Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 6

Capítulo 14: 1 de Janeiro (Sexta-Feira) - Saki Ayase

1 DE JANEIRO (SEXTA-FEIRA) — SAKI AYASE

Apaguei a luz rapidamente, me enfiei debaixo das cobertas e fingi que estava dormindo.

Antes mesmo que meu coração pudesse desacelerar, ouvi a porta de correr se abrir e senti que Asamura também estava se deitando. Nossos futons ficavam em lados opostos do quarto, com nossos pais dormindo entre nós.

Isso era bom, porque significava que não precisávamos ficar excessivamente conscientes de estarmos dormindo no mesmo cômodo. Desde que eu não me virasse na direção dele, ele não veria meu rosto desprotegido enquanto eu dormia. Ainda havia uma certa distância entre nós.

Será que ele percebeu que estou acordada?

Meu coração batia descontrolado. O som ecoava nos meus ouvidos, e não dava sinal de que iria se acalmar.

Minhas bochechas estavam quentes. Lá fora estava abaixo de zero, mas eu me sentia abafada dentro do futon.

Com medo de que Asamura pudesse ouvir minha respiração irregular, puxei a coberta até cobrir a cabeça.

   “Ela é gentil, honesta… e muito esforçada. É assim que a nossa Saki é.”

Foi isso que ele disse. Eu tinha certeza. Saki. Ele me chamou de Saki. Não de Ayase.

Eu tinha me levantado para ir ao banheiro e percebi que Asamura não estava no futon. Mas, ainda sonolenta, não pensei muito sobre isso e simplesmente saí do quarto, achando: Ah, ele não está aqui.

Enquanto voltava pelo longo corredor, um pouco perdida, ouvi a voz dele vindo de trás de uma porta de correr.

Eu não tinha a intenção de escutar escondida. Só… acabei dando alguns passos a mais sem perceber.

Conseguia ouvi-lo claramente quando ele declarou que não tinha nenhuma reclamação sobre a mamãe.

E não foi só isso. Ele também me defendeu. Eu não sabia o que o levou a dizer aquilo, mas…

Gentil e honesta. Esforçada. Eu nunca imaginei que ele diria coisas assim sobre mim. Comecei até a me perguntar se eu realmente merecia esse tipo de elogio.

Aquilo me deixou feliz… e, ao mesmo tempo, com medo.

Eu nunca me preparei para ser alguém amável. Quando alguém parecia pronto para me ferir, tudo o que eu fazia era me armar para me proteger.

Mas nunca tinha pensado em fazer alguém de quem eu gostava… gostar de mim de volta.

Claro que não. Eu estava completamente focada em me preparar para viver sozinha. Nunca senti necessidade de me dar bem com outras pessoas.

Tudo isso desmoronou seis meses atrás.

Eu disse ao Asamura que não esperaria nada dele e que não queria que ele esperasse nada de mim. Naquela época, nem sequer considerei tentar fazer com que ele gostasse de mim.

E não parou por aí. A única razão de eu ter sido gentil com o pai dele era porque eu não queria destruir a felicidade da mamãe.

Mesmo assim, Asamura não só aceitou nosso acordo, como também fez questão de conversar comigo sobre tudo aquilo.

Antes que eu percebesse, já estava apaixonada por ele… e comecei a entender que o “pai” não era apenas o homem com quem minha mãe estava se casando — ele também era uma boa pessoa.

A partir daí, aos poucos, comecei a pensar que eu também deveria cuidar das pessoas importantes para quem eu amava.

Eu poderia ter inventado uma desculpa e evitado vir aqui visitar os parentes dele. Poderia ter dito que precisava estudar ou que tinha trabalho na livraria. Acho que ninguém teria me forçado a vir se eu dissesse que não queria.

Mas fui eu quem se ofereceu.

Como o pai dele comentou no carro, não havia garantia de que nós quatro teríamos outra chance de viajar juntos no futuro, e a mamãe mencionou que ele era muito próximo dos parentes em Nagano.

Eu queria gostar das pessoas importantes para quem eu amava… e queria que elas gostassem de mim também.

Mas lidar com parentes distantes, com quem eu não compartilhava nenhum laço de sangue, foi mais difícil do que imaginei. Eu era filha da segunda esposa do pai dele. Para mim e para a mamãe, era complicado criar uma conexão com pessoas que não conhecíamos bem, ainda mais estando fora do nosso ambiente. Leva tempo até que exista um entendimento mútuo.

Em situações assim, você precisa de alguém que sirva de proteção — alguém que te ajude a se encaixar naquele grupo maior.

Asamura foi esse escudo.

Ou melhor… talvez fosse mais como um amortecedor.

O pai dele provavelmente desempenhava o mesmo papel ao conversar com o avô.

Graças a eles, tive a sensação de que o olhar daquele senhor seria um pouco mais gentil a partir de agora. Se ele tivesse superado seus preconceitos, talvez eu também pudesse relaxar um pouco.

Claro, isso também significava que eu teria que ser o escudo quando ele conhecesse os meus parentes.

Eu já tinha decidido, há muito tempo, viver sozinha.

Mas agora… eu estava pensando em seguir em frente ao lado de alguém — ao lado do Asamura.

Voltei minha atenção para o corredor silencioso e vazio. Não havia sinal de ninguém se aproximando. Imaginei que a mamãe ainda estivesse ocupada conversando com os parentes dele.

Naquele momento, só nós dois estávamos no quarto.

Com cuidado, afastei a coberta e me aproximei do futon dele. Toquei de leve o ombro dele. Não era do meu feitio tocar alguém sem pedir, ainda mais sem saber quando nossos pais poderiam voltar.

Mesmo assim… sussurrei o nome dele, sem pensar, só porque queria.

   “Obrigada, Yuuta.”

Então me aconcheguei contra suas costas. Quase não havia espaço entre nós, e parecia que o calor e o carinho dele fluíam para dentro de mim através das minhas mãos.

Assim como cristais de gelo derretendo, a razão pode se transformar em algo irregular, imperfeito. Mas, naquele momento… achei até essa imperfeição bonita.

Asamura enrijeceu, e pareceu uma eternidade até que ele, hesitante, chamasse meu nome.

Enquanto isso, permaneci imóvel… ainda tocando seu corpo.

 

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