Nisōiro Brasileira

Autor(a): Pedro Caetano


Volume V – Arco 15

Capítulo 159: OPERAÇÃO PRETO NO BRANCO.1 (Perda Total)

Dia 2, Capital Kagutsuchi — O ofuscado luar. 

O silêncio da noite já tomava a capital do Reino Aka. Senshis de vigia nas muradas eram castigados por um vento gélido até que uma discussão vinda dos estábulos captou a atenção de alguns. Era uma dupla de jovens Midori se apressando até os estábulos. 

— Dai, se for embora agora, vai voltar de mãos atadas — dizia um garoto de cabelos negros e olhos verde claro. 

— Cansei de esperar. A segurança dos nossos é mais importante que qualquer coisa — colocou a alça de sua bolsa — Já dei tempo suficiente para Imichi voltar. Você devia fazer o mesmo.

— É que o Imichi é meu mestre agora. Além do que, e-eu preciso falar com o Yanaho também! 

— E onde eles estão agora? 

Mitensai abaixou a cabeça.

— Não é Suzaki, Yanaho ou eles que precisam de nós — prosseguiu Dai, apontando para o lado de fora — são os Midori, nosso povo. Cada minuto que passamos aqui é uma chance para nossos inimigos voltarem e destruir tudo que lutamos para conseguir.

— Eles também lutaram com a gente para conseguir isso.

— É, só que quem tem que cuidar do que eles deixaram sou eu. Isso nunca foi problema deles.

— O Chefão não discordaria de você — a fala de Mitensai paralisou Dai — qual é a próxima? Isolar a gente de novo?

— Você sabe que eu nunca deixaria nenhum Midori machucar outro de novo — guardou a bolsa entre os alforges do cavalo — Meu problema é com eles. Talvez…

— O quê? Fala logo.

— Talvez ele estivesse certo sobre os outros reinos. Somos descartáveis para eles.

Assim que montou no cavalo, Mitensai se colocou na frente: 

— Vai precisar de alguém pra confirmar isso. 

— Aonde pensa que vai? — Dai ameaçou estalar as rédeas.

— Você tem que estar lá. Eu não. Posso fazer o seu trabalho por você, aqui.

Dai deixou escapar um suspiro frustrado. Com a mão preguiçosa, fez um gesto de concessão, quase como um pedido de licença para finalmente partir. Após a partida de Dai, Mitensai parou por um momento na entrada, se assegurando de que o cavalo não desse meia volta. Quando finalmente entrou pediu aos guardas na entrada:

— Sou um dos representantes do Midori, preciso ter mais uma audiência com vossa alteza. 

A sala do qual falava estava preenchida como nunca antes com os três governantes das cores primordiais. Yasukasa martelava seu calcanhar contra o chão. No canto direito, Satoru estava à mesa, sendo servido o jantar por um dos seus servos pessoais. Por sua vez, Chaul estava em seu trono com os olhos fixos no visitante das montanhas, mais especificamente em sua a capa vermelha pendurada na cadeira onde comia. 

O Senshi Supremo e o cabeça dos anciões discutiam entre si no extremo oposto da mesa onde Satoru jantava. Perdendo a paciência, Naohito tomou sua bengala e cruzou a mesa até o imperador, com papéis nas mãos. Ryoma já balançava a cabeça em reprovação, como se soubesse o que o velho diria:

— Acho que pode ter percebido senhor Imperador, mas alguém precisa lhe dizer… você não é bem-vindo aqui. 

— Jura? — fingiu espanto — De onde venho, basta o anfitrião me dispensar que eu tomo meu caminho. 

— O senhor Naohito encontra-se apenas inquieto com sua aparição desavisada — Ryoma retrucou, caminhando até Naohito — Para evitar erros do passado, precisamos construir confiança… Dos dois lados — sussurrou no ouvido do homem de bengala. 

— Como sempre apartando conflitos — Satoru limpou sua boca com um guardanapo — Ryoma. 

— Então me conhece — o encarou fixamente. 

— Ora, claro que conheço — se levantou, vestindo de sua capa vermelha — você é o Senshi Supremo. 

— Essa capa — Chaul indagou — por que essa cor? 

— Sinto um sentimento de afronta vindo de você, alteza — fez uma leve inclinação — Não sinta-se ofendido, ela não foi feita para mim — trazia a capa para frente — era do meu pai. Ele era um homem misterioso, mas acredito que a escolha tenha sido para simbolizar renovação, como combater amor com ódio ou vice versa. 

— É isso que deseja? — respondeu o Rei — Seguir os passos do seu pai.

— Não planejo ser assassinado pelo meu irmãozinho, se é isso que está sugerindo. Pelo contrário, desejo justiça. Gosto de pensar que vocês dividem esse desejo comigo.

— Estamos lutando pelos nossos — disse Yasukasa — mas existem alguns objetivos comuns aqui, como o Suzaki. 

— Meu pai não era um homem de cometer erros. Infelizmente, um de seus poucos acabou sendo Suzaki. Sem dúvida o pior de todos. 

— Tenho impressão de que seu Koji errou muito antes dele — retrucou Naohito batendo a bengala. 

— Eu conheço a má fama que meus antecessores carregam. Contudo, devo perguntar o que pesa mais na balança? Erros do passado, erros do presente, ou quem sabe até mesmo, erros do futuro? 

Todos trocaram olhares entre si, mas Naohito cortou o silêncio momentâneo:

— A diferença é que vocês sempre cometem os mesmos erros —  voltou a um assento — são gananciosos, cansaram de serem servidos apenas pelos de sua laia, querem o mundo aos seus pés. No fundo é isso que causa o sofrimento de seu povo. 

— Basta — berrou Ryoma — Se continuar assim, prefiro que leve seu rancor para outro lugar.

— Ele tem razão — Satoru fez gesto para manter Naohito na sala — meu povo sofre e está sofrendo como nunca antes.

— Escolheram uma hora ruim para lembrar do passado, vocês dois— insistiu Yasukasa — estamos enfrentando algo muito pior. 

— Sabe o que acontece quando um povo inteiro sofre sozinho, matriarca? Algo muito pior é gerado, como os Kuro. Depois do que aconteceu nós podíamos tomar um caminho parecido com o deles, mas eu resolvi fazer diferente. 

— E Suzaki está lá fora. Não fale como se só você tivesse...

— Eu não estou falando de Suzaki — Satoru olhou imediatamente para Ryoma —  Estou falando da pulsação. 

O Rei e seu Supremo engoliram seco. Naohito olhou para eles com um olhar, convencido, dando de ombros com uma leve risada.

— Eu avisei que esse excesso de caridade teria consequências.

— Avisou o quê? — Yasukasa se aproximava do trono — Do que ele está falando?

— Pelo visto nem mesmo a sua casa está unida sobre o assunto, alteza. Apesar disso, o mínimo que devem a mim e ao meu povo é dizer quem é e onde está a anomalia que gerou a pulsação. 

— Se o que ele diz é verdade — Yasukasa se voltou ao Supremo — por que não me contaram?! Quanto tempo vocês sabem?

Uma batida na porta arrancou do Chaul a ordem para abrir. Um mensageiro com um extenso pergaminho entrou para informar:

— Novo caminho foi perdida. As forças agora estão concentradas para conter o avanço na Cidadela e posteriormente rumo ao nosso território. 

— Perdida? Mas onde está Imichi?! — se desesperou Ryoma. 

— Ele mesmo entregou esse relato, senhor. Foi um dos sobreviventes da batalha, embora o paradeiro dos Principais Date e Tomoe sejam desconhecidos. O resto das forças, incluindo os reforços aliados do Império Ao, sucumbiram dentro da capital do  Velho Mundo.

Satoru cambaelou, procurando apoio nas poltronas ao redor da mesa. Os servos que lhe serviam logo o apoiaram para que sentasse. 

— Pelo visto esgotaram suas opções. Bem, vocês salvaram Oásis — disse Yasukasa recolhendo seus pertences — é justo que eu retribua esse favor para ficarmos quites. Alguém precisa fazer alguma coisa. 

— Espera, matriarca — chamou Ryoma, sem resposta. 

O que restou na sala foi apenas Chaul recolhido em seus pensamentos, sob o som dos servos acalmando Satoru. Ryoma tomava outro assento, quando Naohito encostou em seu ombro:

— Esperava pela derrota, mas vocês dois se superaram dessa vez.

A caminho de uma audiência com Chaul, Mitensai encontrou um mensageiro o vencendo na corrida até a sala. Tudo que ouviu depois foram gritos do lado de dentro. Ele se conteve por um instante, passando a escutar a conversa, quando a porta foi aberta na sua face. Yasukasa passava por ele às pressas.

— Ei, espera! — Mitensai pediu num grito abafado pela mão que continha a dor no nariz.

 

— Você de novo — Yasukasa deu uma breve olhada por cima dos ombros — Não me faça perder tempo. 

 

— Eu ouvi para onde está indo. Quero ir também! — ele corria para acompanhar os passos da mulher. 

 

— E como você seria útil para mim?

 

— Por que… bom, eu quero ajudar. 

 

— Pensa que é assim tão fácil?

 

Mitensai continuou falando e falando, mas depois de um monólogo de explicações, Yasukasa já estava na entrada com uma montaria à sua espera e o portão aberto.

 

— Não me convenceu — respondeu a matriarca.

 

— Por favor, você tem que me levar. 

 

— Olha só para você, completamente desarmado. Eu sou a matriarca — subia no animal — Eu não tenho que levar ninguém comigo. 

 

— Não tem mesmo, mas — relaxou os ombros, entristecendo a face — se ignorar minha ajuda só por causa disso, você será como eles. Eu achei que você seria diferente. 

 

— Você não mudou mesmo — estendeu a mão para Mitensai — sobe logo.

 

O cavalo empinou no engate da Matriarca, obrigando o garoto a se segurar nela. O animal tomava uma velocidade nunca experimentada por ele. Se não tivesse fresco na memória a ânsia de vômito, pensaria que estava em mais uma das viagens relâmpago de Imichi.

 

Foi depois de quase uma hora de estrada que Mitensai acostumou-se com a rapidez. Enquanto suas mãos se desgarraram de Yasukasa, ele falou:

 

— Obrigado de verdade. Já que meu mestre não pode voltar, tenho que ir até ele. Ouvi vocês conversando na sala e…

 

— Vocês verdes não deveriam estar aqui tão longe de casa, principalmente depois de tantas mudanças. 

 

— Vir para cá também é uma mudança. Eu e Dai queremos ajudar, como prometi que faria com vocês naquele dia. União também é um jeito de mudar.

 

— Guerra não é sobre união. É sobre ter algo tomado, e dar tudo de si para pegar de volta. Vocês não perderam nada para entrar nela. 

 

— Eu sinto muito pelo seu pai. Sei que tô meio atrasado com isso, e talvez você nem se lembre, mas também sei como é.

 

— Não sabe. Porque diferente de você, estou indo atrás de quem tomou isso de mim.

 

— Você se lembra de mim — o rosto de Mitensai brilhou — quando te contei dos…

 

— Ainda não me contou o que pretende fazer lá exatamente — interrompeu virando um olho para ele. 

 

— Eu falei. Vou encontrar o Imichi… E depois Yanaho, também preciso falar com ele.

 

— É… — voltou o foco para a estrada — Você realmente não mudou nada, Mitensai. 

 

O garoto escondeu o sorriso ao escutar seu nome vindo da matriarca, quando os dois já passavam da muralha de Kagutsuchi, tomando a estrada direta para os Shiro.

 

CENA 4: Chegada na Cidadela (Matheus)

 

Novo Caminho já era uma cidade fantasma há anos. Mesmo assim, a capital do velho mundo tinha um horizonte, uma promessa do que poderia ter sido. No entanto, nem mesmo isso havia sobrado quando a poeira baixou e os gritos cessaram.

 

Um portal brotou no meio do campo de batalha onde o urso de energia de Seth devastou as tropas aliadas, trazendo de volta o feiticeiro ao marco zero da sua vitória. Nobura e Itoshi vieram junto, porém eles não eram os únicos ali.

 

Enquanto driblava as poças de sangue para poupar seus sapatos caros, Itoshi admirava os destroços voando pelo céu, formando anéis ao redor de duas meninas. 

 

— Ela se recuperou mais rápido do que o esperado — comentou Seth — Já acabamos por aqui.

 

— Quem decide quando isso acaba sou eu — disse Itoshi, enchendo o peito para gritar para as nuvens — Vocês duas, o que sobrou do inimigo?

 

— Os Senshis fugiram — Shunara brotou exibindo seus ferimentos — Fugiram como animais amedrontados.

  

— Não vejo sinal de fuga aqui — comentou Seth, desviando seu pisar de mais um cadáver — Está falando dos tais Principais?

 

— Eles são da pesada. Devia ter visto eles — ela gesticulava com as mãos, golpeando o ar como se empunhasse duas espadas — Tão criativos no desespero.

 

— Posso saber por que fala deles no presente e não no passado? — Itoshi cerrava os punhos.

 

Por sua vez, Nobura tinha olhos apenas para as duas meninas no céu. Com os escombros reunidos por Mayuri, Nubi criou dois ganchos enormes um pouco mais altos que as torres ao redor da cidade. Sob seu controle, eles foram fincados na terra pelas extremidades da murada exterior. O impacto estremeceu a cidade, enquanto as duas aterrissaram no meio dos súditos.

 

— Lamento que a Reserva precise ser descartada — comentou Seth.

 

— A Reserva era um ponto de acesso aos Aka, importante para a guerra a longo prazo, porém o que procuramos está aqui — afirmou Itoshi — O fim está próximo.

 

— Então já acabou? — Shunara protestou, chutando a neve.

 

— Errado — Itoshi a puxou para perto — Você é a parte mais importante disso tudo. 

 

— Sou? — os olhos da súdita brilharam — É verdade isso, Alfa?

 

Nobura se aproximou de Nubi desmaiando-a com o toque.

 

— Hidetaka foi atrás de quem sobrou. Eles nunca chegarão à Cidadela a tempo — disse Mayuri, quando reparou na sua parceira desmaiando nos braços do mascarado — Espera, como vou pregar a Cidadela sem Digama?

 

— Zeta irá abrir os buracos. O time terrestre dos pretorianos pode esculpir as estacas — disse Seth — Sua última contribuição para esse empreendimento pode esperar.

 

— Essa batalha acabou — afirmou Nobura — Reúnam Pandora e o restante das tropas.

 

— Em menos de um dia, este mundo nunca mais será o mesmo. O Sol vai nascer para um novo mundo — Itoshi ergueu o punho cerrado para o céu, olhando para a súdita que manipula o som — Você me dará os meios para anunciá-lo.

 

 

A tundra aos arredores de Novo Caminho foi invadida pelo que sobrou do exército aliado em fuga. Os mirins traziam consigo o peso de mais uma baixa. Masori tinha cordas amarradas em seus ombros, carregando Emi como um fardo. Já fazia uma hora daquele peso sobre a arqueira do grupo, de modo que qualquer raíz oculta pela neve se transformava em um barranco para suas pernas.

 

Masori estava prestes a dar de cara com o tronco de uma árvore, quando Yukirama a segurou, seus ferimentos não permitiram carregar a amiga até o fim, delegando a tarefa a Usagi. Enquanto o mirim mais velho amarrava as cordas nos ombros ao longo das costas, Tsuneo interrogou o comandante prestes a partir:

 

— Vice-Comandante Yato, alguma notícia do restante da equipe que ficou pra trás? 

 

— Temos que chegar a um lugar seguro, primeiro — Yato afastou o pensamento com uma voz ríspida — Vamos descobrir quem ficou pelo caminho depois que tiver a certeza que todos chegaram a salvo.

 

— Mas… Meu irmão.

 

— Desculpa, Tsuneo — Yukirama deu um tapa nas costas do garoto — Escolheu uma péssima hora para isso.

 

— Meu irmão é bem forte, ele está vivo! E vai precisar da gente lá — Tsuneo socou uma árvore ao alcance — Vocês não entendem…

 

— Olha só, você sabe que a minha história com o Arata foi muito diferente — insistiu Yukirama — Eu sou a última pessoa para ouvir o seu choro de que ninguém se importa.

 

— Ele é o meu irmão, você nem ao menos o conhece! 

 

— Não podemos fazer nada, você é meu companheiro. Agora a minha prioridade é que você e o restante ande com as próprias pernas em vez de ser mais um peso nas costas — apontou para Emi. 

 

— Fala como se fosse o valentão, mas nem consegue proteger a si mesmo. Muito menos a gente.

 

Por um instante Yukirama ficou ali, observando Tsuneo e Masori seguirem adiante junto com Usagi e Kento. Na ponta da formação, Date carregava Tomoe nos ombros, com uma das espadas nas mãos. Riki vinha ao seu lado, balançando a cabeça de um lado para o outro. Apesar de sua aura amarela cortar a escuridão com sua luz, era sua sensibilidade ao calor que fazia a varredura pela próxima ameaça. 

 

— Comandante — Yato alcançava os dois às pressas — A estrada para Cidadela está próxima.

 

— Eu sei, vai dar para chegar antes do fim do dia — respondeu Date — Pode deixar que a gente assume daqui.

 

— É sobre isso que gostaria de falar, senhor. Deveríamos ter feito uma mudança de curso para leste há alguns metros.

 

— E levar nosso exército de pesos mortos por uma estrada aberta que o inimigo já conhece? — Date riu — Eu não nasci ontem.

 

— Teríamos mais chances de sermos encontrados por Senshis em ronda.

 

— Como se um deles pudesse ajudar contra uma emboscada dos súditos. Eu vim para resolver, eu vou resolver.

 

Senshi… — Riki tentou falar.

 

— Eu sei o que tô fazendo! — interrompeu Date.

 

— Date — insistiu o cavaleiro de Yasukasa, parando subitamente de andar.

 

— O que foi agora?

 

— Eles nos acharam.

 

A terra ao redor deles subiu, cercando a formação com um muro de lama. As figuras responsáveis, podiam ser vistas pelas suas silhuetas brilhando com a aura negra em contraste com a neve ao redor. Uma plataforma brotou no meio do paredão de terra, servindo de ponto de aterrissagem para o único do grupo descer. Sacando sua enorme espada direto do chão, ele rasgou a murada até pisar no bloco de terra saliente, se fazendo visível para as tropas aliadas.

 

— Saudações, Senshis — disse Hidetaka — Temos negócios inacabados.

 

— Esse aqui é meu — Date entregou Tomoe a Yato, sacando sua segunda espada — se voltou para Riki — Você vêm ou tá com medo também?

 

Riki respondeu estendendo suas mãos abertas para o ar. Os Senshis atrás dele lançaram uma faísca conjunta de suas espadas, cuspindo fogo contra Hidetaka. Os pretorianos acima logo desceram erguendo barreiras no paredão. 

 

Ao passo que Riki absorvia o calor dos disparos do exército vermelho, Date seguia o líder dos pretorianos com os olhos. Ele saltava entre plataformas, circulando o poço que havia formado ao redor das tropas. O Principal escalou a árvore mais próxima para saltar para uma das plataformas e seguir seu alvo.

 

Quando Hidetaka se posicionou à esquerda da formação, Date aterrissou na mesma plataforma com um chute para derrubá-lo. O general inimigo escorregou, porém tão rápido uma plataforma de terra surgiu para apoiá-lo, aquela em que o Principal estava, foi desfeita. 

 

Mesmo assim, Date saltou na última hora em uma cambalhota que pegou as costas do Kuro, cuja resposta veio num corte giratório. Mais uma vez o golpe foi desviado com precisão milimétrica, ao agachar assim que aterrissou na plataforma.

 

No momento do contragolpe, o próprio paredão fez brotar um bloco de terra no meio dos dois, os atirando da plataforma em direção ao chão no meio dos Senshis

 

— Você é o da espada grande que enfrentou Masak — percebeu Date — Não gosta de lutar em lugares pequenos?

 

— Um guerreiro de verdade não tem preferência de terrenos — pisou no chão.

 

— É assim que se fala — tirava seu tapa olho. 

 

Chamas brotaram da sua sola, derretendo a neve ao redor. Com a espada, Hidetaka guiou a água para um disparo que parecia um tiro de bala de canhão. Date saltou para uma árvore antes do movimento ser completo. No segundo tiro, o pretoriano capaz de manipular todos os elementos ameaçou lançar na esquerda e esperou Date se mover na direção oposta. O disparo de verdade derrubou uma árvore que teria acertado o Principal.

 

— Seu olho brilha — Hidetaka apontou para o rosto do oponente — é assim que antecipou minha técnica?

 

— Sério? Corto uma árvore com minhas duas espadas — fez um malabarismo com ambas as lâminas — e você acha que meu olho ruim é a melhor qualidade?

 

Hidetaka cortou duas árvores enfileiradas ao seu lado com um balançar da espada. Com o vento, ele as lançou na direção de Date, que cortou o primeiro tronco para depois deslizar por baixo do segundo. Contudo, enquanto desviava um jato d'água o lançou rolando pelo chão. 

 

Batendo a neve do corpo, na medida em que sua aura fechava as feridas, Date bateu o pé no chão.

 

— Você é mais babaca que o outro — insultou Hidetaka. 

 

— Só por que você sabe fazer não torna menos impressionante. Quer dizer, olha para sua arma, minhas duas espadas juntas não tem esse tamanho todo.

 

— Eu já entendi sua técnica. Falar para atrasar sua derrota é inútil.

 

Hidetaka preparou mais um ataque reunindo mais neve, só que dessa vez Date andou na sua direção em vez de desviar. Quando os flocos derreteram, virando em água, o general fez o movimento para lançá-la, mas no meio do caminho o líquido se transformou em vapor. A temperatura subiu e o choque entre os dois lutadores era iminente. 

 

— Minha vez — Date rodopiou no ar com suas duas espadas.

 

Hidetaka recuou com cortes no braço. Em vez de contra-atacar diretamente, ele erguia pilares de terra para se defender. Não acertava Date, porém o obrigava a atrasar seus golpes para desviar. Ele tentou deslizar pela neve, porém tudo ao seu redor derretia, como se a primavera tivesse chegado mais cedo.

 

Ainda assim, as árvores mais distantes continuavam com neve. Por fim, uma barreira mais alta ergueu-se entre os dois, porém o Principal a rasgou com as espadas, seguido de dois cortes laterais que arrancaram sangue no rosto do general pretoriano.

 

Os Senshis partiram para atacar Hidetaka, lançando fogo sobre ele, criando uma fornalha no qual até mesmo Date foi obrigado a se afastar. 

 

“Bom trabalho com o calor, Riki”, pensou Date quando observou uma aura ainda acesa no meio da fornalha criada. “Mas ainda não acabou”

 

Aquela concentração bruscamente seguiu uma direção. Date tentou seguir mas teve de dar a volta na área em chamas, o destino da energia já era previsto por ele.  Fora do círculo de calor que o seguia, uma roda de Senshis em sua borda, onde Riki estava com as mãos no chão.

 

Hidetaka surgia com chamas ao redor de sua aura, como um escudo, no meio dos Senshis. Bastou um golpe para sua espada afastar os Senshis que guardavam seu alvo. O cavalheiro de Yasukasa se defendeu como pôde, porém antes de pegar sua lâmina recebeu outro golpe, se atirou para trás no último momento antes de ter seu corpo partido em dois. 

 

Mas já estava vencido com um corte no peito que o fazia gemer de dor, prestes a tomar o golpe final do líder Pretoriano quando o Principal caolho saltou nas costas do enorme general, enterrando uma de suas lâminas ali antes de ser tirado de cima. 

 

— Como você soube?! — se espantou Hidetaka. 

 

— Você não entendeu minha técnica — riu pegando Riki. 

 

Hidetaka ainda assim caminhou na direção dos dois quando Yato junto a outros Senshis lançaram uma contra-ofensiva:

 

— Abram fogo!

 

O grito fez Hidetaka notar que estava cercado pelos inimigos. Com suas faíscas, eles lançaram fogo contra o líder pretoriano que se defendeu com um bloco de terra. Os homens de Yato logo aproveitaram a brecha para recolher Riki do chão. 

 

Nesse meio tempo, os pretorianos avançaram sobre o Senshis, derrubando o ataque do vice-comandante e seus homens. Com Tomoe e o cavaleiro de Yasukasa em mãos, tudo que podiam fazer era recuar.

 

O grupo encontrou refúgio atrás de uma pedra, enquanto chamava os Senshis que passavam para junto. O primeiro a obedecer foi Usagi, que tirou o corpo de Emi das costas para colocá-la na cobertura.Uma nova pedra colidiu com a cobertura, sacudindo o local. Pouco depois, Yukirama entrou junto com Masori.

 

— Percebi vocês aqui. Qual o plano? — comentou o filho de Yuri.

 

— A gente acabou de sair de uma batalha, vencer essa é quase impossível — disse Usagi.

 

— Tem que haver uma saída. Estamos cercados, mas estamos voltando para a Cidadela. Nossa melhor chance são os reforços — disse Yato parando por um instante — chequem os bolsos de vocês, precisamos de balões. 

 

— Não vai ter, usamos tudo no plano de Tomoe — respondeu Date — estamos tão longe da cidadela assim?

 

— Estamos longe da estrada principal — explicou Yato — só podem nos ver do alto. 

 

— Não precisamos de balões — disse Masori chamando atenção de Date — podemos usar fumaça. 

 

— Teria que incendiar a floresta inteira para isso, mocinha — sorria Date. 

 

— Se é o único jeito — reafirmou Masori. 

 

— A gente tá cercado — respondeu Usagi — Vai fritar todo mundo aqui para chamar ajuda? Vai todo mundo morrer antes.

 

— Não — Riki acordou — Tem um jeito. 

 

— Você precisa descansar — Yato forçava o cavaleiro a deitar-se — Essa ferida aberta…

 

— Se eu ficar, todos morremos  — retrucou Riki, ficando de pé — Prestem atenção, porque só vamos ter uma chance.

— É — Date deslizou uma mão uma na outra — isso vai ser divertido 

 

— Qual o plano? — perguntou Yukirama, resignado.



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