Volume 2
Capítulo 85: Fraude Contratual
No escritório da mansão de Bolívar Brock, o qual estava mergulhado em uma escuridão silenciosa, quebrada apenas pelos fracos gemidos do tirano. O empresário, que antes dominava a cidade de Passafora com mãos de ferro, agora estava reduzido a um homem frágil, deitado no chão, contorcendo-se em agonia. O veneno de Otto corria em suas veias, uma queimadura interna que parecia consumir sua vida pouco a pouco.
Bolívar tentou levantar-se, mas seu corpo, enfraquecido pelo veneno, recusava-se a obedecer. Ele tossiu, sentindo o gosto amargo de sangue em sua boca. Seus pensamentos começaram a vagar, e ele foi arrastado para o passado, para momentos que há muito tentava esquecer.
Ele se lembrou de seu pai, Brandon Brock, o homem mais rico e respeitado de Passafora. Brandon era conhecido não apenas por sua riqueza, mas por sua generosidade e bondade. Ele frequentemente ajudava os necessitados e investia na comunidade, acreditando firmemente que a prosperidade deveria ser compartilhada.
Bolívar, então um jovem rapaz de 17 anos, observava da janela da mansão luxuosa de sua família enquanto seu pai, Brandon, atendia a um grupo de trabalhadores da cidade, pagava-lhes um bônus em dinheiro e os aconselhava.
— Amigos, essa é a parte de vocês na participação dos meus lucros e resultados. Cuidem bem desse dinheiro, não vão gastar levianamente. E não esqueçam, continuem batendo as metas e podemos prosperar juntos.
Bolívar, assistindo à cena, franzia o rosto de desdém e falava para si mesmo: “Por que meu pai desperdiça dinheiro com esses plebeus? Ele poderia investir em mais propriedades, mais riquezas...”
Brandon voltou para dentro, seu sorriso não diminuiu. Ele viu Bolívar e, com a gentileza que sempre o caracterizou, acariciou a cabeça do filho.
— Você viu, meu filho, a cara de felicidade daqueles trabalhadores? Isso é a verdadeira riqueza, ajudarmos uns aos outros.
— Que baboseira, papai. Eles já recebem o salário deles. Seria mais útil utilizar esse dinheiro para montar mais fábricas ou ascender na nobreza do reino — respondeu Bolívar, revirando os olhos.
— Nós temos tanto dinheiro que nem temos como gastar. Estamos aumentando o patrimônio, mas isso não quer dizer que não podemos compartilhar um pouco. Eu já te falei, o dinheiro é enganoso. Quando buscamos multiplicar, ele divide e quando buscamos dividir, ele multiplica.
— Papai, isso não faz sentido nenhum. Estou achando que a velhice tá afetando sua sanidade. Vou comprar uns chocolates.
— Filho, não deixe a ganância lhe dominar. Entenda que dinheiro é apenas uma ferramenta. Ele precisa servi-lo e não o inverso.
— Dinheiro é poder, pai. E poder é o que importa — retrucou Bolívar, saindo da mansão e deixando seu pai sozinho.
Brandon suspirou, a tristeza cruzando brevemente seu rosto, mas ele não repreendeu o filho. Em vez disso, ele se conteve, esperando que a vida ensinasse a Bolívar as lições que ele não conseguia impor. Essa falha seria sua ruína.
Oito anos depois, um furacão atingiu Passafora causando efeitos devastadores. As mansões foram transformadas em escombros, e a fortuna dos Brock foi varrida em um instante. Bolívar, atônito, não conseguia acreditar no que via. Seu mundo de luxo e riqueza havia desaparecido, reduzido a nada pela ira da natureza.
Bolívar olhava desesperado os destroços.
— Como isso pôde acontecer? Perdemos tudo! Estamos arruinados!
Brandon, com serenidade, abraçou o filho desolado.
— Não, filho. Ainda temos um ao outro. E enquanto estivermos juntos, podemos reconstruir. Os bens materiais podem ser adquiridos novamente.
Semanas se passaram e a cidade ainda estava em recuperação. Brandon, despojado de sua riqueza, buscava trabalho. A cada porta em que batia, ele era rejeitado, pois todos estavam lutando para se reerguer.
Foi então que Taylor Otogi, seu amigo de longa data, ofereceu ajuda. Ele deu a Brandon um emprego simples, que exigia trabalho braçal, mas permitia que ele e Bolívar tivessem um teto sobre suas cabeças e comida na mesa.
Um ano se passou e Bolívar nunca aceitou a nova vida de trabalho duro e frugalidade. Uma noite, ele estava sentado à mesa, olhando com desdém para seu pai exausto. Brandon, ofegante, limpou o suor da testa enquanto se sentava.
— Bolívar, preciso que comece a trabalhar também. Você já tem 25 anos e nunca trabalhou. Não podemos continuar assim.
— Eu não vou me rebaixar a isso, pai! A um mísero dinheiro que mal dá para sobrevivermos. Nós éramos ricos! Devíamos ser respeitados! — Bolívar retrucou, frustrado, batendo a mão na mesa.
— Eu sei que é difícil. Mas veja pelo lado bom, já estou bem velho, acredito que não aguento nem mais cinco anos. Quando eu morrer, você poderá acionar o seguro de vida que eu firmei junto ao principal banco da capital de Byron.
— Seguro de vida? Como assim, papai? — indagou Bolívar, curioso.
— Eu paguei uma quantia absurda em dinheiro, desde que você era um bebezinho. Assim que eu morrer, você terá acesso a esse dinheiro. O valor é expressivo. Aprenda a trabalhar e, com recurso, você facilmente se tornará o mais rico de Passafora, assim que eu morrer — explicou Brandon, suspirando profundamente.
Meses depois, a mente de Bolívar fervilhava com planos. Ele não parava de pensar sobre o seguro de vida de seu pai. A ganância crescia em seu coração como uma erva daninha. Quando chegou a escuridão, ele tomou a decisão que mudaria seu destino para sempre. Ele contratou um homem para assassinar seu pai, que o matou rapidamente.
Assim que Brandon morreu, Bolívar foi até o quarto de seu pai e encontrou o contrato de seguro. Ao lê-lo, seu rosto se contorceu de fúria. Brandon havia incluído uma cláusula que designava Taylor como o beneficiário de um terço do valor do seguro. Além disso, Taylor teria que autorizar previamente todos os gastos de Bolívar até que ele declarasse que seu filho estivesse pronto para administrar o próprio dinheiro.
Brandon tinha medo que a natureza gananciosa do filho o corrompesse ainda mais depois que ele tivesse acesso a tanto dinheiro, portanto, decidiu utilizar seu melhor amigo para que Bolívar não fosse devorado pelos próprios desejos de riqueza e poder.
— Como ele pôde fazer isso comigo? Eu sou seu filho! Eu deveria ter controle total! — murmurou Bolívar para si mesmo, com ódio.
Bolívar, consumido pela raiva, decidiu forjar uma autorização. Ele escreveu uma carta, imitando a caligrafia de Taylor, na qual o amigo de seu pai abdicava de seu percentual e declarava Bolívar como o único administrador do dinheiro. Porém, quando levou o documento ao banco, o funcionário ficou da instituição financeira ficou desconfiado da autentividade do documento.
— Há algo estranho aqui, senhor Brock. A assinatura do Sr. Taylor parece diferente. Vou precisar de uns dias para analisar e lhe dou o retorno — disse o funcionário do banco, examinando o documento falsificado.
Bolívar, percebendo que a fraude estava em risco, tomou uma decisão drástica. Ele contratou Guinter e a guilda Sabertooth para resolver o problema. Guinter e seus homens forçaram o funcionário do banco a liberar o dinheiro e depois assassinaram o homem, garantindo que não houvesse mais objeções à liberação do dinheiro.
Com o dinheiro finalmente em mãos, Bolívar guardou cuidadosamente a cópia do documento falsificado e o contrato de seguro de vida de Brandon. Aquela prova de sua traição e do crime que cometeu contra seu próprio pai foi escondida em um local em seu quarto, longe de todos, um lembrete sombrio de sua corrupção.
De volta ao tempo presente, Baan Maverick chegou na mansão de Bolívar. Ele desceu de Bruce e fez um sinal para o tigre esperar, ameaçando-o de matá-lo caso o desobedecesse. Bruce recuou, claramente amedrontado, e esperou obedientemente.
Enquanto isso, o empresário estava à beira da morte, seu corpo encharcado de suor frio enquanto o veneno de Otto o destruía por dentro. Sua visão estava turva, e ele quase não percebeu quando Baan entrou no escritório.
— Senhor... ajude-me. Eu tenho... uma ampola... o antídoto... em meu quarto, em um compartimento secreto. Basta girar a chave da gaveta no sentido contrário. Por favor — suplicou Bolívar com voz fraca.
— Depois de todas as atrocidades que você cometeu, ainda acha que merece ajuda? — disse Baan, olhando o empresário com desdém. — Seria bem mais fácil para todos se eu apenas te deixasse agonizando até morrer.
— Eu farei qualquer coisa! Pegue o Decreto Imperial... está aí no cofre. Você pode tê-lo! — implorou Bolívar, com lágrimas nos olhos.
Baan parou por um momento, considerando as palavras de Bolívar. Ele sabia que a morte seria uma punição leve demais para alguém como ele.
— Infelizmente, a morte é uma punição pequena para os seus crimes — disse Baan com um olhar penetrante.
Ele se aproximou do cofre, abriu-o e pegou o Decreto Imperial. Seus olhos brilharam ao ver o documento valioso. Ele então se dirigiu ao quarto de Bolívar, onde encontrou a ampola secreta com o antídoto. Ao lado da ampola, um documento antigo chamou sua atenção: a apólice de seguro de vida de Brandon e documento com a assinatura de Taylor forjada. A comprovação efetiva do crime de Bolívar.
Baan leu o documento e voltou para o escritório, jogando a ampola para Bolívar, que rapidamente bebeu o conteúdo. Sua respiração finalmente se acalmou enquanto o veneno era neutralizado.
— Onde está Guinter? — perguntou Baan calmamente, enquanto Bolívar recuperava o fôlego.
— Eu... não sei. Nós brigamos... ele disse que ia atrás de vocês.
Baan olhou para Bolívar e teve uma ideia. Ele então fez algo inesperado: ossos começaram a sair de seu corpo, formando uma jaula ao redor de Bolívar. O empresário ficou desesperado, batendo nas barras de osso.
— Não! Não me deixe aqui! Eu pago qualquer quantia! Por favor!
Baan virou-se, ignorando os apelos de Bolívar, enquanto pensava: “Não adianta gritar, balofo. Sua punição está apenas começando.”
Saindo da mansão, Baan ouviu explosões e gritos vindos do centro da cidade. Ele montou em Bruce, que esperava ansiosamente do lado de fora.
— Avance, gato guerreiro! Vamos encontrar Guinter.
Ele espetou levemente o flanco de Bruce com uma estaca de osso, e o tigre disparou em direção ao caos, correndo com a velocidade de uma tempestade prestes a desabar.
Voltando ao prédio da prefeitura de Passafora, a tensão era palpável. Lá dentro, Kreik, Joabe, Osken e seu filho, Otto, aguardavam em silêncio, cientes da ameaça iminente. O ar estava pesado com a antecipação de uma batalha decisiva. Do lado de fora, a cidade estava vazia; os cidadãos se concentraram no Distrito de Carabás, após orientação de Frederico, deixando o centro da cidade como um campo aberto perfeito para um cenário de conflito.
Todos estavam nervosos, olhando para Guinter, que sentia o coração palpitar de emoção para ter uma boa luta.
— Eu começo! — rosnou Guinter, avançando como uma avalanche de destruição.
Otto, o mais jovem e vulnerável do grupo, era o alvo inicial de Guinter. Com uma velocidade surpreendente para alguém de seu tamanho, Guinter disparou em direção ao garoto, sua enorme pata preparada para esmagar.
— Filho, cuidado! — gritou Osken, tomando a frente de Otto, já preparando seu Radiant Flash.
Prevendo a manobra do ex-companheiro de guilda, Guinter balançou o braço esquerdo e arremessou um jarro de flores que estava em um aparador ao seu lado. O jarro acertou o rosto de Osken, que passou a mão no rosto, atordoado. Guinter então deu uma forte ombrada no mago de luz, tirando-o do caminho e ficando com o caminho livre para dar um soco em Otto.
Antes que o golpe de Guinter pudesse atingir Otto, Kreik saltou impulsionado pelos jatos de fogo das luvas, interpondo-se entre o vilão e seu amigo. A pata de Guinter atingiu Kreik com força brutal, lançando-o contra a parede e permitindo a fuga do amigo.
— Ahh! — grunhiu Kreik, cuspindo sangue, mas seus punhos ardiam com o poder das Luvas de Ifrit. Ele rapidamente se levantou. — Não vou deixar você tocar nele!
Joabe, ao ver seu companheiro de guilda ferido, reagiu com velocidade. Com um assopro nos braceletes, ele lançou uma rajada de kamaitachis. As lâminas de vento cortaram o ar em direção a Guinter, mas o vilão as enfrentou com suas garras, dilacerando as foices de vento com facilidade.
— Isso é tudo que têm? — zombou Guinter, sua voz cheia de desprezo.
Enquanto Guinter se defendia das lâminas de vento, Osken aproveitou a abertura. Ele lançou granadas de luz em rápida sucessão, suas mãos brilhando com energia mágica.
— Toma isso! — gritou Osken, atirando três granadas direto no peito de Guinter.
Guinter, com agilidade surpreendente, saltou para o lado, evitando as explosões. Kreik, sem perder tempo, lançou seus Flaming Darts, disparando vários projéteis da ponta de seus dedos na direção do vilão. Este cruzou os braços em frente ao rosto, protegendo-se do golpe disparado.
— Tome isso, Guinter! — gritou Kreik, avançando em alta velocidade contra o vilão, fazendo jatos de fogo saírem dos seus pés, com o objetivo de desferir um soco flamejante no transmorfo.
Assim que abaixou as mãos, Guinter viu o punho de Kreik próximo aos seus olhos. Ele desviou a cabeça para o lado, fazendo o mago ruivo errar seu golpe. Aproveitando a oportunidade, Guinter deu um soco em Kreik, que gritou de dor ao ser arremessado para longe com o referido golpe.
Otto, em sua forma dracônica, apareceu atrás do vilão e lançou uma bomba ácida, acertando as costas de Guinter. Este, apesar da dor, girou a coluna para trás e deu uma cotovelada em Otto, mas o pai do garoto pulou e o pegou no ar antes de ser atingido, fazendo com que ambos desviassem do golpe de Guinter.
— Otto, é perigoso. Você é só uma criança. Apenas fuja — esbravejou Osken.
Joabe, aproveitando a distração de Otto, lançou duas kamaitachis que acertaram o peito do vilão. Ele deu um passo para trás e grunhiu de dor. Sem dar descanso, o jovem assoprou na lâmina do braço direito e tentou atacar com sua Executioner's Blade (Lâmina do Carrasco). O líder da Sabertotth foi mais ágil e desviou do golpe, inclinando-se para o lado.
O braço de Joabe passou entre o cotovelo esquerdo e o tronco de Guinter. Este contraiu seu braço esquerdo contra o corpo, prendendo o braço direito de Joabe. Em seguida, o transmorfo passou a desferir, com o braço direito, vários socos no rosto do rapaz, que não tinha velocidade e força suficiente para se soltar ou bloquear os golpes com o outro braço.
Osken levantou-se, já lançando granadas de luz nas costas do vilão, que sentiu o impacto das pequenas explosões e afrouxou seu braço esquerdo, permitindo que Joabe se soltasse, pulando para trás.
— Osken, maldito! Vou acabar com você, traidor — rosnou Guinter, preparando uma investida contra o mago de luz.
Osken, sem perder tempo, aproveitou para liberar seu Radiant Flash. Mas Guinter já preparava um soco que atingiria Osken antes que ele liberasse sua técnica. Contudo, Otto passou por baixo das pernas de seu pai e cuspiu outra bomba ácida no rosto de Guinter, que gritou de dor e cessou o ataque, pondo a mão no rosto.
— Eu posso ser útil, pai, confia em mim! — falou o garoto, empolgado.
— Por que você puxou a minha afobação ao invés da paciência da sua mãe? — murmurou Osken, se conformando com a intervenção do garoto. — Fechem os olhos. Radiant Flash! — gritou Osken, liberando sua explosão cegante de luz que inundou a sala.
Todos fecharam os olhos a tempo, apenas Guinter viu o clarão, ficando temporariamente cego após a técnica de Osken.
— Agora, ataquem! — gritou o mago da luz.
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