Fantasma Sombrio Brasileira

Autor(a): Pedro D'Arck


Volume 1

Capítulo 14: A morte de uma fantasma sombria

Lana, Inácia, Elisa, Esther e Lari estavam paradas na rua, de frente para a floresta, ao lado dos carros de polícia que elas haviam acionado alguns minutos atrás.

Três policiais ainda se faziam presentes ali, os mesmos que tinham realizado um breve interrogatório nelas, enquanto uma equipe de resgate composta por oito homens acabara de adentrar a mata em busca dos jovens.

— Será que eles estão bem? — perguntou Lari, inquieta.

— Não sei… — Lana respondeu vagamente. — Realmente não sei… — No fundo, um mau pressentimento a consumia, e seu olhar permanecia fixo na mata. Ninguém ali fazia ideia do que estava acontecendo na velha cabana, a muitos metros de distância.

De repente, presenças surgiram do nada.

Esther olhou para o lado e se surpreendeu: a rua, que até há um instante estava vazia, agora se encontrava lotada de pessoas que avançavam em passos lentos, zonzas, gemendo de forma quase morta.

— O que esse pessoal está fazendo aqui? — perguntou, afastando-se com o rosto espantado daquela gente estranha que se aproximava.

Lana reparou nos olhos deles — olhos com um brilho vermelho e sobrenatural. Mesmo já tendo visto aquilo antes, sentiu o mesmo choque que as outras meninas. Era a única ali que sabia o que realmente eram: zumbis-sobrenaturais, desta vez em grande número. Dezenas.

— Aconteça o que acontecer, não deixem que eles peguem vocês — alertou Lana, recuando na mesma medida em que eles avançavam.

— Mas quem são eles?! — perguntou Elisa, à beira do desespero.

— São zumbis-sobrenaturais.

— Ah, que ironia… — resmungou Inácia, achando que era brincadeira. — Espera. É sério?

— Sim. E não os subestimem. Embora pareçam aqueles zumbis bobos de filme, eles são mais potentes que humanos comuns.

— O quê? — Elisa se espantou. — Então isso quer dizer… Se corrermos…

— Eles correrão também. E vão nos pegar, com certeza — completou Lana, expondo a infeliz verdade.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Na mata, os policiais, trajados com fardas de alta proteção e portando fuzis e lanternas, se locomoviam com pressa à procura dos quatro jovens. Logo perceberam uma claridade alaranjada ao longe e decidiram que era para lá que deveriam seguir.

A cabana estava em chamas. O som da crepitação dominava a área.

Ao redor, relativamente seguros, Enzo e Tales estavam sentados no gramado, zonzos, completamente fora de si. Agatha, cheia de ferimentos e já vestida, tentava reanimar Saketsu, que permanecia estendido no chão, sem camiseta, sem ferimento aparente, porém totalmente desacordado.

Agatha suspirou aliviada ao confirmar que os batimentos cardíacos dele estavam normais. Exausta, acabou apoiando a cabeça sobre o peito dele, mas se ergueu de imediato ao ouvir sons nas moitas próximas. Ao olhar melhor, se surpreendeu com a chegada dos policiais.

Eles ajudaram os garotos, colocando-os em macas que desdobraram da mochila de equipamentos para levá-los ao hospital, enquanto dois policiais permaneceram ali para investigar o local.

— Caramba… mas o que aconteceu aqui? — perguntou um deles, surpreso.

Não demorou para se deparar com a figura horrenda do caipira sob o entulho da cabana, o corpo todo queimado, sendo cada vez mais consumido pelo fogo.

Ele ainda estava vivo. Ofegava pesadamente, com um braço esticado na direção de onde Saketsu era levado. Parecia usar as últimas forças para alcançá-lo, mas mal conseguia manter o braço alguns centímetros acima do chão.

— Você vai morrer… Saketsu… Quando chegar no Inferno, vamos fazer você se arrepender… por tudo… — prometeu, com a voz falhando.

— Ei, aguente firme. Vamos te tirar daí — disse um policial, tentando afastar as madeiras em chamas.

As pálpebras do caipira começaram a se fechar lentamente, e o corpo a perder a rigidez. Por um instante, teve vislumbres da infância: ele e o irmão abrindo corpos de animais, psicopaticamente felizes. Foi com essa imagem que se entregou à morte fria, no meio do calor.

Ainda tentando remover as madeiras quentes, um dos policiais parou de repente ao perceber que o corpo inconsciente começava a afundar no chão, sendo engolido por uma espécie de sombra.

Os policiais ficaram embasbacados.

Quando o corpo foi sugado por completo e restou apenas uma poça sombria, ela se contraiu lentamente e, por fim, desapareceu, sem deixar qualquer resquício.

— Me diga que não fui só eu que vi isso…

— Não…

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Enquanto era levado na maca, Saketsu despertou de um sonho escuro e silencioso. Permaneceu deitado observando grossos galhos passarem metros acima de si, confuso, sem entender nada.

Forçando o pescoço para frente, notou por entre as árvores luzes vermelhas piscando; estavam próximos da estrada e dos carros de polícia.

Algo, porém, estava errado.

Era possível ouvir diversos disparos.

O rádio de um dos policiais chiou:

— Precisamos de reforços! Imediatamente! Estamos sendo atacados!

Os policiais posicionaram as macas no chão e partiram em disparada enquanto preparavam as armas.

Saketsu se levantou e, sem pensar, decidiu ver o que estava acontecendo, mesmo mal conseguindo se manter em pé.

Apoiando-se nas árvores, ouvia vozes, gemidos, mais tiros… e o grito desesperado de uma garota, como se estivesse sendo dilacerada viva.

A folhagem não permitia enxergar direito. Só compreendeu a situação quando parou ao lado da última árvore da orla.

A estrada estava infestada de zumbis-sobrenaturais.

Era uma quantidade absurda — algo em torno de cinquenta — concentrados num único ponto, empurrando-se e brigando entre si para dividir algo no meio, tão importante que ignoravam completamente os tiros que recebiam.

Mas o que mais apavorava Saketsu era o grito da garota.

Quando percebeu de quem era a voz, sentiu a pressão despencar e a respiração falhar.

Então, por um instante, ele a viu no meio deles, viu Esther sendo mordida por todos os lados, sendo devorada viva, enquanto uma energia negra escapava de seus ferimentos. Aquela energia era agarrada pelos zumbis como algo físico e engolida com avidez.

O mal-estar o atingiu como um soco.

Saketsu caiu de joelhos no chão, o terror estampado no rosto.

— Ela é um glasbhuk — afirmou Ukyi, surgindo ao lado de forma repentina, observando a cena com seus olhos vermelhos sem qualquer traço de comoção.

— O quê…

O grito cessou.

Restaram apenas os tiros. Mesmo assim, os zumbis reagiam como se não sentissem nada; apenas alguns, após terem grande parte do corpo destruída, tombavam e entravam em processo de corrosão.

— Do que você está falando, Ukyi?! — Saketsu ansiou por respostas.

— Eles vieram por sentirem a presença de um glasbhuk. Foi por isso que eu também vim. Havia uma presença esmagadoramente maléfica que se sobrepunha à tua. Achei que algo tivesse acontecido. Mas ela desapareceu de repente, restando apenas a tua… e a dela.

— Você está dizendo que a presença era dela?

— Não. A dela é fraca, quase imperceptível. Imagino que eles tenham ido até ela porque, por acaso, ela estava mais próxima. Praticamente colada neles.

— Então por que você não fez nada?! Você sabia que isso ia acontecer! Você chegou junto com eles, não chegou?! — Saketsu explodiu.

Abaixou a cabeça, incrédulo. Nunca tivera tanta vontade de socar Ukyi, ainda mais quando ele permaneceu em silêncio.

Sem suportar ficar parado, Saketsu disparou com a pouca força que tinha.

Estranhamente, os zumbis-sobrenaturais estavam se afastando, dando as costas e correndo para o outro lado da mata. Quando Saketsu alcançou o meio da estrada, eles já sumiam no matagal.

— Malditos! Vocês não me querem também?! Venham me pegar! — gritou, tomado pelo ódio.

Uma aura escura escapava de seu corpo como vapor.

No breu da mata, os zumbis pararam e se viraram com os olhos vermelhos cintilando. Por um instante, pareceram querer voltar… mas resistiram, virando-se novamente e desaparecendo.

Saketsu caiu sem fôlego.

Alívio e frustração se misturaram.

Frustração por não ter conseguido fazer nada.

Seu olhar se desviou para o sangue e restos espalhados no asfalto. O nojo veio imediato, o estômago revirou, e ele acabou vomitando.

Lana, naquele momento, estava dentro do carro da polícia, chorando sem conseguir parar. Ver os restos da amiga naquele estado era traumatizante demais.

Naquele dia, Esther fora morta de uma das formas mais brutais possíveis, tendo cada parte do corpo dilacerada sem chance de reação.

E por quê?

Por ser um glasbhuk — algo que ela provavelmente nem sabia o que era.

Afinal… o que realmente é ser um glasbhuk?

Quem mais poderia ser?

Todos os glasbhuks estavam predestinados a isso?

E quem, ou o quê, de fato, são os zumbis-sobrenaturais?

Até que ponto eles podem chegar?

Tudo indicava que aquilo ainda era pouco diante dos mistérios que iriam infernizar a vida de todos.

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