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Capítulo 49: A Batalha pelo Selo do Sábio (4)

Seria mais fácil encontrar as partes sem nenhum enfeite extravagante.

Um casaco forrado com molduras douradas e uma capa adornada com um padrão de águia em voo. Calças de algodão mogno por baixo de uma camisa com babados volumosos. Cada canto de sua roupa estava coberto de joias.

As joias soltas e os enfeites que usava simbolizavam sua vaidade.

Afinal, a forma mais direta de ostentar riqueza e alta honra era ter uma aparência luxuosa.

Curiosamente, Krepin Rothstaylor parecia bastante sério e afiado, mesmo com roupas tão chamativas.

Tinha um queixo bem definido e olhos que não combinavam com sua idade. Era uma pessoa peculiar que não fazia movimentos desnecessários, mas ao mesmo tempo exalava uma aura de gentileza e classe.

Dava para perceber à primeira vista que ele não era alguém comum.

Como chefe da família Rothstaylor, era uma das poucas figuras influentes do Império Kroel… Tinha o vigor necessário para intimidar os outros apenas com um olhar.

— É uma pena que o Diretor Obel não tenha podido comparecer pessoalmente. Estou bastante preocupado, parece que sua saúde está se deteriorando. Espero que ele melhore logo.

— Obrigada. Direi ao diretor que o Duque Krepin perguntou por ele.

Krepin, que tomou um gole da sopa com dignidade, expressou seus lamentos à Vice-diretora Rachel, que havia aparecido no lugar do diretor.

Era extremamente descortês que o diretor não tivesse vindo pessoalmente cumprimentar Krepin apesar da visita. De qualquer forma, a expressão de pesar logo terminou quando Krepin, que tinha um dos maiores status na sala, mudou de assunto.

— Fico feliz em vê-la com saúde, princesa. Sua Majestade ficou bastante preocupado ao saber que vossa alteza havia vindo estudar aqui.

— Obrigada, Duque Krepin. Por favor, diga ao meu pai que estou me adaptando bem à vida escolar e estudando bastante.

— Como desejar. Além disso, embora já tenha se passado algum tempo… Ainda não consegui me desculpar formalmente. Soube que teve bastante dificuldade por causa do meu filho estúpido. Já faz um bom tempo, mas o excomunguei, como ordenado. Ainda me incomodava muito não ter me desculpado apropriadamente.

— Está tudo bem, Duque Krepin. Não se preocupe com isso.

A Princesa Penia rejeitou humildemente o pedido de desculpas de Krepin com uma expressão um tanto rígida.

Enquanto isso, Lortel, que estava sentada no almoço havia um tempo apenas observando, não disse uma palavra.

Krepin também não parecia se importar com a presença de Lortel.

A Vice-diretora de Silvenia, a Princesa do Império e um Duque da Casa Rothstaylor.

Era um encontro de nobres com nomes que fariam qualquer um se ajoelhar sem hesitar, em qualquer lugar.

O fato de Lortel, que nasceu nas favelas, estar sentada à mesma mesa que eles era praticamente um insulto. Era natural que ela não abrisse a boca sem pensar.

O cargo de diretora executiva da Companhia Elte não era nada leve, mas também não era um título oficial.

A demissão de Elte era quase certa, e a próxima pessoa a se tornar chefe estaria completamente ao lado de Lortel. O peso do poder que Lortel viria a ter… Nem mesmo eles poderiam ignorar.

No entanto, "por enquanto", essa situação ainda estava restrita à Companhia Elte. Como não havia nenhum anúncio oficial, era natural que ela ainda fosse tratada daquela forma.

Por isso, Lortel continuou sorrindo com a cabeça baixa… Mas lançou um olhar afiado para Krepin, como o fio de uma faca.

Aquele homem compartilhava o mesmo sangue de Ed Rothstaylor.

Era famoso por ser honrado, digno, benevolente e sábio.

De fato, essa reputação não era falsa… Ela até sentia uma certa sinceridade vinda dos vassalos que o acompanhavam.

Era possível sentir o respeito que todos ali direcionavam a Krepin.

— Quanto a você… Deve ser a representante da Companhia Elte.

— Sim, meu nome é Lortel Kehelland. É uma honra para mim, que não sou digna, estar sentada aqui.

— A única filha do Rei Dourado, Elte Kehelland. Estou familiarizado com sua profunda perspicácia e seu espírito desafiador.

Foi apenas um elogio formal vindo de Krepin, ao qual Lortel respondeu com gratidão, exibindo seu sorriso profissional.

Ela tinha certeza de que ele sabia muito bem o que estava acontecendo com Elte dentro da empresa, mas os dois continuaram sorrindo.

— Não imaginei que estivesse interessada no Selo do Sábio. Como esperado, quando há algo valioso à venda, sempre atrai os olhos atentos dos bons comerciantes.

Lortel respondeu com um sorriso humilde às palavras astutas de Krepin.

— Sempre seguimos o cheiro do dinheiro. Se há algo à venda que possa gerar um bom lucro, com certeza estaremos lá.

Logo após o fim do almoço, o Selo do Sábio foi trazido para a sala de conferências central no Trix Hall.

Alguns momentos foram concedidos para que tanto a Companhia Elte quanto a Família Rothstaylor pudessem utilizar os estudiosos especialistas em grimórios que trouxeram para verificar a autenticidade do selo.

Depois de um tempo dedicado a relatar a condição do selo, a quantidade de poder mágico inerente nele e a situação atual do proprietário de ressonância, a reunião seguiu para o evento principal.

— Quanto à situação… Não entrarei em detalhes.

A situação em que o Selo do Sábio precisava ser vendido era uma grande vergonha para Silvenia.

Mesmo que não quisessem tornar isso um grande escândalo, também não podiam vendê-lo a um preço baixo para quem não tivesse poder para oferecer um valor maior.

— Do nosso ponto de vista, queremos evitar uma situação em que as negociações se arrastem a ponto de rumores desnecessários começarem a circular. Como ambos ouviram ontem à noite, peço que escrevam seu lance e entreguem… Em seguida, venderemos para quem apresentar a oferta mais alta.

Uma folha de pergaminho foi colocada diante de Lortel e Krepin, que estavam sentados distantes um do outro na sala de conferências.

O pergaminho, cuidadosamente aberto, estava imbuído com todo tipo de magia de preservação.

Era um método para impedir o uso de tinta mágica que alterasse o que fosse escrito posteriormente.

Krepin acariciou o queixo, mergulhado em pensamentos.

Lortel fechou os olhos lentamente.

O Selo do Sábio era um item único, sem igual no mundo. Ainda assim, havia registros de vendas anteriores de grimórios semelhantes na história do comércio.

Lortel conhecia todas as grandes transações envolvendo grimórios registradas na história. Para ela, tal conhecimento de mercado era como tabuada. Era natural que tivesse memorizado tudo.

‘O Grimório da Ordem’, que continha dezenas de magias materialistas imbuídas pelo gênio alquimista Karl, teve um lance final de 8100 moedas de ouro Plen.

‘O Livro da Rotina Habitual’, o único grimório sobre análise de magia de replicação orgânica, atualmente armazenado na biblioteca imperial, teve um lance final de 6730 moedas de ouro Plen.

Por fim, as anotações mágicas escritas à mão pelo Arquimago Glockt, durante sua visita a um continente desconhecido ao sul, atingiram o valor final de 7020 moedas de ouro Plen.

O valor da magia inerente, o valor como material acadêmico a ser pesquisado, e o valor enquanto item de luxo, tudo isso precisava ser considerado ao definir o lance.

No fim, o essencial era saber quanto lucro se poderia obter com aquilo.

Observando os dois encarando o pergaminho em silêncio, a Princesa Penia, que havia comparecido como tabeliã, os observava atentamente.

— Recebi seus lances. Obrigada a ambos por expressarem suas valiosas opiniões.

Os funcionários da escola os cumprimentaram educadamente pouco depois, e a Vice-diretora Rachel desdobrou os pergaminhos submetidos por ambos.

O resultado foi o completo oposto do que a Princesa Penia esperava.

Participante: Krepin Rothstaylor (Representando a Família Rothstaylor)

Valor Apresentado: 8900 moedas de ouro Plen

Participante: Lortel Kehelland (Representando a Companhia Elte)

Valor Apresentado: 9400 moedas de ouro Plen

— Tudo que ela precisa fazer é aumentar o preço, e tudo dará certo. Mesmo que ela ataque com tudo para conseguir o Selo do Sábio, ainda assim não sofrerá prejuízo.

— É mesmo? Mas você tem certeza disso?

Sentado ao lado da fogueira, Ziggs me entregou mais sopa.

No segundo dia, senti que meu corpo havia recuperado parte da energia. Depois de ter meu poder mágico destravado, parecia que meu corpo estava se recuperando rapidamente.

— A Companhia Elte não é o tipo de negócio que sai por aí cavando ouro ao acaso, certo? Não esperava que Lortel aceitasse sua proposta com tanta facilidade, especialmente considerando que ela sofrerá prejuízo se não conseguir revender por um preço mais alto.

— Não importa o quão alto ela aumente o preço, a Família Rothstaylor vai comprar. De qualquer forma, ela não terá prejuízo.

— A Família Rothstaylor realmente atribui tanto valor ao selo? A ponto de estarem dispostos a comprá-lo, independentemente do valor que ela peça?

Olhando para Ziggs, balancei a cabeça em afirmação.

Mas isso era mentira.

Eu não fazia ideia de até quanto a Família Rothstaylor estaria disposta a gastar pelo Selo do Sábio.

Se a Lortel realmente acabasse comprando por um preço tão absurdo, então até mesmo a Família Rothstaylor poderia desistir do selo.

De qualquer forma, Krepin estava pesquisando a vida eterna, enquanto o Selo do Sábio estava relacionado à Magia Celestial. Ele atuava apenas como um material de apoio secundário em sua pesquisa. Em outras palavras, ele poderia continuar com seus estudos mesmo sem o selo.

Não havia como a Lortel, que era uma terceira parte, saber disso. E mesmo que soubesse, ela ainda assim aceitou o que eu pedi.

Havia dois motivos para isso.

O primeiro era porque Lortel sentia afeto por mim.

O segundo era que ela estava apostando no fato de que eu havia feito parte da Família Rothstaylor.

Ela investiu na minha sugestão porque achou que eu poderia saber de alguma circunstância interna da família.

Só de ouvir a explicação, até parecia que eu era um completo canalha.

Parecia que a Lortel estava gastando uma quantia astronômica de dinheiro só para impedir que o Krepin comprasse o Selo do Sábio.

Bem, a maior parte do dinheiro poderia ser recuperada, mesmo que ela precisasse vender o selo por um valor menor. Não era uma perda tão grande quanto se imaginava… Mas ainda assim, não era pouca coisa.

Para me justificar, não importava quanto dinheiro a Lortel gastasse no fim das contas.

Ela nem precisaria pagar.

De qualquer forma, o Selo do Sábio acabaria sendo roubado pelo Professor Glast no dia anterior à venda. No fim, o negócio nunca seria concretizado.

Tudo isso era apenas para garantir que eu afastasse o Krepin, que tentava forçar sua aparição no fluxo atual da história.

Rustle.

De repente, um som vindo da grama agitada.

Quando Ziggs e eu viramos a cabeça, uma garota cujo rosto era bastante familiar surgiu, caminhando em direção ao acampamento. Estava ofegante, parecia ter corrido até ali às pressas.

— Oh, é a Yennekar. Nem é hora do almoço ainda, mas você já veio desde o distrito dos professores?

— Sim! Minha aula da manhã já acabou! Não tenho outra aula hoje, e posso cuidar das tarefas mais tarde hoje à noite!

— Mesmo assim, você deveria ter almoçado primeiro.

— Não tô com fome!

Yennekar sorriu levemente enquanto tirava sua camada externa de roupa, torcendo as pontas do cabelo rosa-claro enquanto se aproximava da fogueira.

— Ed! Você recuperou a consciência!

— Oh, Yennekar. Me desculpe por ter feito você se preocupar. Ouvi tudo do Ziggs. Parece que causei bastante trabalho…

— Hm? Não, de jeito nenhum!

Yennekar balançou os braços num gesto exagerado enquanto negava com a cabeça, observando meu estado.

— Eu não fiquei preocupada, nem um pouco! Então não diga que está arrependido porque acha que eu estava preocupada! Sério! Não me preocupei nem um pouco! Nem um tiquinho! Nem liguei!

— Isso não é verdade, Yennekar. Teve até um boato de que você correu pelos corredores da escola quase chorando. E além disso, quando entrou na sala de conferências da escola da última vez…

— Haaaa! Heeey!! Que história engraçada essa, Ziggs! Mas veja só o dia de hoje! Não tá um friozinho gostoso?! Melhor se cuidar!!! Você não quer pegar um resfriado!!!!!

Vendo-a ofegante depois de correr pela floresta, me senti ainda pior por ela.

Ela era mesmo uma garota de coração enorme. Mesmo estando preocupada, não queria ouvir ninguém se desculpando por tê-la feito se preocupar.

Yennekar, toda atrapalhada, olhou ao redor… Depois de respirar fundo algumas vezes, veio até mim e sentou-se ao meu lado.

Assim que ela se sentou, um morcego de repente saltou de trás das costas da Yennekar.

[Por favor, me mate, jovem mestre Ed! Por favor, me mate! Sou indigno, pois não fazia ideia de que o jovem mestre Ed estava se sobrecarregando!]

— Q-Quê? Mugg? Você estava aí?

[Eu queria sair imediatamente para me curvar em desculpas, mas estava preocupado que manifestar este meu corpo inútil só fosse prejudicar ainda mais o poder mágico do jovem mestre Ed. Então, neste momento, estou usando o poder mágico da Lady Yennekar!]

Yennekar assentiu ao ouvir aquilo enquanto me olhava.

Mugg voou ao redor antes de pousar no meu colo, curvando-se em desculpas com lágrimas escorrendo pelo rosto.

— Por que ele tá fazendo tanto escândalo?

— Considerando como você estava enquanto inconsciente, nem é tanto assim.

Ao ouvir o que o Ziggs disse, meu rosto ficou pálido. Disseram que eu parecia um cadáver e, considerando o quão lamentável eu devia estar, não pude dizer nada.

— Faz sentido… ficar inconsciente por dez dias…

Dez dias.

— Espera um pouco… Dez dias…?

Me levantei rapidamente. Mesmo ainda sem ter recuperado toda a força, consegui me mover devagar até o túnel subterrâneo que eu tinha cavado para verificar a carne que estava armazenando.

Toda a carne que eu tinha me esforçado tanto para defumar… Quando aproximei o nariz para verificar, um cheiro de podre invadiu minhas narinas.

— U-Ughk!

Franzi as sobrancelhas e tapei o nariz imediatamente.

A carne defumada só podia ser armazenada por cerca de cinco dias sem problemas, então eu a consumia de acordo com a ordem de preservação… Mas, depois de ficar inconsciente por dez dias, tudo havia estragado.

Além disso, quando fui até o rio verificar, a rede de pesca estava toda rasgada por falta de manutenção. Todos os peixes que eu estava cultivando tinham nadado para longe em busca de liberdade.

— Perdi toda a comida.

Soltei um suspiro profundo ao retornar à fogueira e me sentar. Foi culpa minha por não ter cuidado direito do meu próprio corpo, então não havia nada que eu pudesse fazer a respeito.

Pelo visto, não tinha outra escolha a não ser usar um pouco do dinheiro que vinha economizando para comprar comida e me alimentar. Não era uma perda grande, mas ainda assim um erro doloroso que ia pesar no longo prazo.

Pensando em ter que sobreviver ao inverno, ainda havia tanto trabalho pela frente. Mas, com tanto atraso acumulado… suspirei fundo.

— Você está pensando em se esforçar demais de novo, não está, Ed?

Como se lesse meus pensamentos, Yennekar veio se aproximando rapidamente.

— Tudo bem, Ed. Eu vou te ajudar.

— Posso dar uma força até o próximo período de provas. Se for só caçar ou trabalhar com carpintaria, com certeza posso ajudar.

Ziggs falou como se não fosse nada demais, cutucando o fogo com o atiçador.

— Se a gente for resolvendo as coisas um pouco de cada vez, uma hora termina, certo?

Ouvindo suas palavras e vendo aquele sorriso de canto, ele realmente parecia um homem que já tinha sobrevivido sozinho no meio do mato.

Contanto que eu cuidasse das tarefas aos poucos, de algum modo conseguiria dar conta de tudo.

Sentado junto à fogueira, olhei para Yennekar e Ziggs juntando as cabeças, debatendo qual problema deveríamos resolver primeiro. De repente, fui lembrado de uma cena parecida da primavera anterior.

Sentado, completamente falido no meio da floresta, sem nada em mãos… dormia abraçado comigo mesmo sob um abrigo de madeira que construí às pressas.

Adormecer sozinho enquanto era picado por insetos no escuro… percebi, de repente, que aquele passado nem tinha sido tão distante assim.

Certo. Havia muito trabalho complicado a ser feito, mas eu já tinha lidado com situações ainda piores enquanto vivia sozinho na floresta.

O fluxo da linha do tempo original tinha sido alterado, mas não havia motivo real para eu reclamar, já que consegui resolver todas as grandes questões.

Quanto ao trabalho relacionado à minha sobrevivência, eu poderia contar com a ajuda dos dois enquanto recuperava minha saúde aos poucos.

O andamento da história… Se Krepin perdeu o leilão, então não haveria outras variáveis. Isso significava que não haveria nenhum problema sério.

Mas, só por precaução, eu não podia baixar a guarda.

O lance apresentado pela Companhia Elte havia encerrado as negociações pela compra do Selo do Sábio.

Krepin Rothstaylor ficou desconcertado, embora logo tenha se livrado daquela expressão ao olhar para Lortel com um sorriso gentil.

Lortel sorriu de volta para ele.

Haviam sido poucas as transações daquela magnitude envolvendo um grimório.

Naturalmente, a família Rothstaylor teria calculado um preço com base no mercado.

O maior preço já registrado na história para um livro mágico havia sido algo em torno de 8000 moedas de ouro.

Em outras palavras, ele acreditava que, se o objetivo principal da Companhia Elte fosse “obter lucro”, eles não fariam um lance maior do que isso.

Foi por isso que Krepin decidiu ir de 8000 moedas até 8900 moedas.

Lortel tinha previsto isso com antecedência e ofereceu uma quantia maior para ultrapassá-lo.

Foi uma batalha que Krepin havia perdido desde o início.

Isso porque o objetivo da Companhia Elte era, em última instância, “obter lucro”.

“Não era esse o objetivo dela… obter lucro?”

Sentada na plateia, a expressão da Princesa Penia estava congelada.

Um comerciante é alguém cujas ações existem para gerar lucro. A oferta de Lortel, 9400 moedas de ouro, não fazia sentido, considerando quanto seria necessário para empatar.

Levando em conta os preços históricos de grimórios, era improvável que ela conseguisse revender o Selo por um valor mais alto.

Lortel não era o tipo de pessoa que apostaria em lucro quando as chances de sucesso eram tão pequenas.

Ela certamente tinha outra intenção além de obter lucro.

Contudo, os Olhos Penetrantes da Princesa Penia gritavam. A verdadeira natureza de Lortel consistia unicamente na ganância por moedas de ouro.

Se o objetivo não era obter lucro, então o que fez aquela garota com cara de raposa agir daquela forma?

Em primeiro lugar, era difícil usar a verdadeira força do Selo do Sábio sem um portador com ressonância adequada. Mesmo com isso em mente, sem uma compreensão apropriada da Magia Celestial, ele não teria utilidade alguma.

Se não fosse para aproveitar o poder mágico do selo, nem por seu valor acadêmico, e se não geraria lucro…

Por que Lortel foi tão longe a ponto de aceitar o lance pelo selo, apesar de todos os motivos contrários?

Se você descartasse todos esses valores, por que ela faria um lance pelo selo?

— Hmm…

Krepin tinha uma expressão incomum no rosto.

Ele cumprimentou educadamente o público enquanto deixava a sala de reuniões com uma expressão constrangida. Não parecia nada satisfeito.

Só então a Princesa Penia sentiu como se tivesse sido atingida por um raio.

Se você analisasse o propósito do Selo do Sábio, ignorando todo o seu valor preexistente, o objetivo de possuí-lo era garantir que Krepin Rothstaylor fosse contido e impedido de seguir com seus planos.

Esse era o motivo pelo qual a Princesa Penia estava tão preocupada desde o início.

“Princesa Penia. Apenas nesta ocasião, somos aliadas. A família Rothstaylor, inimiga pública, deve ser expulsa da Ilha Acken.”

Aquela frase de Lortel voltou a ferir o coração da Princesa Penia.

No entanto, ainda havia algo estranho.

Lortel tentou impedir que Krepin comprasse o selo por um preço baixo.

Porém, se ela acabou comprando por um preço tão alto, qual era o objetivo de conter Krepin?

E se ela nunca teve a intenção de adquirir o selo em primeiro lugar…?

E se tudo o que ela queria era impedir que ele caísse nas mãos de Krepin?

Não havia outra explicação. Caso contrário, alguém como Lortel, que vivia e respirava por lucro, jamais teria comprado o selo por um valor tão alto.

Sendo esse o caso, uma nova pergunta surgiu.

Por que, afinal, Lortel estava tentando conter Krepin?

A Princesa Penia sabia a resposta. Krepin era um duque aparentemente digno e benevolente, mas na verdade era um vilão que escondia intenções malignas.

No entanto, mesmo com a autoridade e poder de uma princesa, ela não tinha evidências para provar ao mundo os pensamentos mais sombrios e traiçoeiros dele.

Krepin era tão meticuloso que nunca deixava rastros.

Mesmo com o poder e a influência de Lortel como comerciante, ela não deveria ter sido capaz de encontrar qualquer coisa relacionada à verdadeira escuridão interior de Krepin. Por mais influente que fosse, ela não poderia cavar informações sobre alguém como ele.

E mesmo que conseguisse, não haveria razão para Lortel se levantar e agir contra os planos sombrios de Krepin.

Isso exigiria um senso de justiça contra as injustiças. Ou um senso de dever para punir o mal.

Essas coisas… Eram muito diferentes da verdadeira natureza de Lortel. Em outras palavras, não foi intenção de Lortel impedir Krepin.

— Mas…

Penia deixou escapar suas palavras num fluxo de pensamento.

Se fosse esse o caso, então havia alguém que usou ou manipulou Lortel… Fazia algum sentido alguém assim existir?

Como comerciante, ela tinha um talento raro e excepcional, a ponto de ser chamada de Filha Dourada… Quem seria capaz de controlar alguém como ela?

Lortel era, no mínimo, uma pessoa que tendia a dominar a situação. Ela não era do tipo que gostava de estar sob o controle de alguém. Penia acreditava que ela era como um lobo selvagem, incapaz de ser domada por qualquer um.

— Princesa Penia, a senhorita não parece bem. Está se sentindo mal?

Penia abaixou a cabeça em silêncio no canto da sala de conferências. Ela não se deu ao trabalho de responder às palavras de Claire.

Havia alguém que tentou impedir que o Selo do Sábio caísse nas mãos de Krepin.

Se essa proposição fosse verdadeira, então uma premissa precisava estar estabelecida.

Deveria haver alguém que conhecesse a verdadeira natureza sombria de Krepin Rothstaylor.

Se houvesse alguém assim em Silvenia…

— Princesa Penia?

— Pode ser presunçoso da minha parte dizer isso, mas eu queria responder às suas especulações sobre Ed estar do lado da família Rothstaylor.

As palavras de Lortel sobre Ed perfuraram o coração de Penia como uma adaga.

Excomungado de sua família, jogado na selva, cerrando os dentes enquanto lutava para sobreviver, a ponto de colapsar por excesso de trabalho… Se fosse ele quem estivesse tentando lutar contra a escuridão dentro da família Rothstaylor…

Então foi Penia Elias Kroel quem havia lançado tal pessoa no abismo.


Certificado de Venda.

Compradora: Lortel Kehelland (Companhia Elte)

Vendedor: Obel Forsyth (Silvenia)

Valor da Venda: 9400 moedas de ouro Plen

Data do Contrato: Transferência de ressonância (7) dias após a assinatura do certificado.

Detalhes adicionais do contrato.


Enrolando o certificado de venda assinado, ela o segurou junto ao peito com um sorriso radiante.

De acordo com a mensagem de Ed, não importava quanto ela pagasse, a família Rothstaylor compraria de qualquer forma. Ela acreditava em suas palavras e aumentou agressivamente o preço.

Estava disposta a colocar metade de sua confiança em Ed. Afinal, ele era um insider da família Rothstaylor.

Quanto à outra metade… Bem, se as coisas não saíssem como Ed havia dito, Lortel tinha habilidade suficiente para revendê-lo por pelo menos 8500 moedas de ouro.

A diferença de 900 moedas de ouro poderia ser considerada uma perda, mas se pensasse nisso como o custo de um passe livre vindo de Ed… Era uma pechincha.

“Qualquer coisa… Foi o que ele disse…”

Lortel soltou os cabelos enquanto colocava alguns acessórios.

A aparência misteriosa e astuta que ela havia mostrado na mesa de negociação já não estava mais presente. De pé em frente a um espelho, ela colocava uma tiara azul em forma de rosa.

“Qualquer coisa? Mesmo?”

Ela começou a corar.

Até mesmo aquele rosto diabólico e frio que havia exibido na reunião transformava-se no de uma garota inocente e doce num jogo de cabo de guerra entre homem e mulher.

Por causa dessa diferença drástica, ela parecia estar fora de si. Tudo o que conseguia fazer agora era olhar para a nova joia recebida que havia colocado na cabeça.

Se a Princesa tivesse presenciado aquela cena, teria vomitado sangue.

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