Volume 3
Capítulo 142: Peças Reunidas
Cassie liderou o grupo pelo céu, ajustando o trajeto do tapete voador com maestria enquanto avisava:
— Pessoal, aqui é uma área nova da cidade, um loteamento vazio. Não tem casas nem moradores.
Moara, observando o local, sorriu de forma desafiadora.
— Perfeito! Agora deixa com a gente.
Prya, determinada, não lhes dava trégua. Corria logo atrás, seus olhos ardendo de fúria enquanto apontava a mão para o chão.
— Não vou deixar vocês fugirem com o livro! — gritou.
Um laser vermelho, sua técnica Red Wave, saiu da palma de sua mão, propulsionando-a para o alto, em direção ao tapete de Cassie.
Moara, percebendo a aproximação, gritou para Kreik:
— Kreiquinho!
O ruivo entendeu o recado imediatamente e, sem hesitar, lançou Moara na direção de Prya. As duas colidiram no ar em um turbilhão de socos e empurrões.
— Sai de perto de mim, sua intrometida! — gritou Prya, tentando se desvencilhar.
Mas Moara, com uma habilidade e agilidade impressionantes, acertou um chute certeiro no estômago da adversária, lançando-a para longe.
— Toma isso, sua mequetrefizinha!
Prya usou rapidamente usando outro laser para desacelerar a queda, aterrissando de forma desengonçada, mas segura.
Enquanto isso, Moara descia em alta velocidade, prestes a se chocar contra o chão. Foi quando Kreik, voando baixo, soltou Vicente e segurou-a no colo, pousando com esforço.
— Aah, Kreiquinho! — brincou Moara, rindo. — Não sabia que você tinha uma pegada tão boa!
O rosto de Kreik ficou vermelho como seus cabelos, e ele tropeçou, fazendo os dois caírem no chão.
— Seu idiota! — reclamou Moara, esfregando o cotovelo machucado. — Seja mais cauteloso!
— Foi mal... — murmurou Kreik, desviando o olhar. — Eu só não esperava esse comentário.
— Relaxa, só tô zoando. Sei que você só tem olhos pra moranguinho.
— Tá falando da Mayumi?! Não tem nada a ver! — rebateu ele, claramente desconcertado.
Antes que pudessem continuar, um laser vermelho atingiu Kreik, lançando-o para longe.
— Acham que vão me deter tão fácil? — Prya surgiu, sua expressão carregada de determinação. — Deathsaber! — De sua mão surgiu um sabre de luz vermelho, reluzindo com uma energia mortal.
— Uau! Tá parecendo um Lord Sith! — exclamou Moara, rindo alto. — Quero um desses, mas azul, porque não sou do lado mequetrefe da força.
— Essa piada de Lord Sith já deu.
— Então vamos brincar de surrar a sua cara até você clamar por misericórdia. Vai ser bem divertida essa brincadeira! — retrucou Moara, levantando os punhos cobertos de terra. — E o melhor é que agora são três contra um — continuou a maga lutadora ao ver Kreik e Vicente se aproximarem.
Vicente levantou a mão.
— É... na verdade, só dois contra um. Sabe... Eu não sou bom de luta.
— O quê?! — Kreik ergueu uma sobrancelha, incrédulo. — E quando você lutou contra mim e Joabe? — Parecia saber muito bem o que fazia!
— Calma, aquilo não era eu lutando. Era o clone... — respondeu Vicente, sem graça.
Moara suspirou, revirando os olhos. — Deviam ter libertado alguém mais útil... — Vicente olhou para baixo sentindo-se inútil, enquanto Moara sorriu, fixando o olhar e apontando para Prya. — Que seja! Eu e o Kreik somos mais que suficientes pra acabar com você.
— É o que veremos — retrucou Prya, estreitando os olhos.
A vilã avançou, o Deathsaber riscando o ar com sua luz ameaçadora. Moara reagiu rápido, ativando sua técnica Gaia Shoot. Um pedregulho enorme foi formado e lançado com força, mas Prya cortou-o ao meio com um movimento preciso de seu sabre.
Enquanto isso, Kreik preparava sua investida.
— Flaming Darts (Dardos Flamejantes)!
De seus dedos, dardos flamejantes foram disparados, voando em direção a Prya. A adversária, no entanto, cortava cada um deles com agilidade impressionante.
Moara viu sua abertura e avançou, seus braços envoltos em camadas de rochas, desferindo uma sequência de Gaia Punches. Prya defendia-se com o sabre, mas sua concentração foi quebrada quando Kreik apareceu por trás, disparando mais dardos flamejantes que atingiram suas costas.
— Ahhh! — gritou Prya, sentindo a queimadura.
— Toma essa!
Moara não perdeu tempo, seu punho rochoso acertou em cheio o estômago de Prya, lançando-a a metros de distância. Ela caiu no chão, gemendo de dor.
— Rolando no chão igual um saco de lixo... — provocou Moara, cruzando os braços. — Bem o seu estilo.
Prya apertou os punhos, ofegante. “Não dá... Não posso continuar...”, pensou ela, sentindo o esgotamento mágico. “Gastei muito do meu poder mágico na luta contra Doyle. Preciso recuar... Logo quando estávamos tão perto de te trazer de volta...”
Prya virou-se e começou a correr na direção do centro da cidade, lágrimas escorrendo de seu rosto.
— Não vou deixar você fugir, sua mequetrefe! — gritou Moara, avançando atrás dela.
Mas Kreik, voando, segurou a mão da amiga.
— Moara, deixe-a ir... Por favor.
Moara cruzou os braços, encarando Kreik com uma expressão séria.
— Por que devo deixar ela ir? — questionou, a frustração clara em seu tom.
Kreik deu um longo suspiro antes de responder.
— Mais cedo, fomos atacados pelo professor Doyle. Ela nos ajudou. Sem ela, estaríamos mortos. Meio que estamos devendo isso a ela.
— Tsc. Tudo bem! — Moara bufou, claramente contrariada. — Mas, da próxima vez, eu não vou deixar ela escapar. Tô muito irada. Aquele lugar que nos prenderam era horrível. Parecia um quarto escuro, rodeado de grades. Ficávamos apenas deitados, sem conseguir se mexer.
— O importante é que você tá com a gente de novo — disse Kreik, tentando aliviar o clima. Ele deu um sorriso esperançoso. — E vamos acabar com o Hazard de uma vez por todas.
Aproveitando a deixa, Prya desapareceu na escuridão da noite, enquanto Kreik e Moara permaneceram ali, olhando para o horizonte. Nesse momento, Vicente se aproximou correndo, com o rosto iluminado por um sorriso.
— Nossa, vocês lutam bem!
— Tenho uma dúvida. — Kreik arqueou uma sobrancelha, intrigado. — Vicente, como você sabia quem éramos? E você, Moara, como sabia que a Prya estava do lado do Poeta Fantasma?
— É estranho... — Vicente coçou a cabeça, parecendo pensativo. —Meio que tudo que os clones vivenciavam entrava na nossa mente, como se as memórias deles também se tornassem nossas.
— É maios ou menos isso mesmo. Moara suspirou profundamente, parecendo aliviada. — Ainda bem que Cassie e Clemência fugiram com o livro. Agora é só esperar que elas libertem os prisioneiros.
Clemência olhou para trás, ainda segurando o livro com força, tampando a boca dele com os dedos.
— Pelo visto despistamos a Prya. Estamos com o caminho livre para rasgar todas as folhas desse livro!
De repente, Magna Fábula mordeu a mão de Clemência, que gritou em surpresa.
— AAAAH! Eu derrubei o livro! Desce, Cassie, vamos pegá-lo!
O livro caiu no chão com um baque seco, soltando um grito de dor:
— AAAAAAAAI! Isso doeu, sua idiota!
Assim que se viu livre, Magna Fábula começou a gritar desesperado:
— SOCORRO! SOCORRO! Alguém me salve dessas duas doidas!
A poucos metros dali, Rufus caminhava com o corpo de um homúnculo nos braços. Ele viu o tapete voador de Cassie e o livro caindo do alto.
— O que foi aquilo? Parecia um livro... — murmurou, intrigado.
Ao ouvir os gritos de Magna Fábula, sua expressão mudou para preocupação. Ainda segurando o homúnculo, ele começou a correr em direção ao livro.
“Não posso deixar que rasguem as folhas do livro”, pensou, rangendo os dentes de nervoso.
Cassie pousou o tapete rapidamente. Ela e Clemência desceram e se aproximaram do livro, que continuava resmungando.
— Ah, seu livro traiçoeiro! — disse Clemência, apontando para ele. — Vou arrancar suas folhas como os cozinheiros da minha família depenam galinhas!
Antes que Clemência pudesse abrir o livro, Rufus apareceu ofegante, gritando:
— Clemência! Cassie! Esperem aí, tô chegando!
As duas se viraram, surpresas ao ver Rufus e o corpo que ele carregava.
— Ei, Rufus, quem é essa pessoa que você tá carregando? — Cassie arqueou as sobrancelhas. — Nossa... ela se parece a reitora Leonora!
— Ei, Rufus, põe uma roupa nessa mulher, seu tarado! — Clemência comentou, virando o rosto em sinal de desaprovação.
Rufus parou à frente delas, respirando com dificuldade.
— Ela é um homúnculo criado pelo meu irmão. Estava selada dentro do laboratório da minha mãe.
Clemência fez uma careta.
— Rufus, a tua mãe tem uns gostos... esquisitos.
— E o Baan? — Cassie franziu o cenho, preocupada. — Você tava com ele no laboratório.
Rufus sentiu um calafrio, mas manteve a compostura, mentindo com firmeza:
— Demoramos mais do que esperávamos. Ele ficou preso, mas conseguiu criar uma abertura para me deixar fugir com o homúnculo.
— Precisamos ajudá-lo a escapar! — Cassie comentou alarmada.
— Sim! Mas, antes, vamos libertar os prisioneiros — completou Clemência.
Rufus assentiu silenciosamente, colocando o corpo do homúnculo no chão com cuidado.
Clemência e Cassie se acocaram para pegar o livro, que implorava desesperado:
— Não! Por favor, não arranquem minhas folhas! Eu imploro! O mestre vai ficar desgostoso.
Enquanto elas se concentravam no livro, Rufus tirou duas adagas inibidoras de magia do bolso e as fincou nas costas de ambas. Clemência e Cassie se viraram, chocadas, sentindo seus poderes mágicos drenarem rapidamente.
— Rufus... por quê? — perguntou Cassie, incrédula.
Ele desviou o olhar, parecendo ligeiramente arrependido.
— Foi mal, mas é por uma boa causa. Amanhã vocês estarão livres, sãs e salvas.
Magna Fábula abriu suas páginas, que saíram como folhas vivas, cobrindo o corpo das duas e aprisionando-as dentro dele. Com as garotas seladas, Rufus pegou uma runa de comunicação e ativou-a.
— Professor Hazard, recuperei o homúnculo e o seu livro. Leonora ainda está aprisionada. Já temos todas as peças reunidas.
A voz de Hazard soou fria e calculista através da runa.
— Excelente, Rufus. Agora, me entregue o livro e a parte final da pesquisa de Randalf.
— Ainda não, professor.
— E o nosso combinado? Quer me passar a perna? — Hazard perguntou, com um tom de ameaça velada.
— O nosso combinado é que eu te entrego as anotações do meu irmão quando você me ajudar a salvá-la. Ainda falta o ritual. Amanhã tudo acaba, e a pesquisa será sua.
Hazard ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Certo. Conforme o combinado.
Rufus quebrou a runa de comunicação, pegou o livro e olhou para o homúnculo caído no chão. Ele murmurou para si mesmo, com os olhos cheios de determinação:
— Amanhã, eu finalmente irei te salvar, Sílfide!
Na quietude sinistra da madrugada, uma carruagem negra de design refinado parou em frente à Universidade. A chuva, que até então tamborilava suavemente nos telhados, cessava como se obedecendo a um comando mudo. O cocheiro, um homem robusto com capa negra, desceu e abriu um guarda-chuva.
— Não é mais preciso — soou uma voz firme e autoritária de dentro da carruagem. — A chuva já parou. Espere aqui. Voltarei em breve.
Da carruagem, desceu Areta, seus olhos rubros refletiam a luz do luar, realçando ainda mais o cristal escarlate cravado em sua testa. A mulher trajava um manto negro que parecia absorver a escuridão ao redor, sua postura altiva e andar seguro exalavam autoridade e poder. Sem olhar para os lados, adentrou o campus, caminhando pelo chão molhado com passos decididos.
Ao chegar em sua sala, desfez uma barreira mágica com um simples gesto da mão. A energia brilhou por um breve instante antes de desaparecer, e ela abriu a porta. Seus olhos estreitaram-se ao notar a desordem: livros espalhados, armários revirados.
— Como eu imaginava... — murmurou, caminhando até uma estante de aparência comum.
Ela puxou um livro roxo, ativando um mecanismo oculto. Um som metálico ecoou, revelando uma passagem secreta. Sem hesitar, Areta desceu as escadas que levavam a um laboratório subterrâneo.
O ambiente abaixo também estava em desordem, totalmente diferente da forma como ela deixara. Ela atravessou o espaço até uma gaveta selada, desfez a barreira com gestos precisos e retirou um cristal vermelho brilhante de Randalf. Areta o examinou com atenção antes de apertá-lo com força.
— Ainda está aqui... — sussurrou, a voz contendo um misto de alívio e frustração.
Guardando o cristal no bolso, caminhou até outro compartimento protegido. Ela desfez a barreira e abriu uma gaveta ampla, mas encontrou apenas o vazio. Areta parou, sua expressão inalterada por um momento. Depois, cerrou os punhos com tamanha força que suas unhas perfuraram a pele, e pequenas gotas de sangue mancharam o piso.
Sem um único grito de frustração, ergueu a mão, observando o ferimento. Suas pupilas, carregadas de um brilho impiedoso, pareciam atravessar o vazio do laboratório.
Sem hesitar, ela subiu de volta para os corredores. Quando alcançou o andar principal, notou gotas de sangue no chão, um rastro que se estendia para um canto escuro. Seguindo as marcas, Areta encontrou o professor Lemon Doyle encostado na parede, usando uma runa de cura para tratar seus ferimentos. Sua figura parecia desprovida da altivez usual, a dor visível em seus movimentos lentos.
— Doyle. O que aconteceu? — perguntou Areta, sua voz seca e severa cortando o silêncio.
Doyle, tomado de surpresa, deixou escapar um grito abafado antes de se recompor.
— Professora Areta! Nós... fomos traídos.
Areta, sem alterar sua expressão, retirou uma runa de alarme do bolso. Com um movimento frio e preciso, quebrou-a na mão.
— Estou sabendo. Agora, me diga o que descobriu.
Doyle começou a relatar suas descobertas, detalhando o que observara sobre Uji e seus aliados. Porém, ao terminar o relato do professor, Areta ergueu a mão, ativando uma barreira circular que o cercou. A pressão da barreira aumentou, forçando Doyle a gritar em agonia.
— Professora! Estamos do mesmo lado! — ele protestou, a voz falhando.
— Então me explique por que não mencionou que aquele faxineiro não era contratado por você quando o interroguei. — Sua voz carregada de frieza.
— Eu... Desculpe, professora. Aquela sua estagiária me deixou confuso e acuado. Só processei o que estava acontecendo depois que a senhora saiu — justificou-se, o rosto contorcido de dor.
Areta, insatisfeita, manteve a barreira por mais alguns segundos antes de desfazê-la.
— Cure-se logo, Doyle, e vá descansar. Amanhã cedo, reúna todas as informações possíveis sobre essa guilda Crossed Bones e convoque os professores para uma reunião extraordinária.
— O que pretende fazer? — perguntou ele, a voz hesitante.
— Já cansei dessa guerra fria com Leonora. — Areta virou-se para ele, os olhos rubros cintilando com uma determinação perigosa. — Ela contratou esses malditos para roubar algo importante. Uma clara declaração de guerra que não irei simplesmente deixar para lá. — Ela virou-se, olhando para sua mão machucada. — Amanhã... pessoas vão morrer. E garanto: eu não serei uma delas.
Sem esperar por uma resposta, Areta caminhou pelos corredores com passos firmes, sua figura desaparecendo nas sombras. Doyle permaneceu ali, a respiração pesada e os olhos cheios de apreensão, ainda curando suas feridas com uma runa.
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