O Anjo da Porta ao Lado Me Mima Demais Japonesa

Tradução: DelValle

Revisão: Mon, Kurayami


Vol 11.5 – Volume 11.5

Capítulo 9: Visita Surpresa ao Local de Trabalho de Um Melhor Amigo

 

“Então, é isso aí! Por isso acho que já está na hora de darmos uma olhada em onde você trabalha, Amane!”

“Então ‘é isso aí’ uma ova. Você nem disse nada.”

   Os quatro tinham decidido almoçar juntos como de costume, mas, do nada, Chitose teve um súbito excesso de energia e fez aquela declaração bizarra. Amane a encarou, sem se divertir.

   Com um baque alto, ela bateu na mesa como se quisesse deixar sua mensagem bem clara — mas tudo o que conseguiu foi fazer as marmitas tremerem, o que, francamente, era bem irritante.

“Afinal, o que tem de divertido em vir ao meu local de trabalho…?” perguntou Amane.

“Ah, você sabe. Eu ainda quero te ver no seu modo ‘atendente de café’, todo estiloso.”

“Não me lembro de ter ativado um ‘modo’ tão bobo em mim mesmo.”

“Do que você está falando?” perguntou Itsuki. “Você se comportou impecavelmente como um cavalheiro distinto no festival cultural, lembra?” 

“Como se eu pudesse lidar com clientes enquanto agia como um recluso sombrio. E você mesmo estava no ‘modo’ playboy paquerador, não é?”

“Ei, essa é uma opinião bem dura que você tem de mim. Não é, Shiina-san?”

“Amane-kun, isso foi um pouco demais.”

“Urk.”

   A leve repreensão de Mahiru o fez parar por um momento, se perguntando se havia ido longe demais. Mas Itsuki realmente havia agido como um paquerador naqueles instantes, então ele não achou que o comentário fosse injustificado.

   Itsuki era o tipo de cara que naturalmente se inclinava para essa energia descontraída. Pode ter sido parte de sua natureza, embora fosse igualmente justo dizer que ele escolhia deliberadamente cultivar essa persona.

“Não importa o quanto o Akazawa-san goste de te provocar, ainda não é bom exagerar nas coisas,” repreendeu Mahiru. “Ele é apenas bem-humorado e de espírito livre, só isso.”

“Então até a Mahirun acha que você é um espírito livre, hein?” Chitose observou. 

“Eu diria também que ele é muito bom em improvisar e em se adaptar.”

“Isso é um elogio?” Itsuki perguntou, perplexo.

“Sim, é um elogio e tanto.”

   Amane se virou para esconder o riso ao ver Itsuki tão claramente surpreso com o elogio direto de Mahiru. Mas Itsuki, esperto como ninguém, entendeu imediatamente.

“Você está rindo, não é?” disse ele, com a voz uma ou duas oitavas mais baixa que o normal.

[Kura: Aqui temos um quarteto impecável kkkkkkk.]

“Calma, calma,” disse Chitose para Itsuki. “De qualquer forma, a Mahirun já foi visitar outro dia, certo? Fomos atenciosos o suficiente para não ir antes da sua namorada, mas agora que a grande revelação já foi feita, então é justo!”

   Amane havia convidado Mahiru para o café onde trabalhava para o White Day, e tanto Chitose quanto Itsuki sabiam disso. Ele não tinha a intenção de manter segredo. Mesmo assim, jamais imaginou que eles pensariam: “A Mahiru já se divertiu, então agora é a nossa vez!”

“Justo nada!” disse Amane secamente. “Não venham.”

“Que horror! É assim que você fala com os seus clientes?!”

“Não se diga cliente se você não é.”

“Você deveria atrair clientes, não espantá-los!” exclamou Chitose, elevando a voz.

“Ei, você veio até onde eu trabalho, não é?” comentou Itsuki.

“Guh...”

   Seus dois amigos tinham bons argumentos, mas Amane ainda resistia.

   Fumika, a dona, ficaria encantada em receber mais clientes — e se ela pudesse presenciar um casal adorável como Amane e Mahiru em ação, não teria motivos para se opor.

   O raciocínio de Itsuki também não estava errado. Amane já tinha visto Itsuki em ação e, considerando que até encomendou um buquê dele uma vez, recusá-lo seria de uma crueldade sem tamanho.

    Mesmo assim, hesitou em convidá-los para seu local de trabalho, já que estavam tão animados.

“Por que vocês querem vir…?”

“Bem, sabe…”

“Ah, sabe…”

“Seus sorrisinhos presunçosos estão me irritando seriamente.”

   Eles exibiam sorrisos idênticos que davam a impressão de que estavam aprontando alguma coisa. Em momentos como esses, Amane se lembrava de como seus dois amigos apaixonados eram parecidos.

“Eu só quero ver seu sorriso de atendimento ao cliente em ação.”

“Bem, não venham.”

“Ah, não seja tão rabugento! Deixe a gente ver!”

“Você definitivamente vai lá só para se divertir.”

“Bem, para ser sincera, eu realmente quero ver a cara da Mahirun enquanto ela te observa. Ela sempre parece tão feliz.”

“E-eu sou o motivo de você querer ir…?” Mahiru perguntou, chocada.

“Ei, pare de tentar convencer a Mahiru a ficar do seu lado.”

[Moon: Esperta… Muito esperta… | Kura: Então ela é manipuladora…]

   Chitose sabia perfeitamente que se Mahiru pedisse alguma coisa, Amane cederia imediatamente, então, é claro, ela estava tentando persuadir Mahiru a fazer exatamente isso. Foi uma manobra inteligente, mas não uma que Amane tenha apreciado particularmente.

   Mesmo agora, Mahiru ainda não tinha visitado o café uma segunda vez, apesar de Amane já ter lhe dado permissão. Mas se Chitose a incentivasse a ir com todos em grupo, Mahiru provavelmente concordaria sem hesitar.

   Amane olhou para Mahiru e se preparou.

“Hum... Tem certeza... de que não podemos ir?” ela perguntou suavemente, olhando para ele com olhos de cachorrinho.

[Moon: Sinceramente, eu imagino isso → | Kura: Por essa eu não esperava kkkkk. Onde encontrou isso Moon?]

   Não havia como Amane recusar agora.



✧ ₊ ✦ ₊ ✧



   No fim, Amane cedeu à pressão dos amigos. Ele soltou um longo suspiro assim que registrou o ponto para o seu turno. Era um horário tranquilo, então ele baixou a guarda, já que não havia clientes por perto, mas mesmo assim nunca esperou que seus amigos levassem o plano adiante tão rapidamente. Ele gostaria de ter tido pelo menos um tempinho para se preparar.

“Bem-vindos,” cumprimentou Amane gentilmente. “…Uma mesa para cinco, pelo que vejo.” Dois a mais do que ele esperava.

“Eu também convidei o Yuu-chan e a Ayaka-chan,” disse Chitose, radiante de alegria.

   Amane estava preparado para a diversão de Chitose e Itsuki, e para Mahiru, que estava ali com um sorriso tímido, mas alegre. No entanto, atrás deles estavam duas figuras que não haviam participado da conversa no almoço: Yuuta e Ayaka.

   Ayaka já o tinha visto no trabalho antes, então a presença dela ali era uma coisa, mas Amane não esperava que eles trouxessem Yuuta. Sentindo o rosto endurecer, Amane percebeu que estava mais tenso agora do que durante toda aquela discussão no almoço.

“Desculpe por isso, Fujimiya,” disse Yuuta, abaixando a cabeça.

“Não, não é como se fosse sua culpa…”

   Não era como se Amane não os tivesse recebido bem. Sua única preocupação era como mostrar essa versão composta e profissional de si mesmo na frente de Yuuta parecia, de alguma forma, constrangedoramente estranho. Talvez fosse porque a amizade deles era diferente da que ele tinha com Itsuki, mas essa sutil diferença agora estava transparecendo. 

“Nós já íamos mesmo, então achei que mais gente seria melhor.”

“Que consideração da sua parte,” respondeu Amane secamente.

“Pelo menos finja que está falando sério.”

“Permitam-me mostrar-lhes os lugares.”

“Nossa, ignorando, hein?”

“Itsuki, não o incomode enquanto ele estiver trabalhando,” interrompeu Yuuta.

   Yuuta era a voz da razão nesses momentos e, no momento, servia como a bússola moral mais confiável do grupo. Em circunstâncias normais, Mahiru desempenharia esse papel, mas ela claramente havia abandonado essa função hoje. Isso deixava Yuuta como a única esperança do grupo de manter as coisas sob controle. Ayaka poderia intervir se as coisas realmente saíssem do controle, mas ela preferia ficar de fora e observar o caos se desenrolar. A julgar pelo jeito como ela sorria e concordava com a expressão encantada de Mahiru, Amane duvidava que ela fosse intervir.

[Kura: Mahiru não tancou as memórias do Amane no trabalho kkkk.]

   Sentindo um friozinho na barriga, ele disse: “Mesa para cinco,” e os conduziu até uma mesa. Para Itsuki, Chitose e Yuuta, era a primeira vez lá dentro. No caminho, cada um fez seus próprios comentários: “O ambiente é agradável,” “Já estou animada” e “Não brinquem muito ou levaremos uma bronca.” A mesa era espaçosa o suficiente para cinco pessoas se sentarem confortavelmente. Assim que se acomodaram, os meninos de um lado, as meninas do outro, Amane sorriu educadamente e colocou os cardápios delicadamente sobre a mesa à frente deles.

“Aqui estão os cardápios. Quando estiverem prontos para pedir, por favor, toquem a campainha na mesa e alguém virá atendê-los.” ​​Amane repetiu a frase padrão no tom mais calmo possível. Em seguida, foi buscar água e toalhas de mão. Mas, como era um horário tranquilo e não havia outros clientes por perto, seu colega de trabalho de hoje, Miyamoto, evidentemente os observava. Ele se aproximou de Amane com um movimento fluido.

“Aquela não é a sua namorada?” perguntou baixinho.

“É sim,” Amane assentiu.

   Miyamoto já tinha visto Mahiru no White Day, então não foi surpresa que a reconhecesse. Mesmo assim, Amane ficou impressionado com a rapidez com que ele a notou. Ele devia ter uma memória excelente.

“Quem são os outros?”

“São meus amigos.”

“Então, o especial de hoje é ‘A Turma Alegre Visita o Café’?”

[Kura: Olha, se darmos alguns toques fica ótimo. O que acha Del?]

“…Sim, algo assim.”

“Você parece tão animado.”

“Você não se sentiria constrangido se seus amigos vissem você agindo de forma tão profissional no trabalho?”

   Amane não era exatamente contra, mas estava um pouco inseguro. O constrangimento era suficiente para deixá-lo desconfortável, e ele temia acabar parecendo desajeitado na frente deles sem querer.

“É, eu sei como é. Mas certifique-se de tratá-los bem, okay?”

“Vou tratá-los assim como qualquer outro funcionário faria.”

“Você não está bravo, está?”

“Não, não exatamente. Eu simplesmente acho que eles erraram ao aumentar o número de pessoas que viriam de repente e depois virem aqui querendo me perturbar.”

   Se alguém perguntasse se ele estava bravo, ele diria que não. Ele não era tão mesquinho a ponto de se irritar com algo assim e, para falar a verdade, estava feliz que as pessoas se importassem o suficiente para fazer questão.

   Dito isso, ele ainda se sentia um pouco incomodado com a atitude deles de trazer convidados não planejados, o que arruinou a hospitalidade, então resolveu dar uma ou duas cotoveladas em Itsuki amanhã.

   Você vai pagar por isso. Amane olhou para Itsuki, que conversava alegremente com os outros a uma curta distância, e ouviu o tom ligeiramente exasperado de Miyamoto ao seu lado.

“Eles te enchem o saco?”

“Mais ou menos. Mas eu revido na mesma moeda,” respondeu ele.

   Ele não diria que era o alvo. As brincadeiras eram mútuas, e nenhum dos lados levava a pior. Esse tipo de equilíbrio era o que os tornava iguais, e se fossem diferentes, significaria que não eram realmente seus amigos.

“Hm. Se você diz, acho que não tenho com o que me preocupar... Ah, mas deixe-me dar um conselho.”

“Qual?”

“Talvez você devesse maneirar no olhar que lança para sua namorada.”

“Anotado. Obrigado pelo aviso.”

   Para Miyamoto dizer isso, Amane devia ter perdido completamente o controle das suas expressões durante a última visita de Mahiru. Ele provavelmente estava sorrindo tão suavemente para ela que seus músculos faciais abandonaram qualquer pretensão de profissionalismo.

   Se Itsuki e Chitose vissem aquela cara, com certeza nunca se deixariam esquecer. Ele já conseguia imaginar Itsuki implicando com ele, tipo, “Você já faz essa cara o tempo todo,” mas Amane rapidamente silenciou seu amigo imaginário. Com um aceno solene, ele se virou para Miyamoto, levando o conselho a sério.



✧ ₊ ✦ ₊ ✧



   Amane voltou para a mesa, carregando uma bandeja com copos de água e toalhas de mão. Os cardápios estavam cuidadosamente dispostos no centro da mesa, então todos deviam estar prontos para fazer seus pedidos.

“Aqui estão suas águas e toalhas de mão.”

   Mahiru levantou a cabeça. “Muito obrigado. Com licença, garçom, podemos fazer o pedido agora?”

“Claro.” Amane colocou tudo na frente deles e endireitou a postura, pronto para anotar os pedidos.

“Olha só você, realmente fazendo o papel de garçom,” brincou Chitose, lançando-lhe um comentário que mal se qualificava como provocação.

   Amane não se deixou abalar e simplesmente olhou para todos no grupo para ver quem pediria primeiro. Então, Itsuki levantou a mão. Com um sorriso irritantemente presunçoso, ele falou em um tom de voz desnecessariamente educado.

“Eu primeiro, garçom! Um dos seus sorrisos mais radiantes, por favor!”

[Kura: Nossa kkkkkk, que cantada Itsuki.]

“Sinto muito, senhor, mas não oferecemos esse item neste estabelecimento.”

   Ele se perguntou se Itsuki havia confundido o lugar com algum tipo de lanchonete.

   Se Amane não estivesse trabalhando, teria respondido com um curto e grosso “Você é idiota?” Mas naquele momento, ele era funcionário de um café, não um amigo. Então, engoliu o impulso e, em vez disso, atendeu ao pedido com um sorriso perfeitamente profissional. Certamente não era o sorriso que Itsuki havia pedido.

“Ah, então vocês só têm sorrisos de atendimento ao cliente aqui.”

“Pelo visto, embora a boca dele esteja tremendo loucamente. Quero um sorriso também, por favor!”

“Sinto muito, senhorita, mas não oferecemos esse item neste estabelecimento.”

“Nossa, esse garçom não tem graça.”

“Estou de plantão. Bem, já decidiram o que vão pedir?” Amane lançou-lhes um olhar de advertência: “Continuem a fazer palhaçadas e não vou anotar os vossos pedidos,” e virou-se para Yuuta, a única pessoa com quem podia contar hoje.

   Yuuta retribuiu o olhar com um sorriso gentil e compreensivo.

“Vamos querer quatro conjuntos de bolos da estação. Para beber, dois blends originais quentes, dois cafés com leite quentes e um expresso, por favor.”

   Yuuta tinha anotado as escolhas de todos e feito o pedido para o grupo inteiro sem hesitar. Como garçom, Amane não podia pedir nada mais eficiente. Grato pela consideração, anotou rapidamente o pedido no bloco de notas.

“Eh? Yuu-chan, você não vai pedir um conjunto de bolos?”

   Amane já tinha reparado que faltava um conjunto de bolos. Como ninguém ali desgostava de doces, especulou que Yuuta o tinha dispensado para poupar dinheiro ou simplesmente porque não estava com vontade.

   Mas quando Amane olhou para ele, Yuuta parecia um pouco envergonhado.

“…Tenho comido doces todos os dias ultimamente, então prometi a mim mesmo que evitaria comer quando estivesse fora.”

“Ah…”

   Amane imediatamente se lembrou das montanhas de chocolates que Yuuta havia recebido no Dia dos Namorados. Parecia um desafio e tanto simplesmente trazer todos para casa, e se ele estava tentando comer cada um antes que vencessem, devia estar comendo vários por dia.

   Mais tarde, Amane descobriu que Yuuta geralmente recusava presentes feitos à mão por causa de um pequeno incidente no passado, então a maioria dos presentes que ele havia recebido eram comprados em lojas. Isso significava que cada um tinha sua própria data de validade, o que permitia que ele controlasse, mas mesmo assim, devia ser uma quantidade incrível para consumir.

   Estranhamente, apesar de comer todos aqueles doces, Yuuta não engordou nada. Esse era o tipo de pessoa enigmática que ele era.

   Chitose estava igualmente perplexa. “Então, como é que você não engorda com isso? E nem tem acne. Não faz sentido.”

“Nem o Sou-chan conseguiria queimar tantas calorias se comesse doces todos os dias. Não sei se fico impressionada ou preocupada,” acrescentou Ayaka.

“Até eu, manter uma ingestão tão grande todos os dias, começaria a afetar meu peso…”

“Ele tem a autodisciplina de um monstro.”

   O pobre Yuuta estava sendo atacado por todos os lados, e ele apenas respondeu calmamente: “Queimo tudo com os treinos do clube, exercícios e estudos.”

   Sem truques, sem segredos — apenas puro esforço. Não seria nenhum exagero chamar o cara de dedicação em pessoa.

“É só isso para o pedido?”

“Sim, é tudo, obrigado.”

“Permitam-me retirar os cardápios.”

   Ainda impressionado com a notável autodisciplina de Yuuta, Amane esperou até que a conversa naturalmente se voltasse para a incrível ética de trabalho de Yuuta antes de pegar os cardápios e se retirar para a cozinha para transmitir os pedidos.



✧ ₊ ✦ ₊ ✧



   Ao contrário das panquecas, que eram feitas na hora, os bolos eram preparados com antecedência, então estavam prontos para servir rapidamente. Mesmo considerando as bebidas, Amane trouxe tudo sem fazê-los esperar muito.

   O bolo do dia era um fraisier coberto com frutas da estação. Era um clássico francês que supostamente preenchia o mesmo nicho que um shortcake no Japão. Sua aparência elegante já era bonita por si só, mas o sabor era igualmente delicioso. Embora a base de creme de manteiga pudesse parecer pesada, a acidez dos morangos equilibrava perfeitamente, tornando-o surpreendentemente fácil de ingerir.

   Amane já o havia provado antes, e era tão delicioso que ele considerou seriamente levar um para casa. Ele queria que seus amigos também aproveitassem enquanto estivessem aqui.

“Parece tãããooo bom!”

   Os bolos fraisier japoneses geralmente tinham uma cobertura vermelha brilhante, e este não era exceção. A vibrante camada vermelha dava à superfície um brilho esplêndido. O corte transversal revelava morangos cuidadosamente dispostos contra o creme de manteiga pálido, criando um contraste vívido que tornava toda a sobremesa impressionante, apesar de seu design simples.

“Muito obrigada. Realmente parece delicioso.”

“Esta é uma das nossas sobremesas mais populares. É um item sazonal, então espero que vocês apreciem enquanto estiver disponível.”

   Embora o café só o servisse durante a temporada de morangos, ele havia recebido elogios entusiasmados dos clientes habituais. Muitos imploraram a Fumika para que a incluísse no cardápio permanente, mas ela insistiu que só era tão deliciosa enquanto os morangos estivessem na época, então era improvável que esse desejo se realizasse.

   Depois de colocar os bolos e as bebidas na mesa, Amane ofereceu sua habitual frase educada: “Por favor, aproveitem a estadia,” antes de se virar para sair. Mas, assim que o fez, algo puxou seu avental. Olhando para trás, ele viu os dedos finos de Chitose agarrando o tecido, seu assento do lado do corredor dando a ela o ângulo perfeito para bloquear sua fuga.

“Senhori—”

“Está tudo bem, somos os únicos clientes.”

“Não, não está tudo bem—”

“Está tudo bem!” Miyamoto gritou do fundo. “Não há mais ninguém aqui no momento, então você pode relaxar um pouco. Vou ficar lá atrás preparando as coisas. Se alguém entrar, é só parar e ajudar, okay?”

[Kura: Hoje ele colaborou muito.]

   Amane não podia acreditar no que ouvia. Antes que pudesse dizer a Chitose que não estava tudo bem, Miyamoto alegremente deu-lhe sinal verde da cozinha.

   Um sorriso triunfante se formou no rosto de Chitose.

   Como era um dia de semana fora do horário de pico, entre o almoço e o jantar, eles eram de fato os únicos cinco clientes no café. Quando o lugar ficava tão tranquilo, os funcionários costumavam conversar enquanto faziam pequenas tarefas. Mesmo assim, por mais vazio que estivesse, será que Miyamoto realmente deveria ter permitido que um garçom conversasse casualmente com os clientes daquele jeito?

     ...Bem, tenho a impressão de que a dona também permitiria, se ouvisse.

   Na verdade, ele podia imaginar Fumika saindo para bater um papo animado até Amane se sentir como se estivesse invadindo território inimigo. Ela deveria estar nos fundos cuidando da papelada hoje, então era improvável que ouvisse alguma coisa.

   Aposto que ela colocaria a cabeça para fora assim que percebesse que Mahiru e seus amigos estavam presentes, pensou Amane, sorrindo sem jeito ao imaginar um sorriso radiante no rosto dela.

   Será que ele tem mesmo certeza disso? Amane olhou para Miyamoto, que retribuiu com um leve sorriso e um grande sinal de positivo. Amane percebeu que estavam brincando com ele, mas aceitou a gentileza pelo que ela era, soltou um suspiro resignado e se virou para o grupo, que alegremente se deliciava com seus bolos.

   Mahiru parecia um pouco culposa, embora sua alegria por tê-lo por perto fosse inegável. O sorriso radiante que ela lhe mostrou era tão doce que qualquer pessoa fora de seu círculo certamente o teria interpretado de forma errada.

“Seus pensamentos estão estampados em seu rosto, Mahirun.”

“Eh—?”



  Aparentemente sem perceber a expressão que estava fazendo, Mahiru pressionou a mão contra a bochecha, constrangida e sem palavras. Amane começou a se preocupar que ela estivesse agindo de forma um pouco descuidada demais. Mas assim que esse pensamento lhe passou pela cabeça, ouviu alguém murmurar: “Não seja hipócrita, Fujimiya-kun.”

     Hum, eu nunca disse isso em voz alta, disse?

   Ele se virou e encontrou Ayaka observando-o com um pequeno sorriso divertido.

“Está estampado na sua cara também, senhor,” disse ela inocentemente.

   Eu não achei que tivesse deixado transparecer… Amane pensou consigo mesmo, mas claramente ela havia provado que ele estava errado.

“Você vem aqui com frequência, Mahirun?”

“Não faz muito tempo desde a minha primeira visita, e eu não gostaria de causar problemas para o Amane-kun, então acho que vir de vez em quando é o suficiente.”

“Duvido que isso cause algum problema, no entanto.” Amane a fizera esperar por tanto tempo, que achava que ela deveria vir quando quisesse. Mas se esse “quando quisesse” significasse todos os dias, seria um golpe significativo tanto para as finanças deles quanto para o coração dele.

“A Mahirun é sempre tão atenciosa com essas coisas,” comentou Chitose. “Embora, para ser honesta, se ela começasse a vir com muita frequência, os sorrisos doces do Amane poderiam acabar sendo o problema dela.”

“É, e aí a Shiina-san poderia ficar preocupada que ele acidentalmente conquistasse o coração de outra garota,” acrescentou uma delas.

“Como assim, se eu nem sorrio assim para ninguém além da Mahiru?” retrucou Amane.

“Ah, você sabe, dano em área.”

“Você fala como se eu fosse super popular.” Amane sentia que todos estavam lhe dando muito mais crédito do que ele merecia ultimamente.

   Uma vez, uma cliente assídua tentou apresentá-lo à neta, e uma garota até se declarou para ele, então Amane supôs que não era totalmente impopular. Ainda assim, se autodenominar “popular” parecia absurdo. Esse tipo de rótulo era para pessoas como Yuuta, que atraíam garotas sem nem tentar. No caso de Amane, as pessoas simplesmente o achavam decente o suficiente — nada mais. Já haviam brincado sobre isso antes, mas se ele começasse a acreditar seriamente que era popular, isso subiria à cabeça. Então, como sempre, ele não conseguia concordar.

“Se você é ou não popular, não tem nada a ver com a preocupação da Mahirun. Fingir ignorância é parte do problema,” alertou Chitose.

“Serei mais cuidadoso.” Amane levou as palavras dela a sério.

“Não, eu simplesmente não deveria sentir ciúmes,” murmurou Mahiru.

“Não há nada de errado em sentir um pouco de ciúme, Mahiru, mas eu nunca quero te deixar insegura. Então, vou continuar tomando cuidado.”

[Moon: Que Homem… Meu Goat! | Del: Nosso Goat!]

   Amane já a havia preocupado algumas vezes antes — nunca de propósito, mas ele não queria que isso acontecesse novamente. A última coisa que ele queria era magoar Mahiru sem perceber. Na medida do possível, ele queria que ela se sentisse confortável, feliz e segura ao seu lado, então prometeu a si mesmo ser mais atencioso com os sentimentos dela.

   Quando ele se virou para ela com essa resolução em mente, Mahiru piscou uma vez e rapidamente olhou para baixo, com as bochechas coradas.

“Para exemplificar — você está deixando seu sorriso Mahirun aparecer de novo.” Chitose apontou, exasperada.

“Você simplesmente não aprende, né?” Itsuki provocou.

“O quê? Essa é só a minha cara normal.”

“Em que planeta? Se olha no espelho, cara.” Não havia espelho por perto, então Amane ignorou a provocação e adotou sua expressão anti-Itsuki.

“Certo, isso dói,” murmurou Itsuki, parecendo emburrado.

   Amane também ignorou isso.

“Mesmo assim, você está levando esse trabalho a sério, huh?” murmurou Itsuki. 

“Por que não levaria? É trabalho.”

“Quando ouvi pela primeira vez que você estava trabalhando em um café, pensei: ‘Meu Deus, será que esse cara vai ficar bem...?’”

“Não preciso da sua preocupação. E além disso, você não ficou bastante emburrado quando eu consegui o emprego?”

“Você realmente precisava tocar nesse assunto?!”

   Itsuki havia ficado um pouco irritado uma vez por Amane não ter pedido sua ajuda antes de começar o trabalho. Lembrando disso, Itsuki se levantou bruscamente e quase pulou da cadeira.

   É claro que Yuuta imediatamente estendeu a mão, dizendo: “Itsuki, fique,” para impedi-lo.

[Del: Yuuta simplesmente farmando aura. | Kura: Até você está nessa de “aura”? Meus colegas não param de falar sobre kkkk. | Del: Eu hein, sai fora.]

“Ah, sim, eu me lembro disso! O Ikkun realmente ficou de mau-humor naquela vez.”

“Não entre nessa, Chi!”

“Quem busca vingança cava duas covas, Itsuki.”

“…Yuuta, por que você é muito mais legal com o Amane do que comigo?”

“Bem, porque você é quem instiga na maioria das vezes.”

“Você é horrível!”

   Esses dois são mesmo bons amigos, pensou Amane. Itsuki e Yuuta tinham intimidade suficiente para trocar provocações desse tipo, e Yuuta até o tratava com um pouco mais de rispidez do que trataria outras pessoas, o que não era algo que se via todos os dias em alguém tão tranquilo quanto ele.

   Ainda assim, não era imerecido. Itsuki tendia a brincar mais do que devia, então a atitude mais fria que Yuuta demonstrava era apenas a consequência natural de seu próprio comportamento. Amane não conseguia sentir muita simpatia.

“Saiba que estou indo muito bem no trabalho... na maior parte do tempo.”

“Nossa, isso não soou nada confiante.”

“Não seria estranho se eu começasse a me gabar, tipo, ‘Hum, sim, olhem para mim! Sou um funcionário de primeira!’?”

“É, isso seria totalmente fora do meu estilo. Ser um covarde... quer dizer, ser humilde é meio que a sua cara.”

“Ei.”

“Calma, calma,” interrompeu Ayaka, com leveza. “Conseguir manter a humildade assim é uma das qualidades do Fujimiya-kun. Você não precisa se importar com quem só fica te perturbando o tempo todo.”

“Por que esse olhar de lado, Kido?” Itsuki perguntou, curioso.

“Oh, vai saber?”

   O sorriso doce e radiante de Ayaka refletiu o olhar fulminante de Itsuki de volta para ele, sem qualquer traço de malícia. Esse era o tipo de pessoa que ela era.

   Ayaka era um tipo diferente de animadora de turma do que Chitose. Ela se destacava como uma equilibradora nata, cuja gentileza, mente um tanto dispersa e astúcia a colocavam no centro da sala.

   Itsuki resmungou: “Todo mundo não tem sido um pouco maldoso comigo ultimamente?” e então sua namorada disse: “Você meio que provoca isso, Ikkun. Às vezes você cutuca as feridas das pessoas sem nem perceber,” ficando do lado dos amigos.

   Itsuki cobriu dramaticamente os olhos com as mãos e deu uma fungada obviamente falsa, sem que uma única lágrima sequer escorresse de seu rosto. Amane estava prestes a suspirar com suas palhaçadas quando ouviu uma voz apática atrás dele.

“Ah—”

   Ele reconheceu a voz instantaneamente. Virou-se e encontrou Oohashi parada ali. Sabia, pelo horário de trabalho, que ela deveria começar uma hora depois dele, então ficou surpreso que tanto tempo já tivesse passado.

[Del: Eita, olha o crossover acontecendo. | Moon: Eu ainda quero ver o grupinho reunido: Mahiru, Ayaka, Chitose, Fumika, Oohashi e Shihoko… Mas isso seria bem, como posso dizer, coitada da Mahiru. | Kura: Bom, só de juntar Oohashi e Chitose já geramos uma bomba. Mas com a adição da Shihoko, fazemos o “trio implacável”.]

   Amane estava prestes a cumprimentá-la, mas então percebeu que ela estava olhando fixamente para a mesa. Amane seguiu o olhar dela e encontrou Mahiru sentada em silêncio, tomando goles de seu café com leite.

     Ahh, já sei o que está acontecendo.

   No White Day, quando Mahiru visitou o café pela primeira vez, Oohashi acidentalmente derramou café em sua saia. A pobre mulher ficou completamente arrasada depois. Amane recebeu inúmeras desculpas de Oohashi, e isso a afetou tanto que Mahiru acabou se preocupando com ela. Todos estavam incrivelmente ocupados desde então, e por isso Oohashi ainda não tinha tido a chance de falar com Mahiru novamente.

   Era óbvio que ela congelaria agora ao ver Mahiru visitando novamente. Ela já havia se desculpado, mas a culpa em sua mente permanecia.

“Eu realmente sinto muito pelo que fiz naquela vez...” Oohashi se desculpou mais uma vez.

“Oh, por favor, não se preocupe com isso,” respondeu Mahiru. “Você já se desculpou outro dia, e se você ficar remoendo isso, eu também me sentirei culpada.”

“Não, não, foi minha falta de cuidado...”

“Isso não é verdade. Sério, você não precisa se preocupar...”

“Uh, o que é isso com essa repentina demonstração de desculpas?”

“Ahem, Rino-san, você está deixando todo mundo nervoso,” Ayaka interrompeu gentilmente.

   Os três que não conheciam a história pareciam completamente perdidos, e Ayaka, uma das poucas que conheciam, lançou um olhar de compaixão para a abatida Oohashi.

“Mas eu também te causei problemas, Kido-chan.”

“Não me importo. Afinal, pude presenciar um novo tipo de Shiina-san.”

“Tipo…?”

“Enfim, continue se desculpando e você só vai deixar a Shiina-san desconfortável. Miyamoto-saaan!”

“Já estou providenciando.”

   Ayaka percebeu que o que estava dizendo não ia fazer Oohashi se sentir melhor, mas era cedo demais para desistir. Ela imediatamente chamou Miyamoto, que estava de olho em tudo, prevendo exatamente isso. Ele chegou rapidamente e gentilmente conduziu Oohashi pela mão, afastando-a de onde ela estava sentada.

“O Fujimiya e a namorada dele sabem o quanto você se sente culpada. Eles estão se divertindo agora, então não vá deixar tudo tão para baixo de novo,” repreendeu Miyamoto.

“Ugh… você tem razão. Me desculpe.”

   Oohashi ficou ainda mais desanimada ao refletir sobre seu comportamento. Miyamoto soltou um suspiro dramático e a guiou gentilmente pelas costas curvadas em direção à frente do café.

“Vá lá, saia e varra a frente.”

“Odeio quando você me dá ordens, Daichi.”

“Estou te dizendo para tomar um ar, sua boba.”

[Moon: Eu preciso deles juntos, aaaaaah!!]

   Miyamoto estava sendo atencioso com Oohashi à sua maneira, dando-a tempo para se acalmar, embora estivesse fazendo isso de forma indireta. Com Mahiru sentada ali perto, ela só se afundaria ainda mais na culpa se ficasse, então a decisão dele era a certa.

   Oohashi ficou quieta e aceitou a oferta docilmente. Parecendo um pouco culpada, Miyamoto deu-lhe um leve tapinha nas costas para guiá-la. Encorajada, ela assentiu levemente e saiu do café.

   Por um breve momento, Miyamoto olhou para baixo com olhos tristes, mas logo se endireitou, exibiu seu sorriso profissional e radiante e, em seguida, pressionou levemente a mão contra o peitoral enquanto fazia uma reverência cortês.

“Minhas mais sinceras desculpas pelo incômodo. Por favor, continuem a desfrutar da comida e da conversa.”

   Miyamoto curvou-se com elegância antes de retornar ao seu posto.

“A postura dele estava impecável,” murmurou Yuuta. “Estou impressionado.”

(Itsuki) “Sim, e muda de tom rapidinho. Ele estava tão à vontade com aquela garçonete agora mesmo.”

“Bem, os dois são meio próximos,” respondeu Amane. “O motivo pelo qual o Miyamoto-san se manteve profissional conosco é porque ele sabe como agir dependendo de com quem está falando. Diferente de você.”

“Você está me provocando mesmo hoje, hein?”

“Me lembre quem resolveu aparecer do nada e trouxe gente extra?”

“Mas foi ideia da Chi!?”

“A culpa é sua por não tê-la impedido.”

“Tá querendo me chamar de criança!?” Chitose retrucou.

“Tudo bem, então vamos dizer que a culpa é dele por não ter te supervisionado direito.”

“Tá bom, aceitável.”

“Você concorda com isso, Chi…?”

   Chitose aceitou a lógica, então toda a culpa recaiu sobre Itsuki. Seu rosto se contorceu em derrota, e Amane, que o havia transformado em bode expiatório, deu uma risadinha.

   Ele estava pronto para qualquer resposta que Itsuki pudesse lhe dar, mas de repente, a campainha da entrada tocou, sinalizando a chegada de um novo cliente. Os olhos de Amane se voltaram para a porta e, num instante, ele assumiu sua expressão profissional.

“Um cliente acabou de entrar, então vou indo.”

“Desculpe atrasá-lo, Fujimiya-kun,” desculpou-se Ayaka.

“Engraçado, eu esperava ouvir isso da pessoa que realmente me atrasou. Enfim, até mais.”

“Ugh, desculpe então!”

   Amane riu novamente do tom petulante de Chitose e começou a se afastar da mesa quando uma voz o chamou por trás.

“Amane-kun, dê o seu melhor no trabalho, okay? Você consegue.”

   Não era nada fora do comum — apenas um comentário do dia a dia. Mahiru o encorajou em seu tom habitual. Mas isso por si só foi o suficiente para Amane. Ele sentiu sua energia esgotada retornar rapidamente e endireitou o rosto, reprimindo o sorriso que ameaçava aparecer, antes de seguir apressadamente em direção à entrada.



✧ ₊ ✦ ₊ ✧



“Com licença, garçom! Poderia trazer a conta, por favor?” Isso foi cerca de uma hora depois.

   Amane estava realizando suas tarefas habituais de servir os clientes, limpar as mesas, lavar a louça e os sifões quando Itsuki o chamou de repente ao passar pela mesa onde Mahiru e seus amigos estavam sentados.

“Claro. Só um instante, por favor.”

   Ele estava no meio de limpar uma mesa de um grupo que já havia saído, com a bandeja cheia de pratos usados. Precisaria levá-los para a área de lavagem antes de poder trazer a conta para o pagamento.

   Em circunstâncias normais, ele teria pedido a Miyamoto ou Oohashi para cuidarem da conta, mas ambos estavam ocupados com outras tarefas no momento. Sendo realista, seria mais rápido se ele mesmo cuidasse disso — e, a julgar pelo jeito que Itsuki e os outros observavam, provavelmente queriam vê-lo concluir o serviço, inclusive ao trazer a conta. Como garçom deles, achou que deveria atender ao pedido.

   Eles sabiam que ele também estava ocupado, pois Itsuki lhe deu um sorriso cúmplice e disse: “Sem pressa, sem pressa.” Amane tinha muito o que dizer em resposta, mas simplesmente disse: “Ora, obrigado,” e levou a bandeja em direção à cozinha.

   Assim que chegou ao fundo, quase esbarrou em Oohashi, que parecia ter terminado sua tarefa naquele exato momento.

“Ah, Fujimiya-chan, Fujimiya-chan! Você poderia me passar essa conta?”

   O pedido dela foi tão repentino que Amane nem conseguiu processar o que ela queria dizer a princípio. Esquecendo por um momento que ela era sua veterana, ele a olhou confuso.

“Passar… para você?”

“Eu pago a conta deles. Do meu próprio bolso.”

“…Por quê?”

   A proposta pegou Amane tão de surpresa que a resposta escapou antes que ele pudesse se controlar, e seu tom passou de educado para franco.

   Oohashi parecia estar esperando essa reação. Ela baixou o olhar ligeiramente, parecendo um pouco sem jeito enquanto começava a explicar.

“Não é só pelo que aconteceu da última vez — eu meio que causei um escândalo hoje também, então considere isso um pedido de desculpas? Para ser honesta, se a saia dela precisasse ser trocada, essa conta não chegaria nem perto de cobrir o custo.” 

“Acho que a Mahiru não está preocupada com isso…”

   Oohashi ainda não havia se livrado da culpa, mesmo que Mahiru não estivesse nem brava, nem chateada — na verdade, ela mal havia pensado naquilo desde então. Mas Oohashi apenas balançou a cabeça lentamente, incapaz de aceitar a garantia de Amane.

“Esta é a minha maneira de me redimir, de deixar isso para trás. Se não for bem apreciado, não vou forçar a situação.”

“…Vamos verificar com eles.”

   Amane percebeu pela expressão no rosto dela que isso era necessário para que ela pudesse seguir em frente. Ainda assim, não era algo que ele pudesse aceitar por conta própria. Era melhor perguntar diretamente ao grupo.

   Quando ele voltou para a frente do restaurante, os cinco já haviam terminado de arrumar a mesa e estavam esperando perto do caixa. Felizmente, ninguém se ofereceu para pagar por todos, o que significava que cada um planejava pagar o seu próprio pedido. Amane olhou para trás para verificar se Oohashi o seguia um passo atrás e então caminhou até o grupo.

“Estamos prontos para pagar! Tudo bem se pagarmos separadamente?”

“Hum… A conta de vocês hoje é por conta da casa,” explicou Amane, hesitante. Era a primeira vez que ele tinha que dizer algo assim, e isso o deixou estranhamente tenso.

   Os cinco se viraram para encará-lo em uníssono.

“Hã? Por que você vai pagar a nossa conta?” perguntou Chitose.

“Você não deveria fazer isso, Fujimiya-kun!” exclamou Ayaka.

“Não, não, não sou eu que vou pagar. É a Oohashi-san.”

“O quê?”

   Só então eles pareceram notar Oohashi parada por perto, e todos se viraram para ela.

   Com os cinco pares de olhos fixos nela, Oohashi juntou as mãos em frente ao rosto. Sua expressão era estranha, mas sem qualquer sinal de tristeza. “Desculpe interromper o tempo de vocês hoje. Gostaria também que isso servisse como um pedido de desculpas pelo outro dia, então, por favor, deixem-me pagar a conta.”

(Mahiru) “Ah, hum, sério, eu não me importo com aquilo nem um pouco…”

“Eu sei, o Fujimiya-chan disse a mesma coisa. Mas… por favor, deixem-me fazer isso para que eu possa fazer as pazes. Sinto muito por pedir que vocês concordem com meus sentimentos, mas foram vocês quem eu incomodei, então gostaria de equilibrar um pouco as coisas… E, novamente, sinto muito por insistir que vocês façam este acordo.” Oohashi acrescentou.

   Mahiru se virou para Amane.

   Mas Amane não tinha palavras para lhe oferecer. Essa não era uma decisão dele.

   Se Mahiru aceitaria ou não, dependia inteiramente dela, e somente dela.

“…Então, eu aceito com gratidão.”

“Obrigada. Eu aprecio isso.”

   Mahiru aceitou a oferta, sabendo o quanto Oohashi havia ficado arrasada naquele dia.

“Me sinto meio mal, já que o resto de nós nem estava envolvido…” admitiu um dos garotos.

“Ah, tudo bem, tudo bem! Em troca, que tal vocês voltarem qualquer dia para tomar mais café ou comer mais bolo? Nossos lanches leves também são ótimos!” Oohashi habilmente usou seu charme para convencê-los a voltar, então ela devia estar se sentindo muito melhor.

   Cada item do cardápio do café havia sido pessoalmente provado e aprovado pela própria Fumika, então tudo o que serviam era algo de que se orgulhavam. Mesmo sem nenhum argumento de venda, eram todos itens que Amane esperava que seus amigos voltassem a saborear.

“…Nesse caso, agradecemos sua gentileza.”

   Curiosamente, Itsuki aceitou a oferta rapidamente. Ele geralmente recusava essas propostas educadamente.

   O que ele está pensando…? Amane pensou, mas no momento em que viu o sorriso malicioso que Itsuki lhe lançou, ele entendeu imediatamente.

“Você pensou bem nisso e percebeu que isso lhe dá uma desculpa perfeita para voltar aqui de novo, não é?” disse ele.

“Ah, por favor, essa é uma acusação bem absurda.”

“Ahaha, vocês dois devem ser melhores amigos,” riu Oohashi. “Coisas da juventude.”

   Oohashi não parecia se importar com quem deles decidisse voltar, então Amane não pôde fazer nada além de franzir a testa.

   Os outros três também tentaram recusar inicialmente, mas depois do sorriso radiante e da proposta animada de Oohashi — “Nossas panquecas sazonais são super populares, sabia?” — eles pareceram decidir compensar gastando dinheiro na próxima vez. No fim, aceitaram o convite sem resistência.

   Nesse ritmo, não só Itsuki, mas todos os outros acabariam visitando o café também. Amane não conseguia decidir se ficava feliz com o potencial aumento nas vendas ou se temia a ideia de atendê-los novamente sob pressão.

   Ele soltou um suspiro lento e cuidadoso para que nenhum deles percebesse. Depois que cada um de seus amigos guardou a carteira, ele disse, meio por obrigação, meio por resignação: “Aguardamos ansiosamente a próxima visita de vocês.” 

   Em resposta, todos sorriram para ele, acenando alegremente enquanto diziam: “Obrigado(a) pelo serviço!”

   Amane só pôde observar em silêncio enquanto o grupo deixava o café de bom humor.



✧ ₊ ✦ ₊ ✧

 

 

“Parece que a Rino superou?”

   Após o fechamento, enquanto Amane limpava seguindo sua rotina habitual, Miyamoto o chamou do caixa enquanto contava o lucro do dia.

   Fiel à sua palavra, Oohashi havia pago tudo do próprio bolso, então, contanto que não houvesse erros de contabilidade, o total do dia deveria fechar. No momento, ela estava limpando a sala de descanso, deixando apenas Amane e Miyamoto na frente.

“Ela parece estar muito melhor agora,” respondeu Amane, com naturalidade.

   Como solicitado, Amane interrompeu a limpeza e se juntou a Miyamoto para conferir o caixa e verificar se havia alguma discrepância.

“Que bom ouvir isso.”

“Sabe, se você está tão preocupado, podia simplesmente dizer a ela.”

“Me poupe.”

   A incapacidade de Miyamoto de ser honesto consigo mesmo não era novidade, mas considerando que ele estava mais aberto do que o normal hoje, Amane decidiu não implicar mais com ele.

   Imagino a cara que a Oohashi-san faria se eu contasse que o Miyamoto-san também está preocupado com ela, refletiu Amane. O que ele sabia era que, se contasse, Miyamoto o estrangularia ali mesmo. Lembrando-se de que a curiosidade matou o gato, ele se concentrou em contar o dinheiro em suas mãos.

   Assim que os dois confirmaram que não havia discrepância, Miyamoto deu de ombros levemente e deixou seu olhar vagar em direção ao corredor da sala de descanso, onde Oohashi ainda deveria estar limpando.

“Bem, isso deve aliviar boa parte da culpa dela. Ela é sensível a essas coisas,” murmurou Miyamoto. “Ela simplesmente não consegue se controlar.”

   Ele disse isso com uma voz irritada, mas a expressão em seu rosto contava uma história diferente. Era gentil, suave e, de longe, a mais afetuosa que Amane vira nele o dia todo.

   Esse cara simplesmente não consegue ser honesto, consegue? Amane pensou com uma risadinha. Ele imaginou que, se Miyamoto descobrisse que ele estava pensando “É, isso é amor~,” provavelmente se inflaria e começaria a repreendê-lo ali mesmo.

[Kura: É o amoor, que mexe com sua cabeça e te deixa assim {...}.]   

Amane estava prestes a retomar a limpeza quando Miyamoto falou de repente, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.

“Aliás, parece que eles planejam voltar. Tudo bem para você?”

   Amane fez uma careta. Ele estava se esforçando muito para não pensar nisso. 

“Nossa, mas que cara azeda,” comentou Miyamoto.

“Não é o ideal para mim... mas não posso fazer nada para impedi-los.”

   Estava longe do ideal, mas não era como se ele pudesse repreendê-los ou dizer o que podiam ou não fazer. Tudo o que ele podia fazer era aceitar e se preparar.

   Se eles fossem vir apenas para desfrutar de uma refeição tranquila sem provocá-lo, Amane talvez não se importasse... mas ele conhecia seus amigos. As coisas nunca seriam tão simples. Até Mahiru, por mais adorável que fosse, ficaria ali sorrindo para ele o tempo todo.

   Yuuta e Ayaka eram a bússola moral do grupo nestes casos, mas até Yuuta dava a impressão de que poderia aparecer por puro apoio. O que significava que, pelo menos até se acostumar com a presença deles, Amane ficaria de olho na escala de trabalho com medo.

   Amane soltou um longo suspiro cansado que não fez nenhum esforço para esconder. Então ouviu Miyamoto dizer: “Cara, você também está passando por momentos difíceis, né?” Sua voz carregava simpatia, preocupação e apenas um toque de provocação.

   Nem é preciso dizer que, a partir daquele dia, Itsuki começou a usar o local de trabalho de Amane como refúgio sempre que precisava se afastar de Daiki.

[Kura: Cena: Itsuki chegando emburrado e Amane lhe servindo um doce para se acalmar.]



 

Traduzido por Moonlight Valley

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