Volume 7
Capítulo 5: 17 de Fevereiro (Quarta-Feira) - Yuuta Asamura
17 DE FEVEREIRO (QUARTA-FEIRA) – DIA 1 DA VIAGEM DE CAMPO – YUUTA ASAMURA
Ouvi um som que me puxou do sonho de volta à realidade, no quarto escuro. Era o alarme que eu tinha programado mais cedo. Apressei-me para desligá-lo e acendi a luz. As pernas que estendi para fora do cobertor imediatamente sentiram o frio. Eram quatro da manhã, em pleno inverno. Ainda faltavam duas horas para o sol nascer. No entanto, precisávamos estar no Aeroporto de Narita às sete. Em outras palavras, tínhamos que sair de casa às cinco, ou não chegaríamos a tempo.
Dito isso… cara, que frio. Como programei o alarme com uma boa margem de tempo, posso ir com calma e—meus pensamentos foram interrompidos quando alguém bateu forte na minha porta. Era o meu velho perguntando: “Já acordou aí dentro?”, o que me fez arregalar os olhos. Essa foi por pouco. Quase voltei a dormir.
"Já acordei!" respondi.
Saltei da cama e comecei a me trocar. Invadi o banheiro para lavar o rosto, mas quase trombei com Ayase. Ela já tinha terminado a maquiagem e tudo mais, como era de se esperar. Trocamos um cumprimento rápido e passamos um pelo outro. Terminei de lavar o rosto e escovar os dentes em cerca de cinco minutos. Por volta das quatro e meia, estávamos sentados à mesa de jantar, perfeitamente dentro do horário. Akiko, que tinha chegado não muito tempo antes, ainda estava com a roupa de trabalho enquanto preparava o café da manhã para nós.
"Você não deveria ir dormir um pouco, mãe?" Ayase perguntou, mas Akiko apenas sorriu.
"Não tem problema. Posso dormir o suficiente depois de ver vocês partirem. Na verdade, saí mais cedo do trabalho hoje porque queria ver vocês uma última vez antes de ficar três dias sem vê-los", disse ela, empurrando um prato grande na nossa direção.
Em cima havia dez onigiris, todos envoltos em alga.
"Aqui. Achei melhor algo simples de comer, então fiz bolinhos de arroz. Estão bem recheados. Vou trazer a sopa de missô também."
"Obrigado."
"Obrigada, mãe."
Ayase e eu agradecemos ao mesmo tempo e começamos a comer. Enquanto isso, meu pai sentou-se à nossa frente, engolindo um bocejo.
"Acham que vão chegar a tempo?"
Nós dois assentimos. Enchemos a boca com os onigiris e tomamos a sopa de missô. Nosso plano era pegar a linha Yamate que passava pela estação de Shibuya por volta das cinco e meia. Depois de terminar o café, conferimos nossos pertences uma última vez e saímos do apartamento.
"Não vão com tanta pressa!"
"Tomem cuidado, tá?"
Meu velho e Akiko se despediram de nós com vozes animadas enquanto entrávamos no elevador. Peguei o celular e conferi as horas. Cinco em ponto. Se nada desse errado, chegaríamos a tempo. Enquanto o elevador descia lentamente, Ayase e eu suspiramos juntos. Arrastamos nossas malas pesadas até a estação de Shibuya e conferimos tudo mais uma vez já dentro do trem.
"Acha que vamos conseguir?"
"Acho… que sim", respondi à pergunta de Ayase.
Teríamos que trocar de trem em Nippori, mas, se nada atrasasse, chegaríamos ao Terminal 2 de Narita às 6h40. Isso nos daria tempo suficiente para chegar ao ponto de encontro.
Como o sol ainda nem tinha começado a nascer, o trem estava completamente vazio. Os assentos ainda estavam frios quando nos sentamos lado a lado. Normalmente, fingiríamos ser estranhos em uma situação dessas, mas, com nossa primeira viagem internacional prestes a começar, nenhum de nós tinha cabeça para isso. Ao mesmo tempo, talvez fosse porque não nos importávamos que descobrissem que éramos irmãos… desde que tomássemos cuidado para não revelar que nosso relacionamento ia além disso.
…Foi com essas desculpas que ficamos sentados juntos até o trem chegar ao aeroporto de Narita. Arrastamos nossas malas enquanto nos apressávamos até o ponto de encontro. Depois de um longo trajeto de elevador, caminhamos pelo chão reluzente sob as luzes do teto até a sala de reunião. De longe, vimos os uniformes familiares da nossa escola, então nos separamos ali. Não era que nos importássemos se descobrissem, mas também não estávamos tentando facilitar.
As costas de Ayase foram se afastando a cada passo, enquanto eu ficava parado para criar certa distância. Os alunos do Colégio Suisei se dividiram por turmas e formaram filas, e logo avistei um garoto grande na fila da minha turma—o Maru. Ele me viu chegando e acenou.
"Bom dia, Maru", cumprimentei, parando atrás dele.
"Yo! Demorou, hein?"
"Ainda acho que tenho bastante tempo sobrando."
Ao responder, ele apontou para fora da sala.
"Do que você tá falando? Sabe quantas decolagens você já perdeu?"
Parecia que o coração do Maru era facilmente conquistado pelo romance dos aeroportos.
"O sol mal começou a nascer. O que você estava vendo, afinal?"
"Asamura… você não entende a beleza e a elegância de um aeroporto à noite, entende? As duas fileiras de luzes piscam como luzes de Natal, enquanto o nariz do avião se ergue lentamente no céu, e as luzes das asas e da cauda vão ficando menores até desaparecerem completamente. E esse espetáculo lindo tem se repetido o tempo todo aqui."
"Que poético. Você ficou vendo isso esse tempo todo?"
"Eu estava organizando a fila, então não pude ver."
[Ayko: Essa foi uma das melhores descrições da sensação de estar em um aeroporto que já li (eu nunca estive em um aeroporto)]
Então qual foi o ponto do comentário?
"A propósito, você conhece o filme ‘Airport ‘75’?"
"Não conheço. É sobre um aeroporto?"
"É sobre um avião cujo piloto perde o controle e precisa fazer um pouso de emergência."
"Precisa mesmo falar disso agora?"
[Ayko: É um filme de 1975, se passa em um Boeing 747! Existem também Airport 77 e 79]
Prefiro não ouvir sobre desastres aéreos antes de embarcar. Depois dessa troca rápida, o professor responsável repetiu várias instruções de segurança, e finalmente começamos o embarque.
Passamos por uma área de triagem para verificar doenças, depois seguimos pelo aeroporto. As malas maiores foram despachadas e encaminhadas para o avião. Era uma despedida temporária—esperando que não virassem bagagem extraviada.
Ao pensar nisso, percebi o quanto estava nervoso com essa viagem. Afinal, era minha primeira vez indo ao exterior… e também minha primeira vez em um avião.
[Ayko: Detalhe que isso é uma viagem escolarkkkkkkkkkkk]
Depois do check-in, ainda tínhamos cerca de uma hora antes do embarque. Passamos pelo raio-x e detector de metais—tirar os sapatos foi um incômodo.
Finalmente, seguimos até o portão. Era muita gente, então avançávamos lentamente. Do lado de fora, vi os aviões pela janela.
"É enorme mesmo", comentou Yoshida.
Olhei também. Era muito maior do que eu imaginava.
Depois de algum tempo, embarcamos. Maru me ajudou a guardar a bagagem no compartimento superior, e me sentei. O som baixo do motor vibrava pelo corpo do avião.
“Um bloco de metal desses… consegue mesmo voar?”
Fiquei tenso de novo.
Decidi fechar os olhos, mas Maru me interrompeu:
"Não desperdice isso, Asamura. É sua primeira vez."
"Mas posso me arrepender de ver também."
"A primeira vez é o que importa. Igual anime ou livro."
…Ele tinha razão.
Quando o avião começou a decolar, fui contra o medo e olhei pela janela. A velocidade aumentou rapidamente, e logo fomos lançados para o céu.
A vista lá de cima era impressionante. As cidades pareciam miniaturas. As florestas, brócolis.
"É… igual aos mapas", murmurei.
E então percebi—
Estou feliz por ter visto isso.
Acabei dormindo e só acordei quando Maru me chamou.
“Você dormiu sete horas.”
Sete…?
Olhei o celular. 15h. Mas estávamos em Singapura—uma hora a menos que o Japão.
Descemos no aeroporto de Changi. Honestamente… não parecia tão diferente assim.
"Isso é mesmo Singapura?"
"Você ainda tá dormindo?", Maru respondeu.
Mas então percebi: não havia japonês em lugar nenhum.
Sim. Eu estava no exterior.
Pegamos um ônibus até o hotel. O calor era evidente. O ar, o cheiro… tudo era diferente.
Depois de deixar as coisas no quarto, saímos novamente com o grupo. Visitamos o Museu Nacional de Singapura.
Lá, um guia nos surpreendeu falando japonês fluente. Depois, falou chinês perfeitamente com outro grupo.
…Quantas línguas esse cara fala?
Mais tarde, vimos uma apresentação de rua. Uma mulher cantava com um violão.
"É ‘El Cóndor Pasa’", disse Maru.
Depois, voltamos ao hotel para jantar. Era buffet, com comidas locais. Experimentei várias frutas diferentes.
Mais tarde, já no quarto, fiquei olhando a cidade pela janela.
Não parecia tão diferente do Japão… mas ao mesmo tempo, era outro mundo.
Peguei o celular. Abri o LINE.
Ayase…
Ainda não tínhamos trocado mensagens.
Pensei em escrever… mas hesitei.
E se ela estivesse com as amigas?
E se suspeitassem?
Mas… e se ela estivesse se sentindo sozinha também?
Quando finalmente decidi escrever—
A porta se abriu.
“Voltamos!”
Maru e Yoshida entraram, empolgados.
E assim, perdi a chance.
Conversamos até dar a hora de dormir.
E, desse jeito, o primeiro dia da viagem chegou ao fim.
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