Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 3

Epílogo: O Diário de Saki Ayase?

EPÍLOGO

DIÁRIO DE SAKI AYASE…?

Este é um registro da última semana.

O que eu devo fazer?

Já faz um tempo que estou encarando o teto, perdida em pensamentos. Agora são… quatro e trinta e seis da manhã.

Ainda está escuro, já que o sol só nasce um pouco depois das cinco nesta época do ano.
Não preciso me levantar por mais uma hora e meia. Ontem fui dormir cedo porque estava exausta e, como resultado, acordei bem mais cedo do que imaginava.

As cortinas balançam suavemente no canto do meu campo de visão. O ar frio do ar-condicionado sopra sem me atingir diretamente, mantendo o quarto agradável apesar do calor que começa a aumentar.
Do outro lado da janela, entre as frestas do tecido que ondula, consigo ver o céu esbranquiçado de Shibuya antes do amanhecer.

Vai fazer sol. Mais um dia quente.

E eu estou aqui, pensando.

Um mês… De algum jeito, consegui aguentar isso por um mês inteiro.

Eu odiava o fato de ele estar criando memórias das quais eu não participava. Odiava saber que alguém conhecia lados dele que eu não conhecia.
Isso não está exatamente certo. Na verdade, eu nem tinha consciência de que odiava isso. Só havia essa sensação sufocante no meu peito, que ficava cada vez maior.

O que está acontecendo?

Eu me fiz essa pergunta um mês atrás e, finalmente, entendi a identidade dessa emoção estranha.

É ciúme.

[Ayko: “Díario de Saki Ayase, Vol.2 - P: Resume esse sentimento feio que você está vivendo em uma única palavra.
R: Cíume.”]

Eu escrevi isso no meu diário.
E, no momento em que escrevi, tudo ficou claro.

Ele sempre é neutro com as pessoas.
Por isso consegue lidar comigo, mesmo eu sendo complicada. Ele me enxerga sem preconceitos, reconhece o esforço e o trabalho duro que nunca deixei ninguém mais ver. Ele me entende.

Eu quero conhecê-lo melhor. Quero entendê-lo.

Yuuta Asamura.

Eu me sinto atraída por ele.

Mas, quando vejo o quanto a mamãe fica feliz ao lado do papai, não consigo suportar a ideia de destruir isso. E Asamura ficaria em apuros se soubesse o que eu sinto.

Claro que ficaria.

Por isso tento agir como uma estranha no trabalho.

Toda vez que ajo de forma formal com ele, como se fôssemos desconhecidos, sinto que dou um passo para longe. Se eu não fizesse isso, provavelmente começaria a querer mais.
E consegui manter isso por um mês.

Quando foi que comecei a desmoronar? Acho que foi mais ou menos nessa época.

Naquela manhã em que a mamãe quase o enganou. Apesar do jeito gentil, ela é muito boa em enganar as pessoas.

Mas tudo bem. Asamura não pode ser esperto o tempo todo, embora geralmente mantenha a cabeça fria.

Depois disso, foi o papai quem lançou um ataque surpresa. E então a mamãe se juntou a ele, sugerindo que eu chamasse Asamura de “Yuuta”.

Espere um pouco, mãe.

Yuuta? Eu jamais conseguiria chamá-lo assim. Será que outros irmãos se chamam pelo primeiro nome? Será mesmo? É assim que irmãs mais novas chamam seus irmãos mais velhos?

Acho difícil acreditar.

E, claro, o papai ainda teve que acrescentar mais uma coisa. Disse que chamava a mamãe de “Ayase” antes de começarem a namorar. Que coisa para se dizer.

Agora vou lembrar disso toda vez que Asamura me chamar de “Ayase”.

“Antes de começarem a namorar”, hein?

Namorar. Quando dizem “namorar”, querem dizer… sair juntos, daquele jeito?

Eu estava pensando nessas coisas quando Asamura perguntou sobre meus planos para o verão.

Ele estava perguntando indiretamente se eu pretendia sair com amigos.

Respondi automaticamente que não, porque, no dia anterior, Maaya tinha me convidado para ir à piscina. Não só isso, como também sugeriu que eu levasse o Asamura. Ir à piscina seria divertido. E achei que seria ainda mais divertido se Asamura fosse também.

Depois do convite da Maaya, isso foi tudo em que consegui pensar. Não avancei nada nos estudos para as provas, não cheguei nem à metade do que tinha planejado.

Com isso também percebi outra coisa. Quando comecei a pensar em Asamura, ele passou a ocupar todos os meus pensamentos. Eu simplesmente não conseguia me concentrar.

Sempre tive em mente me tornar independente para não ser um peso para a mamãe, e para isso, preciso manter minhas notas. Não sou tão inteligente quanto Asamura, o que significa que preciso estudar mais do que ele.

Foi por isso que tive que recusar o convite para ir nadar. Cheguei a ir até o quarto dele para contar isso.

Fiquei aliviada quando ele acreditou, ao dizer que eu e a Maaya não éramos do tipo de amigas que saíam juntas nas férias de verão. Não sabia o que faria se isso não o convencesse.

Mesmo assim, fiquei com medo de que ele tivesse percebido minha mentira e notado que eu estava em pânico. Ele percebe todo tipo de coisa.

Ele encontrou em segundos um livro que eu não consegui achar depois de mais de dez minutos procurando. Foi incrível. Até a cliente ficou encantada.

Então ele disse que ela teria encontrado mais rápido.

Shiori Yomiuri.

Não gostei de ouvi-lo elogiá-la e me odiei por isso. Como eu poderia ser tão egoísta?

Mas, no caminho de volta para casa, percebi que existem coisas em que nem mesmo Asamura é bom.

Aquilo foi divertido.

No dia seguinte, o ar-condicionado da sala parou de funcionar.

Fiquei no meu quarto até a hora de sair para o trabalho, porque não aguento calor.
Deixei o ar-condicionado no máximo e tentei colocar os estudos em dia, ouvindo lo-fi hip-hop com fones de ouvido.

Mas não rendi nada.

Saí de casa depois que o calor atingiu o pico e fiquei em um café até a hora de bater o ponto.

Pedi um Frappuccino porque tinha um cupom de 50% de desconto e li enquanto me refrescava. Estava no meio do livro que o Asamura tinha me recomendado.

Quando me levantei para ir embora, vi Asamura sentado no mesmo café.

E por impulso, acabei o cumprimentando..

Mas havia duas bebidas na mesa dele, o que significava que estava com alguém…

Foi então que, enquanto conversávamos, um garoto bem-apessoado, de óculos, se aproximou. Eu sabia que ele estudava na nossa escola e era próximo do Asamura, então encerrei a conversa abruptamente e fui embora.

Na escola, agimos como estranhos. Não havia necessidade de revelar nosso segredo ali.

Mas tudo bem. A bebida era daquele garoto.

Confesso que fiquei um pouco aliviada.

Depois disso, fui direto para o trabalho, e só estavam escalados Asamura, Yomiuri, eu e um funcionário efetivo.

Yomiuri me elogia sempre que nos vemos. Diz que aprendo rápido e que tenho muito talento. Dá para perceber que ela fala sério. Ela é uma ótima mentora.

Madura, bonita, fácil de lidar, atenciosa.
Pensar que uma mulher assim esteve ao lado do Asamura todo esse tempo…

Foi também naquela noite que aconteceu.

Asamura me fez aquela pergunta: se a Maaya tinha convidado nós dois para a piscina.

Meu coração disparou.

Como ele sabia?

Prefiro nem pensar na minha reação.
Com certeza pareceu suspeita.

Por um instante, pensei que a Maaya tivesse falado diretamente com ele. Se eu tivesse mantido a calma, teria percebido que eles não tinham contato.

Fiquei me perguntando se o Asamura queria ir.

Se ele quisesse, talvez me odiasse se descobrisse que eu já tinha recusado o convite. Afinal, ir à piscina durante as férias de verão? Claro que eu queria ir. Fazia anos que eu não ia a uma.

Mas…

…eu já estava tendo dificuldade para avançar nos estudos. Não tinha tempo para diversão.

Eu tinha certeza disso.

   “Se não vai, então não precisa se forçar.” (Porque eu não deveria estar me divertindo.)
  “Eu não vou.” (Eu não posso ir.)

Era como se minha voz interior ecoasse em um segundo canal, se acumulando como neve e se transformando em gelo…

Meu coração devia estar no limite.

Na manhã seguinte, acordei cedo para não ver o Asamura.

Preparei o café da manhã antes de ele acordar e me tranquei rapidamente no quarto. Se eu mandasse uma mensagem avisando que o café estava pronto, não haveria problema.

Ele respondeu com um simples agradecimento. Não colocou figurinha, nem emoji. Será que foi porque eu também não usei? Ele é bom em se ajustar e sempre acompanha o tom dos outros.

Mas era isso mesmo que ele queria? Talvez ele gostasse de usar adesivos divertidos, como outras pessoas. Se fosse assim, ele deveria simplesmente usá-los. Não precisava me imitar.

Outras pessoas… como a Shiori Yomiuri, por exemplo.

Talvez por eu estar distraída, demorei alguns segundos para ouvir a batida na porta.

Tirei os fones rapidamente e abri a porta só um pouco.

Como eu esperava, era Asamura, e ele voltou a tocar no assunto da piscina.

Soei fria, porque não queria ouvir mais sobre isso. Mas, dessa vez, ele foi insistente.

Ele pediu o contato da Maaya.

Por que eu agi daquele jeito?

Não acredito nas palavras de rejeição que saíram da minha boca.

Fui horrível.
Soei como uma criança imatura.

Meu sangue gelou por um instante ao ver a expressão de surpresa no rosto dele. Foi aí que percebi que não tinha o direito de tratá-lo assim.

Consegui me acalmar de algum modo.

Ele estava certo em pedir o contato dela. Afinal, ela também o tinha convidado. Eu não podia simplesmente recusar. Ainda assim, achei que não seria certo passar o contato sem a permissão da Maaya. Disse isso a ele, e ele recuou.

Eu precisava perguntar à Maaya se tudo bem passar o contato.

Mas ela disse que estava viajando.

Eu a incomodaria se ligasse ou mandasse mensagem enquanto ela estava se divertindo?

Eu sabia que tudo isso eram desculpas, mas não importava.

Foi um dia realmente ruim. Não acho que Asamura estivesse fazendo aquilo de propósito, mas ele continuava fazendo coisas que me abalavam. Ele até foi trabalhar com a Yomiuri.

Eu odiava o fato de ele me forçar a encarar meus sentimentos, aquilo que eu não queria admitir.

Quer dizer, ele era livre para fazer o que quisesse, com quem quisesse.

Yomiuri, com seu cabelo preto longo e elegante. Ela é linda, até aos meus olhos, e combina muito bem com o jeito pé no chão do Asamura.

Será que ele gosta de cabelos longos e pretos?

Eu também tenho cabelo longo, embora de outra cor…

…Mas no que eu estou pensando? Meu Deus. Que idiota.

Naquele dia, tive medo de ver Asamura novamente e fui embora sozinha depois do expediente, deixando uma mensagem dizendo que tinha algumas compras para fazer.

Voltei para casa depois disso, e ele estava lá, parado na cozinha.

Percebi então que tinha saído sem preparar o jantar. Ele se virou ao notar que eu tinha chegado e parecia confuso, segurando um pacote de arroz congelado e legumes em uma das mãos.

Vê-lo ali, segurando o arroz daquele jeito, me fez rir.

Para um garoto de hoje em dia, ele sabe tão pouco… quase nada… sobre cozinhar.

Provavelmente por causa da mãe dele.

Pelo que me contou, parece que ele não teve refeições caseiras depois que o pai virou pai solteiro. Nunca aprendeu a cozinhar. Mas acho que é mais do que isso. Acho que ele não quis aprender, por causa da mãe.

Hoje em dia, há muitas oportunidades de ver comida caseira, afinal.

E ainda assim, ali estava ele, se esforçando para aprender.

Foi divertido preparar o jantar.

Asamura sempre me ajuda, até parecia que estávamos cozinhando juntos.

Mas, depois do jantar, ele suspirou e voltou àquele assunto.

A piscina.

Por que ele suspirou? Lembro que isso me irritou.

Sem aguentar mais, peguei o celular e estava prestes a procurar o contato da Maaya.

Eu nem tinha falado com ela ainda.

Mas Asamura me impediu e disse que não importava.

Não só isso, como também disse que queria que eu me divertisse na piscina.

Fiquei sem palavras.

Por que ele se preocupava se eu me divertiria?

Perguntei isso a ele, e ele disse que estava preocupado comigo. Que queria que eu me cobrasse menos e aproveitasse mais, relaxasse mais.

Mas eu tenho que estudar. Eu não tenho tempo para diversão.

Porque, se eu não estudar… serei inútil.

Naquela noite, fiquei pensando nisso até uma, depois duas da manhã, sem conseguir me concentrar. Desisti e fui para a cama, mas as palavras de Asamura continuaram ecoando na minha mente.

Fiquei me perguntando por que ele tinha dito aquilo.

Já se passaram dois meses desde que a mamãe e eu nos mudamos para este apartamento, em junho. Pensei em tudo o que aconteceu desde então e, mais uma vez, me lembrei das palavras dele.

Apaguei a luz, mas as memórias surgiram na escuridão como uma miragem.

Quando o pedaço de céu que eu via pela fresta da cortina começou a clarear, finalmente adormeci.

Por trás das pálpebras fechadas, enxerguei Asamura suspirando. Em seguida, o rosto da mamãe se sobrepôs à imagem dele.

E me lembrei daquele olhar.

Houve uma vez, no ensino fundamental, em que ela sugeriu irmos à praia. Considerando nossa situação financeira, achei que seria impossível, e não queria que ela se sacrificasse tirando um dia de folga. Por isso, disse que precisava estudar e recusei a ideia.

Era a mesma expressão que ela tinha feito naquela época. Aquele olhar levemente magoado.

Eu tinha me contido por causa dela e, ainda assim, por alguma razão, eu parecia a ter entristecido. Nunca entendi por que ela fez aquela expressão.

Eu dormia como se estivesse em coma.

Parecia que, no instante em que fechei os olhos, já estava acordada de novo…

Trocando de roupa lentamente, percebi que tinha parado de pensar. O que era mesmo que estava me incomodando?

Ah, tanto faz.

Ainda desligada, sem conseguir fazer a mente funcionar, me vesti, fui para a sala e vi que Asamura já estava acordado. Achei estranho ele estar de pé tão cedo, até olhar o relógio e me assustar com o horário.

Cambaleando, tentei ir para a cozinha, mas Asamura me deteve, e disse que ele mesmo prepararia o café da manhã.

Como eu poderia deixar?.

Foi culpa minha. Não podia quebrar nosso acordo só porque dormi mal.

Mas Asamura me repreendeu como se eu fosse uma criança.

Ainda meio dormindo, mal consegui argumentar. Obedientemente, me sentei onde ele mandou e deixei que cuidasse do café.

Passei manteiga na torrada que ele tinha posto na torradeira e coloquei por cima uma fatia de presunto levemente tostada.

Senti o aroma do pão e da carne, e meu estômago roncou. Entrei em pânico, torcendo para que ele não tivesse ouvido. Deve ter sido por ali que percebi que estava com fome.

Enquanto esperava Asamura se sentar, ele me fez uma pergunta.

Se eu queria leite quente. Aquilo não fazia sentido nenhum.

Com a mente ainda enevoada, perguntei por que eu beberia algo assim numa manhã quente de verão.

Ele disse que ajudaria se eu voltasse a dormir.

Ele esquentou o leite só para mim.

Meu corpo começou a despertar enquanto eu mastigava a torrada em silêncio.

Terminei de comer e tomei o leite que ele tinha aquecido.

Estava quente.

Meu corpo estava resfriado pelo ar-condicionado, mas o leite aqueceu por dentro.

Soltei o ar e me senti mais leve, de corpo e mente.

   “Eu estive pensando…”

Ah, tanto faz.

   “…Eu não me importo de ir à piscina.”

Assim que disse isso, senti um peso sair do meu peito.

Mas havia um problema.

Tanto eu quanto Asamura estaríamos trabalhando no dia que a Maaya tinha marcado.

Dormi por mais algumas horas antes de sair para o trabalho.

Asamura disse que sairia mais cedo para pedir ao gerente que trocasse nossos turnos, então, naturalmente, disse que iria junto. Ele sugeriu que fossemos juntos e empurrou a bicicleta no mesmo ritmo que eu andava..

Tudo o que eu sabia sobre trabalho tinha aprendido ajudando minha mãe em casa, então fiquei preocupada, me perguntando se seria possível negociar uma troca de turnos.

Enquanto eu entrava em pânico no caminho, Asamura foi quem me ensinou como negociar.

Graças a ele, a conversa com o gerente correu bem e conseguimos trocar nossos turnos com outra pessoa, assim nos curvamos agradecidos.

Mais uma vez, pensei como Asamura era incrível.

Eu nunca conseguiria fazer algo assim.

Talvez ele seja um comunicador melhor do que imagina.

Eu disse isso a ele, e ele respondeu que eu estava exagerando. Disse que, no trabalho, o esperado é ser sincero, e isso tornava tudo mais fácil.

Entendi na hora.

Era o mesmo que nós dois conversarmos abertamente.

Vendo por esse lado, ficou fácil aceitar. Negociar não era forçar sua vontade, mas ajustar as preferências de ambos e encontrar um ponto de equilíbrio.

Se você tenta conseguir o que quer, também precisa ouvir o que o outro quer. Os pesos na balança precisam estar equilibrados, ou ela pende.

[Ayko: Lei da troca equivalente.]

Eu não me importaria se pendesse um pouco para o lado do outro, porém.

Eu gosto de ceder mais no toma-lá-dá-cá. Não é um problema para mim se a outra pessoa fica em certa vantagem.

Se isso for aceitável, então talvez eu também possa tentar ser como Asamura.

O gerente nos disse para trabalharmos duro, e senti que conseguiria fazer exatamente isso.

Assim que soubemos que daria certo, mandei mensagem para a Maaya dizendo que eu e o Asamura iríamos à piscina.

Menos de um minuto depois, ela respondeu com um adesivo de joinha, e eu sorri ao receber uma mensagem longa em seguida.

No assunto, estava escrito: Vamos Criar Memórias de Verão! Cronograma.

…Era isso que ela estava fazendo durante a viagem?

Tudo bem. Tanto faz.

Na manhã seguinte, ontem, Asamura disse que só tinha a sunga que usava na educação física e que não se sentia à vontade para ir à piscina com ela. Disse que compraria uma nova depois do trabalho.

O que eu devia fazer?

Eu tenho um maiô. Encontrei um bonitinho em promoção quando fui comprar o da escola.

Nossa situação financeira tinha melhorado bastante quando entrei no ensino médio — caso contrário, eu nunca teria passado na Suisei —, e eu tinha algum dinheiro, então não consegui resistir à promoção.

Isso foi quando eu tinha acabado de entrar no ensino médio — mais de um ano atrás.
Mas… eu não tive uma única chance de usar aquilo.

Experimentei depois de receber a mensagem da Maaya ontem, mas estava um pouco apertado, e o padrão já não combinava muito com meu estilo atual.
Então comecei a procurar um maiô novo na internet até a hora de sair para o trabalho.
Agora que tenho um emprego, posso pagar por isso.

Quando nosso turno acabou, perguntei ao Asamura onde ele pretendia ir fazer compras.
A loja de departamentos que ele mencionou tinha a marca que eu queria, então disse que iria com ele.

Assim que chegamos lá, me perguntei que tipo de roupa de banho ele escolheria, mas logo afastei esse pensamento.
Que diferença isso faria?
Eu não poderia simplesmente acompanhá-lo enquanto ele escolhia.

Claro que não poderia.

A escada rolante o levou para mais longe, em direção ao andar de cima.
Espero que ele não tenha percebido o quanto eu estava nervosa. Ele parecia perfeitamente calmo.
E eu ali, toda atrapalhada. Me parecia um pouco injusto.

Hoje, foi o dia.

Foi divertido! Muito, muito divertido!
Uma piscina pela primeira vez em anos!
Havia tantas atrações, e eu nadei bastante!

Conversei com algumas pessoas do grupo e reconheci alguns rostos, mas nunca fui muito boa em fazer amizades.
Não sou boa em “ler o ambiente”, e não gosto de ser forçada a acompanhar a energia dos outros.
Mas hoje não foi tão ruim.

Acho que foi porque o Asamura estava lá.

Ele também não entra totalmente nas palhaçadas da Maaya, mas lida melhor com esse tipo de situação do que eu. Se quiser, ele consegue se virar.
E, ao mesmo tempo, deixa claro o que não gosta.

É por isso que me sinto atraída por ele.

Nos despedimos dos outros na Estação Shinjuku.
Maaya chamou o Asamura enquanto estávamos saindo.
Ela queria trocar contato com ele e, por algum motivo, ele olhou na minha direção.
Desviei o olhar.

Por que ele olhou para mim? Ele pode fazer o que quiser.
Era decisão dele.

Quando olhei de novo, eles já tinham terminado de trocar contatos, e o Asamura estava agradecendo por ela ter organizado o passeio.
Ouvindo aquilo, percebi o quanto Maaya tinha planejado tudo com cuidado.

[Ayko: Como sempre, Narasaka sendo tão observadora quanto os dois.]

Maaya Narasaka pode ser pequena fisicamente, mas tem um coração enorme.
Ela deve gostar muito das pessoas.
Tem um círculo de amizades bem diverso, como se gostasse da diversidade em si.

Não como eu. Alguém extremamente seletiva com pessoas. No momento em que começo a não gostar de alguém, eu me fecho completamente.
Fiquei pensando em quantas das pessoas que vi hoje eu conseguiria sair novamente e me senti enojada com a minha falta de entusiasmo.
Como sou egoísta.

O motivo de eu não gostar de sair com pessoas é o medo de que elas me enxerguem de verdade e percebam o quão egoísta eu sou.
Não quero deixar ninguém desconfortável. Isso não é justo, nem é culpa delas.
Mas eu simplesmente não consigo aceitá-las.

Por isso fico impressionada quando observo o Asamura.

No jogo que a Maaya organizou, ele não pensou em se destacar no grupo.
Tudo o que fez foi se preocupar em garantir que todos se divertissem.
Ele presta atenção nas pessoas e no esforço que elas fazem.

Eu achei isso incrível, mesmo que ninguém mais parecesse notar.
Será que só eu vi esse lado dele?
Isso me deixou um pouco orgulhosa.
E assustada.

Depois, fomos para casa juntos.
Só nós dois.

Já estava escurecendo, e era difícil distinguir seu rosto enquanto ele caminhava ao meu lado.
Provavelmente ele também não conseguia ver o meu.

Achei que aquele era o momento de dizer.

Ele era tão brilhante que parecia me cegar.
Parecia tão incrível.

E então…

“Onnii-san.”

Eu disse em voz alta e clara.
Meu coração não parava de bater.
Espero que ele não tenha notado que meus dedos estavam tremendo.

Preciso ficar dizendo a mim mesma que somos irmãos.
Mas também não quero me afastar dele.
Não quero machucar seus sentimentos quando ele está apenas tentando ser um bom irmão.

Jantamos juntos quando chegamos em casa.
Vê-lo saboreando a comida me fez entender por que a mamãe sempre gosta tanto de cozinhar para mim.

Será que eu ficava assim quando tomava o leite que ele esquentava para mim?

Disse a mim mesma que o prazer que senti era apenas o de uma irmã mais nova.
Escolhi cuidadosamente minhas próximas palavras para que ele não percebesse o que eu sentia.

   “Quer mais sopa de missô?”

Ele respondeu: 

   “Não… obrigado, Ayase.”

Senti o olhar dele sobre mim e pensei: Droga.

Parecia que ele não estava falando da sopa de missô.
Talvez eu só esteja consciente demais de mim mesma.
Talvez seja só ilusão, um delírio constrangedor.

Mas, no olhar do Asamura, acreditei ter visto o tipo de emoção que alguém sentiria por uma garota — mas não por sua irmã.

…Desculpa, Asamura.
Sou eu que estou projetando meus próprios sentimentos nos seus olhos.
Você não cometeria um erro desses.

…Mas e se?

E se ele me amar?
E se ele me disser que me ama?
O que aconteceria então?

Eu conseguiria o rejeitar como deveria?

Estou com medo.

Se eu for a única quebrada, posso manter esses sentimentos trancados e fingir para sempre que nunca os percebi.
Mas se ele desse o primeiro passo… eu não aguentaria. Eu desmoronaria completamente.

No dia seguinte, acordei com o alarme do relógio ao lado da cama.
Fui até a sala de estar e vi que a mamãe e o papai já estavam acordados.
Eles pareciam ter tirado o dia de folga, dizendo que era uma oportunidade para a família inteira relaxar junta.

Mamãe parecia mais feliz do que nunca.

Fico tão feliz por ela.
Agora ela não precisa mais sofrer como sofreu antes.
Queria que ela tivesse muita alegria para compensar as dificuldades que enfrentou no passado.

Então…

Vou enterrar meus sentimentos bem fundo.
Não quero arruinar a felicidade dela e do papai.
Não quero causar problemas ao Asamura.

Por favor, Deus, não deixe ninguém perceber o que sinto…

“Vou cortar o cabelo.”

Assim que tomei a decisão, agi imediatamente.

Cabelos longos e bonitos como os da Shiori Yomiuri eram um símbolo de feminilidade, um dos elementos que atraíam o Asamura.
Eu sabia que um corte de cabelo não resolveria meus problemas.
Mas precisava fazer tudo o que pudesse para evitar que quaisquer rachaduras surgissem em nosso relacionamento.

Que piada.

Ironicamente, sou eu quem mais é afetada por imagens estereotipadas de feminilidade e masculinidade.
Sempre odiei isso em mim mesma.

Cortei o cabelo e voltei para casa.
Tirei meu diário da gaveta da escrivaninha e reli tudo o que havia escrito até agora.
Percebi que tinha sido mais honesta do que imaginava.

Cada palavra, cada frase — tudo mostrava como eu havia me apaixonado cada vez mais por ele.

Mas não escrevi nada sobre o que aconteceu na última semana.
Não. As entradas do diário dessa semana existem apenas na minha cabeça.

Por quê?

A resposta… é simples.

Não posso correr nem o menor risco de o Asamura ler isso.

Finalmente percebi os riscos de manter um diário.
Não há garantia de que ele não o encontre se eu deixar esses pensamentos registrados.

Vou jogá-lo fora.
E nunca, nunca mais vou escrever meus sentimentos no papel.
Vou me limitar a revisitar minhas memórias apenas dentro da minha cabeça.

Preciso esconder meus sentimentos de garotinha.
Não posso interagir com ele como uma garota comum.
Tenho que ser apenas sua meia-irmã.

Não preciso mais de um diário para registrar meus dias como meia-irmã dele.

[Ayko: Que epílogo cru, tão sincero quanto real… Ambas as pessoas com seus próprios pensamentos, seus sentimentos conflitantes… Então será esse o último Diário de Ayase Saki?]

 

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora