Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 5

Capítulo 48: Despedidas não são Eternas

"Isto parece o brasão da família Hainal?"

Uma mulher de cabelos verdes estreitava os olhos sob a luz do sol tingida de laranja.

Os pequenos óculos sobre a ponte do nariz subiam levemente enquanto o rosto franzido da mulher se movia.

[Kura: Ela usa óculos?]

Oksana observou atentamente o livro que a criada segurava e então voltou o olhar para o tecido em sua mão, com a agulha.

"Eu nunca fiz algo assim antes. Na verdade, só vi minha mãe fazendo isso quando eu era jovem."

"Então deve ser algo precioso?"

"Sim."

Diferente da expressão concentrada em seu rosto, os lábios de Oksana estavam levemente curvados para cima.

Era uma das preciosas tradições que agora estavam desaparecendo da memória das pessoas.

Agora, mais uma vez, ela surgia no mundo pelas pontas dos dedos da nobre.

"Está bom assim?"

A árvore branca gradualmente tomava forma nas mãos de Oksana.

A árvore branca plantada na encosta estava bordada com elegância sobre o tecido negro.

"Então, devo bordar o próximo brasão?"

"Aqui..."

"Está tudo bem. Já está bem gravado na minha mente."

Oksana impediu a criada de abrir o livro de brasões e passou uma nova linha pela agulha.

As palavras de Oksana provavelmente eram verdadeiras.

O bordado em que ela trabalhava agora era, sem dúvida, o brasão de uma família que ela não podia ignorar.

Com a expressão novamente franzida, a ponta da agulha ia e voltava.

Uma sólida muralha sendo construída pelas mãos de Oksana sobre o tecido recém-trazido.

E uma espada flutuando acima dela.

Era o brasão de Bayezid.

A sala de estar de Oksana era tão silenciosa que nem mesmo o som da respiração podia ser ouvido, como se tudo estivesse parado.

Naquele espaço onde apenas as partículas de poeira visíveis sob a luz indicavam a passagem do tempo, havia apenas um único mastro no centro da sala de recepção.

Uma bandeira estendida, sem nada inscrito, preenchida apenas com um fundo branco.

O fundo branco da bandeira refletia a mesma cor do mundo onde o garoto havia criado suas raízes.

Uma espada simples dada por um velho e uma garota.

Um cartão de identificação dado por um sacerdote.

Um lenço dado por uma dama nobre com seu nome bordado.

E até uma bandeira branca com um brasão.

Todos eram elementos que formariam as raízes do garoto.

Todos eram conquistas feitas por ele.

✦  ✦  ✦

A noite caiu sobre o campo.

Mesmo com o verão se aproximando, a noite naquele campo aberto e vazio ainda era fria.

Por isso, os cavaleiros ergueram uma muralha com suas carruagens e carroças, preparando-se para acampar dentro dela.

Após a movimentação intensa para montar o acampamento e com a chegada de um breve descanso, os cavaleiros se reuniram como cavaleiros fazem, enquanto os sacerdotes se agrupavam separadamente, cada grupo aproveitando seu próprio tempo.

"..."

Embora fosse reconfortante vê-los todos, o garoto, não sentindo pertencimento a nenhum deles, silenciosamente ocupou um espaço vazio e acendeu um pequeno fogo.

Sssrrrr...

Enquanto ouvia os sons das orações dos sacerdotes ao redor, Vlad retirou sua espada simples.

A superfície da espada, iluminada pelo fogo, estava tingida de vermelho.

Embora a luz refletida pela fogueira se espalhasse aqui e ali por causa das marcas.

'Você também se esforçou.'

Observando o tom avermelhado que lhe lembrava alguém querido, Vlad pegou uma pedra de amolar e começou a cuidar de sua espada simples.

Swish, swish...

A visão do garoto zelando cuidadosamente da espada lembrava a dos sacerdotes orando à sua frente.

Talvez o garoto estivesse rezando com sua espada.

Por aqueles que permaneceram onde ele e a espada partiram.

O som da pedra contra o metal se misturava ao crepitar do fogo.

A expressão de Vlad foi relaxando lentamente enquanto sentia o calor da fogueira e a paz de estar sozinho pela primeira vez em muito tempo.

"Por que está aí sozinho, pensativo?"

"...Lorde Rutger."

Um jovem de cabelos negros se aproximou de Vlad enquanto segurava uma garrafa de álcool.

Rutger sentou-se ao lado da pequena fogueira que Vlad havia feito.

"Por que está sozinho?"

"Todo mundo está ocupado."

Assim como o calor da fogueira à sua frente, Vlad sentia o calor vindo de Rutger enquanto conversavam.

"E o gordinho?"

"Dorothea levou ele. Disse que tinha tarefas para ele."

"E o Sacerdote Andrea?"

"Rezando."

Rutger deu de ombros diante da resposta de Vlad e estendeu a garrafa que estava segurando.

"Quer um gole?"

"Estou cuidando da minha espada no momento."

"Recusando de novo."

"..."

Embora não quisesse estragar o clima agradável que havia se formado, Vlad sabia que, se recusasse novamente, poderia acabar com algo voando em sua direção no escritório de Josef.

"É uísque."

"Bebida de nobre."

Sentindo o aroma amadeirado passar por suas narinas, Vlad olhou para Rutger com uma expressão ligeiramente curiosa.

O gosto da bebida que permanecia em sua língua era semelhante ao que Josef havia lhe oferecido antes.

Por mais que brigassem entre si, parecia que não podiam evitar compartilhar os mesmos gostos vindos do mesmo sangue.

"Acho que vou ter que dar uma olhada nessa espada quando voltarmos."

"...Sim, acho que sim."

Ao ouvir as palavras de Rutger, Vlad voltou a olhar para a espada simples iluminada pelo fogo.

Uma espada feita por um ferreiro inexperiente de um beco.

A espada, que alguém havia forjado com tudo o que acumulou ao longo da vida, ainda protegia seu dono com firmeza, mesmo após cortar inúmeros inimigos.

"Mas disseram que não dava."

"Huh?"

Vlad, respondendo distraidamente às palavras de Rutger, pegou novamente a pedra de amolar e começou a afiar silenciosamente o fio da espada simples.

"A ligação entre o cabo e o corpo da lâmina foi feita de forma arbitrária. Então, a menos que você encontre quem a fez e conserte, terá que quebrar completamente o punho para reparar a lâmina."

"Uma espada tão indomável quanto o dono."

Rutger olhou para a espada de aparência bruta e levantou a garrafa.

Embora o ferreiro-chefe da família Bayezid tivesse falado com cuidado, o significado era claro: o criador da espada havia feito um trabalho tão bagunçado que tudo, exceto a lâmina, teria que ser destruído.

Ainda assim, talvez aquilo fosse o melhor que o velho ferreiro conseguiu fazer.

"Então eu preciso encontrar quem fez e pedir o conserto."

"E onde essa pessoa estaria?"

Vlad ergueu a espada verticalmente para verificar o fio afiado.

Os traços vermelhos refletidos na lâmina iluminavam os olhos do garoto.

Parecia que ele podia quase lembrar daquele cabelo vermelho inesquecível.

"Shoara."

"Bom, você é aquele que vive andando por aí dizendo 'Vlad de Shoara', não é?"

Rutger riu, tomando um gole de uísque, dizendo que o título combinava bem com ele. No entanto, o garoto apenas continuou olhando para a espada simples.

Um ferreiro habilidoso havia se oferecido para cuidar do trabalho, mas Vlad recusou.

Ele não queria perder nada contido naquela espada.

Cada marca gravada nela era como a história que ele construiu.

"..."

Rutger observou Vlad olhando para a espada.

Seus olhos azuis, cheios de várias emoções enquanto encaravam a lâmina, brilhavam levemente.

Então era por isso.

Então era por isso que meu irmão mais novo estava tão agitado.

Rutger assentiu como se finalmente tivesse entendido e tomou mais um gole.

"...Dá para consertar logo?"

"Sim?"

Vlad perguntou, mas Rutger não respondeu, apenas se levantou.

"Se você desejar com força suficiente, alguém vai notar."

"...?"

"Isso significa que você viveu bem até agora."

Vlad olhou para Rutger com uma expressão confusa diante de suas palavras enigmáticas, mas tudo o que saiu da boca dele foi o familiar aroma de uísque.

"Acho que devo me preparar para o trabalho de amanhã," disse Rutger, batendo no ombro de Vlad antes de se afastar.

"..."

Observando Rutger ir embora, Vlad permaneceu sozinho ao lado da fogueira que se apagava lentamente.

"..."

Com Rutger já distante, Vlad começou os últimos ajustes usando um pano gasto com óleo, preparando-se para cuidar das feridas da espada que não podiam ser resolvidas apenas com pedra de amolar e óleo.

Embora as marcas na espada simples fossem lamentáveis, um dia poderiam ser consertadas.

Porque a espada simples e o garoto tinham um lugar para onde retornar.

Uma noite no campo em que o garoto decidiu silenciosamente.

Do alto da colina, um cavalo tão negro quanto o céu noturno observava o garoto sentado diante da fogueira.

Embora pequena, a luz parecia complementar as cores que o garoto criava, e o cavalo gostava disso.

✦  ✦  ✦

Na manhã seguinte.

Carruagens correndo pelo campo verde.

E um bando de cavalos selvagens correndo lado a lado com a comitiva.

A visão de humanos e natureza correndo juntos pelo campo certamente era um espetáculo raro.

Os sacerdotes dentro das carruagens e os cavaleiros ao lado sabiam bem disso.

Todos observavam os cavalos selvagens, aproveitando talvez a primeira e última chance de vê-los.

"..."

Até o garoto loiro, apoiado na janela da carruagem, observava silenciosamente a paisagem.

Um sentimento estranho surgindo em seu peito fez Vlad franzir levemente os lábios.

Vlad sabia.

Era hora de se despedir.

Assim como ele tinha seus deveres, o cavalo negro também tinha a responsabilidade de liderar o bando.

Hee-haw!

O cavalo negro, que corria à frente, começou a desacelerar.

Quando o líder parou, o bando também parou.

Até aqui.

O lugar onde podiam seguir juntos terminava ali.

A cabeça de Vlad se virou naturalmente para observar o cavalo que partia, como se o acompanhasse com o olhar.

Os cavalos selvagens subiram até o topo da colina, como se se despedissem, observando o grupo abaixo.

"Até mais..."

Não acostumado com despedidas, o garoto levantou a mão de forma desajeitada e acenou.

Era um gesto pequeno, quase tímido, mas o cavalo negro viu.

Hee-haw!

A noite sem lua respondeu levantando a pata dianteira.

Vlad colocou a cabeça de volta para dentro da carruagem com uma expressão estranha ao perceber que o cavalo parecia responder ao seu gesto.

Foi um momento breve, mas havia uma conexão profunda.

A profundidade de uma relação não depende apenas do tempo.

"Não fique triste com a despedida," o sacerdote sentado à frente de Vlad assentiu como se entendesse tudo.

"...São apenas palavras."

"Haha. É realmente difícil para as pessoas serem honestas."

Andrea sorriu ao abrir a Bíblia que segurava.

"Nossas vidas são uma sequência de despedidas e encontros, então as lágrimas derramadas na despedida um dia se transformarão na alegria do reencontro."

"..."

Embora Vlad não entendesse completamente as palavras, percebeu que era um consolo.

"Foi um encontro maravilhoso até para mim, então nos encontraremos novamente algum dia."

"Se demorar muito, vai precisar inventar outra coisa para dizer."

"Isso também será destino."

Vlad virou a cabeça novamente para olhar pela janela.

Enquanto observava a bela paisagem, lembrou-se do dia anterior.

A sensação de correr pelo campo verde com o deathworm atrás dele.

Ele havia experimentado as cores mais intensas de sua vida.

As férias haviam acabado.

Era hora de voltar.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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