Volume 3
Capítulo 5: Minami Akatsuki continua a importunar (Yume-chan, vamos ao banheiro!!)
Posso dizer agora que eu era jovem e tola, mas tive uma existência chamada namorado entre o meu segundo e terceiro ano do ensino fundamental.
Essa relação chegou ao fim devido a muitos fatores, mas se eu tivesse que mencionar o mais direto de todos eles, poderia responder imediatamente.
Os amigos.
Sim, eu tinha novos amigos. Esse foi o começo do honkai.
[Paiva: começo do colapso/da deteorização na tradução literal, ayko, me corrija se eu tiver errado, mas é meio que uma forma de dizer que é um tipo de desastre natural/cosmico | Kura: Correto | Ayko: Hai! Está correto, Honkai Impact e Star Rail recebem esses nomes justamente por conta do significado por trás da palavra.]
Ele e eu estávamos em nosso próprio mundo durante os três meses desde o começo das férias de verão do nosso segundo ano. Era um mundo fechado que eu podia desfrutar comigo mesma, onde me encontrava mais feliz do que nunca, e onde nunca se permitia a entrada de mais ninguém. No entanto, eu pessoalmente o quebrei.
Diria que muitas vezes não acreditava que fosse a decisão errada.
Se eu não tivesse amigos, teríamos sido amantes até agora. Poderíamos continuar em nosso pequeno mundo de dois, alimentando essa relação, sem nos importarmos com o resto. Para mim, que tinha visto o mundo além do amor, foi um pouco prejudicial.
Se nossa relação fosse um pouco mais saudável, só um pouco.
Se eu, ou ele, pudéssemos ser um pouco mais tolerantes com outros além de nós mesmos, se tivéssemos vivido em um mundo mais amplo.
——Se não tivéssemos ficado com ciúmes——
…A esta altura, é chorar sobre o leite derramado.
[Paiva: se eles tivessem conversado direito...]
Mas eu já conhecia os dois estados, ser a pessoa que sente ciúmes e ser a pessoa alvo do ciúme. Pelo menos, poderia usar isso como uma lição.
Podia então afirmar o significado deste meu histórico negro e consolar a mim mesma, mesmo que seja inútil a esta altura.
◆
“Higashira-san, você cometeu um erro de cálculo aqui.”
“Eh? …Ah, é verdade.”
“Não pule a revisão só porque acha que é um incômodo. E não durma durante a prova só porque terminou de responder.”
“Ehhh~”
Higashira-san parecia aborrecida enquanto soprava pelo canudo, fazendo muitas bolhas no suco de laranja.
É uma sessão de estudos para os exames finais do primeiro semestre. Os membros presentes eram Higashira-san, eu e—
“...”
Akatsuki-san estava sentada na minha frente, olhando intensamente para Higashira-san e para mim.
Continuava brincando com o canudo em seu copo, mas mal restavam vestígios de gelo ali. Se bem me lembro, ela não virou uma única página de seu livro desde que a sessão de estudos começou. Akatsuki-san conseguiu ficar no top 50 durante os últimos exames, e eu realmente não tinha nada para lhe ensinar. É por isso que me concentrei em ensinar a Higashira-san, mas…
“Akatsuki-san…? Não resta mais bebida no seu copo, sabia…?”
“Hm~? Ah, é verdade~”
“...Tem algo que você queira perguntar…?”
“Não, não, nada mesmo, sabe~? Estou bem, estou bem. Nada mesmo~”
“Vou pedir umas bebidas então, o que vocês querem?” Akatsuki-san nos perguntou nossos pedidos e foi até o balcão de bebidas, e eu vi aquelas pequenas costas se afastarem.
“Hmm…”
“O que foi, Yume-san? Sua barriga está doendo?”
“Não… só sinto que ela está agindo estranho…”
Não parecia diferente do habitual, e continuava sendo a animada Minami Akatsuki de sempre. Mas eu podia sentir algo um pouco rígido e espinhoso nela.
Onde eu senti isso antes…?
Enquanto me sentia desconcertada, Higashira-san ao meu lado pegou o telefone.
“Ufa~, pausa, pausa.”
“Vou confiscar isso.”
“Ahhh?! Isso é a tábua de salvação de uma garota do ensino médio!”
Nada de jogos até terminarmos de estudar.
◆
No dia seguinte.
“Yume-chan, vamos ao banheiro~!”
O primeiro período terminou, Akatsuki-san veio ao meu assento e disse com um sorriso.
Não há necessidade de dizer tão alto, pensei, mas meu meio-irmão mais novo já estava imerso no mundo dos livros. Bem, tanto faz, moramos juntos. Não há necessidade de ser discreta sobre ir ao banheiro.
“Sim, eu também estou com vontade de ir.”
No fundamental eu não conseguia entender por que um grupo de meninas iria ao banheiro junto, mas, neste ponto, eu entendo. O banheiro feminino era o único lugar onde podíamos evitar que os meninos nos olhassem.
[Paiva: AGORA FAZ SENTIDO | Kura: Matou muitas das minhas dúvidas. | Ayko: Nunca parei pra pensar na razão de irem grupos no banheiro, real.]
Desde que fiz amigos no nono ano, entendi que as criaturas chamadas garotas discutiam tantas coisas em um único dia, coisas que não queriam que os meninos ouvissem, ou qualquer coisa que não pudesse ser discutida abertamente. A sala semifechada conhecida como banheiro permitia que falassem tanto quanto quisessem.
[Paiva: a partir daqui, a maior parte das falas da akatsuki são incompletas, é só um fragmento da conversa | Kura: Fofocas kkkk]
“...E durante a aula de educação física…~”
“Sim, sim.”
“...Aconteceu isso…~”
“Ehh~!”
“...Isso é irracional…~”
“Sim, é um pouco~”
Continuei conversando com Akatsuki-san enquanto me arrumava na frente do espelho. Eu estava apenas fazendo comentários curtos, e é impressionante que ela consiga discutir um tema atrás do outro.
O sinal tocou e o segundo período começou. E assim que terminou:
“Yume-chan, vamos ao banheiro~!”
Akatsuki-san correu até mim. J-Já tínhamos ido, certo? Você não falou o suficiente…? Eu queria passar mais tempo estudando na sala… mas não conseguia recusar a Akatsuki-san, então aceitei.
“...E então…~”
“Uh, huh.”
“...Aconteceu isso…”
“Ehh~!”
“...Isso é irracional…~”
“Sim, é um pouco~”
E o terceiro período terminou.
“Yume-chan, vamos ao banheiro~!”
Três vezes já é demais. Eu sabia que ela só queria conversar comigo, mas isso é exagero. A Akatsuki-san era alguém que gostava tanto de se reunir no banheiro…?
“Perdão… quero estudar um pouco…”
Cautelosamente, recusei a Akatsuki-san, pois queria revisar, e me despedi com a mão e um sorriso.
“Ahh~, entendi, desculpa. Está tudo bem, está tudo bem! Dê o seu melhor!” Disse ela, e foi para onde estavam suas outras amigas. Eu a observei por um tempo… mas a Akatsuki-san não convidou mais ninguém para ir ao banheiro.
“Algo está acontecendo com a Akatsuki-san.”
Naquela noite, eu estava no meu quarto falando ao telefone. Do outro lado da linha estava meu meio-irmão mais novo, refugiado além da parede. Decidimos nos comunicar pelos nossos telefones durante a noite para que nossos pais não suspeitassem.
Mizuto nunca se deu ao trabalho de disfarçar seu desdém.
“…Pensei que você soltaria algum boato ridículo, mas era isso… a Minami-san nunca foi sã para começo de conversa, certo?”
“De que maneira ela é louca? Está mais para vocês que são os esquisitos: você, a Higashira-san e o Kawanami-kun.”
[Kura: Bom, uma vez ela invadiu sua casa e…]
“Esta é a diferença de percepções…”
Abracei meu travesseiro, tentando transformar em palavras a dissonância que eu sentia.
“Acho que isso acontece desde o começo da nossa revisão. Ela tem estado estranhamente grudenta desde então…”
“Ela não foi sempre grudenta com você?”
“Não, de jeito nenhum! É completamente diferente!”
“Não entendo.”
Eu praticamente conseguia imaginar o Mizuto franzindo a testa no momento em que disse aquilo.
“Em todo caso, por que está discutindo isso comigo?”
“O Kawanami-kun não é, tipo, o amigo de infância da Akatsuki-san? Eu me perguntava se ele sabe de algo.”
“Então eu sou o mensageiro aqui? …Bem, é verdade que ele provavelmente saiba de algo.”
“Com certeza, não é?”
“Mas… hmm”
“O que foi?”
“Não… para falar a verdade, ele está morrendo só de se preparar para os exames finais.”
“Ah.”
“Não quero ocupar a mente dele com algo desnecessário.”
“Entendo… você tem razão.”
Não era conveniente incomodá-lo, e tratava-se apenas de uma dissonância sem fundamento que eu sentia. Não havia necessidade de discutir isso com eles enquanto estavam revisando para um exame.
“Mas me avise se a Minami-san ficar visivelmente estranha. Tipo, se ela te ligar no meio da noite para te assediar.”
“…Quem assedia quem?”
“Sério, isso é uma diferença de percepções…”
Será que esse sujeito conseguiria respirar normalmente sem ter que me insultar? Queria refutar as palavras dele, mas lembrei de algumas coisas. E então, esbocei um sorriso.
“Agora que você mencionou isso de ligar no meio da noite… a propósito disso~, eu me pergunto quem~ ligava toda noite durante certo período”
Tu, tu.
[Paiva: barulho da chamada desligando que ao mesmo tempo casa muito com uma resposta | Kura: Cortou na hora kkkk | Ayko: essa foi winkkkkkkkkkkkkk.]
Desligou. Vi que a tela indicava “chamada encerrada” e mostrei um sorriso de vitória. Naquela época, é verdade que ele começou a sentir ciúmes porque eu tinha amigos e passava menos tempo com ele, talvez? Em retrospectiva, aquilo era muito fofo.
“Ciúmes…?”
A Akatsuki-san começou a agir estranho logo antes do início da revisão, quando comecei a orientar a Higashira-san em seus estudos.
“Como isso seria possível?”
Soltei uma risadinha desconcertada e coloquei meu telefone para carregar. É muito pretensioso da minha parte pensar que a Akatsuki-san, que tinha tantos amigos, estaria com ciúmes por minha causa.
Ou foi o que pensei. Desde então, as ações da Akatsuki-san passaram dos limites cada vez mais.
“…Akatsuki-san.”
“O que foi, Yume-chan?”
“Está calor…”
“Ah, perdão, perdão.”
Akatsuki-san finalmente soltou meu braço… mas depois que bebeu sua água gelada do balcão, pousou no meu braço mais uma vez.
“Já me esfriei. Isso deve bastar, certo?”
“Não…”
Esse não é o problema. Eu não quis dizer nesse sentido, de jeito nenhum. Eu quis dizer que trouxe todas a este restaurante familiar para estudar, mas eu não conseguia segurar uma caneta. Essa é realmente a distância que amigos deveriam ter? Isso não é diferente do Mizuto e da Higashira-san então… eh? Então está tudo bem? Eu estava muito confusa, já que tinha pouca experiência com amizade.
[Paiva: Kawanami realmente tava certo, akatsuki é MUITO grudenta]
“Hm, entendo. As obras yuri estão ficando mais populares hoje em dia. Você realmente está seguindo a tendência, Sensei.”
Dizendo isso casualmente estava Higashira Isana, sentada diretamente à minha frente naquele dia.
“Mas, pessoalmente, acho melhor que tenham uma distância leve e incômoda na relação de vocês, em vez de serem tão grudentas.”
“Eu não posso fazer isso! A Yume-chan e eu nos damos tão bem que não precisamos medir nossa distância!”
“É… mesmo?”
Bem, é verdade que nos damos bem. Eu fiquei feliz que a Akatsuki-san pudesse dizer aquilo. Mas, apesar disso, eu tinha a sensação de que há uma pequena diferença entre o que eu assumia e o que a Akatsuki-san assumia.
“Mas não importa o quão próximas sejam, não seria irritante ter alguém pendurado em você dessa forma?”
Essas foram palavras duras. Higashira-san apenas disse sem pensar muito, enquanto tomava seu suco. Mas a Akatsuki-san e eu olhamos para a Higashira-san de forma estoica, em uníssono.
[Paiva: a suja falando da mal lavada | Kura: A diferença é que o Mizuto não se importa. | Ayko: Mizuto mandou lembranças Isana.]
Havia três coisas que eu queria dizer.
Primeiro: não diga coisas sensíveis como “irritante” nesta situação.
Segundo: você não tem consciência do quão grudenta você mesma é com o Mizuto?
Terceiro: você poderia não beber tão calmamente nessa situação como se nada estivesse acontecendo?
Mas antes que eu pudesse falar, Akatsuki-san saltou como se estivesse em um trampolim e soltou meu braço.
“Eh… ehh…? Não pode ser, talvez…”
Akatsuki-san olhou ao redor como uma pessoa suspeita e agitou os braços. Eu deveria apoiá-la nisso. Ou assim percebi imediatamente, mas passei tempo demais hesitando sobre o que deveria dizer.
“Y-Yu-Yume-chan… eu estive te pedindo para ir ao banheiro comigo com mais frequência ultimamente…?”
“Eh? Sim… bastante… em todos os intervalos.”
“Eu tenho sido muito grudenta com você ultimamente…?”
“Eh, bem… bastante?”
“Eu estive te mandando mais mensagens no LINE… do que o normal?”
“…Bastante?”
Eu não conhecia a definição de "normal", mas é verdade que parecia muito comparado a antes.
“Ah~… Ah~… Ajajaja.”
Akatsuki-san demonstrou um silêncio um tanto incômodo, guardou seus materiais e livros de texto de forma afobada na bolsa e se levantou.
“Perdão, Yume-chan! Hoje vou para casa cedo…! Sinto muito.”
Ela murmurou o resto de suas palavras, e sua voz era tão ruidosa quanto a de um inseto. Akatsuki-san colocou dinheiro sobre a mesa, pagando também nossas bebidas, e retirou-se às pressas do restaurante familiar.
Higashira-san continuou bebendo seu suco, observou Akatsuki-san sair… e disse lentamente:
“Pisei na bola de novo?”
“Parece que sim.”
“Sinto muito…”
[Kura: Ela e seu jeito lento. | Ayko: As vezes me vem a imagem da Kaede Otori de Komi-san nesses momentos da Higarashi]
Higashira-san afundou em seu assento, e eu lhe pedi um novo copo de suco.
Desde então, Akatsuki-san não estava tão grudenta como antes. Ou melhor, não é como se ela tivesse começado a me ignorar de repente. No dia seguinte, nos cumprimentamos, almoçamos juntas e voltamos para casa juntas como sempre, simplesmente voltamos à distância que tínhamos antes.
E quanto à forma direta como Higashira-san agiu no restaurante familiar…
“Sinto muito pelo que aconteceu ontem! Também fui me desculpar com a Higashira-san!”
Bem, Akatsuki-san resolveu tudo facilmente. E também aceitou o dinheiro pelas bebidas depois de o ter deixado lá no dia anterior. Tudo voltou ao normal, como se nada tivesse acontecido.
Mas por que essa dissonância nebulosa não desaparecia? Eu queria chegar à verdade de todo esse assunto, mas a realidade não me permitiria. A revisão para os exames finais começou oficialmente.
“Ei, número dois.”
“…O que foi, número um.”
Era noite, eu estava em casa; Mizuto passou por mim e eu respondi com uma voz um tanto severa.
“Parece que as coisas estão fáceis para você agora. Não vejo olheiras desta vez.”
“Não me lembro de tê-las tido. De qualquer forma, você teve tempo de ensinar o Kawanami-kun?”
“Levar as coisas com calma é o meu jeito de fazer. Não me misture com certa pessoa que só conhece o trabalho duro.”
“Não se preocupe, eu ajo com base na minha agenda. Não me misture com certa pessoa que decidiu perder pontos de improviso.”
“…”
“…”
Trocamos olhares, subi as escadas e Mizuto foi ao banheiro. …Sério, ele não poderia ser um pouco mais honesto, tipo "não force a barra como da última vez"?
Continuei com minha revisão seguindo uma agenda razoável, tudo para disputar a pontuação contra ele. E assim, durante os exames finais, encarei as questões em perfeitas condições, sem privação de sono como nos exames de meio de período.
“Ah…”
Parei em frente ao quadro de avisos que mostrava os rankings dos exames finais. Comecei a procurar meu nome a partir de baixo, um por um, não, não, não, eu não conseguia encontrar meu nome de jeito nenhum.
No fim, encontrei meu nome no topo.
[1º Irido Yume]
[2º Irido Mizuto]
“Eba~!!”
“Você terminou em primeiro de novo~!!”
Meus amigos ao meu redor me elogiaram pelo desempenho. E eu continuava sem acreditar. Meu ranking estava acima do dele. Ver aquilo me fez sentir tão leve…
…Ahh.
Mesmo depois de tudo o que tinha acontecido, em algum lugar da minha consciência, havia o reconhecimento de que eu não podia derrotá-lo. Olhei para o lado. Involuntariamente, eu o procurava.
E, finalmente, a pessoa que eu estava procurando encontrava-se no perímetro. Kawanami-kun estava ao lado dele, sorrindo enquanto punha a mão em seu ombro para consolá-lo. Ele, no entanto, parecia um pouco frustrado enquanto tirava a mão de Kawanami-kun de cima de si. Virou-se e foi embora sem dizer nada, deixando para trás um Kawanami-kun dando de ombros com um olhar complexo.
E ele parecia estar caminhando dando passos maiores que antes.
…Eu consegui… Eu consegui.... consegui!
“EU... CONSEGUI…!!”
Ganhei! Ganhei, ganhei, ganhei…!! Eu o derrubei!! Apertei meus punhos, reprimindo o deleite que subia do fundo do meu coração. Vê, vê só. Você viu, não viu…?! Eu não vou ser uma retardatária que vai te seguir para sempre!! Eu me levei ao limite da última vez e perdi, mas desta vez, ganhei apesar de ter tido que ensinar a Higashira-san. Soava irônico, mas parece que forçar a barra não era o caminho para a vitória.
O que houve com a Higashira-san? Ela entrou no top 50…? Olhei os rankings de novo, já que só tinha buscado meu próprio nome até agora. Não vi o nome da Higashira-san ali. Supus que ela não conseguiria melhorar suas notas tanto assim… ela deveria começar a mirar no top 50 na próxima vez.
“Huh?”
Mas enquanto olhava os rankings, notei algo estranho. Akatsuki-san, que esteve ranqueada nos exames de meio de período, não aparecia na lista.
“Yume-san~~~~!! Eu passei~~~~!!”
Imediatamente depois que os rankings foram liberados, vi Higashira-san correndo em minha direção com as mãos levantadas, papel na mão, como se estivesse protestando. Higashira-san disse choramingando:
“Uuu… agora não tenho que passar minhas férias de verão assistindo a aulas suplementares. Muito obrigada~~~!!”
Parecia muito feliz, mas as notas dela foram tão boas assim? Eu me perguntava, e dei uma olhada em suas qualificações, só para descobrir que eram ligeiramente mais baixas que a média.
“…Vamos aumentar suas notas para 20 acima da média.”
“Eh? …N-Nãooo~ não posso te incomodar o tempo todo~…”
“Bem, bem, não se preocupe com isso.”
“Eu não quero mais estudar~!!”
Higashira-san chorou de novo, mas passar por um triz era verdadeiramente árduo. Acho que o relatório do primeiro semestre não parecerá bom para os pais dela.
“Ei, Higashira-san. Pode ser rude eu dizer isso…”
“Ehh? Você quer me provocar? Meu rosto parece tão propenso a receber bullying…?”
“Se eu tenho que dizer isso, sim.”
“É sério?!”
“Não, suas notas são bem baixas, mas você está nesta escola. Acho que você trabalhou duro para seus exames de admissão?”
A propósito, apesar de eu não vir de uma escola pública famosa, eu me esforcei porque mirava na bolsa… Higashira-san provavelmente trabalhou mais duro que eu para se preparar para os exames de admissão, é impressionante que tenha passado, dada sua personalidade insegura.
“Ahh~… na verdade…”
Higashira-san baixou o olhar e cruzou os dedos.
“Não precisa dizer se não quiser…”
“Não… na verdade, eu também experimentei nesse período, suponho… uma fase chuunibyou…”
“?”
“Naquela época… pensava que poderia fazer amigos com quem conversar se entrasse em uma escola frequentada por pessoas inteligentes.”
Higashira-san mostrou um olhar comum, “Ejeje,” seguido de uma risada incômoda.
“Naquela época, sempre pensava que minha falta de química… era devido aos arredores. E então, quando entrei na escola, percebi que ‘Ah, eu só tenho um problema de comunicação’… p-perdão. É uma razão estúpida…”
“Não, de jeito nenhum.”
Imediatamente neguei com a cabeça lentamente.
“Não é uma razão estúpida de forma alguma… provavelmente. Entendo seus sentimentos, o desejo de esperar que haja uma pessoa lá fora que te entenda.”
“Sério…?”
“Com certeza… e isso não é um erro.”
“Eh?”
“Você conseguiu entrar nesta escola porque trabalhou duro, não foi? É por isso que conheceu a mim, a Akatsuki-san e a ele, certo?”
A boca de Higashira-san estava escancarada, e ela piscava. Logo levantou os lábios e contorceu o corpo.
“Eje. Uejeje. Ejejejeje…”
“Não fique com vergonha sem dizer nada! Agora eu também estou com vergonha!”
Abanei meu rosto quente com a mão, “Eh?” e Higashira-san mostrou um olhar perturbado. Ela é quem está envergonhada. Você se recuperou rápido demais, ok?!”
“De qualquer forma, não parece que a Minami-san está por perto, não é?”
“Não é como se fôssemos parte de um conjunto.”
“Sério? Pensei que vocês duas apareciam como um conjunto com a mesma frequência que o Mizuto-kun e eu.”
“Esse é um caso bem sério então…”
Quando foi que demos essa impressão, para começo de conversa? Bem, quanto a mim, se alguém me perguntasse quem é minha melhor amiga, eu diria que é a Akatsuki-san.
“De fato, enviei uma mensagem de LINE para ela, mas ela não respondeu. Continua sem ser vista…”
“Espera… será que ela ainda está brava pelo fato de eu ter estragado as coisas…?”
“Não acho que isso esteja acontecendo realmente. Ela te contatou, não foi?”
“Bem, sim… está tudo bem, certo? Certo?”
Você está se preocupando demais, eu queria dizer, mas eu também era uma pessoa introvertida, por isso podia entender a preocupação dela. Sempre era consciente dos erros que cometia em minhas conversas e pensava demais sobre isso. Eu também desejava ver a Akatsuki-san só para saber como ela estava, mesmo que fosse para checar a situação.
“O que foi, o quê~? Estão falando mal de mim?”
“Whoa!”
Higashira-san de repente deu um grito e um pequeno salto. Aparecendo logo atrás dela estava Akatsuki-san.
“Akatsuki-san, onde você esteve? Não respondeu à mensagem de LINE que te enviei.”
“Sério? Perdão~, eu estava com dor de estômago.”
Higashira-san imediatamente soltou um longo suspiro.
“O quê, é isso… eu pensei que…”
“Pensou?”
“Nada, nada. Que bom que não é nada demais!”
“Agora fiquei curiosa~”
Akatsuki-san disse com um tom de travessura e agarrou-se a Higashira-san. Ela esticou as mãos em direção aos nobres seios de Higashira-san de forma pervertida e começou a massageá-los. Voltou ao seu comportamento habitual.
Akatsuki-san provavelmente se divertiu o suficiente, pois se afastou de Higashira-san e juntou as palmas das mãos.
“Ah, sim! Fiquei sabendo, Yume-chan! Você é a melhor do nosso ano de novo?! Parabéns~!!”
“Obrigada. Akatsuki-san...”
Fiz o meu melhor para soar despreocupada ao perguntar:
“...Como você foi nos exames?” “
“Eu? Bem…”
Akatsuki-san mostrou um sorriso comum.
“Eu me descuidei um pouco desta vez. Mas não reprovei.”
“Oh? Tenho companhia agora?”
Os olhos de Higashira-san brilharam e ela se aproximou imediatamente.
“Provavelmente você se sentirá um pouco melhor, Higashira-san~. Embora eu devesse ter deixado a Yume-chan me ensinar.”
Akatsuki-san me lançou um olhar de soslaio.
“Ah, mas você não precisa fazer isso se for um incômodo.”
Aquele foi o momento em que Akatsuki-san mostrou uma brecha. Vi uma pequena oportunidade em seu discurso de "fortaleza" de sempre. A Akatsuki-san habitual nunca mostraria tal lacuna… Geralmente, ela arrancaria de mim um acordo sem que eu percebesse e faria uma promessa.
Mas, desta vez, ela acrescentou uma ressalva, como se estivesse apavorada com algo? O quê? Que eu a rejeitaria? Não, de jeito nenhum. Ela involuntariamente deixou escapar suas emoções e traiu o medo em suas palavras.
Sim...“incômodo”…Ahh, faz tempo que não tinha esse pensamento... Graças a Deus tive um namorado no ensino fundamental.
Eu definitivamente não teria notado essa oportunidade se não fosse por aquela experiência específica.
“…Não, de jeito nenhum.”
Neguei categoricamente com a cabeça.
“Não tem nada de incômodo nisso. Vamos mirar no top 10 nos exames do segundo semestre, Akatsuki-san.”
“Sério? Obrigada~! Mas o top 10 pode ser difícil demais~”
Akatsuki-san finalmente mostrou seu sorriso de sempre. Ela não me contaria, não importa o quanto eu perguntasse. Nesse caso, eu deveria discernir o que ela realmente está pensando. Tudo bem... a "eu" atual consegue fazer isso.
Depois de conversarmos um pouco, Higashira-san disse:
“Então, vou lá tirar sarro do Mizuto-kun por ter perdido desta vez!”
“Não faça isso. Ele vai ficar bravo de verdade.”
“Isso é bom, então! Já vou indo~!”
Higashira-san desapareceu imediatamente em direção à biblioteca. Ela não tinha mudado nada. Não tinha muita ambição, mas era teimosa. Momentos atrás estava tão inquieta e nervosa e, no momento seguinte, podia dizer algo que não se encaixava no ambiente, talvez ela não fosse de ser honesta com seus desejos, mas sim de fazer as coisas no seu próprio ritmo.
Higashira-san nos deixou, e Akatsuki-san me olhou, parecendo ansiosa.
“…Só ficamos nós duas, hein?”
“Sim. Nos vemos amanhã.”
“Você é lenta demais!”
Akatsuki-san socou meu ombro, sorrindo, e eu também ri. Um semestre, três meses. Usamos essa oportunidade para criar um ritmo de conversa para nós mesmas. Mesmo que não fizéssemos mais nada, este momento confortável simplesmente desapareceria. Akatsuki-san não é tão inútil quanto ele ou eu. Mesmo quando eu agia sem pensar, ou quando fracassava, ela limpava minha bagunça, ocultava meus erros e, no dia seguinte, agia como se tudo tivesse voltado ao normal.
Mas, por causa disso, senti que deveria ser eu a reunir coragem neste dia.
“Vamos para casa então. Maki-chan e Nasuka-chan têm atividades de clube”
“Akatsuki-san!”
“Hmm?! O quê, o quê?!”
Akatsuki-san parou, parecendo completamente impactada enquanto olhava para o meu rosto. Tomei fôlego e disse esta frase pela primeira vez na minha vida:
“…Deveríamos ir… ao karaokê juntas…?”
“Ooh~, é minha primeira vez em uma sala para duas pessoas.”
“S-Sim. Eu também…”
“Por que você parece um pouco nervosa?”
Akatsuki-san estava na entrada da sala de karaokê, me provocando. Parecia que estava esperando que eu me sentasse. Sentei-me na extremidade direita do sofá, e o pequeno corpo de Akatsuki-san sentou-se a um lugar de distância de mim. É claramente uma distância maior do que quando ela se agarrava ao meu braço no restaurante familiar.
Nesse caso, eu tinha que me perguntar qual confusão Akatsuki-san tinha em mente depois que Higashira-san apontou aquilo. E o que a distraía a ponto de suas notas caírem. Tudo era tão óbvio.
Respirei fundo. Eu não era boa com as palavras. Nunca fui capaz de transmitir nem 10% do que queria dizer aos outros. Sim, era por isso que eu transmitia meus sentimentos que mais desejava expressar em forma de carta.
Eu queria transmitir meus sentimentos, meus verdadeiros pensamentos, para a Akatsuki-san. Eu tinha que agir.
“Akatsuki-san… eu.” Reuni coragem e confessei: “A verdade é que… eu nunca… cantei na frente de ninguém antes.”
“Sério? …Ah~, entendi. Ou você canta na frente de todo mundo ou em um dueto comigo… bem, esta parece ser a situação.”
“Sim…”
Toquei no dispositivo e escolhi as músicas que queria. Akatsuki-san pegou o microfone e exclamou “Ohhh!”.
No ensino fundamental, pratiquei para uma competição de canto em grupo porque não queria me destacar. Não porque quisesse melhorar meu canto. Significava apenas evitar o fracasso e não passar vergonha. Afinal, eu chamaria atenção demais se fosse horrível.
Eu não queria me destacar na multidão. Odiava a ideia de não me encaixar com todos. Me sentia muito ansiosa se não me misturasse ao grupo. Sendo tão inferior, inútil, desajeitada… desejava que ninguém pudesse ouvir meu canto, se possível.
Mas.
Ahhh, eu experimentei isso tantas, tantas, tantas vezes. Quando as coisas não iam bem, ou quando eu estava ansiosa, ou sozinha, eu queria liberar todos os meus sentimentos, minha existência, para alguém, ou para qualquer coisa. Sim, até eu… tinha momentos em que queria gritar.
Fosse uma garota simplória comum ou uma estudante de honra… eu também tinha momentos em que queria deixar de lado todos os personagens que eu podia representar, e gritar em todas as direções.
Em tais situações, quem eu desejaria ter ao meu lado? Irido Mizuto? Higashira Isana? Não… nenhum deles parecia apropriado. Oh, sim. Em tais momentos, a pessoa a quem eu queria dirigir meus gritos era...
“!!!!”
Soltei o grito mais forte que pude reunir das profundezas do meu abdômen, e o liberei no microfone que tinha em minha mão. Minhas emoções preencheram toda a sala. Eram os meus arrependimentos, meu arrependimento por ter feito com que ele se desculpasse comigo sem uma boa razão, enquanto eu ignorava meu próprio ciúme naquela época. Essa era a minha resolução, a determinação para nunca repetir o erro depois que tirei os óculos e soltei o cabelo. Não ia transmitir tudo em palavras. As letras que eu gritava não tinham nada a ver com meus sentimentos. Mas ainda assim, ainda assim… esta canção era sobre eu expondo meu coração por completo.
[Paiva: hmm]
“…Haa… haa…!!”
E uma vez que a canção terminou, eu arquejava, e meus ombros sacudiam. Minha garganta doía um pouco. Geralmente eu não falava alto, e desta vez eu me excedi. Mas… minha cabeça parecia completamente renovada, como se tivesse se esvaziado…
“Yume-chan…”
Olhei para uma Akatsuki-san desconcertada, e mostrei um sorriso fraco.
“Akatsuki-san——cof, cof! E-Espera um segundo…”
“V-Você está bem?! Água, aqui tem água!”
Recebi água da Akatsuki-san e bebi. Soltei um longo suspiro, desabei ao lado da Akatsuki-san como um fantoche com os fios cortados, e me senti muito mais aliviada.
“Obrigada…”
“S-Sim. Está tudo bem. O que houve? Hoje, você está…”
“Cantei muito mal, né.”
“Eh?”
A já congelada Akatsuki-san abriu bem a boca e riu.
“Você não precisa ser tão reservada como sempre, sabia?”
“Eh… bem…”
O rosto da Akatsuki-san parecia ambíguo devido à confusão, mas eu ignorei e olhei para o microfone em minha mão. Com certeza. Não havia como eu ter cantado bem. Eu nunca cantei de verdade. Se eu ficasse em silêncio e não dissesse nada, Akatsuki-san certamente tentaria ignorar esse assunto. Ela deveria ser capaz de captar o clima, mesmo com todos ao redor. Mas…
“Akatsuki-san, não acho que os amigos devam esconder segredos entre si. É de se esperar que todos tenham uma ou duas coisas de que não queiram falar, não importa com quem seja, ou a relação… Eu, por outro lado, ficarei preocupada se realmente não conversarmos.”
“…Sim, isso é verdade.”
“Mas.”
Olhei para o rosto da Akatsuki-san.
“Nunca te vi cantar sozinha, Akatsuki-san.”
Akatsuki-san sempre cantava com outros no karaokê. Como a animadora, ela sempre era a primeira a se levantar e descontrair a atmosfera… mas isso não me confundia, já que eu fazia o mesmo que ela. Akatsuki-san não respondeu, então continuei.
“Não vou te perguntar o porquê, já que eu não diria se estivesse no seu lugar. Mas...”
Queria mostrar a ela o que ela significava para mim, a existência que ela era para mim.
“...Mas, de qualquer forma, eu te mostrei meu canto, o qual nunca mostrei a ele, nem à Higashira-san.”
Entreguei o microfone para a Akatsuki-san. Minhas intenções eram muito claras. Se eu queria que os outros abrissem seus corações para mim, primeiro eu tinha que abrir o meu coração para os outros. Essa foi a maior lição que aprendi na minha experiência de maior sucesso na vida, e também no meu maior fracasso.
Akatsuki-san olhou para o microfone na minha mão estendida por alguns segundos. Mas, de repente, parecia aflita e sem palavras, e mostrou um sorriso diferente do habitual.
“Isso é injusto da sua parte. Não é diferente de uma ameaça.”
“Sinto muito.”
“Bem, tudo bem. Se é pelo seu bem, Yume-chan.”
Akatsuki-san disse rapidamente sem hesitar, e pegou o microfone. Ela se levantou, levou o microfone à boca e virou-se para as outras.
“Você disse que não ia perguntar, mas vou te dizer por que não canto na frente dos outros.”
Akatsuki-san mostrou um sorriso valente, acompanhado daquela sua voz vibrante.
“As pessoas acham que sou pretensiosa... tome nota disso, ok, Yume-chan?”
E o canto que ela mostrou foi tão maravilhoso que tirava o fôlego, como um céu azul límpido.
◆
“Pffhaa! Pfajajajajaja!! Isso é terrível, Yume-chan~! Você roubou a cueca de alguém?! Você é bem pervertida, não é?! Ahaha!”
“N-Não roubei! Eu só a peguei! De qualquer forma, nunca tinha visto a roupa íntima de um garoto antes… você também não, certo, Akatsuki-san?!”
“Ehh~? Não, não, eu tenho aquele sujeito por perto. Sei quando os pelos pubianos dele cresceram, conheço a roupa íntima dele e essas coisas. Ocasionalmente passamos na casa um do outro para lavar a roupa.”
[Paiva: eles realmente não são só amigos de infância | Kura: É… Vão além, mas a Yume falar desse segredo da cueca? Kkkk | Ayko: Ainda assim kkkkk Akatsuki-san tá sabendo dele mais que ele.]
“Eh? Você se refere ao Kawanami-kun? …Eh, essa é a relação que vocês têm?”
“Não, não, não! Costumávamos tomar banho juntos, sabia? Mas bem, isso foi basicamente até o ensino fundamental.”
“Ensino fundamental?! Não se supõe que você para de fazer isso no primário?! V-Você está bem com isso?!”
“Ahh~, bem~, estava tudo bem, exceto por… bem?”
“Q-Que vago…!”
Akatsuki-san mostrou um sorriso astuto. E-Então é assim que são os amigos de infância… Entendo… é assim que as coisas são…
Assim que nos cansamos de cantar, estendemos nosso tempo na sala para conversar. A primeira coisa com que começamos foi resmungar sobre garotos, mas talvez por ser uma sala fechada apenas com garotas, nossa conversa começou a tomar uma direção mais picante… e antes que eu percebesse, terminei falando sobre a roupa íntima que eu usaria no meu túmulo. E-Eu esperava manter isso em segredo…
“Yume-chan, seu quarto é ao lado do do Irido-kun, certo? Você ouviu alguns ruídos terríveis?”
“…Ruídos terríveis?”
“Bem, para dizer de forma delicada… gemidos de AV?”
[Paiva: sim gurizada, isso mesmo, preciso explicar a sigla? | Kura: Não sei o que é, mas me abstenho de perguntar… | Ayko: Conteúdos jovem Kura, conteúdos… eu pesquisei por você]
“Isso não é nem um pouco delicado!”
“Hahaha! Mas bem~, no ensino fundamental, eu me esgueirava na casa dele, e...”
O tempo passava rápido enquanto eu ouvia as histórias fascinantes da Akatsuki-san.
E quando finalmente saimos da sala, o sol já havia se posto, apesar de os dias de verão serem mais longos.
“Uau~, já é de noite. Sua família vai ficar de acordo com isso, Yume-chan?”
“Ehh, provavelmente… Avisei minha mãe, mas vou jantar, então tenho que voltar.”
“Entendo…”
Akatsuki-san disse com um suspiro e olhou para as ruas iluminadas da noite. O que exatamente ela via em seus olhos? As lembranças de hoje? Ou...
Meus pensamentos foram interrompidos por um toque. Eu sabia, sem precisar conferir, que se tratava do Mizuto. Ocasionalmente eu ignorava as ligações dele, mas desta vez tinha que atender, já que não tinha voltado para casa sendo tão tarde, atendi a chamada e levei o telefone ao ouvido.
“Alô?”
“…Onde você está agora?”
A voz familiar soava um pouco rígida.
“Fui ao karaokê com a Akatsuki-san. Estamos voltando agora.”
“Hmmm…”
Ele quem perguntou; o que houve com essa atitude insensível dele? Não me senti frustrada, provavelmente porque tinha extravasado tudo antes, e meramente respondi com uma risadinha.
“Está preocupado comigo?”
“…Na verdade não.”
“Ou… você acha que estou saindo com alguém?”
“…”
[Paiva: o home tá com ciúme | Kura: Tocou na ferida | Ayko: Pegou onde dói]
Oh, uma reação? Ou foi o que pensei.
“Eu me preocuparia pela outra pessoa.”
“Eh?”
“Que você pudesse causar problemas para a outra pessoa.”
…Lá vem ele de novo com esse humor sarcástico. Geralmente, isso teria terminado comigo completamente furiosa. Mas... olhei para a Akatsuki-san ao meu lado.
“…Você não precisa se preocupar.”
“Hm?”
“Ela não se importa se eu causar problemas para ela, afinal de contas.”
Akatsuki-san piscou quando ouviu isso, nyaa~, e sorriu. Então ela se agarrou ao meu cotovelo e gritou no telefone:
“É assim que as coisas são! Perdão, Irido-kun!”
E então desliguei naquele momento, como se fosse premeditado. Olhei para o rosto da Akatsuki-san. Nos encaramos por alguns segundos e caímos na gargalhada.
“Hah!”
“Hahah!”
“Hahahahahhah!!”
“Hahahahahhahahahahahah!!”
Parecia estranhamente incômodo, mas caminhamos de volta para casa, rindo muito alto. Caminhávamos pela rua à noite. Estávamos vestindo uniformes escolares e poderíamos ter que aguentar uma advertência pedagógica. Não é algo legal, mas a Akatsuki-san certamente inventaria algo para me salvar de novo.
“De qualquer forma, o que vamos fazer nas férias de verão?”
“Sim~. Vamos eliminar qualquer possibilidade de você ser cortejada!”
[Paiva: achei meio sem nexo na real]
Traduzido por Moonlight Valley
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