Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 4: 16 de Fevereiro (Terça-Feira) - Saki Ayase

16 DE FEVEREIRO (TERÇA-FEIRA) – SAKI AYASE

Dez minutos antes do sinal tocar, eu já estava sentado no meu lugar. Era, por assim dizer, a minha rotina matinal. Desde que nada atrapalhasse esse ritual, eu abria os livros, abria meus cadernos e revisava tudo mais uma vez para acalmar a mente. Faço isso desde o ensino fundamental. Porém, no meu segundo ano do ensino médio, sempre havia algo que se metia no caminho.

   "Sakiii!"

E esse “algo” se chama Maaya. Já faz um tempo que ela é assim, mas parece que, conforme as estações passam, o nível de energia que ela mantém todas as manhãs para falar comigo só aumenta. Por quê? Não faço ideia. Mas enfim...

   "A aula já vai começar, sabia?"

   "Do que você tá falando?!"

   "...Hã?"

   "O sinal ainda não tocou, né?"

Quer dizer... vai tocar em no máximo cinco minutos. Não é justamente esse o momento de se preparar pra próxima aula?

   "Sério, qual é? Nossa viagem começa amanhã, sabia?!"

...Espera. Será que a estranha aqui sou eu?

   "É a única viagem escolar do ensino médio, lembra?"

   "Isso é verdade."

   "Como eu não ficaria animada? Não consigo ficar parada! Dá vontade de sair pulando e dançando! Esse é o nível da minha empolgação!"

   "Acho que isso já é loucura mesmo."

   "Nem um pouco! Olha só, Saki! Deixa eu te mostrar o mundo!"

Foi o que ela disse enquanto passava o braço direito em volta de mim. Segui o movimento e olhei ao redor da sala.

Os outros alunos estavam sentados em círculos, conversando sobre várias coisas. Sério, a aula já vai começar... E, olhando melhor, até vi um grupo de seis pessoas — meninos e meninas — completamente animados. O garoto no centro devia ser o Shinjou. Nossos olhos se encontraram e ele acenou pra mim. Mas... por que ele me lembrou um cachorrinho olhando todo feliz durante um passeio?

 

[Ayko: Shinjou é muito um golden retriever.]

 

   "O Shinjou tá mandando muito bem como líder de grupo."

   "Ah, é mesmo. E olha, impressionante... Você sabe quem tá em todos os grupos?"

   "Eu lembro de todos os grupos e de todos os alunos da turma."

Isso sim é impressionante. Eu não tenho muitos amigos, então nem sabia o que fazer quando tivemos que formar grupos. Acabei ficando meio perdida até a Maaya me puxar pra um. Somos bem diferentes.

Ainda assim, não vejo motivo pra tanta empolgação. Mas, quando eu disse isso, Maaya só suspirou, incrédula.

   "O quêêêê?!"

   "...Você tá exagerando de novo."

   "Saki, você entende mesmo? A gente vai pro exterior! Isso foge totalmente da nossa rotina! E ainda vamos viver com nossos colegas por alguns dias! Pode até nascer um romance nesse tipo de situação especial!"

   "A gente não tá dentro de um romance."

   "Você não entende! Assim como heróis da justiça já nascem com senso de justiça, nós, garotas de 17 anos, temos um interesse saudável por romance lá no fundo! E o que nos espera num país estrangeiro é um amor florescendo... e também uma despedida!"

Então vai ter término também?

   "Isso que é o charme de um amor passageiro. Já viu ‘Roman Holiday’?"

 

[Ayko: Roman Holiday é um filme de 1953, não sei muito sobre, mas é um romance mesmo :D]

 

   "Já."

Eu conheço o básico. Estudei as obras famosas, afinal.

Mas... um amor florescendo? É só uma viagem. Não sei se algo assim realmente surgiria só pra desaparecer logo depois.

Eu e o Asamura começamos a morar juntos há oito meses, e levamos cerca de cinco meses desde o interesse até confessarmos nossos sentimentos. Depois disso, passaram-se três meses sem grandes mudanças. Na verdade, com essa viagem chegando... não vamos acabar mais distantes do que antes?

Vamos ficar separados. Talvez nem nos vejamos por quatro dias.

Quando percebi isso, notei que estava mais ansiosa do que gostaria de admitir. Só de imaginar ele se divertindo com o grupo dele, um peso tomou conta do meu peito. Mas pensar assim não é saudável. Preciso mudar o foco.

Isso é só uma viagem escolar. O objetivo original é aprender. Preciso encarar isso de forma acadêmica. Nada de pensamentos desnecessários. Desliguei esse “modo romântico” da minha cabeça. O foco de um estudante deve ser estudar.

Não há motivo para ansiedade. Nenhum.

   "Ei, Saki! Como se fala ‘Ei, moça, quer tomar um chá comigo?’ em inglês?"

Hã? De onde veio isso?

   "...Young lady, why don’t you drink tea with me? Talvez."

   "Entendi, entendi."

   "Pra quem você vai dizer isso?"

   "Pra ninguém! É só pra saber caso alguém me convide! E como seria ‘Desculpa, estou esperando alguém’? Uooo!"

Por que ela tá tão empolgada...?

As fantasias dela continuaram até o professor entrar e chamar sua atenção. Ultimamente, esse virou o meu “ritual antes da aula”.

As aulas terminaram, e eu fui pra casa.

   "Hmm..."

Depois de passar pelo portão da escola, olhei pro céu branco e nublado do inverno. Ainda havia bastante luz do dia. Faz sentido — estamos em meados de fevereiro.

Logo, os dias vão se alongar, as noites vão encurtar, as ameixeiras vão florescer, depois as cerejeiras... e nos tornaremos alunos do terceiro ano.

Depois dessa viagem, provavelmente terei que focar ainda mais nos estudos.

   "Bem... é o esperado de alguém que vai prestar vestibular."

Mas, ao pensar nisso, balancei a cabeça. Querer sair, fazer coisas... nunca imaginei que sentiria isso. Talvez seja influência da Maaya. Ou talvez—

Não. Parei de pensar nisso.

Mais tarde, fui até a embaixada dinamarquesa. Um prédio antigo de tijolos. Fiquei observando até perceber que as pessoas me encaravam estranho.

Quando estava indo embora, um homem loiro me chamou em inglês.

   "Estou procurando a embaixada. Pode me ajudar?"

   "Você quer dizer a embaixada da Dinamarca?"

   "Sim!"

   "Eu te mostro o cami-channho."

Levei ele até lá.

   "No problem at all."

   "Minha pronúncia foi difícil de entender?"

   "Não. Você falou claramente."

Ele disse que diferentes sotaques são normais. Aquilo me tranquilizou.

Talvez seja esse o propósito da viagem.

Em casa, encontrei o Asamura.

   "Let’s eat!"

   "Um... Let’s eat?"

Ele acertou.

Conversamos em inglês durante o jantar.

   "So good! Especially this… AJI-OPEN is excellent!"

Eu não aguentei e ri.

   "Traduzir ‘aji no hiraki’ como AJI-OPEN é hilário!"

 

[Ayko: Vou explicar a piada aos senhores leitores
鯵の開き (Aji no Hiraki) é um prato japonês que consiste em um peixe aberto grelhado, no caso, carapau.
鯵 (Aji) = Carapau | 開き (Hiraki) = Aberto

鯵の開き (Aji no Hiraki) = Carapau aberto para grelhar (traduzido dessa forma para melhor entendimento)

Por isso fica MUITO literal Aji no Hiraki virar Aji no Openkkkkkk]

 

Mais tarde, já na cama, pensei nisso... e ri de novo.

Mas logo depois, veio o incômodo.

Vamos ficar quatro dias sem nos ver.

Sem abraços. Sem beijos.

Levantei, vesti um casaco e fui até o quarto dele.

Levei ele até o meu quarto. Apaguei a luz.

Nós dois dissemos, ao mesmo tempo:

   "Eu quero te beijar."

Ficamos em silêncio por um instante.

Então, senti as mãos dele nos meus ombros.

Fiquei na ponta dos pés.

Nossos lábios se tocaram.

Quente. Suave.

Apertei levemente seus ombros... e nos afastamos.

   "Boa noite."

   "Boa noite... Ayase."

Depois que ele saiu, toquei meus lábios.

E percebi que esse sentimento no peito... ainda não tinha desaparecido.

Será que eu vou conseguir ficar quatro dias longe dele?

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