Luvas de Ifrit Brasileira

Autor(a): JK Glove


Volume 3

Capítulo 140: Auxílio Inesperado

A tensão entre Lemon Doyle e os três magos da Crossed Bones alcançava níveis quase insuportáveis. As garotas presas em seus tentáculos sofriam, e o olhar malevolente de Doyle só aumentava o peso do momento.

— Não vamos te responder nada, maldito! — bufou Joabe, furioso, cerrando os punhos.

Doyle apertou os tentáculos em resposta, provocando grunhidos abafados de dor nas garotas. 

— Que pena — disse ele com um sorriso cruel. — Talvez a dor faça vocês reconsiderarem.

Antes que Joabe pudesse reagir, Uji deu-lhe um tapa firme na nuca. 

— Cala a boca, seu animal! Quer que elas se machuquem ainda mais? — sussurrou, irritado. 

Joabe rosnou, esfregando a parte de trás da cabeça. 

— Isso doeu, miserável! 

— Apenas fique quieto e deixe comigo — retrucou Uji, ignorando o protesto. Ele se inclinou ligeiramente para frente, a expressão de confiança escondendo sua própria tensão. — Quanto mais conversarmos, melhor.

Joabe e Kreik trocaram olhares e compreenderam o plano. Quanto mais tempo ganhassem, maiores as chances de Rufus e Baan terminarem a infiltração no laboratório de Areta, possibilitando o retorno dos poderes deles.

Uji adotou um tom casual, escondendo seu desprezo. 

— O que você quer saber?

Doyle inclinou a cabeça, seu sorriso afiado como uma lâmina. 

— Tudo. Quem são vocês, quantos são e o que fazem aqui? 

Uji sorriu de canto e guardou sua katana, pousando uma mão sobre o ombro de Joabe e outra sobre o de Kreik. 

— Bem, somos só um grupo de amigos. Esses dois me chamaram para dar uma mão porque queriam se reunir longe dos olhos dos professores. — Ele lançou um olhar de cumplicidade aos dois. — Sabe como é, azarar umas gatinhas. O ruivinho aqui tá pegando a branquinha, e o de Suna tá com a moreninha. Mas já disse que da próxima vez eles têm que arranjar uma para mim também, ou tô fora! 

Doyle não se deixou convencer. Seus dentes rangiam enquanto ele gerava uma pequena descarga elétrica nos tentáculos, fazendo Cassie e Clemência se contorcerem. Seus gemidos de dor eram abafados pelos tentáculos que cobriam suas bocas. 

— Seu maldito! — gritaram Kreik e Joabe ao mesmo tempo, avançando instintivamente. 

Mas Uji os segurou, balançando a cabeça negativamente. 

— Não me culpem por isso — provocou Doyle, ajustando os óculos com um dedo. — Vocês que estão dificultando. Vou perguntar só mais uma vez: quem são vocês de verdade, quantos são e o que estão fazendo aqui? E sem mentiras desta vez. 

O olhar de Uji endureceu, e sua voz ficou séria. 

— Somos uma guilda, chamada Crossed Bones. Os membros são nós três e uma outra jovem que foi capturada. Essas duas aí são apenas alunas que descobriram nossa identidade e decidiram cooperar porque a mesma pessoa que capturou nossa companheira também levou um amigo delas. Estamos aqui para resgatá-los. 

Doyle colocou uma das mãos no queixo, refletindo por um momento, antes de enviar uma nova descarga elétrica, ainda mais forte. 

— Mentiroso! Sei que são mais. Se não falarem a verdade, vou matá-las aqui mesmo, e vocês serão responsabilizados. Digam. A. Verdade! 

Uji ergueu as mãos em um gesto conciliador. 

— Tudo bem! Tudo bem! Só para com isso. Agora vou falar sério. A parte da guilda é verdade, mas omiti algumas informações. Somos seis membros. 

— Quem são os outros dois? — Doyle estreitou os olhos.

— A estagiária da professora Areta e o professor novo. 

— Finalmente estamos chegando a um entendimento. — O sorriso de Doyle se alargou. — Agora, quem mais está cooperando com vocês? E por quê? 

Uji suspirou, como se relutasse em continuar. 

— Fomos contratados por Rufus, filho da Areta, para investigar o desaparecimento de alunos. A pista que tínhamos apontava para um homem encapuzado que se autodenomina Poeta Fantasma. Durante a investigação, uma de nossas companheiras foi capturada. Essas duas alunas, junto com Rufus, estão nos ajudando a resgatá-la e a salvar o amigo delas que também foi capturado, Donny o nome dele. 

— E o que você estava fazendo com Areta quando ela me confrontou? — questionou Doyle, desconfiado.

— Eu e minha companheira mentimos para ela — respondeu Uji. — Dissemos que você tinha nos contratado para derrubá-la, a fim de proteger nossa real identidade.

— E Leonora? — Doyle bufou, seus tentáculos começando a relaxar. — Não me diga que ela não suspeitou de vocês. 

— Ela descobriu nossa identidade, sim — admitiu Uji. — E decidiu que trabalharíamos para ela. Nosso objetivo era invadir o laboratório da Areta e descobrir se ela estava envolvida com o Poeta Fantasma. 

Doyle riu baixinho enquanto digeria as informações. 

— Tá vendo? Foi fácil conversarmos. — Ele finalmente abaixou os tentáculos, aproximando Cassie e Clemência no chão, mas sem soltá-las. 

A tensão no ar se condensava à medida que Doyle baixava os tentáculos, aproximando Cassie e Clemência do chão. No entanto, o brilho malicioso em seus olhos deixava claro que ele escondia alguma intenção. 

— Tá vendo? Foi fácil conversarmos. — Ele esboçou um sorriso sarcástico, seus tentáculos ainda prendendo as alunas. — Agora que terminamos nossa conversa, cada um segue seu destino... certo? 

Uji, com passos calculados, aproximou-se lentamente, estendendo as mãos em direção às garotas. 

— Sim... — respondeu, mantendo a voz firme, mas cautelosa. 

No entanto, antes que pudesse alcançá-las, Doyle ajustou os óculos, o brilho das lentes refletindo sua astúcia. 

— Espere um pouco. — Sua voz soou como um alerta. — Tenho mais uma dúvida. 

Uji congelou. Seus braços pararam a centímetros dos tentáculos. 

— O que quer saber? 

Doyle inclinou a cabeça, um sorriso sádico estampado em seu rosto. 

— Outro dia, alguém com mechas loiras invadiu meu laboratório. Acabou machucando minhas queridas águas-vivas. Você conhece essa pessoa? 

Uji hesitou, mas respondeu com indiferença forçada: 

— Talvez... 

— Entendo... Já pude confirmar minhas suspeitas — Doyle murmurou, antes de enconstar os tentéculos abruptamente em Uji, eletrocutando-o junto com as alunas presas, em meio a um choque devastador. 

Kreik gritou, seus olhos flamejando de fúria: 

— Seu maldito! Vai matar as alunas inocentes! Como pretende justificar isso? Vamos resolver isso só entre nós! 

Doyle riu friamente, enquanto a eletricidade ainda percorria seus tentáculos. 

— Eu, um professor respeitado, matar alunas inocentes? Não, não, não... — Ele simulou preocupação em seu tom. — O que eu vi foram membros de uma guilda atacando duas estudantes indefesas. Eu tentei salvá-las, mas infelizmente não consegui. 

— Filho da pu...! — Joabe e Kreik avançaram em sincronia, o sangue fervendo em suas veias. 

— Parem aí! — gritou Uji, com uma voz carregada de dor. — Se tocarem nele, vocês serão eletrocutados também! 

Ele ergueu o olhar para Doyle, sua expressão carregada de frustração e desespero. 

— Por favor, professor, deixe-as em paz. Acabe comigo. Prometo que não vou revidar. 

Doyle fingiu considerar por um momento, tocando o queixo com uma expressão teatralmente pensativa. 

— Não. — Sua voz saiu como uma lâmina afiada. — Vou matar todos vocês, miseráveis de merda. 

Subitamente, passos ecoaram no corredor, rápidos e decididos, atravessando o espaço por trás de Joabe e Kreik. Antes que alguém pudesse reagir, os tentáculos de Doyle foram cortados ao meio por um feixe de luz vermelho. 

Doyle gritou de dor, sua expressão transformada pela surpresa e agonia. A figura que surgia do corredor segurava um sabre de luz carmesim, o Deathsaber, e seus olhos castanhos claros ardiam com raiva. 

— Prya?! — a voz de todos soou em uníssono, incrédula. 

Prya manteve o olhar fixo em Doyle, sua postura ofensiva e firme. 

— Vá embora e deixe-os em paz. — Sua voz era gelada, cortante. — Ou eu irei cortar as suas pernas. Creio que não vai gostar de ficar sem pernas. 

Doyle rangeu os dentes, seu rosto se contorcendo de fúria, mas logo uma risada escapou de seus lábios. 

— Cortar as minhas pernas? Hehehe! Pode cortar meu corpo inteiro, garotinha. Eu sou um mago da classe transformo. Consigo me transformar numa forma híbrida de água-viva. E se você faltou as aulas de biologia, eu posso te ensinar rapidamente... Algumas espécies de águas-vivas regeneram partes do corpo. Então, adivinha? Eu também! 

Antes que pudessem reagir, os braços mutilados de Doyle começaram a se regenerar, tecido novo surgindo como mágica. Ele canalizou magia ao redor de seu corpo, iniciando a transformação. Dois tentáculos gigantes emergiram de seus braços, enquanto tentáculos menores brotavam das pontas de seus cabelos verdes ondulados. 

— Fiquem atrás de mim! — bradou Prya, ajustando a postura com o Deathsaber pronto para atacar. — Vocês estão sem poderes mágicos. Eu cuido dele enquanto vocês fogem. 

Kreik e Joabe correram até Clemência e Cassie, pegando as garotas feridas e tentando mantê-las de pé. Uji, cambaleando devido aos ferimentos, franziu o cenho e encarou Prya. 

— Ei, posso saber por que você tá nos ajudando? Não era nossa inimiga até pouco tempo?

Sem desviar os olhos de Doyle, Prya respondeu com um tom impaciente: 

— Samurai, nunca te ensinaram que cavalo dado não se olha os dentes? 

Doyle ergueu os tentáculos, pronto para atacar novamente. Prya se posicionou, apontando o Deathsaber diretamente para ele. 

— Fujam logo, antes que ele ataque! — gritou ela. 

Lemon Doyle, o mago transmorfo da água-viva, já estava em sua forma híbrida, com tentáculos elétricos chicoteando o ar, prontos para atacar. 

— Vocês são como moscas presas na teia de uma aranha — debochou Doyle, um sorriso insano se espalhando em seu rosto enquanto seus olhos brilhavam com um tom esverdeado. 

Prya segurava firmemente o cabo de sua Deathsaber, o laser vermelho vibrando ao seu comando. Ela encarou Doyle sem hesitar. 

— Vai precisar mais do que tentáculos patéticos para me parar. 

Sem aviso, Doyle avançou com os tentáculos, chicoteando o ar com velocidade assustadora. Prya se moveu com leveza e destreza, desviando e cortando cada ataque. O Death Saber zumbia enquanto dividia os tentáculos ao meio, mas, em segundos, eles se regeneravam. 

— Isso vai levar um tempo... — murmurou Prya, cerrando os dentes. 

Enquanto isso, Kreik carregava Clemência, e Joabe apoiava Cassie, ambos tentando se afastar do confronto. Uji, mesmo ferido, tentava liderar a fuga pelos corredores. Mas antes que pudessem avançar, bolhas flutuantes apareceram, carregando pequenas águas-vivas brilhantes que emanavam uma energia elétrica pulsante. 

— Que merda é essa?! — gritou Joabe, recuando enquanto uma bolha explodia perto deles, soltando uma descarga elétrica que iluminou o corredor. 

— Voltem! — gritou Kreik, puxando Clemência para longe das criaturas. 

Eles retornaram para onde Prya lutava. A garota imediatamente lançou um olhar furioso. 

— Eu mandei vocês fugirem! 

— Não dá! — respondeu Kreik, apontando para as águas-vivas que flutuavam em sua direção. 

Prya cortou outro tentáculo que se regenerava quase instantaneamente, mas uma das bolhas flutuantes atingiu seu ombro. Aproveitando a guarda baixa da maga laser, Doyle atacou com um de seus tentáculos. A jovem foi arremessada contra a parede com força, o impacto arrancando um gemido de dor. Antes que pudesse se levantar, outro tentáculo envolveu sua perna, eletrocutando-a brevemente. 

— De onde veio essa bolha de merda que me atacou? — Prya arfou, cortando o tentáculo com seu deathsaber. — Não é possível... — Os olhos da jovem arregalaram ao perceber várias poças no chão, cada uma com um pequeno pólipo pulsando. 

— Demorou para notar, hein? — Doyle gargalhou com tom zombeteiro. — Após as água-vivas de sexos diferente se reproduzirem sexualmente, liberarando gametas na água. Esses gametas criam uma larva plânua que toca no chão, criando um pólipo, que se fixa em uma base e, por meio de um meio assexuado de brotamento, libera as éfiras que, ao atingirem a forma adulta, tornam-se a água-viva que conhecemos.

Doyle ajustou os óculos, suas palavras cada vez mais dotadas de soberba — Cada vez que ataco e atinjo uma superfície fixa e rígia, ciro pólipos, distribuindo-os pelo ambiente. Esses meus pólipos liberam águas vivas protegidas por essas bolhas de água. As minhas preciosas atacam a primeira coisa que veem. — Doyle gargalhou, demosntrando uma confiança crescente em sua vitória. — Ah, e se algum de vocês está pensando em fugir... bom, já espalhei previamente vários dos meus pólipos pelos corredores. É inútil. 

Prya rangeu os dentes, disparando um Crimson Beam (Raio Carmesim) para afastar Doyle, contudo ele conseguiu desviar saltando para o lado. Ela se ergueu e gritou para os outros. 

— Fiquem atrás de mim! 

As bolhas flutuantes começaram a surgir de todas as direções. Prya ativou sua Red Wave (Onda Vermelha), movendo o feixe contínuo em padrões precisos, destruindo o máximo de bolhas que conseguia. Mas era impossível cobrir tudo sozinha, uma nova remessa de águas-vivas já se preparava para nascer dos pólipos. 

— Me dê cobertura! — gritou Uji, desembainhando sua katana. — Vou destruir esses pólipos! 

— Está louco?! Você tá sem poderes! — gritou Prya, mas já era tarde. Uji avançou, seus movimentos firmes apesar dos ferimentos.

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