A Filha da Minha Madrasta é Minha Ex Japonesa

Tradução: Kurayami e Paiva

Revisão: Ayko


Volume 3

Capítulo 3: Vestindo Isana Higashira (Por favor, não façam parecer que sou um pervertido!)

Posso dizer agora que eu era jovem e tola, mas tive uma existência chamada namorado entre o meu segundo e terceiro anos do ensino fundamental.

[Kura: Seria o oitavo e nono ano do ensino médio brasileiro.] | [Ayko: A contagem no sistema educacional japonês é um pouco confusa...]

Qualquer ser inteligente provavelmente entenderia o que direi a seguir. Eu admitiria que era uma pessoa de aparência incomparavelmente comum, presa nessa situação e que precisava resolver essa crise. A lógica é tão clara e óbvia quanto acender uma fogueira na escuridão total.

Sim.

Moda.

Nossos encontros antes de começarmos a namorar foram todos durante as férias de verão, quando não havia aulas, mas sempre nos encontrávamos na escola, e eu sempre usava o uniforme. Nosso primeiro encontro foi em um festival de verão, e consegui dar um jeito usando um yukata. Eu, sempre estrategista, consegui adiar o problema em questão, repetidas vezes.

Mas depois que começamos a namorar, isso não funcionou mais.

De qualquer forma, tanto ele quanto eu éramos do tipo que ficava em casa, e nossos encontros eram principalmente na livraria ou na biblioteca, mas depois que nos tornamos um casal, passamos a nos encontrar nos fins de semana.

Fins de semana.

Em outras palavras, roupas casuais.

Eu, que não conhecia o significado do termo “senso de moda”, certamente seria obrigado a revelar esse fato.

Eu não tinha amigos e só podia contar com revistas e a internet.

Murmurando para mim mesma que isso não estava bom, que aquilo também não servia, consegui dinheiro com minha mãe, reuni coragem e invadi lojas de roupas que nunca pensei em entrar, lidando nervosamente com os atendentes que se aproximavam.

E pela primeira vez na minha vida, vesti roupas “vencedoras”.

Fiquei um pouco surpresa quando experimentei aquelas roupas e percebi que meu tamanho tinha aumentado.

Senti que não conseguia aceitar o fato de estar me arrumando, como se estivesse vendo uma boneca sendo vestida. Talvez por isso pensei assim naquele momento, sozinha, já que minha autoestima era tão baixa.

Tudo bem. Eu estou fofa.

Foi o que pensei ao me olhar no espelho — a primeira vez que pensei assim. Bem, era de se esperar, certo? Só uma narcisista olharia no espelho e diria ‘sou fofa’. Deve haver um limite para o quão trágica uma mulher pode ser, chamando a si mesma de fofa assim. Eu definitivamente não teria esse tipo de pensamento... ou era o que eu achava, até aquele momento.

Para todos os homens do mundo, por favor, lembrem-se de uma coisa.

Nós não somos narcisistas de forma alguma.

A fofura das nossas roupas não se equivale à nossa própria fofura…

Eu diria que aquele foi o momento em que despertei como mulher — o momento em que pensei que estava bonita depois de me arrumar, quando consegui descartar a opinião que tinha sobre mim mesma e experimentar esse senso de moda moderno. Pela primeira vez na vida, consegui crescer, porque namorei com ele.

Mas se eu tivesse que dizer qual era o problema restante.

Acho que provavelmente era que meu senso de moda não era ‘popular com os garotos’, mas sim ‘perfeito para o gosto dele’.

Só percebi isso depois de entrar no ensino médio, mas deixando isso de lado, voltando ao ponto.

No dia do encontro.

Eu, que era o auge da simplicidade e normalmente usava saias de uniforme até o joelho, estava usando uma minissaia. E quando Mizuto Irido viu isso, a reação dele foi:

“Bom dia. Vamos então.”

Hã?

Nenhum comentário? Ele não achou nada do visual incomum da namorada? Eu praticamente coloquei todo meu esforço para me vestir bem.

Hum, espera... eu sou a namorada dele, certo?

Tentei agir com naturalidade e caminhar ao lado dele, olhando de lado de vez em quando.

Ele não dava nenhum sinal de comentar sobre minhas roupas, e eu ficava cada vez mais inquieta.

...Será que ficou simples demais?

Eu achei que estava fofa, mas era só a minha opinião, e talvez não fosse suficiente... Já que Irido-kun é gentil, talvez esteja evitando tocar no assunto para não me ofender...?

Quanto mais eu pensava, mais parecia possível.

Afinal, se não fosse gentil, uma pessoa gentil e delicada não cometeria o erro clássico de não elogiar a roupa de uma garota — não, pensando bem, ele é exatamente o tipo de pessoa que cometeria um erro tão clássico.

Eu sempre pensei em mim mesma como a fonte de todos os infortúnios do mundo, como se fosse um demônio, e pensei desanimada: ‘então é isso que significa ser uma pessoa simples’.

Passei pela livraria com meu namorado, conversei com ele no café, e seguimos o encontro normalmente.

E justamente quando estávamos prestes a seguir caminhos separados.

“...Sobre suas roupas de hoje.”

Ele disse de repente:

“Acho que são bem fofas.”

“...hã?”

Por um momento, meu cérebro lento não conseguiu compreender.

Por que agora? Justo quando estamos nos despedindo?

Inúmeras perguntas surgiram na minha mente, mas quando o vi desviar o olhar de forma constrangida e cobrir os olhos, tive um lampejo de entendimento.

...Ah, entendi.

Ele queria me elogiar, mas ficou com vergonha e acabou deixando para o final do encontro.

“Aaaaaah......aaaaaahhhhhhhhhh~!!”

Minhas costas estão coçando~!! Pensando agora, isso é tão vergonhoso~!!

Naquela época, eu não sabia que ficaria tão envergonhada disso no futuro, e tremi por compartilhar o sentimento dele.

Fiquei tão feliz por conseguir entender o que ele sentia com esse pequeno gesto.

Mas então ele continuou.

“...Mas, é... eu ficaria feliz se você evitasse... essa minissaia.”

“Hã...? V-você não gostou...?”

“N-não é isso, é que…”

Ele tentou parecer tranquilo, embora sua voz estivesse tensa.

“...Eu não me importaria, se não estivéssemos em público.”

...? 

Mais uma vez, fiquei confusa.

Mas dessa vez, não consegui entender imediatamente o que ele quis dizer.

Então apenas respondi, acenei para ele, e seguimos nossos caminhos.

Continuei pensando nisso no caminho de casa.

Se não estivéssemos em público? Ou seja, se estivéssemos em um lugar fechado? Por que não em público?

Por que haveria muitas pessoas olhando?

...Por que havia muitas pessoas lá fora?

“~!!”

No momento em que percebi, meu rosto ficou quente, e segurei a barra da minha minissaia.

Então... era isso.

Ele não queria que outras pessoas vissem minhas pernas.

Esse tipo de possessividade é repugnante.

Provavelmente eu pensaria assim hoje em dia, mas naquela época eu não era popular, então, de certa forma, desejava ser “protegida” por alguém.

E além disso, estamos falando dele.

Ele, que nunca demonstrava entusiasmo por nada, mostrou esse lado comigo.

O sorriso no meu rosto não desapareceu até eu chegar em casa.

E desde então — nunca mais usei uma minissaia.

[Kura: Isso é porque você disse que é repugnante…| Paiva: Ela ainda não entendeu que ainda gosta dele | Ayko: Né?... Isso por que é repugnante]

Akatsuki-san e eu estávamos encostadas perto das plantas na esquina de um cruzamento, observando a multidão que passava diante de nós.

Era fim de semana, e a maioria estava com roupas casuais em vez de ternos ou uniformes escolares. Fiquei um pouco impressionada que a maioria das pessoas tinha senso de moda suficiente para não parecer estranha.

“O que você acha?”

Akatsuki-san perguntou de repente, e eu respondi: “Acho que não preciso responder.”

“Mas e sua opinião?”

“Hmm~... lolita?”

“Nem pensar~ isso é impossível~ ouvi dizer que essas roupas são super caras.”

“O que você acha então, Akatsuki-san?”

“Uniforme escolar.”

“Ahhh, entendo... é bem conveniente.”

“É mesmo~ acho que eu iria pensar ‘que saco’ se não tivesse uniforme.”

“Vamos ter que pensar no que vestir na faculdade, sabia?”

“Que saco.”

“Ahaha.” Akatsuki-san riu.

“Mas temos que nos preparar.”

“Sim... vai que ela aparece vestida de lolita.”

“Para ser sincera, eu realmente não sei como me preparar para isso.”

“Sim...”

E enquanto conversávamos, encontramos a pessoa que estávamos esperando no meio da multidão.

Ela ficou agitada ao nos ver e veio correndo.

“D-desculpa...! Eu me atrasei...?”

Nós olhamos em silêncio para a garota que estava ofegante mesmo tendo corrido pouca distância. Mais precisamente, estávamos analisando a roupa de Isana Higashira.

Ela está usando uma camiseta com letras estranhas e um casaco amassado. Bem, por causa dos Alpes enormes em seu peito, as letras do alfabeto foram esticadas e viraram Unowns.

[Kura: Que piada estranha kkkk, significa que as montanhas transformaram as letras no Pokémon Unowns, que são aqueles com formato de letras distorcidas. | Paiva: a novel faz referências a muitas outras obras, se não me engano no primeiro cap o mizuto cita o subaru | Ayko: Eu tive que pesquisar para entender o que eram Unowns… essa só quem sabe vai pegar a ref]

Na parte de baixo, usava jeans que provavelmente já foram azuis, mas de tanto lavar estavam mais para azul claro.

E assim que vimos isso, silenciosamente decidimos em nossos corações.

““...Ufa~””

“E-eh? O que foi? Por que estão aliviadas?”

“Ainda bem que você está normal~”

“Ficamos imaginando o que faríamos se você realmente aparecesse vestida de lolita. Ainda há esperança.”

“Eh!? E-eu estou sendo zoada!? Isso é bullying, não é!?”

Higashira-san ficou quase chorando.

Está tudo bem se for só para ir até uma loja de conveniência próxima, mas esse visual é um pouco estranho para alguém saindo com amigas. Se não fosse conosco, ela provavelmente viraria motivo de piada, com comentários como “espera... que roupa é essa fufufu~!? ” ou “tão sem graça~! ahahahah”, e acabaria tentando rir para disfarçar.

[Kura: Ayko e Paiva, essas duas risadas acima, com “fufu” e “ahah”, vocês podem trocar se acharem uma que se encaixa mais. Em inglês estava (LOL), que é risada.] [Paiva: acho que ta de boa, combinam bem com esses momentos, bem risada de vilã]
[Ayko: Nah, podemos manter assim mesmo, dá mais leveza pra leitura, e até deixa mais cômico]

“Então, Higashira-san, aqui está o plano para hoje!”

Akatsuki-san levantou a mão e apontou o dedo indicador para Higashira-san.

“Chama-se! ‘Evento de Transformação da Isana Higashira’!!”

“Ehhhh...!?”

Higashira-san, que só tinha ouvido que iríamos apenas sair juntas nesse dia de folga, nos olhou sem entender nada.

“Bem, nunca tivemos a chance de ver suas roupas casuais enquanto você tentava conquistar o Irido-kun. Depois das provas finais, entram as férias de verão, então vamos fazer algo antes que você passe vergonha na frente dele, Higashira-san.”

“Erm, por que você acha que eu vou passar vergonha? Vocês nem viram minhas roupas, certo...?”

“Acho que você não trouxe muito dinheiro, mas tudo bem.”

Ignorei o assunto e continuei.

“Eu e a Akatsuki-san vamos dividir o orçamento de hoje.”

“Eh...! E-eu não posso deixar vocês fazerem isso...!”

“Tá tudo bem, tá tudo bem! Só pensa nisso como um presente nosso!”

“Sim, sim... mas em troca, prometa uma coisa.”

“P-promessa... tipo...?”

Akatsuki-san e eu sorrimos de forma maliciosa, e falamos em uníssono:

““Prometa que vai usar o que a gente escolher. Sem reclamações.”“

“Hiii...”

Isso mesmo.

Esse é o motivo de estarmos reunidas hoje — o ‘Evento de Transformação da Isana Higashira’, também conhecido como ‘Convite para Brincar de Boneca com a Isana Higashira’.

[Kura: O pessoal foi mal aqui kkkk. | Paiva: 100% ideia da Akatsuki e a Yume foi na pilha]

“Não se preocupe, não se preocupe. A gente não vai exagerar~ né, Yume-chan?”

“Sim, claro. Nada indecente.”

Entramos no shopping, enfatizando que manteríamos tudo dentro do aceitável, mas Higashira-san continuava tremendo como um gatinho diante de um cachorro.

“V-vocês não vão mentir pra mim, né...? Não vão me fazer mostrar o umbigo ou algo assim, né...?”

[Paiva: a mina ama se gabar dos peitos mas tem vergonha do umbigo?????? | [Ayko: Parando para pensar, já vi muito isso de vergonha do umbigo em outras obras, é tão vergonhoso assim?kkkk]

“Não, não! Mesmo que esteja calor no verão, quem usa algo assim é vulgar~!”

Entramos na loja de roupas sorrindo.

Era junho, a temperatura já tinha subido, e a loja estava cheia de roupas de verão.

Entre tantas peças leves e chamativas, “Oh!” Akatsuki-san encontrou um top em uma arara e o pegou.

“Achei uma regata.”

“Para! Essa é justamente a peça que eu não posso usar! Vai ficar muito exposto!”

“Cala a boca~!! Só veste ~!!”

[Kura: Oloco. | Paiva: braba ela | Ayko: Uau.]

Parecia que Akatsuki-san tinha virado um pai autoritário, empurrando um short curto e a regata para Higashira-san.

“E-eu tenho mesmo que usar isso...? Parece roupa de fanservice de filme de terror! Vocês estão falando sério!? Não estão malucas!?”

[Ayko: A roupa de fanservice de filme de terror é bem comum aqui, nunca mais digo regata e shorts]

“Sem reclamações!”

“Vista o que a gente mandar!”

“Hiiiiiii~...!”

Empurramos Higashira-san para dentro do provador.

Então cruzamos os braços, e ela provavelmente desistiu de resistir, pois podíamos ouvir o som das roupas sendo trocadas atrás da cortina.

“...Nn...! E-espera, i-isso tá meio pequeno... uuu~...!”

“Quer ajuda~?”

“N-não precisa, eu recuso...! Isso soa tão suspeito...!”

“Tch. Eu queria ver com meus próprios olhos esse tamanho exagerado...”

[Kura: Suspeito… | Paiva: a tarada da akatsuki ataca novamente, tenho um pouco de pena do ex dela]

“Você é honesta demais consigo mesma...”

Eu também queria ver, no entanto.

Cerca de um minuto depois, ouvi uma voz tímida vindo de trás da cortina.

“...E-erm... terminei... n-não tem mais ninguém por perto, né...?”

“Não~. Só nós duas ~.”

“S-sério...? Vou confiar em vocês então...? Vou confiar mesmo...!”

Mais uns dez segundos se passaram, e a cortina foi aberta.

Akatsuki-san e eu engolimos em seco ao ver Higashira-san.

A regata parecia estar no limite, mas ainda conseguia cobrir o corpo bem cheio de Higashira-san, de alguma forma.

No entanto, como se obedecesse a uma “lei de troca equivalente”, o tecido acabou se esticando, deixando a barriga exposta.

O short também não parecia servir direito, marcando bastante as suas coxas — em outras palavras,

““Liiiiiieeeeeeeeeeeevvvvvvvvvveeeeeeeeeemente ousado...””

“Eu já tinha dito isso, não tinha!?”

Higashira-san gritou e puxou a cortina de volta.

Aquilo nos deixou sem palavras.

Se ela saísse assim, provavelmente chamaria atenção demais na rua.

“Minha mãe vive me dando sermão... dizendo pra eu não usar nada muito revelador... ela fala que, com esse corpo, não seria mais sexy, e sim muito erótico...”

“Entendemos o ponto da sua mãe...”

“Eu até gosto, mas é, não dá pra deixar as pessoas pensando coisas erradas de você.”

Se estamos falando de roupas que não sejam reveladoras, então é a minha vez.

Afinal, sou conhecida por me recusar teimosamente a mostrar as pernas, mesmo sendo uma estudante do ensino médio — pelo menos entre minhas amigas.

[Paiva: influência de um certo alguém “repugnante”]

Olhei as araras, escolhi algo mais adequado e voltei ao provador.

“Que tal isso então? Mostra pouco e é mais discreto.”

“Hm~, parece um pouco sofisticado, mas não é ruim. Passa uma sensação inocente.”

“...Inteligente? O meu senso de moda?”

“Tá tudo bem, Yume-chan! Se for fofo, tá perdoado!”

Sofisticado... entendo...

Fiquei um pouco curiosa com algo, mas como Akatsuki-san aprovou, entreguei as roupas para Higashira-san no provador.

“Bom, essas roupas são meio...”

Eu podia ouvir o som das roupas sendo trocadas dentro do provador, e logo a cortina foi aberta.

“...Como está?”

A blusa de manga curta combinava com uma saia de cintura alta — simples e bem ajustada.

Akatsuki-san chamou de “inocente”, mas eu escolhi pensando na personalidade da Higashira-san. Camisa branca com saia azul-escura. Por causa dele, eu sabia que pessoas como ela não gostam de cores chamativas.

Eu ouvi dizer que uma das dificuldades de quem tem muito volume no peito é que qualquer roupa pode parecer mais “pesada”, então escolhi de propósito uma saia de cintura alta que marcasse melhor a cintura.

Mas, na prática, como a barra da camisa acabou sendo puxada para cima, o corpo da Higashira-san acabou ficando mais destacado—

““Liiiiiiiieeeeeeeeeeeevvvvvvvvvveeeeeeeeeemente ousado......””

“O que você quer que eu faça!?”

Higashira-san se ajoelhou, com o rosto completamente vermelho. A forma como ela ficava envergonhada daquele jeito acabava chamando ainda mais atenção.

[Kura: Nota 10, ficou top. | Paiva: mt fofa | Ayko:A diferença de uma para outra]

“Hmm...” Akatsuki-san e eu murmuramos, de braços cruzados.

“Isso é complicado, Yume-chan...”

“É... não importa o que ela vista, acaba chamando muita atenção...”

“Parem...! Não me chamem de indecente! Eu sei que acabo parecendo, um pouco!”

Higashira-san finalmente puxou a cortina e se escondeu no provador. Provavelmente estava tirando aquela roupa.

“De qualquer forma, não dá pra pensar em combinações sem considerar esse detalhe... não importa o que ela use, sempre chama atenção demais.”

“Pessoas com muito volume nessa área realmente têm dificuldades... é a primeira vez que sinto algo além de inveja.”

“Então você é do tipo que odeia isso com força?”

“Se for pra criar, melhor fazer isso em 2D~”

“2D... o quê?”

“Tipo isso.”

Akatsuki-san me mostrou uma imagem de anime no celular. A silhueta da personagem ficava bem marcada mesmo por cima da roupa.

“Isso ignora completamente a física, né?”

“Dá pra fazer algo parecido na vida real. Higashira-san, você deveria gostar disso, não ~?”

“Não misturem fantasia com realidade!”

A cortina do provador foi aberta com força, e Higashira-san, já com suas roupas de antes, saiu.

“Pra mim, quem sai assim por aí é maluco! É constrangedor demais!”

“Você está fazendo parecer algo muito exagerado... tudo bem isso?”

“Tch~. Eu queria ver a Higashira-san fazendo cosplay~.”

“Cosplay... ah, eu até aceitaria algo tipo roupa de maid...”

“Então você aceitaria?”

“Você gosta bastante dessas coisas, né...”

“N-não gosto! De jeito nenhum!”

Higashira-san continuou protestando, sem sucesso, enquanto a guiávamos pela loja novamente.

A melhor forma de disfarçar o corpo era usar roupas largas, mas isso podia acabar dando a impressão errada.

E mesmo que conseguíssemos marcar a cintura, ainda chamaria atenção...

Hmm, é difícil.

“Digamos, que coisas leves e soltinhas são melhores, não acha?” disse Akatsuki-san.

“Leves e soltinhas?”

“Sério?”

“É parecido com o seu gosto, Yume-chan, se eu tiver que explicar.”

Olhei para a minha própria roupa.

Eu estava usando uma blusa branca e uma saia plissada bege. Costumo preferir cores mais suaves, em parte porque meu cabelo longo e preto já parece meio pesado por si só, e também porque — durante o tempo em que namorei com ele, ele costumava usar roupas pretas. Eu odiava quando casais usavam preto.

“Bom, sinto que vocês duas têm uma silhueta mais leve e fluida. Você não gosta muito de mostrar o formato do corpo, né, Yume-chan? Então, seguindo essa lógica, a blusa deveria ser um pouco maior, e talvez algo mais solto... tipo uma calça larga? Acho que isso combina mais com a vibe da Higashira-san. Ela tem um ar meio distraído, afinal.”

“Hmm, faz sentido.”

“Eu... pareço distraída?”

Higashira-san inclinou a cabeça, confusa. 

Sim.

Parecia uma boa ideia, mas por algum motivo Akatsuki-san ainda parecia em dúvida.

“Mas bem~ esse estilo entra muito em conflito com o da Yume-chan~.”

“O que tem de errado em entrar em conflito?”

Mais uma vez, Higashira-san ficou confusa.

Akatsuki-san sorriu.

“Claro que tem~! Duas garotas com estilos parecidos andando lado a lado na rua... isso não seria meio constrangedor?”

“Então não basta pensar se combina comigo, tenho que pensar se combina com os outros também...?”

“Ah, Higashira-san, você tá com aquela cara de ‘que complicado’. Mas é assim mesmo. Bem-vinda ao mundo das garotas.”

“Isso só reforça minha vontade de não me envolver com esse mundo...”

“O mundo das garotas não é tão assustador assim a ponto de fazer iniciantes desistirem, né, Yume-chan?”

“Eh?”

A conversa foi jogada pra mim sem eu entender o porquê, então olhei para o rosto da Akatsuki-san.

“É um problema se entrar em conflito com o seu estilo, Yume-chan. Que tal você ceder um pouco por ela e abrir mão do seu~?”

“Eh...? E-eu?”

“Isso! Hora de começar um estilo totalmente novo e moderno!”

A-ah não... ela estava planejando isso o tempo todo!?

Akatsuki-san vinha tentando me fazer usar roupas mais estilosas há tempos. Eu já disse que isso não combina comigo!

“Qual será~ Essa aqui talvez~?”

E antes que eu pudesse impedi-la, Akatsuki-san já tinha pegado uma calça longa da arara.

I-isso é estranho...! Era pra gente estar arrumando a Higashira-san hoje! Por que eu!?

Akatsuki-san rapidamente escolheu um conjunto, provavelmente porque já tinha algo em mente, e enfiou nas minhas mãos.

“Vai, veste ~.”

“E-eu vou...”

“Vai. Vestir~.”

Fui pressionada pelo sorriso intimidador dela e olhei para Higashira-san pedindo ajuda.

...E Higashira-san desviou o olhar.

Q-que mulher cruel! Viu uma chance de me arrastar junto e aproveitou!

“Vamos, vamos, vamos! Entra logo entra logo entra logo! Ah, prende o cabelo! Vai combinar mais com a roupa! Aqui, um elástico!”

[Kura: Veio preparada.]

Impulsionada por Akatsuki-san, fui praticamente empurrada para dentro do provador.

Olhei para mim mesma no espelho e depois para as roupas nas minhas mãos. Era exatamente o tipo de roupa que eu sempre evitava — aquelas que destacam mais o corpo. 

U-uuuu...!

Ela simplesmente forçou isso em alguém que praticamente só usava uniforme até agora e...

Bom, eu só precisava experimentar uma vez, e Akatsuki-san já ficaria satisfeita... não tive escolha a não ser pensar assim.

Rapidamente tirei minhas roupas e vesti o conjunto que me deram.

Um top azul sem mangas e uma calça branca — uma calça justa. Não mostrava as pernas, mas destacava bem as curvas.

Prendi o cabelo como Akatsuki-san disse. Percebendo que poderia conflitar com o rabo de cavalo dela, apenas amarrei na altura do pescoço, deixando cair levemente para frente.

Será que ficou bom... eu realmente não conseguia dizer olhando para mim mesma...

Nesse ponto, eu não tinha uma referência.

Ou melhor... eu não tinha alguém para mostrar isso.

Eu já tive alguém assim, alguém que eu queria aparecer depois de me arrumar. Eu queria ver a reação dele, escolher algo que chamasse a atenção dele, compensar aquilo que eu já não tinha. Então, depois que perdi essa pessoa, acabei como a Higashira-san — uma iniciante no mundo da moda — sem saber ao certo como deveria me vestir.

...Então vamos com tudo.

Desisti de pensar demais e, meio que no impulso, puxei a cortina.

“...Como está?”

Akatsuki-san e Higashira-san ficaram olhando para mim por um tempo, e—

“Uaaauuuu~!!”

“Tão estilosa...!”

Parece bom.

Akatsuki-san estava corada de excitação, e Higashira-san me lançou um olhar de admiração, com os olhos brilhando.

Eh...? Isso combina comigo mesmo? Sério?

“Eu sabia! Isso combina muito com você! Não são muitas garotas que ficam bem com calça skinny branca! Com certeza!”

As palavras de Akatsuki-san começaram a sair cada vez mais rápido. Parecia convincente.

Meu coração ficou meio leve.

Até agora, todas as minhas escolhas de roupa eram pensadas para quando eu estivesse com um garoto — ou melhor, com ele. Mas... não é uma sensação ruim experimentar vários estilos com amigas.

Mais uma vez, olhei para mim mesma.

Eu, usando calça skinny, parecia uns três anos mais velha.

E então percebi imediatamente que minhas roupas de antes eram... como posso dizer... infantis demais, femininas demais, ou talvez pensadas demais no que os garotos gostam...

Surpreendentemente, esse visual não é nada mau... né?

Olhei o preço e achei aceitável. Como eu costumava dividir livros com ele, consegui economizar um pouco. Ter novelas como hobby também não era caro, então eu tinha um dinheirinho sobrando... hmm, bem, é uma boa oportunidade.

“...Vamos pedir para cortarem a etiqueta.”

“Nfufufu! Um sonho se tornando realidade!”

Meu senso de moda podia continuar no nível do ensino fundamental, mas isso é uma boa chance... afinal, não preciso mais tentar agradar ele.

“Que comece o espetáculo! Higashira-san! Esse aqui é pra você!”

E enquanto eu pedia aos funcionários para reduzirem o preço, Akatsuki-san já tinha escolhido outra roupa para Higashira-san.

As roupas que ela escolheu para a Higashira-san eram todas de cores escuras. Provavelmente evitou tons claros para que ela não parecesse maior.

“E-esse conjunto...? Erm, não é fofo demais pra mim...?”

“Não é justamente pra ficar mais fofa que a gente se arruma? Entra logo, entra!”

Akatsuki-san empurrou a tímida Higashira-san para dentro do provador e fechou a cortina.

Eu também queria que Higashira-san simplesmente aproveitasse para se arrumar e deixasse de lado essa questão de romance. Talvez assim ela conseguisse melhorar a falta de confiança... mas eu tinha a impressão de que ela dependia demais dele. Bem, não cabia a mim dizer nada se isso funcionava para eles.

Enquanto pensava nisso, fiquei ao lado de Akatsuki-san, esperando em frente ao provador enquanto Higashira-san se trocava.

E então.

“Eh? Vocês duas...”

Ouvimos uma voz familiar e nos viramos.

E então... congelamos.

Dois garotos do ensino médio estavam do lado de fora da loja, nos encarando.

Um deles tinha o cabelo levemente ondulado, usava uma camiseta de manga 3/4 e calça, e tinha um ar meio despreocupado.

Era nosso colega de classe, amigo de infância da Akatsuki-san, Kogure Kawanami.

E o outro era o completo oposto, usando uma jaqueta velha, camisa simples e calça amassada, com uma expressão vazia que parecia mostrar total desinteresse pelo mundo.

Era meu ex... e também meu meio-irmão mais novo, Mizuto Irido.

As duas pessoas com quem éramos tão familiarizadas estavam ali, por algum motivo.

“Ka-Kawanami?”

O rosto da Akatsuki-san se contraiu levemente por algum motivo.

“Por que você está aqui? E ainda por cima com o Irido-kun...?”

“Comprando roupas, o que mais? Já que é verão, vou garantir que esse Irido-san aqui e esse Mizuto-kun aqui estejam com roupas combinando antes do inferno das provas finais começar.”

“Eu não te pedi nada...” disse Mizuto, claramente irritado.

E Kawanami-kun sorriu de lado, colocando a mão no ombro dele.

“Não fala assim, cara. Esse cara aqui vai te transformar no mais estiloso desse verão!”

“Já falei que não preciso disso. Droga. Foi um erro enorme da minha parte planejar o pernoite na sua casa...”

“Isso é totalmente o certo a se fazer, sabia? Você conseguiu dar um tempo pros seus pais e ainda não precisa gastar com roupa nova.”

Ah. Eu estava me perguntando por que ele estava com o Kawanami-kun, mas parece que isso era uma espécie de troca por ele dormir lá.

...Mas espera, então vai ter uma versão “estilosa de verão” do encontro no aquário? E-eu não posso dizer que não fiquei nem um pouco curiosa...

[Kura: Esse foi chocante | Paiva: cap 7 e 8 do volume 1, quando eles vão num encontro pra ele tirar a akatsuki do pé dele, ideia do kawanami]

“Oh.” Kawanami-kun ergueu a sobrancelha ao me olhar.

“Você está diferente do normal, Irido-san. Ficou estilosa.”

“Viu só~!? Até você percebeu isso!”

“Bom, vindo de você, já era esperado. Você sempre tem essas ideias.” disse Kawanami-kun, e então finalmente percebi.

Naquele momento, eu estava completamente diferente de como era quando namorava com ele.

Notei Mizuto me lançando um leve olhar, e congelei.

Até então, minhas roupas eram apenas uma extensão da época do ensino fundamental, quando eu tentava me adequar ao gosto dele. Mas dessa vez era diferente.

Eu tinha a aprovação da Akatsuki-san e da Higashira-san... não, não, se controla! Não tem mais nada a ver com o que ele gosta. Nada mesmo. Eu estou só usando o que eu quero.

Vai, fala o que você acha. Eu não vou me machucar com o que você disser. Foi o que pensei, me preparando para o confronto.

Tss.

Mizuto desviou o olhar imediatamente.

...Então ele não gostou, né?

Hmm~ ahhh, entendi. Mas eu não ligo, tá? Nem um pouco.

“Hm?”

O olhar do Kawanami-kun se voltou para trás de nós.

A cortina puxada — o provador onde a Higashira-san estava.

“Tem mais alguém?”

“Não, não, a gente nem conhece essa pessoa! É só um encontro meu com a Yume-chan~!”

Eh?

Akatsuki-san soltou uma mentira descarada enquanto se agarrava ao meu braço e sussurrava no meu ouvido:

“Yume-chan, não podemos deixar ele encontrar a Higashira-san!”

Kawanami-kun e Higashira-san?

Fiquei um pouco confusa... mas apenas fiquei quieta.

“Hmm~...”

Kawanami-kun provavelmente aceitou o que a Akatsuki-san disse e desviou o olhar.

Akatsuki-san soltou um suspiro de alívio ao ver isso. E então—

Click!

Ouvimos o som de uma foto sendo tirada vindo do provador atrás de nós.

““......Hm?””

E logo depois—

Bzzzttt.

Me perguntei de onde vinha a vibração e vi Mizuto tirando o celular do bolso.

Ele lançou um olhar desanimado para a tela.

E ficou parado por alguns segundos.

Então, lançou um olhar discreto em direção ao provador onde Higashira-san estava.

““...Hmmm???””

Espera...? Um pressentimento surgiu.

Akatsuki-san provavelmente chegou à mesma conclusão.

Será que a Higashira-san acabou de—

“Hm? LINE? De quem?”

“...Do meu pai.”

Mizuto instintivamente se afastou um pouco e não mostrou o celular para Kawanami-kun.

Ele moveu os dedos finos rapidamente e respondeu à mensagem.

“Vamos parar de enrolar aqui e terminar logo o que viemos fazer, Kawanami. Quero ir pra casa estudar.”

“Tá, tá. Você veio fazer algo interessante comigo mesmo. Então vamos—”

Como Mizuto quis ir embora mais cedo, Kawanami-kun acenou para nós, e os dois desapareceram no meio da multidão do shopping.

E assim que vimos eles irem.

Akatsuki-san e eu lentamente nos viramos em direção ao provador.

E com um movimento rápido, a cortina foi aberta.

“Hyaaahh!? O-o que está acontecendo!?”

Higashira-san estava dentro do provador, com os ombros tremendo — mas pelo menos já estava vestida.

A blusa com um leve decote em V a cobria suavemente, e a barra estava colocada por dentro da saia rodada, desviando bastante a atenção do peito e equilibrando com a cintura. Foi por isso que Akatsuki-san pediu para ela usar assim.

Em termos de combinação de cores, a parte de cima era um verde meio cáqui, enquanto a de baixo era um bege puxado para o marrom.

Parecia simples, mas talvez essa simplicidade fosse melhor para a Higashira-san.

Ela realmente passava a impressão de uma garota de vila em um mundo de fantasia, e até que combinava com ela, mas isso é outra história.

Akatsuki-san e eu olhamos fixamente para o celular que Higashira-san segurava no colo.

“...Parece que não ficou nada inapropriado.”

“Não parece exagerado afinal.”

“Eh? Eh...?”

Higashira-san olhou para nós, confusa, alternando o olhar.

O pior cenário que imaginamos foi ela segurando o celular, quase sem roupa, dentro daquele espaço fechado que é o provador. Mas parecia que Higashira-san conseguiu se controlar a tempo.

“Fomos precipitadas dessa vez. Vamos poupar você de um sermão, Higashira-san.”

“É. Talvez tenha sido um pouco demais você agir por conta própria antes da gente decidir, mas entendemos esse sentimento de ‘quero que ele seja o primeiro a ver!’ Então vamos deixar passar!”

“Ehh... c-como vocês sabem disso...?”

Para que ninguém mais ouvisse, Akatsuki-san fez um gesto com os olhos e continuou:

“Então? O que acha?”

“...Bom, é...”

Higashira-san apertou o celular com força e cobriu a boca.

Não completamente, então ainda conseguimos ver o sorriso no rosto dela.

Parecia que nem precisava perguntar.

Ela levantou o olhar, espiou para nós algumas vezes e perguntou timidamente:

“...Posso... comprar essas roupas?”

“Claro.”

Akatsuki-san respondeu com um ar orgulhoso.

Eu assenti, e Higashira-san olhou novamente para o celular, antes de sorrir feliz mais uma vez.

...Bem, dependendo de onde se considera o ponto de partida — não importa o padrão que usamos, o importante é seguir a partir daí.

“...Ehehe...”

Foi o que pensei ao ver Higashira-san comparando sua imagem no espelho e no celular, ela estava seguindo exatamente o mesmo caminho que eu segui um dia.

“...Higashira-san, posso te perguntar uma coisa?”

Como era uma oportunidade rara, nós três estávamos passeando pelo shopping.

E enquanto a Akatsuki-san foi ao banheiro, tomei coragem e perguntei.

Higashira-san estava sentada ao meu lado no banco, “Hm?”, enquanto lambia o creme do crepe dos lábios e se virava para mim.

“Erm... Higashira-san... você ainda gosta daquele garoto, afinal?”

“Mizuto-kun?”

Assenti.

Isso tinha acontecido ainda este mês. Higashira-san parecia ter se recuperado numa velocidade absurda depois de levar um fora do Mizuto. No entanto, havia várias vezes em que ela demonstrava o quanto gostava dele, como antes — principalmente quando o próprio Mizuto não estava por perto.

Então, qual era a verdade?

Ela ainda gostava dele ou não?

“Eu ainda gosto, sim.”

Higashira-san respondeu de forma direta enquanto mastigava lentamente o crepe.

“Mas eu gosto do Mizuto-kun não como alguém que pode ser meu namorado. Acho que vou continuar gostando dele, sabe? Tanto como amigo quanto como garoto.”

“Então,”

Hesitei um pouco.

“...Você não sente que isso te machuca?”

“Sério? Eu acho que estou mais feliz do que quando eu era só amiga dele. Talvez porque eu não precise mais esconder que gosto dele, eu acho.”

“Mas, e se...”

Pensei em como eu era antes.

“...E se ele tiver uma namorada?”

“Hmm... bom, acho que eu ficaria triste? Pode parecer bobo vindo de mim, mas eu sentiria que perdi. Se o Mizuto-kun tiver uma namorada, acho que ele não vai se afastar de mim, então deve ficar tudo bem. Mas não dá pra saber até isso realmente acontecer...”

Ou melhor, Higashira-san continuou:

“Acho que eu ficaria até mais com ciúmes se o Mizuto-kun fizesse um novo amigo.”

“Eh?”

“O Mizuto-kun fica mais feliz quando está conversando comigo! Então, quando eu penso nele se divertindo com outra pessoa, em algum lugar que eu nem conheço...! Uuu, só de imaginar já fico irritada!”

E então, Higashira-san devorou o resto do crepe.

[Kura: Yume aprendendo com a Isana.]

Ehh? Eh? ...Ah, claro. A Higashira-san não conhece o Kawanami-kun porque é de outra turma.

Entendo... finalmente percebi por que a Akatsuki-san me disse para não deixar a Higashira-san e o Kawanami-kun se encontrarem.

“...Você não ficaria com ciúmes de uma namorada, mas sim de um amigo?”

“Sinto como se estivessem invadindo meu espaço, sabe? Tipo isso é NTR?... Você sente o mesmo, Yume-san? O que você pensaria se uma irmãzinha perdida do Mizuto-kun aparecesse de repente?”

[Kura: NTR é “Netorare”, significa que alguém importante para você, foi tomado. Ou para expressar infidelidade. | Paiva: não cite essa sigla demonica | Ayko: Comum em certas ‘obras’ que… preciso nem comentar, certo?]

“...Bom...”

Sentimentos complicados se misturaram na minha mente, e fiquei inquieta. Ainda assim, o que eu sentia era um pouco diferente de quando imaginei a Higashira-san se tornando namorada do Mizuto.

Não era rejeição, nem arrependimento, e definitivamente não era raiva.

“...Eu fico com medo.”

Disse Higashira-san, olhando para o papel vazio do crepe.

“Quando penso que eu só tenho o Mizuto-kun, mas ele tem outras opções, eu fico... com muito medo, muito sozinha.”

Ahh.

Eu entendia. Entendia muito, muito bem o que ela sentia.

Era a sensação de alguém que foi expulsa do seu lugar de conforto e jogada sozinha no mundo.

Claro... ela não estava sendo possessiva com o Mizuto.

Ela só estava com medo — medo de deixar de existir nos olhos dele.

...Mas, mais uma vez, me questionei.

Será que ela realmente estava bem com isso?

Será que ela realmente poderia... continuar dependendo dele, se apoiando nele e se agarrando a ele para sempre...?

“Higashira-san.”

“Hm?”

“Você ainda está com creme aqui.”

“Auu.”

Peguei um lenço e limpei a boca dela. Parecia que eu estava cuidando de uma criança.

Ela disse que não tinha ninguém além do Mizuto-kun.

Mas naquele momento, Mizuto Irido não estava ali.

Quem estava pensando nela e escolhendo suas novas roupas éramos eu e a Akatsuki-san.

“Higashira-san.”

Foi o que eu disse.

“Nós também somos amigas, certo?”

“Eh, ah.”

Os olhos da Higashira-san vacilaram inquietos, e ela corou... antes de espiar meu rosto.

“E-eu posso... mesmo?”

Ela me pediu confirmação, assim como fez quando comprou aquelas roupas, mesmo sem precisar.

“Claro. Nós já te consideramos assim.”

“E-erm... mas!”

Higashira-san segurou minhas mãos com força, mas logo pareceu desanimar.

E então, por fim, murmurou com uma voz bem baixinha:

“...Mas vocês não podem ser... um substituto pro Mizuto-kun...”

[Kura: Kkkkkk, meu caro Mizuto sempre em primeiro. | Paiva: essa merece um prêmio de persistência]

Essas palavras poderiam ter sido um golpe crítico em mim.

Mas eu não vacilei.

“Sim. Eu sei.”

Eu posso estar no mesmo nível que ele... ou até acima.

Me despedi da Akatsuki-san e da Higashira-san, voltei para casa e vi que meu inútil meio-irmão mais novo já tinha chegado.

Nem me dei ao trabalho de cumprimentar. Ele estava no sofá, lendo um livro, e, com as costas viradas para mim, perguntei:

“E então?”

“E então o quê?”

“Higashira-san.”

“...”

Mizuto inclinou levemente a cabeça para o lado.

“...Bom, ela ficou bem?”

“Você não pode simplesmente dizer algo tipo ‘ela está muito fofa’... e então? O que a Higashira-san disse?”

Mizuto, claramente irritado, mexeu no celular, colocou-o sobre a mesa e mostrou a tela.

Era a conversa no LINE com a Higashira-san.

A resposta dela ao elogio casual do Mizuto: “1000 ienes por mais uma foto!”

“...”

...Sério, essa garota.

Por que ela não consegue reagir assim na frente do Mizuto?

Ela não consegue expressar seus sentimentos de forma honesta. É um tipo de personalidade sofrida. Eu realmente sentia pena dela.

“...Enfim, por que a Higashira-san aqui cobriu os olhos com a mão?”

“Sei lá. Vai perguntar pra ela.”

“Acho que vou receber uma resposta bem maluca...”

Ela parecia alguém tirando uma foto meio indecente de si mesma pra postar numa rede social — então consegui segurar esse comentário. Se eu falasse, seria exatamente o que ela queria. Melhor dar um sermão nela depois.

E então, senti um olhar.

“?”

“...”

Olhei na direção do Mizuto, que, por coincidência, desviou o olhar.

...Ele estava me olhando?

Eu estava usando as roupas que comprei, a calça skinny que a Akatsuki-san recomendou.

Quando nos vimos mais cedo, ele ignorou completamente essas roupas.

Eu achei que esse estilo não fosse do gosto dele.

“Hmm~...?”

“...”

Fui até o sofá e parei na frente do Mizuto.

Ele fixou o olhar no livro, sem querer me encarar.

Não tenho motivo nenhum para seguir o gosto dele.

Não preciso mais usá-lo como referência.

Mas... isso é outra história.

Lentamente, peguei meu celular, virei na horizontal e cobri meus olhos.

Exatamente como a Higashira-san fez.

“...Ei.”

A voz do Mizuto tremeu levemente, e seus lábios se contraíram.

“Vocês duas são bem parecidas.”

“O que quer dizer com isso? Eu só estou olhando o celular de um ângulo um pouco mais alto.”

“Se tem algo que quer dizer, então fala logo.”

“Eu não tenho nada pra dizer. É você que quer falar alguma coisa, não é?”

Os lábios do Mizuto estavam carregados de amargura. Ele virou o rosto e disse de forma seca:

"...Mas isso é bom de qualquer forma."

“Hm hmm.”

Dei um sorriso vitorioso. Mizuto pareceu um pouco desagradado.

Eu não tinha motivo algum para deixar de usar minissaias.

Ele não tinha o direito de me criticar, não importava o quanto eu mostrasse minhas pernas.

Mas, ainda assim... é curioso como eu consegui quebrar aquela fachada estoica dele.

E essa satisfação... eu não vou dividir com qualquer pessoa.

 


 

Notas dos Tradutores / Revisores:

-Kurayami: Olá pessoal! Mamahaha vai voltar com tudo, e com uma equipe nova também… Quero agradecer a scan que tomava conta dessa obra de arte. Me chamo Kurayami, ou Kura (se preferir), sou um dos novos tradutores de Mamahaha e apainoxado por romances também… Espero que curtam a continuação!

-Paiva: Salve gurizada, como diz no nome, sou o paiva meio iniciante em traduções mas eu e o kura vamo ta alternando entre cada cap aqui, essa obra é muito boa então aproveitem esse romancezinho agridoce que provavelmente vai se resolver com o tempo(gostaria muito que eles parassem de c* doce um com o outro pq quem leu o cap que a isana se declara percebeu também que o mizuto ainda gosta da yume)

-Ayko: Opa! Espero que os senhores e senhoras leitores estejam bem! Me chamo Ayko, só Ayko mesmo. Sou o tradutor de Gimai Seikatsu e estarei revisando essa belíssima obra tanto com o Kura quanto com o Paiva (Não tenho complexos com meias irmãs, tá?). Espero de coração que aproveitem essa experiência e nos acompanhem pelos próximos capítulos de Mamahaha!

Traduzido por Moonlight Valley

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