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Capítulo 27: Expedição de Subjugação de Glasskan (7)
— Obrigado.
O ar úmido da alvorada soprou contra meu rosto.
Embora este não fosse o momento mais apropriado para pensar nisso, havia algo que eu queria dizer.
A crise havia sido resolvida por um fio antes que tudo desmoronasse, graças aos alunos prodígios do primeiro ano.
Taylee parecia ter adquirido a Habilidade de Mestre Espadachim, e desde que ele tivesse essa habilidade, a história não deveria encontrar grandes problemas por enquanto, o que era um alívio.
O meio destruído Nail Hall e Glockt Hall.
As árvores quebradas, os bancos e cercas empilhados, usados como barricadas.
O chão de mármore da Praça dos Estudantes, completamente estilhaçado pelos passos de Takan.
O restante do distrito acadêmico também não estava em bom estado.
Calcular a extensão dos danos era inútil.
Não havia como mensurar exatamente tudo que foi destruído.
Havia ferimentos graves e um número incontável de ferimentos menores.
Mas, felizmente, não houve vítimas fatais.
— Francamente falando, eu ainda sinto ressentimento por você.
Taylee estava com a cabeça baixa, seu corpo coberto de ferimentos.
Ele foi o responsável por reunir os membros da força de subjugação, correndo por todo o distrito acadêmico.
E ele foi quem cortou Velosper e Glasskan durante a batalha.
Foi uma conquista gloriosa, algo digno de aplausos.
Mas Taylee não esboçava um sorriso sequer.
— Acho que você sabe o motivo melhor do que ninguém.
Os olhos de Taylee ainda estavam cheios de hostilidade.
Olhei ao redor.
Os membros da força de subjugação, que passaram por inúmeras dificuldades, estavam reunidos em frente ao Centro dos Estudantes.
Eles haviam finalizado tudo e agora estavam a caminho de um retorno glorioso.
Os alunos que aguardavam na base, no centro da Praça dos Estudantes, aplaudiriam e os receberiam com entusiasmo.
E, assim, a longa noite chegaria ao fim.
Foi uma noite cansativa e exaustiva, mas, de alguma forma, tudo finalmente acabou.
O Ato 1 terminou com essa conclusão.
E logo iríamos direto para o Ato 2, um episódio que trataria da disputa entre a Companhia Elte e a Academia.
— Ainda assim, eu te devo muito.
Mesmo dizendo isso, a hostilidade de Taylee não desapareceu.
— Preciso pelo menos demonstrar respeito. Não importa o quanto eu te despreze, a subjugação sequer teria acontecido se você não tivesse contido Takan.
Apesar de cerrar os dentes, Taylee ainda reconheceu o que eu fiz.
Esse era o tipo de pessoa que Taylee McLaure era.
— Ah, Taylee. Você é muito rígido, hein? Haha!
— Se você me odeia, apenas diga que me odeia. Por que separar seus sentimentos e dizer que é grato, mesmo que me despreze?
Nosy Elvira soltou uma gargalhada, apesar de estar completamente exausta.
— Isso mesmo, Taylee! Você não precisa ser educado com esse cara. A única razão pela qual ele ajudou foi para salvar a própria pele.
— Ele é o tipo de pessoa que te apunhalaria pelas costas se os interesses de vocês não se alinhassem!
— Quando estávamos lidando com Takan, ele me usou como isca! Ele tratou minha vida como se fosse a de uma mosca insignificante…! Sério! Esse cara…!
— Clevius, você está sendo muito barulhento.
— Você fala demais, Clevius.
— Fique quieto, Clevius.
Lortel, Princesa Penia e Ziggs falaram um após o outro, interrompendo Clevius antes que ele pudesse continuar. Ele provavelmente ficou envergonhado por ser repreendido e se afastou silenciosamente, os ombros caídos.
— Taylee está certo, Ed. Eu não posso confiar em você cegamente, mas está claro que você fez um bom trabalho aqui. Isso definitivamente merece reconhecimento. Se você enviar um pedido de recomendação ao conselho acadêmico, seja qual for, ele será aceito.
— Não precisa ir tão longe, princesa.
E então, eu falei algumas verdades objetivas.
— A maior ajuda na subjugação de Takan foi Lucy, enquanto Taylee foi quem cortou Velosper e Glasskan. Não há necessidade de me dar tanto crédito. Por favor, foquem neles, e não em mim.
— Oh, meu! Você está tentando dar os créditos para os outros. Todo mundo já sabe que Lucy e Taylee tiveram papéis fundamentais na batalha. O que estamos falando aqui é outra coisa... ou espera. Você está... com vergonha, por acaso?
— Ele é um ano mais velho que você, fale com respeito, Elvira.
Ziggs deu um leve peteleco na testa de Elvira, fazendo com que ela soltasse um grito e recuasse alguns passos, permitindo que ele se aproximasse para falar comigo.
— Vamos discutir os detalhes na base, Ed. Não podemos chegar a nenhuma conclusão andando pela rua assim.
— ......
Mas eu permanecei parado, sem me mover.
Os outros já estavam retornando para a Praça dos Estudantes quando perceberam que eu não os acompanhava. Um por um, se viraram e me observaram.
A aurora se assentava no horizonte. Exaustos e feridos, esses personagens estavam voltando para casa com a vitória.
Taylee, Ayla, Princesa Penia, Ziggs, Lortel, Clevius e Elvira.
Eu confiava que esses protagonistas poderiam continuar a história a partir daqui.
Mesmo que fosse uma confiança sem fundamento, eu acreditava que, de alguma forma, eles conseguiriam superar qualquer provação futura.
Eu os observei esse tempo todo, vendo como se enredavam em eventos inesperados devido às variáveis desconhecidas.
O capítulo da Subjugação de Glasskan poderia ter sido um evento que quebraria a história.
E ainda assim, eles conseguiram lidar com tudo.
Isso não significava que eles também seriam capazes de lidar com os desafios futuros, os que não teriam interferências externas?
Pensei nisso enquanto os observava.
Eu havia mantido minha distância até agora, para não afetar o fluxo da história.
Mas, vendo-os tão de perto, eu não pude evitar de sentir um calor estranho dentro de mim.
Eu os observei desempenhando seus papéis nesse mundo, resolvendo seus próprios problemas, dia após dia.
Havia Taylee, que ficava mais forte a cada provação enfrentada.
Ayla, que crescia para apoiá-lo.
Já a Princesa Penia, que começava a aceitar seu destino como futura rainha.
Enquanto isso, Ziggs, que encontrava seu próprio caminho em meio à civilização.
Por sua vez, Lortel, que passava a questionar sua vida de puro dinheiro.
Quanto a Clevius, que começava a ganhar confiança em si mesmo. E, por fim, Elvira percebia que a diversão não era a única coisa que a vida tinha a oferecer.
Eu conhecia suas dificuldades e os desafios que ainda enfrentariam.
Ao mesmo tempo, também sabia das vitórias que esperavam por eles no futuro.
Cada um deles tinha seu próprio papel a desempenhar.
E embora seus caminhos fossem acidentados e difíceis, o destino final deles era um tapete vermelho cintilante.
O sucesso os esperava no final da jornada, e todos seriam celebrados como os brilhantes heróis do reino.
— Há algo que deixei para trás no Nail Hall. Vocês vão na frente.
Eu sabia disso muito bem, então virei as costas e me afastei.
Agora que a crise havia acabado, era hora de montar as últimas peças do quebra-cabeça.
Voltei para o Campo de Treinamento de Combate do Nail Hall.
Caminhei pelo corredor meio destruído e abri a grande porta de madeira... para revelar um campo de batalha irreconhecível.
O vento mágico de Ziggs havia lançado todos os assentos pelos ares.
O chão estava repleto de crateras e rachaduras.
As cortinas estavam completamente queimadas.
E as paredes tinham buracos enormes.
O vento frio da manhã soprava através do teto destruído, onde o braço direito de Glasskan havia rasgado o salão.
A escuridão estava se dissipando lentamente no céu.
Estes eram os vestígios da batalha final contra Velosper.
O palco onde o Ato 1 chegou ao fim.
Um lugar que nunca mais apareceria nos capítulos posteriores de 'Silvenia's Failed Swordmaster'.
Caminhei entre os assentos destruídos e fui até o pódio principal.
Logo abaixo dele, estava o pequeno pódio onde Lucy dormiu durante a aula de Treinamento de Combate Conjunto.
Rattle!
Abri a porta e vi Yennekar encolhida ali dentro, abraçando os próprios joelhos.
Ela soltou um "hehe" abafado, parecendo completamente sem jeito por ter sido flagrada se escondendo.
O interior do pódio reserva do Campo de Treinamento de Combate era mais aconchegante do que eu imaginava.
Agora, eu entendia por que Lucy havia tirado um cochilo aqui antes.
Eu me sentei ao lado de Yennekar, olhando para o céu. A barreira que isolava o distrito acadêmico começava a rachar, pouco a pouco.
— Não achei que me encontrariam tão fácil. Os outros alunos pareciam ocupados demais lidando com Glasskan para sequer lembrar de mim.
— Com algo daquele tamanho sendo invocado no céu, quem teria tempo para se preocupar com você?
— Ainda assim, isso machucou meus sentimentos.
Yennekar abaixou a cabeça e fez um pequeno biquinho.
— Eu fiz tudo isso de maneira tão grandiosa, mas, no momento em que tudo foi resolvido… não posso acreditar que simplesmente me deixaram para trás. ‘Onde está Yennekar?’, eu imaginei que pelo menos perguntariam e procurariam por mim, nem que fosse só um pouco.
Os membros da força de subjugação estavam completamente esgotados. Eles provavelmente só queriam voltar à base o mais rápido possível, ao invés de vasculhar cada canto do Nail Hall à procura de Yennekar, que desapareceu assim que a batalha acabou.
Os professores e funcionários acabariam vindo de qualquer jeito, assim que a barreira caísse.
— Mas você se escondeu porque não queria ser encontrada.
— É difícil negar isso… hehe.
O estado de Yennekar também não era nada bom.
Seu corpo inteiro estava coberto de poeira e o xale em seus ombros tinha vários rasgos. A prova da batalha intensa que travou.
Abraçando os próprios joelhos, ela olhou para o céu.
Seu corpo, que até pouco tempo atrás estava completamente envolvido pela maldição de Velosper, ainda tinha alguns vestígios restantes.
Mas assim que sua magia voltasse, ela poderia começar a se purificar, e sua pele logo retornaria ao tom pálido de antes.
— Eu queria me esconder por mais tempo. Não achei que me encontrariam tão rápido.
— Você teria sido pega de qualquer jeito quando a barreira caísse e os professores chegassem.
— Eu queria ficar sozinha até lá. Não queria me mostrar para ninguém.
— Por quê?
Ela sorriu diante da pergunta.
— Uhm… eu planejava chorar feito uma idiota.
Ela disse isso como se não fosse nada estranho.
— É muito constrangedor mostrar esse lado para os outros.
Mas ao ouvir suas palavras, eu senti como se uma pergunta que me perseguia há anos finalmente tivesse sido respondida.
Por que Yennekar Palerover era a chefe do Ato 1?
Diferente de outros chefes do jogo, suas ações eram muito passivas.
Ela não possuía um design marcante, não tinha um destino a cumprir, nem carregava as características de uma vilã pura.
Entre tantos inimigos impressionantes, por que deram a ela o papel de primeira grande antagonista da história?
Como jogador, isso sempre me pareceu estranho.
Eu pesquisei por muito tempo, tentando entender.
Mas no fim, cheguei à conclusão de que os desenvolvedores haviam escolhido Yennekar porque isso traria mais "impacto" para os jogadores novos.
Uma garota sempre brilhante, sincera e amada por todos ser corrompida por um espírito das trevas e se tornar um obstáculo para o protagonista…
Era um conceito chocante e fora do convencional.
E mesmo que não houvesse um motivo mais profundo, o impacto causado pela revelação compensava essa falta.
Mas eu estava errado.
No fim, não era nada complicado.
Era uma história tão simples e comum que nunca passou pela minha cabeça.
“Eu só dei uma olhada no quarto dela naquela vez.”
O quarto de Yennekar, que Lortel havia espiado.
A cena que ela testemunhou.
Foi apenas depois que Lortel me contou que eu finalmente consegui encaixar todas as peças do quebra-cabeça.
Durante o Ato 2, Taylee poderia entrar no Ophelis Hall durante a missão de derrotar "A Criada Elris".
Enquanto perseguia os inimigos pelo dormitório, o jogador podia entrar nos quartos de diversos personagens.
Entre eles, estava o quarto de Yennekar.
Foi apenas uma cena rápida, durante um momento tenso.
Mas a visão do quarto dela era… estranha.
Um quarto espaçoso, cheio de fotos e anotações.
Na mesa, havia uma foto da família dela e cartas de apoio enviadas por eles.
Ao lado, mensagens de seus amigos queridos, prêmios e certificados dos professores, cada um cheio de elogios e expectativas.
E, acima da mesa, na parede, havia um cartão-postal de sua cidade natal.
E qual era a visão que Yennekar tinha da sua mesa de estudos?
Havia acessórios delicados, dados a ela por suas amigas.
Um vaso de lírios e rosas, sempre bem cuidados, presenteado pela academia.
De um lado, troféus brilhantes, ganhos em competições do colégio, cuidadosamente polidos regularmente.
Do outro, quatro varinhas de carvalho, presentes de veteranos para comemorarem seu contrato com Takan.
Em um canto, havia uma bela estátua de madeira em forma de cosmos, enviada por sua família.
Ao lado, acessórios no formato de espíritos elementais, um presente de seu professor de Estudos Elementalistas.
Havia também um buquê de flores feito por suas amigas do clube extracurricular.
E, sob sua mesa, seus antigos instrumentos mágicos, cuidadosamente empacotados e enviados por sua família, pois eram grandes demais para manter sobre a mesa.
Se abrisse uma gaveta, encontraria cartas de admiração, cheias de amor e respeito por Yennekar.
Cartas de sua família, de seus amigos da cidade natal, de ex-alunos e de professores da academia.
Cada palavra escrita transbordava gratidão e carinho genuínos.
E, de alguma forma, Yennekar guardou cada uma dessas cartas.
Mas imagine isso.
Yennekar sentada naquela mesa, com os olhos fechados.
Sua mesa era espaçosa, mas não havia espaço suficiente para abrir sequer um único livro.
As cartas que cobriam sua parede pareciam pesar sobre seus ombros como tijolos.
Ah, mas a solução era tão simples. Todos sabiam disso.
Ela não precisava carregar cada demonstração de carinho e respeito com tanta seriedade.
Era importante saber aliviar o peso, quando ele se tornava insustentável.
Se Yennekar tirasse as mensagens de apoio da parede…
Se colocasse os presentes sinceros em um canto do quarto…
Se jogasse fora as cartas antigas e amareladas, que já não eram mais necessárias…
Se ela fizesse isso…
Mas ela não fez.
Esse fato, por si só, foi o início de sua desgraça.
Essa era a escuridão de Yennekar.
E Velosper se aproveitou dessa escuridão.
Yennekar Palerover se forçava a retribuir ao mundo toda a sinceridade e bondade que havia recebido.
Ela queria ser tão gentil e calorosa quanto as pessoas foram com ela.
Como uma verdadeira heroína de contos de fadas.
Mas essa era uma visão imprudente da vida.
E isso não precisava de nenhuma explicação.
— Hmm…
Só esse conhecimento já era suficiente para entender a razão de o evento final ter acontecido um mês antes do previsto.
O fardo que a puxava para baixo cresceu num ritmo muito mais acelerado do que no jogo.
E se eu parasse para pensar na causa disso…
Tudo remontava à Prática de Combate Conjunta.
O aluno que deveria ter recebido mais atenção naquela aula era Taylee, não Yennekar.
Esse episódio era onde ambos deveriam se tornar as figuras de maior destaque do colégio.
Taylee, por derrotar Lucy em seu duelo.
E Yennekar, por ser a única estudante do segundo ano a vencer sua batalha.
Porém, como Lucy derrotou Taylee com um único golpe, toda a atenção acabou se voltando para Yennekar.
E, como os alunos do segundo ano estavam furiosos por perderem tantas lutas para os novatos, sua expectativa sobre Yennekar ultrapassou o nível de mera idolatria.
Tornou-se algo quase religioso.
No final das contas, uma variável inesperada no início da história acabou voltando para me assombrar, criando outro evento inesperado no final.
O motivo pelo qual toda a atenção se voltou para Yennekar foi porque Lucy derrotou Taylee com um único golpe.
O motivo pelo qual Lucy foi capaz de derrotar Taylee com um único golpe foi porque ela assinou um contrato com Merilda.
O motivo pelo qual Lucy conseguiu assinar um contrato com Merilda foi porque ela começou a frequentar a floresta do norte mais do que o normal.
O motivo pelo qual Lucy começou a frequentar a floresta do norte mais do que o normal foi porque encontrou um bom lugar para tirar cochilos.
E o motivo pelo qual havia um bom lugar para tirar cochilos era…
Porque havia alguém que foi expulso de sua família no começo do Ato 1 morando lá.
O bater tímido das asas de uma borboleta…
No fim, criou um furacão.
Eu nem poderia reclamar que foi demais.
Mas um suspiro involuntário escapou de meus lábios, porque a peça do quebra-cabeça que faltava acabou sendo diferente do que eu imaginava.
Algo que me incomodava há muito tempo finalmente se esclareceu.
Por que Yennekar foi escolhida como a primeira chefe do jogo?
A mensagem de Silvenia’s Failed Swordmaster não era nada complicada.
Yennekar Palerover era o oposto do protagonista, Taylee McLaure.
Taylee era alguém que se tornava mais forte conforme o tempo passava.
Haveria angústias e dores em seu caminho, mas ele superaria todos os obstáculos.
Ele era esse tipo de protagonista.
Por outro lado, Yennekar viveu uma vida completamente oposta à de Taylee.
Ela nasceu com talento, foi amada por sua família e recebeu os elogios e a sincera admiração de todos.
Ela era a garota que nunca perdia o sorriso.
Mas… foi exatamente isso que fez as coisas terminarem assim.
Eu não sabia dizer se existiam pessoas no mundo real que realmente vivessem como protagonistas de uma história dramática.
Alguém que supera todas as dificuldades e atinge o sucesso de forma espetacular.
As pessoas que vivem como personagens secundários acabam, no final, tendo que aceitar as consequências do fracasso, apesar de terem recebido apoio e amor de todos ao seu redor.
Essas pessoas… são as que chamamos de figurantes.
Yennekar foi escolhida como a chefe do Ato 1 para mostrar o lado sombrio das ações de Taylee.
Ela era a antítese do protagonista, o reflexo do que Taylee poderia ter sido se sua vida tivesse tomado um rumo diferente.
E, como recebeu tanta atenção durante o Ato 1, não era surpresa alguma que ela fosse a chefe desse arco.
Mas… o significado escondido tão profundamente assim…
Era simplesmente doloroso.
Qual era o ponto de esconder elementos do jogo de forma tão obscura assim?
— Oh…
Eu murmurei palavras de admiração de forma involuntária ao ver a cena diante de mim.
Os espíritos não tinham o conceito de morte.
Cortar a cabeça de uma manifestação apenas a libertava, permitindo que ela retornasse ao seu estado fluido, com seu poder significativamente reduzido.
Levaria um tempo tremendo para que se recuperassem completamente.
Até agora, eu não tinha visto um espírito com meus próprios olhos.
Mas agora, olhando ao redor do campo de treinamento, com meus olhos treinados através da Ressonância Espiritual, eu conseguia enxergar os espíritos flutuando por todo o prédio semidestruído.
E, sob a luz do sol que brilhava sobre eles, era uma visão...
Belíssima.
Com o feitiço Berserk dissipado, todos os espíritos começaram a se reunir em torno de Yennekar, um por um, como se quisessem confortá-la.
— O que vai acontecer comigo agora?
— Você será enviada ao Comitê Disciplinar.
— Eu serei... expulsa?
— Quem sabe?
Ela não foi expulsa, pelo que eu sabia, porque seu rosto apareceu brevemente nos créditos finais.
Porém, o que aconteceria com ela a partir de agora...
Era um território completamente desconhecido.
Yennekar era agora uma personagem que havia descido do palco.
Alguém que estava completamente separada do enredo principal.
Uma vilã que não teria mais grande impacto na história.
Simplesmente empurrada para o lado.
E o motivo pelo qual isso parecia tão familiar...
Era porque essa não era apenas a história de outra pessoa.
— O fato de que você foi uma vítima possuída por Velosper será levado em consideração até certo ponto.
— Sério?
— Mas seus crimes não serão completamente apagados. O reitor McDowell é o chefe da academia, e ele tende a ser pró-alunos, então ele não expulsaria tão facilmente a melhor aluna do segundo ano da Seção de Magia.
Os segundos anos ficariam perdidos sem Yennekar.
Então, todos os professores responsáveis por eles fariam o possível para garantir que ela não fosse expulsa.
Além disso, ela tinha uma boa reputação e um comportamento exemplar.
Ela também contribuiu muito para a academia, então os alunos ficariam do seu lado.
Provavelmente até fariam um abaixo-assinado por ela, se necessário…
Se ela tivesse sorte, talvez recebesse apenas uma suspensão ou um período de condicional.
Mas para ser honesto, ela já era bastante sortuda por ter escapado da pior punição.
— Ei, Ed. Posso dizer algo meio embaraçoso?
— O quê?
— Quando a força de subjugação chegou... eu pensei em algo.
Acima de nós, de repente, a barreira começou a se romper, sob o céu claro do amanhecer.
Ela brilhava enquanto o sol nascia no leste.
Era uma visão deslumbrante.
— Eu imaginei que alguém com um poder esmagador apareceria e resolveria tudo... e que ele fugiria comigo, segurando minha mão.
— Não teria sido ótimo se houvesse alguém capaz de lidar com tudo isso? Para que eu não precisasse me preocupar com nada?
— E então ele me diria gentilmente que tudo ficaria bem...
— Isso realmente aconteceria?
— Você está certo…
— Isso é algo que só acontece em contos de fadas.
Yennekar soltou uma pequena risada.
E então, com um grande sorriso no rosto, ela assentiu.
Como se estivesse aceitando a realidade.
As palavras de Merilda vieram à minha mente.
Era um espírito que realmente se importava com Yennekar e a amava.
Eu não tinha prestado atenção naquela mensagem antes, mas agora que pensava nisso, algo parecia estranho.
O fato de que Yennekar seria possuída por Velosper e destruiria o distrito acadêmico...
Era um conhecimento sobre o futuro que apenas eu deveria saber.
E mesmo assim…
Merilda pediu para que eu salvasse Yennekar.
Como se já soubesse o que iria acontecer.
Mas isso…
Isso não poderia ser possível.
Pedir para alguém que sabia sobre o futuro salvar Yennekar…
Era como pedir que tomassem conta do fardo que ela estava prestes a carregar.
Mas essa não deveria ter sido a intenção de Merilda.
Em outras palavras, minha vantagem de conhecer o futuro acabou me dando um papel nessa história…
Mas, talvez, Merilda já tivesse notado o peso no coração de Yennekar naquela época.
E como dar encorajamento, conselhos e demonstrar preocupação eram atos venenosos para ela…
Quanto mais sincero alguém era com Yennekar, mais pesado esse sentimento se tornava para ela.
O que ela precisava…
Não era algo grandioso, mas algo leve, sem ser frio.
Como uma leve garoa de encorajamento.
Palavras mais preciosas do que ouro.
Todos que amavam Yennekar deram a ela o seu coração inteiro.
Merilda deve ter chegado à conclusão de que um garoto que tentou afastá-la era mais adequado para oferecer palavras de conforto.
Ela queria que Yennekar tivesse alguém para se apoiar emocionalmente.
Alguém que não a pressionasse com um coração pesado.
— Ei, Yennekar.
E foi por isso que eu a chamei e disse…
— Você fez um bom trabalho.
Seria essa única frase suficiente para oferecer o suporte emocional que ela precisava?
Yennekar forçou um sorriso…
E silenciosamente enterrou o rosto entre os joelhos.
No final…
Yennekar Palerover falhou.
Ela tentou assinar um contrato com um novo espírito de alto escalão.
Mas porque precipitadamente apressou a cerimônia de invocação, acabou sendo possuída por um espírito das trevas e destruiu o distrito acadêmico.
Foi uma falha enorme.
Algo difícil de simplesmente ignorar.
Mas seu processo e seu objetivo…
Desde o início, foram sinceros.
Estudando até tarde da noite…
Treinando seu poder mágico…
Sorrindo para sua família, seus colegas e seus professores, que genuinamente acreditavam nela…
Ela se esforçou tanto para corresponder às expectativas de todos.
E porque o processo foi belo, ironicamente, o fracasso também foi.
Eu não sabia se esse pensamento era realmente reconfortante…
Mas era a única coisa que eu poderia oferecer.
Os espíritos começaram a se reunir ao redor de Yennekar, como se quisessem consolá-la.
Eles pareciam querer dizer que ela havia se esforçado o suficiente.
Yennekar, que normalmente sorria radiante e abraçava os espíritos…
Hoje, seus ombros apenas tremiam em silêncio, sem dar nenhuma resposta.
O sol começou a se pôr.
E assim, o palco se moveu para o próximo ato.
Os alunos aclamavam e aplaudiam a força de subjugação, que retornava vitoriosa para a Praça dos Estudantes.
Os orgulhosos protagonistas subiam ao palco, recebendo uma chuva de elogios e aclamação.
Por outro lado…
Nos bastidores escuros e silenciosos…
A vilã do Ato 1 deixava o palco sem alarde.
No meio dos espíritos, essa garota, que experimentou sua primeira grande falha na vida, ficou ali, soluçando silenciosamente.
Eu não a consolei nem a incentivei com todo o meu coração.
Esse era o verdadeiro jeito de ajudá-la.
Ato 1. O primeiro arco do jogo que eu repeti incontáveis vezes.
Agora, pela primeira vez, senti que essa parte da história havia realmente chegado ao fim.
[Habilidades Mágicas]
Grau: Mago Comum
Especialização: Elementos
Magia Comum:
- Lançamento Rápido Nível 5
- Percepção de Mana Nível 6
Magia de Fogo:
- Ignição Nível 12
Magia de Vento:
- Lâmina de Vento Nível 11
Magia Espiritual:
- Ressonância Espiritual Nível 10
- Compreensão Espiritual Nível 10
〔 Novos Espaços para Contratos Espirituais 〕
- 〈 Espaço de Espírito: Vazio 〉
- 〈 Espaço de Espírito: Vazio 〉
〔 Espíritos Interessados 〕
《 O espírito de fogo de baixo escalão, Elgo, demonstrou interesse em você. 》
《 O espírito de vento de baixo escalão, Dries, demonstrou interesse em você. 》
《 O espírito de vento de alto escalão, Merilda, demonstrou um grande interesse em você. 》
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