Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 1: 14 de Fevereiro (Domingo) - Yuuta Asamura

14 DE FEVEREIRO (DOMINGO) — YUUTA ASAMURA

A manhã chegou. Mais precisamente, 8h07. Como era domingo, eu podia me dar ao luxo de dormir um pouco mais do que o normal. A luz do sol entrando pela janela iluminava a torneira do banheiro. Contive um bocejo enquanto girava o registro para o “quente”, afastando o frio que subia pelos meus pés descalços, e lavei o rosto com a água morna. Depois disso, abri a porta da sala dizendo:

   "Bom dia."

   "Bom dia, Yuuta."

   "Bom... bocejo... dia, Yuuta."

Meu velho e a Akiko já estavam lá. No caso dela, ainda parecia bem sonolenta. Pelo visto, já tinham terminado o café da manhã. Quando olhei para a mesa, vi dois pratos cobertos com plástico. Como de costume nos fins de semana, havia presunto com ovos, salada e sopa de missô. Normalmente, esse tipo de refeição viria com pão, mas meu velho foi completamente conquistado pela sopa de missô da Akiko, o que acabou criando essa combinação meio inusitada. Ainda assim, depois que você se acostuma, fica até bom.

   "...Hm? Cadê a Ayase?"

   "Ainda está dormindo."

   "Talvez tenha ficado acordada estudando de novo..."

Acho que devo esperar por ela. Comer sozinho não torna a comida mais gostosa, pelo menos.

   "Não sabemos quando ela vai acordar, então pode comer sem ela."

   "Bom... tudo bem."

   "Vou esquentar a sopa de missô pra você."

   "Obrigado", respondi, colocando as fatias de pão na torradeira.

Depois, coloquei o presunto com ovos no micro-ondas, tirei o plástico dos pratos, peguei o pão torrado e me sentei à mesa. Logo em seguida, Akiko trouxe a sopa.

   "Ela estava dormindo na sala. Com fones de ouvido, inclusive. Nem percebeu quando cheguei."

Enquanto comia o pão, ouvi o que Akiko contou sobre a noite anterior. Mesmo que ela tivesse voltado cedo do trabalho como bartender, ainda seria, no mínimo, três da manhã. Será que ficou estudando até tão tarde assim? Pelo que Akiko disse, ela estava com textos em inglês na frente. Eu entendo — a viagem escolar está chegando, e ela não vai conseguir estudar tanto durante esse período — mas ainda assim é impressionante.

Ainda assim, é raro a Ayase dormir na sala daquele jeito. Ela normalmente evita baixar a guarda dentro de casa, então talvez isso signifique que está começando a confiar mais em nós? Meu velho e a Akiko se casaram e fomos morar juntos em agosto. Se ela realmente está começando a nos ver como família, isso me deixa feliz. Bem... ela deve acordar logo.

   "Hora de comer."

Coloquei um pouco de molho de soja no presunto com ovos e, com os hashis, coloquei tudo sobre a torrada. O mais importante aqui é manter a gema intacta bem no centro do pão. Essa é a preparação perfeita. Dei uma mordida. Quanto mais me aproximava do centro, mais gema vinha junto, misturando aquela textura quase líquida com a crocância do pão e preenchendo minha boca com o sabor do ovo.

Comer assim, sem deixar a gema escapar, é o verdadeiro prazer e—

   "Você realmente come igual ao Taichi, Yuuta."

   "Pff—! Cof! Cof!"

   "Meu Deus. Aqui, beba água." Ela me entregou um copo.

   "O-Obrigado..."

   "De nada. Vá com calma e coma devagar", disse Akiko, sorrindo, apoiando o rosto na mão enquanto se sentava à minha frente. "Mas é sério, vocês dois são idênticos."

   "S-Sério?"

Eu nunca tinha reparado muito nisso, mas fazia sentido. Também não costumo observar meu velho comendo. Nesse momento, Akiko bateu palmas.

   "Hoje é Dia dos Namorados, não é?"

   "Ah... sim?"

   "Então... aqui!"

Ela me entregou uma caixa embrulhada. Eu já tinha notado aquilo na mesa antes, mas não tinha pensado muito. Agora, vendo de perto, percebi a fita — claramente era um presente. Hesitei por um instante, mas agradeci.

Imagino que esse seja o nível final do “chocolate obrigatório”... chocolate de mãe.

Pensar que algo tão simples me faria perceber que agora eu realmente tenho uma mãe.

Enquanto eu ficava meio emocionado, ouvi a voz do meu velho do sofá:

   "E o meu...?"

Pelo visto, ele ainda não tinha recebido nada. Mas... eu não tinha visto mais nenhum presente na mesa. Akiko olhou para o lugar vazio, depois para ele, e respondeu apenas com um:

   "Hã?"

   "Nããão pode ser..." ele suspirou, incrédulo, enquanto Akiko mostrava a língua.

   "Hehe. Brincadeira, eu tenho algo pra você."

Ela abriu a geladeira, pegou uma caixa branca e entregou a ele. Meu velho colocou no colo e abriu, revelando um bolo de chocolate.

   "É um chiffon de chocolate."

   "Você fez isso só pra mim?"

   "É uma data especial, temos que tornar memorável, né? Fiz com pouco açúcar, então não precisa se preocupar com o estômago."

   "H-Haha... poxa, não precisava falar isso..." murmurou ele, coçando o nariz, envergonhado.

Ela é completamente o oposto da minha mãe biológica. Minha mãe era o tipo de pessoa instável, mudando de comportamento dependendo de com quem falava. Para mim, ela foi um fracasso. Já Akiko é compreensiva.

Mas não acho que ela esteja tentando agradar de propósito. Isso só mostra como relações humanas não funcionam de forma tão simples.

Ainda assim, ela fez um bolo especialmente para agradar meu velho. E... Ayase também costuma fazer coisas assim.

Tal mãe, tal filha.

   "Vou fazer mais café. E pegar faca, garfo e prato."

   "Deixa comigo."

   "Obrigada, Taichi."

   "Eu que agradeço. Feliz Dia dos Namorados, Akiko."

   "Sim. Feliz Dia dos Namorados."

Os dois trocaram olhares que pareciam derreter como chocolate.

Aquilo me fez lembrar do que Maru disse — que eu presumia que casais agem assim em público. Pelo menos dentro de casa... esses dois não se seguram nem um pouco.

Tentando não olhar para a cozinha, continuei comendo meu pão em silêncio.

As aulas do cursinho terminaram pela manhã, e chegou a hora do almoço. Saí do prédio e fui até uma loja de conveniência próxima. Assim que entrei, fui atingido por um mar de vermelho — chocolates de Dia dos Namorados por toda parte.

Peguei um onigiri simples e fui para o caixa. Na fila, uma mulher alta terminou e virou-se.

   "Ah, pode passar... oh, que coincidência."

Era alguém do cursinho.

   "Ah, Fujinami."

   "Que coincidência mesmo. Ah, desculpa, já estou saindo."

   "Sem problema."

Paguei com o celular, mas hesitei antes de guardar o onigiri. Fujinami percebeu.

   "Se quiser comer no cursinho, posso levar pra você."

Dentro da sacola dela havia sanduíches, pães e café com leite.

   "Ah... obrigado. Posso carregar a sacola então."

   "Um onigiri não pesa nada, mas se te faz sentir melhor, aceito."

Coloquei o onigiri na sacola, e fomos juntos até a praça de alimentação. Sentamos lado a lado.

   "Obrigado."

   "Por nada. E obrigada por carregar."

Ela organizou tudo, dobrando a sacola como se fosse um apoio.

   "É só um hábito. Depois uso como lixo."

   "Entendi."

Ela então perguntou:

   "Você não colocou o onigiri na sua bolsa... foi por higiene?"

   "Ah... não exatamente. É que eu trabalho numa livraria depois."

Expliquei sobre o estresse, especialmente com furtos. A desconfiança constante desgasta.

   "Entendi... mesmo que tenha pago, os funcionários não sabem. E você acaba se preocupando com o olhar dos outros."

Concordei.

Falamos então sobre a viagem escolar.

   "Pra onde vocês vão? Kyoto?"

   "Singapura."

 

[Ayko: Agora que eu parei pra raciocinar que eles vão pra Singapura… De curiosidade, o aeroporto internacional de lá é maravilhoso, procurem ver, vale a pena!]

 

   "No exterior? Que inveja..."

Ela comentou que gostaria de viajar no futuro.

Falamos sobre inglês, e lembrei da Ayase estudando até tarde.

   "Você fala bem inglês, Fujinami?"

   "Mais ou menos."

   "Impressionante."

   "É por causa do ambiente."

Conversamos até ela dizer:

   "Você perde a noção do tempo, por exemplo."

Só então percebi que estávamos quase atrasados.

   "Vamos rápido."

Depois das aulas, já era noite quando fui trabalhar na livraria perto da estação de Shibuya. O frio era tão intenso que fazia meus olhos lacrimejarem.

   "Oi, kouhai!" chamou Yomiuri.
Conversamos, e ela comentou:

   "Sem sua irmãzinha hoje, vai ser só nós dois no caixa."

O movimento estava fraco.

Mais tarde, ela comentou:

   "Viagem escolar e Dia dos Namorados... cheira a juventude."

   "De onde veio isso?"

   "Shibuya está cheia de casais."

Ela então perguntou:

   "Você ganhou chocolate?"

   "Ah... só da família."

Evitei entrar em detalhes.

Quando o turno terminou, ela me entregou uma caixa.

   "Aqui, chocolate obrigatório."

Era igual ao que ela deu ao gerente.

Fiquei olhando, sem saber o que dizer.

[Ayko: É… a Yomiuri é fofinha demais também, acho que nunca comentei issokkkk]



   "Qual é a diferença entre chocolate de obrigação e chocolate por dever?"

   "Os sentimentos que vêm junto?"

   "Por que isso soou como uma pergunta?"

   "Quero dizer que o tipo de sentimento dentro do chocolate é diferente!"

Como isso faz sentido? O que exatamente estaria “dentro” dele?

   "Afeto?"

   "Lá vem outra pergunta..."

   "Você escreve com o kanji de ‘obrigação’, mas lê como ‘amor’."

   "Acho que não tem relação nenhuma entre os dois."

   "Eu só estou tentando lidar com o estresse do trabalho sendo uma boa senpai e apoiando meu kouhai."

   "Isso aí já é o começo de assédio de poder, sabia? E não use seu kouhai pra aliviar estresse."

   "Mas eu também quero viajar pro exterior! Buá, buá... Ei, Kouhai... não quer me contratar como guia na sua viagem escolar?"

   "Se você tem tanta confiança no seu inglês, devia se candidatar numa empresa de verdade pra isso."

   "Também não sou tão boa assim. E, no meu curso, não tem tanta gente que fale inglês fluentemente. Mas pelo menos conseguimos nos virar lendo textos."

   "Sério?"

   "A maioria das dissertações e artigos hoje em dia é escrita em inglês. Então a gente precisa fazer abstracts — basicamente resumos curtos dos trabalhos. Em outras palavras, quando estamos pesquisando, lemos vários abstracts pra encontrar algo útil pro nosso argumento."

   "Entendi...?"

   "E esses abstracts geralmente também estão em inglês. Então você acaba lendo vários resumos e depois textos longos... também em inglês. Por isso—"

Sinceramente, esse papo de abstract já estava começando a me deixar tonto.

   "Tem bastante gente que consegue ler textos acadêmicos normalmente. E quem vai pra pós geralmente consegue conversar em inglês também. Mas o estudante médio não chega nesse nível. A professora Kudou, por exemplo, consegue falar inglês o dia inteiro. Ela sabe que a gente detesta e está tentando transformar os seminários em inglês puro. Da última vez, estava toda animada falando em fazer provas só com leitura e questões em inglês..."

Universidade parece difícil. Ou talvez essa professora seja meio excêntrica. Difícil dizer. Acabei sentindo até certa pena e pedi algumas dicas de conversação.

[Ayko: Acho que ambos Yuuta]

   "Boa pergunta. No fim, é prática."

Era basicamente o mesmo que Fujinami tinha dito.

   "Empresas estrangeiras de alto nível costumam fazer provas totalmente em inglês. Tanto a leitura quanto as respostas!"

   "Sério mesmo?"

   "Por isso acho melhor você começar a praticar. E, se souber ler em outra língua, pode ler livros antes mesmo de serem traduzidos. Dá pra ler aquelas ficções científicas incríveis antes de virarem filme!"

   "Ohh!"

   "E se conseguir conversar razoavelmente..."

   "Se eu conseguir...?"

   "Você pode assistir filmes ao mesmo tempo que o resto do mundo!"

   "Oooh!"

   "E ainda ajuda no trabalho! Bom... provavelmente?"

   "O-Oh...?"

Essa última parte não foi muito convincente. Mesmo assim, agradeci o conselho e ouvi até ela voltar ao trabalho. Depois disso, saí da livraria e fui para casa.

Guardei a bicicleta e entrei no prédio. Mesmo sendo domingo à noite, fui checar a caixa de correio por hábito. Estava vazia. Subi de elevador e, ao abrir a porta, anunciei minha chegada em voz baixa.

   "Bem-vindo de volta."

   "Hm? Ayase, você está estudando aqui?"

Ela estava na sala, com livros de inglês abertos.

   "Você disse que mudar de ambiente ajuda, lembra? Eu estava meio dispersa, então resolvi estudar aqui."

   "Fico feliz em ter ajudado. Bom, cheguei."

   "Sim." Ela tirou os fones. "Quer jantar?"

Assenti e agradeci. Como sempre, meu velho estava dormindo, e Akiko ainda estava trabalhando. Quando deixei minha bolsa no quarto, lembrei de algo. Tirei o chocolate que recebi da Yomiuri-senpai e coloquei na geladeira. Mesmo no frio, deixar chocolate fora pode fazer derreter.

   "Isso..." Ayase murmurou, olhando para minhas mãos.

   "Ah, sim. Ganhei da Yomiuri-senpai. É chocolate obrigatório."

   "Ah."

   "Hm?"

   "Não é nada. Só achei impressionante alguém da universidade poder comprar chocolate de marca... Isso é chocolate obrigatório, né?"

   "Pelo menos não é ‘por dever’."

   "Como é?"

   "Deve ser mais uma piada da Yomiuri."

Ayase parecia tão confusa quanto eu. E, sinceramente, nem eu conseguiria explicar o que se passa na cabeça da Yomiuri.

Deixei a bolsa no quarto e voltei para a mesa.

   "Já está quase pronto. Só vou esquentar mais um pouco."

   "Sem pressa."

Ela estava aquecendo o ensopado branco do almoço. Eu preparei os pratos e servi o arroz.

No momento certo, ela colocou o prato principal na mesa enquanto eu me sentava.

   "Obrigado."

   "De nada. Só um instante, tem mais uma coisa."

   "Hm?" Olhei para a mesa.

Tinha legumes e frango do ensopado, arroz e algas cozidas. Mais do que suficiente para um jantar leve. Mas, para minha surpresa, ela colocou um pequeno frasco à minha frente.

   "...Shichimi?"

[Ayko: Shichimi é um conjunto de 7 temperos japoneses!]

   "Sim. Isso é tudo."

   "...Hã?"

Agora eu estava ainda mais confuso. Eu sou do time do shoyu — pra mim, só isso já basta.

   "A sobremesa vai ser doce, então pensei que um pouco de picante combinaria melhor."

   "Acho que... já está bom assim."

   "Use como quiser. Vou voltar a estudar."

Ela virou as costas, pegou suas coisas e voltou para o quarto.

Fiquei pensando... será que shichimi combina bem com ensopado? Experimentei, mas não mudou muita coisa.

No fim, o dia terminou sem que eu entendesse o motivo daquilo.

 

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