O Auto do Despertar Brasileira

Autor(a): Leonardo Carneiro


Volume 1

Capítulo 51: ENTRE FIOS E PASSOS

Os dias passaram marcados por linhas tortas no papel, dedos feridos por agulhas, cordas desafinadas e o cansaço bom que vinha depois.

Demorou pouco para que ele estivesse fazendo tudo com a precisão mínima desejada. Mas ele evoluiu bem, e seu conhecimento substancial sobre o luin — algo que nem ele mesmo lembrava como chegara a compreender de maneira rasa — foi circunstancial para algo mais entravado.
O Luin era a escrita sagrada do Antigo Élfico, anterior à fragmentação das raças. Perdera-se com o tempo. Posteriormente, sua estrutura influenciou os anões na criação de seus alfabetos simbólicos e, mais tarde ainda, os humanos na sistematização fonética da escrita atual. 

Eliriah tentou, inicialmente, instruí-lo sobre o sistema rúnico do alfabeto do antigo linguajar élfico. Era duro, difícil e flexível. Mas Milan tanto conhecia alguns fonemas e pronúncias quanto, até mesmo teve a destreza de aprender as runas a ele ensinadas. 

— Suas runas não representam apenas sons, mas conceitos ontológicos: estados do mundo, da alma e do fluxo da energia interna.

Milan refletiu que escrever em Luin era invocar memória, não apenas registrar linguagem.

Cada runa havia nascido do ato de contemplação do mundo — fogo observado por eras, vento escutado até ganhar nome, morte encarada sem temor.

O alfabeto possuía quarenta e duas runas, divididas em 6 Círculos Conceituais. Em tese, e apesar de ser de difícil entendimento, Milan foi bem em entender. Conceitualmente falando.

Ainda assim, havia algo que não se encaixava. Sempre que tentava alinhar o traço à intenção — quando buscava não apenas desenhar a runa, mas senti-la — sua mão hesitava. Não era erro de forma; o símbolo estava correto. 

Era como se o traço recusasse permanecer no papel, como se algo nele escapasse no instante exato em que Milan acreditava tê-lo compreendido. Algumas runas pareciam mais leves, quase dóceis. Outras, contudo, pesavam. Exigiam silêncio, pausa, um tipo de atenção que ele não sabia nomear. Quanto mais tentava forçar o gesto, mais o traço se tornava instável, torto, vazio de significado.

Com o tempo, percebeu que sua maior dificuldade não estava em aprender o Luin, mas em não antecipá-lo. Seu entendimento vinha antes do exercício, e isso o traía. Havia momentos em que sua mente reconhecia o símbolo antes que seus dedos o tocassem, como se a memória precedesse o aprendizado — e era justamente aí que tudo falhava. 

O Luin não respondia à pressa nem à certeza. Exigia presença. Quando Milan se esquecia de si e apenas deixava a mão seguir, algumas runas surgiam quase sozinhas. Quando tentava repetir o feito, consciente demais do próprio sucesso, elas se desfaziam novamente. Aquilo o frustrava, mas também o intrigava: era como tentar lembrar de um sonho enquanto ainda se está acordado demais para sonhar. 

Concomitantemente, Milan sorria diante dessa adversidade. Não era um segredo que ele era fissurado em leitura e escrita — Milan aprendeu a ler e a escrever com apenas três anos de idade, vendo somente seu pai escrevendo no caderno de anotações da loja.

Então encontrar dificuldade em algo que ele era bom… bem, era bom, também.

Em contrapartida, ele queria ter se saído tão bem em costura quanto em escrita e leitura. 

Costurar nunca lhe veio como algo natural. Havia um descompasso quase humilhante entre o que sua mente ordenava e o que seus dedos conseguiam executar: a agulha escapava, o fio enroscava, o ponto ficava torto, frouxo demais para sustentar ou apertado demais para não rasgar o tecido já cansado. Ele compreendia, em teoria, a lógica simples — unir bordas, alinhar fibras, fechar feridas de pano como quem fecha uma carne aberta —, mas na prática tudo parecia resistir à sua vontade. 

O tecido dobrava onde não devia, criava vincos imprevistos, denunciando cada erro com um repuxar seco, um rasgo iminente. Seus dedos, duros e impacientes, não tinham a delicadeza necessária para manter a tensão correta do fio; puxavam com força excessiva, como se quisessem impor obediência ao material, e recebiam em troca apenas costuras irregulares, cicatrizes mal fechadas.

Havia algo profundamente frustrante nisso: a sensação de que, diferente das lâminas ou dos golpes, ali não bastava força, nem intenção — apenas constância, precisão e uma calma que ele não possuía.

Cada ponto malfeito era um lembrete silencioso de que nem tudo podia ser dominado à força, e que algumas coisas exigiam um tipo de cuidado que lhe parecia estranho, quase antinatural.

Com o tempo, a frustração inicial foi cedendo espaço a algo mais contido, não porque tivesse desaparecido, mas porque aprendera a empurrá-la para um lugar mais fundo, onde pudesse observá-la sem ser consumido por ela. A raiva ainda estava ali, intacta, pulsando sob a pele como uma febre antiga, porém agora servia menos ao impulso e mais ao foco.

Seus gestos tornaram-se mais lentos, calculados; a agulha já não tremia tanto, o fio passava com menos resistência, e mesmo os erros eram aceitos com um silêncio denso, quase disciplinado. Milan respirava antes de puxar, media a tensão com os olhos, refazia pontos sem pressa — não por paciência, mas por necessidade. Aquilo não era paz, nem esquecimento; era controle.

Ele não perdoava, não deixava para trás, não suavizava as lembranças que o haviam endurecido. Apenas as reorganizava, como se fizesse da própria fúria um instrumento guardado, à espera do momento certo.

A costura melhorava não porque seu coração estivesse leve, mas porque aprendera que até o ódio, quando bem posicionado, podia sustentar algo em vez de apenas rasgar. Mas faltava muito, ainda.

Em contrapartida, o desenho e o instrumento exigiram dele um tipo diferente de entrega.

No carvão e no grafite, Milan percebeu que sua mão tendia a endurecer demais o traço, como se tentasse fixar o mundo à força no papel. Linhas surgiam firmes demais, sombras pesadas onde bastava sugestão. Foi preciso reaprender a permitir que o vazio existisse entre um risco e outro, que o silêncio do papel tivesse valor próprio.

O instrumento, por sua vez, não tolerava imposição alguma: cordas respondiam com dissonância sempre que ele tentava arrancar delas mais do que estavam prontas para dar. Sons ásperos o denunciavam, não como erro técnico, mas como descompasso interno. 

Aos poucos, ele entendeu que tanto o desenho quanto a música exigiam escuta; só que não do mundo externo, mas de si mesmo. Ajustou a pressão dos dedos, cedeu espaço ao intervalo, deixou que o ritmo se estabelecesse antes da intenção. E, nesse processo, algo se alinhou: não houve catarse, nem alívio pleno. Apenas a sensação contida de que, enquanto desenhava ou tocava, sua raiva encontrava uma forma de existir sem transbordar. Ela se tornava linha, vibração, cadência. Não desaparecia — era traduzida.

Houve, contudo, um alívio discreto nos instrumentos de sopro, sobretudo nos de madeira. Neles, Milan encontrou algo que não exigia contenção das mãos, mas direção do fôlego — e o ar, diferente da lâmina ou da agulha, aceitava ser conduzido sem resistência. O tom surgia grave, por vezes arrastado, carregado de uma melancolia quase errante, como as antigas cantigas de lamento que viajavam entre vilas sem jamais pertencer a lugar algum.

O ritmo não pedia pressa; fluía em compassos irregulares, um pranto cadenciado, próximo das velhas baladas de estrada que falavam de perda sem nome. Ao soprar, Milan não silenciava a dor — apenas a deixava passar por ele, moldada em som, lenta, profunda e estranhamente honesta.

Por alguns instantes, ele apenas permaneceu ali, sem executar nada. Observou as mãos, o ar ainda quente nos pulmões, o silêncio que se formava depois do som cessar. Não havia urgência nesse intervalo — apenas a sensação de que algo, enfim, encontrara lugar.


Quando os dias passaram e ele prosseguiu com seu ofício nessas artes, pequenos pensamentos começaram a se juntar em sua mente.

Milan era inteligente, e ele entendia as coisas mais do que a maioria. Qualquer um veria isso como perda de tempo, essas práticas antiquadas.

Ele não. Ele viu, com o passar do tempo durante esse intervalo silencioso, o desenho maior, ainda incompleto. A costura lhe ensinava onde a força precisava ser contida; o desenho, onde a intenção precisava ceder; e a música, onde era preciso apenas deixar fluir.

Três gestos distintos, unidos por uma mesma exigência: presença. Nenhum deles pedia que ele fosse outro — apenas que estivesse inteiro em cada ação. O fio, o traço e o som não o acalmavam de fato; organizavam-no. Eram tentativas imperfeitas de dar forma ao que nele insistia em ser excesso.

Nada ali se resolvia plenamente, e talvez nem devesse. Mas, pouco a pouco, esses aprendizados começaram a se tocar nas bordas, sugerindo que o controle que ele buscava não viria da negação da própria fúria, e sim da capacidade de distribuí-la com precisão, sem desperdiçá-la.

Era isso que ele entendia, mas, por uma incapacidade dele e de sua fúria quase incontrolável, não conseguia transformar em fato consumado. Em palavras ditas. Em ações feitas.

O grande diferencial era sua alta percepção. Mas antes, o defeito de Milan — que era a ingenuidade —, agora fora substituído por dois defeitos gritantes: raiva incontrolável e desconfiança absoluta.

Não havia ninguém no mundo em quem ele pudesse confiar, no momento. Exceto, talvez, sua família, mas estes estavam do outro lado do mundo, quiçá.

Milan não tinha sua família aqui. Ele tinha apenas Eliriah. E nela, não confiava.

Mas devia? Suas dicas, ensinamentos, eram possíveis de compreender, eram necessárias e eram absolutas.

Por qual razão alguém o ajudaria assim?

Ah, certo. Ela queria ele fora dali, estava claro. Para ela, não importava se ele fosse bem sucedido, ou não. Para ela, era tudo uma questão de manter o lugar a salvo.

E, para ela, uma ninfa de mais de uma Centelha de vida, isso poderia ser, nada mais nada menos, do que um passatempo, como bem Milan vinha nutrindo para si.

Sim… Eliriah poderia estar fazendo isso — ajudando, corrigindo, instruindo — por puramente tédio. E, claro, para expulsar, o quanto antes, um inquilino indesejado.

Para Milan, contudo, isso não era necessariamente um problema. Desde que, claro, isso não o prejudicasse, Milan estava apto — como esteve nas últimas semanas — a ouvir atentamente e, sobretudo, obedecer, também, aos ensinamentos da velha sacerdotisa.

Pois, afinal, isto também lhe era favorecido. Pois Milan sairia dali — uma vez que, claro, não morresse.

E, com isso, entre dedos espetados, mãos e músculos com câimbra e carvão sob as unhas, os dias passaram.

Aqui e acolá, Milan treinava golpes, e Eliriah o observava de longe. Até que um dia, após o término de uma costura que ele estava empenhado, Eliriah se aproximou dele.

O sol estava brilhando morno, indicando o final da tarde, mas o toque era suave e vivo. Milan respirava pesadamente, e seu peito subia e descia, delineado sob a blusa de linho.

Suas feridas já estavam cicatrizadas — dádivas de ser um desperto — e ele exibia em seu peito marcas profundas de cortes pequenos e grandes, rosados e diversos.

Eliriah tinha o cenho franzido.

Milan respirou fundo, bebendo de seu cantil e despejando água em sua nuca. Gotas de suor se misturaram com a água, lavando sua alma. Se sentia refrescado.

Eliriah desviou o olhar, o rosto levemente ruborizado. Milan franziu a testa diante do gesto da jovem ninfa, sem entender muito bem o que ela tinha.

Será que está passando mal?’

Enxugando o rosto, ele se inclinou para frente, oferecendo o cantil.

Eliriah se afastou, levantando uma mão e olhando para ele levemente incrédula. 

‘Sério, o que ela tem?’

— Aqui — disse ele, cerrando os olhos diante da súbita estranheza de Eliriah. — Beba. Você está com a cara meio vermelha… se sente mal?

Ela tossiu, virando-se rapidamente. Milan deu um passo para trás, assustado com a ação de Eliriah. Ela tornou a tossir, e forçou a voz.

— N-não. Estou perfeitamente bem.

Milan assentiu, desviando o olhar antes de mais uma cerrada de olhos. Se afastando, ele foi se sentar no chão, buscando controlar sua respiração.

Eliriah ficou afastada, flutuando a palmos do chão e virada de costas.

Ele esperou que ela dissesse algo, mas essa estranheza parecia incomum. Ele deu mais alguns goles da água, se refrescando.

Depois do que pareceram horas, Eliriah flutuou até ele, o rosto totalmente impassível. Parecia que qualquer coisa que a tivesse feito ficar vermelha daquele jeito, passara.

Uma carranca de indiferença — e habitual — retornara. Ela suspirou, limpando a garganta. 

— Onde aprendeu esses passos? 

Milan ergueu a cabeça, franzindo a testa.

— Ah… bem, meu mestre, um duque élfico. Ele ensinou tudo o que sei — desde os passos, respirações, como, quando e onde golpear. Como respirar, como levantar uma espada. Como sentir meu Orka. Enfim, meu mestre.

Eliriah ergueu uma sobrancelha.

— Um elfo… treinando humanos? — sua voz era irônica. — Agora admito que já vi de tudo. 

Milan se inclinou franzindo o cenho. 

— O que há de errado nisso?

Eliriah soltou um riso abafado.

— O que não há de errado, você quer dizer. Elfos não gostam de humanos. — Ela limpou uma prega do vestido, olhando para baixo e se perdendo em pensamentos.

Milan encarou enquanto ela brincava com uma dobra, totalmente distante. Um riso inconsciente surgiu no rosto dele ao perceber sua expressão distraída e gentil. Algo ardia em seu peito enquanto isso. Como… poderia explicar?

Não sabia. Só que gostou do que viu. E praguejou diante desse pensamento.

‘Como assim gostei do que vi? Que raios estou pensando?’

Quando Eliriah ergueu a cabeça, notou Milan olhando e sorrindo levemente para ela.

— O quê? — perguntou, franzindo a testa. — Você está vermelho.

Milan piscou uma vez e franziu a testa. Como assim, vermelho? Ele limpou a garganta, olhando para baixo e piscando várias outras vezes. Bebeu um gole d’água para disfarçar.

— Hã? Deve ser do treinamento… Sim, apenas o treinamento.

Ela se inclinou, cerrando os olhos.

— Mas você ficou mais vermelho do que estava. Há uma diferença aqui.

‘Quê? Como ela consegue diferenciar os tons de vermelho?’


Milan, contudo, abanou a mão entre eles e sorriu.

— Bem… hum… o que dizia? Antes.

Eliriah continuou estreitando os olhos para ele, então suspirou e ergueu o rosto para o céu.

— Que elfos não gostam de vocês, humanos. Vocês são quase sempre… mesquinhos, arrogantes, prepotentes, ambiciosos.

Milan deu um sorriso torto.

— Oh! Obrigado pelo elogio. Me pergunto, quase sempre, de quem herdamos tantos bons adjetivos. Afinal, os elfos são tãããão magnânimos.

Eliriah deu tapas no vestido outra vez, suspirando pesado.

— Bom, não foi um elogio. Mas aceito seus agradecimentos. E não seja petulante, menino.

Milan sorriu enviesado.

‘Essa coisinha desgraçada… se eu pudesse’

— O que está fazendo? — indagou Eliriah, consternada.

Sem que Milan percebesse, ele estava rangendo os dentes num sorriso macabro e esticando o braço, fechando a mão em apertos estelares, na direção de Eliriah.

Ele piscou várias vezes e tossiu algumas outras, precisando saciar a secura da garganta. Eliriah revirou os olhos.

— De qualquer forma, é engraçado.

Quando baixou o cantil, Milan sorriu sem mostrar os dentes.

— Não é? Mais engraçado ainda é ver uma Guardiã Milenar fazendo isso, também. Rebaixando-se a tal escrutínio. Que decadência.

Eliriah concordou.

Não é? — ela suspirou, incrédula. — Enfim. Ossos do ofício.

Ela pareceu se perder novamente em pensamentos e Milan sentiu mais vontade de esganar a pequena fada.

Quando ela não disse nada, Milan respirou fundo e olhou para ela.

— Era só isso?

Eliriah se sobressaltou, erguendo as sobrancelhas. Sua boca fez um suave Oh!, e ela pareceu lembrar-se.

— Hm? Não. Ia falando sobre a técnica.

Milan assentiu, inclinando a cabeça.

— Ela é… — Eliriah começou, devagar, como se procurasse uma palavra que não gostasse de ser encontrada. — Suave demais para humanos.

Milan ergueu o olhar, atento.

— Suave? — franziu a testa.

— Sim — respondeu ela, com um aceno. — Seus passos não esmagam o chão. Não arrancam nada dele. Você se moveu como quem pede permissão.

Milan projetou-se para frente.

Ela o observou por um instante mais longo, os olhos vagando entre os intervalos de um gesto e outro.

— É uma técnica enraizada — continuou. — Mas não rígida. Parece… antiga. Como raízes que aprenderam a contornar pedras, em vez de quebrá-las.

Milan sorriu, nostálgico. Foi algo que nem ele percebeu, mas Eliriah sim, que inclinou a cabeça para o lado levemente.

— Cildin sempre dizia que força sem ritmo é só barulho.

Eliriah o encarou por um tempo e então, soltou um riso curto, quase nostálgico. Milan ergueu levemente a sobrancelha.

— Um elfo dizendo isso não me surpreende. O que me surpreende é você ter escutado.

Milan comprimiu o canto da boca, se forçando para não revirar os olhos. Eliriah, por sua vez, flutuou alguns passos à frente, tocando o chão apenas com a ponta dos pés.

— Esses movimentos… — murmurou — me lembram algo que não é ensinado há muito tempo.

Milan notou o ar mudar, como se a conversa tivesse atravessado um limiar invisível.

— O quê? — perguntou, com cautela. 

Ela o encarou, agora séria. 

— Um método de interferência — disse. — Não de imposição.

Ela ergueu a mão, desenhando um arco lento no ar, como se puxasse fios invisíveis.

— Um tear que não se vê, mas se sente quando alguém anda fora do compasso do mundo. 

Houve uma breve pausa. 

— Chamamos isso de Tear da Lua. 

O nome caiu entre eles sem peso, mas com profundidade. O canto em que estavam se tornou mais escuro, como se o sol reconhecesse o nome. 

— Não é uma técnica de ataque — concluiu ela. — É uma forma de escuta. E, às vezes… de correção. 

 

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