Sessão 6
Capítulo 59: Uma Visita a Niebla 1
Os longos cabelos dela começavam azuis, mas terminavam negros.
Seu caminhar era mais suave do que o de qualquer outra pessoa, mas ela jamais tocava o chão.
Seu coração, firmemente fechado, era tão frio que ninguém mais conseguia abraçá-lo.
Ela chegou acompanhada pela morte.
"Eu realmente posso salvar meu filho desse jeito?"
"Claro, meu lorde."
Um homem exausto, uma mulher em lágrimas e uma criança à beira da morte.
Tudo ao redor daquele homem estava manchado pelo desespero.
Ele estava preso na mais profunda escuridão.
"Eu farei isso. Por favor."
"Estou pronta, meu lorde."
O desespero chega como um acidente e devora nossas vidas.
Ele escolhe até mesmo as partes mais brilhantes delas.
O Barão Utman costumava ser uma pessoa racional, mas o desespero estava devorando sua mente brilhante.
A agonia de seu único filho, que se enfraquecia a cada dia, e os lamentos dolorosos de sua esposa o haviam transformado nesse tipo de homem.
"Não se torture tanto."
O Barão Utman olhou para a mulher à sua frente com os olhos úmidos.
Embora estivesse pálida, aquela mulher o encarava com um sorriso mais caloroso do que o de qualquer outra pessoa.
"Pessoas como eu existem porque Deus não consegue olhar para todos os lugares."
O homem desesperado esperava pela salvação, mas, no fim, a mão de Deus não o alcançou.
Apenas a mulher que havia chegado com a morte continuava sorrindo.
O vento forte e a chuva castigavam as janelas da mansão.
✦ ✦ ✦
As gotas de chuva caíam junto ao vento violento.
O grupo atravessava a crista de uma montanha, sem qualquer lugar para se abrigar da tempestade, recebendo a chuva diretamente sobre seus corpos.
"...Essas nuvens estão estranhas."
Embora Gregory estivesse certo ao dizer isso, ainda era dia, mas as nuvens de chuva haviam escurecido o céu a ponto de fazê-lo parecer noite.
Seria loucura continuar avançando sob aquela chuva e naquela escuridão.
"Cade!"
"Vamos para lá!"
Apesar do vento e da chuva, a visão aguçada de Cade conseguiu encontrar uma árvore ao longe.
Embora suas folhas fossem estranhamente pálidas para o verão, ainda parecia melhor do que permanecer ali sendo castigado pela tempestade.
"E se um raio cair nela?"
"Mesmo assim, precisamos nos mover agora."
Embora Gregory expressasse sua preocupação, eles não podiam simplesmente ficar parados ali.
Por causa do clima anormal, o grupo foi forçado a interromper a viagem e montar acampamento.
"Esse tempo está uma loucura."
Depois de enfrentar a chuva e o vento, o grupo chegou ileso sob a árvore e rapidamente sacudiu a umidade de seus corpos antes de começar a amarrar os cavalos por perto.
Swooosh—
As nuvens carregadas despejavam grossas gotas de chuva como ondas revoltas, cobrindo o céu e fornecendo proteção suficiente para que pudessem se abrigar.
Ao ver isso, Gregory soltou um suspiro de alívio.
"Que bom que trouxe a carruagem."
Ela não era realmente necessária, mas havia alguém no grupo que precisava dela.
Quando pensou nesta missão, Gregory acreditou que seria um peso difícil de carregar, mas agora ela estava se mostrando uma grande ajuda.
"Vamos montar o acampamento?"
"Claro."
Goethe, que também acompanhava a missão como cocheiro, começou a trabalhar diligentemente para montar os equipamentos de acampamento da carruagem.
Usando o teto da carruagem como suporte, eles prenderam um pano embebido em óleo a uma corda e a fixaram ao solo.
Em pouco tempo, uma tenda razoável havia sido erguida.
Ela era suficiente para bloquear as gotas de chuva que continuavam caindo ao redor.
"Que pena. Estávamos perto do destino."
Vlad, ajudando a prender a lona, estalou a língua enquanto observava ao longe uma luz que parecia iluminar apenas a escuridão.
Havia vestígios de presença humana ali, brilhando fracamente como tochas solitárias na noite.
"A vida nem sempre sai como planejamos."
Embora o plano de chegar à vila naquele dia tivesse falhado, Gregory ainda pretendia seguir seu plano de beber. Ele retirou uma pequena garrafa de bebida do casaco e começou a beber.
"Está um pouco frio. Esse clima não ajuda."
"..."
O que um simples membro do grupo poderia dizer quando o líder estava bebendo?
Vlad assentiu e decidiu cuidar dos preparativos finais do acampamento.
"Vou recolher alguns galhos."
"Eles não vão queimar bem. Estão molhados."
"Mesmo molhados, precisamos tentar."
Enquanto Goethe montava outro abrigo do outro lado da carruagem e Cade observava os arredores em busca de qualquer sinal suspeito, Vlad reuniu os galhos que encontrava e começou a preparar uma fogueira.
"Esses servem. Estão secos por dentro."
"Obrigado."
Cade se aproximou repentinamente de Vlad, que procurava galhos sob a chuva, e começou a ajudá-lo.
Parecia um cavaleiro ajudando um escudeiro, mas Cade não parecia se importar.
"Desde que cheguei, ainda não tive oportunidade de agradecer. Sou grato por aquilo."
"...Eu só estava fazendo meu trabalho. Não se preocupe tanto."
Embora Vlad e Cade nunca tivessem se encontrado formalmente, eles se conheciam.
Isso porque ambos estiveram presentes quando derrotaram os monstros recrutados em Varna no inverno passado.
"Você está melhor agora?"
"Teria sido melhor se eu tivesse recebido algum corte."
Cade respondeu com um sorriso constrangido.
A mulher que derramava lágrimas negras procurando o filho.
Os dois cavaleiros que permaneceram na guarnição para proteger Josef durante a ausência de Jager quase morreram naquele ataque.
Se Vlad não tivesse tomado emprestado o mundo da Voz naquela ocasião, Cade não estaria ali hoje.
"Agora que vejo, escolhi as pessoas certas. Existem muitos cavaleiros que não fariam esse tipo de coisa."
Gregory inclinou a garrafa enquanto observava os homens se movimentarem naturalmente, procurando algo para fazer mesmo sem receber ordens.
"Continuem assim. A partir de agora, não somos cavaleiros, mas mercenários."
Todos do grupo assentiram às palavras de Gregory.
Era esse tipo de missão.
A missão consistia em se infiltrar e investigar a vila discretamente, em vez de agir com orgulho e ostentação.
Se a vila estivesse dentro do território dos Bayezid, Josef teria mobilizado soldados imediatamente.
Mas aquela era uma vila pertencente à família do Barão Utman.
Para Josef, que havia encontrado pistas, mas ainda não possuía provas concretas, aquilo era o máximo que podia fazer.
O grupo montou acampamento com o destino logo à frente e decidiu conservar as forças para o dia seguinte.
O som do vento forte.
O som da chuva golpeando a lona.
Vlad se enrolou em sua capa enquanto observava a fogueira mal acesa.
"Por que está sorrindo desse jeito?"
"Não é nada demais."
"Tsc. Está amolecendo."
Vlad comentou sem motivo enquanto se acomodava confortavelmente sob a capa.
Achou que Oksana ficaria orgulhosa se o visse naquele momento.
O dia que parecia noite passou.
Sem saber que ela não era sua mãe, mas compreendendo perfeitamente o amor que ela lhe oferecia, Vlad se deitou junto ao calor da fogueira.
Espero que os gritos tristes que ouvi naquele dia de inverno não estejam aqui.
✦ ✦ ✦
Uma vila construída com pedras cinzentas.
Uma névoa densa se ergueu sobre o lugar depois da chuva.
Gregory estalou a língua ao observar a neblina que limitava sua visão.
"Parece que alguma coisa vai acontecer."
"..."
Sabendo que poderia haver pessoas envolvidas com magia negra escondidas ali, o grupo avançou cautelosamente pela estrada.
Seria por ainda ser cedo? Ou pelo clima ruim?
Mesmo após avançarem bastante pela vila, não havia praticamente ninguém caminhando pelas ruas, tornando a atmosfera cada vez mais sombria.
"Tem uma estalagem ali na frente."
"Ótimo."
Talvez por não ser uma vila muito grande, eles só encontraram uma estalagem ao chegar ao centro.
"Vamos entrar."
Os quatro homens conduziram a carruagem e os cavalos até a estalagem.
Gregory abriu a porta enquanto a carruagem rangia atrás deles.
"O dono está aí?"
"...Os hóspedes chegaram bem cedo."
"Por causa da chuva de ontem, não conseguimos entrar na vila mesmo estando praticamente na porta dela. Traga um prato de sopa quente."
Enquanto Gregory fingia ser um mercenário e conversava com o estalajadeiro, Vlad observou uma menina espiando do corredor que levava à cozinha.
"..."
Uma criança pequena se apoiava nela.
Uma garotinha de três ou quatro anos, extremamente adorável.
Vlad acenou suavemente para a criança, que lhe lembrava Zemina quando era pequena.
As bochechas rosadas da menina pareceram ficar ainda mais vermelhas.
"...Ultimamente muitas coisas ruins têm acontecido por aqui..."
"Eu pretendo ficar alguns dias por causa do clima. Vai mesmo nos mandar embora assim? Também pretendo comer aqui."
Enquanto Gregory discutia os preços com o estalajadeiro, Vlad caminhava lentamente pela estalagem observando os arredores.
Era um hábito adquirido ao longo dos anos.
Enquanto ele desviava o olhar, a criança começou a se aproximar discretamente do grupo.
Um grande caldeirão fervia sobre um braseiro no centro da estalagem.
Vlad não sabia o que havia dentro dele, mas o aroma era agradável o bastante para despertar seu apetite.
[Vlad... Vlad!]
A Voz, normalmente calma, chamou-o com urgência.
'O que foi?'
Quando Vlad colocou a mão no cabo da espada, a Voz tornou-se ainda mais clara.
[...Parece que encontramos o lugar certo.]
Num tom sombrio, a Voz pediu que Vlad virasse a cabeça e observasse a menina que se aproximava.
"..."
Do outro lado do braseiro havia uma garotinha olhando para ele.
Escondida atrás de uma cadeira, observava Vlad timidamente.
Para qualquer pessoa, ela parecia apenas uma criança adorável.
[Vou lhe emprestar o meu mundo.]
Talvez aquela aparência não fosse tudo.
Vlad abriu lentamente o olho esquerdo.
"...!"
A menina continuava sorrindo alegremente para ele.
Mas, ao enxergar através do mundo da Voz, um arrepio percorreu suas costas.
[É uma maldição.]
Vlad fechou o olho direito e observou o mundo apenas através do esquerdo.
Uma mão negra, semelhante à mão de um cadáver, agarrava o pescoço da menina.
Parecia que poderia torcer seu pescoço a qualquer instante.
'...Maldição.'
Vlad achou que conseguia ouvir novamente os gritos da mulher que ouvira durante aquele inverno.
Rapidamente, ele fechou o mundo da Voz.
Dong— Dong— Dong—
O som do sino da igreja, anunciando a hora, ecoou pela vila úmida.
Embora devesse soar piedoso, para Vlad ele parecia envolto numa névoa pegajosa.
Ao retornar à realidade, Vlad encarou fixamente o pescoço da menina.
Até poucos instantes atrás, ele havia visto uma mão negra agarrando aquele lugar.
Agora, havia apenas um colar pendurado ali.
Era um colar gravado com o símbolo da Igreja.
Traduzido por Moonlight Valley
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