Filho sem Reino Brasileira

Autor(a): Xiaozim


Volume 1

Capítulo 23: O Retorno Não É Milagre

A descida começou antes do corpo aceitar que tinha fim.

O ar já não cortava como no topo, mas ainda entrava no peito sem pedir licença. A neve ficava mais úmida a cada trecho, grudando no tecido e pesando nas pernas. Satoshi sentia o joelho esquerdo latejar quando colocava o pé numa pedra mais alta. Não era ferida aberta. Era desgaste. O tipo de dor que não sangra, só cobra.

Kael descia na frente com o mesmo ritmo de sempre, como se a montanha fosse só mais uma escada ruim. Os ombros dele não caiam. Não tremiam. Só avançavam. O calor em volta dele era baixo, escondido, do tipo que não aquece, só impede a morte rápida.

Arume vinha perto de Satoshi, o caderno de runas amarrado no antebraço com tiras de couro. Ela segurava aquilo como quem segura uma faca sem lâmina: útil, mas perigosa. O rosto dela estava fechado. Os olhos não procuravam beleza. Procuravam falha.

Mira seguia atrás, quase colada na sombra do grupo. Ela não olhava pro alto. Olhava pro chão, para as bordas, para o canto das pedras onde os musgos cresciam tortos. Às vezes tocava a rocha com a ponta do dedo e tirava a mão rápido, como se tivesse sentido uma febre escondida.

Torvel piscava demais. A pele em volta dos olhos parecia mais funda, como se ele tivesse envelhecido em poucos dias. As tatuagens de sombra líquida nos braços estavam finas, puxadas, e quando ele mexia o pulso, a coisa parecia demorar um instante pra acompanhar, como se parte dele tivesse ficado presa lá em cima.

Dalen não falava. Andava um pouco afastado, onde a neve virava lama escura e pedra molhada. Respirava pelo nariz, curto, e cada vez que engolia, o pescoço dele travava como se estivesse mastigando ferrugem.

Satoshi descia com a máscara de Itaimbé batendo no osso do peito, presa por uma correia curta. O metal não esquentava. Não importava quanto calor existisse nele. Aquilo continuava frio, como se fosse feito para lembrar: o mundo não confia.

Kagutsuchi estava quieto.

Mas a quietude não era descanso.

Era atenção.

Satoshi sentia isso pelo jeito que o peito apertava quando ele olhava pro caminho. A entidade dentro dele não empurrava. Não pedia. Só ficava ali, grudada na consciência como uma língua no dente quebrado.

Quando o trecho de mata terminou e o horizonte abriu, a Academia apareceu.

Torres de pedra, muralhas altas, os portões inferiores como boca de animal antigo. A visão devia trazer alívio. Não trouxe. Satoshi sentiu o estômago virar.

Porque a mata não fechou atrás deles.

Nenhum som sumiu. Nenhuma trilha apagou. O verde ficou parado, quieto, como se tivesse deixado o grupo sair só para ver o que fariam com a saída.

Kael diminuiu o passo e parou.

Havia gente esperando.

Gente demais.

Uma fileira larga de soldados, metal limpo, roupa sem lama, mão descansada em espada curta. Não tinham cheiro de ronda. Tinham cheiro de óleo, pano seco e ferro guardado. O tipo de cheiro que aparece quando alguém foi chamado antes do perigo existir.

Arume encostou no ombro de Satoshi sem perceber. Um toque curto, mais reflexo que carinho. Ela se afastou logo em seguida, como se não quisesse entregar nada.

Mira parou um passo atrás do grupo, posicionada para ver os lados. A cabeça inclinou um pouco. O assobio que vivia nela parecia ter se recolhido para dentro da garganta.

Torvel prendeu a respiração, o peito dele subindo rápido demais, como se quisesse correr mas não tivesse onde.

Dalen cheirou o ar e o canto da boca dele repuxou. Ele virou o rosto para o lado, cuspiu no chão e passou a língua nos dentes, como se tentasse tirar um gosto podre.

Kael falou sem levantar a voz:

— Juntos. E calados.

Um homem saiu da fileira e veio até eles.

Capa cinza. Prancheta de couro. Carvão preso por cordão no pulso. Não tinha medalha, não tinha brilho, não tinha orgulho. Só função. O corpo dele parecia leve demais para alguém que manda.

Ele parou diante de Kael sem fazer reverência.

— Instrutor Kael.

Kael não respondeu.

O homem continuou:

— Ordem do Conselho. Relatório público. Agora.

Arume apertou o caderno no braço e o couro rangeu.

Kael falou, enfim:

— Água primeiro.

O homem olhou como quem olha um pedido fora do registro.

— Depois do relato.

Satoshi sentiu o fogo mexer dentro do peito. Não subiu. Não ferveu. Só se deslocou, como um animal acordando para farejar.

O homem deixou os olhos passarem pelo grupo.

Mira. Torvel. Dalen. Arume.

Então travou em Satoshi.

A demora não foi longa. Foi exata.

Como se ele estivesse confirmando uma marca invisível na altura do esterno.

— Satoshi Yuta — ele disse.

Satoshi não respondeu.

O homem baixou os olhos para a prancheta e anotou.

— Pavio.

O apelido não saiu como insulto. Saiu como número.

Kael levantou a mão sem olhar para Arume, um gesto pequeno que segurou qualquer impulso.

O homem abriu o braço e mostrou o corredor formado pelos soldados.

— O povo precisa ver. Precisa ouvir. Precisa entender.

Satoshi olhou o corredor.

Era estreito por escolha. Eles queriam que passassem perto. Queriam ver o cansaço. Queriam cheirar medo. Queriam medir tudo que pudesse ser medido.

Kael deu o primeiro passo. O grupo seguiu.

O corredor fechou ao redor deles, e Satoshi sentiu o ar diminuir. Um soldado à esquerda limpou a garganta. Outro coçou a luva. Não era ameaça. Era banalidade. E a banalidade, ali, era pior.

O pátio inferior estava montado como festa.

Plataforma de madeira no centro. Tochinhas altas demais. Fogo branco, caro e duro, tirando sombra do rosto. Tecidos pendurados, limpos, quase novos, como se quisessem fingir que nada apodrece naquela pedra.

Ao redor, alunos. Muitos. Os que podiam estar ali estavam.

Solários em fileira reta, dourado e postura.

Auroranos em grupos, rindo baixo, olhos rápidos.

E não havia Eclípticos ali. Nenhum escondido, nenhum à distância. Só o grupo que tinha voltado. O resto do pátio era classe e função olhando como se eles fossem bicho raro, ou mentira andando.

Satoshi procurou a Rainha das Cinzas sem querer.

Não estava.

O peito dele apertou com um tipo de vazio que não era saudade. Era falta de eixo. Era como atravessar o pátio sem a única presença capaz de calar um procedimento só com um olhar.

A mão de Satoshi segurou a correia da máscara. Apertou com força.

Lá no alto, perto das escadas, Cássio estava.

Túnica dourada impecável. O queixo um pouco elevado. Ele observava como se o retorno fosse uma afronta pessoal.

Satoshi encontrou o olhar dele.

Cássio sorriu de canto, curto, como alguém que já imagina a cena com sangue.

Kael foi levado até o centro da plataforma. O homem da prancheta subiu junto, sempre a um passo.

Uma voz gritou alto:

— O grupo de reconhecimento retornou da montanha!

O pátio respondeu com murmúrio. O som correu, bateu nas paredes, voltou.

Satoshi ouviu vozes como faca sendo afiada.

— Eclipse…

— Total…

— Pavio…

Um sussurro mais baixo, perto demais, quase colado no ouvido dele:

— Deus estrangeiro…

Satoshi virou o rosto instintivamente, procurando de onde veio.

E naquele movimento, o homem da prancheta olhou de novo. E anotou de novo.

Só isso.

A anotação foi o golpe.

Não doeu na pele. Doeu na vontade.

Porque Satoshi entendeu: qualquer reação vira prova. Qualquer reação vira linha de relatório.

Kagutsuchi bateu uma vez dentro do peito, irritado.

Satoshi não deixou sair.

O homem ergueu o rosto.

— Conte.

Kael falou como martelo frio:

— Subimos. A mata tentou fechar a trilha. Cobrou.

Não havia enfeite. Não havia heroísmo.

Ele continuou:

— Um de nós morreu.

O pátio não fez silêncio por respeito. Fez silêncio por fome.

O homem da prancheta inclinou o rosto.

— Nome.

Kael demorou um fio.

A demora foi pequena. Mas foi o suficiente para Satoshi entender: Kael estava escolhendo o que matar com a boca para evitar que o Reino matasse com a mão.

— Rask — Kael disse.

O nome atravessou o pátio como pedra lançada em água parada.

Alguns alunos se entreolharam, tentando lembrar o rosto. Outros nem fingiram. Só aceitaram como parte do número.

O homem anotou.

— O corpo foi trazido?

Kael respondeu sem piscar:

— Não.

A prancheta recebeu outra linha.

O homem ergueu o queixo.

— Então a missão gerou estabilidade e custo. Como previsto.

A palavra previsto deu náusea.

Kael olhou para a multidão e completou, sem levantar:

— Não existe sucesso lá. Existe sobreviver.

O homem inclinou a cabeça, como quem tolera excesso.

— O que encontraram?

Kael ficou parado. O silêncio dele foi maior do que uma frase. Satoshi sentiu o grupo travar. Arume parou de respirar por um segundo. Torvel ficou imóvel. Dalen apertou a mão na própria coxa como se segurasse um tremor.

Se Kael falasse do topo, aquilo viraria posse.

Satoshi abriu a boca antes.

— A montanha continua lá.

O homem da prancheta olhou como se enfim tivesse encontrado o que queria.

— Óbvio.

Satoshi respondeu, com a voz baixa:

— Não é. Porque vocês esperavam sumiço.

Alguns auroranos riram. Um riso curto, nervoso. Alguns solários fizeram cara de nojo.

Kael não interrompeu.

Satoshi continuou:

— A trilha abre e fecha quando quer. A gente voltou porque não correu.

O pátio entendeu coragem. E Satoshi deixou.

O homem anotou.

— Recomenda repetir?

Armadilha.

Satoshi olhou para o grupo. Viu Arume segurando o próprio limite. Viu Mira com o olhar de faca guardada. Viu Torvel tremendo por dentro. Viu Dalen segurando o ar como se fosse doença.

Satoshi respondeu:

— Recomendo não mandar gente sem saber o que tá fazendo.

O murmúrio virou escândalo curto.

O homem inclinou o rosto.

— E você sabe?

Satoshi apertou a correia da máscara até sentir o couro morder a pele.

— Sei o suficiente pra não morrer do jeito fácil.

Kael não sorriu. Mas a postura dele mudou um fio. Como se aquela escolha fosse a primeira coisa real do dia.

O homem fechou a prancheta.

— O Conselho ouvirá. O povo já viu.

Ele se afastou como se tivesse encerrado o ato.

Mas o pátio ainda queria fim.

E então Ilyan Vereth desceu as escadas.

Túnica simples, cara. Olhos frios. O anel brilhando pouco, mas presente.

Ele cruzou o pátio como quem pisa em lugar que já pertence.

Parou diante da plataforma e encarou Satoshi.

— Yuta.

Satoshi respondeu sem baixar a cabeça:

— Vereth.

O silêncio que veio foi curto, mas pesado. Gente prendendo o ar para ouvir se algo ia quebrar ali.

Ilyan não reagiu à insolência.

— Voltaram — ele disse. — Retorno improvável. Interessante.

A palavra interessante gelou a nuca de Satoshi.

Ilyan virou para a multidão e falou alto:

— A Academia agradece. A estabilidade do Reino se prova com disciplina.

Então voltou para Satoshi.

— Você parece mais estável, Pavio.

Satoshi não riu. Não respondeu com raiva.

— Eu voltei.

Ilyan sorriu só com a boca.

— Sim. E agora você será visto.

Ele subiu um degrau e lançou a frase que era lâmina embrulhada em festa.

— Amanhã começa o Torneio do Cálice das Três Chamas. O torneio anual.

O pátio explodiu em murmúrios. O som virou fogo de boca.

Torneio anual.

Nome grande demais para parecer simples.

Cálice.

Três Chamas.

Satoshi ouviu a palavra cálice e o gosto de metal voltou na língua.

Ilyan não explicou. Não precisava.

Ele foi embora, e a plataforma começou a ser desmontada rápido, como se tudo que tinham visto ali fosse só madeira de uso.

O grupo foi levado por corredores laterais. Portas que nunca abririam para Eclípticos abriram com facilidade.

O fácil era aviso.

No caminho, Arume falou baixo:

— Eles queriam a gente no sol.

Kael respondeu, seco:

— Querem vocês queimando no sol.

Torvel engoliu a frase antes de soltar:

— Eu vi selo colado… novo… como se tivessem feito correndo…

Mira respondeu:

— Eu vi.

Dalen murmurou:

— E eu senti cheiro de carne velha.

Satoshi segurou a máscara com força.

— Então não é só torneio.

Kael parou diante da porta de ferro das Catacumbas do Eclipse.

O metal estava limpo demais.

Kael empurrou. O ar frio do subterrâneo veio como uma mão no rosto.

A forja-prisão era a mesma: pedra, corrente, fogo baixo, ferrugem.

Mas havia água.

Um balde limpo. Um pano. Um pão duro.

Gentileza falsa.

Satoshi odiou aquilo.

Arume bebeu primeiro, sem orgulho. Limpou a boca com a mão e respirou como se precisasse lembrar que ainda era corpo.

Mira sentou num canto. Os olhos fechados, mas os dedos mexendo, desenhando algo invisível no ar.

Torvel ficou de pé, olhando pro teto como se ainda esperasse a floresta puxar.

Dalen encostou a testa na parede e respirou devagar, como quem segura o próprio mundo.

Kael ficou no centro.

— Hoje ninguém dorme sem falar comigo.

Arume virou para Satoshi.

— Você ouviu o que ele fez.

Satoshi não perguntou quem. O corpo já sabia.

— Ele chamou isso de anual — Arume disse. — Como se fosse festa antiga.

Kael respondeu:

— Festa precisa de sangue. E de regra.

Satoshi falou baixo:

— E de mentira.

Kael olhou direto.

— E de narrativa.

Satoshi puxou o livro escondido dentro da túnica.

Pano e corda. Como carne.

Arume endureceu na hora.

Mira abriu os olhos.

Torvel recuou um passo.

Dalen encarou como quem reconhece um cheiro.

Kael não se aproximou, mas o olhar dele travou no objeto.

— Você trouxe.

Satoshi assentiu.

— Eu não deixei lá.

Kael respirou fundo, lento.

— Você entende o tamanho do que carregou?

Satoshi respondeu:

— Eu entendo o tamanho do silêncio.

Kael deu um passo mais perto.

— O Conselho vai te chamar. Vai te oferecer nome. Vai te oferecer lugar.

Satoshi não desviou.

— Eu não quero.

Kael respondeu:

— Eles não perguntam.

Arume cruzou os braços.

— E você vai fazer o quê?

Satoshi olhou para o livro e depois para ela.

— Não vou dar tudo. Ainda.

Mira falou baixa:

— Vai guardar o topo.

Dalen riu curto.

— Vai guardar a garganta do mundo… enquanto eles montam cálice.

Torvel sussurrou:

— E se perguntarem de Rask de novo?

Arume travou o olhar em Kael.

— Você matou ele com a boca.

Kael não desviou.

— Eu enterrei o nome dele no pátio.

Satoshi sentiu o peito apertar. Não de culpa. De entendimento.

— Pra proteger ele — Satoshi disse.

Kael assentiu uma vez.

— Se eles souberem que ele vive, vão caçar. Vão puxar. Vão achar a vila. Vão achar a trilha. Vão fazer a floresta cobrar de novo, do jeito deles.

Arume respirou fundo. E soltou a frase como quem aceita uma ferida:

— Então agora ele tá morto pra nós.

Mira respondeu, seca:

— Morto pra registro. Vivo pra escolha.

Kael completou:

— Vivo pra voltar quando puder. Se puder.

Kagutsuchi pressionou dentro do peito, pedindo o caminho curto.

Satoshi apertou a pulseira no pulso. Metal irregular. Feito por mão humana.

Ele respirou.

— Eu não vou explodir por ordem deles.

Arume encarou ele, dura.

— E se tentarem fazer?

Satoshi respondeu com calma que era escolha.

— Então eu escolho onde queima.

O silêncio que veio foi o tipo de silêncio que muda direção.

Satoshi sentou no canto escuro e abriu o livro no colo.

As páginas tinham registro frio. Nomes de coisa que matava. Gente que sumia como linha cortada.

Ele puxou o carvão.

A mão tremia.

Não por ignorância. Ele sabia escrever.

Tremia porque a palavra virava compromisso.

Satoshi escreveu devagar:

SATOSHI YUTA VOLTOU.

A letra saiu reta. Feia. Verdadeira.

E escreveu abaixo:

E NÃO FOI MILAGRE.

Ele fechou o livro e segurou contra o peito.

Kael falou baixo:

— Você vai deitar.

Satoshi soltou ar.

— Eu não sei se durmo.

Kael respondeu sem suavizar:

— Você vai deitar mesmo assim. O corpo aprende.

Satoshi deitou no canto escuro. O corpo inteiro doía. O joelho queimava. Os dedos doíam por dentro.

Ele olhou para o teto e viu o pátio de novo. Ouviu cálice como sentença. Viu Ilyan sorrindo sem sorriso. Viu Cássio olhando como quem quer arrancar fogo com as mãos.

E viu o topo, a fissura fria, o aspecto dizendo que voltar vivo era perigo.

Satoshi virou de lado, buscando um lugar onde a pedra não esmagasse as costelas. A mão dele tocou a máscara de Itaimbé.

Ele puxou a correia, soltou devagar, e por um instante segurou a máscara suspensa acima do peito, como se estivesse segurando a própria garganta.

Então ele a colocou no chão, ao lado da cabeça, onde pudesse alcançar sem levantar.

Depois, sem falar com ninguém, abriu a palma da mão direita, molhou o dedo na água do balde e passou na capa do livro, num traço curto. Não apagou nada. Só marcou.

Um gesto pequeno.

Um juramento sem som.

Ele enfiou o livro por baixo do tecido da túnica e prendeu a corda em volta da cintura, por dentro, escondido, onde ninguém pegaria sem tocar nele.

Satoshi fechou os olhos e respirou curto.

Ele não contaria a verdade completa ainda.

Não por medo.

Mas porque a verdade, na boca errada, virava coleira.

E ele não voltou para usar coleira.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora