Magic Genesis Brasileira

Autor(a): Rafaela R. Silva


Volume 2

Capítulo 52: Revelações e a proposta

Lenna mal conseguia acreditar no que havia acontecido. O rubor em seu rosto denunciava tanto a vergonha quanto a intensidade de tudo que vivera. Nunca imaginaria que algo assim pudesse acontecer de forma tão repentina, muito menos nesse cenário caótico em que estavam. E, ainda assim, cada gesto parecia tão natural, como se ambos tivessem sido conduzidos até ali desde sempre, como se tudo tivesse sido secretamente planejado para esse instante.

— Lenna… — a voz de Vladmyr soou baixa, hesitante. Seus dedos ainda brincavam com uma mecha dos cabelos dela, como se temesse soltá-la. — Você… gostou? Está mesmo bem com isso?

— Eu gostei… mas foi tudo tão intenso que me assustou um pouco.

Os olhos dele revelavam uma mistura de ansiedade e ternura. Era como se ele próprio não compreendesse a intensidade do que havia feito.

— Eu… não sei o que deu em mim — ele tentava se justificar — Foi como se algo maior me instigasse, entende? Talvez a marca…

— Você está dizendo que foi por causa da marca? — A voz dela saiu rápida, quase ferida. O rubor em suas bochechas se intensificou, agora mesclado a uma ponta de frustração.

— Claro que não, Lenna — ele rebateu de imediato, firme, puxando-a pela cintura de modo envolvente.

Seus lábios se encontraram nos dela num beijo longo, quente, como se fosse uma resposta mais clara do que qualquer palavra. Quando se afastou, ergueu o braço diante do rosto dela, exibindo o dorso da própria mão.

— Viu só? Nenhum vestígio de ativação.

Ela o encarou lentamente, satisfeita ao perceber que ele realmente queria estar ali, com ou sem a marca. Vladmyr sorriu maliciosamente ao ver sua reação, e a língua dele percorreu lentamente da clavícula até o pescoço da maga. O arrepio a fez arquear levemente o corpo, arfando em meio à surpresa.

— Vlad… — murmurou, com a voz trêmula.

— O quê? Você não quer mais? — O tom dele carregava provocação, quase brincalhão, mas os olhos ainda ardiam de desejo.

— N-Não é isso! — Lenna retrucou de imediato, desviando o olhar. — C-claro que quero, mas… precisamos ir. A reunião já deve ter acabado...

— Ah… a reunião… — ele revirou os olhos, a expressão carregada de ironia e frustração.

— Não podemos esquecer o motivo pelo qual… — tentou argumentar, mas as palavras se perderam.

Vladmyr inclinou-se novamente, os lábios dominando os dela de forma arrebatadora. O beijo roubava-lhe o fôlego e a razão, deixando-a incapaz de concluir qualquer pensamento. Por um instante, Lenna se deixou levar, mas, em meio à vertigem, ergueu a mão e tocou delicadamente com o dedo indicador os lábios dele, interrompendo-o com suavidade.

O gesto não foi de rejeição, mas uma súplica silenciosa por um instante de fôlego, uma tentativa de ganhar tempo diante da intensidade que a arrastava para além de si mesma. Vladmyr a fitou com as sobrancelhas levemente arqueadas, a respiração ainda pesada, surpreso com a pausa inesperada.

— Tudo bem… Vamos… — ele acabou cedendo, mas o tom era visivelmente desanimado. Torceu o nariz, como se a própria realidade o estivesse arrancando de algo que queria prolongar.

Lenna, envergonhada, permanecia sob os lençóis. As bochechas queimavam de calor. Cada gesto denunciava sua timidez, e Vladmyr sorria, fascinado pela vulnerabilidade dela tão exposta. Para ele, havia algo irresistivelmente sexy no jeito dela tentar se esconder, e isso só aumentava a vontade de puxá-la de volta para seus braços.

Sem opções, Vladmyr caminhou até os cristais de luz próximos a cabeceira da cama, os passos lentos, quase arrastados, como se quisesse prolongar cada segundo desse momento.

— Nãããão! — a voz de Lenna ecoou, apavorada.

Ele parou de súbito. A mão no meio do gesto.

— M-mas… o que foi? — perguntou, engolindo em seco, atônito com o grito repentino.

Lenna se encolhia na cama, agarrando os lençóis contra o corpo como se fossem a armadura mais preciosa que possuía. Os dedos apertavam o tecido com força.

— O que você está fazendo? — ele questionou, ainda parado diante do cristal.

— Eu… eu não quero que você ative a luz… — murmurou, quase escondendo a voz atrás do lençol.

— Mas… por quê? — Vladmyr franziu a testa, confuso.

Então, seu olhar foi direcionado a uma sombra fina que se agitava atrás dela, inquieta. A cauda felina balançava sem parar, um traço impossível de esconder. Apesar de tentar se cobrir, o sorriso insistia em surgir nos cantos dos lábios da maga, denunciando sua excitação e o êxtase que ainda pulsava em cada fibra do corpo.

A expressão dele suavizou. Ele soltou um suspiro breve e, com um sorriso carinhoso, apenas assentiu.

— Está tudo bem. Eu te espero lá fora — disse ele, ajeitando as próprias vestes e prendendo a espada de volta à bainha na cintura.

— O-obrigada… — ela respondeu baixinho, quase sem olhar para ele.

A porta se fechou devagar, e Lenna desmoronou na cama como se tivesse prendido a respiração por tempo demais. Levou o braço ao rosto, escondendo-o. O calor ainda queimava em sua pele, e a cauda, traidora, não parava de se mover de um lado para o outro, denunciando a agitação que ela tentava ocultar até de si mesma.

— Idiota… — murmurou para si, xingando a própria atitude.

O sorriso insistia em escapar, tímido, mas impossível de conter. O peito subia e descia em suspiros curtos, e cada lembrança recente a fazia se contorcer na cama, como se o lençol fosse o único refúgio contra a avalanche de sensações.

Forçou-se a se sentar, ajeitando os longos cabelos agora desalinhados. A reunião. O rei. O mundo além daquela porta que ela quase esquecera.

— Preciso me recompor… — disse baixinho, tentando dar firmeza à própria voz.

Estava prestes a se levantar quando ouviu passos firmes ecoando no corredor.

— Perdão, senhor. — Cedric se aproximava com a postura ereta de sempre. — O rei ordenou que eu os avisasse pessoalmente de que os aguarda no salão principal.

O escudeiro trazia no rosto a habitual expressão dura, quase severa. Não havia arrogância ali, apenas a seriedade digna de quem carregava um cargo de responsabilidade.

— Peço a gentileza de notificar também a sua… — ele hesitou por um instante, escolhendo as palavras. — …companheira de viagem. O senhor Idril não tolera atrasos.

— Ok… — respondeu Vladmyr, estranhando a pausa de Cedric.

Olhando para trás, ele se deparou com Lenna observando pela fresta da porta. Um tímido filete de luz cortava seu rosto na escuridão.

— Eu… olha… melhor explicar para ele. V-você não quer que ele entenda errado… — disse, hesitante.

Vladmyr franziu o cenho, empurrando delicadamente a porta e revelando a garota encolhida atrás dela.

— Está pronta? — perguntou em tom leve, como quem desfaz uma nuvem pesada.

Sem esperar resposta, puxou-a pela cintura e ajeitou a longa mecha que insistia em cair sobre o rosto dela.

— Não precisa se preocupar com o que vão pensar, Lenna. Não importa quem aprove ou não…

Lenna sorriu, tímida, e tratou de ajeitar o delicado vestido de seda, finalizando o gesto ao colocar sua inseparável tiara.

Ambos caminharam em silêncio pelo longo corredor. Já não chovia, mas o cheiro de terra molhada ainda pairava no ar, impregnando o ambiente de uma calma úmida. Vladmyr lançava-lhe olhares de canto de olho, havia ternura em sua expressão, misturada a uma convicção silenciosa. Para ele, não importava a vergonha dela nem o julgamento dos outros. Já estava decidido.

Vladmyr e Lenna entraram no salão, e o ar pesado do ambiente os recebeu antes mesmo que percebessem. À gigantesca mesa, o restante do grupo estava reunido diante do Rei Idril. Cada olhar se cruzava, carregado de expectativa e apreensão. Eduardh mantinha a postura rígida e o semblante sério, diferente da leveza que havia exibido há pouco tempo quando estava na presença de Lenna.

— Pois bem — iniciou Cédric, rompendo o silêncio com voz firme — o Rei Idril dará sua resposta.

Até mesmo Ector e Cázhor, após horas de exposição detalhando os riscos e acontecimentos recentes, não conseguiam prever o que Idril faria. O rei permanecia imóvel, totalmente imparcial, como uma muralha intransponível de serenidade. Era impossível decifrar se receberiam apoio ou se seriam expulsos.

— O Reino de Nifhéas não se unirá nem irá colaborar em uma guerra que não afeta minhas terras ou meu povo — pronunciou Idril, a voz calma e cortante quebrando o silêncio que pairava no salão.

Os olhares se franziam diante da declaração. Esperavam resistência, mas a negativa veio como um choque. Eduardh se levantou abruptamente, apoiando as mãos com força sobre a mesa, a mandíbula tensa.

— Mas, pai... — começou, a voz carregada de frustração.

— Cale-se! — esbravejou Idril, os olhos faiscando de raiva contida. — Você me envergonha! Além de não assumir seu posto como herdeiro e proteger seu povo, você fugiu. Não ouse me pedir nada além da misericórdia de que apenas você será executado por traição. Deveria se sentir agradecido por não ser todo este salão a pagar pelo seu descaso.

“Executado?” Lenna arregalou os olhos com o que acabara de ouvir.

Os guardas se movimentaram discretamente, prontos para encerrar a reunião ali mesmo.

De repente, Gilgaren surgiu de uma porta lateral, aproximando-se com passos calculados e lentos. Havia malícia em cada gesto, um sorriso frio curvando seus lábios.

— O que quer, irmão? Diga logo. Não vou mais tolerar suas interrupções desnecessárias — cortou Idril, a voz firme, mas deixando espaço para que o irmão falasse.

Gilgaren inclinou-se ligeiramente, como quem saboreia a própria audácia, e seu sorriso se alongou, cheio de cinismo.

— É simples, meu caro rei — disse, com um tom quase provocativo — podemos propor um acordo. Eduardh assume sua posição como futuro rei e honra a linhagem. Sei que o garoto se oporá, e compreendo que não haja garantias de que cumprirá, mas se não o fizer, pagará com a vida.

Cázhor fechou o grimório com força, pressionando a capa contra o peito, os olhos fixos em Gilgaren, enquanto Lenna sentiu um frio gelado percorrer a espinha diante da frieza com que a proposta era dita.

— Se é só isso — Eduardh respondeu, tentando manter firmeza apesar do nervosismo — aceito o acordo.

— Calma, eu não terminei — disse Gilgaren, afastando-se lentamente do irmão, e seus passos se voltaram para Lenna. — Não seria prudente arriscar a vida do nosso querido e futuro rei, não é mesmo?

— Não faça isso, tio... — Eduardh suplicou, a voz tensa, os olhos ardendo de medo e fúria. Ele sabia exatamente do que aquele acordo se tratava.

O pequeno dragão que até então estava aos pés do elfo, agora, se agitava, eriçando suas escamas.

— Vamos usar ela — Gilgaren apoiou as mãos nos ombros de Lenna, que estremeceu.

Vladmyr cerrou os dentes de tal forma que parecia prestes a rasgar o ar com o olhar.

— O que tem em mente, irmão? — indagou Idril, mantendo o controle, mas atento à reação de seu filho.

— Simples — disse Gilgaren, o cinismo e a malícia irradiando de cada gesto — fazemos o acordo de sangue com ela. Nosso jovem sobrinho parece se importar demais com a pequena maga. Modificamos a magia, e se ele quebrar qualquer regra ou se negar a cumprir, ela morre. E, como nosso querido guerreiro aqui também a preza, ele fará de tudo para protegê-la. Todos saem felizes.

Idril franziu o cenho, sua expressão endurecendo. Apesar de perceber as segundas intenções de seu irmão, a ideia não lhe parecia totalmente absurda.

Ector apertou o braço da cadeira até quase quebrar, lutando contra a fúria que tentava controlar. Cázhor mantinha os olhos fixos em Gilgaren, o grimório ainda pressionado contra o peito como se fosse uma barreira.

— É claro que não vou deixá-la fazer — Eduardh retrucou, a voz carregada de fúria.

— Imaginei. Pois bem, então não temos mais nada a discutir. O restante, por favor, retire-se do meu reino. Preciso tratar de assuntos internos — declarou Idril, impondo a autoridade real.

— Eu faço! — Lenna interrompeu, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor.

— Lenna?! — Vladmyr a fitou, incrédulo, os olhos arregalados.

— Você não pode, Lenna. Vamos achar outro jeito — Eduardh suplicou, desesperado.

— Que jeito? — rebateu Lenna, firme. — Precisamos ter acesso à biblioteca. Esqueceu do que aqueles demônios são capazes? Não podemos deixar que consigam o que querem. E, acima de tudo, sua vida. Não aceito que você escolha perdê-la para poupar a minha.

Todos do grupo estavam enfurecidos, a tensão quase tangível no ar.

— Não é uma opção, Lenna. Não vou aceitar essa babaquice que meu tio propôs — Eduardh respondeu, cada palavra carregada de indignação.

— Silêncio! — esbravejou Idril, impondo autoridade. — A escolha é dela. Diga logo, jovem. Está disposta a colocar sua vida em risco em prol da sua missão?

— Lenna, por favor… não faça isso — Eduardh parecia se partir por dentro a cada segundo, como se uma dor consumisse o peito. Havia em seu rosto uma mistura de frustração e um desalento profundo, o tipo de sentimento de quem teme perder algo precioso demais.

— Eu vou proteger você desta vez, Ed — Lenna respondeu com voz serena, um sorriso puro e sincero curvando os lábios.

Lá fora, a noite acentuava o brilho frágil da iluminação do salão; o ar úmido trazia o cheiro de chuva recente, que grudava nas pedras e fazia tudo parecer mais pesado e real.

Idril olhou para os presentes com a expressão contida de sempre.

— Devo encarar isso como uma resposta positiva, senhorita? — perguntou, a satisfação contida em seu tom quase imperceptível.

— Sim! — Lenna respondeu, convicta.

A voz de Gilgaren soou como veneno. — Perfeito. Cédric?

— Sim, senhor — Cedric respondeu prontamente. — Vou solicitar aos magos da corte que façam os preparativos. Devido à alteração, creio que levará um pouco mais de tempo que o normal.

— Está decidido — Idril declarou. — Espero que compense o tempo que perdi aqui, filho. Vocês permanecerão no castelo até que o acordo seja selado. Depois, Cedric — ele se virou para o escudeiro — ocorrendo tudo no combinado, forneça a eles os acessos e insumos necessários. Agora, tenho assuntos urgentes a tratar.

— Sim, Vossa Majestade — Cedric respondeu.

O clima no salão ficou ainda mais carregado. A chuva, que havia dado trégua, voltou a cair, batendo ritmadamente contra as janelas como se fechasse um ciclo com a decisão tomada.

— Senhores — Cedric continuou tomando a postura protocolar — creio que dentro de três dias tudo estará pronto. Peço que se mantenham nos domínios do castelo até lá. Se precisarem, nossos servos estarão à disposição a qualquer hora.

O escudeiro se retirou logo em seguida.

Num rompante, Vladmyr levantou-se bruscamente, derrubando a cadeira. Sem aviso, avançou em direção a Eduardh.

— Vlad!? — Lenna murmurou, como quem pressente o pior.

— Garoto, espere — Ector tentou intervir, mas o oficial foi rápido demais.

Vladmyr agarrou Eduardh pela gola. Os olhos do guerreiro queimavam de fúria contida; cada gesto tinha algo selvagem e quase histérico. A agressividade surpreendeu a todos.

— Espero que esteja feliz por colocar a vida dela em risco — rosnou, e em seguida desferiu um soco no rosto do elfo.

Os golpes se seguiram, rápidos e violentos, e Eduardh não revidava. O corpo do futuro rei caiu sobre o tapete, que lentamente se manchava de vermelho. A marca na mão de Vladmyr se mostrava presente. Um brilho dourado estalou nos olhos do guerreiro.

— Você vive me jogando na cara que quase a deixei morrer, mas agora está fazendo exatamente a mesma coisa? — Vladmyr explodia em fúria.

Diferente das explosões anteriores de raiva, havia agora uma intenção sombria e letal. Vladmyr avançou como se quisesse matar. Gilgaren permaneceu em silêncio e, com um gesto discreto, ordenou aos guardas que não agissem. Ele parecia se divertir com a cena.

— Vlad, por favor, pare! — Lenna suplicava, as mãos trêmulas, sem conseguir deter o ímpeto.

— Reaja! — rugiu Vladmyr, ainda tomado pela fúria.

Eduardh, porém, continuava caído no chão, sem esboçar nenhuma reação, recebendo os golpes em silêncio.

Ao erguer o braço para outro golpe, o punho de Vladmyr foi contido com brutal firmeza por Ector.

— Já chega, garoto — disse o comandante, a voz baixa, mas carregada de autoridade.

Seus dedos seguravam um punho que tremia de raiva.

— QUE DROGA! — Vladmyr urrou, puxando a mão do comandante com força.

Quando Ector finalmente se certificou de que a explosão de fúria de Vladmyr havia diminuído, ele o soltou.

— É uma escolha de pesadas consequências, garoto. Depois de tudo o que vimos aqui, qualquer decisão teria um preço. Entre todas as opções, esta parece a menos danosa — disse Ector, com olhar firme.

— Se algo acontecer com ela — Vladmyr rosnou, virando-se para o elfo ensanguentado que ainda jazia no chão — eu acabo com você, nem que tenha que enfrentar este reino inteiro.

A ameaça arrancou uma pequena surpresa do rosto de Gilgaren, que, por sua vez, esboçou um sorriso satisfeito diante do caos.

— Vamos! — Vladmyr murmurou, voltando-se para Lenna, com a mão ferida marcada pelo confronto.

Ele a puxava com força contida, não com a intenção de feri-la, mas de tirá-la dali. Ela chorava, soluçava e resistia, porque não queria ir.

— Não podemos deixá-lo assim, Vlad… espera…

— Eu vou ficar bem... — Eduardh tentou tranquilizá-la.

Erguendo-se com esforço, ele se sentou no tapete, que agora guardava o vermelho de suas feridas. Seus olhos brilhavam em um prateado puro, como dois faróis refletidos em um espelho. A marca que antes emitia um brilho quase imperceptível reluziu com mais intensidade e as feridas começaram a cicatrizar diante de todos. Em poucos instantes, era como se nada tivesse acontecido. A regeneração era impressionante e inquietante ao mesmo tempo.

Depois de um breve silêncio, ele sussurrou a Lenna que era melhor ela ir. Gilgaren observava com evidente interesse, saboreando cada reação.

— Levanta, garoto — disse Ector estendendo a mão a Eduardh em apoio.

Eduardh hesitou, não recusou a mão, mas permaneceu sério e calado. A marca ainda pulsava na pele, e havia em sua expressão algo que continha um desejo profundo e perigoso que ele segurava com esforço.

— Vocês sabem o caminho dos quartos — Eduardh murmurou, seguindo em direção à saída do salão.

Chegando à porta, Eduardh fez um gesto sutil, e o pequeno dragão, obediente, subiu aos seus ombros, aninhando-se entre seus cabelos sem hesitar. A tensão do salão pareceu se intensificar por um instante. Calmamente, Eduardh atravessou a porta, deixando Ector, Cázhor, Gilgaren e os guardas para trás, enquanto a sombra do salão se fechava lentamente sobre eles.

— É… que noite — Ector suspirou, cruzando os braços. — Você vem, mago?

— Sim — Cázhor respondeu com a voz pesada. — Não há muito mais a fazer agora, além de esperar.

— Vejo vocês em três dias — Gilgaren declarou, satisfeito com o desfecho do dia.

Ector já havia saído; Cázhor estava um pouco mais atrás, porém o bastante para ouvir a provocação. O mago lançou a Gilgaren um olhar carregado de intensidade. A marca em sua mão brilhou por instantes, e em seus olhos, esferas flamejantes e contidas tremeluziram, como se prestes a explodir. Mais do que o brilho, era a tensão silenciosa e o peso do sentimento de Cázhor que fez Gilgaren recuar ligeiramente, arrancando-lhe o sorriso do rosto. O recado estava claro.

Mais tarde, no quarto, Cázhor estava inquieto demais para dormir. Tudo o que ocorrera nos últimos dias e a decisão de Lenna o deixava em um estado de tensão que parecia não encontrar repouso. Seus olhos permaneciam fixos na escuridão, como se esperassem que algo surgisse dali, mas nada se movia. Aos poucos, o cansaço começou a dominá-lo e, enfim, o sono o envolveu.

Na escuridão profunda de seu descanso, duas esferas cintilantes e azuladas surgiram, flutuando no vazio do tempo e do espaço. Cada pulsar parecia carregar uma intenção silenciosa, quase palpável, que penetrava em sua mente, percorrendo sua espinha como um arrepio.

“Você não vai escapar de mim, querido...”

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