Volume 1: Sangue e Promessas.
Capítulo 6: Faísca e Metal.
Pietro terminou de beber o chá e largou a xícara no balcão, cruzando os braços.
— Isso tudo é muito bonito no papel, mas você não tá esquecendo um detalhe?
Harkin ergueu a sobrancelha, curioso.
— Qual detalhe?
Pietro suspirou e puxou seu Magiphone do bolso.
— A garota.
Harkin permaneceu em silêncio. Pietro digitou algo rapidamente e mostrou a tela para ele.
Pietro: "Eu e o Harkin estamos indo ao restaurante da Sera. Você vai almoçar lá ou com seu pai?"
Harkin leu a mensagem e deu um sorriso de canto.
— Não perde tempo, né?
— Alguém tem que pensar à frente.
Alguns segundos depois, o Magiphone vibrou com a resposta de Okini.
Okini: "Ok, estou esperando vocês aqui."
Pietro guardou o dispositivo e balançou a cabeça.
— Ela já sabe que vai dar merda.
Harkin deu de ombros, pegando o casaco.
— O que pode dar errado?
Pietro riu de forma irônica enquanto os dois saíam do dormitório.
— Tudo.
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Nos fundos do Restaurante Dragão Dourado, Serafina terminava de organizar as mesas enquanto Okini revisava as mensagens no Magiphone.
Seu olhar se fixou na última notificação.
Pietro: "Eu e o Harkin estamos indo ao restaurante da Sera. Você vai almoçar lá ou com seu pai?"
Okini bufou, cruzando os braços.
— E lá vamos nós...
Serafina, percebendo sua expressão, ergueu o olhar.
— O que foi?
— Harkin e Pietro estão vindo para cá.
Serafina congelou por um instante, mas tentou parecer indiferente.
— Ah...
Okini a encarou com um olhar afiado.
— Você se importa.
— Não é isso! É só que...
Serafina hesitou.
— Desde ontem, minha mente não parou de voltar para o que aconteceu. O jeito que ele encarou Stein, a forma como falou comigo antes de tudo desmoronar.
Okini sorriu.
— Você gostou dele.
Serafina corou e desviou o olhar.
— Não é isso!
— Então o que é?
— Eu não sei. Ele me assusta um pouco.
Okini arqueou uma sobrancelha.
— Assusta como?
Serafina cruzou os braços, pensativa.
— Como se ele estivesse sempre um passo à frente. Como se tivesse um plano que só ele entende.
Okini soltou uma risada curta.
— Bem-vinda ao clube.
Serafina riu junto, mas logo sua expressão ficou séria novamente.
— Okini... o que vai acontecer com ele?
Okini respirou fundo.
— O que sempre acontece quando alguém pisa nos nobres.
Serafina ficou em silêncio.
— Então ele está em perigo?
— Ele não parece se importar.
Serafina baixou o olhar.
— Mas eu me importo.
Okini suspirou, observando a amiga.
— Então você já decidiu.
— Decidi o quê?
— Que ele importa para você.
Serafina mordeu o lábio inferior, desviando o olhar.
Okini sorriu.
— Então, o que você vai fazer?
Serafina respirou fundo e se dirigiu à cozinha.
— Vou preparar algo para ele comer.
Okini riu.
— Tentando conquistar pela barriga?
— Você vai me ajudar ou não?
Okini levantou-se.
— Claro. Mas algo me diz que esse almoço não vai ser tranquilo.
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Harkin e Pietro atravessaram as ruas movimentadas, desviando dos olhares curiosos que ainda os seguiam desde o confronto com Stein.
Pietro estalou os dedos.
— E então? Você tem um plano para o que vai dizer para Serafina?
Harkin sorriu.
— Vou improvisar.
Pietro riu.
— Você é inacreditável.
Ao virarem a esquina, no final da rua o Restaurante Dragão Dourado já estava à vista. A porta estava entreaberta, permitindo que o aroma das especiarias, mesmo a longa distância escapasse infestando o ar.
Harkin respirou fundo, seu estômago respondeu por ele.
— estamos chegando.
Uma carruagem arcano-motorizada deslizou até a esquina, suas engrenagens encantadas emitindo um brilho tênue enquanto a estrutura metálica absorvia a luz do ambiente. De longe era possível ver três figuras adentrando o restaurante .
Pietro percebeu quem era imediatamente.
— Harkin...
Harkin não respondeu, mas seus olhos brilharam com um misto de diversão e antecipação.
Ele sabia o que estava por vir.
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O silêncio do restaurante foi quebrado pelo som da porta se abrindo com força.
Okini e Serafina saíram da cozinha instintivamente, seus corpos ficando tensos assim que viram a figura que cruzava a entrada.
Drake.
O herdeiro de Solomon caminhou sem hesitação, seus olhos afiados e frios escaneando o local. Ele não estava sozinho. Dois guardas de elite o acompanhavam, suas presenças discretas, mas igualmente ameaçadoras.
Drake não demonstrava pressa. Sentou-se no balcão, cruzando os braços de forma casual, como se estivesse ali para uma simples refeição.
Mas o peso no ar era sufocante.
— Eu não sou idiota como meu irmão. — Sua voz era tranquila, mas carregava uma autoridade gelada. — Sei que você fica mais aqui do que em casa, Okini. E sei que sua detecção é boa... mas não melhor que a minha.
Seu olhar percorreu o ambiente antes de finalmente se fixar em Serafina.
— Vocês parecem tensas. Não precisam ficar assim. — Ele sorriu de canto, um gesto carregado de malícia. — Não vim machucar ninguém.
Okini cerrou os punhos, mas Serafina foi mais rápida.
Com um movimento aparentemente natural, pegou um copo, encheu com água e colocou na frente de Drake.
— Você quer algo para beber? O cardápio está aí.
A resposta pegou ele de surpresa por um segundo.
Segurando o copo de água que ela lhe entregou e girando o líquido lentamente, observando as leves ondulações na superfície. Ele não bebeu. Seu olhar frio se fixou no rosto da garota.
— Eu esperava uma recepção mais calorosa, Serafina. — Sua voz era tranquila, mas carregava um peso oculto.
Sera manteve a compostura.
— Isso é um restaurante. Se você veio como cliente, será tratado como tal. Se veio por outro motivo... então está ocupando um lugar que poderia estar sendo usado por um cliente de verdade.
Drake ergueu uma sobrancelha, um sorriso surgindo em seus lábios.
— Então é assim que vai ser?
Ele colocou o copo no balcão sem sequer dar um gole.
Okini se posicionou discretamente ao lado da amiga, o olhar atento a cada movimento de Drake. Ela sabia que ele não tinha vindo para uma refeição.
Drake se inclinou levemente para frente, apoiando os braços sobre o balcão.
— Você sabe por que estou aqui, Serafina. Não precisa fingir que isso é um jogo de hospitalidade.
Serafina sustentou o olhar dele.
— Eu não faço ideia. Mas, se for por conta do que aconteceu com Stein, você deveria estar falando com outra pessoa, não comigo.
Drake sorriu.
— Ah, eu não dou a mínima para Stein. Meu irmão é um idiota mimado, cedo ou tarde ele ia bater em alguém e o nome da família não ia o salvar. Eu estou aqui porque meu pai está interessado em você.
Okini se enrijeceu ao ouvir aquilo.
Serafina, no entanto, manteve a calma.
— E por que ele estaria?
Drake inclinou a cabeça levemente, como se estivesse avaliando sua reação.
— Isso é algo que não posso responder, mas digamos que ele acredita que pode usá-la para controlar certos... elementos imprevisíveis.
Serafina sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela sabia exatamente de quem ele estava falando.
Drake percebeu.
— Vejo que entendeu.
Ele se levantou, ajustando o casaco com movimentos lentos e controlados.
— Vamos facilitar as coisas. Venha comigo. Agora.
O silêncio no restaurante era absoluto.
Serafina inspirou fundo antes de responder.
— E se eu disser não?
O sorriso de Drake se alargou.
Mas logo, ele sorriu de canto, reconhecendo o jogo que Serafina estava tentando jogar.
Drake as ergueu no ar com um simples gesto de mão, sua mana manipulando a gravidade ao redor delas.
Serafina tentou lutar, mas seu corpo não respondia.
Okini rangeu os dentes, tentando liberar sua própria mana, mas a pressão esmagadora de Drake a mantinha imóvel.
O sorriso dele se alargou.
— Era mais fácil só ter vindo logo de cara não é como se você tivesse uma escolha. Estava apenas tentando ser simpático.
Sem hesitar, ele virou-se e começou a andar, arrastando Serafina e Okini pelo ar, levando-as para fora do restaurante.
A porta se abriu com força quando ele saiu para a rua, ainda segurando as duas com sua mana.
Lá fora, a movimentação parou.
Os olhares dos moradores e clientes da área se voltaram para a cena, e uma multidão começou a se formar.
Serafina tentou falar, mas a pressão que a mantinha suspensa tornou impossível.
"Se mexe droga! É culpa minha por ter trazido aquele imbecil aqui, eu tenho que soltar ela pra que ela fuja, desse jeito pelo menos posso pedir ajuda pro vovô."
— Agora espero que entendam com quem estão lidando. — Drake disse, olhando de relance para Okini. — Pode correr para seu pai ou para o vovô, se quiser. Mas isso não muda nada.
Ele então se voltou para Serafina, seus olhos afiados brilhando com um traço de superioridade.
— E você, senhorita, vem comigo. Agora.
Serafina fechou os olhos, sentindo as lágrimas brotarem.
"No fim eu sou impotente, perante a força daqueles como Stein e Drake? Onde está a moralidade do império?"
Foi nesse instante que tudo mudou.
Sem aviso, o corpo de Drake reagiu antes mesmo de sua mente processar o que estava acontecendo.
Seu instinto gritou perigo, e ele imediatamente cruzou os braços.
O ar ao seu redor tremulou — Não foi apenas mana. Foi algo mais.
Minúsculas partículas metálicas, invisíveis até então, emergiram no espaço ao seu redor, pulsando como se estivessem vivas.
O ataque veio. Drake deslizou um pé para trás, e em um instante, as partículas metálicas se reorganizaram, condensando-se em um escudo reluzente, denso e mutável, absorvendo o impacto brutal que o atingiu.
O barulho da colisão ecoou como um trovão.
Drake foi arremessado para trás, sua barreira se fragmentando sob a força do golpe, mas ainda assim, reduzindo o dano antes que seu corpo atingisse o chão.
A multidão prendeu a respiração, e foi então que Harkin apareceu.
No lugar onde Drake estava antes, Harkin permanecia de pé.
Seu sobretudo negro tremulava com o vento, os cabelos vermelhos brilhavam à luz do sol, seus olhos, carregados de um brilho afiado e perigoso, se voltaram imediatamente para Serafina. Ele se aproximou dela, seu olhar suavizando ao vê-la abalada.
Com delicadeza, passou o polegar pelo rosto de Serafina, limpando a lágrima que escorria.
— Me desculpe por não chegar antes. Esse merda te machucou?
Serafina não conseguiu responder de imediato.
Ela apenas balançou a cabeça lentamente, indicando que estava bem.
Harkin sorriu de canto.
— Ótimo. Então ele não vai morrer... agora.
Ele se virou, seu olhar se afunilando diretamente em Drake, que começava a se levantar do chão, seus olhos queimando de raiva, multidão segurou a respiração. Todos sentiram o que estava prestes a acontecer.
A poeira assentava lentamente, enquanto Drake se levantava.
Seu corpo estava intacto, mas sua expressão não escondia a fúria.
Harkin o observava, relaxado, mas atento. Ele não queria apenas vencer essa luta, queria destruir o ego de Drake.
A multidão se reunia ao redor, os sussurros aumentando. O impacto do golpe de Harkin não era apenas físico — ele abalou o orgulho de um dos filhos de Solomon em um dia, e no outro caça confusão com seu irmão.
Drake respirou fundo, mas a raiva continuava a queimar em seus olhos.
— Você me atingiu.
Seu tom era baixo, controlado, mas repleto de ameaça.
Harkin sorriu de canto.
— Bom, isso significa que você não é tão frágil quanto parece.
O sorriso de Harkin foi a gota d’água.
O ar ao redor de Drake tremulou, agora, não foi apenas sua mana, algo mais denso, mais físico emergiu ao seu redor.
Partículas metálicas invisíveis ao olho nu começaram a brilhar, condensando-se no ar como uma tempestade silenciosa.
Não era simples como ele pensava.
Harkin percebeu imediatamente. — "Isso de novo." — A mesma coisa que havia reduzido o impacto do seu chute antes.
Drake deslizou a mão pelo rosto, limpando a poeira com calma, enquanto os fragmentos metálicos se reorganizavam ao seu redor, assumindo formas momentâneas antes de se dissiparem.
Seu olhar se afunilou sobre Harkin, a respiração controlada, mas a raiva latente.
— Vou me certificar de que você nunca mais sorria assim para mim.
Fazendo jus a sua ameaça, ele atacou.
Os fragmentos se uniram no ar, e em um piscar de olhos, lâminas afiadas dispararam diretamente contra Harkin.
Harkin avançou contra os projéteis, desviando com uma fluidez quase instintiva.
Cada lâmina passava rente a ele, cortando o ar com precisão mortal.
Mas então, Drake ergueu a mão levemente.
Os fragmentos se reorganizaram atrás de Harkin, reformando-se em dardos pontiagudos que dispararam imediatamente contra ele.
Girando seu corpo no último instante, chutando um dos projéteis de volta contra os outros, causando uma colisão que espalhou faíscas pelo ar.
Drake franziu a testa.
Harkin aterrissou suavemente, mas não sorriu dessa vez.
Ele percebeu.
As partículas ao redor de Drake não haviam desaparecido completamente.
Elas estavam se reformando de novo, mais densas, mais perigosas, estalando os dedos. Seu mestre as recriou, elas atacaram mais uma vez, dessa vez, Harkin não tentou esquivar.
Ele plantou os pés no chão, aguardando o ataque de frente.
As lâminas metálicas avançaram, mas no último segundo, Harkin moveu o braço rapidamente, desviando o fluxo do ataque com um soco preciso.
As lâminas se fragmentaram no impacto, mas Drake já estava esperando por isso.
A poeira se ergueu, obscurecendo a visão da multidão.
No meio da confusão, Drake apareceu, movendo-se com velocidade surpreendente.
Seu punho atingiu o estômago de Harkin com força, arremessando-o alguns metros para trás.
Harkin se estabilizou rapidamente, deslizando os pés no chão antes de parar completamente. Ele respirou fundo.
Okini assistia com os olhos arregalados.
Serafina prendeu a respiração.
Pietro apertou os punhos.
Harkin limpou a boca com o polegar, sentindo o gosto de sangue.
Ele não sorriu.
— Então é assim...
Ele girou o pescoço lentamente, os músculos estalando. Seu corpo se preparava para levar isso a sério.
Drake notou a mudança no olhar de Harkin.
Ele esperava uma provocação, um insulto—qualquer coisa — mas Harkin ficou em silêncio.
Isso o irritou mais do que qualquer palavra.
— Qual é o problema? Não vai continuar falando merda?
Harkin fechou os olhos por um momento.
Quando os abriu novamente, eles estavam diferentes.
A calma havia desaparecido.
O ar ao redor de Harkin tornou-se pesado, carregado de algo que até mesmo a multidão ao redor conseguiu sentir.
Pietro se enrijeceu.
— Ah, merda.
Okini sentiu um arrepio na espinha.
Serafina segurou a respiração.
Drake não entendeu imediatamente, mas então percebeu o que estava acontecendo.
O corpo de Harkin começou a liberar uma leve distorção no ar ao redor. O mesmo fenômeno que acontecia antes de uma tempestade.
— Esse é o princípio? Simples, fascinant, mas simples... — Harkin murmurou para si mesmo.
Seus olhos brilharam por um instante.
E então, faíscas começaram a percorrer suas mãos.
O chão estalou sob seus pés, os fragmentos de energia se acumulando gradualmente.
A luta havia mudado.
Drake cerrou os punhos.
— Não vai me dizer que só agora vai levar isso a sério? Essa desculpa é velha.
Harkin inclinou a cabeça para o lado, estalando o pescoço.
— Você não me deu escolha.
E então, ele desapareceu.
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