Fios do Destino Brasileira

Autor(a): PMB


Volume 2

Capítulo 42: Um laço feito de doce

A curta tarde de diversão passou num piscar de olhos. O pôr-do-sol anunciou a hora de prepararem tudo para voltar aos dormitórios e descansar para semana seguinte. Sob o comando eficiente de Shuyu, Haru e Yoko, a bagunça originada de horas de conversa desapareceu, dando lugar à relva bem cuidada do parque mais uma vez.

Quando a última migalha de sujeira foi coletada por eles — ordens de Hanako e sua obsessão com limpeza —, a toalha de piquenique foi guardada no reino espiritual por Reiko. A ateniense se espreguiçou antes de bater palmas para chamar a atenção dos demais, um sorriso de satisfação de orelha a orelha preenchendo seu belo rosto.

— Boa, galera! Ótimo trabalho! 

— Poderia ter sido mais rápido se você se concentrasse por cinco muitos completos — cutucou, com o tato de sempre, Kyorai — mas sim. Agradeço o convite de hoje.

— Já vamos voltando para o apartamento! Zero vontade de treinar hoje — confessou Tatsuyu, dando dois tapinhas em seu estômago cheio.

— Você quase nunca tá a fim de treinar, Tatsu.

— Olha quem fala, você só tá saindo pra treinar esses dias! — A sacada do menino foi rápida. — Não sei que bicho te mordeu, Heishi, mas assim você vai virar o melhor da turma!

— Eu já sou.

O Guardião de Buri ajeitou os cabelos para fazer charme, mas acabou tendo o efeito contrário: todos seus amigos caíram na risada. 

Dispersaram-se em grupos, uns dizendo que tinham mais coisas a fazer enquanto outros seguiam em linha reta para seus conjuntos. No fim, os únicos que restaram foram os quatro moradores do 903. Apesar de não dizerem nada enquanto caminhavam juntos, lado a lado, Akashi podia sentir que o ar estava menos tenso do que no primeiro encontro.

Koyo e Zuko estavam em pontas opostas, cada qual em seu próprio mundo. Do herdeiro, Akashi sabia bem o que esperar — deveria estar pensando em desviar-se deles para ir treinar sozinho, como fazia todas as noites. Em um dos diálogos com o loiro, descobriu que ele tinha a permissão da Academia de permanecer fora do apartamento mesmo depois do toque de recolher.

Uma ideia súbita e maliciosa passou pela sua mente.

— Ichi, Koyo! — chamou, atraindo todos os olhares para si. — Eu e o Zuko vamos pegar um doce que só vende aqui perto.

— Desde quando estou envolvido nis…

— Tudo bem! Eu e o Koyo vamos pegar sorvete então!

Cada um dos “reféns” agiu de maneira bem distinta: Zuko, empurrado por Akashi, não deixava de questionar um segundo sequer do porquê sua permissão para ficar mais tempo disponível estava sendo usada de maneira tão fútil. Koyo, em contrapartida, apenas aceitou que Ichika tomasse seu pulso e o conduzisse de bom grado. 

O afastamento da parte mais movimentada da zona leste de Palas, eventualmente, fez o silêncio de Gintei se tornar cada vez mais acentuado. Seu parceiro não parecia incomodado com a situação, distraindo-se com seu assobio, com as plantas, a vista… Era genuína a alegria dele com as coisas mais simples, de tal forma que o harenariano sentia-se mal por ter aceitado o convite dele com toda a sua falta de energia.

Em seu âmago, o Guardião da Hidra buscava compreender de onde vinha tamanho otimismo. Da vida de bonança como um nobre de casa importante? Da auto-confiança espontânea e gigante? Ou ele era só alguém tão fácil assim de agradar? Qualquer que fosse a opção, invejava-o com todo seu ser. Exatamente como a sua Maldição gostaria, ele ansiava um dia tomar aquilo para si.

— Ei, Koyo, vou pegar um sorvete pra mim, quer um pra…

— Aquele tal de Seiyama é estranho, né?

— Tá mais pra estranha. Já viu como ela se veste? 

— Né! Acha que tá arrasando parecendo uma palhaça daquele jeito. Totalmente sem noção!

— E ainda dão moral colocando ela com um uniforme e dormitório masculino… 

O grupo parado em frente à barraca de iguarias glacianas não os havia notado ainda. O sorriso animado de Ichika morreu junto de seu caminhar, interrompido por uma força maior do que si. Pelo canto do olho, Koyo pôde ver o brilho das íris safiras desaparecer tal como sal na água. 

A atenção do garoto foi levada, instintivamente, aos seus cabelos salmão mal cortados. Cortados pelas suas próprias mãos delicadas, na noite antes do exame de admissão, mas que agora já voltavam a crescer e se enrolar ao redor de seu pescoço fino. Os braços esguios abraçaram seu busto mediano, oculto pela técnica que aprendeu há muito tempo.

Deveria estar habituado àquelas palavras maldosas. Muitos jamais gostariam de entender, de se colocar no lugar dele e compreender como era ver seu corpo de maneira tão repulsiva. Que culpa tinha em tentar lutar, do seu jeito, contra a dor de estar acorrentado a uma eterna aparência feminina? Ele não podia fazer nada e isto era desolador.

O julgamento de Koyo mostrou-se equivocado. Da mesma forma que harenarianos como ele, Togami e Kyorai, existia um preço para cada alegria vivida pelo seu colega de quarto — algo equivalente ao que ele pagava todos os dias tentando se desvencilhar de seus rótulos. Ninguém os via além da superfície, muito menos dispunham-se a mergulhar numa amizade com pessoas vitimadas pelo preconceito. 

A percepção de como fazia aquilo que mais odiava com uma pessoa tão pura como Ichika lhe causou náuseas de vergonha, que tipo de homem era ele para ser assim com alguém que lhe tratou bem desde o primeiro momento? Ainda que Seiyama não soubesse, ele estava determinado a se redimir de seus pensamentos indignos.

— O fato de vocês dizerem isso quando o Ichika não tem chance de se defender… 

Para a surpresa de todos, Koyo levantou sua voz para abordar os três jovens descuidados. Sua aura negra tomou a forma de três cabeças de serpente de mana, uma projeção de parte de sua Maldição feita apenas para intimidar os mal-feitores.

— Já torna ele muito mais homem do que qualquer um de vocês.

— G-Gintei! O que faz aqui? — um deles perguntou, suando frio. — A-A gente n-não tava falando do Seiyama nã…

— Eu nem falei que era dele — sibilou de volta para desarmar o argumento — e vocês já se entregaram. Por que não repetem a merda que acabaram de dizer na frente dele?

Os olhares recaíram sobre a figura acanhada posicionada atrás do Guardião da Hidra, ainda com seus próprios olhos fixos em algum ladrilho de pedra. Os garotos não tiveram coragem de sustentar sua opinião diante da enorme pressão exercida pelas pupilas finas de serpente de Koyo, restando a eles apenas sair correndo em desespero com a ideia de serem marcados pela Serpente de Sete Cabeças.

Ichika não soube quando voltaram a ficar sozinhos, nem quanto tempo se passou desde o momento que entrou no “modo de defesa”. Seu transe foi quebrado quando sentiu algo gelado tocar a lateral de seu rosto, assustando-o no processo.

Diante dele, um sorvete de embalagem verde-amarela balançava de um lado a outro. Seu amigo o encarava, como se soubesse o que ocorria dentro da bagunça mental de Seiyama. Koyo estendeu novamente o pacote frio para ele, que o pegou. “Abacaxi” estava escrito na lateral.

— Não sabia do que gostava, então peguei o que achei mais excêntrico — confessou o harenariano, mordendo seu próprio picolé.

— Por quê? 

O sussurro do nobre solano, acompanhado de uma lágrima solitária, escaparam do controle dele. Seu colega direcionou as íris prateadas a ele, embora não expressassem muita emoção enquanto ele lambia seu sorvete de limão. Ponderava sobre como responder o questionamento — o que será que ele queria saber? Sem ideia, preferiu a resposta mais leve possível.

— Depende, peguei o seu de abacaxi porque achei que gostasse de coisas diferentes. Afinal, você é diferente, mas não do jeito ruim que eles dizem.

— Hã? 

— Você sabe ser você. E eu acho isso a maior qualidade que uma pessoa poderia ter.

Pela primeira vez desde que se conheciam, Ichika viu uma espécie de sorriso torto e desengonçado se esboçar nos lábios dele. Não era apenas a expressão neutra de sempre, de quando Koyo tentava convencer seus colegas de que não era uma má pessoa ou quando um professor instintivamente aumentava a emissão de mana se ele se empolgasse durante o treinamento. 

Um sorriso carinhoso e sincero. Ichika sentiu um calor curioso em seu peito, e sentiu que precisava morder seu sorvete o mais rápido possível para que passasse. A atitude “desesperada” do solano intrigou seu colega.

— Está bom? — A pergunta foi respondida por um aceno frenético de cabeça pelo garoto de cabelos salmão. — Ainda bem, fico feliz.

“Vou precisar escrever pro pessoal do teatro sobre isso”, pensou ao sentir o delicioso gosto de abacaxi inundar sua boca. “Eles vão gostar de saber que fiz um amigo de verdade aqui.”

 

 

— Como eu sou tão estúpida? 

A confissão de uma desolada Keiko ecoou pelo terraço vazio. Sentira-se sortuda de suas colegas de quarto não a questionarem sobre o motivo de precisar sair logo após chegarem ao conjunto. Akane até tentou se voluntariar para irem juntas fazer fosse lá o que precisava, mas a garota negou veementemente.

O que era para ser um momento de introspecção e auto-reflexão mostrou-se um poço de melancolia assustador. Para a Shikiba, foi tal qual encarar o abismo que, até então, havia decidido ignorar — o vazio gigante, opressor e hostil de se sentir solitária a consumia com fervor. 

Afinal, era o primeiro aniversário em que estava sozinha. Longe do céu estrelado de Leoni, de sua família e do conforto de sua vila, a noite de comemoração aos seus 17 anos de vida não poderia ser mais decadente. As escolhas que fez para estar ali, sentada só no topo de um dos prédios, cobravam-na de uma única resposta.

Seu sofrimento vale a pena, garota? 

As palavras, entoadas em seu subconsciente como rugidos poderosos, não bambearam sua determinação. A barra de seu uniforme com detalhes amarelo-gritante, vestido apenas para caso tivesse que se explicar a algum docente, foi apertada com firmeza enquanto ela tomava ar para respirar. Ele ainda insistia em testá-la, mesmo em seu ponto mais baixo.

— Sem sombra dúvidas, ó Grande Leão — reafirmou, mais para si mesma do que para a deidade. — O remédio mais eficiente é aquele que deixa o sabor mais amargo.

— Pois então afaste esta incerteza de seu coração. Concordei com as intenções da senhorita apenas por ter resolvido agir como eu gostaria.

— Sim, mestre.

Em momentos como aquele, o deus leonino sabia muito bem o que sua humana faria. Keiko uniu as mãos em frente ao rosto, em um símbolo de oração — não demorou para a voz melodiosa entoar os cânticos de honra ao Leão da Proteção, cuja expressão projetada na mente da loira suavizou-se.

Eram poucas as ocasiões em que a mana da Abençoada sintonizava-se com seu corpo. Desde que se entendia por gente, a aura de Keiko, ainda que poderosa, era demasiado instável para se controlar; nem os melhores professores vindos da capital, Fenelope, foram capazes de domesticar a fera selvagem e rebelde que habitava a energia da menina. 

Seu mordomo particular quem descobriu que não era apenas dormir que controlava a magia de seu corpo. Desde então, sempre que a barra tornava-se pesada demais, seguia seu pequeno ritual.

— Keiko.

— Sim, mestre?

— Agradeço que Yato não tenha criado uma covarde — atestou a criatura. — Você é a arma que os Shikiba precisam. A Casa do Leão um dia a recompensará pelo seu sacrifício.

O Grande Leão desapareceu de sua mente, deixando-a mais uma vez à deriva de suas emoções. Pela “hibernação” da deidade, sua mana acalentou-se e pôde contemplar a redoma celestial girar acima de sua cabeça. “Eu ainda vou dominar esses poderes”, pensou ao erguer a mão esquerda aos céus.

Pelo jeito, sua Bênção havia sentido algo que ela não fora capaz, pois passos velozes soaram vindos da escadaria. De cabeça erguida, estava pronta para o esporro de qualquer um dos professores, mesmo de Hakua. Porém, quem apareceu cruzando o batente foi um jovem esguio de cabelos verdes e sorriso brilhante.

O contato visual? Este sim teve força para fazê-la perder o equilíbrio, de todos os jeitos.

— Sabia que era você!

— A-Akashi? — Não conseguiu conter a surpresa na voz. — O que você faz aqui? E como me achou?

Mesmo com a pouca luz da noite, Keiko notou o indicador esquerdo apontar para o rosto dele. Um manto mágico amarronzado deixava os olhos grafite dele como duas pequenas esferas lustrosas — muito bonitas, por sinal. A expressão dela transmitia sua confusão a ele, que suspirou mais uma vez antes de se aproximar.

— Dá pra ver sua mana de longe. Pelo menos, eu consigo com a minha técnica. — Deu uma piscadela marota à loira. — Isso é o de menos. O que você tá fazendo aqui? Lembro que te vi saindo com as meninas.

— Quis limpar a cabeça u-um pouco…

A ponderação entre abrir o jogo ou manter as coisas como estavam pesou no coração de Keiko. Ora, aquele garoto foi capaz de senti-la de uma distância considerável e veio ver o que houve, sem hesitar. Como não poderia confiar em alguém tão atencioso assim?

Ao mesmo tempo, tinha medo. Muito medo. Tanto, mas tanto que era algo similar a sair de seu personagem de leão forte e tornar-se um pequeno coelho acuado. Sua ansiedade estava entalada em sua garganta, e ele notou.

— Kei.

— Eu?!

O apelido pegou seu coração desprotegido. Sem aviso prévio, Akashi pegou as mãos dela e as envolveu com suas próprias; não havia percebido quando ele chegou perto dela daquela forma.

— Você não tá falando com o coração! — Pela enésima vez, a mente da leonina estava tumultuada pelas palavras dele. — Por isso, sua punição vai ser…

O garoto telurino puxou-a para se ajoelhar ao lado dele, próximo a uma caixa branca com listras vermelhas fechada por laços rosados. Não a notara antes, muito menos a sacola de onde ela fora tirada. Tinha que admitir estar muito curiosa com o rumo a ser tomado dali em diante.

Sem cerimônia, ele retirou as fitas e a tampa da embalagem, revelando seu conteúdo. Os olhos prateados de Keiko se encheram de euforia pura.

— Pudins de maracujá! — anunciou, com um deles em mãos. — Esses são super difíceis pelo horário! E… caros também. Só os veteranos conseguem…

— Ainda bem que tenho meus contatos… — A imagem do loiro mal-encarado que chamava de amigo piscou em sua cabeça. — De qualquer jeito, parece que você gosta bastante deles. Pode ficar.

Nem precisou dizer algo para fazê-lo cair na risada com seu olhar de descrença.

— M-M-Mas são s-seus!

— Não mais, agora são seus.

— Isso nem faz sentido, Akashi!

— Claro que faz — reafirmou, de bochechas estufadas — já que você precisa deles mais do que eu. Minha mãe sempre disse que um doce bem gostoso cura qualquer pro… Do que você tá rindo, Keiko Shikiba?!

Se havia algum resquício de tristeza no semblante de Keiko, este desintegrou-se junto de sua compostura. “Como o sorriso dela é bonito…”, analisou Akashi, distraído com o delicioso som da risada de sua colega. Poderia admirá-la assim o dia inteiro se fosse possível. As arfadas por ar vieram depois de algum tempo rindo sem parar.

— É porque você fez meu aniversário muito melhor.

Impulsiva tal qual a decisão dele de entregar o caríssimo produto para a garota, Keiko beijou a lateral do rosto do amigo com delicadeza — apenas um toque suave de seus lábios sobre a bochecha direita dele. Para o que ele, inconscientemente, havia representado para ela naquela noite, era um presente bem aquém do merecido.

Ela observou o rosto dele transacionar entre o tom normal e o vermelho-berrante, receosa de ter invadido o espaço pessoal dele. A boca abriu e fechou algumas vezes sem emitir som. Mais um tempo se passou até ele arquear as sobrancelhas, com ambos agora sentados diante da caixa aberta.

— Espera, é seu a-aniversário? — gritou o menino de cabelos verdes, com vergonha demais para falar do gesto dela. — Por que você não falou mais cedo pra todo mundo comemorar junto?

— Sabe que eu também não sei? — Preferiu ter toda a sinceridade do mundo com Akashi. — Eu achava que eu ia me sentir melhor não falando e sem comemorar. Isso só deixou tudo pior. Então, aqui estamos, sozinhos e nessa situação.

— Ainda dá tem…

— Mas eu não acho que seja uma coisa ruim. Não mais, já que agora você tá aqui — corrigiu Keiko, abraçando suas pernas torneadas. — Obrigada por isso, Akashi. Não só pelo presente.

A cabeça dela encostou nos joelhos, virada para ele. O cabelo liso escorria pelos seus rostos, em total contraste de cor com os olhos prateados. Aqueles lábios rosados, formando um sorriso largo, causavam uma hipnose agradável e poderosa e ele era incapaz de desfazer o contato visual com eles. Estava preso num feitiço daquela sacerdotisa.

Sentiu seu coração errar longe uma batida.

— Você parece que vai infartar, Akashi. Está tudo bem com seu coração? 

A dúvida de Miguel, o Quinto, era uma preocupação genuína. Embora o arcanjo não possuísse a compreensão mortal de sentimentos, as consequências deles eram palpáveis no corpo de Akashi — tamanha arritmia não poderia ser natural aos olhos de um ser divino. 

— Tá t-tudo sim, Miguel. Fica tranquilo. 

— Se diz, boa noite. Senti que você não quer ser observado agora.

Ser incapaz de entender não o tornava incapaz de sentir: sua fala precisa lembrou o Guardião deste importante detalhe. A conexao psicológica foi desfeita e, só então, Akashi percebeu que deveria estar com uma baita cara de idiota mudo há um bom tempo.

— Eu… fiz alguma coisa que você não gostou? — questionou Shikiba, a enrolar o dedo nas mechas amarelas. — Descul…

— Ano que vem. 

— Oi?

O garoto até tentou, em vão, esconder sua empolgação. De pé, abriu os braços junto de seu mais espontâneo sorriso para Keiko.

— Ano que vem, seu aniversário vai ser o melhor dia do ano! — cravou, convicto. — Pode deixar comigo. Ah, e com as meninas também, já que elas te conhecem melhor.

— Só de você dizer isso já me deixa feliz!

Pela posição da lua, tinham de se apressar para não serem enquadrados por algum dos professores: explicar o motivo de estarem sozinhos tão tarde da noite poderia ser simples, mas não menos vergonhoso. Akashi a ajudou a se levantar e embalar a caixa de volta para levar junto de si.

— Eu te acompanho até o teu prédio. O meu é caminho dali em diante.

— Agradeço seu cavalheirismo, senhor Guardião — brincou.

— Disponha, senhorita Guardiã — respondeu, arqueando os lábios.

Uma risada em conjunto preencheu o ar entre eles. Na pequena distância entre eles, podiam sentir as mãos roçarem uma na outra, tímidas demais para fazer alguma coisa quanto aos sentimentos deles. “Não era hora”, pensaram ambos. 

“Não ainda.”

 

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