Volume 4
Capítulo 811: Batalha no Mundo da Névoa
— Você quer dizer que essas coisas conseguem destruir as paredes da montanha?
Elena arregalou os olhos após ouvir a explicação concisa de Agatha sobre os explosivos. Furiosa, ela condenou:
— E se essas coisas tivessem explodido no estômago de Fran? Por que eles não pensaram nisso?
O corpo gigante de Fran estremeceu quando ela ouviu isso.
— Não, não, não. Ouçam bem. Esses explosivos aqui não são do tipo que explodem facilmente com qualquer impacto ou calor. — Agatha disse enquanto retirava alguns canos de cobre da caixa e mostrava para Elena. — Para fazê-los explodir, é necessário colocar esses canos.
Os explosivos haviam despertado o interesse das outras Bruxas da Punição Divina, que, por meio de Phyllis, ouviram falar da maravilha que havia acontecido durante o exercício de artilharia. Elas também haviam presenciado a batalha do Primeiro Exército contra a incursão de bestas demoníacas algumas vezes desde que se mudaram para a Região Oeste do Reino de Castelo Cinza, portanto já estavam familiarizadas com a pólvora. Mas essa era a primeira vez que elas estavam tão perto desse tipo de arma.
— Será que deveríamos mesmo usar esses explosivos? Uma coisa que produz um som tão alto quando explode deve ser muito volátil. Acho que é perigoso…
— Parece um tijolo…
— Como ele funciona mesmo? Ele explode assim que o tubo de cobre é inserido?
— Quem se atreveria a fazer isso?
Agatha também tinha as mesmas dúvidas, pois ela só sabia dos princípios gerais desses explosivos que Sua Majestade havia criado. O conhecimento que ela tinha de como usá-los não era melhor que o das bruxas de Taquila.
— A coisa com a marca vermelha é o detonador que precisa ser acendido para funcionar. — Raio de repente se aproximou dos explosivos e disse profissionalmente. — O com a marca azul é o detonador que é preciso puxar a corda para acioná-lo. Eu lembro que tem outro tipo de detonador com uma marca amarela que é ativado por corrente elétrica, mas essas caixas só têm os com as marcas vermelha e azul.
Impressionada, Agatha falou:
— Como você sabe disso?
— Porque eu sou uma exploradora! — A garotinha tocou no próprio nariz. — Eu basicamente estive presente em cada teste de arma nova que o Primeiro Exército fazia.
— Então… O que fazemos? Enterramos os explosivos na entrada da caverna e abrimos uma passagem? Ou utilizamos eles no meio do caminho enquanto recuamos com Fran? — Elena tentou pensar numa solução. — Se os explosivos realmente puderem segurar os inimigos, acredito que dez Bruxas da Punição Divina sejam o suficiente para carregar Fran.
— Eu não me importo, podem me deixar aqui, eu…
— Cala a boca! — Elena interrompeu Fran bruscamente. — Mesmo que não tenhamos medo do sacrifício, nunca desistiremos de nossas companheiras facilmente. Não se esqueça do que Lady Eleanor nos disse.
— Todas as bruxas são igualmente importantes. — As outras Bruxas da Punição Divina falaram e assentiram com a cabeça.
— Receio… que nenhum de seus planos funcione. — Raio murmurou. — Essa quantidade de explosivos é o suficiente para nos despedaçar, caso vocês os explodam nessa caverna aqui, que é bem pequena. Mas se os colocássemos numa caverna maior, a explosão não seria satisfatória. — A garotinha olhou para as pás e enxadas, que estavam no chão, e continuou: — Esses explosivos foram produzidos unicamente para fazer cavernas ou abrir passagens. Eles não são explosivos propriamente de combate. A corrente de ar e o fogo criados pela explosão só devem ser o suficiente para matar as bestas demoníacas num raio de cinco metros, ou dez passos.
Todas as bruxas ficaram em silêncio, pois agora sabiam que a explosão poderia ser o suficiente para eliminar algumas bestas, mas não um enxame delas. E elas não teriam uma chance de escapar, a não ser que a maioria dessas bestas demoníacas fosse destruída.
— Talvez… a gente tenha mais uma opção. — Rouxinol falou de repente. — Derrotar o chefe deles.
— Você tá falando… daquele monstro no teto da caverna? — Elena franziu as sobrancelhas. — Mas nós não conseguimos voar.
— Mesmo se vocês conseguissem voar, ainda seria muito perigoso! — Agatha disse antes de Raio ter a oportunidade de falar qualquer coisa. — Essa não é uma batalha defensiva, onde nós temos todo o suporte que precisamos. Todas nós sabemos que não é raro ver bestas demoníacas voadoras, e que Raio perde velocidade e altura de voo quando está carregando alguém. Então é bem possível que ela não consiga chegar perto do monstro quando o inimigo detectá-la e persegui-la.
— Eu não pretendo deixar Raio fazer isso. — Rouxinol disse palavra por palavra. — Eu planejo jogar esses explosivos na boca do monstro com minhas próprias mãos, claro, isso se o monstro tiver uma boca.
— Você? — Agatha ficou chocada. — Não seja ridícula…Você sabe que seu Mundo da Névoa não te protege de detecções de magia. Quando você olhar para ele, ele também vai olhar para você.
— A habilidade dele de me ver não quer dizer que os capangas dele vão conseguir me notar. Eu tenho certeza que consigo passar por eles, mesmo se estiverem sob a ordem do monstro para me interceptar. — Ela parou, mas logo continuou. — Lembrem-se de que meu Mundo da Névoa pode fazer muito mais do que me esconder.
— Mas…
Uma cacofonia vinda da formação rochosa interrompeu as palavras de Agatha. Soava como se inúmeros gafanhotos estivessem comendo folhas, ou como se cascalhos estivessem sendo triturados.
O rosto de cada uma das bruxas mudou. Esse som não era novo para elas.
— Droga. Eles mandaram um Verme Devorador. — Elena disse com um rosto sério. — O inimigo está vindo. Preparem-se.
Um Verme Devorador dificilmente seria uma ameaça, mas assim que o esconderijo delas fosse exposto, elas enfrentariam uma infinidade de bestas demoníacas que sairiam do estômago do verme.
— Não se preocupem comigo. Eu sou a mais competente nesse tipo de missão. No passado, quando a Associação Cooperativa das Bruxas ainda estava na antiga Cidade Real de Castelo Cinza, meu título era conhecido por todos na Região Central do reino. — Rouxinol disse enquanto pegava quatro sacos de explosivos e os prendia firmemente nas costas. — Naquela época, as pessoas me chamavam de “Sombra da Morte”.
— Espere…
— Fique tranquila. Eu vou eliminar aquela coisa deformada antes que as bestas demoníacas cheguem aqui.
Antes que Agatha pudesse falar qualquer coisa para pará-la, Rouxinol desapareceu no Mundo da Névoa.
A última coisa que Agatha viu foi Rouxinol fazer um joinha.
No mundo preto e branco, direções não significavam nada para Rouxinol, e tudo ficaria plano e nivelado se ela quisesse.
Parecia que ela era a manipuladora deste mundo, pois tudo estava sob o seu controle.
Ao passar pelos escombros, ela pulou direto na parede da caverna e correu até o teto.
De repente, a visão dela girou cento e oitenta graus. O teto agora era o chão, e o chão lá embaixo era o teto. O monstro, que antes estava escondido, agora estava na frente dela. O rio subterrâneo lá embaixo, ou melhor, lá em cima, parecia uma linha brilhante em meio à escuridão, sem falar do lago subterrâneo, que, de longe, fez Rouxinol lembrar das janelas francesas do escritório de Roland.
Neste momento, ela já tinha visto o monstro, que também já tinha visto ela.
Rouxinol não desviou o olhar.
Encarando os inúmeros olhos do monstro, Rouxinol avançou. No Mundo da Névoa, um brilho irradiava do poderoso Ciclone Mágico do monstro, parecendo uma lua vermelha, ofuscando os outros pontos de luz (das bestas demoníacas).
Esse monstro não é uma simples besta demoníaca híbrida… — Ela pensou. — O poder mágico dele é mais forte que o de Anna.
Por um momento, Rouxinol sentiu sua mente se conectando com a do monstro.
A sensação foi caótica e indescritível, mas ela tinha certeza de que ambos sentiram a hostilidade escancarada um do outro.
Rouxinol sorriu.
O monstro ergueu os tentáculos.
Rugindo, as bestas demoníacas na caverna avançaram em peso na direção dela.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios