Medo da Escuridão Brasileira

Autor(a): Marcos Wolff


Volume 12 – Arco 4

Capítulo 114: Preparado para guerrear.

 

Hideki



— Temos que verificar com cuidado o que vamos fazer daqui pra frente… — diz Emilly.

— Pois bem, com as coisas indo dessa forma, é claro que irá acontecer alguma guerra a qualquer hora, é só questão de tempo. — diz Any.

Bem, nesse momento… eu discutia o que iria acontecer daqui pra frente com o pessoal na minha casa, enquanto eles falavam, fiquei quieto para ouvir o que iria acontecer.

— No total temos 50 mil pessoas prontas para entrar em combate de alguma forma, poucas dessas pessoas sabem como usar poder, e apenas duas são deuses… enquanto do outro lado, não sabemos quantas unidades eles tem, sem contar que são deuses que tem muita habilidade, talvez essas 50 mil pessoas não seja algo que dê algum medo, ou outro sentimento igual.

O que Emilly acabara de falar fazia realmente sentido, de certa forma, tenho certeza que 50 mil pessoas não são nada para os deuses que vão lutar contra a gente, afinal de contas, nem sabemos quem estará por trás de tudo isso.

Poderia ser meu pai, por conta do último ataque que fez. Mas também poderia ser qualquer outro deus, até mesmo um que não se demonstrou agora. Penso que ele poderia estar se preparando para alguma coisa que deverá acontecer daqui pra frente, enquanto estamos esperando um movimento deles… eles devem estar da mesma forma.

— Talvez… não dê tempo para ensinar tudo para as pessoas, mas nos últimos dias, tanto eu quanto o Kay estamos trabalhando para ensinar o máximo de pessoas possíveis qualquer coisa relacionada a mana. — diz Any.

Qualquer coisa que seja… eles estão se esforçando de alguma forma para gerar poder pra gente, mas uma coisa que não deve ter como fazer… é milagre, principalmente nesses momentos. 

— Creio que… se o Riki pode fazer um ataque como da última vez, ele pode fazer algo pior. — digo.

E isso é algo que vem na minha mente, se o poder dele é só aquilo… então há uma forma de derrotá-lo, mas caso contrário, se ele estiver escondendo seu verdadeiro poder, então há muitas coisas para aprender sobre o que pode vir.

Além do mais, ele não estará sozinho, capaz de chamar Akumo e os outros deuses que apareceram aqui, caso seja isso, será quase impossível pra ganhar uma luta… 50 mil soldados são bastante pessoas, mas não o suficiente para lutar contra deuses.

Por ser um, sei o limite que ele pode atingir.

— Eu posso falar com ela, ainda. — digo.

— Quem?

— Pérola. Ela deve saber de muitas coisas.

— Isso você pode deixar pra depois, por enquanto vamos focar aqui. — responde Shiori.

Nesse meio tempo, um pouco antes da reunião começar, contei pra Shiori quem era a Pérola, e o que ela estava fazendo por aqui. Uma das primeiras deusas a aparecer no mundo, isso me deixa aliviado de saber que temos uma pessoa dessas do nosso lado. Pois, no final das contas, ela sabe muito como era no início.

— Eu falarei com a Pérola, e assim podemos verificar o que ela sabe do passado.

— Como isso pode ser algo de ajuda?

— Não sei, apenas pensando no que poderia ter…

— Só você mesmo…

— Agora, a Akumo, vocês podem deixar pra mim, eu sei que conseguirei matá-la. — digo.

— Certo.

Mas Shiori me olhou um pouco inconformada, mas devolvi o olhar com determinação de que eu realmente poderia fazer alguma coisa contra aquela deusa. Talvez era vingança, ou até mesmo ódio puro por ela…

Não sei dizer.

Após isso… Emilly começou a falar o plano dela.

— Sabendo de tudo o que pode acontecer… decidi bolar um plano.

Ela pegou um mapa mundi, e colocou na mesa, logo em seguida, pegou outro mapa, da cidade tecnológica.

A cidade tão avançada tinha um nome estranho. “Qila”.

Qila era uma cidade vertical, existiam prédios imensos lá, e mais do que isso, era um círculo imenso e extenso que nem saberia dizer o diâmetro disso.

Ela continuou, e respirou.

— Quero evacuar todos os seres humanos dessa cidade, logo em seguida poderíamos começar.

— Evacuar? Mas isso é… muita gente, é impossível fazer isso! — disse Shiori.

— Eu sei, mas pensa assim, estamos lutando contra deuses, e não sabemos o limite de seus poderes. Eu quero evacuar, e se possível… trazer para o nosso time.

Todos ficaram em silêncio por um tempo.

— Nesses dias, observei aqueles dois demônios que você trouxe, Hideki. Eles são pessoas a altura para fazer essa missão pra gente enquanto a guerra começa.

— Qual o motivo de não ser a gente que deve fazer isso? — perguntei.

— Vamos estar ocupados treinando o resto do pessoal, então não dá pra ser a gente. Por isso, pedirei a eles para fazer essa missão.

Não que isso me preocupasse, mas realmente… deve ter pessoas mais capacitadas para fazer isso.

— Vamos soltar o Thiago, falar com ele, e assim… podemos começar com isso. — disse Emilly.

Honestamente, por mim não haveria problema, mas… para a Shiori, tudo isso estava extremamente confuso. Entendo.

— Tudo bem, eu converso com o Thiago. No meio disso… pensem em uma forma de treinar direito as pessoas. Sobre evacuar as pessoas da cidade… não sei ainda se é algo bom.

— Mas… se não fazer isso, pessoas irão morrer em vão! — afirma Any.

— Any, pessoas irão morrer em vão por conta daquele homem, você não sabe do que ele é capaz, eu não sei do que ele é capaz… ninguém sabe!

Respirei fundo, e assim continuei.

— A mana é literalmente um conhecimento que é normal para todas as pessoas, guerra entre os humanos já é algo normal, talvez não nesse reino, mas fora dele é. Não temos que nos preocupar com pessoas que nem ao menos conhecemos.

Me levantei e olhei para cada pessoa que estava naquela mesa.

— Por mais que isso seja uma luta entre nós e apenas alguns deuses, ainda sim é algo tão grande que a humanidade não pode pensar direito. Evacuar as pessoas daquele lugar é um erro para essa luta.

— Eles vão morrer, Hideki!

— Eles vão morrer se fizermos algo ou não! Caso só deixarmos, eles vão lutar, e isso vai nos ajudar!

— Mas o treinamento para as outras pessoas?

— Esse treinamento será útil… mas apenas deixe as pessoas daquele lugar… elas lutaram se tudo der errado. Isso é uma guerra entre deuses e a humanidade. Não há nada de errado em lutar pela terra que você tem.

— Mas, como você sabe que eles vão lutar?

— O ser humano é assim.

— Mas… — tentei continuar, mas minha voz não saiu por um tempo… logo em seguida, consegui continuar — Deixem Riki… e Akumo, pra mim.

Era uma notícia estranha deixar o que poderia ser os mais fortes para minha pessoa, mas ainda sim continuei com a ideia, apenas por pura vingança e por tudo o que aconteceu até agora.

Aqueles dois eram os únicos que poderiam me explicar o que aconteceu comigo no passado, e eu faria eles falarem à força.

— Não! — exclamou Shiori.

Ela se levantou, colocou as mãos na mesa… e respirou fundo.

— Você não pode lutar com eles sozinho! Eu… eu vou com você! — continuou a exclamar Shiori.

— Mas… isso é muito perigoso pra você…

— Eu sei… mas… tudo o que eu menos quero que aconteça… é te perder… se por acaso isso acontecer de novo, o que será de mim? Não posso deixar você lutar sozinho contra pessoas que são muito mais fortes que todos nós!

Lentamente ela girou a mesa até chegar na minha frente, e assim continuou falando:

— Se tudo der errado… eu quero estar do seu lado para ir junto com você! Não irei conseguir suportar perder… mais alguém…

Olhei para os grandes olhos chorosos que estavam na minha frente, e respirei fundo. Na minha mente, Shiori não seria capaz de me deixar ir sozinho, isso por conta do amor que sentimos um pelo outro. Isso vem de mim, e vem dela… mas naquele momento, pensei um pouco que poderia passar por cima disso e ainda lutar sozinho contra eles… mas é impossível.

Ela obviamente não iria permitir que isso acontecesse.

Coloquei a mão sobre seus cabelos e sorri atentamente…

Não havia resposta para o que ela queria fazer, mas havia uma forma de simplesmente estarmos um do lado do outro, apoiando o peso que outro carrega. Mas isso é um fardo que não queria compartilhar com Shiori, que até então… já estava com tanta coisa na mente…

Ela… sabe de alguma coisa.

— Eu só… não quero te perder… de novo.

Mas você nunca me perdeu, não é agora que isso vai acontecer. 

Ela me abraçou, e ficou ali por um curto tempo… 

Logo se soltou, mas olhou para cima com olhos chorosos, em minha direção. Apenas… novamente sorri.

— Estará decidido o que acontecerá daqui pra frente. — digo.

Parei por um tempo, decidido, e logo continuei falando:

— Levem todas as pessoas treinadas para fora do campo, tragam o Kay, e as pessoas que ele conhece, enquanto isso…

Parei de falar naquele momento, mas talvez entendesse o que estaria na minha mente…

— Enquanto isso, irei descansar em casa, pensar um pouco mais nas coisas que eu tenho que fazer… vai ser dificil.

— Eu… entendo. — diz Any.

Emilly se segurou em sua própria roupa, talvez quisesse falar algo mais profundo, mas sua mente não permitiu… Porém, mesmo que fosse tarde, ela se aproximou, e me olhou nos fundos dos olhos, preparada para falar algo:

— Eu preciso te mostrar algo então…

Shiori me olhou, e assim permitiu que eu saísse para verificar o que Emilly quer. Com isso, saímos e seguimos pelas novas estreitas ruas que havia na cidade.

Além do lindo barulho da água que percorria pela cidade, também ouvimos perfeitos cantos dos pássaros que apareciam. As pessoas já tinham apagado as luzes, o que significava que todos tinham ido dormir.

Do lado de fora nesse horário apenas ficavam os guardas da cidade, no total eram 15 guardas que ficavam em volta, pelo lado de fora, e mais 15 que ficavam dentro da cidade andando pelas ruas. 

Fora a família real — e eu — ninguém mais poderia ficar do lado de fora de suas casas nesses horários. Por mais que não tivesse dia, o sino tocava nos horários de recolher, o que dizia ser o horário ideal para uma boa “noite” de sono.

Por conta disso, paramos na frente da casa de Emilly, onde ela continua olhando pra frente, me evitando.

— Hm… Sinto que tem algo que está acontecendo entre a gente… — digo.

— É apenas a minha mente que não está processando tudo direito.

— As pessoas se confundem às vezes, é normal.

— Isso não é confusão.

Então ela me olhou, mesmo que de canto para ver como estava a minha reação.

— Hideki, você sabe qual é o meu sonho? Any te contou? 

— Pra falar a verdade, ela nunca falou direito sobre vocês, mas eu sabia que não eram da mesma família, e ainda por cima estavam apaixonadas uma pela outra. 

— Como você sabe?

Suas orelhas se avermelharam, dava para perceber.

— Bem, eu sou uma pessoa apaixonada, e essas pessoas normalmente se encontram na vida para falar sobre seus amores. De primeira eu achei estranho as características físicas não combinarem, logo fui pensando um pouco mais nas coisas, mas tudo ficou claro quando ela declarou seu amor.

— Ah… ela é assim mesmo.

— Eu acho muito lindo o romance de vocês duas, por isso tem total meu apoio!

Fiz um joinha, mesmo que ela não estivesse observando. 

Emilly não sabia como responder, por conta disso deu um suspiro como se estivesse rindo por dentro, logo abriu a porta de sua casa, para até mesmo que eu conseguisse ver o que estivesse dentro.

— Pode entrar.

O lugar aos poucos acende as luzes sozinho.

Quando entrei na sala, fiquei impressionado com o teto alto, decorado com lustres de cristais que brilhavam como estrelas. A lareira, esculpida em pedra negra, exalava um brilho mágico enquanto chamas azuis dançavam, iluminando tudo ao redor.

O chão era coberto por um tapete de pele macia, com manchas prateadas que refletiam a luz. As paredes, feitas de pedra translúcida, abrigavam sombras que se moviam lentamente, era a minha sombra andando atrás da de Emilly. Prateleiras carregadas de pergaminhos e livros antigos, alguns envoltos em correntes, dominavam os cantos da sala.

No centro, uma mesa de vidro negro parecia flutuar, sustentada por correntes douradas, com um globo dourado girando suavemente sobre ela, mostrando mapas de terras desconhecidas. Ao fundo, uma enorme janela arqueada revelava uma paisagem fantástica de montanhas envoltas em neve, planetas flutuavam acima de tudo isso, rodeados por aneis brilhantes e envoltos em névoa de uma cor que não conseguia entender qual era, apenas o espaço demonstrando sua beleza.

— Eu não lembrava de sua casa ser assim…

— Não era mesmo, mas esse lugar é mais aconchegante, aqui… eu tenho uma surpresa pra você.

— O que seria?

Logo, entramos em um quarto simples, era um lugar para guardar armaduras, as paredes eram repletas disso…

Mas no centro tinha uma armadura que não dava para não perceber… 

A armadura era uma combinação perfeita de força e elegância. O metal cinza polido dominava o conjunto, com contornos dourados que destacavam suas linhas, dando um ar nobre. Os ombros tinham placas bem encaixadas, enquanto nos antebraços, uma cor surgia em um padrão entrelaçado sob as peças, como se desse vida ao aço frio.

As proteções para as pernas seguiam o mesmo estilo, com placas articuladas que cobriam até os joelhos, onde o dourado formava detalhes marcantes. As caneleiras desciam até os pés, protegidos por botas de aço sólidas e funcionais. O vermelho trançado reapareceu sob as placas, trazendo um contraste vibrante que quebrava a monotonia do metal.

No meio disso, em sua cintura, havia um tecido de cor vermelha, quase que transparente, aquilo possivelmente demonstra um poder intenso que eu não conseguia contestar.

Mesmo parada ali, vazia, a armadura parecia carregar uma presença própria, como se estivesse pronta para ser usada em batalha a qualquer momento. Parecia que gritava… “Me use.” 

— Isso… é um presente da minha mãe, ela tinha feito pra mim quando era menor com a desculpa de que em algum momento na minha vida, iria usar para governar o mundo.

— Tua mãe era bizarra…

Emilly sorriu.

— Agora, estarei dando a você.

— Eu?

— É…

— Mas…

— Não tem “mas”, está obvio que você será o rei desse lugar, e quem sabe do mundo.

— Calma lá, do mundo não… Não quero ser esse tipo de coisa.

— Bem, isso vai te ajudar na luta contra os deuses. E.. tem mais uma coisa.

— O que?

— Yukiro pediu para te entregar uma espada, mas isso é no outro quarto.

Rapidamente ela me leva para um quarto diferente, lá havia uma espada gigante, na escuridão daquele quarto não dava para perceber o que era… mas logo quando me aproximo, sou indagado a pegar ela na mão.

A espada parecia viva, pulsando com uma energia sombria. A lâmina era larga, pesada e de um tom de roxo tão escuro que quase parecia negra, refletindo um brilho violeta ao longo do fio. 

O cabo, envolto em couro negro com detalhes roxos, encaixava-se perfeitamente nas minhas mãos, firme e seguro. O pomo, com sua pedra cristalina e chamas púrpuras internas, parecia conter um poder inquietante. O guarda-mão era robusto, com chifres curvados e gemas que emanavam uma luz suave, completando o visual de uma arma feita para intimidação e destruição.

Apesar do peso, a espada se movia com uma fluidez impressionante, como se estivesse pronta para responder à minha vontade. Não era só uma arma; era uma promessa de poder, forjada para vencer qualquer desafio.

— Por que ela me daria algo assim?

— Yukiro me disse que você tem que estar pronto. Por conta disso… ajudei ela a fazer essa espada no tempo em que você estava treinando, ainda mais. As gemas vão te salvar em algum momento.

— Gemas…

— Elas são catalisadoras de mana, pode quebrar qualquer barreira com a vontade do usuário, mas você só pode usar uma vez. Seja o que for, use em Akumo.

— Entendi…

— Agora o resto é com você, pode pegar essas coisas e levar para a sua casa, se não tiver espaço lá, poderá deixar por aí mesmo. 

— Mas e você?

— Eu?...

— …

— Vou precisar de um tempo para pensar melhor nas coisas, desenvolvi muitas habilidades estranhas enquanto tentava fazer essa sua espada, a principal delas foi tentar ser uma maga, e ainda por cima… uma ferreira.

— Você é gentil demais… por mais brava que possa parecer.

— Não leve isso como gentileza… é mais como um pedido de socorro…

Emilly me olhou de forma penetrante e segurou suas mãos por cima de seu peito.

— Por favor, salve esse lugar, esse país que agora está com seu coração destruído.

No final, ela sorriu.

— E continue sendo um guerreiro que protegerá a pessoa que você mais ama. 

— Eu… Eu vou…

Rimos juntos… e o tempo que parecia parado, estava voando.

 

 

 

No lado de fora, nem mais os cantos dos pássaros da noite se ouviam mais, por conta disso segui até em casa, pronto para descansar e terminar o dia.

Mas parei por um momento de andar, estava na rua principal… um lugar comercial que estava cheio de lojas, tudo vazio, claro, as pessoas estavam dormindo.

— Eu sinto que tenho… uma grande responsabilidade agora.

 

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