Volume V – Arco 15
Capítulo 160: OPERAÇÃO PRETO NO BRANCO.2 (Fumaça)
Uma das bases na Cidadela voltava a se agitar com um retorno inesperado. Guiados por um balão recém alçado aos céus, os Senshis resgataram Kyoko desacordada.
— O que tem aí? — o capitão local perguntou.
— Ela fugiu, senhor. Encontramos ela após reconhecermos um balão no céu.
— E quem lançou ele?
O rapaz procurou nos seus pares alguma confirmação de quem poderia ter sido, mas seus rostos estavam tão ignorantes quanto os dele.
— Nós não sabemos.
De repente, um homem encharcado com o uniforme rasgado tomou a frente dos Senshis:
— Isso pouco importa, ela me jogou no rio. Ficou sabendo do que ela fez em Doa? Se depender de mim…
— Prendam ela novamente — vociferou o capitão — Devolvam esse lixo de volta para onde veio.
— Senhor — o rapaz que a encontrou protestava — ela fugiu e se desfez de um dos nossos.
— Esse problema não é nosso. A batalha é — apontou para a garota — está desacordada e ferida, então despachem ela de volta para que os azuis se resolvam! Vamos relatar o ocorrido depois.
Assim que despacharam uma carruagem, um alarme foi soado pelos vigias. A murada exterior foi incendiada subitamente. O Senshi responsável foi ao socorro de seus homens, mas encontrou uma horda de pretorianos de pé sobre seus cadáveres. No meio deles, o rapaz com a lâmina de duas pontas.
Os demais Senshis do forte fizeram uma linha defensiva junto com seu líder. Suzaki se preparou para atacar, quando um homem alto e forte veio do céu propulsionado pelo ar que fazia um redemoinho em suas pernas. Ao aterrissar, ele sacou da terra sua longa espada, se levantando ao lado de seu aliado que batia na altura de sua cintura.
— Zeta, eu presumo — o olhou de baixo para cima, jogando uma túnica negra nele — Nobura me falou de você, sua reputação o precede.
— Não preciso de ajuda contra esses aqui — respondeu o súdito, vestindo a veste — Hidetaka.
— Que alegria. Minha trajetória é conhecida pelos súditos. Não se acanhe, meus pretorianos estão aqui para apoio.
— Desde que não me atrapalhem.
Os Senshis da linha dispararam suas chamas contra os pretorianos. Enquanto o time de fogo da tropa de Hidetaka defendeu seu líder, o súdito circulou os inimigos e lançou sua lâmina de duas pontas no meio deles. Vários foram pegos, arrancando braços e pernas, enfraquecendo o ataque Aka.
Os pretorianos de fogo foram fulminantes. Em um piscar de olhos, o capitão Aka e seus homens viraram cinzas.
— Como eu disse — Hidetaka se aproximava novamente de Suzaki — Estamos aqui para apoio, não somos como a Guarda Pacificadora.
Mais gritos de ordem vinham dos fundos do forte, seguido por relinchos. Uma cavalaria preparava-se para avançar sobre os invasores.
— Essa foi a última base, a Cidadela é nossa — Suzaki andava para frente — Vamos logo invadir a base principal deles aqui e dar essa incursão por encerrada.
— Essa é a questão — Hidetaka colocou sua espada no caminho do súdito — Nossa estratégia é diferente.
— Se estiver falando dos pontos para traçar a linha eles…
— Isso e o Cônsul requisitou um ataque simultâneo — cruzou os braços interrompendo — Devemos nos reagrupar.
— Perda de tempo.
— Escute bem — Hidetaka recuou a espada para colocar a si mesmo na frente de Suzaki — Suas habilidades são formidáveis qualquer um pode ver isso. Mas isto não é uma apresentação individual, é um regimento militar no meio de uma guerra. Se não respeitar a hierarquia, eu não vou te respeitar — exibia sua arma, do mesmo tamanho do garoto.
Os Senshis já estavam à vista. Em vez de responder, Suzaki apenas colocou a cabeça para fora da direção do largo tronco do líder pretoriano, como se quisesse espiar a batalha por curiosidade.
— Quando comecei, não tinha metade de seu talento. — disse o general, deixando o garoto passar — Obedeça, e em pouco tempo estarão te chamando de general.
O vapor do fogo dos dois lados subiu para o céu em pouco tempo. Os pretorianos ameaçaram partir para um confronto direto, mas recuaram ao reparar que Suzaki reunia as nuvens no céu.
O primeiro raio acertou meio quilômetro atrás do forte onde estavam. O segundo foi bem no meio dos Senshis. Quando a poeira abaixou a cratera estava cheia de corpos.
— Seu time de manipulação terrestre pode fazer os pregos — disse Suzaki, tomando um banco do forte para se sentar — a linha é trabalho da Mayuri que deve estar a caminho.
— Aguarde pelo meu sinal para a invasão — disse Hidetaka, apontando para o céu — Vamos reagrupar assim que terminar com o que sobrou de Novo Caminho.
— Pensei que lá estivesse acabado.
— O dever será cumprido quando eu fizer minha parte.
Com um pequeno redemoinho, Hidetaka se lançou de volta para os céus. Os pretorianos de fogo permaneceram no forte na companhia de Suzaki, que olhou para o céu daquela noite aguardando o sinal.
A carruagem que partiu do último fronte na Cidadela balançava com os tremores e barulhos vindo de onde haviam saído, um dos que ali estavam colocou sua cabeça para fora da janela, para se surpreender com um piscar de um raio, que logo rugiu como se caísse ao seu lado.
— Isso certamente foi no nosso acampamento? Temos que voltar! — tentou tomar as rédeas.
— Nem pensar! Por mais difícil que seja, temos que seguir as ordens — apontou para a bagagem — levar esse peso morto conosco e relatar o que aconteceu!
O veículo seguiu seu caminho mesmo que o Senshi acompanhante se descabelando. Kyoko permanecia desacordada estirada na bagagem, apenas coberta por uma lona, como se fosse um cadáver.
—
Um feixe de luz passava na última base dos aliados ainda intocada pela invasão inimiga. Os Senshis saíram de suas tendas para ver o que se passava, mas logo se aliviaram ao ver Imichi desacelerando no meio deles. Às pressas, o Shiro subiu a passos normais para uma das casas apropriadas na colina, debaixo de um trovão que atormentava o pelotão como um lembrete da ameaça iminente.
Quando abriu a porta, encontrou Honda no mesmo lugar de sempre: de pé no leito improvisado de Yanaho, agora completamente enfaixado. Nas costas do médico, Imichi se esgueirou pelos cantos, arrastando suas costas nas paredes e esfregando as mãos sem parar.
— O estado do garoto é grave, mas já passou pelo pior. Pode ficar tranquilo.
— Eu devia levá-lo.
— A sua velocidade terminaria de destruir seu corpo frágil. Eu também me recuso a dispensar meus homens neste momento da batalha para salvar uma vida. Ainda que seja do seu protegido.
— Os outros ainda não voltaram — Imichi batia e voltava com as costas na parede, se balançando.
— Eu imaginei que você tivesse ido em direção a batalha procurar por eles, de onde você voltou agora?
— Eu avisei ao Supremo e ao Rei a situação — afundava as unhas no antebraço.
— Você o quê?! — Honda finalmente se virou para o corredor branco — Nós ainda não perdemos, por que esse desespero… Que aconteceu com você?
Imichi estava pálido, encolhido no encontro entre as paredes do quarto. Suas palavras saíam mais para si mesmo do que para o Principal:
— Veja os ferimentos dele. Te lembram algo? Assim como eles tem muitos outros dessa forma! Nós perdemos Novo Caminho, eu não faço ideia do que aconteceu na Reserva, a cada minuto perdemos mais território aqui. Como posso ficar calmo?!
— Você esqueceu quem é? Do que é capaz? Se voltasse poderia — o Principal se deteve — Desculpa, mas o que fizeram com você lá?
A mera subida de olhar para Honda, fez sua imaginação borbulhar com o que poderia ter acontecido. Antes que pudesse fazer mais perguntas, a porta bateu:
— Uma carruagem chegou. Más notícias.
Na porta para sair, Honda se virou para Imichi:
— Você vêm?
Com apenas um aceno positivo, o Shiro se levantou de seu esconderijo. Eles desceram a pequena ladeira até a antiga praça do local, onde foram recebidos pelos Heishis. Doku retirava de dentro da carruagem recém estacionada sua acompanhante dos últimos meses, amarrada nas mãos e pés, além de uma mordaça, apesar de estar desacordada. O Senshi que conduzia a carruagem desceu do assento do condutor cuspindo sua versão dos fatos assim que avistou Honda no meio da multidão.
— Viemos para relatar a fuga dela! Eu mesmo supervisionei ela e acabamos juntos na correnteza. Devia tê-la matado, mas…
— Mas o capitão de vocês fez o que nós ordenamos — interrompeu Honda — Heishis demais membros do corpo militar das montanhas são problemas dos azuis. Limpe-se, pegue uma arma e prepare-se para a batalha.
— Senhor, com todo respeito, no momento que parti desceram dois raios de onde vi. Certamente perdemos aquela base e a essa altura…
— A essa altura resta apenas nossas forças — disse Doku, entregando Kyoko aos seus homens — Contra um homem foragido em todos os quatro reinos. Eu imagino que no venerável Reino Aka criminosos são caçados e punidos em vez de estendermos um tapete vermelho para ele.
— Você nunca viu ele em combate — protestou o Senshi, se voltando a Honda— Comandante, seja razoável.
— Ceder espaço aqui, seria permitir que os Kuro coloquem os pés em território Aka. Haja o que houver, seguramos esta invasão aqui.
O sujeito saiu de perto dos comandantes, sendo prontamente acolhido pelos Senshis.
— Nenhum sinal das tropas de Novo Caminho — Doku olhou por cima do ombro de Honda, reparando em Imichi acuado — Exceto por ele. Não diria para recuar, porém alguns reforços realmente viriam a calhar.
— Date e Tomoe estão vivos — reafirmou Honda — Em condições normais, eles serão todo o reforço que precisaremos para segurar este local.
— Pelo estado do Shiro, talvez não tenha restado nada.
Os dois olharam para Imichi que foi incapaz de dar uma resposta contrária, ao tempo que Doku concluiu:
— Como eu disse, comandante Honda, nossa melhor chance é traçar o melhor plano possível com aquilo que temos.
—
Dia 3, Floresta a caminho da Cidadela - Madrugada do último dia.
No cerco criado pelos pretorianos na floresta, os mirins saíram de seu esconderijo acompanhados pelos Senshis para um dos paredões de terra. Junto com mais quatro adultos, Yukirama e Usagi encostaram na superfície com suas auras ativas, sentindo a terra úmida sobre seus dedos.
— O quão grande você acha que é essa faixa? — perguntou Usagi.
— Espero que seja pequeno o suficiente para conseguirmos escapar — respondeu Yukirama.
— Atenção — ordenou o Senshi fazendo sinal para os outros guerreiros do grupo — preparar…
Atrás deles a floresta era incendiada. Debaixo das ordens de Yato os Senshis remanescentes queimaram tudo ao redor.
— Ataquem — ordenou o vice-comandante — Ataquem e não parem por nada.
Os pretorianos que choviam terra sobre o buraco se perdiam na fumaça. Alguns brotaram plataformas na parede para ver mais de perto seus alvos, quando algo puxou seus pés. Por baixo da fumaça que afogava a todos, um olho brilhava em vermelho na figura que subiu até a borda da plataforma de terra:
— Sentiram minha falta?
No olho do caos, exibindo uma das espadas de Date na cintura, Hidetaka caçava os Senshis. Apesar de se abrir para o combate, ao menor sinal do líder pretoriano, os Senshis recuavam deixando apenas um incêndio como rastro. E na espreita dele, Riki contava os segundos para a fumaça ficar espessa o bastante e a fossa em que se encontravam se tornasse cada vez mais quente.
Sua ansiedade pela sua parte do plano quase o tirou do esconderijo cedo demais, porém a memória da estratégia o segurou mais um pouco. Todos estavam acuados debaixo de uma pequena caverna na floresta, sentados em círculos ao som do bombardeio das tropas pretorianas.
— Se os garotos tão falando a verdade, essa é a mesma coisa que eles fizeram em Doa — disse Date — Eles não levantaram a floresta toda. Com certeza foi só um pedaço.
— E o resto da floresta ainda está na altura normal — pensou Riki — Usamos a fumaça para mandar um sinal e criar uma distração. É, um túnel pode funcionar.
— Eu não sou o melhor com a terra, mas posso ajudar — disse Yukirama.
— Precisa ser uma passagem pequena, que não chame a atenção dos pretorianos — comentou Yato — No máximo vão poder entrar dois por vez em fila.
— Os pretorianos ao redor não serão um problema — Date bateu no peito — Deixa comigo.
— Ainda assim o túnel vai ficar um forno com o incêndio — protestou Usagi — Para gente ser rápido vamos precisar percorrer o túnel na medida em que cavamos. Estaremos vulneráveis por sei lá quanto tempo. E se descobrirem antes da hora? E se a parte erguida da floresta for grande demais?
— Primeiro vou aquecer a terra para facilitar a escavação. Quando fizerem buraco, posso transferir o calor dos túneis para fora, garantindo que pelo menos vocês não serão assados ali dentro enquanto passam por lá — disse Riki — O restante é apenas contar com a nossa capacidade de manter o líder deles ocupado — se voltou para Date — Isso considerando que você vai cumprir com a sua parte.
— Está duvidando de mim?
Riki esboçou uma leve risada.
— De qualquer forma — Yato tomava a palavra — Não podemos evacuar todos os Senshis de uma vez. Teremos que fazer isso aos poucos para que eles demorem a entender o que se passa — apontou para os mirins — Vocês vão bifurcar o caminho durante a escavação. No final vocês usaram o radar sanguíneo para reagrupar do outro lado.
— Isso é mais trabalho — Kento levou as mãos à cabeça — Nunca fizemos nada assim.
— Dividir vai dar uma chance de pelo menos um grupo sobreviver — respondeu Yukirama — caso sejamos pegos.
— Toda essa conversa sem garantia nenhuma de dar certo — Usagi balançou a cabeça — mesmo que fugimos, sem Date e Riki podemos ser emboscados novamente. Deixá-los aqui é suicídio.
— Será suicídio — Date se levantou — Se falharmos. Comigo aqui, isso é impossível.
Riki se lembrava com as mãos no solo, notando vapor saindo da terra abaixo ele brilhava em amarelo, refletindo percebendo o vulto de Hidetaka nas cinzas:
“Converter o calor da queimada na floresta para esquentar a terra foi uma boa ideia, mas estou no meu limite… não esperava me meter nessa, Matriarca e Princesa Hoshi”.
A temperatura estava no ponto certo, quando Mirins e os demais Senshis sentiram a terra fofa, eles a empurraram com seu iro. O paredão derreteu para dentro de si, criando uma concha de três metros com paredes estreitas. Yukirama e Usagi continuaram empurrando, escavando mais fundo.
Todos aguardaram o retorno dos escavadores, sendo aquele que retornou Yukirama com todo o corpo sujo de terra.
— Deu certo? — perguntou Masori carregando Emi, junto com Kento.
— S-sim — assentiu.
— O que estão esperando? — disse um Senshi, apressando as tropas do lado de fora para dentro do túnel — Primeiro os mirins e feridos, em pares!
Yukirama tomava meia volta sendo segurado por Yato que tinha Tomoe nos ombros:
— Onde pensa que vai?
— Vão precisar de mais pessoas para segurar os inimigos, e eu estou inteiro — se soltou apoiando os Senshis na contenção.
Yato seguiu junto com Tomoe garantindo a segurança da Principal que ainda estava desacordada, mesmo no breu do túnel conseguiam se localizar com as tropas do outro lado, graças ao sensor Aka.
Perto dali, Riki saltava sobre Hidetaka, entrelaçando o braço em seu pescoço. O contato de todo o calor que acumulara daquele inferno queimava o general ao toque.
— Pelo menos você teve coragem de aparecer — o Kuro descolava o cavaleiro de cima o arremessando contra uma árvore seca — seu poder é divertido, graças a ele podemos lutar nesse incêndio florestal.
Hidetaka desceu olhar para seus dedos após salvar-se do estrangulamento, sua pele descolava, ao passo que seu pescoço obstruiu a respiração com inchaço. Com as chamas ao redor, ele reuniu uma bola de fogo que foi desviada pelo Kiiro que se movia na sua direção.
Com os punhos cerrados, repletos de calor, ele acertou a devolução do último ataque nas mãos agora cobertas de terra do pretoriano. O impacto desmanchou as luvas do lutador de iro escuro, mas os punhos de Riki ainda estavam carregados de calor.
— Esperava mais de quem tem uma intuição tão apurada — Riki desviou de um corte vertical com um salto para trás.
Antes que a espada pudesse ser recuada, ele subiu por cima da lâmina usando de trampolim para saltar para cima. O líder pretoriano o acompanhou com os olhos para ver um sol se formar no lugar de seu oponente. Sua mão direita brilhava em amarelo para seu último golpe:
— Esse é o poder dos Kiiro.
Antes do ataque sair da mão de Riki foi recebido por um sopro de repente, flutuando para o céu. O vento extinguiu as chamas e expulsou a fumaça por dez metros de todos os lados. O cavaleiro de Yasukasa caiu de alguns metros se espatifando no chão.
Com a vista mais clara, Hidetaka percebia a maior quietude do local. Olhando para o céu, ele via a fumaça subindo e nenhum sinal de seus pretorianos.
— Entendi — ria — incendiaram a floresta para enviar um sinal de fumaça? Acabaram de assinar a sentença de morte de seus próprios companheiros.
Riki se levantava com dificuldade, percebendo seu inimigo enchendo seus pulmões foi capaz de ver de onde veio o vendaval que conteve seu ataque. Hidetaka enchia seus pulmões antes de soprar o ar em uma força desgovernal, a ponto de Riki ter que se segurar em um tronco.
A fumaça dispersou ainda mais, revelando as plataformas onde os pretorianos estavam no paredão. Nenhum estava de pé. Do alto de uma das árvores em chamas, pelas costas Date pulou com suas vestes queimadas e sangue em seu rosto, em posse de sua única espada remanescente:
— Devolve a minha arma!
— Quanta prepotência — sacou sua longa espada do chão e defendeu o golpe — Lutei com guerreiros mais qualificados.
Date rodopiou no ar, aterrissando na frente de seu adversário, que já erguia a espada para um golpe. Ele colocou sua lâmina defendendo o metal que descia como uma guilhotina e ali ficou. Riki circulava os dois, sacando sua espada e a imbuindo com o calor que acumulara. Com um pisão, Hidetaka desnivelou a terra por onde ele passava, mas o cavaleiro manteve o equilíbrio subindo pelas árvores. Quando desceu, seu metal brilhava em laranja com o calor.
— Muito previsível — o general pisou novamente no chão, erguendo uma parede de terra.
A lâmina incandescente rasgou o bloqueio como papel, mas Hidetaka havia sumido. Do outro lado, Date, que viu o pretoriano se mover para o outro lado da parede gritou:
— Cuidado!
A larga espada negra encontrou a arma aquecida de Riki numa defesa de último segundo. Date saltou por cima da parede rompida com um chute no rosto que cambaleou o general que subiu sua guarda esperando um golpe, porém o que veio foi a mão do Principal alcançando seu flanco aberto na cintura. Com um rolamento por baixo da espada de Hidetaka, o Senshi caolho recuperou sua segunda espada.
— Tem certeza que enfrentou gente melhor que eu? — provocou Date balançando suas duas armas — Alguém já fez isso com você?
— Sua arrogância denota insegurança. Seu individualismo na batalha sugere uma necessidade constante de se provar. Essas são qualidades que um soldado não precisa.
— Não sou qualquer um para sair por aí escutando alguém mais fraco que eu, seja Aka ou Kuro ou o que quer que seja.
— Há um engano seu sobre as nossas forças — os olhos de Hidetaka brilharam em preto — Vou te mostrar.
Date vinha de encontro pelo outro lado, mas o general já flutuava no ar. Antecipando seus movimentos, o Principal recuou riscando suas espadas para um golpe à distância. No entanto, enchendo o pulmão de ar, o pretoriano soprou as chamas de uma vez só, amassando o caolho contra o chão.
Na descida, Hidetaka tomou Riki pelo braço. Propulsionado pelo vento, ele o arrastou ao longo do chão pela cabeça. Date o seguiu ambos pela floresta lançando pequenas faíscas no pretoriano pelo caminho até ter de desviar porque antecipou que Riki seria lançado sobre ele. O destino do cavaleiro de Yasukasa foi bater com tudo em um tronco, caindo sem se levantar depois.
— Eu não encontrei nenhum dos seus — bateu espadas com Date — Era esse o plano? Sentenciar vocês a morte para salvar os outros?
— E quem aqui falou em morrer? — Date se defendia.
Impondo seu peso sobre o Senshi de menor estatura, Hidetaka girou o corpo com um chute na mão do Principal. A perna do general ainda arrastou seu oponente pelo chão até ele rolar para fugir de uma descida da sua larga espada.
Mesmo assim, o sujeito com a mão fraturado deixou sua arma para trás mais uma vez. Date recuava segurando seu membro fraturado.
— Mesmo que saiam daqui, eles estão condenados. Não há escapatória — Hidetaka caminhava até ele — Nem para eles, muito menos para você.
O general correu para finalizar o principal, quando de repente chamas foram em direção às suas vestes e seu cabelo. Rasgando as roupas e abafando o fogo no topo da cabeça, a distração gerou o momento perfeito para um garoto surgir dos arbustos prestes a acertar o Pretoriano.
Yukirama seguiu com a espada porém a lâmina passou de raspão nas costas de Hidetaka, as chamas apagarão de forma espontânea ao redor, mergulhando eles na escuridão. O sangue escorria, mas o mirim não sentia firmeza no golpe.
— Sai daí moleque — gritou Date.
O berro surgiu no mesmo momento que Yukirama via a enorme espada de Hidetaka descer sobre ele, obrigando-o a se jogar para o lado. Indefeso a próxima estocada era fatal, mas uma aura amarela surgiu bloqueando com outra espada mais um golpe do general que protestou:
— Você, mais uma vez!
— Espero que seja a última — disse antes de uma descarga surgir nas lâminas.
Uma corrente elétrica amarela brotou das mãos do cavaleiro, saltitando pela espada negra até eletrocutar seu alvo por alguns segundos. Hidetaka girou seus braços no desespero, gerando um sopro que empurrou seus adversários para longe.
Porém o choque o pegou, deixando-o de joelhos em espasmos. Yukirama, Riki e Date se reuniam lado a lado.
— Como você fez aquilo?— se impressionou Date.
— Calor pode gerar muitas co-coisas… — Riki ameaçou um desmaio.
— Aguenta aí, estamos quase lá! — Date o pegou nos braços.
— Isso só exige mais calor do que o normal — tentava se levantar, sem sucesso — droga, é o meu limite.
— Eu fico com ele — se ofereceu Yukirama.
— O que diabos você tá fazendo aqui moleque?! — gritou Date enfurecido.
— Vim ajudar, em pouco tempo só vai faltar vocês dois para escaparmos todos.
— Acha que não posso lidar com isso, garoto? Eu sou um principal! Você devia…
Date pausava a fala depois de notar o inimaginável, Hidetaka se levantava aos poucos arregalando os olhos de Riki. Ele passou a segurar sua espada com uma mão. Na outra, ele trouxe parte das chamas ao redor criando uma bola de fogo na palma.
—
Os galopes incessantes do cavalo da Matriarca já arrancavam relinchos de exaustão do cavalo. Ela alcançou o topo de um morro quando parou bruscamente, Mitensai se segurava novamente em Yasukasa para não cair:
— Nós chegamos?
— Não, aquela fumaça está muito espessa — observava a nuvem negra subir em direção à lua — O acampamento é na direção oposta.
— Quando chegarmos devemos saber o que é.
— Ou somos os primeiros a ver isso.
Reduzindo a velocidade, eles desceram para o vilarejo do outro lado. Os Senshis a princípio deram pouca importância aos convidados até um exclamar:
— É a Matriarca.
A informação rapidamente chegou aos dois comandantes locais que os receberam de imediato, embora quem tenha chamado mais atenção dos reforços tenha sido o homem mais rápido dali, escondido no meio da dupla.
— Mestre Imichi — acenou Mitensai antes de descer do cavalo.
— O que — Imichi, jogava Doku e Honda para o lado — pensa estar fazendo aqui?!
— E-eu vim ver o senhor, eu e Dai estávamos te esperando.
— Isso é uma batalha. Você não está pronto sabe o quanto coloca sua vida em risco aqui? — sacudiu o garoto com as mãos — onde está o Dai?
— Ele se foi. Você sabe como é, cansou de esperar.
— Devia ter ido com ele, Mitensai — se levantou Imichi.
— Mas você prometeu que… Eu só queria ajudar — encarou o chão — E também preciso ver o Yanaho, lembra?
O pedido do jovem Midori colapsou os braços de Imichi, que voltou para trás de Honda e Doku sem falar mais uma palavra.
— Mestre, espera — Mitensai tentava alcançá-lo, mas Honda ficou no caminho — Eu não tô entendendo nada. Se puder me explicar, por favor.
— Matriarca — Honda fez uma leve reverência — Veio por conta das notícias do fronte?
— Teria vindo com ou sem o acontecimento de Novo Caminho. Presumo que seja o Principal Honda — mudou o olhar para o comandante azul — E você?
— Sou Doku Chisei, a serviço do Imperador — curvou a cabeça — Sua recuperação do deserto foi mais rápida do que imaginei.
— Que recuperação? Sempre estive pronta. Por falar nisso — desceu do cavalo pela primeira vez, indo diretamente até Imichi o pegando pelas vestes — Ninguém teria relatado o que houve em Novo Caminho tão rapidamente além de você. Eu quero saber onde está o meu cavaleiro!
— Nós não sabemos — Honda colocou a mão no braço de Yasukasa — Pode soltá-lo..
— Ele estava lá — continuou segurando — Como não sabe?
— Yasukasa, quer dizer, Matriarca — sussurrou Mitensai — Por favor ele não está bem. Eu nunca vi o mestre desse jeito.
— Eu fui retirado do fronte antes de descobrir o que houve com eles — respondeu Imichi.
— Você não contou isso para nós — disse Doku.
— E por que não volta? — provocou Yasukasa — Certamente alguém das suas capacidades poderia salvar muitas vidas.
— Eu não pude — Imichi abaixou a cabeça — Não me deixaram fazer nada.
— Esquece — Yasukasa voltou ao cavalo — eu vou fazer isso.
— Se tivéssemos sinais deles já tínhamos feito algo. Se você está aqui, poderia ajudar segurar o inimigo — explicou Honda.
— Se subissem a ladeira um pouco mais alto, veriam a fumaça ao leste — subiu no cavalo — Eu vim pra proteger os meus!
Sem consultar Mitensai, ela estalou das rédeas, seguindo na direção da fumaça.
— Ela é tudo o que falam mesmo — disse Doku — talvez seja o líder que falta aqui.
— Ela falou de uma fumaça, como nenhum dos vigias deixou isso escapar? — coçou a barba Honda — Não podem ser dos nosso, senão teriam usado os balões.
— Já tem a resposta para sua pergunta. Alguém atacou os vigias. Eles estão próximos. Ir até lá seria arriscar homens para recolher os corpos.
— Só gostaria que ela fosse mais colaborativa — Honda balançou a cabeça negativamente.
Sua fala era interrompida por uma brisa forte e gélida. Uma nuvem baixa preenchia o vilarejo, o isolando do restante da floresta ao redor.
— Isso é… gotículas de água? — Doku percebia a umidade — Todos saiam das casas, saiam imedia…
As ordens vieram tarde. Um raio atingiu o chão, arremessando vários para longe, iniciando um incêndio em uma das casas do vilarejo.
— É uma nuvem! — percebeu, Honda se levantando.
— Faz muito tempo que espero esse reencontro familiar — disse Doku tirando a espada da bainha.
— Você tá bem? — Imichi erguia Mitensai — Vou te levar para um lugar seguro.
— Tem gente em apuros, precisamos ajudar — insistiu Mitensai.
— Imichi não vai a lugar algum — gritou Honda — é uma ordem.
Emergindo do nevoeiro, uma silhueta azul era acompanhada de outras de cor negra na altura da praça do vilarejo. Os homens da aliança que não foram atingidos pelo raio convergiram para o marco zero da invasão, na medida em que a garganta de Mitensai travou na visão da ameaça diante dele:
— Suzaki?!
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