Vol 2
Capítulo 29: O Festival Despedaçado
Alina chegou à praça principal e encontrou o lugar tomado por uma empolgação ainda maior.
A praça era o centro do festival, e o burburinho ali era especialmente alto, já que o local estava lotado. O perímetro da praça estava cercado por barracas de rua, cujos donos haviam lutado para conseguir aquele ponto privilegiado. Luzes brilhantes jorravam das barracas, e havia filas por todos os lados. O palco especial que seria revelado no terceiro dia ainda estava coberto por um pano.
"Uau, o clima está mesmo animado, hein?" Jade estava eufórico e satisfeito consigo mesmo, as bochechas coradas de alegria. Ele vinha segurando firme a mão de Alina havia um tempo e não soltava por nada. "Nunca pensei que chegaria o dia em que eu pudesse segurar sua mão... Ainda bem que não desisti disso."
"S-segurar mãos não é algo bom. É inconveniente ter uma mão ocupada." Alina franziu a testa para esconder o constrangimento.
Jade sorriu de leve. "Alina, uma garota da sua idade devia ser um pouco mais... você sabe..."
Ignorando o falatório dele, ela apontou para a barraca que queria ir. Ao ver que já havia uma longa fila, saiu correndo sem pensar. "Ah, é ali! Ali, ali! Temos que ir agora, senão vai acabar—"
Mas Alina parou no meio do caminho — porque uma apresentação de um mágico negro mostrando seus truques de magia num canto da praça chamou sua atenção.
No centro de um pequeno grupo de pessoas, o artista usava uma máscara colorida, lançando jatos d'água no ar e moldando-os em formas de animais e monstros, congelando-os em belas esculturas de gelo para encantar o público. Era uma arte tradicional, antiga, mas a plateia estava totalmente hipnotizada, tomada pelo clima festivo.
Era uma cena comum que decorava um canto do festival, mas uma estranha e indescritível premonição fez com que Alina fixasse o olhar nele.
Jade a deixou conduzi-lo, mas ficou confuso quando ela parou de repente. "O que foi, Alina?" perguntou, seguindo o olhar dela até o artista.
Quando o homem terminou sua sequência de truques com água, balançou o dedo com um "tsk-tsk-tsk", como quem dizia: "Isso é só o começo". Com a expectativa da plateia crescendo, ele ergueu a mão e pronunciou uma única palavra:
"Glassis."
A coisa aconteceu tão rápido que ninguém percebeu que se tratava de um feitiço de ataque. Com um som seco de rachadura, o encantamento congelou um grupo de pessoas na primeira fila.
"Hã...?"
Um homem que havia escapado por pouco olhou, atônito, para a pessoa congelada ao seu lado. Nesse instante, o artista ergueu as duas mãos para o céu e gritou:
"Imber!"
Imediatamente, incontáveis blocos de gelo foram lançados para o alto. Quando atingiram o pico, refletiram as luzes do festival, crescendo cada vez mais rápido e caindo em seguida sobre o chão. Os projéteis atingiam o solo com estrondos, congelando pessoas e barracas no impacto.
"M-magia?!"
"Isso não é uma apresentação! É... magia negra!"
Um grito ecoou em algum lugar. Esse foi o início — e quando os outros perceberam o perigo, todos correram em direção à saída da praça ao mesmo tempo, tentando fugir do artista. Gritos e berros se espalharam por toda parte, mergulhando tudo no caos.
"Não solte minha mão, Alina!"
Alina era tão pequena que quase foi engolida pela multidão em pânico, mas Jade conseguiu resistir e manteve um aperto firme em sua mão. O artista gargalhava de maneira perturbadora diante da confusão ao redor, mas não atacava mais ninguém — apenas observava, divertido.
Eventualmente, Alina e Jade conseguiram atravessar a multidão em desespero e, quando as coisas se acalmaram o suficiente para que pudessem se mover novamente, Jade imediatamente sacou a espada que carregava para autodefesa e ficou frente a frente com o artista. Atrás dele, Alina olhava, em choque, para a transformação completa da praça.
"O... o Festival do Centenário..."
As barracas que animavam o local até segundos atrás estavam destruídas, comidas deliciosas caídas e pisoteadas, as decorações montadas dias antes estavam rasgadas e congeladas. Nem vestígio do clima alegre do festival restava.
"O Fe... Fe... Festival do Centenário..."
Ela esperara tanto por aquele evento que não conseguia aceitar o que via. Sua mente ficou em branco.
Como alguém poderia ser tão cruel?
Alina havia trabalhado dia e noite para poder comparecer ao Festival do Centenário. Suportara o fluxo de aventureiros por causa de boatos maldosos e enfrentara uma quantidade absurda de horas extras com a promessa de aproveitar aquele festival. Nos momentos difíceis, só de pensar nele, recuperava as forças.
Não era apenas um evento divertido para ela. Não era só uma recompensa. Era uma cerimônia para retomar sua vida depois de tantos dias de esforço — era sobre reafirmar sua liberdade e dignidade.
E agora tudo aquilo havia sido perdido — por causa de um ataque repentino e sem sentido daquele artista incompreensível.
"...Imperdoável..." murmurou Alina baixinho. Seu olhar estava fixo no artista que permanecia parado no centro da praça, observando-a como um predador encara sua presa.
O artista ergueu o bastão. Instantaneamente, um círculo mágico de ataque surgiu sob os pés de Alina. Pilares de gelo se ergueram, arremessando Jade para longe e prendendo Alina numa enorme gaiola de gelo.
"A-Alina!"
"Jaaade Scraaade, da Espaaada de Prrataa" disse o artista com uma voz estranha e afetada, olhando para Jade. "Essa garota é minha refééém."
"Sua refém?!" Jade se desesperou, pensando: Alina, logo ela?
O artista zombou dele. "Se teeem medo pela viida dela, então traaaga o Carrascooo."
"O Carrasco...? E-eu acho que quem devia estar com medo é você—"
"Habilidade ativada: Dia Break!" interrompendo Jade, Alina ativou sua habilidade dentro da jaula de gelo.
Seu martelo de guerra surgiu em um brilho branco que rasgou a noite. Arma em mãos, Alina destruiu a jaula com um estalo. Estilhaços de gelo voaram em todas as direções, levantando poeira.
"Aah! Espera, espera!" Jade gritou, enquanto algo vinha voando na direção dela.
Era uma capa barata, caída na confusão. Alina a vestiu sem dizer nada.
O artista pareceu confuso e, ao ver quem surgia detrás dos fragmentos de gelo — Alina, com o capuz cobrindo o rosto e empunhando um martelo de prata — exclamou surpreso:
"O-O Carrasco...?! De o-onde você... Blérk!"
Ela nem deixou o homem terminar — desferiu um golpe certeiro com o martelo.
"Agh, urgh, buh!" Ele gritou como qualquer pessoa normal, rolando pelo chão.
Alina estava se contendo — não por querer poupá-lo, mas porque não o deixaria escapar com apenas um golpe depois de tanta destruição.
"E-e-espera... o-ouça meu ob—"
O artista, ainda tentando manter aquela fala arrastada e bizarra enquanto se levantava, tentou pegar o bastão no chão.
Mas Alina chegou primeiro, pisando com força em seu braço.
"Ai, ai, ai, ai!"
"Não me importo com seus objetivos. O importante é: você tem ideia do que acabou de fazer? Sabe o que o Festival do Centenário significava pra mim...?"
Atrás dela, Jade guardou a espada, tremendo, e murmurou: "Meus pêsames."
"Eu esperei tanto por essa noite... trabalhei horas e horas seguidas, e finalmente pude relaxar...!"
Alina pousou o martelo de guerra. Ignorando o estrondo que deixou o chão afundado, estalou os dedos.
"O q-quê...?"
"Não pense que vai ter uma morte fácil."
Seus olhos estavam arregalados e em chamas, mas seus lábios formavam um sorriso. O artista percebeu a intensidade da aura assassina dela e congelou de medo.
Alina o agarrou pela gola, cerrou o punho e, com uma voz baixa e furiosa, disse:
"Seu... maldito artista de rua...!"
Alina acertou um soco direto no rosto dele. O homem voou com um "Hrk!" e ela o seguiu, montando sobre ele para continuar a socá-lo várias vezes. O artista desistiu completamente de manter sua fala estranha, e seus gritos ecoaram pela praça repetidas vezes. Demorou bastante até que a surra terminasse.
Traduzido por Moonlight Valley
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