Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 6

Capítulo 55: Reencontros Aquecedores

O convento do dia do inverno frio.

A garota de cabelos vermelhos, que conseguiu chegar até este lugar com a ajuda de um velho ferreiro, encontrou a cena lamentável diante de si.

"Madre Superiora! Por favor, abra!"

Uma mulher batia na porta firmemente fechada do convento, tão resoluta quanto o frio do inverno.

"Sou eu, Marcella! Por favor, abra a porta!"

A voz de Marcella estava tão tensa quanto seus cabelos negros desgrenhados.

E atrás dela, garotas tremendo de frio e ansiedade.

Eram jovens prostitutas, como Zemina, à beira de seu debut.

[Kura: Aqui foi pesado… mas debut é como uma estreia. Bom, vocês vão entender logo logo.]

"...Marcella?"

A porta, que parecia firmemente fechada, rangeu ao se abrir.

Uma velha freira olhava para a visitante indesejada que chegara tarde da noite com olhos desconfortáveis.

"O que a traz aqui a esta hora...?"

"Oh! Madre Superiora!"

Marcella se agarrou à velha freira como se tivesse encontrado luz na escuridão.

"Por favor, cuide dessas crianças. São crianças pobres."

"O que é isso...?"

A Madre Superiora franziu a testa ao ver Marcella pedindo para cuidar das crianças, não apenas por causa da visita repentina.

Aquilo não era apenas uma violação de etiqueta, era um ato que ia longe demais.

"Você já falou demais. Vá embora!"

Ao se perguntar o que estava acontecendo, parecia que algo havia ocorrido nos becos.

Caso contrário, a mulher que sempre sorria tranquilamente não estaria chorando com tanta urgência agora.

"Madre Superiora! Por favor!"

"Este não é um lugar onde qualquer um pode entrar!"

A Madre Superiora expressou seu desagrado ao olhar para as crianças atrás de Marcella.

Como eram crianças trazidas por prostitutas, deviam ser garotas que trabalhavam em um lugar sujo.

Este lugar é um dos mais próximos de Deus.

Elas não podem abrigar crianças tão impuras aqui.

"Não!"

Marcella apertou desesperadamente a coxa da freira através da fresta da porta que se fechava.

"Essas crianças são virgens. São aquelas que o bispo vem observando!"

"...."

Prostitutas virgens.

Seres contraditórios criados pelo bispo de Shoara, que abominava pedofilia.

A Madre Superiora também conhecia bem aquelas crianças.

"Ainda assim, aceitá-las tão de repente..."

"Por que não! Quanto dinheiro você acha que eu investi aqui?!"

No meio da noite. Uma voz áspera ecoou diante do convento silencioso.

A freira se surpreendeu ao ver Marcella, que há pouco parecia miserável, mudar de repente.

"Só com esse dinheiro, você poderia alimentar essas crianças por dez anos e ainda sobraria! É tão difícil assim me fazer esse favor?!"

Ao olhar para Marcella, que havia se transformado em uma leoa protegendo seus filhotes, a Madre Superiora ficou momentaneamente dominada.

"Saia da frente!"

Diante do comando desesperado, mas firme, a Madre Superiora recuou. Marcella abriu amplamente a porta do convento e falou com as garotas atrás dela.

"Entrem!"

"Madame."

"O que a senhora vai fazer, Madame?"

"Se preocupem com vocês mesmas."

Vendo as garotas chorando e hesitando, Marcella segurou firmemente seus ombros e as empurrou para dentro do convento.

"Vamos usar isso para cobrir os salários atrasados."

Uma por uma.

Através do toque das mãos da prostituta, as crianças entraram no abraço de Deus.

"Marcella..."

"Sim. Vocês trabalharam duro."

Marcella sorriu enquanto envolvia gentilmente o rosto de Zemina com as mãos, protegendo-a do vento frio.

"Todos nós temos nossas próprias coisas para fazer. Homens nunca resolvem as coisas direito mesmo."

Mesmo quando guiava a hesitante Zemina, a Madre Superiora parecia bloquear o caminho, como se não pudesse ceder mais.

"Você não."

O abraço de Deus era vasto, mas era preciso ter qualificações para alcançá-lo.

Marcella, a prostituta depravada, não tinha qualificações para entrar no abraço de Deus.

"...Eu nunca esperei isso mesmo."

Marcella parou diante das regras criadas pelos humanos, não por Deus.

Mas tendo conseguido enviar as crianças sob seus cuidados para um lugar seguro, Marcella cumpriu sua responsabilidade até o fim.

"Eu confio elas a você. Elas vão se sair bem."

"..."

Uma mulher lamentável, deixada sozinha na escuridão.

O toque ganancioso de alguém havia se estendido até este lugar.

Entre a fresta da porta que se fechava lentamente, estava Marcella sendo puxada.

Arrastada para a escuridão de um dia de inverno frio.

"Marcel... la."

Aquela foi a última visão do mundo exterior que Zemina teve.

✦  ✦  ✦

"Hoje, iremos rezar aqui com nossas crianças."

"...A capela é bem espaçosa, não é?"

Vlad seguiu a orientação da Madre Superiora, mas seu olhar continuava vagando.

Ele sabia que era rude, mas não conseguia evitar esperar vislumbrar os familiares cabelos vermelhos entre as noviças que passavam.

"E também há pessoas esperando para rezar com os cavaleiros. Podemos rezar com eles? Afinal, a graça se multiplica quando compartilhada."

No entanto, a garota que ele procurava não estava em lugar nenhum, e havia apenas convidados inadequados esperando por Vlad.

'...Então é assim.'

Parecia que havia intenções por trás da visita atrasada ao convento.

Vlad ainda era apenas uma figura menor no mundo dos verdadeiros nobres e cavaleiros, mas para aqueles que olhavam de baixo, ele era uma figura bastante atraente.

Talvez tivessem combinado com a Madre Superiora para estabelecer uma conexão com Bayezid.

"...Muito bem. É uma honra."

"Obrigado por sua consideração."

Embora não gostasse da ideia de ser usado, Vlad não tinha escolha a não ser seguir a Madre Superiora por enquanto.

'Maldito Gott.'

Vlad suspirou internamente ao pensar em Gott.

Embora tivesse murmurado que havia solicitado a visita, não mencionou sua intenção de trazer Zemina.

'No fim, eu tenho que fazer tudo.'

Por isso, Vlad precisava se mostrar o mais favorável possível diante da Madre Superiora.

Para exigir algo não planejado, ele precisava demonstrar uma postura minimamente positiva.

"..."

Enquanto ouvia a Madre Superiora explicar a história do convento, Vlad tocou distraídamente a espada simples pendurada em sua cintura.

Era suportável aguentar esse incômodo por causa da garota que lhe deu aquela espada, comprada com suas lágrimas.

✦  ✦  ✦

Uma manhã movimentada no convento, diferente do habitual.

Embora nem sempre fosse assim, Zemina lavava a louça em silêncio, ocasionalmente lançando olhares para a paisagem familiar que às vezes já havia visto antes.

'Quem será que vem hoje.'

Havia dias assim, de vez em quando.

Dias em que rezavam junto com visitantes de fora.

"Uau! Ele é tão bonito!"

"E aqueles olhos azuis! Será que ele é de uma família nobre?"

Devido à natureza do convento, onde as notícias de fora não se espalhavam facilmente, os rumores sobre os visitantes claramente estimulavam a imaginação das garotas.

"..."

No entanto, esse tipo de conversa não tinha absolutamente nenhuma relevância para Zemina.

Tendo crescido nos becos, ela conhecia a dura realidade melhor do que qualquer uma ali.

Ela não queria perder tempo com contos de fadas que as garotas sonhavam.

"Por que vocês ainda estão enrolando? Preparem-se para ir à capela!"

Sob a repreensão da freira supervisora que entrou na cozinha, as noviças rapidamente terminaram de lavar a louça.

Mas onde Zemina estava, a louça ainda continuava acumulada.

Era o resultado de ninguém ajudá-la, e até mesmo de empurrar a responsabilidade sutilmente para ela.

"..."

As crianças de Marcella que vieram com Zemina observavam nervosamente sob a repreensão da freira.

Mas, assim como Zemina suportava e persistia, aquelas crianças também faziam o possível para sobreviver em um lugar estranho.

Mesmo que isso significasse ignorar Zemina.

"Termine tudo isso e depois venha."

"...Sim."

Apesar das instruções da freira e de todos já terem saído, Zemina permaneceu sozinha diante da pia.

Na cozinha vazia, o único som era o da água.

Zemina estava dolorosamente sozinha naquele lugar.

"...Agora não tem mais ninguém para reclamar de eczema."

Na cozinha silenciosa, a garota relembrou alguém em silêncio.

Para ela, a força para suportar cada dia vinha de lembrar do sacrifício de Marcella e da promessa que o garoto havia deixado.

✦  ✦  ✦

Com exceção de uma pessoa, todos se reuniram na capela.

Naquela tarde ensolarada, as garotas expressavam sua empolgação através de sussurros.

O cavaleiro dos rumores. O escudeiro da família Bayezid.

Como alguém que possuía todos os elementos que garotas na flor da idade achariam interessantes estava vindo, elas fervilhavam de expectativa.

"Hoje, um convidado especial chegou. Ele é da família Bayezid e também é recomendado pelo Padre Andrea."

As garotas murmuraram o nome mencionado pela Madre Superiora.

Qualquer pessoa que vivesse na região norte, especialmente no território de Bayezid, conheceria o nome Andrea.

Por mais esforço que alguém fizesse, apenas ser nobre não criaria a situação atual.

As garotas assentiram entre si, reconhecendo que devia haver um motivo para isso.

O homem que veio até aqui trazia excelentes referências consigo.

"Vamos rezar."

Com a liderança da Madre Superiora, todos abaixaram a cabeça.

Ao ver o homem loiro rezando com tanta naturalidade, as garotas quase gritaram em silêncio novamente.

Porque sua postura ao rezar era extremamente natural.

Só de olhar sua postura, era possível perceber o quão devoto ele era. Ele não parecia alguém inculto que apenas perseguia a espada. Os corações das garotas aceleraram com a visão.

'…Rápido, vá e posicione-se!'

'Desculpa.'

Finalmente terminando a última louça, Zemina correu para seu lugar no canto, sentindo os olhares das freiras sobre si.

'...Ufa.'

Por sorte, ela não estava tão atrasada. Se estivesse atrasada ou ausente em tarefas assim, repreensões severas a aguardariam, então Zemina soltou um suspiro de alívio.

Mas o que a garota não sabia era que o homem loiro que fingia rezar lá na frente estava procurando por ela.

E ele havia encontrado a última garota de cabelos vermelhos entrando na capela.

Após a oração.

Após cumprimentos educados e risos.

Quando tudo o que restava era a interação sob o pretexto do almoço.

'Hm?'

Zemina, que finalmente levantou a cabeça após a oração, sentiu como se tivesse cruzado o olhar com o homem loiro no altar.

"...?"

E desde o momento em que seus olhos se encontraram, Zemina não conseguiu desviar o olhar.

Embora seu cabelo chamativo naturalmente atraísse atenção, não era por isso que Zemina encarava o homem loiro.

Era porque ele se parecia com alguém que ela conhecia.

"...Tsk."

Vlad, descendo do altar ao lado da Madre Superiora e dos convidados, começou a franzir a testa como se tivesse descoberto algo desagradável.

"Há algum problema?"

Quando Vlad franziu a testa com desconforto, a Madre Superiora perguntou com um sorriso.

"...Ela parece magra demais. Vocês estão alimentando as crianças direito?"

"O quê?"

A Madre Superiora ficou momentaneamente surpresa com o tom quase repreensivo.

"Ah?"

"Não…"

Vlad disse isso e desceu do altar sozinho, mostrando um comportamento completamente diferente de antes.

Os convidados e as garotas ficaram chocados com a súbita quebra de etiqueta.

Zemina também.

Embora seu tipo de surpresa fosse um pouco diferente.

'Hã, hã?'

A figura do homem loiro se aproximando fez Zemina sentir uma inquietação, como se alguém de suas memórias estivesse se aproximando.

Alguém que não deveria estar ali.

"..."

Vlad parou diante da garota, com a expressão profundamente franzida, ignorando todos os olhares ao redor.

Independentemente de quem estivesse observando.

Ele veio até ali naquele momento.

"...Ei."

Apesar do chamado curto de Vlad, Zemina apenas piscou seus grandes olhos, sem reagir.

Era como se não conseguisse aceitar a situação.

'Vlad.'

O nome ecoava em sua mente, mas ela não conseguia aceitar.

'É o Vlad?'

Embora fosse, o homem à sua frente não parecia o Vlad que ela conhecia.

O manto negro bem cuidado, a armadura de couro cinza cara, o cabelo loiro brilhante e o rosto bem alimentado eram completamente diferentes do Vlad magro de antes.

'Não parece ele.'

Mas havia um motivo fundamental pelo qual Zemina não conseguia reconhecê-lo.

O Vlad em sua mente era um garoto.

O Vlad à sua frente era um homem.

Ombros mais largos, mais alto.

E aqueles olhos azuis olhando para baixo...

"Eles não estão te alimentando direito ou lavando suas roupas aqui?"

"Ah?"

Zemina olhou confusa para o homem que de repente já não estava mais à sua frente.

"...Ha. Droga."

Vlad murmurou, misturando irritação e frustração, enquanto se ajoelhava e limpava a sujeira do avental de Zemina.

Era a sujeira que ela ainda não tinha limpado.

"...O que é isso?"

"Vocês dois se conhecem?"

Todos ficaram chocados ao ver um promissor cavaleiro, reconhecido pela família Bayezid, ajoelhado diante de uma garota comum.

Especialmente as garotas que haviam atormentado Zemina ficaram completamente atônitas.

"O que diabos é isso? Ei, me responde!"

"...Sim!"

Somente ao sentir o calor do toque dele, Zemina percebeu quem era a pessoa à sua frente.

"Soluço! Sniff!"

Vlad franziu levemente a testa ao ver lágrimas se acumulando nos grandes olhos dela.

"...Chega de formalidades, vamos sair daqui agora."

Zemina acariciou suavemente a cabeça de Vlad, ainda ajoelhado diante dela.

Não foi algo consciente, mas parecia algo que ela precisava fazer.

Ela precisava sentir.

A sensação na ponta dos dedos.

Estava mais macio, mas era igual ao garoto de antes.

"Vamos para casa agora."

"----!"

Mesmo tentando segurar, as palavras finais de Vlad atingiram o coração da garota com força.

"Soluço—!"

Diante de todos, a garota de cabelos vermelhos não conseguiu conter as lágrimas que não paravam de cair.

Vamos para casa.

Para a garota que nunca teve um lar, era uma frase que nunca havia ouvido na vida.

As crianças dos becos, sem casa, sem pais, sem comida, eram o lar e a família umas das outras.

Ao lembrar daquele dia de inverno em que se aqueceram sob um único cobertor, a garota chorou.

Na capela silenciosa, o choro dela era o único som ecoando.

Mas mesmo que fosse alto, hoje, até Deus precisava ouvir aquele choro.

Porque a garota era mais grata a Deus do que qualquer sacerdote deste mundo.

O garoto que havia descido ao monte de lixo cumpriu sua promessa daquele dia.

Era uma promessa de que ele definitivamente voltaria.

[Kura: Sabe, como fã dessa obra, essa é uma das cenas que mais me tocam (e olha que já li 3 vezes).]

 

Traduzido por Moonlight Valley

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