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Capítulo 22: Expedição de Subjugação de Glasskan (2)
Um incidente inesperado aconteceu depois de duas noites.
Meus dias seguiam a mesma rotina de sempre. Eu ia ao distrito acadêmico pela manhã e voltava para o meu acampamento ao final do dia.
Normalmente, eu já teria deixado o distrito acadêmico por volta do horário do jantar, mas, de alguma forma, acabei ficando até mais tarde hoje.
Eu havia estabelecido o objetivo de criar um ambiente de vida mais seguro para mim. Para isso, construiria uma cabana de madeira adequada.
A biblioteca era um excelente recurso para aprender o design básico de uma cabana, além de fornecer informações sobre os materiais necessários e como cortar as árvores corretamente.
Agora que não precisava mais me preocupar com comida e não havia nenhuma tarefa urgente que exigisse minha atenção imediata, como trabalhos acadêmicos que só precisariam ser feitos no fim de semana, achei que seria uma boa ideia ficar mais tempo no distrito acadêmico hoje.
Nada de bom jamais saía da preguiça depois de já ter tomado uma decisão. Eu deveria aproveitar esse tempo para coletar informações para a construção da minha cabana.
Como eu estava acostumado a viver planejando cada hora do meu dia, fazia sentido resolver tudo de uma vez enquanto ainda estava na biblioteca. Afinal, a floresta ao norte e a biblioteca ficavam longe uma da outra, e ir e voltar com frequência não era nada eficiente.
Além disso, a biblioteca impunha um limite ao número de livros que um estudante podia pegar emprestado, e eu já havia atingido esse limite com meus estudos acadêmicos. Sendo assim, já que eu estava ali de qualquer forma, o melhor era aproveitar e absorver o máximo de leitura possível.
Foi enquanto eu estava profundamente imerso na leitura, cercado por uma pilha de livros, que ouvi uma voz.
— Já está na hora de fechar. Você tem estudado bastante.
Outra estudante se aproximou de mim. Sua aparência era modesta e ela transmitia uma impressão acolhedora.
Olhei ao redor e percebi que eu era o único estudante restante na biblioteca. O tempo parecia ter passado rápido enquanto eu estava focado na pesquisa.
Eu nem sequer tinha jantado ainda, mas agora já era hora do fechamento.
Quando olhei para a estudante que veio falar comigo, notei um broche azul preso ao seu uniforme. Isso indicava que ela era uma caloura do primeiro ano, então eu podia falar com ela de maneira mais casual.
— Ah, desculpe.
Lá fora, o céu já estava escuro.
Observei a pilha de livros ao meu lado, empilhados como uma montanha. O bibliotecário certamente teria trabalho para organizá-los antes de fechar a biblioteca.
— Se eu soubesse antes, teria arrumado tudo com antecedência.
— Não tem problema. Você estava tão concentrado que, na verdade, me senti mal por atrapalhar.
Ela tinha cabelos encaracolados de um tom rosa claro.
Eu não conseguia lembrar dela direito... mas havia essa estranha sensação de que já a tinha visto antes.
Ah, ela era uma aprendiz de bibliotecária na biblioteca estudantil de Silvenia.
Qual era o nome dela mesmo? Moka? Elka? Delka? O que era…? Pelo menos, eu tinha certeza de que ela não era uma personagem principal da história.
— Mesmo sabendo que eu deveria estudar, tudo o que faço é ficar sentada comendo petiscos e ganhando peso... Ah, meu Deus! Falei demais, não foi?! O que eu estou dizendo?!
Respondi de maneira indiferente enquanto fechava o livro. Meu plano era terminar a base da cabana até o fim do dia, mas agora isso parecia improvável.
— Mesmo assim, ver um veterano como você me motiva a estudar mais. Você não vem aqui com frequência, mas sempre que aparece, está tão focado e imerso na leitura que não posso deixar de respeitá-lo por isso.
Ela sorriu.
— Meu nome é Elka Islan.
Pelo jeito, ela já queria falar comigo fazia um tempo, considerando como a conversa fluiu naturalmente para uma apresentação.
— Ed.
— ......
Essa reação de congelamento sempre que ouviam meu nome já tinha se tornado algo tão comum que, para ser honesto, estava começando a ficar entediante.
Já fazia um tempo desde o exame de admissão, mas os rumores sobre Ed Rothstaylor nunca paravam. Tentei me manter o mais discreto possível, focando nos meus próprios assuntos, estudando em silêncio e fazendo apenas o que era necessário. No entanto, minha reputação não parecia ter melhorado nem um pouco.
"O quão arrogante e odiável esse cara era, afinal?"
Digo, em primeiro lugar, rumores nunca pareciam seguir um fluxo positivo, mas no sentido negativo… sempre corriam suavemente como óleo.
Eu não era ingênuo o suficiente para me ofender com cada boato que surgia, mas não conseguia evitar de suspirar toda vez que recebia uma reação como essa.
— Isso… pode ser um pouco rude, mas…
De qualquer forma, se eu continuasse vivendo discretamente, apenas fazendo o que precisava, estudando diligentemente todos os dias e me esforçando para sobreviver, chegaria um momento em que a percepção das pessoas sobre mim poderia mudar completamente.
— Você é bem diferente dos rumores.
— Os rumores?
— Não, uhm… espero que não ache estranho, mas…
Era bem grosseiro da parte dela trazer esse assunto à tona. Eu deveria simplesmente ir embora e voltar para o acampamento. Já estava bem tarde.
Mas ela continuou falando.
— Eu costumo passar meu tempo aqui na biblioteca depois da escola, já que sou uma aprendiz de bibliotecária. E a cada poucos dias, você pega livros de Estudos Elementais, certo?
— ......
— Você lê e devolve dezenas de livros com centenas de páginas em poucos dias… e lê cinco ou seis de uma vez só… Ver isso me faz pensar que aqueles boatos sobre você ser arrogante e ignorante podem ser mentira… A-Ah! D-Desculpe se te ofendi!
De repente, ela hesitou, pegou os livros às pressas e começou a guardá-los.
— D-De qualquer forma, eu preciso arrumar isso rápido e voltar para o dormitório. Tenha um bom caminho de volta!
Ela falou apressadamente e saiu correndo… direto contra uma estante de livros.
Então, do nada, as estantes começaram a cair como peças de dominó.
Viver fora da história principal podia ser bastante cansativo.
Eu não tinha escolha senão aceitar as situações imprevisíveis que surgiam constantemente.
— Uugh!
Puxei a bibliotecária, que estava presa sob as estantes caídas, e a coloquei sobre uma mesa.
Já fazia quinze minutos desde que um estrondo ensurdecedor ecoou por todo o distrito acadêmico, acompanhado de um tremor violento que atingiu a biblioteca estudantil.
Os efeitos foram tão grandes quanto os de um terremoto. As estantes tombaram, espalhando livros pelo chão. Materiais de leitura e até consumíveis estavam por toda parte, transformando o ambiente em um completo caos.
Até mesmo ferramentas mágicas caras estavam destruídas em pedaços. O orbe de cristal, que servia como fonte de luz, assim como todas as velas, haviam se apagado, deixando a biblioteca completamente escura.
— Ei!
— Egh
Ela parecia ter desmaiado, soltando apenas alguns murmúrios confusos.
Parei para pensar por um momento. Eu não conseguia me lembrar dela claramente, mas havia essa sensação estranha de que já a tinha visto antes.
Considerando que joguei esse jogo várias vezes, se eu não conseguia lembrar dela, então provavelmente ela não era ninguém importante.
Já devia passar das nove da noite, e não havia mais nenhuma fonte de luz dentro da biblioteca.
No entanto, notei um brilho suave e arroxeado vindo de dentro da sala de leitura. Meus olhos ainda não estavam completamente ajustados à escuridão, mas eu conseguia ver o suficiente para perceber isso.
Depois de olhar mais atentamente, fiquei surpreso ao perceber que a luz vinha de fora da janela.
Fui até ela e a abri. A biblioteca estudantil ficava em uma pequena colina na periferia do distrito acadêmico, o que me permitia ter uma visão ampla da região.
Um pilar de luz avermelhado emergia do Centro Estudantil. Ele se estendia pelo céu acima do distrito acadêmico, ativando um selo de barreira espacial que envolvia toda a área.
O terremoto certamente havia sido consequência do lançamento de uma magia de selamento espacial em grande escala. E o fato de sua origem ser o Centro Estudantil deixava tudo claro.
— Hmm… Isso não está um pouco adiantado…?
De qualquer forma, não havia motivo para entrar em pânico.
Mesmo tendo que enfrentar incontáveis dificuldades por estar no corpo patético de Ed Rothstaylor, ao menos eu tinha uma grande vantagem:
Eu sabia informações que mais ninguém sabia.
— Hmm…
Cocei o queixo enquanto pensava sobre a situação.
Não sabia se isso era algo com que eu deveria me preocupar, mas havia algumas coisas que ainda não entendia completamente.
A primeira delas era a magia de selamento espacial ativada pelo espírito das trevas de alto escalão, Velosper, através de Yennekar. Velosper usou a magia sombria de alto escalão Cortina Sombria para bloquear completamente o distrito acadêmico do mundo exterior.
Era uma barreira impressionante, mas, no fim das contas, não passava de um artifício narrativo para preparar o palco.
Essa era a Expedição de Subjugação de Glasskan, o episódio que marcava o final do Ato 1, reunindo todos os alunos prodígios do primeiro ano para formarem um esquadrão de subjugação e atacarem o Centro Estudantil.
Mas se você usasse o mínimo de bom senso, perceberia que isso não deveria ser possível.
Glasskan era o mais infame espírito das trevas de alto escalão entre os elementais. Esse não era um problema que meros alunos deveriam resolver. Se o Centro Estudantil tivesse sido tomado, o corpo docente e os professores deveriam ser os primeiros a intervir.
Era por isso que isso não fazia sentido algum.
Para criar um episódio onde Taylee pudesse manifestar a Técnica do Mestre Espadachim, os desenvolvedores tornaram necessário impedir qualquer intervenção dos professores.
Por isso Velosper usou a magia de selamento espacial.
A barreira trancava tudo por dentro, tornando fácil perceber que o espaço estava lacrado… mas dificultando a percepção disso para aqueles do lado de fora.
E mesmo que alguém do lado de fora notasse a barreira, levaria quase meio dia para destruí-la utilizando métodos convencionais de magia das trevas. A única forma de rompê-la rapidamente seria com força bruta avassaladora.
Mas usar um método tão simples parecia impossível.
Ou talvez não tanto… considerando que esta era Silvenia, havia algumas poucas pessoas capazes de tal feito. O próprio Diretor Obel, por exemplo, poderia destruir toda a barreira sem nem precisar analisá-la primeiro.
Porém, Velosper era astuto.
Esse evento acontecia tarde da noite, quando a maioria dos professores já havia retornado aos seus laboratórios particulares ou residências.
Agora já passava das nove da noite, o que significava que poucos professores ainda estariam no distrito acadêmico. A maioria dos laboratórios ficava perto dos dormitórios dos professores, por questão de conveniência.
No fim das contas, o desfecho do Ato 1 era uma batalha contra o tempo.
O objetivo era derrotar Yennekar antes que ela conseguisse invocar Glasskan, o espírito das trevas de rank supremo, antes do amanhecer.
Mesmo que, eventualmente, a barreira fosse destruída de qualquer jeito, ela ainda atrasaria tempo suficiente para que o ritual de invocação fosse concluído.
Inclinei a cabeça para fora da janela. Ainda não parecia que os espíritos de Yennekar estavam dominando as ruas.
— Acho que ainda não entramos na primeira fase.
O fluxo dessa batalha de chefe seguia o seguinte padrão:
- Reunindo a Força de Subjugação
- Operação Retomar o Centro Estudantil
- A Batalha no Corredor do Salão Nail
- Fase Final
- Subjugação de Glasskan
Isso começaria agora e terminaria antes do amanhecer.
Simplificando, seria extremamente difícil.
Eu só podia rezar por Taylee.
Lembro-me de correr feito um louco durante a Fase 1. Eu me sentia um idiota atravessando todo o distrito acadêmico, tentando reunir todos os prodígios do primeiro ano num só lugar, enquanto subjugava os espíritos espalhados pelas ruas.
— Ele já deve ter encontrado Ayla.
Eu tinha certeza de que Taylee já teria percebido a situação.
Sua amiga de infância, Ayla, era bem versada em Estudos Espirituais. Com toda aquela energia espiritual se acumulando no Centro Estudantil, ela já deveria ter explicado a Taylee o que estava acontecendo.
Os alunos precisavam começar a trabalhar juntos agora para derrotar aquele monstro de espírito das trevas, Velosper.
Pois no momento em que Glasskan fosse invocado, os danos ao distrito acadêmico seriam incalculáveis.
Por isso, reunir todos os possíveis aliados na Praça dos Estudantes era crucial.
O suave tom arroxeado que eu via do lado de fora começou a se transformar em um vermelho sombrio.
O cântico para invocar Glasskan já havia começado.
E era óbvio quem estava conduzindo o ritual.
A adorável estudante elementalista, estrela do campus e admirada por todos os alunos do segundo ano.
— Visto daqui, é realmente uma cena e tanto.
Taylee já deveria estar bem ao lado do Centro Estudantil no exato momento em que a barreira foi lançada.
O fluxo de mana da barreira explodiu, criando uma cortina avermelhada que cobria o céu sem estrelas.
Ela era grande o suficiente para englobar todo o distrito acadêmico.
Apenas ao olhar para essa barreira, qualquer um poderia perceber que um evento de grande escala havia começado.
Seja Glasskan ou qualquer outra coisa, eu tinha certeza de que Taylee descobriria e resolveria isso.
Mesmo que eu apenas ficasse sentado aqui lendo meus livros, essa situação acabaria se resolvendo sozinha.
Não havia nenhuma razão para eu sair e me meter nisso.
Seria muito mais vantajoso gastar minha energia e esforço construindo minha cabana.
Me envolver desnecessariamente só me faria sofrer ou, pior, sair ferido.
Além disso, não queria estar onde todos os personagens importantes da história estavam reunidos agora.
Minha maior vantagem era conhecer o futuro e ter informações privilegiadas.
Me jogar nessa confusão, criando uma variável desconhecida, seria o mesmo que estupidamente abrir mão das minhas melhores armas.
'Espere...'
No entanto, um pensamento repentino me ocorreu.
'Não é agora que aquilo acontece?'
Sentado sobre uma das mesas da biblioteca, observei a imponente barreira mágica.
Me lembrei de algo que li há muito tempo em um guia de estratégia.
“Se pretende investir em Alquimia ou Habilidades Espirituais no futuro, será benéfico melhorar sua Compreensão Espiritual e sua Ressonância Espiritual durante esta fase.”
— É isso!
A fase final do Ato 1 era o momento em que dezenas de espíritos que tinham contrato com Yennekar se manifestavam e apareciam no campo de batalha. Além disso, também haveria um grande número de Espíritos Fluídos.
Era uma oportunidade de ouro para aprimorar duas das habilidades mais tediosas de se treinar de uma vez só: Compreensão Espiritual e Ressonância Espiritual.
A proeficiência em habilidades espirituais só podia ser aumentada através do contato direto com um espírito. Seja por meio de comunicação ou interação, era necessário algum tipo de troca com o espírito para aprimorar essas habilidades.
O combate era uma das melhores formas de aumentar essa proeficiência.
O problema era que pessoas comuns nem sequer conseguiam ver espíritos. A menos que tivessem a sorte de nascer com uma quantidade absurda de Ressonância Espiritual, como Yennekar.
A única maneira de uma pessoa comum entrar em contato com um espírito era através de espíritos manifestados por um Elementalista.
Esse requisito exclusivo criava uma barreira natural para quem queria treinar suas habilidades espirituais.
Mas a chance perfeita para superar essa barreira estava bem diante de mim, na fase final do Ato 1.
Yennekar era uma Elementalista que manifestava vários espíritos durante essa fase, o que significava que eu poderia acumular uma enorme quantidade de experiência de combate ao derrotá-los.
Ficar sentado esperando enquanto um evento tão generoso quanto um baú de ouro estava derramando pontos de experiência logo ali na esquina…?
Seria ridículo.
Além disso, essa era uma batalha real.
A quantidade de experiência que eu ganharia aqui seria muito maior do que qualquer coisa obtida em simulações de combate nas aulas da academia.
Meu foco principal agora deveria ser derrotar o máximo de espíritos possível e me fortalecer.
— Não deveria estar perdendo tempo aqui.
Saltei rapidamente da mesa e abri a porta, pronto para sair… quando meus olhos caíram sobre a aprendiz de bibliotecária, ainda desacordada sobre a mesa.
— Hmmm...
Não achei que haveria perigo dentro da biblioteca… mas, só para garantir, peguei um pedaço de pergaminho e uma pena que estavam espalhados pelo chão.
"Não entre em pânico quando acordar. Fique aqui. Tudo deve acabar antes do amanhecer, então mantenha a calma e bloqueie a entrada. Não provoque os espíritos. Pense sempre na sua segurança em primeiro lugar e evite se mover precipitadamente."
Hmm… só deixar um bilhete não parecia suficiente.
Era improvável que um espírito errante invadisse a sala de leitura e atacasse uma garota dormindo, mas essa possibilidade existia.
Se ela acabasse se machucando desnecessariamente… ou pior, se sua vida fosse arruinada por causa disso… eu não conseguiria lidar com a culpa.
Peguei um quadro-negro caído em um canto e uma giz jogado ao lado.
Escrevi a mesma mensagem, só que em letras grandes, caso ela não visse o bilhete.
Antes de sair, cobri todas as janelas, diminuindo o risco de os espíritos enxergarem lá dentro.
Também peguei uma cortina opaca jogada por ali e cobri a entrada, que parecia muito exposta. Isso ajudaria a esconder a biblioteca e garantir uma possível rota de fuga para ela, caso fosse necessário.
Com tudo coberto, o interior ficou um pouco mais escuro, mas como escrevi a mensagem no quadro, ela ainda conseguiria lê-la.
Agora sim, estava tudo certo.
Corri rapidamente pelo corredor.
O evento para ganhar toneladas de experiência começaria a qualquer momento. Eu precisava me apressar.
Eu conseguiria lidar facilmente com Espíritos Fluídos e até mesmo com Vestígios Elementais.
Se realmente me esforçasse, provavelmente conseguiria até derrotar um espírito de baixo escalão.
Se eu fosse o jogador, minha prioridade seria encontrar uma maneira de derrotar aquele monstro de espírito das trevas, Velosper.
Mas felizmente, havia alguém que poderia assumir essa responsabilidade por mim.
Taylee.
Ele que desse um jeito nisso.
Provavelmente seria muito trabalho para ele...
Bem… boa sorte para ele!
◇ ◇ ◇
'Não importa o fardo que eu carregue, ele nunca deve ser mais pesado do que aquele que a princesa carrega'
'Embora seja necessário prestar atenção à política e aos problemas sociais, por que não tenta relaxar um pouco? Este não é um lugar onde a família real precisa estabelecer autoridade sobre tudo… é apenas a Academia Silvenia.'
As palavras de Ed Rothstaylor surgiram repentinamente em sua mente.
Ela conseguia enxergar facilmente o coração dos outros, mas raramente alguém olhava para o dela.
Talvez fosse por isso que essas palavras não saíam de sua cabeça.
Frases cruas e diretas, ditas sem emoção alguma, lançadas indiferentemente para a princesa.
Ela sentia que ainda tinha um longo caminho a percorrer…
Mas, mais uma vez, se recompôs e voltou sua atenção à realidade.
— Esta é a situação agora.
Uma aluna do primeiro ano chamada Ayla resumiu a situação para o grupo.
O ponto de encontro temporário era a Praça dos Estudantes, às 11:30 da noite.
Ou seja, quase duas horas haviam se passado desde o início do desastre.
A praça estava lotada de alunos presos pela barreira de Velosper.
Eles recolheram diversos entulhos espalhados e construíram uma barricada ao redor da fonte central, bloqueando as entradas norte, sul, leste e oeste.
Apesar de crua e improvisada, a barricada fornecia alguma proteção e impedia que os espíritos dispersos entrassem.
— Não há como essa barreira durar tanto tempo. Logo será descoberta e a ajuda virá de fora. Assim que perceberem, os professores certamente virão ajudar.
O grupo assentiu diante das palavras de Ayla.
Entre os alunos, foi decidido que a Princesa Penia assumiria o comando da base temporária.
Em momentos de crise como esse, o mais importante era ter uma figura capaz de manter a ordem e controlar a situação.
Uma pessoa com autoridade e influência legítima para acalmar o caos.
E ninguém naquela situação sequer questionaria a autoridade de Princesa Penia.
No total, 57 estudantes estavam reunidos na Praça dos Estudantes.
Isso era resultado do esforço de Taylee McLaure, calouro do Departamento de Combate.
Ele atravessou as hordas de espíritos que tomaram o distrito acadêmico e agiu como mensageiro, reunindo o máximo de alunos possível em um único local.
Graças a ele, mais da metade dos estudantes remanescentes estavam agora reunidos ali.
No centro do acampamento improvisado, o núcleo do grupo realizava uma reunião emergencial.
Entre eles estavam:
- A Princesa da Benevolência, Penia
- A Filha Dourada, Lortel
- A Lança da Natureza, Ziggs
- A Guarda Real, Claire
- O Espadachim Fracassado, Taylee
- A Companheira Ayla
- Elvira Intrometida
- Clevius Sombrio
Sentados no chão, apoiados contra a barricada ou simplesmente de pé, discutiam as possíveis contramedidas.
No centro da discussão, Penia mantinha sua postura firme.
— Como eu já disse antes, acredito que devemos entrar no Centro Estudantil, mesmo que sejamos apenas nós.
As palavras vieram de Taylee, coberto de ferimentos depois de lutar contra incontáveis espíritos enquanto reunia os estudantes.
De pé, mesmo com o corpo cheio de cortes e hematomas, ele não hesitou em declarar sua posição.
— Não devemos esperar por ajuda externa. Essa barreira foi feita justamente para impedir qualquer suporte de fora. Se Glasskan for invocado, como Ayla mencionou, haverá um número enorme de vítimas.
Vindo de Ayla, que era especialista em magia espiritual, e de Taylee, que havia percorrido todo o distrito acadêmico, essa informação era alarmante.
Aquele feitiço espiritual, que cobria o céu noturno, era um ritual de invocação para o espírito das trevas de rank supremo, Glasskan.
Havia pouquíssimos alunos em Silvenia com uma ressonância espiritual forte o suficiente para invocar um espírito desse nível.
Por eliminação, o responsável só poderia ser a estrela do segundo ano, Yennekar Palerover.
— Princesa Penia, discordo completamente desse plano. A prioridade máxima deve ser a segurança da princesa. Para sermos cautelosos, não podemos permitir que a princesa saia deste acampamento.
A Guarda Real Claire se opôs firmemente, focada exclusivamente na proteção de Penia.
— As pessoas do lado de fora logo perceberão a barreira. Assim que o Posto da Guarda Imperial e os professores agirem, a situação será resolvida rapidamente.
— Uma barreira lançada por um espírito das trevas de alto escalão não pode ser facilmente removida, a menos que seja destruída à força. Para ser sincera, não sei se eles chegarão a tempo. O Diretor Obel pode resolver isso sozinho… mas vocês sabem que ele está sempre fora da academia.
As palavras de Claire foram rapidamente contestadas pela estrela do Departamento de Alquimia, Elvira Intrometida, uma alquimista com uma postura despreocupada e tom meio moleque.
— Hmmm… Eu concordo com Taylee. Acima de tudo, com esse grupo de estudantes tão talentosos reunidos… talvez derrotar Glasskan seja demais, mas vocês realmente acham que não conseguimos pelo menos lidar com Velosper?
Ela sorriu.
— Sério, vocês não têm nenhuma confiança?
Foi então que um dos alunos hesitantes apontou o dedo trêmulo na direção do Centro Estudantil.
— Então… você está sugerindo que a gente atravesse… aquilo ali…?
Seus olhos tremiam de puro pavor.
— E-Eek… N-Não… de jeito nenhum…
Um estudante de olhos fundos e aparência cansada, conhecido como Clevius Sombrio, apontou na direção do Centro Estudantil.
Os Espíritos Fluídos e os espíritos de baixo escalão espalhados pelo distrito acadêmico não eram tão perigosos. Se todos os estudantes permanecessem juntos, a segurança deles seria praticamente garantida.
Mas a situação no Centro Estudantil era completamente diferente.
Lá estava Yennekar Palerover, a verdadeira dona de todos aqueles espíritos.
O número de espíritos de médio escalão na área era duas ou três vezes maior do que o restante do distrito acadêmico, e até uma fera espiritual estava de guarda.
— Vocês querem que a gente atravesse todos aqueles espíritos de médio escalão, derrote-os, entre no prédio e pare Yennekar? Isso… isso é sequer possível?
Ele engoliu em seco.
— E isso nem é tudo! Há também dois espíritos de alto escalão lá dentro! O espírito do fogo, Takan, e o espírito das trevas, Velosper!
O silêncio tomou conta do acampamento.
Todos haviam presenciado a força de um espírito de alto escalão durante a Prática de Combate Conjunto.
Takan, a enorme salamandra de fogo, envolveu o topo do Salão Nail e rugiu ferozmente.
Até mesmo Lortel, que era uma das alunas mais talentosas reconhecidas pelo Professor Glast e designada para a Classe A, foi completamente dominada por ele sem conseguir revidar.
E para piorar ainda mais a situação…
Esse Takan agora estava ainda mais forte por causa da magia Berserk de Velosper, que afligia todos os espíritos na área.
Takan não era exceção a isso.
— Eu não vou me suicidar desse jeito! Eu não vou!
— Por favor, acalme-se, Clevius.
— Me desculpe, Princesa Penia.
Clevius abaixou a cabeça em respeito às palavras da princesa.
No entanto, suas palavras já haviam contaminado o moral dos estudantes.
O pequeno acampamento de 57 alunos ficou tomado pelo medo e pelo desespero.
Naquele momento, qualquer comentário desmotivador poderia fazer toda a moral desmoronar.
— Mesmo sendo a melhor estudante do segundo ano, ela não está forte demais? Já manifestou tantos espíritos… será que ainda tem energia para invocar Glasskan?
Lortel levantou a questão.
Foi Ayla quem respondeu.
— Na verdade, a maior parte do poder vem de Velosper. Yennekar é apenas um meio para expressá-lo. É por isso que todo Elementalista precisa sempre manter a mente clara, para não ser consumido por um espírito das trevas.
A Princesa Penia já sabia dessa explicação.
Os espíritos das trevas eram considerados os inimigos naturais dos Elementalistas.
Possuíam enormes quantidades de poder, mas nunca seguiam a vontade de um Elementalista.
Pelo contrário, dominavam seus invocadores, forçando-os a agir conforme sua própria vontade.
— Mas ninguém sabe como Velosper conseguiu controlar Yennekar, que é mais experiente em Estudos Espirituais do que qualquer outra pessoa. Ela, mais do que ninguém, deveria estar ciente do perigo que os espíritos das trevas representam.
— Isso não importa agora.
A resposta veio de Ziggs, a Lança da Natureza, que estava sentado em um canto.
Sua voz era séria e firme.
Ele tinha cabelos longos que caíam até o pescoço e falava de forma indiferente, mas clara.
— O que importa agora é decidir qual será o nosso próximo passo.
Mais uma vez, o silêncio preencheu o ar.
Os mais de 50 estudantes viraram os olhos para Princesa Penia.
Atrás dela, Claire, sua Guarda Real, observava com um olhar preocupado.
Ela entendia que, para Claire, o mais importante era sua segurança.
Mas ficar sentada esperando ajuda…
Esse não era o jeito da princesa.
— Vamos entrar no Centro Estudantil. Se encontrarmos algo inesperado, recuaremos.
As reações se dividiram.
Claire, Clevius e os alunos mais cautelosos soltaram um suspiro pesado.
Enquanto isso, os alunos mais proativos sorriram de empolgação.
— No entanto, não há necessidade de todos os alunos entrarem. Invadir juntos só aumentaria o número de feridos. O ideal é levar apenas aqueles que conseguem se proteger.
Um estudante comum seria facilmente subjugado por um espírito de médio escalão.
E contra espíritos de alto escalão… nem se fala.
Não havia razão para levar todo mundo.
— Todos aqui, incluindo minha Guarda Real Claire, os melhores alunos de cada turma e departamento, além dos estudantes da Classe A, virão conosco. Suas habilidades já foram testadas.
— Então isso significa que não há razão para a princesa ir?
— Não. Eu também irei.
O rosto de Claire ficou sério como um raio.
Mas Penia apenas balançou a cabeça.
— Seria absurdo dar ordens sem estar na linha de frente.
— Princesa, seu corpo não é apenas sua propriedade. Como membro dos Cavaleiros Reais, não posso permitir isso.
— Não se preocupe, Claire. Não tenho negligenciado meu treinamento mágico. Além disso…
Os olhos da princesa se voltaram para Taylee e Ayla.
— Taylee e Ayla, por favor, nos acompanhem também. Vocês dois percorreram os arredores do Centro Estudantil enquanto procuravam alunos, então já devem ter uma noção da situação interna.
Assim, a equipe de subjugação foi formada.
Infelizmente, nenhum estudante veterano estava presente.
Exceto por Claire, que já era uma adulta, todos os outros eram alunos do primeiro ano.
Mas, mesmo assim… Cada um dos selecionados era um aluno prodígio.
Os primeiranistas daquele ano eram extraordinariamente fortes.
Mesmo que Lucy Preguiçosa não estivesse por perto, nem mesmo os veteranos teriam montado um time melhor do que esse.
— Entraremos em uma hora. Todos, terminem seus preparativos. E preparem seus corações.
Os estudantes assentiram, prontos para a batalha.
— Princesa! Princesa Penia!
Um estudante correu até eles, interrompendo a atmosfera solene.
— Identificamos as pessoas que ainda estão presas no distrito acadêmico!
Um aluno de cabelos castanho-avermelhados atravessou a barricada e parou bem em frente à princesa.
Identificar o número de pessoas presas em uma situação de crise era crucial.
O tempo era essencial.
A quantidade de pessoas presas pela barreira não era tão alta, já que o evento ocorreu quando a maioria dos alunos já estava voltando para seus alojamentos.
Graças a isso, foi possível reunir informações de quem ainda estava no distrito acadêmico.
O estudante encarregado da investigação respirou fundo antes de começar seu relatório.
— Havia alunos de Alquimia no Armazém de Suprimentos Mágicos de Taneth. Eles estavam pesquisando substâncias químicas e decidiram se refugiar lá mesmo. Mas não há necessidade de preocupação, já que são, em sua maioria, estudantes do terceiro ano.
— E além deles?
— Os funcionários responsáveis pelo fechamento dos prédios para a noite, assim como a equipe de manutenção, estão reunidos no Salão Audrey. No entanto, como são funcionários administrativos, não têm meios para lidar com os espíritos.
— Eles precisam de suporte?
— Ouvi dizer que o Professor Kali está lidando com isso. Mas parece improvável que eles consigam se juntar a nós.
Embora a maioria dos professores já tivesse voltado para seus alojamentos, alguns poucos ainda estavam no distrito acadêmico.
No entanto, proteger e organizar todo o corpo administrativo seria difícil.
Além disso, a distância entre o acampamento e o Salão Audrey era grande.
Tentar mobilizar todos aqueles funcionários até a Praça dos Estudantes seria esperar demais.
Mas ao mesmo tempo, eles não podiam ser simplesmente deixados sem proteção.
— Eles também decidiram permanecer no local.
— Sim. Essa é a melhor maneira de minimizar os danos. Não posso tomar uma decisão que coloque em risco a segurança da administração e dos professores.
— Isso significa que somos os únicos capazes de entrar no Centro Estudantil.
A Princesa Penia reafirmou sua decisão.
Eles já estavam próximos do prédio.
Mais do que qualquer outra pessoa, eram eles que poderiam lidar com a situação de forma rápida e eficaz.
— Fora isso, não há mais estudantes presos que precisemos resgatar.
— Tem sim!
Uma voz feminina surgiu da direção da barricada.
Todos os olhos se voltaram imediatamente para a dona da voz.
Era uma garota do primeiro ano, que apertava os punhos ansiosamente contra o peito.
De olhos fechados, ela gritou.
— M-Me desculpem... O clima estava tão sério que… não consegui dizer nada antes.
— Por favor, explique em detalhes.
— Eu sou… uma aprendiz de bibliotecária, encarregada da Biblioteca Estudantil. Meu nome é Tisika... Na verdade, ainda tenho uma amiga presa lá.
Seu rosto se contorceu de aflição.
Parecia estar lutando contra si mesma para confessar.
— Normalmente fechamos a biblioteca juntas, mas hoje havia um estudante na sala de leitura que ficou até o último momento. Minha amiga decidiu esperar e fechar a biblioteca sozinha, então me deixou ir na frente. Eu já estava a caminho de casa quando…
— Então isso significa que há uma aprendiz de bibliotecária e um estudante isolados na sala de leitura… Espere… você disse 'bibliotecária'?
Ziggs, que estava sentado em um canto, levantou-se de imediato.
Ele se aproximou da garota e olhou diretamente em seus olhos antes de perguntar:
— Sua amiga bibliotecária… Qual é o nome dela?
— Elka Islan.
A garota suava enquanto dizia o nome da amiga, evitando o olhar de Ziggs.
Os olhos de Ziggs começaram a tremular assim que confirmou o nome.
— Você disse… Elka…? Tem certeza? Não está enganada?
— Sim… estamos aprendendo a gerenciar livros mágicos como aprendizes de bibliotecária na mesma turma.
O punho cerrado de Ziggs bateu contra a barricada atrás da garota.
Ela se encolheu, assustada, e deu um passo para trás.
A barricada, feita de bancos de madeira e objetos decorativos, desabou com o impacto.
— Droga! Princesa Penia, eu vou procurá-la agora!
— Ziggs?
— Elka é excelente em manusear livros mágicos e em pesquisa, mas ela não tem nenhuma habilidade para se defender. Ela é apenas uma estudiosa. Se a deixarmos sozinha, será atacada pelos espíritos que estão à solta!
Ziggs voltou ao centro do acampamento e se ajoelhou diante da Princesa Penia.
— Preciso ir até a Biblioteca Estudantil agora.
— Ziggs Eiffelstein, você percebe que suas palavras estão carregadas de emoção?
A voz que respondeu não foi da princesa, mas sim de Lortel, a Filha Dourada.
— Se você correr para lá agora, vai demorar demais, mesmo que vá a toda velocidade. Além disso, terá que passar por todos os espíritos no caminho. Quem sabe quanto tempo isso levaria?
Seu tom era calmo e assertivo.
Um plano realista.
Educada e polida ao falar com superiores, mas impiedosa com aqueles que considerava iguais ou inferiores.
Esse era o jeito de Lortel, moldado pela fria e dura realidade da Companhia Elte.
— Precisamos nos concentrar em impedir Yennekar agora. Ela é a verdadeira responsável por tudo isso.
Seus olhos penetrantes fixaram-se em Ziggs.
— Eu sei que você tem algum tipo de apego por Elka, Ziggs. Mas o que precisamos agora é encontrar a melhor solução para o problema.
Elka Islan.
Para Ziggs, a Lança da Natureza, ela era aquela que o salvou quando ele estava à beira do abismo.
Elka o apoiou e aceitou, mesmo sabendo de sua origem entre os nômades do norte, um povo marcado por batalhas e sangue.
Ziggs acreditava que nunca mais poderia levar uma vida normal, mas foi Elka quem lhe mostrou o calor humano.
Ele se lembrava de ver o sorriso dela entre os espaços dos grossos livros mágicos da sala de leitura.
Foi graças a ela que Ziggs conseguiu abandonar sua vida como um monstro sedento por sangue.
Para Ziggs, perder o sorriso daquela que lhe deu uma segunda chance na vida era mais assustador do que perder a própria vida.
— Hmm...
Mas ao mesmo tempo, as palavras de Lortel eram irresistivelmente convincentes, racionais e realistas.
Mesmo sendo uma comerciante astuta e gananciosa, as palavras de Lortel sempre tinham fundamento.
Porque esse era o tipo de pessoa que ela era.
— Acalme-se, Ziggs. Você não costuma ser tão impulsivo. E Lortel tem razão.
Ziggs sempre foi o aluno mais sensato entre os três indicados para a Classe A.
Lucy era uma excêntrica, enquanto Lortel sempre parecia ocultar segundas intenções e não era confiável.
Mas Ziggs era racional, justo, alguém com senso comum e boa comunicação.
Seu jeito calmo e confiável fez com que ele ganhasse até um bordão entre os alunos:
“Em Ziggs, nós confiamos.”
Mas o Ziggs de agora era completamente diferente.
Mesmo sem os Olhos Perspicazes da Princesa Penia, qualquer um podia perceber o quão importante Elka era para ele.
— Tisika disse que ainda havia outro estudante com ela na biblioteca. Por que não tenta confiar nesse estudante?
— Isso… uhm…
Diante deles, o Centro Estudantil, o epicentro do problema.
Ignorar isso e correr para a biblioteca seria puro egoísmo.
Ziggs sabia disso.
Por isso, não conseguia rebater as palavras da princesa.
— Tem certeza de que havia outro estudante com ela, Tisika?
— Isso… eu…
Tisika recuou um passo, desviando o olhar, suando frio.
Um sentimento de ansiedade tomou conta da princesa.
— Há algo que está tentando esconder, Tisika?
— Isso… uhm… Eghh…
Sem se importar com o fato de estar diante da princesa, Ziggs chutou a cadeira e se levantou.
Ele atravessou o acampamento rapidamente, parou diante de Tisika e a segurou pela gola.
— Fale agora!
— Uhm... E-Eu... desculpa..!
Tisika caiu de joelhos, lágrimas escorrendo pelo rosto, e confessou.
— Era… Ed Rothstaylor.
O acampamento inteiro mergulhou em um silêncio sombrio ao ouvir aquele nome.
— Ele estava sentado lá até tarde da noite. E eu não queria falar com ele porque ele é irritante. Vocês sabem do que estou falando! Todos sabem que tipo de pessoa Ed Rothstaylor é! Então deixei Elka tomar conta de tudo.
Elka… ela não se importa com boatos. E nem sabia que aquele estudante era Ed Rothstaylor. Então achei que estaria tudo bem…
A culpa esmagadora a fez desmoronar.
Afinal, ela havia sacrificado sua própria amiga para evitar lidar com alguém que desprezava.
— Então Elka me deixou ir mais cedo sem reclamar… Foi isso que aconteceu. Eu… sinto muito...
O último fio de paciência de Ziggs se rompeu.
Ed Rothstaylor.
Ziggs estava presente no exame de admissão quando Ed causou um escândalo.
Ele havia visto com os próprios olhos o quão desprezível Ed era.
'Me soltem! Vocês sabem quem eu sou? Eu sou Ed Rothstaylor, o segundo filho da família Rothstaylor! Tirem essas mãos imundas de mim, seus porcos! Onde pensam que estão me tocando?'
'Acha que eu perderia meu tempo só para prejudicar um fracassado inútil como Taylee? Me soltem! Esses plebeus sujos e ignorantes! Vocês sabem com quem estão falando?'
'Taylee? Ha… Um fracassado de baixo escalão que só sabe falar.'
Luxo e prazer.
Orgulhoso e preguiçoso.
E, acima de tudo, incompetente.
Ed Rothstaylor era um ser patético, repleto de características desprezíveis.
Ele se aproveitava dos outros, descartava seus amigos mais próximos sempre que surgia uma oportunidade melhor, e nunca valorizava a bondade recebida.
Um egoísta no sentido mais puro da palavra.
O murmúrio dos alunos logo começou a se espalhar pelo acampamento.
— Ed? Aquele Ed Rothstaylor? Isso significa que a bibliotecária está em perigo?
— Dizem que ele é nojento e patético. Ouvi tantos rumores…
— A bibliotecária está sozinha… com ele?
— Ah não...
A atmosfera no acampamento havia mudado completamente.
E não para melhor.
Era muito perigoso sair da sala com tantos espíritos enlouquecidos ocupando as ruas, sem falar no próprio prédio.
O fato de que aquele cruel Ed Rothstaylor e Elka estavam presos na mesma situação…
Nada de bom poderia sair disso.
Elka não tinha poder algum em uma situação tão extrema e poderia facilmente ser usada e descartada por Ed Rothstaylor.
Ou pior, ele poderia até colocar um dedo em seu corpo frágil.
Ziggs tinha total confiança de que conhecia o tipo de pessoa que Ed era. Os rumores sobre ele apenas tornavam isso ainda mais evidente.
O simples fato de que o destino de Elka estava nas mãos de uma pessoa como ele fez com que Ziggs perdesse completamente qualquer senso de razão.
— Estou indo para a biblioteca agora.
Sua raiva já havia ultrapassado todos os limites. Agora, ao invés de fervorosa, parecia fria.
Ziggs anunciou sua decisão em uma voz baixa e contida.
E a quem ele notificou foi ninguém menos que a própria Princesa Benevolente Penia, alguém que até mesmo o Diretor Obel respeitava.
As intenções de Ziggs eram claras.
Ele estava rejeitando uma ordem real.
— Você está cruzando a linha, Ziggs Eiffelstein.
A primeira pessoa a intervir foi Claire, a Guarda Real.
Mas Ziggs não se importou.
Com Lucy Preguiçosa ausente, ninguém ali poderia derrotar a Lança da Natureza, Ziggs.
Mesmo Claire, que fazia parte dos Cavaleiros Reais, não poderia garantir quantos golpes conseguiria suportar.
Ele era considerado um dos melhores magos entre os alunos do primeiro ano, ao lado de Lucy Preguiçosa e Lortel, a Filha Dourada, os três reconhecidos pelo Professor Glast apenas por suas habilidades.
E como alguém nascido entre os nômades do norte, ele havia vivido sua vida com sangue humano em suas mãos por mais tempo do que havia amadurecido.
Ele sempre viveu à beira da morte, ninguém poderia se comparar a ele em termos de praticidade.
Se Lucy Preguiçosa era como um tanque ou um lutador com uma magia que não podia ser bloqueada, então a Lança da Natureza, Ziggs, era como um agente especial treinado a vida toda.
Pode haver uma enorme diferença em termos de poder bruto e escala entre os dois, mas dentro do campo de especialidade de Ziggs, ele poderia dominar completamente e demonstrar sua força.
E seu campo de especialidade era o duelo sem interferências externas.
— Eu vou derrubar qualquer um que tentar me impedir de sair.
— Eu não posso deixar você fazer isso.
Lortel, a Filha Dourada, lançou um feitiço. A umidade no ar congelou instantaneamente, criando uma enorme lança de gelo no ar.
Era Ice Spear, a mesma magia intermediária que destruiu o teto do Salão Nail.
Os dois alunos mais fortes do primeiro ano do Departamento de Magia de Silvenia se encararam.
Ziggs e Lortel.
Era uma cena rara para qualquer um presenciar.
Todos ao redor assistiam nervosos, engolindo seco diante da súbita e extrema virada dos acontecimentos.
— Dou crédito a você, Ziggs. Você é a pessoa mais forte entre todos aqui, em termos de poder. Se você deixar a subjugação, então nossas chances de sucesso cairão drasticamente. Por isso, me desculpe, mas você não pode abandonar sua posição como membro da equipe.
— Isso é hilário, Lortel. Você realmente acha que eu vou cooperar se tentar me forçar a isso?
— Você perdeu completamente a cabeça. Sei o quanto você valoriza Elka, mas pelo menos precisa diferenciar sua vida pessoal de sua responsabilidade aqui. Olhe para lá.
Seguindo o olhar de Lortel, todos podiam ver que o círculo de invocação de Glasskan estava gradualmente adquirindo um tom mais escuro de vermelho.
O salão também estava repleto de espíritos.
— E para onde exatamente você pretende ir, deixando isso para trás?
Lortel olhou diretamente nos olhos de Ziggs.
E ela odiava a chama ardente que via neles.
Paixão, sangue quente, espírito, lealdade, vigor, força de vontade.
Lortel odiava o fato de que palavras como essas apareciam em um momento tão crítico.
Os seres humanos precisavam ser calmos e racionais.
Não importava a situação em que estivessem, ou quão desesperadora fosse, era preciso tomar a decisão correta sem ser enganado por emoções equivocadas.
Esse era o tipo de pessoa que realmente era confiável.
Não importava quantas habilidades mágicas alguém dominasse ou quão forte fosse.
Se o coração de uma pessoa não fosse forte o suficiente, então ela não poderia ser confiável.
Esse foi o primeiro grande princípio que Lortel aprendeu sobre ética nos negócios.
— Eu não conseguiria vencer você em um duelo um contra um, Ziggs. Mas se eu der tudo de mim, você também não sairá ileso.
— Ha…
Ziggs era superior a Lortel em um duelo. Mas isso não significava que Lortel fosse uma oponente fácil.
Eles poderiam trocar golpes de igual para igual no início, mas, com o tempo, alguém acabaria gravemente ferido.
Havia muita pressão apenas para que Ziggs passasse por todos os espíritos e seguisse para a biblioteca.
E, ainda assim, Ziggs balançou a cabeça.
— Se essa é sua opinião, então eu também não tenho intenção de desistir.
A atmosfera entre os dois mudou para aquela que precedia um grande confronto.
Era uma tensão intensa, onde, se alguém desse um único passo à frente, a batalha começaria…
— O que vocês dois estão fazendo?! O que aconteceria se começássemos a brigar entre nós?!
A voz da Princesa Penia ecoou pelo acampamento, carregada de exasperação.
Ela havia chegado ao seu limite.
— Mas Princesa Penia! Agora mesmo… aquele Ed Rothstaylor…
Ziggs tentou responder.
Mas suas palavras, que antes eram repletas de fúria, tornaram-se hesitantes no final.
Com uma expressão de completo desespero, Ziggs falou entre lágrimas.
Ele já não era mais a confiável Lança da Natureza.
— Se algo acontecer com Elka… eu realmente… não saberei mais como viver.
Seu tom mudou.
De raiva, para tristeza.
Agora era apenas desespero.
A Princesa Penia não esperava essa reação.
Se fosse um Ziggs furioso, ela o repreenderia imediatamente e tomaria controle da situação.
Mas este Ziggs não era o mesmo.
Ele havia desmoronado completamente.
Era algo tão claro para ela, graças aos Olhos Perspicazes que possuía.
O coração dele clamava mais desesperadamente do que o de um homem à beira da morte.
Para Ziggs, Elka era como uma família.
— M-Mas…
A voz da princesa fraquejou.
Mesmo com a boca aberta, nenhuma palavra saía.
— Aquele cara. Ed Rothstaylor. Princesa Penia, você também sabe como ele é…!
Princesa Penia, você também sabe como ele é.
Ela não pôde afirmar isso.
Porque, na verdade, ela não sabia nada sobre ele.
Seus pensamentos sobre Ed Rothstaylor eram confusos.
Até mesmo os fatos mais óbvios sobre ele haviam se tornado um mistério nebuloso.
Ela conseguia ver claramente o interior das pessoas quando os olhava.
E, ainda assim, não conseguia sequer compreender o contorno de Ed Rothstaylor.
Qual era a situação atual?
Eles estavam em uma crise extrema, onde nada era garantido.
Um cenário onde cada minuto, não, cada segundo, era valioso.
O círculo de invocação de Glasskan estava se tornando cada vez mais sombrio.
A segurança dos alunos não era mais garantida.
Agora, todos estavam esperando por uma decisão.
E essa decisão recaiu sobre ela.
O peso de seu título a acompanharia pelo resto da vida.
Mas neste momento, também significava que todos ali estavam dispostos a seguir sua palavra.
A realização desse fardo deixou-a tonta.
Ela sentiu como se estivesse encurralada.
— E-E mesmo assim…
Todos os olhos do acampamento estavam nela.
Era uma situação crítica, onde a responsabilidade estava inteiramente sobre seus ombros.
Um erro de julgamento poderia custar a vida de alguém.
E, diante disso, ninguém ousava falar.
Então, algo voltou à sua mente…
O crepitar de uma fogueira.
A silhueta de um garoto, sentado diante das chamas, mexendo as brasas com um atiçador.
Seus olhos cravados nos dela, sem nenhuma emoção aparente.
E aquelas palavras.
Aquelas palavras que perfuraram seu coração quando ele saiu do campo de treinamento.
A imagem dele rastejando no chão durante o exame de admissão.
A forma como ele a empurrou friamente para perseguir Taylee.
Seus olhos inexpressivos, sempre ocultando seus verdadeiros sentimentos.
A Princesa Penia estava encurralada.
Mas, naquele canto escuro da sua mente, as palavras simplesmente escaparam de seus lábios.
Ela apontou na direção que sexto sentido lhe indicava.
— Mesmo assim… e se, só desta vez… apenas desta vez… nós simplesmente… acreditarmos naquele cara…?
O silêncio tomou conta do ar.
Ninguém disse uma única palavra.
Por um longo tempo, ninguém sequer se moveu.
As expressões em seus rostos eram de absoluto espanto.
Como se o sol tivesse nascido no oeste.
— Por quê…
Ziggs lamentou.
— Por que você tem que dizer algo tão cruel? A Princesa Benevolente que eu conheço… não diria algo tão irresponsável!
Ziggs viu as palavras dela apenas como um desprezo por suas preocupações e sentimentos.
— Eu… estou indo embora.
Ziggs balançou a cabeça e começou a caminhar em direção à saída.
— Onde você pensa que está indo…?!
— Lortel.
De forma inesperada, foi a própria Princesa Penia quem impediu Lortel de persegui-lo.
Mesmo depois de ela mesma ter falado o quão absurdo seria confiar em Ed.
Na verdade, ela mesma não entendia por que tinha dito aquilo.
— Apenas deixe-o ir.
— Princesa.
— No entanto, Ziggs, você terá que arcar com as consequências de sua decisão.
A mente da princesa já estava sobrecarregada com tantas coisas para considerar.
Ela estava no seu limite.
— Eu pagarei por todos os meus pecados quando voltar.
Agora com a permissão concedida, Ziggs curvou-se respeitosamente.
Ele sabia muito bem o quão egoísta era sua decisão.
Mesmo assim, já que ele havia decidido salvar Elka, nem mesmo a Princesa Penia poderia impedi-lo.
Ziggs ergueu a cabeça lentamente e saiu do acampamento com uma expressão sombria.
— Princesa Penia.
Enquanto observava Ziggs se afastar, Lortel chamou a princesa.
Penia virou a cabeça e encontrou Lortel olhando diretamente para ela de maneira curiosamente obediente.
Mas a princesa sabia exatamente o que Lortel estava pensando.
Ela não precisava nem mesmo usar seus Olhos Perspicazes para perceber.
Lortel, excessivamente realista, certamente iria condená-la por sua decisão.
Mesmo que alguém se machucasse ou fosse prejudicado, Lortel diria que a princesa nunca deveria ter deixado Ziggs partir.
Penia fortaleceu seu coração, preparada para ouvir palavras afiadas…
Mas Lortel apenas sorriu.
— Pensando bem, talvez tenha sido necessário respeitar a decisão dele.
— Lortel.
— Foi uma decisão tomada pela princesa após muita consideração. Além disso, Ziggs sempre teve uma vontade nobre. Ele não pode simplesmente julgar algo como certo ou errado sem pensar profundamente.
Lortel falava com uma tranquilidade impressionante, como se a tensão de antes nunca tivesse existido.
E, para a surpresa da princesa, Lortel estava aceitando sua decisão.
— De qualquer forma, se não houver mudanças no plano de entrar no Centro Estudantil dentro de uma hora, devemos começar os preparativos para a subjugação agora.
Lortel esticou os braços levemente, como se estivesse se preparando para um descanso.
— Vou tirar um curto intervalo para checar minha condição. Princesa Penia, espero que você também possa descansar um pouco.
Com um sorriso elegante, Lortel Kehelland saudou a princesa educadamente antes de seguir seu caminho.
Mesmo que as coisas não tivessem saído do jeito que ela queria, Lortel recuou com elegância, aceitando a decisão da princesa como se fosse uma vassala exemplar.
No entanto, para a Princesa Penia, era muito claro.
Por trás daquele sorriso aparentemente sincero e daquela aceitação respeitosa, havia um profundo sentimento de desilusão.
Ela sentiu isso claramente no instante em que Lortel passou por ela.
O relacionamento entre Penia e Lortel já não era bom para começo de conversa.
Mas agora, parecia que um abismo intransponível havia se formado entre elas.
Mesmo que o mundo virasse de cabeça para baixo, Lortel jamais acreditaria na Princesa Penia.
E a princesa sabia disso com certeza.
— Também vou descansar, Claire.
Falando com sua leal guarda-costas, a princesa se encostou na barricada em um canto discreto.
Claire assentiu silenciosamente e assumiu uma postura de guarda, seu rosto permanecendo sério.
E assim, a situação tensa no acampamento chegou ao fim.
A onde estava Lucy Preguiçosa, a pessoa mais forte entre todos eles?
Uma das principais forças de combate, Ziggs, a Lança da Natureza, tinha abandonado completamente a base.
E a pessoa mais racional e realista, Lortel, a Filha Dourada, agora estava completamente e irrevogavelmente contra a princesa.
No entanto, Penia era a única que podia carregar esse fardo.
Ela se escondeu atrás da barricada, onde ninguém pudesse vê-la.
E então, abraçando os joelhos, murmurou baixinho para si mesma.
Uma frase que nenhuma pessoa da realeza deveria dizer em toda a sua vida.
— Também é difícil para mim.
Mesmo temendo que alguém pudesse ouvi-la, as palavras escaparam de sua boca.
— De verdade… também é difícil para mim…
Ela era uma garota que nunca havia agido como uma criança em toda a sua vida.
E, embora fosse triste, até mesmo dizer essas palavras lhe trouxe um sentimento de culpa.
O momento de derrotar Yennekar estava se aproximando.
Ao levantar os olhos para o céu, o círculo de invocação de Glasskan, que brilhava intensamente na noite, estava ficando ainda mais luminoso.
◇ ◇ ◇
[Habilidades Mágicas]
Grau: Mago Comum
Especialização: Elementos
Magia Comum:
- Lançamento Rápido Nível 4
- Percepção de Mana Nível 5
Magia de Fogo:
- Ignição Nível 10
Magia de Vento:
- Lâmina de Vento Nível 10
Magia Espiritual:
- Ressonância Espiritual Nível 3
- Compreensão Espiritual Nível 3
— Huff… huff…
Completamente exausto, desabei no chão, sem forças para me levantar.
Já fazia duas horas desde o início da Fase 1.
Minha proficiência nas habilidades do tipo espiritual havia aumentado enquanto derrotava os Estigmas Espirituais e Traços Elementais ao redor da biblioteca.
Limpei o suor escorrendo pelo meu rosto e senti uma onda de satisfação ao olhar para a janela de habilidades.
Agora, eu finalmente conseguia imbuir magia espiritual nas minhas flechas.
Um avanço significativo no meu poder de combate.
— Ahh! Mas, sério… Isso é difícil demais.
Eu treinei com dedicação, mas ainda tive alguns momentos perigosos por causa dos ventos que me empurravam constantemente para longe.
Olhei ao redor.
Parecia que eu já havia eliminado todos os espíritos vagando pela biblioteca.
Restavam apenas os rastros dos golpes contínuos de Lâmina de Vento, além dos destroços queimados espalhados pelo chão, resultado do uso constante da Ignição.
Mas eu sabia que, se esperasse um pouco, novos espíritos acabariam aparecendo.
— Phew…
— Preciso elevar minha Ressonância Espiritual para o mais próximo possível do nível 10. Assim, eu poderia até mesmo fazer um contrato com um espírito… Se eu não fizer isso agora, nunca terei outra oportunidade como essa. Então, vamos continuar trabalhando duro. Certo!
Eu não podia desperdiçar essa chance de ouro.
— Ugh… phew…
— Ainda não… Ainda não cheguei ao meu limite…
O segredo do treinamento era se forçar até o extremo.
Qualquer um que já levantou peso na academia sabia disso.
Esse não era o momento para ser preguiçoso.
Eu precisava me pressionar ao máximo, até que não restasse um único resquício de força em meu corpo.
Se eu me dedicasse ao limite, com certeza meus atributos cresceriam significativamente.
Ah, vi um novo grupo de espíritos se aproximando.
Levantei-me cheio de determinação renovada.
Uma oportunidade como essa não surgia facilmente.
Eu precisava treinar e treinar novamente, até o último resquício de energia me abandonar.
— Ainda posso fazer mais…! Eu consigo…!
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