Volume 6
Capítulo 4: 13 de Dezembro (Domingo) - Saki Ayase
13 DE DEZEMBRO (DOMINGO) — SAKI AYASE
Olhei para o relógio na mesa de cabeceira. Faltava pouco para a meia-noite.
Eu já tinha deixado tudo preparado para o dia seguinte, tomado banho e estava prestes a me deitar quando recebi uma mensagem da Maaya. Foi tão bem cronometrada que por um instante pensei que ela estivesse me observando. Mas eu sabia por que ela tinha mandado mensagem naquele horário. Primeiro, ela precisava colocar os irmãos para dormir e terminar de estudar; depois, gostava de assistir a algum anime da madrugada. Quando acabava, já era sempre bem tarde.
O que eu faço com essa garota?
Coloquei o celular no viva-voz.
“Saki. Você deu o meu presente para o Asamura?”
Era só por isso que ela tinha ligado?
“Sim, dei.”
“Ótimo! Como ele reagiu?”
“Como…? Ele fez uma cara estranha. Fico me perguntando por quê.”
“Entendo, entendo. Ótimo. Hee-hee.”
Por que ela estava rindo? Tinha alguma coisa por trás disso.
“Era um livro, não era?”
Pelo formato e pelo peso, só podia ser.
“Isso mesmo. O Irmãozão Asamura adora livros, né?”
Por que ela parecia tão animada? Eu quase conseguia ouvir o sorriso na voz dela. Além disso, o Asamura era meu irmão, não dela. Por que ela insistia em chamá-lo de irmãozão? Eu começava a me sentir como se os dois fossem irmãos e eu apenas a amiga.
“Então era só um livro? Nada estranho?”
“Claro! Um livro super útil, perfeito para ajudar qualquer jovem em momentos críticos.”
Isso soava como mentira. Mas ela não era a única capaz de armar planos.
“Parece interessante. Acho que vou pedir para ele me emprestar quando terminar de ler.”
“Não. Não faça isso!”
A resposta veio na velocidade da luz — talvez até mais rápido.
…Vou ter que interrogá-la amanhã.
“Ei, e você, Saki? O que deu para ele?”
Suspirei quando Maaya mudou de assunto descaradamente. “Um aquecedor de pescoço.”
Expliquei que nós dois tínhamos conversado sobre o que queríamos e decidido tudo com antecedência. Achei que era uma abordagem boa e sensata. Afinal, se você ganha algo que não quer ou não gosta, acaba sendo um desperdício.
Mas Maaya pareceu chocada.
“O quê?! Não acredito!”
Eu tinha deixado o volume do celular bem baixo, mas a voz dela foi tão alta que quase estourou meus ouvidos.
“O-o que você não acredita?”
O espanto dela acabou me assustando também.
“Isso é tão sem graça! Sem sofisticação, sem emoção, sem nada!”
“O que há de errado em dar o que a outra pessoa quer?”
“Não é isso que está em jogo aqui, Sakizinha!”
“Seu apelido para mim não era ‘Saki-chan’... quer dizer, ‘Saki-poo’?”
“Talvez eu comece a te chamar de Saki-moo, tipo uma vaca.”
“Por favor, não.”
[Ayko: SAKI-MOO KKKKKKKKKKKKKKKKK]
“Enfim, chega disso! Para de mudar de assunto!”
Quem mudou de assunto foi você.
“Como eu estava dizendo, a surpresa é a melhor parte de um presente!”, afirmou ela, com um tom impaciente.
Surpresa, é?
Pessoalmente, eu achava pouco provável que um presente surpresa realmente beneficiasse quem o recebe. Não era meio arrogante presumir que você sabe o que a outra pessoa quer? No fim das contas, cada um é responsável por si mesmo.
Mas Maaya ignorou completamente minha lógica. Segundo ela, a própria surpresa já era capaz de encher a outra pessoa de alegria e animá-la.
“Você pode pensar em utilidade e praticidade o resto do ano!”
“Como assim?”
“Vocês podem falar sobre o que querem e trocar presentes úteis o ano inteiro. Mas ocasiões como aniversários são diferentes!”
“Mas aniversários não são justamente para dar presentes?”
“Um presente previsível é esquecido. Mas as pessoas se lembram daqueles que as surpreendem. Você tem que entreter! Superar as expectativas e fazer o coração da pessoa disparar!”
“E-eu entendo… é assim que funciona?”
Como sempre, Maaya tinha uma forma peculiar de explicar as coisas. Ela frequentemente comparava tudo com animes, jogos e mangás — coisas das quais eu não entendia nada — o que tornava difícil avaliar se o que ela dizia fazia sentido. Mas isso também fazia com que eu continuasse pensando no assunto e questionando até conseguir absorver.
Eu tinha a sensação de que essa minha insistência costumava afastar as pessoas. Quando algo não fazia sentido para mim, eu simplesmente não conseguia deixar de perguntar.
Então… surpresa pode ser algo bom?
Se a Maaya acreditava tanto nisso, talvez eu devesse considerar melhor. Ainda assim, o que estava feito, estava feito. Se surpresas eram tão importantes, eu tentaria da próxima vez. Por enquanto, perguntaria ao Asamura o que ele achou.
Depois disso, Maaya começou praticamente uma palestra sobre a importância das surpresas.
Logo minhas pálpebras ficaram pesadas, e a conversa foi perdendo o ritmo. Nos despedimos e encerramos a ligação, e então me deitei para dormir.
Abraçando o travesseiro contra o peito, fiquei relembrando nossa conversa.
Se surpresas eram mesmo tão importantes assim… eu gostaria que ela tivesse me dito antes.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios