Light Novel

Capítulo 34: A Ocupação do Salão Ophelis (4)

A chuva ainda caía forte do lado de fora.

O som da chuva ecoava pelo amplo salão principal do Salão Ophelis.

Assim que Taylee e seu grupo entraram e fecharam a porta principal, o som da água batendo no chão foi substituído pelo leve tamborilar da chuva contra as paredes externas.

Um relâmpago cortou o céu, iluminando brevemente o salão.

No centro do hall, Ed estava sentado, observando Taylee e seu grupo com uma expressão vazia.

— Ed… Rothstaylor…

Mesmo tendo sido excomungado da família, perdendo o direito de se chamar de Rothstaylor, para Taylee, aquele nome nunca mudaria.

— Você… Por que está aqui, no Salão Ophelis?

A voz de Taylee era fria.

Já fazia quase meio ano desde o incidente, e suas emoções já haviam se acalmado bastante, mas para Taylee, Ed Rothstaylor era uma pessoa com quem jamais poderia se aproximar.

Ayla e Elvira também estavam bem cientes disso.

— ……

Elvira rapidamente compreendeu a situação que se desenrolava diante dela.

O chão de mármore, que sempre era mantido impecável, agora estava coberto de pegadas enlameadas.

Estantes tombadas, objetos fora de lugar.

Tudo era o rastro dos estudantes que haviam invadido.

E o homem sentado no centro do salão, quieto, estava ali para impedir a passagem.

— Hahaha. O que devo dizer? Isso definitivamente não é uma situação normal.

Elvira soltou uma risada alta.

Ela não entendia completamente o que estava acontecendo, mas sabia que as coisas estavam prestes a ficar interessantes.

— Sinto muito, mas…

Ed, ainda sentado no centro do salão, finalmente falou.

— Não posso deixar vocês passarem daqui.

Se perguntassem por quê, não haveria resposta.

Nem sinais de que ele responderia.

Mesmo sem dizer nada, a postura de Ed deixava tudo claro.

Seu rosto inexpressivo, sua presença firme…

Ele estava ali para impedir a passagem.

A resposta de Elvira foi óbvia.

— Haha, isso está ficando cada vez melhor. Você realmente acha que pode me impedir se eu decidir passar?

Elvira Aniston era uma estudante do primeiro ano do departamento de alquimia.

Os alunos de alquimia não treinavam diretamente para combate.

A maioria focava na interpretação da estrutura da magia, no estudo das propriedades dos materiais e na criação de reagentes mágicos.

Mas se alguém pensava que podia ignorar um alquimista em uma batalha, estava completamente enganado.

Os alquimistas carregavam uma variedade de reagentes, usavam ferramentas mágicas especializadas, e eram capazes de dominar um campo de batalha com facilidade.

Eles eram coringas, capazes de criar variáveis inesperadas e reverter completamente o fluxo de uma luta.

Até mesmo os professores da academia ficavam impressionados com as excentricidades dos alunos da alquimia.

Se o departamento de magia já tinha sua fama de ser cheio de lunáticos, o departamento de alquimia era ainda pior.

E Elvira Aniston era considerada a maior lunática de todas.

Mesmo que não fosse uma especialista em combate direto, seu nível era mais que suficiente para não ser subjugada facilmente por um segundo-anista que só sabia magia básica.

Elvira sorriu.

— Se não quer se machucar, é melhor sair do caminho.

Taylee já estava lançando um olhar cheio de hostilidade para Ed.

O fato de que Ed, que não tinha nada a ver com a situação, estava sentado ali bloqueando o caminho, fez com que ele percebesse que algo estava muito errado.

A ideia de que o protesto dos estudantes terminaria pacificamente começava a parecer cada vez mais improvável.

E essa sensação incômoda estava se espalhando pelo grupo.

Ainda assim, a situação não parecia tão preocupante.

Ziggs já havia mencionado que a proficiência de Ed em magia básica era excelente.

Mas, no momento, Ed não tinha poder absoluto o suficiente para vencer três adversários sozinho.

Eram três contra um.

Um espadachim que começava a afiar suas habilidades.

Uma maga que dominava a magia no nível médio de um estudante do primeiro ano.

Uma alquimista que se destacava como a melhor da sua turma.

Ed continuava sentado no centro do salão, com uma postura intimidadora.

Mas isso não significava que conseguiria superar a enorme diferença de poder.

Taylee sacou sua espada.

— Qual é o seu propósito aqui, Ed Rothstaylor? Diga agora o que está acontecendo no andar de cima!

Ed não abriu a boca.

Continuou sentado, apenas encarando o grupo em silêncio.

— Se é assim… vou te forçar a falar!

Com essas palavras, a batalha começou.

Taylee se impulsionou para frente enquanto Ayla se posicionava, começando a reunir mana.

No momento em que Elvira tentou alcançar sua bolsa de alquimia, repleta de reagentes mágicos, Ed chutou a cadeira para trás e se levantou.

Crash!

A cadeira rolou pelo chão enquanto Ed começava a reunir poder mágico nas mãos.

Elvira rapidamente compreendeu o fluxo da magia.

Era a magia básica do vento, "Lâmina de Vento".

Mas quem seria o alvo?

Taylee, Ayla ou Elvira?

Dentre os três, o maior problema para Ed era Taylee.

A prioridade de qualquer mago em combate era manter distância.

A vitória só era possível se conseguissem continuar conjurando feitiços.

Em batalhas entre magos, a distância era menos relevante.

Mas se houvesse um combatente corpo a corpo envolvido, manter a distância se tornava a chave para a vitória.

Assim que o espadachim reduzisse a distância, as chances de um mago vencer desapareceriam completamente.

Isso significava que o primeiro alvo de Ed teria que ser Taylee McLaure, que avançava em sua direção.

Enquanto isso, se Ayla e Elvira conseguissem acertar seus ataques à distância, a batalha acabaria rapidamente.

Whoosh!

No entanto, a "Lâmina de Vento" de Ed não foi direcionada ao grupo…

Mas sim ao teto.

O ponto cego do pensamento deles: o lustre do salão principal.

Com um único golpe certeiro, Ed cortou a corrente que segurava o lustre colossal.

Com um rangido metálico, a enorme peça desabou bem no centro do salão.

BOOM!!

CRASH!

Havia tempo suficiente para Taylee reagir.

Ele rapidamente desviou, saltando para trás no momento exato.

Segundos depois, o grande lustre caiu no local exato onde Taylee havia pisado.

A poeira subiu, obstruindo a visão no salão.

— Kyaaah!

— Ayla! Você está bem?!

— Estou bem, Taylee! Só caí por causa do impacto!

Com o estrondo se dissipando, o barulho de vozes começou a preencher o Salão Ophelis.

Os estudantes presos em seus quartos estavam ficando inquietos.

Agora, começavam a cogitar seriamente derrubar as portas e paredes para escapar.

O primeiro a sucumbir ao medo seria Clevius.

Mas, por enquanto, ele ainda não havia saído de seu quarto.

— Elvira! Você está...?!

— Não se preocupe com...!

Whoosh!

O cabelo amarrado de Elvira voou, alguns fios sendo cortados pelo vento.

A "Lâmina de Vento" de Ed não teve como alvo o cabelo de Elvira, mas sim sua bolsa de alquimia.

O couro foi rasgado, e os reagentes mágicos começaram a cair pelo chão.

CLATTER!

O movimento inesperado de Ed, derrubando o enorme lustre sem hesitação, pegou todos completamente desprevenidos.

Eles pensavam que, depois de algumas trocas de golpes, eventualmente conseguiriam derrotá-lo.

O interior antigo e luxuoso do Salão Ophelis transmitia a sensação de que jamais deveria ser danificado.

O ato inesperado de Ed, destruindo aquele candelabro caríssimo sem hesitação…

Como ele pretendia assumir a responsabilidade por isso?

Para Elvira, Ed parecia estar sendo imprudente.

Mas Ed Rothstaylor nunca foi do tipo que age impulsivamente.

Se tudo seguisse conforme o plano, no final, o Salão Ophelis inteiro seria destruído.

Ninguém se importaria com o estado do hall principal e ninguém seria punido por isso.

Sabendo muito bem desse fato, até mesmo um candelabro luxuoso não passava de uma ferramenta para criar uma vantagem no combate.

Mas, do ponto de vista de Elvira, havia algo estranho na forma como Ed tentava impedir que o grupo avançasse.

‘Se ele está indo tão longe… Então tem alguma coisa séria acontecendo no andar de cima.’

Elvira olhou para os reagentes espalhados no chão.

Havia uma variedade de reagentes de nível baixo, mas nenhum deles estava quebrado.

Os frascos haviam sido reforçados por um encantamento de proteção de Elvira.

Até que ela cancelasse o feitiço, os frascos não perderiam sua resistência.

No momento em que Elvira tentou se mover para pegá-los…

FWOOOSH!

Uma coluna de fogo se ergueu da posição de Ed, bloqueando seu caminho.

Uma parede de fogo, criada pelo feitiço básico "Ignite", mas em uma escala anormal.

O calor e a intensidade eram absurdos, um claro sinal do domínio absoluto de Ed sobre essa magia.

O salão principal foi dividido em seções, como se ele estivesse cortando um bolo ao meio.

Duas, três, quatro camadas de chamas cercavam o lustre caído, separando o salão em áreas isoladas.

‘Isso… não é bom.’

A forma como Ed moldava o campo de batalha naturalmente, como se seguisse o fluxo da água, era precisa e calculada.

Elvira era o núcleo da equipe de subjugação.

Mas o maior ponto fraco de um alquimista era que eles tinham quase nenhuma capacidade de combate direto, a menos que pudessem acessar seus reagentes ou ferramentas mágicas.

Mesmo que fosse apenas uma bolsa de reagentes, ter seu conteúdo espalhado reduzia drasticamente o poder de Elvira.

Com a parede de fogo impedindo seu acesso, ela não poderia recuperá-los.

Normalmente, alquimistas levavam consigo ferramentas mágicas de emergência, como anéis ou colares encantados.

Mas Elvira, confiante demais em suas habilidades, não se deu ao trabalho de carregar um.

— Droga…

A queda do lustre gigante havia desestabilizado sua concentração por um instante.

Esse pequeno erro permitiu que Ed atacasse sua bolsa sem hesitação.

‘Felizmente, ainda tenho algo sobrando…!’

Elvira puxou um pequeno objeto de vidro de dentro da camisa.

Era um artefato mágico no formato de um coelho.

Ela havia deixado aquilo separado de propósito, pois estava pesquisando outro tipo de feitiço antes de vir para cá.

Ela teve sorte.

Sem perder tempo, Elvira atirou o artefato no chão, quebrando-o em pedaços.

Com isso, seu espírito familiar artificial se manifestou.

— Krrrrrr…

Era um coelho.

Mas suas presas afiadas e olhos brilhantes não pertenciam a um herbívoro.

Seu tamanho não era diferente do de um cão selvagem ou um chacal.

Elvira rapidamente reuniu sua energia mágica e esculpiu um feitiço de resistência ao fogo na pele do coelho, garantindo que seu espírito familiar pudesse atravessar as chamas.

Como a criatura foi criada às pressas, ela sabia que isso teria um efeito terrível em seu corpo.

Mas… não importava.

Ela só precisava usá-lo uma vez e depois poderia descartá-lo…

O sangue jorrou da pele do coelho, que soltou um grito de dor, mas Elvira forçou o feitiço a se estabelecer.

FWOOOSH!

Outra lâmina de vento foi lançada.

Dessa vez, não foi direcionada a Elvira.

Parece que Ed concluiu que ela não tinha mais capacidade de combate…

Pois o ataque foi direto para Ayla.

Kyaaah!

CLANG!

A "Lâmina de Vento" de Ed foi bloqueada pelo "Corte Elemental" de Taylee.

— Concentre-se, Ayla!

O salão estava tomado pelas chamas, o lustre gigantesco caído no chão e a poeira que subia com o impacto dificultavam a visão.

Ed se movia entre os espaços formados pela parede de fogo, sempre mudando de posição.

— Kghk…!

A parede de fogo era completamente controlável pelo conjurador do Ignite.

Isso significava que Ed podia manter as chamas sem criar fumaça excessiva ou perder controle.

Mas o calor era real.

Taylee era um espadachim nato.

Se tivesse experiência suficiente, poderia cortar através das chamas e dissipar o vento.

Mas sua força ainda era limitada.

Ele poderia romper a parede de fogo, mas não tinha certeza se conseguiria alcançar Ed, que sempre desaparecia logo depois.

Além disso, Ed estava deliberadamente focando seus ataques em Ayla.

Ayla Triss possuía um grande conhecimento mágico, mas não era forte em combate direto.

Ela estava no nível de um estudante do primeiro ano que ainda aprendia magia básica.

Não era possível para ela se defender contra a magia de Ed, que já dominava os feitiços básicos em alto nível.

Se Taylee tentasse avançar para derrotar Ed, Ayla ficaria completamente indefesa.

— Taylee! Eu acho melhor sair do salão! Pelo menos até você vencer…!

Ayla sabia que era um fardo para o grupo.

Mesmo assim, não ficou paralisada pelo medo.

Ela rapidamente pensou em uma solução prática.

Agora que a situação tinha mudado, a melhor opção era escapar para um local seguro.

— KYAAAAAAAAAK!

O enorme coelho, agora com resistência ao fogo, saltou através das chamas e correu em direção ao lustre caído.

Elvira não precisou gastar quase nada de energia mágica para invocá-lo.

Mas, por ser um espírito artificial, ele não era forte o suficiente para causar dano real.

Ainda assim, seria capaz de impedir os movimentos de Ed por um momento, expondo sua posição.

— Taylee! Se você conseguir encurtar a distância entre vocês, acha que pode derrotá-lo?!

Elvira gritou no meio das chamas.

Ela já havia perdido a maioria de seus reagentes e ferramentas mágicas.

Mesmo assim, ela ainda podia criar uma chance para a vitória.

— Não é uma questão de conseguir ou não! Temos que fazer isso!

— Certo! Então vamos com isso!

Elvira sorriu.

Ela puxou o capuz de sua túnica encharcada e correu através da parede de fogo.

— Elvira!

Taylee gritou em choque, vendo Elvira atravessar as chamas espessas e rolar pelo chão do outro lado.

Ela rapidamente se livrou da túnica, que ainda estava pegando fogo.

Um dos lados de seu cabelo estava chamuscado, e seu antebraço direito apresentava sinais de queimadura.

Mas não tinha tempo para se preocupar com isso agora.

Diante dela, espalhados pelo chão, estavam os reagentes mágicos.

Ela ficou longe deles por apenas alguns minutos…

Mas, naquele momento, pareciam mais preciosos do que nunca.

A maior vantagem tática de Ed vinha do fato de que ele controlava o espaço e limitava a visão do grupo.

Se ela quisesse usar seus reagentes, precisaria mirar e arremessá-los.

Isso levaria tempo demais.

Portanto, a única alternativa era usar a diferença de habilidades de combate.

— Parece que você se preparou bastante, mas do nosso lado… temos um guerreiro treinado para o combate direto…!

Elvira pegou um reagente mágico valioso e o arremessou contra o lustre caído no centro do salão.

Clink!

FWOOOOOOOOSH!

Uma onda de energia mágica se espalhou pelo ambiente.

Era um reagente feito a partir de flores de castanheira e cogumelos marrons, encantado com um feitiço de dispersão.

O efeito era tão famoso que qualquer mago experiente sabia o que aconteceria.

A restrição da difusão da energia mágica na área.

A supressão temporária dos subprodutos gerados pelo uso da magia.

Um veneno mortal para qualquer usuário de magia.

O princípio era bagunçar o fluxo de mana, tornando difícil sua utilização.

Contra magos de nível médio ou avançado, o efeito era reduzido.

Além disso, o efeito só durava alguns minutos, o que limitava seu uso a batalhas de curta duração.

Mas Ed só estava usando magia básica.

O momento para usá-lo era perfeito.

Taylee percebeu isso imediatamente e adotou uma postura ofensiva.

A parede de chamas, antes dominando o salão, começou a enfraquecer.

Atrás do lustre caído, oculto pela poeira e fuligem, uma sombra emergia.

Um homem coberto de sangue.

Na mão direita, uma adaga de caça.

Na mão esquerda, o corpo sem vida de um coelho gigante, ensanguentado e pendendo inerte.

Ele chutou o cadáver para longe, que rolou pelo chão antes de se desfazer em cinzas.

O tempo que Elvira precisava havia sido ganho.

Pelo esforço que teve para criá-lo, o resultado não foi tão ruim.

O ombro direito de Ed estava ferido pelas mordidas do coelho, e seu uniforme estava manchado de sangue.

Mas, ele ainda estava ali, em pé, encarando o grupo sem qualquer sinal de hesitação.

Aquele olhar assustava até mesmo Elvira.

— Ed Rothstaylor!

Taylee avançou, enquanto Elvira verificava os rótulos dos frascos de reagentes.

O reagente de flor de castanheira impediria o uso da magia por um tempo.

Isso era um golpe fatal para Ayla e Ed, os dois magos do combate.

Mas, como Ayla já era fraca em combate direto, não era um problema.

Agora, Taylee e Elvira estavam em vantagem.

Era a chance de atacar e acabar com Ed de uma vez por todas.

CLANG!

Porém, Ed não tentou bloquear o golpe de Taylee.

Em vez disso, chutou um dos armários ao lado dele.

O líquido espesso dentro da bacia preparada por Kelly se espalhou pelo chão.

Taylee sentiu o cheiro imediatamente.

— Esse cheiro… É óleo! Taylee!

FWOOOSH!

Ed chutou um castiçal no canto do salão, derrubando-o.

A chama entrou em contato com o óleo, e o fogo rapidamente se espalhou pelo salão.

Uma nova fonte de luz iluminou o espaço escuro, enquanto o incêndio começava a consumir o ambiente.

Dessa vez, não era um fogo mágico criado pelo Ignite.

Era fogo real, alimentado por óleo.

As partes de madeira do lustre, assim como os armários e móveis ao longo das paredes, começaram a pegar fogo.

— Você ficou louco?! Isso é o Salão Ophelis!

Elvira gritou.

Diferente da parede de fogo criada pelo Ignite, as chamas que agora consumiam o salão eram um verdadeiro desastre natural.

Elas não diferenciavam nada, tudo ao redor estava sendo consumido.

Se o fogo se espalhasse pelos corredores, haveria vítimas.

Pensando nisso, Elvira rapidamente olhou ao redor.

E, pela primeira vez, um arrepio percorreu sua espinha.

Tudo havia acontecido rápido demais, e ela não teve tempo para perceber os detalhes.

Havia menos armários no salão do que o normal.

Além disso, a maioria dos móveis altamente inflamáveis e objetos de valor haviam sido removidos de antemão.

A fumaça que enchia o ambiente, bloqueando a visão, estava sendo dissipada pelas janelas abertas próximas às escadas de emergência.

O chão e as paredes do salão principal eram de mármore, e as portas eram feitas de pedra antiga.

Enquanto o espaço permanecesse fechado, as chamas ficariam contidas dentro do salão, e a fumaça seria expelida sem chamar atenção para o incêndio.

O fogo estava sendo completamente controlado.

O que isso significava?

— Ele planejou tudo até esse ponto…!

Elvira cerrou os dentes, recolhendo seus frascos de reagentes.

As chamas ardiam intensamente, lançando um brilho avermelhado pelo salão.

E, no centro de tudo, estava ele.

O aristocrata caído, ensanguentado, encarando-os sem qualquer hesitação.

Se ele já havia planejado esse incêndio desde o começo…

Ele poderia ter feito isso desde o início.

Se Ed não tivesse usado Ignite primeiro, permitindo que controlasse as chamas magicamente, Elvira jamais teria usado o reagente de flor de castanheira.

Ou seja…

— É isso mesmo! Você não pode mais usar magia!

Taylee gritou, avançando através das chamas.

O maior obstáculo para Taylee era a presença de Ayla.

Enquanto Ed tivesse a capacidade de atacá-la, Taylee não podia avançar livremente.

Mas agora, com a magia de Ed selada, Taylee não precisava mais se segurar.

O calor das chamas era intenso, mas para um guerreiro nascido para o caminho da espada, era apenas mais um obstáculo a ser cortado.

Ainda assim, o incômodo e a sensação de desconforto de Elvira só aumentavam.

O inimigo à sua frente não passava de um estudante comum do segundo ano.

Enquanto isso, eles tinham um guerreiro habilidoso e a melhor alquimista da turma.

Comparar as diferenças de poder era até engraçado.

Mas a forma como Ed lidou com tudo até agora… era perfeita demais.

Era como se ele já soubesse cada passo do combate antes mesmo de acontecer.

Se eles agissem de determinada forma, ele já tinha uma resposta pronta.

Ele neutralizou primeiro os reagentes de Elvira.

Depois, impediu Taylee de se aproximar.

E, por último, manteve-se sempre fora do alcance dos ataques de Ayla.

Não houve falhas em seu plano.

Não houve movimentos desnecessários.

Era como se ele conhecesse cada detalhe do combate.

Desde o nível de força de Taylee, até o que havia dentro da bolsa de Elvira.

Era como se estivessem completamente expostos diante dele.

E essa sensação de impotência só fazia com que Elvira se sentisse ainda mais perdida.

Um mago comum ficaria desesperado ao ter sua magia bloqueada.

Mas Ed não se abalou.

Seu estilo de luta não era o de um mago.

Era o de um estrategista.

E, se esse era o caso…

A situação agora não fazia sentido.

Sem magia, ele deveria ser um alvo fácil para Taylee.

E, no entanto… Ed Rothstaylor não demonstrava qualquer sinal de medo.

Com apenas um ataque bem preparado e no momento exato, Taylee poderia cortar as chamas e avançar contra Ed.

Se fizesse isso, poderia prever seus movimentos facilmente e ainda contar com o suporte de Elvira.

Se esse era o caso, aquele breve instante se tornaria a chave para a vitória.

Mas Ed Rothstaylor não podia mais usar magia…

— Não, Taylee!

Elvira gritou, percebendo tarde demais o perigo.

Mas Taylee já havia começado seu ataque.

Ele ativou o "Corte Elemental", rasgando as chamas e avançando diretamente para Ed.

Havia energia demais concentrada no golpe.

Ele não podia mais parar agora.

Se Ed trouxe o combate até esse ponto, então ainda tinha um trunfo escondido…!

Ele tinha uma forma de atacar, mesmo sem magia.

E Taylee não fazia ideia do que era.

Era tarde demais.

Quando as chamas se abriram, revelando Ed Rothstaylor por trás delas, ele não estava desarmado.

Ele segurava um arco.

Ele já havia preparado sua arma e tomado posição.

O arco devia estar escondido dentro do armário derrubado.

Mas… ele sabia usá-lo?

A resposta estava clara.

Ed já havia terminado de mirar.

Taylee não seria derrotado com apenas uma flecha.

Poderia simplesmente rebater o projétil com a espada.

Se Ed realmente quisesse limitar seus movimentos, não teria mirado diretamente nele.

Não.

Ele mirou em outra pessoa.

Uma pessoa vulnerável, que não poderia se defender sozinha.

— Ayla…!

Quando percebeu o que estava acontecendo, já era tarde demais.

A corda do arco foi solta.

A flecha disparou implacável, atravessando o ar.

Os estudantes do primeiro ano aprendiam magia defensiva básica.

Era um feitiço que minimizava impactos físicos.

Ayla também sabia conjurá-lo…

Mas o reagente de flor de castanheira de Elvira bloqueava a magia de todos na área, amigos e inimigos.

Ayla não tinha como se defender.

Taylee tentou girar o corpo, reagindo com reflexos sobre-humanos.

Ele saltou na direção de Ayla, mas não era mais rápido que uma flecha disparada a curta distância.

FWOOOSH! CRASH!

Mas a flecha nunca alcançou Ayla.

— Phew…

O som de vidro quebrando ecoou pelo salão.

Elvira soltou um suspiro leve, erguendo a mão.

Ela havia ativado um de seus artefatos mágicos.

"Mão de Garra".

Uma pequena esfera de vidro com o poder de atrair objetos próximos.

Desde que estivesse dentro de seu campo de visão, poderia puxar qualquer item pequeno para suas mãos.

A flecha, antes disparada contra Ayla, perdeu velocidade repentinamente.

Ela caiu na palma de Elvira, sendo agarrada antes de causar qualquer dano.

— Acabe com ele, Taylee!

No instante seguinte, Taylee se virou para Ed.

Seus olhos brilhavam de raiva.

Elvira não queria mais pensar sobre aquilo.

Derrubar um candelabro, incendiar o salão inteiro…

Tudo isso era uma loucura.

No fim das contas, isso não deveria ser apenas uma manifestação pacífica dos estudantes de classe baixa?

O que, exatamente, estava acontecendo no andar de cima, para Ed ir tão longe para impedir sua entrada?

Atirar uma flecha contra Ayla…

Aquilo foi longe demais.

Era completamente diferente de simplesmente ameaçar alguém com magia.

Se a flecha tivesse penetrado o corpo frágil de Ayla, ela poderia ter morrido ali mesmo.

Isso era um crime.

Pensando nisso, Elvira apertou a flecha em sua mão.

E, no momento em que olhou para sua ponta…

Seus olhos se arregalaram.

A ponta da flecha havia sido removida.

O que deveria ser uma lâmina afiada de ferro tinha sido cortado fora.

Um pequeno tufo de feno estava amarrado na ponta, reduzindo ao máximo o impacto do projétil.

Era um sinal claro de que Ed não queria que a flecha fosse letal.

Ele sabia que eles não teriam tempo de analisar isso em meio ao combate.

E, mesmo assim, ele tomou o cuidado de garantir que ninguém se ferisse gravemente.

Claro, se tivesse azar, poderia ficar cega ou sofrer uma lesão com o impacto da haste.

Mas, mesmo assim…

O ponto onde Ed mirou estava entre o abdômen inferior e a coxa, um local sem órgãos vitais.

Na pior das hipóteses, Ayla só ficaria com um hematoma.

‘Ele… Ele pegou leve com a gente…?’

Pensando nisso, Elvira mais uma vez gritou para Taylee.

— Taylee! Cuidado! Ele ainda…

No momento em que estava prestes a dizer "Ele ainda tem algo escondido…"…

CLANG!

No segundo andar, o som de uma parede sendo quebrada ecoou…

E, junto dele, o grito de um covarde.

Quando percebeu, Ed já havia sido atingido por Taylee e estava jogado contra uma parede.

— O quê…?

Sentada no chão, encostada contra uma parede, Elvira observava Ed.

O jovem caído, coberto de sangue, tentava recuperar o fôlego.

E, mais uma vez, Elvira teve um forte pressentimento.

Algo estava muito errado.

— Você enlouqueceu?!

O lustre estava destruído.

Os armários estavam queimados.

O Salão Ophelis, outrora impecável, agora era um cenário de caos.

E, sentado contra a parede, Ed sacudia as roupas manchadas de sangue.

Mas, como sempre, não demonstrava emoção alguma.

— Deve haver uma razão para você ter feito tudo isso!

O punho de Taylee tremia, sua voz ecoando de fúria.

Elvira continuou em silêncio.

Após ser derrotado, o resultado óbvio de um mago contra um guerreiro, Ed permitiu que o grupo seguisse para os andares superiores.

Apesar de todas as dificuldades, eles conseguiram vencê-lo.

Mas, para Elvira, não havia alívio algum.

Algo estava errado.

Durante toda a luta, Elvira teve uma sensação incômoda.

Era como se Ed estivesse olhando diretamente dentro dela, prevendo cada movimento.

Era como se tudo tivesse ocorrido exatamente como ele queria.

Se ele realmente quisesse derrotá-los, poderia ter derrubado o lustre sem nunca ter revelado sua posição.

Se fosse apenas um mago arrogante, tentando demonstrar suas habilidades, talvez fizesse sentido.

Mas a forma como ele lutou…

O jeito como ele agiu…

Era diferente de qualquer mago que Elvira já havia enfrentado.

Era como se tivesse um objetivo maior em mente.

Taylee e Ayla estavam preocupados demais com a batalha para perceber isso.

Mas Elvira, agora imóvel, sabia a verdade.

‘Algo aqui não faz sentido…’

Seus olhos se voltaram para o rosto de Ed.

Ele estava calmo.

Derrotado, mas sem ressentimentos.

Apenas sentado ali, esperando Taylee terminar seu discurso.

Depois de um tempo, Taylee respirou fundo, tentando controlar suas emoções.

Então, Ed finalmente falou.

— Terminou?

Mesmo diante de tudo isso, sua voz permaneceu fria e inabalável.

— Se terminou, subam logo. Parem de choramingar.

Ele nem sequer tentou impedi-los de subir.

— O que você disse…?

Elvira empurrou Taylee para o lado, ficando cara a cara com Ed.

Ela não podia ignorar aquilo.

— Por que você pegou leve com a gente?

Taylee e Ayla arregalaram os olhos.

— Do que você está falando, Elvira?!

— Esse cara? Pegando leve?

Mas Elvira não desviou o olhar de Ed.

— Responda.

Um silêncio denso tomou conta do salão.

Elvira se recusava a desviar os olhos.

Mesmo caída no chão, mesmo coberta de suor e fuligem, ela não recuou.

Ed, por outro lado, apenas a encarou de volta.

Mas, claro… ela não poderia esperar por uma resposta para sempre.

THUD!

O som das portas principais do Salão Ophelis se abrindo ecoou.

O ruído da chuva forte encheu o salão, abafando os resquícios das chamas crepitantes.

CRACK!

Um raio iluminou tudo por um breve instante.

E, à entrada do salão, uma garota de capuz tentava sacudir a água de suas roupas.

A garota que havia passado a noite em claro, escolhendo um simples enfeite de cabelo.

E, no momento em que a luz do relâmpago revelou a cena diante dela…

O garoto que ela esperava encontrar elegante e confiante…

Estava jogado no chão, coberto de sangue, atacado por um grupo de pessoas.

Com a chuva intensa caindo atrás dela, a expressão da garota mudou.

Seus olhos antes brilhantes e cheios de vida, agora estavam vazios e escuros.

Uma escuridão fria tomou conta de seu rosto.

E então, ela falou.

— O que vocês estão fazendo?

Sua voz era pesada.

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