Vol 2
Capítulo 30: xxx
Os ombros de Lululee caíram tristemente enquanto Lowe a segurava pela mão, caminhando em silêncio pelos corredores da prisão subterrânea.
Após aquele reencontro miserável com Aiden, eles usaram o portão de cristal vermelho para voltar até onde ficava o vigia. Lowe praticamente a arrastava à força, mas era claro que não havia mais motivo algum para Lululee e Aiden continuarem se vendo. Além disso, não era nada agradável assistir ao próprio amigo sendo insultado daquela forma.
"Vamos, Lululee. Amanhã podemos ir ao festival."
"...Tá bom." respondeu ela, a voz pequena e fraca. O que não era de se estranhar, considerando seu jeito de ser. Lowe já esperava que as coisas terminassem assim, mas ainda assim sentia uma irritação imensa, amaldiçoando Aiden mentalmente.
Sério, qual é o problema dele...? Está descontando tudo nela... Talvez eu arranque o outro olho dele...
Foi então, enquanto alimentava pensamentos violentos, que aconteceu.
Um leve tremor percorreu a prisão subterrânea.
"Eek...!"
Lululee cambaleou imediatamente, e Lowe a segurou, franzindo a testa. O tremor durou apenas um instante antes de cessar, fazendo cair um pouco de poeira do teto antigo do labirinto.
"O que foi esse tremor?" perguntou Lowe. "Veio da cidade...?"
"Será que aconteceu algo no festival?"
"Vamos—" Lowe estava prestes a dizer "vamos ver" quando, de repente, um arrepio gelado percorreu sua espinha.
"Lowe?"
Ao ver que o mago havia parado de repente, Lululee inclinou a cabeça. Lowe estava paralisado, incapaz de responder. Isso porque ele ouviu um som baixo e vibrante atrás de si. Era o som que o portão de cristal vermelho fazia quando era ativado.
Seu coração disparou. Enquanto Lululee o olhava, confusa, Lowe a colocou atrás de si e se virou lentamente.
Um homem surgiu do portal. Era um aventureiro de meia-idade, com um ar calmo e inofensivo — aquele rosto familiar pertencia a Heitz, o homem que vinha espalhando boatos pela Floresta da Eternidade.
"Oh?" O olhar de Heitz se encontrou com o de Lowe, mas ele não pareceu nem um pouco abalado, apenas torceu o rosto em uma expressão de falsa surpresa. "Peguei vocês num momento ruim?"
"Por que... você está... aqui?!" a voz de Lowe saiu rouca.
A situação era bem diferente do encontro na floresta. Para entrar na prisão subterrânea, era necessário ter permissão. Nem um aventureiro comum conseguiria acesso ali, quanto mais um grupo que deveria ter tido suas licenças cassadas por conduta maliciosa.
"Vigia! Por que deixou ele passar?!" gritou Lowe ao carcereiro, que continuava parado ao lado, imóvel como uma máquina. "Esses caras não tiveram as licenças suspensas?!"
"Eles tinham permissão. Nós não verificamos se os visitantes possuem licença ou não." respondeu o vigia, em tom robótico.
"Tá me dizendo que deixou eles entrarem assim?!"
Confuso, Lowe olhou para os dois homens que vinham atrás de Heitz. Um deles era um aventureiro silencioso, com os lábios cerrados numa linha fina. O outro, com um olho e um braço apenas, era Aiden — o mesmo que até há pouco estava preso em uma das celas.
"A-Aiden...?!" Lululee exclamou em choque.
"Você também tem permissão pra tirar um prisioneiro daqui?!" questionou Lowe.
"Fui instruído a libertá-lo." respondeu o vigia.
"Isso é impossível!" gritou Lowe. "Você realmente verificou?! Não tem chance de a guilda ter autorizado isso—"
"Você não está em posição de saber a resposta para essa pergunta. Eu apenas sigo ordens e deixo passar aqueles com permissão."
"..."
"É assim que as coisas são, senhor Espada de Prata. Mas talvez devesse se preocupar mais com isto."
Heitz segurava um tomo antigo — mas não era um livro comum. Ele estava coberto por caracteres dourados que não combinavam com a encadernação e emitia um brilho pálido na escuridão da prisão.
Os olhos de Lowe se arregalaram, e ele prendeu a respiração. "Uma missão secreta...?!"
Ele já tinha ouvido de Jade que as missões secretas eram escritas em letras douradas.
"Fomos até o depósito subterrâneo da guilda pegar isso emprestado. Ah, eles deviam ter nos contado que haviam encontrado este livro. É tão injusto esconderem algo assim no fundo da terra."
Sem lhes dar tempo de reagir, Heitz abriu o livro casualmente.
"N-não—"
Houve um clarão ofuscante, e as letras douradas começaram a flutuar pelo ar.
-
RANK DE AVENTUREIRO DESIGNADO: N/D
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LOCALIZAÇÃO: FLORESTA DA ETERNIDADE
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CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO: DERROTAR TODOS OS CHEFES DE ANDAR
REMETENTE DA MISSÃO NÃO SERÁ INDICADO. ASSINATURA DO RECEBEDOR ABREVIADA. -
CONFIRMAÇÃO DE RECEBIMENTO DA MISSÃO CONFORME ACIMA.
"A Floresta da Eternidade…?!"
Os termos familiares de aceitação de uma missão brilhavam em dourado. Lowe franziu o cenho ao ver o texto. As letras desapareceram silenciosamente no ar — mas ele tinha certeza de que as palavras douradas flutuando diziam "Floresta da Eternidade", o calabouço de rank C onde muitos aventureiros iniciantes costumavam acampar pela primeira vez.
Mas agora a missão tinha sido aceita. O calabouço oculto havia aparecido.
"Você...!" rosnou Lowe, cerrando os dentes e lançando um olhar furioso para Heitz. "Você realmente acredita que pode colocar as mãos em uma habilidade Dia?!"
"É justamente por acreditarmos nisso que chegamos até aqui... Não, melhor dizendo" corrigiu Heitz com um leve sorriso, "o artefato não é algo que concede uma habilidade Dia, mas sim um relicário especial que contém habilidades Dia. Conhecido como um 'deus sombrio'."
E-ele sabe sobre os deuses sombrios...?!
"Bem, se mencionássemos 'deuses sombrios', ninguém iria procurar missões secretas por nós, então tivemos que dramatizar um pouco. Talvez até demais, hm? Os aventureiros ficaram meio descontrolados por um tempo. Mas, no fim, conseguiram achar uma missão secreta para nós, então suponho que até os incompetentes consigam algo, com o incentivo certo."
O sorriso fino no rosto de Heitz contrastava fortemente com o olhar consternado de Lowe. Mesmo sabendo sobre os deuses sombrios, parecia que ele não tinha noção da gravidade do que havia acabado de fazer, pois dava de ombros como se fosse nada.
"Agora, já que tive o trabalho de aceitar a missão bem na sua frente, imagino que o grupo Espada de Prata vai aparecer, não é? No calabouço oculto."
"...O que quer dizer com isso?"
"Estou convidando vocês. Que tal irmos juntos ver o deus sombrio? Fica a seu critério ir ou não."
Skill Activate: Sigurth Mover.
Heitz ativou sua habilidade — e desapareceu envolto no brilho vermelho.
"Espere! Se você reviver um deus sombrio—"
Mas antes que Lowe pudesse conjurar sua magia, a luz se dissipou — e Heitz e seu grupo sumiram completamente
*****
Alina sentou-se em um banco na praça, atônita. O ataque do artista havia deixado o local quase vazio, e ela olhava para o nada como um fantasma. Quando ergueu levemente o queixo, parecia que sua alma iria escapar pela boca entreaberta.
"Festival… cancelado… Festival… cancelado…"
Repetia essas palavras de desespero com os olhos vazios. Alguns poucos atrasados ainda perambulavam pelo local, confusos, embora a maioria dos visitantes já tivesse partido.
As únicas pessoas que permaneceram eram bêbados que não entendiam o que estava acontecendo e aventureiros com nervos de aço. Com esse tipo de tumulto, era impossível que o festival não fosse cancelado.
A segurança da guilda havia chegado em algum momento, e pelo canto do olho, Alina viu Jade entregando o artista a eles. O rosto do homem estava completamente desfigurado. Embora tivessem retirado sua máscara, o rosto inchado devido à surra o tornava irreconhecível.
Aparentemente, iriam interrogá-lo depois que fosse curado. Alina teria gostado de despedaçar o homem mais umas cem milhões de vezes, mas Jade o impediu.
"Alina, você está viva?" perguntou Jade, sem jeito, ao voltar.
Com a mente completamente nublada, Alina murmurou:
"Estou morta…"
"Eles disseram que vão reiniciar o festival em breve."
"Sério?!" Alina exclamou, agarrando-se a Jade.
"Já que foi só a praça que foi atacada e nós pegamos o culpado… Ainda assim, acho que cancelar não seria ruim… Mas isso é coisa de Iffole. Um pouco de perigo não vai impedir que continuem as festividades."
"Q-que alívioooo!" O corpo de Alina ficou mole, e ela desabou no chão aos pés de Jade. "Este é o único dia… estou agradecida por Iffole… ser uma cidade de aventureiros corajosos…"
Alguns segundos depois, ela já estava de pé novamente, erguendo o punho direito com os olhos brilhando.
"Agora que está tudo resolvido, não é hora de ficar aqui enrolando! Vamos visitar todos os lugares que ainda não—"
"Líder!"
Bem quando Alina recuperou toda sua energia, um aventureiro pálido correu até eles.
Era Lowe. E atrás dele, Lululee também. Por algum motivo, os dois estavam totalmente equipados para um calabouço, e Lowe segurava seu cajado.
"Ei, vocês dois. Por que estão vestidos assim?" perguntou Jade.
"Uma missão secreta foi emitida!!" respondeu Lowe.
Alina e Jade piscaram diante da súbita declaração.
"Hã?"
"O quê?" Ambos estavam perplexos.
Lowe, parecendo no limite, enxugou o suor do pescoço enquanto falava apressadamente:
"É o Heitz! Ele roubou uma missão secreta que a guilda havia encontrado e aceitou! O calabouço oculto está supostamente na Floresta da Eternidade… Eles planejam ressuscitar um deus somb—"
"Vou me armar! O resto eu ouço no caminho!" Jade cortou Lowe, entendendo imediatamente a situação e puxando seu cartão de licença de aventureiro.
Em seguida, ele se voltou para Alina.
"Você vem comigo…!" Mas então Jade parou no meio do caminho. "Espera, não. Não venha."
"...Hã? Mas…"
"Você trabalhou duro todo esse tempo pelo festival, certo?"
Jade bateu com a mão na cabeça de Alina, sem mais olhá-la. Em vez disso, fixou seu olhar afiado em Lowe e Lululee, falando seriamente:
"Vamos impedir Heitz antes que ele ressuscite um deus sombrio. Eles já tiveram suas licenças de aventureiros revogadas, então não deveriam conseguir usar os portais de cristal. Se eles estão indo à Floresta da Eternidade a pé, ainda temos tempo."
"Hã? Ei, espera."
Jade deu a ordem rapidamente e então caminhou em direção ao portal de cristal na praça.
Deixada para trás, Alina tentou alcançá-lo às pressas, mas então olhou para as luzes do festival, prestes a reabrir. Ela tinha o direito de aproveitá-lo. Trabalhara tanto por isso — desde meses atrás. Não, desde antes disso. Nos últimos dois anos, o excesso de horas durante o Festival Centenário a havia esmagado, então ela jurou que participaria este ano.
Mas enquanto observava a Espada de Prata partir, um sentimento de apreensão surgiu em seu coração. Se eles conseguissem impedir a ressurreição de um deus sombrio, tudo estaria bem. Mas e se o pior acontecesse? E se eles nunca voltassem?
"Vamos usar o portal de cristal para a sede da guilda, nos equipar e sair imediatamente. Se um deus sombrio for ressuscitado como temíamos—"
Jade parou no meio da frase. Alina segurou sua manga com os dedos, prendendo-o.
"Eu também vou."
Ela não estava hesitando como há um mês. Agora sabia o que era mais importante para ela.
"…Alina…" Jade se virou e encontrou o olhar dela, com expressão conflitante.
Encarando-o de frente, com força em seus olhos verde-jade, Alina disse:
"Eu não quero que vocês morram."
O rosto de Jade se contorceu em frustração por um momento, mas ele devia ter visto até essa hesitação como um obstáculo em sua batalha contra o tempo, porque desviou o olhar e murmurou:
"Obrigado. Me desculpa, Alina…"
Traduzido por Moonlight Valley
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