Sessão 4
Capítulo 39: Uma Grande Recompensa
"Todos os convidados já foram embora?"
Alicia mal conseguiu engolir mais um suspiro enquanto olhava as árvores pela janela.
A árvore sempre fora um consolo para ela, uma lembrança de seu pai.
"Todos já partiram, exceto as pessoas da família Bayezid."
"Eu me sinto tão mal por nem sequer ter tido a chance de... avisá-los antes que partissem."
O duelo honrado havia terminado.
Pode não ter começado de forma honrada, mas concluiu-se com um novo florescer, então é seguro dizer que foi um duelo honrado.
"Endre também escapou?"
"Não. Ele... buscou proteção da igreja por meio do sacerdote."
Endre afirmou seus direitos, alegando que o duelo ainda não havia sido concluído, e pediu proteção. Como a igreja considerou o pedido justificado, Alicia não podia tomar medidas retaliatórias até que Endre estivesse fora de Deomar.
"Sinto meu coração se despedaçando."
"..."
Alicia teve que libertar Endre, assim como os cavaleiros que tentaram empurrá-la para a ruína. Parecia uma ferida em seu orgulho, em sua própria alma, mas não havia como evitar.
Nestes tempos turbulentos, uma causa era ao mesmo tempo, lança e escudo — e, além disso, Alicia ainda não controlava completamente Deomar.
Tudo precisava de tempo para se desenrolar.
"Até a próxima vez, Lady Alicia."
"Nestes últimos dias, sinto como se uma raiva ardente corresse em minhas veias no lugar de sangue quente, Sir Duncan."
E assim, como se engolisse um veneno amargo, ela teve que deixá-los ir.
Porque precisava mostrar seu rosto como a legítima senhora.
Porque aqueles que governam devem assumir responsabilidades e deveres, juntamente com privilégios.
"Como estão os limões?"
"Não muito bem..."
Alicia era uma pessoa resoluta, embora recentemente tivesse sido abalada por grandes provações. Mesmo tendo acabado de recuperar sua posição, esforçava-se para cuidar dos assuntos internos de Deomar.
Embora queimasse por dentro.
"Eles estão produzindo menos..."
Alicia voltou a olhar pela janela, franzindo a testa. Uma árvore que se dizia ter sido plantada no tempo de seu bisavô.
A árvore era um símbolo da família Heinal, e na época de seu pai florescia toda primavera. Embora tivesse crescido e prosperado, ela se perguntava se agora estava morrendo em vez de florescer.
Talvez fosse por isso.
Com o passar do tempo, o clima ao redor de Deomar tornava-se cada vez mais frio, e os limões produziam cada vez menos.
A reputação de Deomar como região produtora de limões estava manchada.
"Devemos cultivar mais cevada?"
"Por que não observamos... um pouco mais?"
Mudar a estrutura industrial que sustentava a economia de um território não era uma decisão fácil. Também seria uma decisão extremamente difícil para os Heinal, cujas disputas internas drenavam suas forças.
"E depois..."
Parecia que havia superado uma montanha apenas para encontrar outra à sua espera. Alicia finalmente soltou um suspiro pesado de frustração.
"Huh?"
Por um instante, um brilho dourado intenso surgiu em seus olhos.
Era a figura de alguém correndo de um lado para o outro do lado de fora da janela.
"....Sir Duncan."
"Sim, Lady Alicia."
Alicia disse com um sorriso, olhando para fora.
"Não é verdade que todo cavaleiro deve saber montar?"
"Não se pode ser cavaleiro se não souber montar a cavalo; é uma virtude tão importante quanto a espada."
"Ah...."
Um som que ela não sabia dizer se era um suspiro triste ou uma exclamação contida escapou dos lábios delicados de Alicia.
"Acho que Deus não dá tudo, afinal."
"Consigo imaginar o sofrimento de Sir Zayar..."
Por um momento, Alicia olhou pela janela, temporariamente esquecendo suas inúmeras preocupações, e sorriu pela primeira vez em muito tempo.
A visão do garoto circulando como em um rodeio nos jardins da mansão ao longe a tranquilizou.
Ele se agarrava com todas as forças — e então era arremessado do cavalo.
✦ ✦ ✦
"Eu achei que você disse que precisava de um cavalo caro?"
"Eu com certeza montei um da última vez..."
Um cavalo exausto, um garoto rolando no chão e um tratador ao lado, sem saber o que fazer. Todos observavam horrorizados enquanto o cavaleiro brincava com seu tapa-olho.
"Você não disse que precisava de um cavalo caro?"
"Talvez precise ser um ainda mais caro..."
A frustração contida na resposta insolente de Vlad explodiu, e Zayar não perdeu tempo em atingir seu escudeiro.
"Kuck!"
"Sempre pense antes de falar!"
Vlad rolou pelo chão mais uma vez sob o golpe de Zayar, mas rapidamente recuperou o equilíbrio com uma queda que já lhe era tão familiar quanto respirar.
"Tenho quase certeza de que montei da última vez, embora Gott estivesse guiando."
"Sim, é verdade, Sir Zayar. Ele definitivamente subiu."
Observando os dois tagarelando como papagaios, como se inocentes de qualquer travessura, Zayar apertou a têmpora latejante, perdido em pensamentos.
"Isto é sério."
Ele pensara que conseguiria ensiná-lo a montar, mas esse não era o problema.
Hiiiiing-.
Como o garoto dissera, era realmente o cavalo.
Ou, para ser mais preciso, os cavalos olhavam para Vlad e recuavam.
Como se temessem algo.
Até mesmo seu próprio cavalo dava sinais disso.
"Já chega por hoje."
"Amanhã?"
"...Não faça amanhã."
Diante da resposta de Zayar, Vlad o olhou insatisfeito.
"O quê?"
"..."
Seja por natureza ou por criação, o garoto competitivo e exagerado queria aprender a montar de qualquer maneira, derrotado ou não.
Porque, francamente, ele não estava indo a lugar algum.
Consegue usar aura, mas não consegue montar um cavalo?
Que coisa ridícula.
"Então quando eu vou aprender a montar?"
"Vamos adiar por enquanto."
"Essa é uma palavra que tenho ouvido muito desde que cheguei aqui."
"Isso é uma reclamação?"
"Um pouco."
Zayar suspirou para si mesmo diante da recusa do escudeiro em se intimidar na sua presença.
Como é difícil lidar com ele, pensou.
"Vamos voltar para Sturma e pensar nisso. Já é suficiente por hoje."
O garoto e o tratador só puderam ficar ali amargurados enquanto Zayar dizia o que tinha a dizer e se afastava com passos decididos.
"Parece que os cavalos não gostam de você."
O estômago de Vlad se revirou ao ver a situação se deteriorar.
"E se isso não funcionar?"
"Por que você não tenta montar uma vaca... ou algo assim, são mais entediantes que cavalos."
[Kura: Vamos ver algo semelhante mais para frente kkkkk.]
Este idiota.
Os olhos azuis de Vlad se arregalaram diante da sugestão ridícula de Gott.
"Então é só isso que você tem a dizer?"
Vlad rosnou para Gott, que teve a audácia de sugerir que ele montasse uma vaca.
"Você nunca para de latir, não é? Pense um pouco antes de falar."
"...Tenho a impressão de já ter ouvido isso antes."
Gott desviou rapidamente o olhar enquanto a criatura vil descarregava sua ira sobre Zayar.
Vou aguentar o que for preciso.
Estou apostando alto em você.
Não tenho escolha além de aguentar...
"Capitão, então vou indo. Levarei este distinto cavaleiro de volta aos estábulos."
"Sumam daqui, vocês dois. Fora da minha vista."
Heeeeeee-ing
Finalmente dando sinais de se separar de Vlad, o cavalo de Zayar relinchou, mostrando os dentes de alegria.
"..."
Mesmo sendo palavras de seu mestre, Vlad não pôde evitar sentir-se afrontado pelo espetáculo.
"Até mais! Cuidem-se!"
Fuhihihing-!
Atrás dele, quer Vlad cerrasse os dentes ou não, o cavalo de Zayar e o companheiro de estábulo dos Bayezid se afastaram com passos muito alegres.
"Maldição, que diabos está acontecendo!"
Exclamou Vlad, chutando o chão em frustração enquanto observava suas costas.
Ele pedira favores a Zayar e não recebera nada em troca.
[Imagino se não é uma questão de energia baixa; os animais são mais sensíveis a essas coisas do que os humanos.]
Em resposta à voz, Vlad embainhou a espada.
"Então, o que eu devo fazer?"
[Você precisa aprender a controlar sua energia.]
"…?"
[Isso faz parte de lidar com o mundo mental e, eventualmente, você precisará ser capaz de usar aura livremente para controlar os impulsos de energia.]
"..."
A voz respondeu, deixando Vlad sem palavras.
Embora tivesse florescido na arena do duelo naquele dia, era difícil demais voltar a usar aura.
Ele mal conseguia materializá-la corretamente — e quando conseguia, era apenas de forma fraca.
Em outras palavras, seria necessário muito domínio e treinamento para usá-la em combate.
[Lembre-se das palavras de Zayar sobre não correr antes de saber andar: nem tudo deve ser feito com pressa.]
"Certo."
Vlad lançou o olhar ao longe, lembrando-se das palavras de seus dois mestres de que tanto a espada quanto a aura exigem domínio dos fundamentos.
"Acho que devo dar uma última olhada... já que não há mais nada que eu possa fazer aqui."
O garoto não apenas aprendia com Zayar e com a Voz — ele absorvia tudo como uma esponja.
Josef Bayezid.
O jovem cuja linhagem nobre lhe garantia qualidades de líder também era um grande professor para Vlad.
Sempre pensando no pior e desejando o melhor, seu comportamento era esclarecedor para Vlad.
A atitude de Josef, valorizando oportunidades e possibilidades, definitivamente ampliava os horizontes do garoto.
"Vamos guardar o melhor para o final."
[Concordo.]
Como aprendera com Josef, Vlad decidiu aproveitar ao máximo seu último tempo livre e voltou-se para as árvores da colina.
Ele não podia ver do mundo do garoto, mas podia sentir o calor que envolvia a colina.
✦ ✦ ✦
"Não vamos encontrar Lady Alicia de novo, certo?"
[Eu pensei que havia uma janela do escritório dela para este lugar.]
"Vamos."
Vlad caminhou em direção à colina para evitar um encontro constrangedor com Alicia.
Ele tinha consciência de seu comportamento obviamente rude, mas nada podia fazer agora.
Talvez fosse sua última chance.
"Depois de tudo, fiz tudo isso por você."
E mesmo que o pegassem, Vlad era o tipo de homem que podia se permitir esticar um pouco os limites.
Se não fosse pelo garoto, Alicia poderia estar fria neste momento.
Então talvez pudesse se safar.
Vlad, a quem haviam dito que este lugar podia ser visto do escritório, ajoelhou-se diante da árvore mais uma vez, como se estivesse rezando.
Já era uma posição familiar.
"Você parece um velho amigo, então fale com gentileza."
[Mmm. A serpente me reconheceu. Honestamente, fiquei surpreso.]
Disse a voz, embora, ouvindo Vlad, sinceramente não acreditasse que ele pudesse evocar a memória.
A aura da serpente branca era definitivamente familiar, mas não de forma intensa.
[…Mas deve ter havido uma conexão.]
Mas havia apenas uma coisa que ele podia fazer agora.
A voz silenciou, desdobrando seu mundo através do olho esquerdo aberto do garoto.
O florescimento colorido do mundo do garoto desapareceu, e um mundo branco e pulsante começou a flutuar na consciência.
Era a mesma cor das raízes do mundo do garoto.
E, finalmente, chegou o momento em que o mundo branco estava completamente nos olhos do garoto.
[…!]
"…!"
O garoto e a voz. Ambos olharam, horrorizados, para o espetáculo diante deles.
A árvore na colina, vista através do mundo da voz.
Não havia nada ali.
Sssss.
Pois ela havia descido da árvore e estava bem diante deles.
A distância era tal que podiam sentir sua respiração.
"Você é amigo dela… certo?"
[…Espero que sim.]
Como se estivesse esperando que chegassem, a serpente deslizou da árvore e começou a se enrolar ao redor de onde Vlad estava.
Ele não podia afirmar com certeza, já que ela não falava, mas parecia envolver o corpo de Vlad com um certo entusiasmo.
"Isso é uma saudação, não é?"
[…Acho que sim.]
A serpente invisível, mas certamente presente, enroscou-se firmemente no garoto e moveu a cauda.
Se Vlad lhe desse o menor empurrão, ela seria reduzida a uma massa disforme.
Mas ainda assim.
O garoto e a voz podiam estar surpresos, mas não se sentiam ameaçados.
Porque tudo na serpente que os tocava era quente.
Havia uma conexão emocional que não podia ser comunicada por palavras.
"…"
A serpente, que conseguira se enrolar no garoto, ergueu a cabeça e deslizou para longe.
Parecia estar dançando, mas apesar do movimento de seu grande corpo, parecia completamente sem peso.
"Isso é?"
[Não tente entender os espíritos; eles são apenas outra forma do mundo.]
Os humanos sempre tentaram interpretar tudo no mundo à sua maneira, mas é impossível para a alma frágil de um mortal compreender tudo ao seu redor.
Talvez por isso os humanos confiem nos deuses.
Honestamente, até o garoto invocou o nome de Deus, ao menos por enquanto.
Hiss-
Algo começou a se erguer da encosta em sincronia com os movimentos da serpente dançante.
Apesar da claridade do dia, as luzes azuis que surgiam pareciam vaga-lumes noturnos.
Elas voaram em direção à serpente.
[…Isto é?]
Até a voz, que sempre permanecera calma, estava em pânico diante da situação atual.
Hiss-
A serpente começou a recuar.
Como se tivesse cumprido sua tarefa.
"…"
Ao mesmo tempo, a armadura negra-acinzentada do garoto começou a brilhar com a cor azul dos vaga-lumes.
Vlad ficou boquiaberto, olhando para sua armadura reluzente.
[Bênção.]
Disse a voz, e Vlad, subitamente de volta ao seu próprio mundo, olhou para frente.
Ele viu uma serpente.
Ela estava olhando para ele.
Era visível em seu próprio mundo.
Hiss-
Sorriu ao ver a armadura do garoto brilhar.
Ela atraiu o garoto e abençoou sua voz.
Com seu próprio calor.
"…"
Vlad não sabia por quê, mas sua armadura parecia cheirar a limões frescos.
Traduzido por Moonlight Valley
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