Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 4

Capítulo 4: 4 de Setembro (Sexta-Feira) - Saki Ayase

4 DE SETEMBRO (SEXTA-FEIRA) — SAKI AYASE

O sinal tocou, anunciando o fim da quarta aula, e todos os alunos relaxaram ao mesmo tempo.

   "Hora do almoço!", gritou uma garota.

Olhei para ela e suspirei. Como ela conseguia ter tanta energia todos os dias? Mas isso não importava.

   "Almoço, almoço!"

Ela parecia estar saltitando... Nossa. Ela realmente estava saltitando.

Enquanto eu esperava o furacão chamado Maaya Narasaka chegar até minha carteira, notei vários colegas atrás dela.

   "Ei, Ayase", disse a garota sentada ao meu lado.
   "Vou para o refeitório, então pode usar minha carteira."

   "Obrigada."

Ela pegou a carteira e saiu da sala. A observei por um instante, depois empurrei a carteira dela para junto da minha e tirei minha marmita da bolsa.

   "Saki", disse Maaya, "desculpa pelo tumulto hoje."

   "Não tem problema."

Eu já tinha garantido um lugar para Maaya, que veio balançando a própria marmita de um lado para o outro. Mas e o pessoal atrás dela?

Fiquei sem saber o que fazer por um momento, até perceber que eles mesmos estavam pedindo carteiras emprestadas aos colegas ao redor.

Metade da turma costumava ir ao refeitório ou aos clubes para almoçar. Isso deixava várias carteiras livres, então, desde que pedissem permissão, não havia problema algum. Ainda assim, para mim, parecia esforço demais só para comer junto com outras pessoas.

Normalmente, eu nem teria aceitado algo assim. Mas eu já conhecia parte daquele grupo por causa do passeio à piscina nas férias de verão, e com os outros eu vinha conversando mais recentemente.

Quando percebi, já tínhamos formado uma pequena ilha de carteiras no meio da sala.

Agradeci mentalmente pela refeição.

Então Maaya se virou para mim.

   "Me pergunto o que tem no seu almoço hoje."

   "Você não devia estar olhando para a sua própria comida, Maaya?"

   "Ah! Um omelete!"

   "Tira esses hashis do meu bento!"

   "Metade! Me dá só metade!"

   "Ugh..."

Parti meu omelete ao meio e joguei uma das partes no bento dela.

Ela aparentemente considerou aquilo uma troca e colocou um pedaço de frango frito na minha.

   "Isso não é bem maior do que o que eu te dei?", perguntei.

   "Não se preocupa com isso. Ooooh, o salmão da Yumi também parece ótimo."

   "Troco um pedaço por esse frango especial da família Narasaka!", disse Yumi.

   "Fechado!"

Ah. Então o frango é receita de família.

Levei o pedaço à boca e mordi. A crosta não era gordurosa, e a carne suculenta se desfazia facilmente. Não era muito gordo — provavelmente peito, não coxa.

   "Isso está muito bom...", comentei.

   "Não é?! O frango da Narasaka é mágico."

   "Não é mágico, é frango frito!", disse Maaya, com a maior seriedade.

Todos riram, e eu me vi rindo junto.

   "Maaya. Você fritou duas vezes?", perguntei.

   "Hm?"

   "Ah, termina de comer primeiro. Depois você me conta."

   "Mm-mmm."

Ela assentiu com a boca cheia, e todos riram novamente.

Sempre achei que lidar com pessoas era perda de tempo e que eu nunca precisaria de amigos além da Maaya. Mas agora eu estava me esforçando conscientemente para construir novos vínculos.

Comíamos e conversávamos entre uma garfada e outra. Eu não conseguia acompanhar totalmente os assuntos, nem estava particularmente interessada em os acompanhar na verdade. Ainda assim, ali, fingindo prestar atenção, percebi que estava começando a me divertir.

A psicologia humana era surpreendentemente simples. Será que esse fenômeno tinha um nome?

   "Ei, pessoal..."

Um dos garotos chamou a atenção de todos, e eu ergui o olhar.

   "Que tal sairmos juntos de novo este mês?"

Qual era o nome dele mesmo...? Como era...?

   "Boa ideia, Shinjou. Quando e onde você estava pensando?", alguém perguntou.

   "Que tal karaokê? Num domingo em que todo mundo esteja livre."

Ah, é. Shinjou.

Todos pareceram gostar da ideia.

   "E você, Saki?", perguntou Maaya.

Hesitei. O que eu faço? Antigamente, eu teria recusado na hora, dizendo que precisava estudar ou trabalhar.

   "Eu..."

   "Você vai trabalhar? Ou vai estar estudando?"

Ela já tinha me dado uma saída, caso eu quisesse usar.

   "Eu não trabalho no dia vinte e sete. Normalmente eu estaria estudando, mas..."

   "Oh-ho. Eu sabia que você era aplicada. Hm... o que a gente faz, então?"

   "Se for assim", disse Shinjou, virando-se para mim.
   "Que tal fazermos um grupo de estudos?"

Por que ele está me olhando desse jeito?

[Ayko: Neeem te conto Ayase, neeem te conto]

   "Onde?", alguém perguntou.

   "Na biblioteca?"

   "E se for lá em casa?", sugeriu Maaya.

Os outros pareceram hesitar. Não era estranho — éramos seis pessoas. Mas eu sabia que caberíamos na sala da casa da Maaya.

Ela explicou que os pais levariam os irmãos para passear naquele dia. Curvou os dedos como uma patinha de gato e fez um gesto chamando.

   "Venham lá em casa."

Se eu realmente estava levando a sério a ideia de construir novos vínculos, então provavelmente deveria ir.

E, se eu interagisse mais com outras pessoas, talvez finalmente conseguisse me livrar desses sentimentos inadequados por Asamura.

Quando cheguei em casa, comecei a preparar o jantar e a deixar o café da manhã do dia seguinte adiantado.

Ah, é mesmo.

Abri a geladeira e peguei o frango. Se eu fizesse frango frito, poderíamos comer no café da manhã e ainda levar as sobras como almoço. Pensei na receita da família da Maaya. Ela provavelmente fritava duas vezes — primeiro em temperatura baixa, depois em alta. Eu quase nunca fazia isso por falta de tempo, mas hoje poderia tentar. Felizmente, não trabalharia.

Preparei carapau seco grelhado para o jantar e fiz sopa de missô com berinjela e tofu seco. Finalizei com um fio de óleo de gergelim para dar um toque diferente.

O pai chegou enquanto eu cozinhava e foi encher a banheira. Ele jantou enquanto esperava.

   "A sopa de missô está diferente hoje", comentou.

   "Não gostou?"

   "Está deliciosa. O Yuuta vai adorar."

Eu não esperava essa resposta e tive dificuldade para manter a expressão neutra.

   "Que... bom", consegui dizer.

   "A Akiko também usa óleo de gergelim às vezes. Fica ótimo. É receita de família?"

   "...Pode-se dizer que sim."

Por um instante eu tinha esquecido, mas foi a mamãe quem me ensinou esse truque de usar óleo de gergelim para variar o sabor.

Depois do banho, o pai foi dormir.

Terminei de fritar o frango, escrevi um bilhete para o Asamura e fui para o meu quarto preparar as aulas do dia seguinte.

Coloquei os fones de ouvido para bloquear o mundo ao redor, liguei um lofi hip-hop e abri o livro de matemática.

Teria aula de matemática amanhã, e o professor gostava de chamar os alunos na ordem do número de chamada, que era definido pelo sobrenome. Como "Ayase" vinha logo no começo, havia grandes chances de eu ser chamada. Eu precisava estar preparada.

Enquanto estudava, pensei nos planos para o domingo seguinte, e lembranças daquele dia na piscina, no verão, vieram à tona.

Se eu realmente quisesse me afastar do Asamura, não deveria parar de cozinhar para ele? Parar de deixar bilhetes? Mas isso não seria exagero? Em vez de me afastar, pareceria que eu estava cortando completamente os laços.

Eu não queria isso.

Eu realmente não queria afastá-lo.

Isso seria pior do que quando éramos estranhos.

Eu pensava assim porque somos família? Porque não quero destruir nossa relação de troca e apoio?

Ou...

...isso é apenas sinal de que meu apego ainda não desapareceu?

Nem eu sabia ao certo.

E, no fim, não consegui resolver um único exercício do livro.



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