Volume 4

Capítulo 759: Segunda Transformação

Na tarde do dia seguinte, Roland recebeu o relatório da habilidade de Sharon.

— Isso foi rápido. — Ele ergueu as sobrancelhas enquanto Wendy lhe entregava os papeis. — Ela já aceitou que agora é uma bruxa?

— Sim, e de uma forma mais tranquila do que esperávamos. — Wendy riu enquanto recontava o que havia acontecido na noite passada. — Tenho que admitir, os pais dela criaram uma boa menina.

— Hmm… — Roland ficou muito impressionado. Nesta era, alguém com tamanha visão já poderia ser considerado um pioneiro. Talvez esse fosse um curso natural da história. Quando a crença era passada de geração em geração, mais e mais pessoas seriam tomadas pelo mesmo desejo, e quando os números atingissem um certo nível, o mundo passaria por uma mudança extraordinária.

Como diziam, uma pequena faísca podia incendiar uma floresta.

Talvez esse fosse o caminho natural da humanidade.

Ele examinou os detalhes do teste, principalmente a avaliação de poder mágico. Por ser uma bruxa que havia despertado aos 15 anos, a habilidade do Ciclone Mágico de Sharon estava acima da média. Também estava registrado no relatório que o nível de Sharon podia ser comparado ao de muitas bruxas adultas de Taquila. Evidentemente, Phyllis havia comparecido ao teste. Entre todas, ela era a que mais se mostrava receptiva à chegada de novas bruxas.

A habilidade de Sharon resumia-se a gerar correntes elétricas. No entanto, o resumo de Wendy foi muito vago, talvez porque a eletricidade fosse um dos assuntos mais difíceis de Física Elementar.

Quando Sharon amplificava a intensidade das correntes elétricas, o consumo de poder mágico aumentava rapidamente, mas as correntes elétricas seriam fortes o suficiente para destruir placas de madeira e derreter ferro. Já numa baixa intensidade, ela precisaria tocar no objeto para produzir algum efeito, tal como acender uma lâmpada, embora ela tenha queimado algumas durante o teste.

Já que Sharon havia acabado de despertar, o controle de poder mágico dela era muito instável. A conclusão de Wendy foi que ela seria mais adequada para ser uma bruxa combatente, embora também tivesse potencial para auxiliar na produção.

Roland não planejava fazer outro teste. Afinal, ele não tinha nenhum equipamento para medir a voltagem e corrente elétrica, e portanto, não conseguiria obter os valores exatos.

Além disso, Sharon teria que gastar muito poder mágico para liberar uma corrente elétrica de alta voltagem. A habilidade dela de manter a transmissão de eletricidade obviamente não era tão bom quanto o Amanhecer nº 1 de Lunna, e também não servia para ser uma arma eletromagnética.

Ademais, todos os efeitos que eram produzidos pelo poder mágico, seja a Chama-negra de Anna ou a corrente elétrica de Sharon, não necessariamente correspondiam às teorias relacionadas. Somente quando as bruxas evoluíam com base no conhecimento científico, é que elas obteriam habilidades dentro da compreensão de Roland.

Em suma, já estava claro que a habilidade de Sharon tinha muito potencial. Roland estava animado para saber que tipo de progresso poderia ser feito quando a essência da corrente elétrica fosse finalmente entendida por Sharon, e ele também queria ver o quanto o poder mágico de Sharon melhoraria quando ela alcançasse a Idade Adulta. Mas por enquanto, seria melhor seguir a recomendação de Wendy, permitindo que Sharon praticasse a habilidade dela e focasse nos estudos, já que ela estava atrasada em relação às outras bruxas.

Já que Sharon tinha um forte senso de justiça, Roland de repente teve a ideia de, no futuro, colocá-la no Departamento de Justiça.

Uma jovem que pode gerar eletricidade e que sai pelas ruas prendendo criminosos… Isso me parece um pouco familiar[1].

Sem revelar seus pensamentos, Roland assentiu para Wendy e disse:

— Vamos seguir a sua recomendação, muito obrigado.

— É minha honra, Vossa Majestade. — Wendy se curvou.

Quando Roland retornou ao escritório após o jantar, ele se deparou com Lily, Lunna e Rouxinol. As três estavam em volta da mesa e pareciam estar discutindo algo.

— Olhe pra isso. — Rouxinol gesticulou para Roland. — Minha nossa, eles parecem tão reais!

— O que é isso? — Curioso, Roland se aproximou e viu que em cima da mesa havia dois potes cheios de cogumelo shimeji. — Eh… De quem são esses cogumelos? — No primeiro pote, os cogumelos estavam bem murchos, parecendo aqueles que ficavam guardados na cozinha, mas no segundo pote, os cogumelos estavam bem frescos e suculentos. Ele pegou um dos cogumelos suculentos e o apertou, fazendo a seiva escoar imediatamente. — Os cogumelos estão bem frescos. Eles foram catados por Raio?

Rouxinol e Lunna olharam para Lily ao mesmo tempo.

Lily deu de ombros, dizendo:

— Eu usei meu poder mágico para criá-los.

— Ah, entendi, poder mágico. — Roland respondeu casualmente, mas logo ficou chocado. — Espere… O quê? Você usou poder mágico para criá-los?

— Vossa Majestade, o Ciclone Mágico de Lily mudou. — Rouxinol explicou. — Como eu posso dizer… Após a primeira evolução dela, o Ciclone Mágico parecia um daqueles “insetos” que a gente vê no microscópio, mas agora ficou diferente, já que algumas marcas apareceram nesse “inseto”. A capacidade de poder mágico dela também aumentou. — Após uma breve pausa, ela continuou. — Em outras palavras, a habilidade de Lily evoluiu novamente.

— Mas os cogumelos ainda são “insetos”! — Lunna se juntou à conversa. Claro, isso fez com que Lily olhasse para ela com desgosto.

— Verdade? — Roland animadamente pegou outro cogumelo e o examinou cuidadosamente. Ele rapidamente entendeu como ela os havia criado. — Você agora consegue transformar seus micróbios em outros tipos de micróbios?

— Sim. Mas eles devem ser visíveis no microscópio, e um alvo adequado deve ser encontrado, para só então ocorrer a fase de assimilação. — Lily assentiu com a cabeça. Embora ela parecesse muito calma, o brilho nos olhos dela mostrava o quanto ela estava feliz. — Já que os micróbios produzidos pelos cogumelos shimeji são relativamente fáceis de observar, eu os escolhi para o experimento.

Ela provavelmente estava se referindo aos esporos[2], que davam origem aos fungos. Roland começou a se sentir animado. Lily agora podia controlar qualquer tipo de micróbio observável.

— Excelente! — Ele estendeu a mão e afagou a cabeça de Lily.

Inesperadamente, Lily não se afastou e revirou os olhos para ele, como de costume. Ao invés disso, ela abaixou a cabeça e aceitou os cumprimentos.

— Como que isso é bom? — Lunna resmungou. — Vossa Majestade, meu quarto está infestado! Tem cogumelos por todo lugar, até na minha cama. Meu quarto tá parecendo a Floresta das Brumas depois de uma chuva.

As bochechas de Lily ficaram vermelhas. Ela olhou para Lunna e disse:

— Eu… Eu também não sei por que isso aconteceu… De primeira, os micróbios não se transformaram em cogumelos. Eu até pensei que tinha algum problema com o “micróbio parental” que eu criei. Depois que eu mudei de “micróbio parental”, eu não imaginei que o quarto ficaria cheio de cogumelos.

Quando Roland entendeu toda a história, ele começou a rir bem alto. Do pouco conhecimento que ele ainda tinha de biologia, diferente de uma semente que podia se transformar sozinha numa grande árvore, um único esporo de fungo não conseguiria se transformar sozinho num cogumelo, independentemente de quanta assimilação fosse feita. Mas isso mudou quando Lily começou a fazer o experimento num segundo esporo de fungo, já que daí passou a haver dois esporos que poderiam se combinar para formar cogumelos[3]. Provavelmente, os cogumelos só haviam crescido por todo lugar porque os “micróbios modificados” de Lily haviam transformado as bactérias ao redor em esporos de fungos. Já que havia bactéria por toda parte, isso já era de se esperar[4].

— Vamos realizar um banquete de cogumelos amanhã. — Roland anunciou alegremente.

Sem dúvida alguma, com essa segunda evolução, Lily não estava mais limitada à esterilização e desinfecção. Qualquer micróbio observável poderia ser produzido em massa sem custo. Seja para produção de comida ou para fins militares, a habilidade de Lily seria muito importante de agora em diante.

[1] – Não peguei a referência. Tem tantos heróis que podem manipular a eletricidade. Agora uma jovem que sai pelas ruas combatendo o crime e que pode gerar eletricidade, não consigo pensar em nenhuma. Seria uma heroína chinesa? Fica a dúvida.

[2] – Em biologia, chamam-se esporos as unidades de reprodução das plantas, algas e fungos.

[3] – Basicamente, Roland está dizendo que esses fungos, que criam os cogumelos shimeji, precisam de dois esporos diferentes para se reproduzir. Quando Lily pegou um exemplar de esporo e o replicou massivamente, não deu resultados, pois ali eram apenas réplicas do mesmo esporo que não podiam se reproduzir. Mas quando ela pegou um segundo esporo e o replicou massivamente, esses esporos se misturaram com os outros da primeira experiência, e isso criou um holocausto de reprodução.

[4] – Os “micróbios parentais” de Lily conseguem converter qualquer micróbio para que fiquem com a mesma aparência deles. Ou seja, qualquer bactéria pelo caminho seria convertida em esporo de fungo. E como o quarto já estava cheio de esporo da primeira experiência, eles se misturaram com os esporos da segunda experiência e infestaram o local.

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