Light Novel
Capítulo 20: A Filha Dourada (3)
Lortel era uma realista extrema e exímia em fazer concessões.
Era seu destino se tornar assim.
Ela tinha ambições grandiosas, mas lhe faltava talento natural.
Se outra pessoa dissesse isso, provavelmente alguém se perguntaria o que isso significava.
Afinal… Desde o momento em que Lortel entrou na academia, ela foi uma das únicas três estudantes a serem qualificadas para a Classe A pelo rigoroso Professor Glast.
Ela tinha uma memória fotográfica, capaz de memorizar conceitos inteiros de um livro apenas lendo-o uma única vez.
Sua ressonância de mana era absurdamente alta, inacessível para estudantes comuns.
E, como se não bastasse, ela vinha de um berço rico, sendo herdeira da Companhia Elte.
Mas… Por mais que se esforçasse, nunca conseguia alcançar o topo.
Havia Lucy, a Preguiçosa, no Departamento de Magia,
tratada como se fosse uma entidade celestial.
Havia Ziggs, a Lança da Natureza, cujo senso de combate, agilidade, improvisação e julgamento eram inalcançáveis para Lortel.
E havia sua maior rival, a Princesa Penia.
Nobreza, influência, personalidade, liderança… Tudo isso era inútil diante da princesa.
O destino, de forma irônica e cruel, permitiu que ela vivesse apenas uma vida de segunda categoria.
Mas o meio que Lortel encontrou para desafiar essa maldição foi seu desejo puro e absoluto.
— Oh, veja só… é a Yennekar.
Compreender lucros e perdas, calcular receitas e despesas…
Era sua perseverança que fazia os pratos da balança penderem, mesmo que apenas um pouco, a seu favor.
Ela não hesitava em se aliar ao realismo cruel e às sombras da necessidade, se isso significasse alcançar seus objetivos.
Esse jeito de viver lhe rendeu a fama de oportunista, mas Lortel não considerava isso insultante.
Pelo contrário.
Para ela, a verdadeira desgraça era deixar as oportunidades escaparem por entre os dedos.
— Eu estava indo até você com um presente, mas acabei te encontrando aqui.
— Hm? Ah… Lortel.
Yennekar a observou por um momento.
— Você fica muito diferente com o cabelo solto.
— Ouço isso com frequência.
As duas se encontraram num corredor de Ophelis Hall, o dormitório mais luxuoso entre os três de Silvenia.
Para morar lá, um estudante deveria atender a um dos dois critérios: Uma posição social extremamente alta ou notas acadêmicas impecáveis.
Yennekar se encaixava na segunda categoria, enquanto Lortel possuía ambas as qualidades.
No entanto, isso não fazia com que suas condições de vida fossem tão diferentes assim.
Lortel voltava para seu quarto após um banho, acompanhada por uma empregada do Ophelis Hall.
Por conta disso, seu traje era simples, e seus cabelos soltos ainda estavam úmidos.
Para Yennekar, era uma impressão bem diferente da Lortel de sempre.
— Eu causei uma grande comoção na Joint Combat Practice…
— Afinal, usei magia intermediária sem permissão."
Lortel suspirou.
— A verdade é que, em parte, agi impulsivamente.
Ela sorriu de leve, parecendo um pouco envergonhada.
— Já faz algum tempo desde o incidente… mas eu ainda queria me desculpar.
— Entendo…
O motivo pelo qual Lortel atacou Yennekar com a magia intermediária de gelo ‘Lança de Gelo’ e ‘Congelamento Instantâneo’ foi para medir suas habilidades como a melhor estudante do segundo ano.
Era um fato incontestável que os primeiros anos eram a força dominante do Departamento de Magia de Silvenia.
No entanto, isso não significava que a vitória contra alunos de anos superiores fosse garantida em um duelo.
Ainda assim, o título de Yennekar como melhor estudante do segundo ano não era à toa.
No primeiro ano, Lucy Mayreel reinava como uma existência absoluta e inalcançável.
Por isso, não fazia sentido discutir quem era a melhor.
Mas pelo menos o nome de Lortel nunca era deixado de fora ao discutir quem ocupava o segundo lugar.
No entanto… Lortel queria saber qual era a diferença entre ela e Yennekar.
Mas, infelizmente, sua tentativa não serviu de nada.
Mesmo sua magia elemental intermediária, algo que até estudantes do terceiro ano tinham dificuldades para usar, não causou nenhum dano significativo à Yennekar,
que simplesmente convocou um espírito de fogo de alto nível.
A arrogância sempre tem seu preço.
Mesmo que já fizesse um tempo desde o fim da aula, Lortel ainda precisava usar ataduras por dentro de suas roupas, por conta de ferimentos menores que ainda não tinham cicatrizado.
— Seus ferimentos ainda não se curaram completamente.
Lortel percebeu de imediato.
O olhar de Yennekar mostrava que ela ainda sentia certa culpa por tê-la machucado.
Yennekar Palerover era boa demais.
Por conta de sua bondade e gentileza, todos ao seu redor sentiam um forte instinto de protegê-la, o que fazia dela um ídolo entre os estudantes do segundo ano.
Além disso, os segundos anos estavam se sentindo miseráveis por estarem sendo completamente ofuscados pelos calouros.
E Yennekar, a única entre eles que demonstrou sua força contra os primeiros anos, tornou-se sua salvadora.
De certo modo, tudo isso era culpa de Lortel, já que foi ela quem apanhou feio na aula de Treinamento de Combate.
Antes, Yennekar era apenas a adorável e talentosa estudante do segundo ano.
Mas agora… Ela era o último brilho de esperança do segundo ano.
E aqueles olhares cheios de expectativa, que a seguiam para onde quer que fosse, a transformaram em um objeto de inveja.
— Logo vai cicatrizar. Não precisa se preocupar tanto.
Para Lortel, conexões pessoais eram sinônimo de poder social.
Como alguém que passou a vida aprendendo essa verdade, ela não esboçou um sorriso para a fofa estudante do segundo ano sem motivo.
Ter alguém em dívida com você poderia ser considerado um ativo.
E seria tolice não utilizar os ativos que já possuía.
Com isso em mente, Lortel pensou em transformar essa dívida emocional de Yennekar em uma oportunidade de troca.
— Parece que você não se deu bem com Ed?
De tempos em tempos, o sorriso de Yennekar era de tirar o fôlego.
No mundo dos negócios, um sorriso tão ingênuo e sincero como o dela poderia ser uma faca de dois gumes.
Afinal, mercadores adoravam tirar vantagem de pessoas assim.
Mas, estranhamente… Lortel não sentiu malícia alguma no sorriso de Yennekar.
Lortel, que por natureza era extremamente perspicaz, percebeu de imediato que a pergunta de Yennekar era pura.
Não havia segundas intenções ou malícia por trás dela.
— Eu escuto tudo que acontece na parte norte da floresta. Os espíritos tendem a ser bastante tagarelas.
Yennekar deve ter seguido Ed depois que ele ignorou completamente Lortel.
Mas o caminho que ele tomou… levava diretamente para a entrada da floresta do norte.
Por natureza, a floresta do norte era território de Yennekar.
Afinal, a maioria dos espíritos que brincavam por lá estavam do seu lado.
No entanto, Lortel só conseguia enxergar até a beira da entrada da floresta.
E dizer que Ed Rothstaylor estava no território de Yennekar era simplesmente ridículo.
A conversa que Lortel teve com ele não era algo que ela pudesse revelar abertamente, nem mesmo como palavras vazias.
Lortel tinha a intenção de usar dinheiro para fazer de Yennekar uma conexão pessoal.
E então, usá-la como uma oportunidade para avaliar Ed Rothstaylor, que atualmente se encontrava em uma posição difícil.
Ele não estava em uma situação que lhe permitisse agir com tanta teimosia.
— Você provavelmente tem seu próprio jeito de fazer as coisas, mas…
Dado o nível de respeito que Yennekar recebia, ela certamente merecia ser chamada de santa.
— Ed também deve ter seu próprio jeito de fazer as coisas. E, do meu ponto de vista, o esforço dele é algo que me emociona ainda mais.
— ......
— Claro, sua disposição em usar moedas de ouro para se aproximar de mim também me deixou muito emocionada. Mas sinceridade não é algo que pode ser comprado com dinheiro. Estou sendo muito condescendente? É a primeira vez que tenho alguém mais novo do que eu por perto, então acho que posso estar agindo de forma presunçosa… Ah! Que vergonha…
Mesmo sabendo o que Lortel fez, ela não negou, nem a condenou por seus métodos.
E então, Lortel finalmente entendeu… Por que todos adoravam Yennekar.
Uma garota que parecia ter saído diretamente de um conto de fadas.
Mas essa descrição, de alguém tão pura, animada e adorável, tinha uma sutil provocação oculta.
Poderia ser interpretado como ingênua.
Alguém que viveu em um jardim florido a vida inteira, e que não conhecia nada do mundo real.
Para Lortel, soava exatamente assim.
Mas eles todos subestimaram Yennekar.
Ela compreendia muito bem as trevas do mundo, mas havia escolhido viver sua vida sem perder sua luz.
Diante de um brilho tão intenso, aqueles de coração negro só podiam se encolher de vergonha na escuridão.
Se todos ao redor vivem na sujeira, então ser sujo se torna o padrão normal dos humanos.
Mas… isso não passava de uma ilusão.
Porque sempre existiriam pessoas como Yennekar.
E Lortel, mais do que ninguém, sabia disso.
— Ed provavelmente é alguém muito mais forte e divertido do que você imagina.
— O quê? É mesmo? Mas por que você acha isso?
Yennekar riu levemente e girou sobre os calcanhares, desamarrando sua trança com um movimento gracioso.
— É segredo.
Lortel então percebeu que haviam chegado em frente ao quarto de Yennekar.
Assim que entrasse, Yennekar planejava relaxar confortavelmente, desfazendo sua trança e afrouxando as fitas de suas roupas casuais fofas e rendadas.
— Bem, os espíritos estão sempre fofocando entre si, mas sempre que algo se destaca… parece bem coisa de stalker.
— Não é motivo de orgulho ser tão próxima dos espíritos?
— Obrigada por dizer isso. Hehe. Mas sou a única no mundo inteiro que sabe dessas curiosidades.
Yennekar girou em frente à porta e sorriu animadamente.
Afinal, só ela sabia o que os espíritos haviam contado sobre Ed.
— Eu já vou indo. O Reitor McDowell disse que devo tentar firmar um contrato com outro espírito de alto nível no próximo mês. Para isso, preciso estudar e me preparar bastante.
— Mas você não acabou de assinar um contrato com um espírito de fogo de alto nível?
— Ultimamente, as expectativas sobre mim aumentaram bastante. Preciso me esforçar. Hmm… Sim, é bom que as pessoas estejam esperando muito de mim.
Depois de dizer isso, Yennekar abriu um pouco mais a porta.
— Ah, é mesmo. Lortel.
Yennekar falou seu nome com um sorriso gentil e encantador.
— Sinto muito pelo que aconteceu da última vez. Você se machucou bastante por minha causa, né? Espero que melhore logo.
Yennekar fechou a porta devagar, parecendo aliviada.
E Lortel pôde perceber o quanto Yennekar realmente se importava com ela.
Diante da porta que se fechava suavemente, Lortel ficou pensando por um longo tempo.
'Ed Rothstaylor é definitivamente uma pessoa interessante.'
Lortel não conseguia entender por que Yennekar tinha uma opinião tão elevada dele.
Ao relembrar, havia um estranho senso de perigo em sua aparência tão animada e despreocupada.
Mas por mais que tentasse descobrir o motivo, não conseguia chegar a uma resposta clara naquele momento.
◇ ◇ ◇
[Nome: Ed Rothstaylor]
Gênero: Masculino
Idade: 17
Ano Escolar: 2º
Espécie: Humano
Conquistas: Nenhuma
Vitalidade: 6
Inteligência: 5
Destreza: 9
Determinação: 8
Sorte: 6
≪ Detalhes das Habilidades de Combate ≫
≪ Detalhes das Habilidades Mágicas ≫
≪ Detalhes das Habilidades de Vida ≫
≪ Detalhes das Habilidades de Alquimia ≫
[Novo Produto Criado]
Rede de Pesca para Cultivo
Após ser tecida, é instalada em um galho para evitar que desmorone na correnteza do rio.
Os peixes capturados podem ser mantidos vivos por vários dias.
Nível de Dificuldade da Produção: ⬤⬤〇〇〇
《 Produção concluída. Habilidades de Produção aumentaram. 》
A rede na qual investi metade do meu dia acabou se mostrando mais eficaz do que eu esperava.
Metade dela foi usada imediatamente para pesca, enquanto a outra metade se transformou em algo parecido com uma rede de descanso.
Ficou um bom lugar para relaxar, então fiquei bem satisfeito com o resultado.
À medida que meu espaço de vida ia se tornando mais confortável, fui ficando mais ambicioso.
Minha alimentação se diversificou e melhorou, de uma forma ou de outra.
E, acima de tudo, o esforço físico necessário para sobreviver diminuiu muito.
No passado, correr até o distrito acadêmico me deixava exausto pelo resto do dia.
Mas agora, já conseguia voltar caminhando levemente, sem problemas.
Mesmo dormindo tarde, acordava revigorado.
'Estou cada vez mais confiante e satisfeito com essa vida.'
[Habilidades Mágicas]
Grau: Mago de Baixo Nível
Especialização: Elementos
Magia Comum:
- Lançamento Rápido Nível 2
- Percepção de Mana Nível 5
Magia de Fogo:
- Ignição Nível 10
Magia de Vento:
- Lâmina de Vento Nível 10
Ainda não conseguia usar magia intermediária corretamente, então me limitava a apenas duas magias elementares de nível iniciante.
Mas, como praticava repetidamente até enjoar, e por viver num ambiente onde manter o fogo era essencial para minha sobrevivência, finalmente atingi meu primeiro objetivo: elevar uma habilidade ao nível 10.
Agora, se concentrasse minha conjuração, podia derrubar uma árvore grossa com um único golpe.
Até controlar a fogueira tinha se tornado fácil como respirar.
Claro, minha capacidade inata de mana era pequena, então não podia lançar feitiços livremente.
Mas, pelo menos entre os alunos do primeiro ano, poucos seriam mais habilidosos que eu em Lâmina de Vento e Ignite.
Depois de aprimorar minha magia elemental, minha rotina ficou muito mais prática.
Desde cortar lenha com um pequeno feitiço até ajustar a fogueira à noite.
Também ajudava na hora de processar materiais para produção.
Para falar a verdade, eu estava me divertindo bastante.
Antes de sair para o distrito acadêmico de manhã, dei uma última olhada no meu acampamento.
Não era grande coisa, mas foi algo que construí com minhas próprias mãos.
E com esse estranho orgulho e satisfação, senti vontade de tentar muitas outras coisas!
'Para começar… defumar carne está tomando tempo demais.'
Eu me perguntava se poderia construir um defumador adequado para impedir que a fumaça se espalhasse.
Mas não consegui pensar num bom design no momento.
— Hm… Acho que posso deixar isso pra depois.
Depois de aparar meu arco, verificar minhas roupas no varal e checar a carne seca no suporte, me sentei perto da fogueira.
Minhas aulas hoje foram tranquilas.
Depois de revisar o trabalho escrito do Professor Eskin sobre Estudos Elementais, estaria livre pelo resto do dia.
Considerando que ainda era cedo, acho que desenvolvi um talento para gerenciar bem meu tempo e rotina.
Assobiei enquanto finalizava o corte da minha última flecha.
Ultimamente, tudo o que fazia vinha dando bons resultados, então era impossível não me sentir de bom humor o dia inteiro.
'Se eu puder continuar passando meus dias assim, normalmente, até a formatura, então não haverá problemas no meu plano.'
Pensando nessas ideias relaxantes, encerrava mais um dia...
Bang!
E, do nada, um monstro surgiu voando e esmagou completamente o suporte de secagem de carne no qual trabalhei tão duro para construir.
Seu corpo rolou pelo chão, até finalmente parar de se mover.
Uma revoada de pássaros tomou o céu acima de mim, enquanto uma densa camada de poeira encobriu minha visão por um curto momento.
Quando olhei para baixo, onde estava aparando minhas flechas, vi um chapéu de bruxa que, infelizmente, eu já estava começando a me acostumar.
E claro, um pouco mais à frente, lá estava Lucy Mayreel, caída no chão, com o suporte destruído ao seu lado.
Era uma cena caótica, seu rosto atolado no tronco de uma velha árvore, completamente coberta de sujeira.
— O-o que foi isso?
Levantei-me devagar, demorando um pouco para reagir.
Lucy, deitada no chão, respondeu lentamente.
— Eu quase morri...
'Isso definitivamente não era algo que eu esperava ouvir da boca dela.'
'Essa garota, que deveria estar perambulando por aí, flutuando como um espírito, de repente cai desse jeito?'
'Que diabos aconteceu???'
Pelo que eu sabia, a única pessoa capaz de lutar de igual para igual com Lucy era o Diretor Obel, na melhor das hipóteses.
Mas, se alguém conseguiu colocá-la nesse estado, a ponto de fazê-la pensar que ia morrer,
então algo que eu desconhecia estava acontecendo.
A situação estava ficando estranha.
Me levantei rapidamente e perguntei de uma vez.
— Você quase morreu? Quem foi?
— Be... Bell Maya...
'A... Bell Maya???'
'A SENIOR MAID DO OPHELIS HALL???'
— O que caralh…
Peguei o atiçador da fogueira, o primeiro objeto que consegui alcançar, e taquei direto na Lucy.
Achei que ela iria se defender, mas surpreendentemente, ela nem tentou bloquear o ataque com magia.
O ferro quente bateu na sua testa, como se alguém tivesse dado um peteleco.
— Aghhh...
Lucy começou a lacrimejar e desabou no chão, massageando a marca preta enorme que ficou na sua testa.
— Ficar deitada aí é mesmo a coisa certa a fazer?
— Estou sem mana...
'Ela está sem mana?'
'Mas então isso significa que…'
'Aquela velocidade absurda… aquele estrago…'
'Isso só pode ter sido por causa da magia espacial de alto nível, Space Leap.'
Mesmo os professores precisavam de extrema concentração
para recitar um encantamento desse nível.
'Ela teve que estar completamente desesperada para gastar tudo de uma vez.'
— Depois do jantar, eu ia pular a reunião mensal do dormitório, mas fui pega...
— E...?
— Bell ficou furiosa… e então ela fechou o punho e veio pra cima de mim.
Comecei a lembrar… Entre todas as cenas de Lucy no jogo, havia uma em especial que não saía da minha cabeça.
Essa desordeira, que ninguém conseguia controlar, tinha um único inimigo natural.
Bell Maya.
A encarnação do medo para Lucy Mayreel.
Sempre que Lucy causava confusão, esquecia seus compromissos, ou andava desarrumada, Bell aparecia do nada com um olhar afiado e os punhos cerrados.
Era um movimento que parecia instintivo, uma tradição milenar que as senior maids usavam para subjugar qualquer problema ambulante como Lucy Mayreel.
E, pelo visto, dessa vez ela não conseguiu escapar a tempo.
Seria engraçado, de certo modo, ver Lucy Mayreel, um gênio extraordinário, sendo esmagada por uma simples empregada.
Mas por mais talentosa que fosse, Lucy jamais faria algo tão absurdo quanto tocar nas criadas do Ophelis Hall.
Isso era um tabu dentro de Silvenia.
As empregadas de Ophelis Hall, a elite da elite, trabalhavam sem o menor erro para suportar os estudantes da academia.
Era uma regra não escrita, mas que todos já seguiam instintivamente.
Os alunos de Ophelis Hall cresceram sendo respeitados.
Mas mesmo eles se sentiam em dívida com as empregadas.
Porque o nível de serviço delas era simplesmente irreal.
Limpeza e cozinha eram o básico.
Além disso, elas ajudavam na vida acadêmica, dominavam feitiços simples, e mantinham uma disciplina impecável.
E, claro, nunca interferiam desnecessariamente.
Essa era a razão pela qual Bell Maya se destacava tanto.
Seu jeito mais ríspido e direto não era apenas uma característica pessoal.
Era o método mais eficiente para lidar com Lucy Mayreel.
— Pensei que ia doer muito… então fugi. Foi tudo tão repentino...
Resumindo, Lucy usou lançamento rápido e lançamento sem palavras com magia espacial de alto nível para se lançar de Ophelis Hall até aqui.
Mas havia um problema.
Magia desse nível precisava de concentração.
Se você aumentasse a velocidade do lançamento ou misturasse conjurações diferentes, a eficiência da magia caía drasticamente.
O risco de falha aumentava exponencialmente.
Ainda mais sendo uma magia de espaço-tempo.
Era o equivalente a pegar um jato particular para ir até uma mercearia do outro lado da rua.
Óbvio que até o vasto reservatório de mana de Lucy se esgotaria na hora.
Mesmo que chamassem o próprio Diretor Obel, ele não teria como impedir essa idiotice.
'Isso é tão ridículo que nem sei o que dizer...'
No final, Bell Maya só havia fechado o punho e avançado para dar um sermão.
E Lucy, como um gato pulando ao ver um pepino caindo do nada, simplesmente se teleportou para o outro lado da academia em pânico.
E agora estava ali, jogada no chão, usando pijamas folgados, murmurando com uma voz chorosa.
— Tão cansada...
— Não foi merecido?
— Mas ultimamente está sendo pior… aquela empregada sênior ficou ainda mais sensível...
— Bell Maya?
Aquela robô? A Bell Maya fria e calculista?
— Você pode não notar… mas eu sinto… tem algo incomodando ela ultimamente. Parece que está preocupada com alguém… Mas no final, acho que quem vai sofrer com isso sou eu...
Lucy, ainda coberta de poeira e sujeira,
finalmente disse o que realmente queria perguntar.
— Sabe…?
Eu já sabia o que viria a seguir.
O final da frase era sempre o mesmo.
— Você tem carne seca?
Essa garota só pensa em comida…
Suspirei e apontei o dedo para o local onde ela havia se espatifado.
Os restos do meu suporte de secagem estavam espalhados no chão.
E junto com eles… os pedaços de carne seca, agora cobertos de poeira e lama.
— Hah...
O rosto de Lucy empalideceu instantaneamente.
E, aproveitando o momento de choque,
dei um peteleco firme em sua testa.
— AGHHH!!!
Sem mana restante para se defender,
ela simplesmente rolou no chão,
gritando como uma criança.
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