Volume 4

Capítulo 739: Aperto de Mão

Roland de repente pensou em algo: — Por que essas coisas soam igual ao verme que apareceu na Comunidade de Demônios?

Quando ele estava prestes a fazer a pergunta, Agatha falou primeiro:

— Foram vocês que invadiram a Comunidade de Demônios e devoraram a Pagoda de Pedra Negra?

Pasha ficou confusa, dizendo:

— Comunidade… de Demônios? Não, não fomos nós. Até hoje, só usamos o Verme Devorador para consertar algumas passagens das ruínas e construir túneis para a Cidade do Resplendor. Não podemos nos dar ao luxo de usá-lo por muito tempo, já que ele come muito.

Roland contou sobre as aventuras das bruxas na Floresta das Brumas e sobre a Comunidade de Demônios localizada ao oeste da Região Oeste. Após isso, ele pediu para Pergaminho pegar as “fotos” que foram desenhadas por Soraya e, em seguida, explicou:

— Este verme parecia estar se movendo em direção às montanhas nevadas.

Ao ver as imagens vívidas, Pasha respirou profundamente e disse:

— Sim, isso daí realmente é um Verme Devorador. Receio que também haja algumas ruínas deixadas pela civilização subterrânea nessas montanhas nevadas que o senhor mencionou. De acordo com os “textos” que lemos aqui, houve um tempo em que essa civilização poderia ser vista em todo canto das Terras do Amanhecer. Esse registro é confiável, já que ainda hoje é possível encontrar facilmente diversos túneis deixados pelos Vermes Devoradores em praticamente todas as montanhas.

— Mas vocês não acabaram de dizer que a civilização subterrânea já não existe mais?

— Sim, dissemos. Os Vermes Devoradores não passam de receptáculos vazios, assim como os Portadores Originais. Uma alma pode entrar neles e movê-los.

Ao ouvir isso, o coração de Roland apertou de repente. Ele olhou em volta e viu que todas as bruxas no salão de recepção pareciam sérias neste momento. Obviamente, todas chegaram à mesma conclusão de que aquele verme que havia engolido a torre de pesquisa de Agatha muito provavelmente havia sido enviado pelo tal “inimigo desconhecido” da Batalha da Vontade Divina.

A pergunta que preocupava Roland era: quantos receptáculos de vermes esse inimigo tinha? Muitos?

Se esse fosse o caso, ele acreditava que isso seria um grande problema.

Contudo, se esse inimigo também tivesse encontrado alguns núcleos mágicos e Portadores Centrais, Roland acreditava que esse seria um problema maior ainda. Diferente da Cordilheira Intransponível e da Serra da Montanha Dracônica, as montanhas nevadas não se estendiam por muitos quilômetros, mas o maior pico da Região Oeste estava entre elas. Segundo Pasha, uma montanha tão alta assim seria o lugar perfeito para construir uma cidade subterrânea, de acordo com os critérios da Civilização Evanescente. Frente a tal problema, ele decidiu que devia fazer algo a respeito disso.

Celine disse, aflita:

— Vossa Majestade, por favor, ajude-nos a explorar essas montanhas nevadas o mais rápido possível, já que pode haver outros Instrumentos lá.

— Também pode haver outros tipos de receptáculos lá. Se os inimigos colocarem as mãos neles, receio que nos causará muitos problemas. — Diferente de Celine, Pasha ainda soava calma, mas todos os tentáculos dela balançavam rapidamente, mostrando que de certa forma ela também estava nervosa por dentro. Nervosa, mas também um pouco animada.

Essa notícia aparentemente havia gerado uma comoção entre as bruxas de Taquila, já que estava ficando barulhento atrás de Pasha.

Roland rapidamente entendeu por que elas estavam tão animadas e preocupadas ao mesmo tempo.

Viver em receptáculos de Guerreiros da Punição Divina por centenas de anos era como ficar aprisionado num vazio infinito, o que explicava por que elas estavam tão interessadas nos possíveis novos receptáculos. Diferente de viver em receptáculos de Guerreiros da Punição Divina, que não tinham tato, olfato ou paladar, os outros tipos de receptáculos pelo menos as possibilitariam de sentir algo.

Roland fingiu hesitar, dizendo:

— Eu entendo a preocupação de vocês. Explorar as montanhas nevadas da Região Oeste é algo que eu venho planejando há muito tempo, mas como eu não disponho de meios de transporte adequados e não quero colocar a vida das bruxas em risco, tive que prorrogar. Se o Verme Devorador de vocês puder me ajudar nessa exploração, acho que seria uma boa oportunidade…

Pasha prometeu imediatamente:

— Nos mudaremos para a Cidade de Primavera Eterna o mais rápido que pudermos.

Roland, que ainda não sabia ao certo como iniciar uma cooperação com as sobreviventes de Taquila, também ficou feliz com essa chance. Na verdade, mesmo se elas não tivessem pedido a ele, Roland já planejava explorar as montanhas nevadas uma hora ou outra para eliminar as potenciais ameaças em torno da Cidade de Primavera Eterna e satisfazer sua própria curiosidade sobre esses receptáculos gigantes que poderiam escavar túneis subterrâneos.

Ele conseguia pensar facilmente numa longa lista de coisas que esses receptáculos poderiam fazer.

Ele havia planejado usar a Cordilheira Instransponível como uma barreira natural contra os demônios, mas as técnicas de engenharia atuais não o permitiam fazer isso. Só o transporte de cimento e brita em si já seria um grande problema, já que os caminhos pela montanha eram irregulares e possuíam muitas curvas, e o clima também era muito instável. Se alguns soldados fossem guarnecidos nas montanhas, Roland teria que construir uma barbeta[1] para eles. Próximo das instalações militares, ele também precisaria construir barracas, estradas e etc., o que se tornaria um grande desafio para Lotus e Beija-Flor.

No entanto, se ele tivesse um Verme Devorador, ele conseguiria resolver todos esses problemas ao escavar um túnel subterrâneo que conectaria a barbeta na montanha com a Cidade de Primavera Eterna, sem falar que ele também poderia construir um depósito subterrâneo para guardar munição e barracas subterrâneas que poderiam proteger os soldados da nevasca. Ele até mesmo poderia construir uma ferrovia num túnel subterrâneo, para que assim pequenos trens pudessem transportar soldados e recursos.

Com blocausses de concreto reforçado na superfície e linhas de transporte convenientes no subterrâneo, a linha defensiva da Cidade de Primavera Eterna seria muito poderosa.

Esse Verme Devorador também poderia ser usado para construir utilidades subterrâneas, como um sistema de esgoto maior e mais eficaz para a cidade. Quando isso acontecesse, ele poderia anunciar que, nesta era, a Cidade de Primavera Eterna havia sido a primeira cidade a ter um sistema de drenagem, na qual as pessoas poderiam caminhar livremente pelas ruas em dias de chuva forte. Ele acreditava que esse Verme Devorador seria muito importante para a área da engenharia civil, já que ainda não existia tuneladora [2].

Roland se levantou e se aproximou da “cortina de luz”, estendendo a mão direita para Pasha.

— Espero que este seja o começo da construção de nossa confiança mútua.

— Vossa Majestade, isso… — Pasha estranhou.

Roland olhou para o monstro, que era muito mais alto que ele, e explicou calmamente:

— Isso é um “aperto de mão”, representando um acordo preliminar entre nós.

Após hesitar um pouco, Pasha abaixou um tentáculo e “tocou” na palma de Roland, no outro lado da “cortina de luz”.

Que pena Soraya não estar aqui para registrar esse momento histórico. — Ele pensou.

Quando a imagem de Pasha começou a se distorcer, Roland de repente perguntou:

— Ah, espere. Você disse que toda montanha alta pode ter ruínas deixadas pela civilização subterrânea. E quanto às montanhas no mar profundo?

Pasha ficou surpresa, dizendo:

— Existem montanhas debaixo do mar? De acordo com os documentos, a civilização subterrânea nunca foi para o mar e sempre viveu nas Terras do Amanhecer. Acho que eles não conseguiriam viver no mar, já que a maioria dos receptáculos deles são pesados e lentos. Por que o senhor perguntou isso?

— Nada, só estou curioso. — Roland balançou a cabeça, perdido em pensamentos.

Eles sempre viveram nas Terras do Amanhecer? Então as Ilhas Sombrias não têm nada a ver com a civilização subterrânea. Mas de quem são aqueles Portões Gigantes de Pedra que Trovão e Tilly viram pela luneta gigante[3]? Será que pertencem a esse tal “inimigo desconhecido” da Batalha da Vontade Divina? Espero que Trovão encontre logo a resposta.

Neste momento, a “cortina de luz” distorceu e, logo em seguida, desapareceu.

O salão de recepção do castelo voltou ao normal.

[1] – Em arquitetura militar, a barbeta ou barbete é uma plataforma de uma fortificação onde estão instaladas bocas de fogo que disparam por cima do parapeito. O termo “barbeta” foi aplicado, por extensão, às peças de artilharia naval instaladas de um modo semelhante e às respectivas cintas circulares couraçadas. O termo também foi aplicado a certos postos de metralhadora de alguns aviões da Segunda Guerra Mundial.

[2] – Uma tuneladora, conhecida no Brasil como tatuzão, são máquinas utilizadas na escavação de túneis com secção transversal circular. São mecanismos apreciados pela sua eficiência em diversos tipos de subsolo, mostrando uma versatilidade que vai das rochas mais duras até terrenos arenosos.

[3] – Lá no Capítulo 234 .

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