Vol 12
Capítulo 1: Um Encontro Inesperado
Como aquele garoto chamou a Mahiru?
Por um instante... não, por vários segundos, Amane congelou onde estava, levemente curvado. Ele não conseguia compreender o significado das palavras do garoto que ele acabara de conhecer.
“...Nee-san?”
O garoto falou hesitante. Sua voz soava contida ao chamar, mas carregava uma clara determinação.
Se Amane não tivesse entendido errado, o garoto definitivamente olhou diretamente para Mahiru antes de chamá-la de irmã mais velha...
Assim que Amane finalmente processou as palavras do garoto, ele se virou para Mahiru. Ela encarava o garoto parado à sua frente com olhos tão arregalados que pareciam que iam saltar das órbitas a qualquer momento. Então, lentamente, ela estreitou o olhar.
Seus olhos gélicos estavam tingidos de um leve medo e repulsa.
Até mesmo um estranho, como Amane, podia perceber que Mahiru não estava encarando o próprio garoto. Era para outra pessoa — alguém além dele.

[Del: Esse olhar… | Jeff: Tremi aqui | Moon: Mahiru Yandere vindo aí? | Kura: Medo…]
Era impossível dizer se o garoto havia percebido isso, mas ele ao menos notara que não havia um único vestígio de boa vontade no rosto de Mahiru. Ansioso, sua expressão endureceu.
“…E quem seria você?” Mahiru perguntou ao garoto em um tom plano e monótono. Sua habitual expressão gentil havia desaparecido. O olhar fulminante era a única emoção que ela deixava transparecer.
A geralmente amigável Mahiru, que oferecia um sorriso caloroso a todos que se aproximavam dela, agora lançava ao garoto um olhar de rejeição cristalino. Era uma expressão gélida e completamente inacessível que exigia uma coisa: “Não se envolva comigo.”
“Peço desculpas, mas acho que nunca nos conhecemos.”
Mahiru falou de forma objetiva e lenta. Sua voz cortante era fria o suficiente para gelar a alma e penetrante o suficiente para ser quase dolorosa.
Qualquer um podia perceber pelo seu tom que não havia o menor traço de gentileza nele. O garoto estremeceu com a resposta dela, mas em nenhum momento desviou o olhar. Amane o viu cerrar os punhos com força ao lado do corpo, preparando-se para o que viesse a seguir.
“Você é… Mahiru Shiina-san, certo?”
“…E se eu for?”
Mesmo depois de ouvi-lo dizer seu nome, Mahiru não baixou a guarda. Pelo contrário, ficou ainda mais cautelosa. Conforme seu olhar se tornava cada vez mais obstinado, o garoto recuou por um instante.
E, no entanto, ele não demonstrou nenhuma intenção de recuar. Ele fixou o olhar em Mahiru com um brilho ainda maior nos olhos do que antes.
“Eu sou… alguém ligado à sua mãe…”
O garoto disse isso com uma voz rouca e tensa, como se tivesse arrancado as palavras após uma longa e silenciosa luta.
Os ombros de Mahiru tremeram.
Enquanto ele estava ao lado dela, Amane percebeu o tremor percorrer todo o seu corpo até os dedos. Mas ele sentiu que, se falasse agora, poderia ultrapassar os limites do que podia fazer como namorado dela. Impotente para fazer qualquer outra coisa, a única coisa que conseguiu foi segurar delicadamente a mão trêmula dela.
A mão que ele segurava estava tão fria que parecia ter sido drenada de todo o sangue, e seu leve tremor revelava dolorosamente o estado de espírito de Mahiru.
“Vim aqui hoje porque… eu queria falar com você.”
“...Sobre o quê, exatamente?”
“É sobre sua mãe. Isso é tudo que direi aqui.”
O garoto olhou na direção de Amane, provavelmente por ser um estranho. Claro, ele havia notado Amane desde o início. Ele havia escolhido ignorá-lo deliberadamente até agora.
Amane se perguntou brevemente o que deveria fazer se o garoto lhe dissesse para ficar de fora, já que era um assunto de família. Mas o garoto não parecia ter a intenção de excluí-lo.
Ainda assim, o jeito como ele olhou para Amane com um olhar ligeiramente preocupado sugeria que ele não tinha muita certeza de como proceder com sua presença. Era possível que ele entendesse vagamente que a única razão pela qual Mahiru não o havia ignorado e ido embora era porque Amane estava ali.
Por direito, Amane deveria ter se desculpado. Mas se ele deixasse Mahiru sozinha com o garoto agora... ele não tinha certeza se os dois conseguiriam ter uma conversa calma.
Mahiru parecia fria e composta na superfície, mas, no fundo, ela sentia não uma ondulação suave, mas um mar revolto. Amane não conseguia entender tudo o que ela estava sentindo, mas, conhecendo as circunstâncias de sua família, seria estranho se seu coração não estivesse em turbilhão após uma reviravolta tão repentina.
“Receio não ter nenhum interesse particular em minha mãe, nem qualquer intenção de me envolver com ela. Por favor, vá embora.”
“Eu imploro, só... por favor, me ouça... Eu não vou embora até que você me ouça. Na verdade, eu não posso.”
“Você não pode? Por quê?”
“…Eu… fugi de casa. Para vir para cá.”
O garoto parecia extremamente desconfortável. Encolheu os ombros enquanto olhava para Mahiru com olhos desesperados.
Mahiru retribuiu aquele olhar suplicante com olhos mais frios do que Amane jamais vira. “Então você deveria voltar para aquela casa. Eu posso pelo menos pagar sua corrida de táxi.”
“Eu não vou voltar até você me ouvir! Não importa o que aconteça!”
“Eu não vou te ouvir. Agora, por favor, saia.”
A resposta de Mahiru foi definitiva.
Ela encarou o garoto, ainda esperançoso, sem demonstrar nenhuma emoção. “Você sabe como minha mãe me tratava?”
“…Eu não diria que sei, mas… posso imaginar,” respondeu o garoto.
Mahiru piscou amplamente, em choque. Então, como se não conseguisse mais conter suas emoções, Mahiru apertou os lábios e franziu a testa, frustrada. Seus olhos se fixaram no garoto como se silenciosamente exigissem: “Por quê?”
Amane também mordeu o próprio lábio.
“Então você entende que eu não quero ouvir nada sobre minha mãe, certo?”
“...Entendo. Mas também tenho minhas próprias circunstâncias a considerar.”
“Então parece que chegamos a um impasse. Eu também tenho minhas próprias circunstâncias. Para começar, não tenho obrigação de ouvi-lo, e assim que eu passar por esta entrada, este assunto não me diz respeito mais. Você não pode nos seguir — isso seria invasão de propriedade. Se fizer isso, chamarei a polícia. E, francamente, alguém da sua idade vagando por aí a esta hora provavelmente seria detido antes disso. Seria mais sensato você ir para casa em silêncio antes que chegue a esse ponto.”
“Eu ainda não consigo... Mesmo assim!!!”
Para qualquer um que conhecesse Mahiru, seu comportamento atual seria inacreditável. Ela estava insensível a ponto de ser cruel e completamente inflexível. Ela não demonstrava qualquer sinal de que iria recuar. No entanto, em contraste com a aspereza de suas palavras, sua expressão havia se tornado sombria e fraca.
Era uma mudança tão sutil que apenas Amane, que a observara tão atentamente por tanto tempo, notaria. Mas Mahiru estava sendo encurralada, assim como o garoto.
Se as palavras do garoto fossem verdadeiras, ele provavelmente era filho da mãe de Mahiru. Contudo, o fato de ele ter escolhido dizer que era “ligado” a ela em vez de afirmar ser seu filho era suspeito.
Se ele era realmente filho dela ou não, uma coisa não mudava: isso era algo que Mahiru não queria lembrar, nem mesmo pensar a respeito.
A prova estava na mão que Amane segurava. Ela tremia levemente em seu aperto e permanecia fria, como se tivesse esquecido o calor que tinha quando chegaram ao prédio. Se ele não a estivesse segurando, Amane sentiu como se ela pudesse ter fugido dali a qualquer momento. Mahiru rejeitou completamente a situação em que se encontrava.
“Mahiru, posso intervir por um segundo?”
Nesse ritmo, a saúde mental de Mahiru estaria em risco e, se nenhum dos lados estivesse disposto a ceder, a situação não levaria a lugar nenhum. Além disso, era por volta da hora em que as pessoas estavam voltando da escola, o que significava que havia uma boa chance de alguém vê-los.
Mahiru detestava a ideia de que outros soubessem dos assuntos delicados de sua família. Mesmo que nenhum aluno da escola deles morasse naquele prédio, chamar atenção era a última coisa que ela queria.
Justamente por ser alguém de fora, Amane achou que deveria intervir e quebrar o impasse.
O garoto se assustou um pouco ao ouvir Amane, o forasteiro, falar de repente. Mas, em vez de interromper, simplesmente olhou para Amane.
“Essa conversa não vai chegar a lugar nenhum desse jeito.” Amane se virou para o garoto. “Então... você se importaria de me deixar falar um pouco? Você provavelmente está se perguntando que sujeito eu sou.”
O garoto não considerava Amane um incômodo, mas sua expressão deixava claro que ele não fazia ideia de quem Amane era. Mas isso era natural. Afinal, Amane era um completo estranho para ele.
Mantendo o tom o mais gentil possível para não deixar o garoto nervoso, Amane falou novamente. O garoto pareceu bastante disposto a ouvir, virando seu rosto juvenil em sua direção.
“Primeiro, você se importaria de me dizer seu nome?”
“...Satoshi.”
O garoto — Satoshi — disse seu nome em voz baixa e, em seguida, olhou para Amane com hesitação.
[Kura: Me orgulho de ver o homem que você se tornou Amane.]
Era a primeira vez que Amane o encarava de verdade. Satoshi não se parecia particularmente com Mahiru. No máximo, seus comportamentos reservados pareciam um pouco semelhantes, mas suas feições não eram parecidas de forma significativa.
Bem, isso só complica as coisas, pensou Amane, sentindo-se perturbado enquanto sustentava o olhar de Satoshi.
“Então, Satoshi-kun. Você disse que tinha algo que queria contar para a Mahiru sobre a mãe dela.”
“Sim, eu tenho.”
“É algo que precisa ser dito hoje, absolutamente?”
“...Huh?”
“Além dos motivos que te deixam ansioso, precisa mesmo ser hoje?”
Satoshi pareceu perplexo com a pergunta. Mas Amane só interveio para resolver as coisas da forma mais pacífica possível em nome de Mahiru. Ele não ia se esforçar mais do que o necessário para poupar os sentimentos do garoto.
“Eu sei que você está com pressa. Mas como você acha que Mahiru se sente depois que você mencionou a mãe dela de repente? Pelo jeito que você fala, acho que você já tem uma ideia da situação em que Mahiru esteve. É por isso que ela está se sentindo extremamente ansiosa e restritiva agora. Se você estivesse no lugar dela, você realmente acha que conseguiria ouvir sua história com calma e aceitá-la como verdade absoluta?”
Satoshi balançou a cabeça. “…Não, acho que não conseguiria.”
Amane não deixou transparecer seu alívio.
Se Satoshi tivesse insistido teimosamente que não importava e tentado forçar a barra de qualquer maneira, Amane estava totalmente preparado para silenciá-lo sem piedade. Felizmente, não parecia que chegaria a esse ponto.
[Moon: Silenciá-lo é… Medo. | Kura: Concordo… esses não são os personagens adoráveis que conheço…]
“Sua prioridade número um agora é que a Mahiru ouça sua história, certo? Mas precisa mesmo ser hoje? Se não for, talvez seja melhor voltar outro dia. Se fizer isso, pode haver uma chance de ela estar disposta a ouvir. No mínimo, ela estará em um estado melhor para aceitar sua presença do que está agora.”
Mahiru se fechou. Até Satoshi podia ver que, em seu estado atual, ela não estava em condições de ouvir nada do que ele tinha a dizer.
Mahiru ficou parada com os lábios cerrados, ainda segurando a mão de Amane. Amane podia senti-la tremendo, então apertou suavemente sua pequena palma novamente para acalmá-la e tranquilizá-la.
“Considerarei os sentimentos da Mahiru antes dos seus. Se ela disser que não quer isso, então farei você ir embora, mesmo que tenha que te arrastar. Para nós dois, você é um estranho. Não posso atender ao seu pedido sozinho, e não tenho nem o motivo nem a obrigação de fazê-lo.”
O garoto era alguém que, em circunstâncias normais, jamais teria cruzado o caminho deles. De certa forma, ele representava uma lembrança do passado doloroso que Mahiru havia sofrido.
O próprio Satoshi não havia feito nada de errado. Mesmo assim, se Mahiru sentisse que não conseguia suportar a presença dele, Amane pretendia respeitar esse sentimento o máximo possível.
“Mas eu percebo que isso é muito importante para você. Está estampado no seu rosto. Por isso estou perguntando: você poderia ir para casa agora e voltar outro dia, e depois combinamos um horário adequado para conversarmos? Se isso acontecerá ou não, dependerá inteiramente de Mahiru, então não posso prometer que seu desejo será atendido.”
Amane podia sentir a determinação de Satoshi em falar com Mahiru. Ainda assim, considerando a rapidez com que esse fardo pesado havia sido imposto a ela, ele queria evitar iniciar uma conversa imediatamente, se possível.
Ao mesmo tempo, Amane sabia que simplesmente afastar o garoto não resolveria nada. O assunto permaneceria na mente de Mahiru, lançando uma sombra que continuaria a corroer sua consciência.
Além disso, ele duvidava que Satoshi desistisse após uma única tentativa. Viver com medo de quando ele poderia aparecer novamente só desgastaria ainda mais a paz de espírito de Mahiru.
Se fosse esse o caso, seria muito melhor para a saúde mental dela se ela enfrentasse a situação por conta própria, depois de se preparar e marcar um horário adequado para conversar, acreditava Amane. Claro, se até essa ponte se mostrasse dolorosa demais para Mahiru atravessar, ele estaria disposto a destruí-la completamente.
Quando Amane olhou para Satoshi para ver como ele reagiria, o garoto baixou o olhar. Parecendo desconfortável, ele recuou e apertou o próprio pulso com força.
“…Hoje… minha mãe não está em casa. Eu menti e disse que ia dormir na casa de um amigo. Eu até pedi para meu amigo me encobrir… então hoje é realmente minha única chance.”
Pelo rumo da conversa, a mãe a quem Satoshi se referia só poderia ser a mãe biológica de Mahiru, Sayo. Mas Amane se perguntou por um momento por que ele havia se referido a ela como “sua mãe” antes, como se Sayo não fosse mãe dele também. Mas agora, a questão mais urgente era o que fazer com Satoshi.
Embora fosse reservado, Satoshi não estava recuando. Mudar de ideia não parecia fácil.
Se chegasse a esse ponto, Amane, é claro, ficaria do lado de Mahiru. Mas o que Mahiru queria fazer? Ele baixou o olhar para a garota ao seu lado.
“O que você quer fazer? Eu sinto muito pelo garoto, mas podemos fingir que isso nunca aconteceu e mandá-lo para casa. Você deveria priorizar seus próprios sentimentos. Estou do seu lado, Mahiru.” Amane falou gentilmente, deixando claro que os sentimentos dela importavam acima de tudo.
Mahiru franziu as sobrancelhas antes de baixar o olhar sem dizer uma palavra. Depois de uns doze segundos de silêncio, ela finalmente sussurrou: “...Eu não o quero na minha casa. Ele não pode entrar.”
Ela fez uma pequena concessão.
“Então… você se importaria se conversássemos na minha casa? O que acha?”
Amane entendia muito bem por que ela odiaria a ideia de alguém ligado a um passado que ela tanto tentara evitar invadir seu próprio território. Nesse caso, talvez oferecer o apartamento dele como local para a conversa funcionar.
A casa de Amane praticamente se tornara o espaço de Mahiru também, então ela ainda poderia se sentir desconfortável. Mesmo assim, Amane acreditava que certamente seria melhor do que deixar alguém ligado àquele passado doloroso invadir a própria casa dela.
Idealmente, eles resolveriam isso tomando um café ou em um restaurante familiar. Mas em um restaurante familiar, sempre havia a possibilidade de alguém conhecido ouvi-los. Além disso, andar pela cidade à noite com um garoto que parecia estar entre o final do ensino fundamental e o ensino médio poderia facilmente fazer com que fossem parados pelas autoridades.
E sem saber quanto tempo a conversa poderia durar, era melhor evitar ficar perambulando por aí. Com a sugestão de Amane, Mahiru olhou para ele com um olhar inquieto. Sua expressão era sombria.
“Mas… isso significaria te envolver nisso, Amane-kun.”
“Ei, não me importo de ser envolvido. Ah, mas se preferir que eu não ouça nada, posso me retirar.”
“…Eu não quero que você vá embora.”
“Tudo bem. Eu vou ficar aqui do seu lado.”
Se ela não conseguisse suportar isso sozinha, Amane estaria lá por ela. Eles já haviam dito que se apoiariam mutuamente, então que tipo de parceiro ele seria se não estivesse ao lado dela quando ela estivesse em dificuldades? Se Mahiru estivesse se angustiando, então era dever dele acalmá-la.
Mahiru não recusou a oferta. Em vez disso, sua expressão relaxou, mostrando alívio e até um pouco de alegria.
Foi o primeiro olhar gentil que ela mostrou desde que Satoshi apareceu. A cena pareceu assustar o garoto um pouco, embora ao mesmo tempo ele parecesse aliviado, percebendo que ela estava pelo menos disposta a ouvi-lo.
“…Para reiterar, se você não se importar que seja na minha casa, a Mahiru está disposta a te ouvir. Mas apenas sob essa condição. E se você preferir não falar comigo presente, então cancelamos tudo.”
“Tudo bem… muito obrigado. E… me desculpe por ser tão insistente.”
Satoshi fez uma reverência educada. Observando-o, o desgosto anterior de Mahiru deu lugar a uma expressão de clara confusão enquanto ela encarava o topo da cabeça curvada do garoto. Então, ela apertou a mão de Amane com mais força.
Traduzido por Moonlight Valley
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