A Filha da Minha Madrasta é Minha Ex Japonesa

Tradução: Kurayami & Paiva

Revisão: Ayko


Volume 4

Capítulo 1: Um vislumbre do dia a dia do futuro casal (Uma ligação à noite)

“...Haa~...”

Aconteceu durante as férias de verão, quando eu estava no segundo ano do ensino fundamental. Terminei de jantar, voltei para o meu quarto, deitei na cama e soltei um longo suspiro.

Relembrei o primeiro encontro da minha vida, que aconteceu dias atrás. Eu usei um yukata e fui a um festival com o Irido-kun. É tudo o que consigo expressar em palavras. Parecia completamente surreal.

Afinal de contas, fazia apenas uns dez dias que eu conseguia conversar com ele direito. E então acabamos tendo um encontro no festival. O que aconteceu com a minha vida? O momento chegou? Esta é a minha hora? Minha hora chegou!?

E então, e então—

“...Ehe...”

Saindo da boca pressionada contra o travesseiro, escapou uma risada que até eu achei nojenta.

Eu me perdi e chorei ao telefone, e foi naquele momento que o Irido-kun me encontrou. Minha mente estava tão cheia de pensamentos negativos, achando que ele certamente me odiaria, mas ele me disse: “Estou mais do que feliz com qualquer problema que você me cause”.

Haaa~... Eu gosto dele!

Eu gosto dele, eu gosto dele, eu gosto dele! Eu gosto dele~~~~!!

[Paiva: Fofa. | Ayko: Minha mente gritou“Suki suki suki suki suki” | Kura: Calma que esse é só o começo eheh]

Chutei as pernas no ar sobre a cama. Então os humanos eram criaturas que podiam agir assim em um curto período de tempo? Não faz muito tempo, eu sentia até uma certa hostilidade contra ele, como um rival. Mas, a essa altura, meu coração disparava sempre que eu pensava no Irido-kun, e minha cabeça ficava toda aérea. Eu não conseguia evitar.

Queria encontrá-lo logo... queria conversar com ele. Parecia que só seria amanhã. Ele disse que não poderia ir à biblioteca pois tinha alguns assuntos urgentes. Então, dali a dois dias, eu seria capaz de encontrá-lo...

Deitei de lado na cama e vi o celular que deixei perto do travesseiro.

...Ah, sim. Eu troquei contatos com ele, então se eu quisesse conversar, mesmo a esta hora...

Está... está tudo bem, certo? Não iria incomodá-lo, iria? É o meio da noite... será que ele me acharia irritante? E-e-está tudo bem, certo... eu provavelmente fui mais irritante durante o encontro no festival. Ele me perdoou por aquilo, e é apenas uma ligação no meio da noite...

Hesitei enquanto estendia a mão para o celular. Naquele momento, o aparelho, que eu ainda não tinha tocado, tocou.

“Uou!?”

Era o toque de mensagem padrão, já que eu não tinha mudado minhas configurações. Peguei o celular freneticamente e verifiquei quem chamava.

“I-Irido-kun...!”

Po-por que por que por que por que!? Isso é telepatia? Eu estava prestes a ligar para ele, mas ele que ligou primeiro...! O-o momento chegou, e eu também...! Deus deve estar em um estado onde concederá qualquer desejo que eu peça... estou com medo do preço que terei que pagar no futuro...

De qualquer forma, se eu não atendesse...! Ele ia desligar na minha cara!

“Alô! ...alô, alô~...”

Fui um pouco forçada demais, e minha voz saiu um pouco alta demais. Assim que percebi isso, ajustei o volume às pressas, mas por algum motivo, parecia um programa de despertador matinal.

O mixer de volume da minha garganta acabou de quebrar como sempre... seu lixo...!

“...Alô?”

A voz do Irido-kun não parecia boa. Seria por causa do sinal ruim?

“Está... tudo bem agora?”

“S-sim...! Está tudo bem, completamente bem! Estou super livre agora!”

Senti que estava sendo um pouco agitada. Calma! Entrei no assunto, querendo disfarçar minha ansiedade.

“O-o que foi? Aconteceu algo urgente...?”

“Não exatamente... não é urgente.”

“Ah, entendi...?”

“É... eu só queria conversar com você, Ayai.”

“Hic!”

Meu coração disparou de repente e eu fiz um som estranho.

Co-co-co-co-co-comigo!? Eh, o que ele quis dizer? O que ele quis dizer!?

“E-er... eu também...”

Não recue. siga em frente!

“Eu... também quero conversar com você agora, Irido-kun.”

[Kura: Já começamos aquecendo o coração :)|Paiva: Se essa cena for a que eu tô pensando, mais pra frente a gente vai perceber que ela é ainda mais significativa | Ayko: Excelentíssimo começo de Vol, diga-se de passagem.]

Eu-eu disse!! Eu disse! Eu, disse!

“Entendo... parece que sentimos o mesmo.”

“S-sim!... ehehe...”

Conversamos sobre os livros que lemos, os livros que estavam no acervo da biblioteca. Nosso círculo de amigos era muito pequeno, então não tínhamos muito sobre o que conversar além de romances. Apesar disso, tínhamos tantas coisas para dizer.

“Eu acho que a era de vencer através de truques acabou, afinal.”

“Eu também acho. Os romances de mistério hoje em dia geralmente tendem a uma competição de quão astuta é a lógica. É como se estivessem competindo através da inteligência do raciocínio. É por isso que existem cada vez mais livros com cenários especiais—”

E então, ouvi o sussurro das árvores vindo de longe. Não pude evitar de olhar pela janela, mas eu estava em um apartamento. Eu não conseguia ver árvores de verdade.

“Está ventando aí fora?”

“Hm? Sim — bastante.”

Senti que havia algo errado na resposta do Irido-kun, mas não tive a chance de investigar mais o assunto.

“Yume~? Está acordada~? Estou entrando—!”

“Hyawaahwaahwahh!?”

A porta abriu com um rangido e minha mãe entrou no quarto. Eu me enfiei apressadamente debaixo do cobertor e escondi o celular contra o peito.

“Qu-qu-qu-qu-qu-qu-quê?”

“Vim recolher o lixo do cesto—”

“V-você deveria ter batido...!”

“Ehhh~? Você nunca disse essas coisas até agora. É a fase rebelde entrando em ação?”

Es-essa foi por pouco...! Se a mamãe soubesse que eu estava conversando com um garoto no meio da noite, ela me provocaria para o resto da eternidade!

Então mamãe despejou todo o lixo no saco grande e saiu... ou era o que eu pensava.

“Ahh~ sério. Por que tem lenços de papel aqui...”

Mamãe me dava um sermão enquanto se abaixava para pegar uma bolinha de lenços enrolados debaixo da mesa. Bem no momento em que eu estava conversando com o Irido-kun.

“Eu disse para jogar isso no lixo, não disse? Você está sempre tão preguiçosa na cama e só quer ficar deitada, né? Você não tem esse—”

“Waahh~!! Wooooaaahhh~!!”

O-o que você está dizendo!? O Irido-kun pode estar ouvindo!!

Enfiei o celular sob o cobertor e pulei para fora.

“Eu não estava com preguiça!! Aquela bola de lenço acabou de cair ali por acaso—”

“Ehh~? Yume, você não é sempre estabanada com isso? Da última vez você colocou os lenços no vaso sanitá—”

“Caaaala a booooca~!! Saia se não tiver mais nada para fazer!!”

“Ahhh — é a fase rebelde! Sua fase rebelde chegou, Yume!”

[Kura: Que conversa kkkkk, me lembra minha mãe.|Paiva: Minha coroa já teria começado a brigar comigo kkk | Ayko: Nesse cala boca aí a minha vida teria sido encerrada e eu resetado aos padrões de fábrica kkkkkk.]

Mamãe quase disse algo realmente inacreditável, e eu a expulsei às pressas. Voltei para baixo do cobertor e, temerosa, coloquei o celular — ainda na chamada — no ouvido.

“D-desculpa... minha mãe apareceu aqui...”

“Não, tudo bem.”

“...Você, por acaso ouviu aquilo...?”

Se ele ouviu, está realmente tudo acabado para mim. Eu realmente amava a mamãe até agora, mas a partir de hoje, posso começar a odiá-la. Esta pode ser a declaração da minha fase rebelde, o dia do acerto de contas.

Preparei essa resolução trágica e esperei pela resposta dele.

“Não... nada, nada mesmo.”

“E-entendi...”

Graças a Deus...

— Bem no momento em que me senti aliviada.

“...Embora eu pudesse ouvir seus batimentos cardíacos no início.”

“Eh?”

Relembrei minhas ações. Eu me lembrava, sim —

— Eu me enfiei apressadamente debaixo do cobertor e pressionei o celular contra o meu peito. — Eu pressionei o celular contra o meu peito. — Pressionei contra o peito.

Eu... coloquei o receptor do celular no meu peito...? Meus batimentos cardíacos... realmente chegaram ao Irido-kun...?

“Ah, ahh... uuahhhh, ahhhh—”

“Não, não, não! Eu não odiei! Eu só ouvi, me desculpe!”

“V-você não, odiou...?”

“Bem... quando penso em como você está vivendo, Ayai... existindo... eu me sinto à vontade... uou, isso soa um pouco nojento, né? Desculpa!”

“Uu... uu~...!!”

É-é tão constrangedor...!!

Era tão constrangedor assim ter meus batimentos ouvidos...!? Parece diferente de ser vista nua ou de roupas íntimas; é como se ele tivesse espiado algo ainda mais profundo...!!

“E-eu... não sou estranha...?”

“Nem um pouco... embora, para ser honesto, os batimentos pareçam um pouco rápidos, eu acho.”

“Uoahhh~~”

“É normal nessa situação! Muito!”

Ahhh~ ele me consolou~! Ele é tão gentil~! Eu amo ele~!

“...Você se esforçou bastante, Ayai. Tenha confiança.”

Ehhh!?

Assim que Irido-kun murmurou isso de repente, fiquei atônita e quase enterrei minha cabeça no travesseiro. Na escuridão, eu conseguia ouvir a respiração do Irido-kun pelo telefone. E, nessa situação, as palavras escaparam naturalmente da minha boca.

“P-pode dizer isso de novo?”

“Você se esforçou bastante.”

“Sim.”

“Isso é ótimo.”

“Sim, sim.”

“E — por que parece que tem algum tipo de efeito sonoro estranho vindo daí?”

“Ukuku.”

Eu dei uma risadinha, e o Irido-kun fez o mesmo do outro lado da linha. O Irido-kun não estava aqui... eu não conseguia ver o rosto dele... mas sentia que nossos corações estavam ligados.

“Ayai.”

De repente, meu nome foi chamado.

“Hm? O que foi?”

“...Nada...”

Ele parecia perdido.

“Na verdade, meu celular está ficando sem bateria.”

“Ah, entendi...”

O tempo de sonho estava quase acabando. Senti um pouco de relutância, mas não queria ser pegajosa demais.

“Irido-kun. Eu já me esforcei bastante... pode conversar comigo de novo na próxima vez?”

“Sim, claro. Estarei na biblioteca em dois dias.”

“Sim, estarei esperando por você.”

“É isso então...”

“Sim... então...”

“...Até mais.”

“Até mais.”

Após alguns segundos de silêncio, a chamada terminou. Fiquei olhando fixamente para a tela do celular enquanto estava debaixo do cobertor. A ligação durou 43 minutos e 45 segundos.

12 de agosto, 19:59.

Espiei para fora do cobertor, olhei para o teto e soltei um longo suspiro.

O depois de amanhã não pode chegar mais rápido?

Aquele sentimento estava mais intenso do que há 43 minutos.

...Seria ótimo se ele pudesse carregar o celular e conversar mais comigo.

[Kura: Foi um bom início, é bom ver as perspectivas deles antes de começarem um relacionamento.|Paiva: Pra quem lembra do anime, sabe mais ou menos o motivo do Mizuto ter ligado pra Yume, mas pra quem não assistiu, deixe pra assistir depois que terminar o volume, esse volume promete muito! | Ayko: Gostei muito desse primeiro cap, a diferença do pré para o pós-relacionamento é gritante… ansioso pelos próximos caps! E obrigado a você, leitor que está nos acompanhando por mais um Volume!]

 

Traduzido por Moonlight Valley

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