Volume 4
Capítulo 8: 25 de Setembro (Sexta-Feira) - Saki Ayase
25 DE SETEMBRO (SEXTA-FEIRA) — SAKI AYASE
Encontrei Maaya na entrada da escola.
“Ah, oi, Saki! Boa sorte! A gente se vê depois!”
“...Já está indo embora?”, perguntei.
“Sim, mas ainda não vou para casa. Quero aproveitar um pouco mais hoje.”
Ah, é mesmo. Ela disse que hoje não precisava cuidar dos irmãos. Por isso não foi para casa com a mãe depois da reunião.
“Então você já terminou.”
“E você está prestes a começar, né? Sua mãe já chegou?”
“Sim. Ela está na reunião do Asamura agora.”
Uma expressão estranha cruzou o rosto da Maaya.
“Falando nisso, eu fiquei com o Asamura na biblioteca enquanto esperava”, ela disse.
“É mesmo?”
Então ele estava matando o tempo na biblioteca. Ele realmente ama ler.
“Sim! Ele lê super rápido. Eu só terminei metade do livro que escolhi, mas acho que ele leu dois! Ele deve ler na velocidade da luz!”
Na velocidade da luz? Trezentos mil quilômetros por segundo? Do que é que ela está falando?
“Claro, claro”, respondi com um sorriso torto.
“Ele é incrível.”
“Tá bom, já entendi.”
Eu sabia que era só o jeito brincalhão da Maaya, mas não consegui evitar de me sentir feliz ouvindo ela elogiar o Asamura. Foi difícil impedir meus lábios de se curvarem num sorriso.
“Bom, melhor eu ir”, ela disse.
“E acho que já está quase na hora da sua reunião.”
Arfei e olhei o relógio. Faltavam menos de cinco minutos.
“Até mais!”, cantou Maaya, praticamente cantarolando.
“Sim, até”, respondi, saindo correndo em direção à minha sala.
Eu tinha ido para casa achando que tinha bastante tempo, então seria constrangedor chegar atrasada. Se eu não chegasse a tempo, não teria feito sentido voltar para casa para acordar a mamãe.
Subi as escadas correndo, virei o corredor e vi a mamãe e o Asamura saindo da sala dele.
Eles estavam conversando. Não consegui ouvir o que diziam, mas ver o sorriso feliz da mamãe me deixou feliz também. Ela só ficava assim quando sentia alegria do fundo do coração. Lembrei de vê-la com a mesma expressão quando eu passei no exame do Colégio Suisei.
O Asamura é incrível. Fico tão feliz que meu novo irmão seja alguém como ele... Espera, o que está acontecendo? Por que a mamãe está abraçando ele? Agora eles são mãe e filho, mas isso não é um pouco demais? Entrei em pânico por um instante, então me lembrei de como a mamãe sempre me abraçava com frequência. Talvez seja assim que mães são... Talvez.
Nesse momento, a mamãe me viu e veio correndo na minha direção.
Quando ela se aproximou, lancei um olhar de soslaio para um aviso afixado na parede que dizia: PROIBIDO CORRER NO CORREDOR.
Assim que nossa reunião começou, minha professora, a Srta. Satou, anunciou que tinha algo a dizer antes de entrarmos na discussão.
“Para ser sincera”, ela começou.
“Eu estava um pouco preocupada com sua filha, Saki, durante o primeiro semestre.”
A Srta. Satou era uma professora veterana e não era do tipo que rodeia o assunto. Foi direto ao ponto e admitiu que estava preocupada com os rumores sobre minhas escolhas de roupas e meu comportamento.
Eu preferia pessoas diretas como ela a aquelas que falam por indiretas. Mas não sabia como a mamãe se sentia. Lancei um olhar discreto para ela enquanto a professora continuava.
Ela estava sentada com a postura ereta, ouvindo a Srta. Satou sem interromper.
“Mas recentemente mudei de opinião”, disse a professora. Levantei o olhar.
“Saki melhorou em japonês, que era uma matéria problemática para ela, e não tenho mais ouvido rumores preocupantes. Ainda preciso adverti-la sobre a forma como se veste, mas entendo o desejo dela de estar na moda.”
A mamãe assentiu.
“Gostaria que ela tivesse moderação e se comportasse e se vestisse de maneira apropriada para uma estudante do ensino médio”, continuou a Srta. Satou.
“Embora isso não faça parte da reunião, peço também que a senhora a acompanhe de perto, como mãe.”
[Ayko: Realmente, ao menos na cultura asiática no geral, a questão da rigorosidade em relação às vestimentas e uniformes, é realmente seguida a risca (ou quase).]
“Eu acompanho”, respondeu a mamãe com clareza, encerrando o assunto ali.
A Srta. Satou sustentou o olhar da mamãe, assentiu e pegou meu questionário.
“Agora, sobre a escolha da faculdade da Saki...”
Depois de revisar minhas notas do semestre anterior, a Srta. Satou disse que meu sucesso dependeria de quanto eu melhorasse em japonês, mas que, se continuasse me esforçando, poderia almejar universidades ainda melhores. Em seguida, citou como exemplo duas universidades famosas que qualquer pessoa reconheceria.
“É escolha da minha filha”, disse a mamãe, me lançando um olhar que me incentivava a falar.
A Srta. Satou seguiu o olhar dela. Fiquei um pouco nervosa.
“Eu... eu quero entrar em uma faculdade que não seja muito cara e que me ajude a conseguir um emprego.”
A mamãe fez uma expressão que dizia: “É só isso mesmo que você quer?” Mas eu não estava disposta a negociar nesses dois pontos. Se eu tivesse um campo acadêmico específico que quisesse seguir, talvez fosse diferente. Mas, no momento, não havia nada em especial que eu quisesse estudar.
Sendo assim, não queria sobrecarregar a mamãe com as mensalidades de uma universidade de elite. Mas ainda queria entrar em uma faculdade decente que me ajudasse a conseguir um bom emprego.
A Srta. Satou bateu a ponta da caneta na mesa e disse:
“Nesse caso... que tal a Universidade Feminina Tsukinomiya?”
“Hã? Tsukinomiya?”
A Universidade Feminina Tsukinomiya era uma instituição prestigiada em Tóquio para mulheres. Qualquer pessoa no país reconheceria o nome e, para ser sincera, aquilo me intimidava um pouco.
“Com base no seu desempenho atual, acredito que você pode mirar na Tsukinomiya se se esforçar. A instituição tem fortes conexões em diversas áreas que ajudam na colocação profissional, e as mensalidades são baixas, já que é uma universidade pública. Eles também oferecem bolsas de estudo. Se você não conseguir uma, há empréstimos estudantis sem juros. Acredito que isso atende aos seus critérios.”
“Eu... nunca tinha considerado isso.”
Nunca imaginei que ela sugeriria tentar a Universidade Feminina Tsukinomiya.
[Ayko: Não, Tsukinomiya não é uma universidade real]
A Srta. Satou sorriu. Disse que a universidade realizaria um “open campus” naquele fim de semana e sugeriu que eu fosse dar uma olhada.
“Um open campus...”, murmurei.
“Você deveria ver com seus próprios olhos como é uma faculdade de verdade.”
“Acho que... você tem razão.”
Provavelmente eu conseguiria ir em pelo menos um dos dias.
“É nessas horas que eu me forço a seguir em frente!”
As palavras da Maaya ecoaram na minha mente como uma trombeta anunciando a investida.
Era hora de me esforçar e tentar algo novo.
Eu precisava esquecer meus sentimentos pelo Asamura e garantir que estivesse preparada para o que o futuro reservava. Talvez isso me ajudasse a fazer as duas coisas.
Assim que a reunião terminou e saímos da sala, tomei minha decisão.
Amanhã — eu iria ao open campus amanhã.
No caminho para casa, a mamãe começou a murmurar:
“Aquela mulher não faz ideia. Se a Saki começar a tentar agir com moderação, ela só vai exagerar ainda mais...”
No fim das contas, fingi que não ouvi.
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