela, também. Sempre vai ser.

— Mas como tem tanta certeza de que…

Eliriah se interrompeu e suspirou. Parecia arrependida.

— Tanta certeza do quê?

— Não é nada.

— Diga — insistiu.

Ela o encarou.

— Como tem certeza de que vai sair e encontrá-la? De que as coisas não vão ter mudado? De que… ela está viva?

Sua voz caiu como um soco. Na verdade, aquelas palavras se alojaram mais fundo do que qualquer golpe físico. Porque de repente Milan se viu nessa perspectiva. Na de um mundo sem Emma. E algo dentro dele vacilou, ainda que por um segundo.


Parecia que, por um instante, a vingança não tinha sentido. De fato… o que ele faria?

Uma raiva incontrolável encheu seu peito, quente e imediata, mas ele foi forte para evitar explodir. Em contrapartida, olhou-a com frieza.

— Eu não tenho certeza de nada. Mas, novamente, o que me motivaria sem a esperança de que poderei vê-la de novo?

Eliriah se levantou, flutuando a poucos centímetros do chão.

— Ainda assim… é muita esperança. Muita autoconfiança.

— Não estou entendendo seu tom. Aonde quer chegar, hm? Quem terá confiança por mim? Quem vai acreditar que Emma está viva sem que seja eu, hm? Quem vai lutar minhas batalhas, estar lá por mim quando tudo estiver perdido, quando o mundo estiver um caos, e o fogo consumir as pessoas e tudo o mais, hm?

Ele se levantou, indo atrás dela.

Mesmo flutuando, Eliriah mal conseguia ter a altura de Mil.

Eu. — Concluiu. — Vou estar lá, e vou ter esperança, e vou ser forte. E vou atrás da minha irmã.

Eliriah se virou para ele. Parecia encarar sua alma. Estava… estranha.

— Mas como pode saber? Hein? Como pode ter certeza de que…

— De que ela está viva? — ele atalhou, vociferando. — Porque eu tenho. Porque ela está. Porque eu sei. Sinto no fundo do meu coração. Estamos ligados, Eliriah, desde nossa concepção até a nossa luz. Há algo que me diz, que me mostra, que me anseia, para a vida dela. E eu também estou. E vou atrás dela.

— Mas não pode saber…

— O quê? O que é que não posso saber, hein? Você não ouviu?

Milan se afastou. Falhara miseravelmente em evitar.

Caminhou para longe, tentando colocar a cabeça no lugar. A raiva era incontrolável, e surtia reações que fariam as pessoas se arrepender depois.

Milan experimentara por vezes demais isso, e ainda assim, era incapaz de controlar a si e sua fúria.

A perspectiva de um mundo sem Emma… era demais para ele. Porque um mundo assim faria todo seu esforço sem sentido.

“Mas faria mesmo?” pensou “Ou está mentindo para si mesmo? Emma pode ser apenas uma desculpa, não é? Para aquilo que você vai fazer. Que está pronto para fazer. Que não tem coragem o bastante de pronunciar em palavras.”

Ele podia dizer que era por Emma. Mas seu coração dizia o contrário.

Não podia se enganar.

E talvez por isso é que as palavras de Eliriah o machucaram tanto. Porque a primeira coisa que Milan faria não era correr atrás de sua mãe, seu pai ou Emma.

Seria destruir. E ele ansiava por isso.

— Tem que pensar nas alternativas, Milan, a vida…

— O que sabe sobre a vida? Nada. Passou toda a sua aqui, presa, guiando espíritos perdidos. A guardiã de seu doce povo. Nobre demais.

Ele caminhou até ela. Seu rosto era frio, sem um pingo de descontrole. Mas seus olhos… ardiam em fúria.

— Não tente me dar sermões, nem querer saber sobre minha vida. Não agora. É tarde, Eliriah.

Ela balançou a cabeça.

— Para o quê?

Mil sorriu.

— Para isso. Não há relação aqui. Por que quer saber sobre mim? Sobre minha família? Tão de repente? Hein? Teme alguma coisa? Teme que eu saiba seu passado? Hein, última filha.

Eliriah se sobressaltou, pálida. Ela piscou duas vezes antes de engolir em seco.

— Ah, eu sei sobre isso — continuou Mil, a voz venenosa. — Sei o bastante. Mas muito. O que me faz imaginar que nada disso é real. Nem você, nem esse personagem que tenta empregar. Nada.

— Está com raiva.

— Estou.

— Então não aprendeu nada — num instante ela retornou a si, agora fria e inabalável. — Nenhum ensinamento meu, nem sobre este lugar, nem…

— Ensinamentos vagos — ele jogou os braços pro ar. — Ensinamentos que só tem utilidade aqui, neste canto esquecido. Lá fora, no mundo, com as pessoas, a raiva vai me manter vivo. Vai me manter lúcido.

Mil balançou a cabeça. Apontou para si e depois para ela.

— Isso? Isso não existe. Não tem como estreitar laços. Não tem porque querer saber sobre mim, quando não diz sobre si. Ou melhor, quando sabe que nunca mais nos veremos. Não tente ser quem não é. Não tente.

— Você é bom demais para isso, não é? Tão superior. Tão maduro. Mas não viu o que eu vi.

— Você é o que você é. — Milan ralhou. — Cada um de nós carrega sua própria mortalha, Eliriah. Não tente me dizer o que fazer só porque viveu milhões de anos a mais do que eu. Tem suas próprias experiências, e eu tenho e terei as minhas. E é o que é.

— Mas o que resta depois de tudo?

Milan se virou, furioso. Se distanciou dela, a caminho da clareira.

— O que resta quando todos se vão e morrem? — ela continuou. — Memórias. Lembranças.

Mil parou e se virou.

— Então é sobre isso que se trata? Quer criar memórias comigo? Mais uma lembrança distorcida de algo que você teve medo de ser?

Eliriah negou.

— De algo que fui.

— O quê? Quer criar memórias comigo? — repetiu.

— Você não entenderia — ela balançou a cabeça. Depois sussurrou. — Você mudou. Não é mais o menino curioso, que mesmo quebrado, ainda tinha esperança de algo. Que, inocentemente, pediu para ficar. É isso que esse lugar faz com as pessoas.

Milan sorriu.

— E você permitiu. Pode achar que fez isso para me proteger, mas foi tudo por si mesma. Pelo seu ego. Para diminuir sua solidão. Mas isso teve um custo, não é? Tudo tem. E o seu é ficar sozinha, Eliriah. Mesmo que fosse uma criança no passado, mesmo que não tenha tido nada a ver com isso no começo, é peça fundamental agora, no presente.

Ele deu alguns passos à frente e apontou para ela.

Permitiu isso. Me enganou, me usou e se fez de tola. Às minhas custas. Porque o passado, fica no passado. O que importa é o presente, e o futuro como consequência. Então não venha ser sonsa, tentar me manipular, falar sobre dias em que eu achei que queria isso. Porque não quero. E é como você diz: esse lugar faz isso com as pessoas.

Milan deu as costas e caminhou para longe de Eliriah.

Nada poderia ser igual ao passado. E nada poderia permanecer da mesma forma por muito tempo.

E o tempo… era o que mais preocupava Milan.

 

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