Sessão 1
Capítulo 2: Fome, Sangue e Sobrevivência
A cidade de Shoara.
Shoara é uma das três cidades pertencentes à família do Conde Bayezid e está sempre cheia de gente.
Não era apenas o centro logístico do norte, onde dois rios convergiam, mas também uma cidade que prosperou graças ao poder da família Bayezid, uma família prestigiosa no norte.
Por isso, as pessoas costumavam se referir à cidade de Shoara como o "farol do norte", porque ela brilhava tanto à noite quanto durante o dia.
No entanto, sempre havia sombras sob a lâmpada.
Havia uma área na cidade onde tudo ficava escondido sob as luzes radiantes da cidade, e todos sabiam disso, mas faziam vista grossa.
Aquele lugar era a área de favela, onde todas as coisas sujas e imundas de Shoara eram reunidas.
"A vela do segundo andar custou 20 pratas, e a do terceiro andar custou 30 pratas."
"...Há algum desconto se eu comprar muito de uma vez?"
"20 silver, 30 silver."
"Ei, Vlad, lembra quantos pães eu te dei quando você mendigava nas ruas? Me dê mais um pouco!"
Um homem de meia idade com metade da cabeça raspada gritou com um sotaque complicado, mas o garoto loiro não lhe deu atenção.
"Se você não tem dinheiro, vá para casa e esfregue a bunda da sua esposa."
"Ah~! Olha só esse moleque. É porque você não tem pais para te ensinar? Não..."
Vlad baixou a cabeça e bateu com os dedos na mesa.
"Seus filhos também esperam que o pai tenha uma vida longa e saudável, para que eles não acabem como eu."
"Me dê 3 velas para o segundo andar!"
O homem de meia idade recuperou a compostura depois de evitar o olhar de Vlad. Pegando as velas rapidamente, deixou cair a moeda de prata como se a estivesse atirando fora.
"Caro cliente, esta é uma moeda de 100 de prata, sabia?"
"Aceite logo, seu desgraçado!"
"Tenha uma boa noite, cliente!"
"Seu desgraçado de olhos azuis!"
Antes, Vlad o encarava como se fosse devorá-lo, mas com a dica inesperada, Vlad não hesitou em fazer uma profunda reverência.
"...Tem um gosto bom."
Vlad disse, olhando para a moeda de 100 pratas que tinha na mão.
Embora Shoara fosse uma cidade desenvolvida com inúmeros bordéis, poucos lugares eram tão renomados quanto o "Sorriso da Rosa".
Este lugar era famoso não só pela beleza excepcional de sua proprietária e cafetina, Marcella, mas também pela qualidade de suas bebidas, mulheres e serviços ocasionais.
Portanto, mesmo alguém como Vlad, que simplesmente se sentava aqui e vendia velas, não tinha dificuldade em juntar um ou dois centavos de gorjetas.
É claro que o processo pode ser bastante difícil.
"Aaaaargh!"
"Sua vadia desgraçada! Venda seu corpo em silêncio, por que você está enganando as pessoas?!"
No corredor do segundo andar, uma das prostitutas estava sendo espancada e arrastada pelos cabelos por um cliente.
"Como eu te enganei?"
"Sou mercenário há 20 anos! Vocês estão vendendo drogas inúteis!"
A prostituta de cabelos castanhos tinha os braços estendidos para a frente, como se temesse mais os punhos do homem que se aproximavam do que a vergonha de seus seios expostos.
"Nunca há um dia tranquilo."
Vlad suspirou, pegou as velas que estavam à sua frente, e subiu para o segundo andar.
"Cliente, o que está acontecendo?"
"Vlad! Por favor, me salve!"
"Por que essa criancinha maldita está aqui? Chame sua patroa, seu desgraçado!"
Vlad colocou silenciosamente a bandeja que segurava no corredor e suspirou.
"Se quiser conhecer nossa Madame, precisará de moedas de ouro, não de prata."
"Que tipo de moedas de ouro você está falando, se administra um negócio tão desprezível?! Seu desgraçado! Traga sua mãe se a Madame não estiver aqui!"
Várias pessoas que bebiam no saguão do primeiro andar começaram a observar com interesse a discussão que iniciaram no corredor do segundo andar, a qual se espalhou por todo o prédio.
Prostitutas se entregavam à imoralidade de joelhos.
Todos seguravam cerveja na mão esquerda e cigarros na direita, como se estivessem ansiosos para assistir à luta mais divertida do mundo.
"...Conte-me seu problema."
Vlad perguntou ao homem que alegava ser mercenário há vinte anos, enquanto cobria os olhos com as palmas das mãos.
"Esta vela!"
O homem, frustrado com as perguntas de Vlad, atirou a vela e gritou: "Esta vela não deveria durar 7 minutos? Por que diabos ela está queimando até o fim logo depois que eu tiro as calças?!"
Vlad observou a vela queimando lentamente com uma expressão indiferente.
A vela rosa é usada como um instrumento para marcar o tempo.
Demorou sete minutos para queimar completamente. A vela servia como padrão para medir o tempo entre clientes e prostitutas, bem como o meio de transação.
"Muito bem, então."
Vlad vasculhou a caixa que havia deixado no chão e pegou uma das velas usadas no segundo andar.
"Está vendo aquele relógio ali? Vou acender esta vela e vamos ver se dura exatamente sete minutos."
Não havia relógio para marcar a passagem do tempo no saguão do primeiro andar, onde as pessoas se divertiam, mas havia relógios no segundo e terceiro andares, onde as pessoas eram sensíveis ao tempo.
"Por que eu deveria ouvir vocês, vigaristas?"
O homem, que alegava ser mercenário, cruzou os braços e recusou a proposta de Vlad, mas…
"Vamos fazer isso."
"...?"
O homem não pôde deixar de acenar com a cabeça enquanto olhava para os olhos azuis de Vlad.
Aqueles olhos que podiam dominar qualquer um com apenas um olhar. Jorge, o chefe da organização, certa vez comentou sobre o olhar de Vlad, dizendo que ele poderia ser o chefe de qualquer beco apenas olhando para as pessoas.
"Se não durar 7 minutos, você decide se poupa a garota ou não."
Vlad murmurou enquanto riscava um fósforo na sola do sapato.
"Mas se esta vela durar 7 minutos, eu vou te dar uma surra."
"...O quê?"
Antes que o mercenário pudesse reagir, Vlad acendeu a vela bem no meio do corredor.
"Vlad..."
Apenas a pobre prostituta, que parecia ansiosa, olhava para Vlad em vez da vela.
1 minuto, 2 minutos, 3 minutos se passaram.
Com o passar do tempo o sentido de todos reunidos no corredor começou a se concentrar…
"Hã?"
Os olhos do mercenário se arregalaram em surpresa, mas ele ainda segurava os cabelos da prostituta.
"Já se passaram 7 minutos, seu desgraçado!"
Vlad brandiu o porrete que carregava na cintura com a velocidade de um raio.
Bah!
Sangue vermelho espirrou da cabeça do mercenário devido ao golpe violento.
"Aaargh!"
O mercenário afrouxou o aperto nos cabelos da prostituta por causa do ataque repentino de Vlad, e ela conseguiu escapar.
"Você está acabado por hoje!"
Vlad agarrou o mercenário, ainda inconsciente, pela gola e o arrastou para o quarto que haviam acabado de deixar.
Clique!
"Você tentou nos enganar primeiro! Um mercenário veterano de 20 anos. Como você conseguiu desenvolver essa barriga toda, como?"
Crack! Crack!
"Kwaaargh!"
"E por que tantas pessoas estão procurando minha mãe hoje, todos os dias? Vocês acham que eu viveria em sofrimento sob o céu sem pais?"
A porta se trancou.
Todos ouviram o som de golpes e os gritos de um homem vindos do quarto.
Vlad, com toda a raiva que havia reprimido antes, concentrou-se em espancar o homem à sua frente.
"Ah... pare!"
"Cale a boca, seu desgraçado!"
Os espectadores, que esperavam uma briga, voltaram sua atenção para as prostitutas quando não viram o que esperavam.
Bah!
O som da boate e os gritos do homem.
A música da banda ficou ainda mais alta quando uma mulher de cabelos negros no quarto andar gesticulou para baixo.
Algumas pessoas gritaram, outras fervilhavam de raiva, mas tudo foi abafado pela música alta.
Isto é Shoara.
Isto é o Sorriso de Rosa.
Era apenas um lugar onde vidas passageiras se reuniam e estagnaram por um momento.
✦ ✦ ✦
Após uma noite barulhenta, a tranquila luz do sol da manhã se acomodou sobre a Estalagem da Rosa.
A atmosfera matinal, decorada com ornamentos elegantes, dava a impressão de uma mansão nobre.
Cada decoração luxuosa continha as lágrimas e o suor da mulher de cabelos negros, mas poucos a reconheceriam.
"Vlad."
"Oh, Anna."
Uma mulher chamava Vlad, que havia trazido o último cliente e o colocado educadamente no chão do beco.
"A área ao redor dos olhos está roxa. Você deveria tirar uns dias de folga."
"É verdade. Mas nada está quebrado, então está tudo bem."
Ela era a prostituta de cabelos castanhos que havia sofrido com a violência do mercenário na noite anterior.
"Obrigado."
A mulher com os olhos inchados, e roxos, sorriu levemente e entregou algo a Vlad.
Vlad observou com uma expressão vazia enquanto esperava que ela lhe oferecesse o que quer que fosse.
"Vou comer bem."
Era um ovo.
"Coma aqui. É um ovo cozido."
"Hum..."
Vlad observou Anna, que lhe sorria com um olhar significativo.
"Certo."
Vlad quebrou a parte de baixo do ovo com os dedos e começou a comer a gema.
Anna observou com satisfação a garganta de Vlad se mover enquanto ele engolia.
"Os homens hoje em dia estão muito grosseiros. Em momentos como este, preciso de um homem em quem eu possa confiar de verdade..."
"Comi bem."
Anna olhou para a casca do ovo na palma da mão com um sorriso amargo.
"... Me avise quando mudar de ideia. Não vou te cobrar mais do que aquela pirralha ruiva."
"Talvez eu cobre."
Com essas palavras, Vlad mudou de direção e começou a se afastar.
"Ah, a propósito, Anna!"
"Sim? O que foi?"
Anna olhou para Vlad com um brilho de esperança nos olhos, mas…
"Você não está abrindo a porta da frente demais? Ainda é inverno e você deveria cuidar da sua saúde."
"...Isso também é um sinal de gratidão."
Depois que Vlad apontou isso, Anna cobriu os seios.
Vlad já havia desaparecido no final do corredor quando ela olhou para cima novamente.
"A única coisa que posso vender é meu corpo, mas isso não vai render muito..."
No meio de um corredor vazio, uma mulher sem ter para onde ir suspirou e sorriu tristemente.
✦ ✦ ✦
"Jorge, acho que alguém mexeu nas velas."
O primeiro andar era o saguão, onde vendiam bebidas e comidas.
O segundo e o terceiro andares eram para clientes e prostitutas.
O quarto andar era a área residencial das prostitutas e dos funcionários.
Vlad relatou o ocorrido a um homem na sala de jantar do quarto andar, onde tomava café da manhã.
"Não foram sete minutos."
"É mesmo?"
Jorge, um homem de porte físico imponente, não pareceu se importar muito com o relato de Vlad.
"Não foram sete minutos."
"É. Isso mesmo. Foi o que você disse."
Salsichas fritas, morcela, batatas fritas e pão branco.
O café da manhã de Jorge era sempre o mesmo, e ele próprio era um homem que não mudava.
"Você entendeu o que eu quis dizer? Alguém colocou velas na nossa comida."
"Não, quem se atreveu a fazer isso!"
A mulher de cabelos negros que preparava o café da manhã na frente de Jorge interrompeu com um sorriso travesso.
"Temos que descobrir quem fez isso."
"Claro que temos que descobrir!"
"Devo procurar?"
"Procure você!"
"O que devo procurar?"
"Para ser honesto, eu já encontrei."
"Quem é, Marcella?"
Marcella, a dona do Sorriso de Rosa.
Ela possuía uma beleza excepcional, classificada entre as cinco mais belas de Shoara.
E apesar de estar na casa dos 30, ela ainda mantinha sua beleza. Era uma mulher com a aparência de uma dama voluptuosa e o sorriso de uma garota inocente.
"Sou eu. Mexi nas velas. Queria chupar mel facilmente de bêbados."
Palavras obscenas saíram naturalmente dos lábios vermelhos e carnudos que qualquer homem desejaria.
"Ha..."
Vlad abaixou a cabeça como se não pudesse acreditar.
"Eu acabei de ferrar com aquele idiota..."
O dono disse isso, mas o que o funcionário pode dizer?
"...Se eu tivesse colocado a vela no corrimão em vez do chão do corredor, teria causado um alvoroço."
Vlad a colocou deliberadamente no chão, por precaução.
Se não o tivesse feito, todos os presentes no primeiro andar teriam percebido que a vela não durou sete minutos.
Ao ouvir a explicação da senhora, Vlad levantou-se fracamente da cadeira.
"Aonde vai? Coma e depois vá embora."
"Já volto."
"Por quê?"
"...Vou dar um cobertor para o cara que acabei de expulsar."
"Você é tão gentil!"
Vlad desceu as escadas com passos hesitantes. Mesmo sem sentir remorso por ter batido na cabeça de um inocente, Vlad acreditava que deveria fazer o mínimo necessário como ser humano.
Era a lei do beco que, se suas crenças não fossem firmes, você seria rapidamente arrastado pelas ondas sombrias.
"Ei! Meu orgulhoso aluno do segundo ano!"
Alguém gritou e agarrou Vlad quando ele desceu para o primeiro andar.
"Não me toque. Estou cansado hoje."
"Ouvi dizer que você fez alguma coisa ontem, não é? Como esperado do meu orgulhoso júnior!"
Era um homem chamado Burleigh, da família Jorge.
"Você ganhou umas gorjetas vendendo velas ontem, não é? Precisamos de dinheiro agora."
O olhar de Vlad finalmente se voltou para os membros da família Jorge.
"Vão se ferrar."
"Não, não diga isso, apenas me escute. Não somos escroques que roubam dinheiro dos nossos juniores."
Burleigh se aproximou de Vlad e passou o braço em volta do ombro dele.
"Que tipo de besteira é essa?"
"É sobre dar e receber. Se você nos der dinheiro, nós lhe daremos algo em troca. É isso que eu quero dizer."
"O que é isso?"
Burleigh estreitou os olhos como se suas palavras finalmente tivessem surtido efeito.
"Venha comigo."
Quando Burleigh gesticulou com o queixo, outros membros da família Jorge abriram caminho para eles.
"Está no porão."
Seguindo Burleigh, Vlad caminhou com ele até o porão do sorriso de rosa.
Este lugar era essencial para o funcionamento do sorriso de rosa, pois armazenava bebidas alcoólicas e suprimentos de comida, e era administrado por Burleigh, que era muito respeitado pela família Jorge.
Em outras palavras, este lugar era território de Burleigh.
"Que diabos..."
"E aí? Um rosto familiar, não é?"
Vlad ainda era o caçula da família Jorge e precisava da permissão de Burleigh para pegar algo daquele lugar.
"Que tal isso? Eu te dou apenas 40 moedas de prata. É muito barato. Onde mais você encontraria um ancião tão generoso?"
Havia algo se mexendo atrás de Burleigh, que sorria maliciosamente.
Era uma criança de pele escura. Ela olhou para Vlad com uma expressão lamentável com sangue escorrendo da testa.
Traduzido por Moonlight Valley
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