Volume 4

Capítulo 806: Um “Ovo”

— Então aquele verme encontrou seu lar… — Assim que a cesta chegou no chão, Agatha olhou ao redor enquanto segurava uma Pedra da Luz. Suas sobrancelhas franziram ainda mais. Ela perguntou para Raio: — Você viu Fran?

— A Senhorita Fran não está aqui. — Raio havia averiguado cada canto do local. — A Pagoda de Pedra Negra tá presa entre as paredes desse buraco. Mas tem alguns espaços abertos em ambos os lados da torre. Será que Fran caiu e rolou para o lado? Caso isso tenha acontecido, ela deve tá lá embaixo.

A torre de pedra atravessava as paredes do buraco, como se fosse uma ponte. Suas duas extremidades estavam fincadas nas rochas. Ninguém sabia como isso havia acontecido. Também não havia sinal do Monstro de Tentáculos[1] ou do Demônio Multi-Olhos.

— A torre não afeta meu poder mágico. — Rouxinol saiu do Mundo da Névoa.

— Mas você não consegue atravessá-la da mesma forma que atravessa uma parede, não é? — Agatha criou uma lança de gelo. Em seguida, ela arremessou a lança em direção à Pagoda de Pedra Negra. Ao colidir, a lança imediatamente quebrou-se em pedaços, e a torre de pedra permaneceu intacta. — Há rumores de que essa torre é feita de Pedras da Retaliação Divina. Embora não afete o poder mágico fortemente como o Prisma de Pedra Mágica, ela ainda consegue bloquear nossas habilidades.

Elena corrigiu Agatha em voz baixa:

— Ela não é feita de Pedras da Retaliação Divina, e sim criada pelas pedras. O poder mágico corrosivo consegue mudar a veia mineral das pedras mágicas e, assim, moldá-las. No entanto, somente a veia mineral concebida durante a Lua Sangrenta tem a capacidade de criar a Névoa Vermelha. As outras simplesmente ajudam a desacelerar a dissipação da névoa. Antigamente, essa era uma informação ultrassecreta da Aliança. Foi só depois da queda de Taquila que Lady Eleanor nos contou.

Rouxinol ficou descontente com o atraso dessa informação.

— Por que você não contou isso pra gente antes?

Um pouco irritada, Elena respondeu:

— Você não me disse que haveria uma Espiral Demoníaca[2] aqui! Tem tantas coisas que podem afetar o poder mágico. Como que eu vou saber qual delas é?!

Raio voou e ficou entre elas, impedindo uma possível discussão.

— Nós temos que continuar indo pra baixo, já que ainda não alcançamos o fundo. Agorinha, agorinha, eu voei um pouco mais pra baixo e ouvi o barulho distante de água corrente. É bem provável que seja um rio subterrâneo. Se a Senhorita Fran realmente caiu lá, ela ainda deve estar viva!

Elena ficou animada.

— Sério? Será que Sylvie não encontrou Fran por causa desse rio subterrâneo?

Agatha assentiu com a cabeça.

— É bem provável. Essa torre de pedra deve ter bloqueado grande parte do Olho da Magia, por isso Sylvie não conseguiu ver o fundo. Se Fran foi levada pelo rio, isso só dificultou ainda mais o trabalho de Sylvie. — Agatha, então, virou-se para Raio e disse: — Voe lá pra cima primeiro e conte tudo a Wendy. Peça pra ela mandar Margie trazer algumas Bruxas da Punição Divina pra cá… e também alguns soldados do Primeiro Exército. Também peça pra eles colocarem sentinelas aqui. Vamos encontrar Fran.

A garotinha assentiu com a cabeça, dizendo:

— Certo. Deixe comigo.

Com a ajuda do teleférico adaptado e do Arco Mágico de Margie, elas logo reuniram pessoas o suficiente para resgatar Fran.

Raio aproveitou esse intervalo para investigar completamente a área abaixo da Pagoda de Pedra Negra. Como ela havia imaginado, a “caverna vertical” ficava aladeirada a uma certa profundidade. O ar também ficava mais úmido. Quando Raio desceu por mais uns 30 a 40 metros, ela finalmente viu um rio subterrâneo.

Água pingava e escorria das paredes e teto da caverna, cascateando em pequenos córregos, formando uma cachoeira que, por último, dava vida a um rio. Quando a garotinha chegou perto, ela sentiu uma brisa bem gélida passar por suas bochechas.

Já que o ar na caverna era úmido, havia vários cogumelos, musgos e “frutas?” pelo chão da caverna. Algumas frutas irradiavam uma luz azulada, o que iluminava a área ao redor. Mesmo sem a Pedra da Luz, Raio conseguia enxergar claramente os contornos da caverna. Com vagalumes voando ao redor, a área subterrânea parecia um mundo completamente diferente.

Quando o Arco Mágico trouxe as bruxas e as sobreviventes de Taquila até o fundo, todas elas ficaram maravilhadas.

Rouxinol exclamou:

— Se nós pudéssemos plantar essas frutas brilhantes na Cidade de Primavera Eterna, todo mundo conseguiria enxergar claramente à noite.

— Vamos levar algumas e plantá-las! — Raio esfregou as mãos, cheia de animação. Descobrir e desenvolver coisas novas fazia parte da essência de um explorador. Cana de açúcar e milho, por exemplo, foram descobertos por exploradores, que se aventuraram em ilhas desconhecidas e levaram suas descobertas para os Fiordes. Esses alimentos, após um tempo, tornaram-se bastante populares. Mas Raio não sabia ao certo se esses cogumelos gigantes e frutas brilhantes, que mais pareciam taboas [3], seriam tão doces quanto os cogumelos shimeji.

Agatha começou a contar o número de pessoas presentes no local e disse:

— Vamos terminar o que temos que fazer primeiro. Margie, fique aqui para ajudar o Primeiro Exército a montar um posto de vigilância. Nós continuaremos a avançar pela caverna para encontrar Fran. Se Fran estiver a mais de duas milhas de nós, montaremos algumas tendas temporárias.

Ninguém fez uma objeção. Raio, Rouxinol e Agatha sabiam como escapar e se proteger. E as 10 Bruxas da Punição Divina, lideradas por Elena, eram todas combatentes excepcionais, tão fortes quanto as Extraordinárias. Elas não eram um grupo muito grande, mas eram a combinação mais forte da Frente de Batalha.

Ao avançarem pela caverna de calcário, o barulho da água corrente tornou-se cada vez mais forte. Raio teve que ficar bem perto do grupo para conseguir ouvir todo mundo.

Agatha perguntou:

— O Verme Devorador consegue nadar?

Elena balançou a cabeça, respondendo:

— Ninguém nunca viu o Verme Devorador nadando. Mas o corpo dele é enorme, então acho que ele não está muito longe de onde viemos, mesmo que tenha sido levado pelo rio.

— Você sabe de onde vem esse rio e onde termina? — Outra Bruxa da Punição Divina perguntou. Raio lembrou vagamente que essa bruxa se chamava Zoe.

Rouxinol respondeu:

— Não sei de onde vem, mas pela direção que tá indo, acho que vai pra área montanhosa do sul.

Todos sabiam que havia muita água subterrânea no território de Sua Majestade, mas Raio se perguntava por que esses rios fluíam para o sul, já que rios eram escassos lá. Para onde toda essa água ia? Raio mal podia esperar para desvendar esse mistério.

De repente, ela viu uma rocha se mover, não muito longe dali.

— Esperem. Eu vi algo se mover ali!

Ouvindo o aviso, todas pararam e puxaram suas armas.

Rouxinol imediatamente deu uma resposta afirmativa.

— Não detectei nenhuma reação mágica, mas realmente tem algo ali… — Em seguida, Rouxinol parou e lentamente se aproximou do objeto. — Parece um… “ovo”? Um “ovo” semiesférico … [4]

— O quê? — Agatha ficou um pouco surpresa.

— Já que essa coisa não possui poder mágico, não estamos em perigo. — Elena gesticulou para as outras Bruxas da Punição Divina e disse: — Sigam-me.

Elas logo cercaram o “ovo”. No entanto, quando Raio inspecionou o “ovo”, ela franziu as sobrancelhas.

A superfície do “ovo” não era dura; parecia mais uma pele, cuja cor era verde, harmonizando-se com as cores do ambiente. Quando Raio pegou uma Pedra da Luz e iluminou essa pele de perto, ela viu vários buraquinhos abrindo e fechando, como se estivessem respirando.

Elena cuspiu no chão.

— Que… merda é essa? Isso é nojento.

— Parece que realmente é um tipo de “ovo”. Os pais dele devem ser gigantes… — Raio mediu o “ovo” e concluiu que devia ter por volta de três metros de largura e profundidade. Um “ovo” tão grande poderia encobrir facilmente uma vaca adulta.

Olhando mais de perto, Zoe notou que o formato da parte de cima do “ovo” lhe era um pouco familiar.

— Essa forma… Não, não pode ser… — Zoe respirou fundo e, sem hesitar, enfiou a espada no “ovo” e rasgou para cima.

Uma grande quantidade de gosma jorrou do “ovo”, e um grito penetrante ressoou pela caverna. Em seguida, elas viram uma sombra negra sair do “ovo” e desabar no chão.

Para a surpresa de Raio, era um Demônio Frenético.

[1] – Lá no Capítulo 600 .

[2] – Outro nome para Pagoda de Pedra Negra. É um tanto lógico, já que termos mudam com o tempo. Se bem que gostei mais de Espiral Demoníaca do que Pagoda de Pedra Negra.

[3] – A taboa não é bem considerada uma fruta no Brasil. Mas Raio só quis fazer uma comparação mesmo. Deixei uma foto da planta na imagem anexada no texto.

[4] – Semiesférico é metade de uma esfera. É como se fosse um ovo enterrado pela metade no chão.

Observação: Nesse tempo comigo vocês já devem ter notado que eu gosto de usar aspas para indicar várias coisas incertas. Então quando falo “ovo”, quero dizer que os personagens não têm certeza do que estão falando. E também para vocês se tocarem que é só a forma como os personagens enxergam algo.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora