Volume 3
Capítulo 139: A Descoberta de Rydia
A cena mudou para alguns minutos antes, nela vemos as gotas de chuva caindo sobre as ruas de Meyportos enquanto Rydia corria pelas vielas como se sua vida dependesse disso. Suas mechas na cor verde-água estavam coladas à testa, enquanto seu coração batia freneticamente. Quando finalmente chegou à casa da professora Kassandra, começou a bater na porta com insistência.
A porta se abriu, revelando Kassandra, vestida com um robe simples. Ao ver Rydia ofegante e ensopada, franziu o cenho.
— Ludya? — Kassandra perguntou, claramente surpresa. — O que houve? Por que todo esse desespero?
Rydia tirou um pequeno objeto de seu bolso e o entregou com as mãos trêmulas. Era o anel que pertecia ao professor Hazard.
— Professora, por favor! Analise isso com urgência! — pediu ela, sua voz carregada de ansiedade.
Kassandra pegou o anel, observando-o rapidamente antes de responder:
— Agora? Já é tarde, Ludya. Amanhã eu posso verificar na universidade, entres os períodos de aula.
— Não há tempo! — implorou Rydia, a voz quase quebrando. — Preciso de uma resposta agora! É muito importante!
A intensidade no olhar da jovem foi suficiente para quebrar a resistência de Kassandra. Com um suspiro resignado, ela fez um gesto para que Rydia entrasse.
— Tá bem. Entre, mas não reclame se eu não puder descobrir nada imediato.
Dentro da casa, Kassandra entregou uma toalha a Rydia, que começou a se secar enquanto a professora pegava seu equipamento. Em uma mesa abarrotada de pergaminhos, livros e runas, Kassandra ajustou um microscópio rúnico e colocou o anel sobre a lente. Seus olhos brilhavam com curiosidade enquanto ela analisava o objeto.
— Professora — Rydia perguntou, ainda enxugando os cabelos —, esse anel é um equipamento rúnico comum?
Kassandra não respondeu de imediato. Observava o anel com uma expressão de fascínio crescente. Após alguns segundos, ela se virou para Rydia.
— Não. Isso... isso não é um equipamento rúnico. Nunca vi nada parecido. Ele é diferente, algo além do que estou acostumada. Posso demonstrar como ele funciona? Mesmo que exista o risco de quebrá-lo?
— Por favor — respondeu Rydia, com firmeza.
Kassandra assentiu e retirou outro anel de uma caixa, entregando-o a Rydia.
— Coloque este anel em uma mão e o anel que trouxe na outra — instruiu.
Rydia seguiu as instruções, e ao ativar os anéis, algo incrível aconteceu. Do anel que Kassandra havia dado, uma esfera azul de água elástica se formou, enquanto do anel de Hazard, uma esfera negra pulsava, como um abismo em miniatura.
Kassandra apontou para as esferas enquanto explicava:
— Equipamentos rúnicos são, em essência, canalizadores de magia. Eles não criam magia própria; apenas manifestam a magia que recebem, seja de um mago, seja de uma runa. Observe.
A professora aproximou uma runa de fogo do anel de água, e a esfera azul se transformou em uma esfera flamejante. No entanto, quando fez o mesmo com o anel de Hazard, nada aconteceu.
— Este anel que você me trouxe é diferente — continuou Kassandra. — Ele não responde a magias externas porque já está imbuído com uma magia própria. É feito de magia pura, moldada em forma física. Uma vez que a magia contida nele é utilizada, o anel se desfaz. — Kassandra olhou nos olhos de Rydia. — Agora potencialize todo o poder dos anéis.
Rydia assentiu e liberou o poder de ambos, as bolas cresceram de tamanho, até que o anel negro se quebrou.
— Um equipamento rúnico é um equipamento comum, feito de metais que apenas conduzem magia injetada. Sem uma fonte de magia externa, eles se tornam uma ferramenta comum. Já esse seu anel, ele é feito de magia remodelada, ou seja, quanto mais você usa a magia contida dentro dele, mais você consome o próprio anel, até toda a magia ser gasto e, com isso, o material deixa de existir se quebrando em seguida.
Rydia sentiu um calafrio ao ouvir aquilo.
— Professora... como se cria algo assim? Pode ser obra de um ferreiro? — indagou, tentando manter a voz firme.
— Não. Isso não pode ser feito por mãos humanas. Deve ser algo criado por uma habilidade mágica muito específica, talvez de um equipamento de forja de um forjador ou, o mais provável, uma besta mágica de algum conjurador.
A mente de Rydia trabalhava a mil, ela começou a juntar várias peças dos últimos acontecimentos.
— E quanto a uma adaga inibidora de magia? A senhora já ouviu falar de algo assim?
— Isso não existe. — Kassandra riu suavemente, balançando a cabeça. — O mais próximo seriam algemas inibidoras, que absorvem a magia de um mago enquanto estão em contato. Mas uma adaga... seria inútil, já que só funcionaria durante a fração de segund do momento do corte.
— E se essa adaga fosse feita do mesmo material que este anel? — Rydia insistiu.
— Nesse caso... — Kassandra levou a mão ao queixo, ponderando. — Talvez fosse possível. Uma adaga assim permitiria ao mago injetar toda a magia acumulada no alvo em um único golpe. O efeito seria inibir a magia do inimigo por alguns minutos, mas a adaga se desintegraria logo em seguida.
Rydia engoliu em seco, todas as peças do quebra-cabeça começando a se encaixar em sua mente.
— Muito obrigada, professora. Desculpe por incomodar.
Sem esperar resposta, Rydia correu para fora da casa, ignorando a chuva pesada que continuava a cair.
— Espere! Não vá sair assim no meio dessa chuva! — gritou Kassandra da porta. — Que garota maluca...
Enquanto corria, a jovem maga retirou sua runa de comunicação do bolso e a ativou.
— Oi, Rydia. Que foi? — respondeu Baan da outra linha.
— Baan! — disse a maga ofegante, enquanto gotas escorriam pelo rosto. — O Poeta Fantasma... é o professor Hazard!
Baan estreitou os olhos ao ouvir a voz de Rydia pela runa de comunicação.
— Professor Hazard? Como você soube?
Do outro lado da ligação, a voz de Rydia soava urgente e ofegante, acompanhada pelo som abafado de passos rápidos e respingos de água.
— Depois eu explico, mas ele não é o problema agora — respondeu ela, visivelmente agitada. — É quem está com ele que importa!
Baan inclinou a cabeça, franzindo o cenho. Já Rufus levantou-se deixando o corpo do homúnculo no chão, enquanto se aproximava do alquimista negro.
— Quem? Aquela aluna... a Prya?
— Merda, Baan! — Rydia praticamente gritou. — Cala a boca e me escuta! Não é ela. É o Rufus! Ele está trabalhando junto com o Poeta Fantasma. Você precisa interceptá-lo agora!
Baan girou o corpo, os olhos arregalados em direção a Rufus, que pegou espada mágica criada pelo alquimista negro. Antes que pudesse reagir, Rufus avançou com rapidez impressionante. A lâmina foi cravada nas costas de Baan, e uma barreira envolveu seu corpo instantaneamente, prendendo-o como uma armadilha viva.
Baan tentou mover-se, mas a barreira apertava como uma corrente invisível.
— Que merda é essa, Rufus? — ele grunhiu, tentando resistir.
Rufus quebrou a runa de comunicação e afastou-se com um olhar de pesar, embora sua postura firme indicasse que não recuaria.
— Desculpa, Baan... Sinceramente... Eu não queria que chegasse a isso. Mas vocês nunca deveriam ter descoberto sobre mim e o professor Hazard.
— Você, maldito! — rosnou Baan, ainda lutando para se libertar. — Me tira daqui agora, e talvez eu não acabe com você!
— Não posso, Baan. Rufus balançou a cabeça, os olhos baixos. — Essa barreira vai se desfazer em breve, mas até lá, você ficará preso. Quando ela desaparecer, a magia das barreiras da minha mãe vai reativar, e você ficará trancado no laboratório até que ela volte.
— Rufus, se Areta me encontrar aqui, será o mesmo que estar morto!
— Eu sei, eu sei... — Rufus hesitou, visivelmente abalado. — Mas... eu confio em você, Baan, sei que vai dar um jeito de escapar da minha mãe. Sei que vai me odiar, mas eu não posso mudar o plano agora. Eu preciso salvá-la.
Baan estreitou os olhos, confuso e furioso.
— Salvar quem, Rufus? Fala comigo, seu desgraçado!
Mas Rufus não respondeu. Ele pegou o homúnculo perfeito, e saiu apressado, ignorando os gritos indignados de Baan.
— Salvar quem, Rufus? Rufus! RUFUS!
A voz de Baan ecoava pelo laboratório vazio. Ele tentava desesperadamente mexer o corpo, mas a barreira o mantinha imóvel.
Foi quando um som conhecido surgiu. Um riso leve e zombeteiro.
— Bardo? — Baan ergueu os olhos e viu o pássaro mahaliano saindo de seu esconderijo. — Seu maldito! O que você tá fazendo aqui? Que tal me ajudar um pouco?
Bardo pousou em uma bancada próxima e passou uma das asas no queixo, como se ponderasse. Em seguida, fez um gesto zombeteiro com uma das penas de sua asa, desdenhando da situação de Baan.
— Seu desgraçado! — gritou Baan, enquanto o pássaro ria. — Abaixa esse dedo, ops essa asa e me solta logo daqui, seu verme emplumado!
Bardo voou em direção à porta, ignorando os xingamentos do mago ósseo. Mas as palavras seguintes de Baan o fizeram parar no ar.
— Bardo... — a voz de Baan ficou séria. — A Moara foi capturada.
O pássaro girou no ar, voando até ficar rente ao rosto de Baan, os olhos fixos nos dele, como se quisesse confirmar a veracidade da afirmação.
— É isso mesmo — continuou Baan, mais calmo. — Levaram ela. O inimigo é forte, muito forte. Se quiser libertá-la, vai precisar da minha ajuda. Sem mim, todos nós morreremos, inclusive ela.
Bardo manteve o olhar fixo por mais alguns instantes. Então, passou a asa na testa, como se estivesse prestando continência.
— Certo, parceiro. — Baan suspirou aliviado. — Primeiro passo: tira essa espada das minhas costas. Segundo passo: Boa sorte!
O pássaro virou a cabeça, lançando um olhar que parecia dizer: Sim, como eu faço isso?
Bardo começou a voar em círculos pelo laboratório, os olhos atentos varrendo cada canto em busca de algo útil. Havia instrumentos alquímicos espalhados, mesas de madeira robusta e uma estante carregada de livros antigos.
O pássaro pousou por um instante em uma bancada, inclinando a cabeça para observar um conjunto de ferramentas. Entre elas, notou uma pinça metálica grande, usada para manipular materiais alquímicos em alta temperatura. Bardo bicou a ferramenta algumas vezes, como se testasse sua resistência. Em seguida, agarrou-a firmemente com as garras e alçou voo novamente, carregando o objeto com esforço visível.
Baan, observando de longe, gritou:
— Isso, Bardo! A pinça deve funcionar. Só cuidado para não me cortar ao meio, hein!
O pássaro pousou nas costas de Baan com destreza, analisando cuidadosamente a posição da lâmina cravada. A barreira mágica pulsava, dificultando a visão exata do ponto de inserção. Bardo inclinou a cabeça para calcular o ângulo ideal e, com um movimento rápido e preciso, encaixou as mandíbulas da pinça ao redor do cabo da espada.
Ele começou a puxar com força, as garras apertando a ferramenta enquanto batia as asas vigorosamente para se manter estável. A espada resistiu, a barreira tremulando em resposta à tentativa de remoção.
— Vamos, Bardo! — incentivou Baan, sentindo o leve alívio da pressão em suas costas. — Mostre do que você é capaz, seu maldito emplumado!
Bardo emitiu um som gutural, algo entre um grasnar e um grito de esforço. Ele ajustou a posição, cravando uma das patas contra a barreira de Baan para obter mais apoio, e puxou com tudo. A espada começou a ceder lentamente.
Com um último impulso, Bardo arrancou a lâmina completamente, perdendo o equilíbrio no ar e girando antes de recuperar o controle. A espada caiu no chão, começando a trincar imediatamente enquanto a barreira mágica ao redor de Baan desaparecia.
Baan caiu de joelhos, respirando fundo, mas olhou para o pássaro com um sorriso no rosto.
— Você conseguiu, Bardo! Confesso que tô impressionado.
Bardo pousou à frente dele, passando a asa no peito como quem dissesse: Tudo em um dia de trabalho.
No entanto, ambos ouviram o som de trincas. A lâmina começou a se desfazer, e eles perceberam que precisavam agir rápido. Correram pelo laboratório, mal conseguindo escapar antes que a barreira mágica da sala da Areta se reativasse.
Pararam do lado de fora, respirando pesadamente.
— Trabalhamos bem juntos, hein? — disse Baan, estendendo a mão para o pássaro. — Que tal uma trégua?
Bardo inclinou a cabeça, como se pensasse. Então, voou até o braço estendido de Baan... e defecou em sua mão.
— Ah, não! — gritou Baan, olhando para a sujeira. — Seu desgraçado!
Enquanto o pássaro gargalhava e voava para longe, Baan começou a correr atrás dele, jurando vingança.
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