Arco 2
Capítulo 42
Eu estava convencido de que havia adormecido com a porta trancada, mas ao despertar, meus olhos encontraram Seo Dawon ao lado da cama. Ele me observava enquanto segurava uma caneca em suas mãos.
— Tenho boas notícias e más notícias… Qual você quer ouvir primeiro? — perguntou ele, olhando para o meu rosto confuso enquanto me entregava a caneca.
Recebi-a com ambas as mãos, percebendo que continha água perfeitamente aquecida.
— A ruim? — respondi após um gole.
— Acho que Kim Sangyoon nos traiu e contatou Bae Jaemin.
— …Quê?!
Isso não é má notícia; é péssima! Levantei-me abruptamente, tomado pelo choque. Contudo, ao notar a postura calma de Seo Dawon, lembrei que ele ainda tinha as "boas notícias" para falar. Com isso em mente, concentrei-me em acalmar meus batimentos acelerados.
— E a boa notícia? — indaguei.
— Acontece que Jaemin não está no Hub agora, então eles não puderam se encontrar… — disse Seo Dawon com um sorriso perverso. O sorriso era tão perturbador que, inconscientemente, tomei outro gole de água morna.
…Ele provavelmente fez algo ao Kim Sangyoon?
— Kim Sangyoon… você não o matou? — questionei após esvaziar metade da caneca.
— Não. Ainda precisamos dele, afinal. — respondeu ele, levantando-se da beira da cama e abrindo a porta do quarto.
O que eu vi do outro lado daquela porta…
— MMmph! MMMmMM!!! — Kim Sangyoon, com o rosto congestionado, estava ajoelhado no chão.
Imagine acordar com um homem de dois metros ajoelhado na porta do seu quarto.
— Acho que precisamos educá-lo um pouco antes de irmos para a dungeon. — disse Seo Dawon calmamente.
Assim que a maçaneta da porta girou, Kim Sangyoon levantou bruscamente a cabeça; seu semblante revelava uma mistura evidente de raiva, constrangimento e medo.
Apesar de seus olhos emanarem agressividade, o Guerreiro não fez nenhum movimento hostil, nem cuspiu ou proferiu xingamentos. Sob sua expressão facial rígida, seus músculos se contraiam visivelmente, causando cãibras devido ao esforço.
Algo parecia não natural.
— O quê… — ponderei.
— Ah, eu fiz algo para ele não poder falar temporariamente. — respondeu Seo Dawon de trás de mim.
— …?
— Já que eu o trouxe ao amanhecer, não queria interromper o seu sono.
Então a mordaça invisível era uma das habilidades de Seo Dawon. O Guerreiro ajoelhado estava impossibilitado de pronunciar qualquer palavra, apenas emitindo gemidos abafados através de suas restrições invisíveis.
Foi um pouco satisfatório vê-lo se contorcendo e movimentando suas narinas em vão. Em meio à minha observação apática, Kim Sangyoon fitou meus olhos com um olhar suplicante, como se implorasse por um mínimo de compaixão.
— Então você decidiu se juntar ao Bae Jaemin? — perguntei.
Kim Sangyoon se levantou, com os joelhos ainda colados um no outro, e balançou freneticamente a cabeça de um lado para o outro, veemente negando nossas acusações.
De repente, percebi algo sólido pressionando a parte inferior das minhas costas. Para contestar as negações fervorosas de Kim Sangyoon, Seo Dawon me cutucou com um celular desconhecido e o colocou em minhas mãos. A tela de bloqueio do aparelho exibia uma foto do Guerreiro capturado, claramente revelando o dono do aparelho.
O rosto de Kim Sangyoon ficou branco como papel quando ele viu o celular na minha mão. Enquanto observava seu rosto descolorido pelo canto do olho, rapidamente li a última mensagem que ele havia enviado para “HaHae Bae Jaemin”.
[Jaemin-nim, tenho notícias urgentes para te passar sobre a guilda Yeonhong e Seo Dawon. Por favor, me encontre na entrada da rota normal do [Navio Assombrado da Coruja]]
Claramente, esse texto era uma evidência de sua traição. O local do encontro era o mesmo que havíamos combinado no dia anterior para farmar nível.
— Mmmh!! Mmmh! — Kim Sangyoon continuava a se contorcer, como se desesperado para justificar suas ações. No entanto, após ler a mensagem, perdi qualquer resquício de compaixão que tinha pelo homem.
Então, eu o ignorei e virei para Seo Dawon com um olhar suplicante.
— Não se preocupe, ele não mandou a mensagem ainda. — disse ele.
Finalmente, deixei escapar um suspiro profundo, liberando o estresse acumulado desde que acordei.
— Tá, por agora só me escute… já que Kim Sangyoon não consegue me ver… — continuou Seo Dawon, explicando a origem das circunstâncias de Kim Sangyoon. — Originalmente, este contrato era usado para adestrar monstros inteligentes capturados pela classe “Adestradora”.
No meio da sua explicação, Seo Dawon me pediu pra estalar os dedos pro Guerreiro — tipo um gesto de punição pré-definido. Apesar de não compreender completamente as instruções e sentir um certo desconforto com a ideia de "punição", eu fiz o que ele pediu.
No instante em que meus dedos estalaram, o corpo de Kim Sangyoon foi tomado por um tremor súbito e violento. Seu corpo contorceu-se em agonia, sons abafados e sufocados escapando de sua garganta amordaçada. Uma força sobrenatural — invisível — parecia estrangulá-lo impiedosamente.
E- e se ele morrer?
Minhas mãos, tomadas pelo nervosismo, começaram a esfregar uma na outra incessantemente. Meus dedos tremiam incontrolavelmente devido ao choque, espelhando o sofrimento visível de Kim Sangyoon.
— Se você quiser interromper a “punição”, basta estalar os dedos novamente. — explicou Seo Dawon com uma calma desconcertante, como se estivesse lendo as instruções de um manual de eletrodomésticos. Estalei os dedos apressadamente.
Com um estalo alto, Kim Sangyoon abruptamente parou de se debater e contorcer… Incapaz de mover da sua posição ajoelhada, ele começou a chorar, curvando-se para frente até apoiar a cabeça entre as coxas.
— Hmmm… — observei suas costas se contraírem em meio aos soluços com sentimentos contraditórios. Isso é tortura…
— Também tem as “recompensas”. Tente fazer carinho na cabeça de Kim Sangyoon, gentilmente.
Olhei de volta para Seo Dawon, desconfiado.
— Você vai levá-lo nesse estado? — disse Seo Dawon, me incentivando. Sem alternativas, ergui hesitantemente minha mão sobre os vibrantes cabelos vermelhos do guerreiro.
Após passar a mão suavemente por seus cabelos duas vezes, recolhi rapidamente meu braço e o observei. E… eu fiz contato visual com os olhos avermelhados de Kim Sangyoon.
Seu olhar estava estranhamente nebuloso. Sua expressão não parecia de alguém que tinha acabado de passar por uma tortura dolorosa, mas de alguém que estava completamente chapado. Recuei alguns passos, enojado.
— Um “contrato de submissão” literalmente obriga o indivíduo a obedecer… Ele vai ter medo de desobedecer comandos e vai experienciar o prazer da obediência. Depois de utilizar os comandos de “punição” e “recompensa” algumas vezes, ele vai se acostumar com o contrato. — disse Seo Dawon, sua voz demonstrando uma firmeza atípica.
— …
— O que acha? Eficaz, não?
Sem dúvida, era impressionantemente eficaz.
Era terrivelmente eficaz.
— Por que você não tenta mais duas vezes? — Seo Dawon, aparentemente alheio à minha crescente apreensão, incentivou-me a persistir no treinamento de Kim Sangyoon, empregando os comandos de "recompensa" e "punição".
Ha…
Recusei-me a seguir sua sugestão e fechei a porta do quarto com as mãos trêmulas. Estávamos sozinhos, Seo Dawon e eu, no meu quarto. Ele me encarou com um olhar misterioso.
— Como você soube que Kim Sangyoon tinha nos traído? — perguntei.
— …Bem, eu instalei um programa que eu tinha lá atrás no celular do Kim Sangyoon. Assim, eu poderia ficar de olho nele e no que ele tava fazendo pelo celular dele.
Ele tinha mexido no celular enquanto Kim Sangyoon tomava banho…?
Acenei com a cabeça para Seo Dawon em vez de responder.
— Depois, eu mandei uma mensagem para Bae Jaemin e Lim Jisoo de um contato anônimo, dizendo que tinha visto o irmão da Lim Jisoo fora do Hub… Ah! Eu consegui entrar em contato com aquele meu cliente e peguei a ajuda dele. Eu não disse que era o Seo Dawon, mas o número que ele me passou depois que cumpri a missão era de “atender a qualquer pedido”.
É por isso que Bae Jaemin saiu do Hub às pressas nesta manhã. Tentei reprimir meus sentimentos complicados e olhei para ele.
— Mas… Por que você não me disse nada…
— Ah, é claro que normalmente eu te informaria disso… mas é que a sua atuação foi muito ruim.
— …
— Kim Sangyoon precisava ser enganado por você também. Ele precisava acreditar que você confiava nele 100%... É por isso que eu não te contei do meu plano.
Não tinha muito como eu contra argumentar, então eventualmente cheguei à conclusão de que não podia realmente culpar Seo Dawon pela nossa crise atual.
Logo, comecei a me revoltar com a artimanha de Kim Sangyoon. Sangyoon, seu canalha… todas aquelas lágrimas de ontem foram nada mais do que um jogo de cena? Nós até te demos uma habilidade!
Eu realmente acreditei na sinceridade aparente de sua vontade de matar Ahn Joosung… Mas parece que era só uma atuação metódica. Ele deveria ter seguido carreira no teatro, em vez de se tornar um Usuário… droga.
— Fui enganado quando perguntei para ele se ele queria matar Ahn Joosung… Ah, que saco.
— Ele pode ter mudado de ideia depois de voltar para casa — disse Seo Dawon, fazendo um esforço insignificante para me apaziguar com um sorriso reconfortante.
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