Volume 4
Capítulo 740: Uma Linda Noite
Quando a noite caiu, Wendy foi para o quarto de Pergaminho.
Ela estendeu a mão, hesitando se devia bater na porta ou não. Contudo, justo naquele momento, Pergaminho abriu a porta.
— Eu sabia que você viria. — Pergaminho sorriu. — Eu também queria conversar com você, como sempre fizemos.
Pergaminho provavelmente havia acabado de tomar banho, já que o cabelo dela ainda estava molhado. À primeira vista, ela parecia estar um pouco mais nova, provavelmente devido à vida confortável que ela tinha agora na Cidade de Primavera Eterna.
Somente os olhos maduros e sábios dela permaneciam os mesmos.
Wendy sorriu e perguntou:
— No seu quarto ou no meu?
— No seu. Rouxinol voltará bem mais tarde que Ramos.
— Certo.
— Você serve as Bebidas Caóticas.
— O quê?!
— Claro que é você. Não se esqueça, quem quer que inicie a conversa também será a responsável pelas bebidas. Essa é a nossa tradição, e você sabe disso.
— Foi por isso que você estava me esperando atrás da porta esse tempo todo?
— Isso mesmo. A paciência é a coisa mais importante e também uma das lições mais valiosas que aprendi na vida. Agora, você aprendeu sua lição?
— Tudo bem…
Ao chegarem no quarto de Wendy e limparem a mesa, Wendy pegou dois copos de vidro e duas garrafas de Bebidas Caóticas e começou a encher os copos.
— Então foi essa Bebida Caótica que você pegou? — Pergaminho tomou um gole. — Você é sortuda. No inverno, essa Bebida Caótica é tão boa quanto o Licor do Dragão de Fogo.
— Eu que tenho inveja de você. — Wendy deu de ombros.
— Não fale isso. Nós podemos desfrutar de bebidas tão boas assim graças a Senhorita Evelyn.
Roland havia desenvolvido uma forma muito interessante de distribuir as Bebidas Caóticas de vários sabores para cada bruxa da União das Bruxas. Cada bruxa, todo mês, teria a oportunidade de escolher uma garrafa de Bebida Caótica criada por Evelyn. Ninguém sabia que tipo de sabor iria pegar, já que tudo dependia da sorte.
Portanto, após a distribuição, as bruxas costumavam trocar de bebidas umas com as outras. De alguma forma, Maggie sempre conseguia pegar a Bebida Caótica mais popular, o que fazia todas se perguntarem se Evelyn revelava alguma coisa para ela.
Enquanto as duas degustavam a bebida alaranjada, elas ouviam o som do vento assobiante lá fora. Elas se sentiram um pouco embriagadas nesse quarto quentinho. Elas não precisavam conversar muito, já que ambas poderiam se entender apenas com um olhar.
Na verdade, Wendy não tinha nada em específico para dizer; ela só se sentia muito feliz neste momento. Quando ela fechava os olhos, a declaração que Roland Wimbledon havia feito mais cedo aparecia em sua mente.
“Só haverá um líder, que sou eu.”
Antes disso, Roland, na opinião dela, estava sendo muito educado com as bruxas de Taquila. Ela temia que ele fosse mostrar alguma fraqueza em algumas questões sérias, o que seria impróprio para um rei. Mas agora, ela percebeu que Roland havia se saído muito melhor do que ela havia imaginado. A julgar pelo tom e expressão dele ao lidar com as outras pessoas, Roland havia se tornado mais maduro e desenvolvido melhor sua autoridade graças aos dois últimos anos de experiência.
Para a surpresa de Wendy, Roland havia se saído muito bem ao mostrar dominância. Mesmo assim, ele tratava as bruxas e as pessoas comuns da mesma forma que antes. Parecia que fazia parte da natureza dele ser legal com as bruxas, o que era muito incomum, especialmente para um nobre da realeza.
Ela sabia que Pergaminho também havia percebido essa mudança, e foi por isso que elas haviam decidido se reunir hoje para conversar.
Esse era um hábito que elas haviam desenvolvido há muito tempo, desde a antiga Associação Cooperativa de Bruxas. Naquela época, sempre que Wendy, Pergaminho ou Kara tinham alguma boa notícia para compartilhar, elas se reuniam para beber uma cerveja barata e conversar noite adentro. No entanto, com o passar do tempo, a situação foi piorando, e elas tiveram que beber suco de fruta ao invés de cerveja.
Tristemente, elas gradualmente começaram a conversar sobre seus problemas e preocupações ao invés de boas notícias ou planos, pois Kara pensava diferente delas, o que acabou deixando Wendy e Pergaminho para trás. Por serem as bruxas mais velhas e as fundadoras da Associação Cooperativa de Bruxas, Wendy e Pergaminho tiveram que ser fortes, pois se elas desistissem, todas as bruxas perderiam a fé na procura pela Montanha Sagrada. Foi assim que elas haviam conseguido sobreviver a todo aquele sofrimento e tempos difíceis.
Mas agora, aqueles tempos difíceis haviam sido enterrados no passado.
Wendy deu outro gole na bebida e disse:
— Bem, após a reunião, eu entreguei o resultado dos testes das bruxas do Reino de Coração de Lobo para Sua Majestade.
— Oh? Quais são as habilidades delas? — Pergaminho se inclinou no sofá e perguntou casualmente.
Wendy deu uma breve descrição de cada habilidade, mas foi um pouco vaga quando falou de Espadim.
— Quem você acha que Sua Majestade escolheu para ser a parceira de Espadim? — Wendy perguntou.
— Hmmm… Provavelmente Rouxinol ou Cinzas… Somente elas poderiam fazer o melhor uso do poder de Espadim. — Após pensar mais um pouco, Pergaminho continuou: — Anna e Ramos realmente possuem um poder mágico muito forte, mas elas e as outras bruxas não são muito boas em lutar contra os inimigos, cara a cara. Além disso, tem poucas bruxas combatentes na União das Bruxas.
— Grandes mentes pensam iguais, mas Sua Majestade não pensou assim. — Wendy revelou um sorriso gentil. — Ele não escolheu nenhuma parceira para Espadim.
Pergaminho ficou atônita.
— Por quê?
— De acordo com ele, um cavaleiro sempre precisa ter a espada por perto. Se Espadim se tornasse a espada de alguma bruxa, ela precisaria ficar na forma de espada por muito tempo, e isso poderia limitar a liberdade dela. Por isso, Sua Majestade quer testar a combinação de Espadim com as outras bruxas para ver se sai uma combinação interessante e assim tentar encaixá-la em algum trabalho específico.
— Encaixá-la em algum trabalho baseado em quão interessante a combinação é?
— Sim, essas foram as exatas palavras de Sua Majestade.
Ele dava mais importância aos sentimentos das bruxas do que qualquer outra coisa. Era por isso que Rouxinol gostava tanto dele.
Agora, olhando para o passado, elas realmente haviam tido muita sorte em acreditar no julgamento de Rouxinol.
Ao pensar nisso, Wendy sorriu. Ela levantou o copo na direção de Pergaminho e disse:
— Um brinde a nós por termos achado um rei tão bom.
Pergaminho sorriu e brindou com Wendy, dizendo:
— Sim, um brinde à nossa Montanha Sagrada.
— Ah… está vazio. — Ao dar o último gole, Wendy descobriu que a garrafa estava vazia quando tentou encher o copo novamente.
— Você quer que eu vá no meu quarto pegar mais bebida? — Pergaminho também queria continuar bebendo.
— Não, devemos seguir nossa velha tradição. — Ela balançou as mãos e tirou outra garrafa da gaveta. — Mas da próxima vez, vou esperar que você bata na minha porta.
— Espere um momento. Essa bebida aí não é de Rouxinol?
— Sim, mas ela não se importa.
Elas brindaram de novo e continuaram a beber nessa noite aconchegante e maravilhosa.
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