vol 3

jogo numero:40 (um belo dia)












(0/10)

Yuki acordou em um parque de diversões.

(1/10)

Ao seu redor havia inúmeras atrações.

Roda-gigante. Carrossel. Kart. Xícaras giratórias.
Aquele brinquedo de aviõezinhos que giravam cujo nome ela não sabia.
Um barco pirata balançando — cujo nome ela sabia, mas tinha esquecido.
Brinquedos de animais que começavam a se mexer depois de inserir uma moeda de cem ienes.

Ao longe, dava pra ver uma casa mal-assombrada.
E uma plataforma alta demais para ser qualquer coisa além de bungee jump.

Trilhos de montanha-russa serpenteavam por todo o parque.

De qualquer ângulo…

Era, sem dúvida alguma, um parque de diversões.
Nem uma criança de três anos confundiria.

E, ainda assim…

Tinham feito Yuki dormir ali.

Quando olhou para si mesma, percebeu que vestia um blazer azul-marinho — uniforme escolar.

Ela realmente era estudante do ensino médio, mas aquele não era o uniforme da sua escola.

A roupa era desconhecida.

Mas ela já sabia o motivo.

Aparentemente, muita gente gostava de ir a parques de diversão usando uniforme escolar só pela estética… mesmo não tendo absolutamente nada a ver com escola.

Sentindo algo estranho no cabelo, Yuki levou a mão até o topo da cabeça.

Ali estava:

Uma tiara enorme com um laço exagerado.

Daquelas que visitantes compram por impulso.

A vontade de arrancar era gigantesca.

Mas ela decidiu manter.

Talvez fosse um item importante do jogo.

Ela começou a caminhar pelo parque.

Nenhum brinquedo funcionava.

A roda-gigante não se movia.
As luzes do carrossel estavam apagadas.
Os aviões giratórios, imóveis.

Nenhuma criança correndo.

Nenhuma voz.

Nenhum som.

O lugar inteiro parecia morto.

Mesmo assim…

Yuki tinha absoluta certeza:

Ela não estava sozinha.

Não fazia sentido um espaço tão grande ter só ela ali.

A única dúvida era se os outros eram aliados… ou inimigos.

Ela não tinha “acordado” ali depois de um cochilo.

Na verdade, ela mesma tinha escolhido estar ali.

Ela havia entrado por vontade própria.

Nesse jogo.

Nesse  jogo mortal.

(2/10)

Nome verdadeiro: Yuki Sorimachi
Nome de jogadora: Yuki

Ela vivia jogando jogos mortais.

Um mundo onde:

Ética não existe.
Moral não existe.

Num jogo, serras arrancam membros.
No outro, brocas perfuram corpos.
Às vezes, pessoas caem de centenas de metros.
Outras vezes, viram pedaços tão pequenos que nem parecem humanos.

Jogadoras se odeiam.
Jogadoras se matam.

E tudo isso é assistido por um público pagante com gostos… bem duvidosos.

Esse era o mundo de Yuki.

Ela tinha um objetivo:

Completar 99 jogos.

Já tinha limpado 30.

30%.

No meio, existia um termo famoso:

O Muro dos Trinta.

Passar de 30 jogos era considerado absurdamente difícil.

E ela tinha conseguido.

Agora fazia parte da elite.

Por isso, estar inconsciente, ser levada para um local estranho e vestir uma roupa diferente…

Nada disso a abalava mais.

Era rotina.

Depois de alguns minutos andando, ela encontrou algo esperado.

Um grupo de garotas.

Todas de blazer.

Algumas com tiaras.

“Oi.” — Yuki acenou.

“Yu. Faz tempo que não te vejo.” — respondeu uma mulher alta.

Muito alta.

Mais de dois metros.

Musculosa.

Enorme.

O nome dela era Maguma.

Uma jogadora veterana.

“Como você tá?” — Maguma perguntou.

“Bem. Esse é meu quadragésimo jogo.”

“Então você já passou do Muro dos Trinta, hein…”

“E você?”

Ela sorriu.

“Quarenta também. Esse é o 41.”

Yuki piscou.

Ela tinha ficado pra trás sem perceber.

“Mas a mais impressionante não sou eu.” — Maguma apontou. “A Essay tá aqui. 45 jogos.”

Uma garota magra, cabelos fofos, expressão melancólica.

Essay.

Outra veterana.

Três jogadoras acima de 30 no mesmo jogo.

Algo raro.

Mas ultimamente isso estava ficando comum.

O número de jogadores estava crescendo.

“Quais são as regras?” — Yuki perguntou.

(3/10)

Maguma explicou as regras para Yuki.

Vários “executores” usando fantasias de mascote estavam vagando pelo parque de diversões, equipados com armas mortais como lâminas, armas de fogo e explosivos. As jogadoras precisavam evitar seus ataques por um determinado período de tempo.

Ou seja, era um jogo de sobrevivência — um jogo cujo objetivo era sobreviver por um período designado. Porém, com três jogadoras experientes que já haviam completado trinta jogos presentes ali, a situação tomou um rumo completamente diferente.

As jogadoras não simplesmente fugiam para sobreviver; às vezes, roubavam as armas dos executores e contra-atacavam. O número de jogadoras e executores continuou diminuindo, e os executores foram os primeiros a serem eliminados. As ameaças dentro da área do jogo haviam sido completamente erradicadas antes mesmo que metade do tempo estipulado tivesse passado.

E assim, as jogadoras concluíram o jogo com facilidade.

(4/10)

Ao final de um jogo mortal, as jogadoras geralmente seguiam um de dois caminhos.

Alguns eram levados para um hospital. Embora a organização por trás dos jogos não garantisse a sobrevivência das participantes, ela oferecia um suporte extremamente generoso em outras áreas. Após a conclusão de um jogo, as jogadoras recebiam tratamentos de ponta para quaisquer ferimentos sofridos.

Como Yuki não havia sofrido nada sequer próximo de um ferimento dessa vez, ela naturalmente seguiu pelo outro caminho — uma tranquila viagem de carro para casa, cortesia de seu agente.

“Bravo”, disse seu agente no instante em que o carro começou a se mover. “Estou tão feliz por você quanto ficaria por mim mesmo. Meus sinceros parabéns.”

“...Obrigada”, respondeu Yuki.

Completar quarenta jogos a colocava no mesmo nível daquela princesa contra quem havia lutado algum tempo atrás. Não se comparava a superar a Barreira dos Trinta, mas Yuki ainda considerava aquilo um grande marco, e sem dúvida era uma conquista digna de elogios.

Mesmo assim, apesar da realização, Yuki carregava uma expressão melancólica.

Isso porque tudo parecera fácil demais. Nenhuma maldição como a da Barreira dos Trinta afetava o quadragésimo jogo de uma jogadora, então não era incomum que ela não tivesse enfrentado problemas, mas seu coração continuava inquieto.

Está tudo bem as coisas correrem tão tranquilamente assim?

“A propósito, Yuki, para onde devo levá-la?” perguntou seu agente. “Para casa? Ou para visitá-lo?”

Yuki olhou para sua mão esquerda.

Sua mão esquerda, tão pálida que parecia não haver sangue correndo por suas veias, estava completamente intacta. Na verdade, os três dedos do dedo médio até o mindinho literalmente não tinham sangue circulando neles. Ela havia perdido aqueles membros em seu trigésimo jogo, Golden Bath, e depois os substituíra por próteses.

“Para a segunda opção, por favor”, respondeu Yuki.

 

(5/10)

Yuki tinha ouvido falar dele pela primeira vez no vigésimo jogo.

No submundo dos death games, existiam artesãos de próteses.

A maioria dos ferimentos podia ser curada pelos médicos da organização.
Mas alguns danos eram permanentes:

Braços arrancados.
Pernas explodidas.
Membros mastigados.

Para jogadores que ainda queriam continuar lutando…

esses artesãos criavam partes artificiais do corpo.

Ela conheceu um exemplo real no jogo vinte e três.

Um cenário em um palácio real.
As jogadoras lutavam usando cheongsams.

Lá, Yuki enfrentou uma garota com membros estranhamente duros.

Depois descobriu:

Não eram feitos de carne.

Eram próteses.

Mesmo assim, a garota se movia com tanta agilidade que parecia impossível serem artificiais.

Derrotá-la foi um inferno.

Mas Yuki só precisou do artesão de verdade após o jogo trinta.

Por descuido, perdeu três dedos.

No dia a dia, isso não atrapalhava muito.

Mas num campo de batalha onde cada segundo decidia a vida ou a morte…

Ter três dedos a menos era uma desvantagem enorme.

Ela não podia entrar no jogo 31 daquele jeito.

Então, foi atrás do artesão.

Felizmente, ele aceitou o pedido.

Pouco tempo depois, seus dedos estavam restaurados.

Funcionavam perfeitamente.

Como se fossem reais.

O único problema:

Ela precisava de manutenção periódica.

E…

o artesão morava no meio de uma floresta, longe de toda e qualquer civilização.

(6/10)

Era ridículo o quão fundo na floresta ele vivia.

Horas de carro.
Estradas sem asfalto.
A bunda de Yuki já parecia colada no banco.

Finalmente chegaram.

A viagem fez Yuki perceber algo:

O Japão, no fundo, ainda era um país de florestas.

A humanidade só ocupava pequenos bolsões.
O resto era natureza.

Logo, uma mansão surgiu entre as árvores.

Parecia saída de um livro de história.

Elegante. Antiga. Clássica.

Mas a agente estacionou antes da entrada.

“Parece que não somos as únicas visitantes.”

Outro carro preto estava parado ali.

Outra jogadora.

“Será alguém do mesmo jogo”, a agente perguntou.

“Não sei… acho que ninguém se machucou.”

Mas, com próteses tão perfeitas, talvez ela simplesmente não tivesse notado.

Yuki entrou.

Já conhecia o interior.

Luxuoso. Organizado demais.

Ferramentas alinhadas milimetricamente.
Prateleiras simétricas.
Objetos posicionados com precisão obsessiva.

Dava até arrepios.

Parecia um lugar sagrado.

Ela foi até a oficina.

Depois até o quarto.

Silêncio.

Tentou abrir a porta—

“GRAAAAH!!!”

“EEEK!!”

Ela quase pulou do chão.

(7/10)

As luzes acenderam.

“Gwa-ha-ha! Te peguei direitinho, garota!”

Um saco de estopa balançava.

De dentro saiu…

um velhinho baixinho, tipo um anão de fantasia.

Menos de um metro.
Barbudo.
Musculoso.
Risada estranha.

“…Olá, senhor.”

“Opa!”

Era ele.

O artesão.

Ninguém sabia seu nome real.

Ele pedia pra chamarem de Pops.

Mas Yuki preferia “senhor”.

Apesar do jeito brincalhão…

as habilidades dele eram absurdas.

Ele já tinha ajudado incontáveis jogadoras a voltarem ao campo de batalha.

“Veio revisar os dedos, né?”

“Sim.”

“Você é bem diligente. Gosto disso.”

Na verdade…

não era diligência.

Era ansiedade.

Tudo estava indo fácil demais.

Ela precisava confirmar que ainda tinha controle da situação.

“Como vão as coisas?”

“Limpei o jogo quarenta.”

“Oh! Mandou bem!”

Mas o peso no peito dela não sumiu.

“Vi outro carro lá fora. Tem mais alguém aqui?”

“Ah, sim… acho que o nome era… Airi.”

Yuki congelou.

(8/10)

Dentro do quarto…

uma garota estava sentada.

Olhos índigo.

Expressão cansada da vida.

Cabelo mais longo que antes.

“Y-Yuki…?”

“…Oi.”

Era Airi.

Sobrevivente de Candle Woods.

O nono jogo de Yuki.

Um massacre.

Pouquíssimos sobreviveram.

Só as duas.

“Faz tempo.”

“É bom te ver.”

Airi tinha perdido os dedos dos pés.

Congelamento numa montanha nevada durante um jogo.

“Já cansei disso tudo…” — ela murmurou.

Mesmo assim…

continuava jogando.

“Perdi a chance de parar… e acabei passando do Muro dos Trinta.”

Outra sobrevivente.

O artesão comentou:

“Ultimamente tem aparecido mais garotas como vocês.”

Mas Airi parecia preocupada.

“Se o número de jogadores cresce… talvez esteja na hora de diminuir de novo.”

“…”

“Talvez venha um segundo Candle Woods.”

O clima pesou.

Yuki também sentia isso.

Calmaria demais só significava uma coisa:

A tempestade estava chegando.

E agora, depois de quarenta jogos…

perder tudo seria muito mais assustador.

(0/10)

A manutenção dos dedos terminou sem problemas.

Nada de ataques surpresa.
Nada de falhas.

Mesmo assim…

Yuki saiu da mansão com o mesmo peso no peito.

Sua mente levaria um tempo pra se acalmar.

Cerca de um mês depois—

ela entrou no jogo quarenta e quatro.

Aquele jogo sinistro:

Cloudy Beach.

E lá…

ela enfrentaria

a sucessora de uma jogadora que deveria ter morrido em Candle Woods.

(10/10)Traduzido por Moonlight Valley

 

 

 

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